TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Publicado em: 04/07/2010 |Comentário: 1 | Acessos: 1,853 |

       Falar de inteligência implica debater um dos temas mais importantes e mais controversos temas da humanidade (FERRARI, 2008).

A definição da palavra inteligência dada pelo dicionário Aurélio é; Inteligência: 1. Faculdade ou capacidade de aprender, apreender, compreender ou adaptar-se facilmente; intelecto, intelectualidade. 2. Destreza mental; agudeza, perspicácia. 3. Pessoa inteligente.

Para Piaget, a inteligência é o mecanismo de adaptação do organismo a uma situação nova e, como tal, implica a construção contínua de novas estruturas. Esta adaptação refere-se ao mundo exterior, como toda adaptação biológica. Desta forma, os indivíduos se desenvolvem intelectualmente a partir de exercícios e estímulos oferecidos pelo meio que os cercam. O que vale também dizer que a inteligência humana pode ser exercitada, buscando um aperfeiçoamento de potencialidades (TRAVASSOS, 2001 apud CHIABAI, 1990, p. 3).

Howard Gardner conceitua inteligência como sendo, um potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativado num cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura.

Desta maneira, o presente estudo pretende apresentar de forma sucinta a teoria das Inteligências Múltiplas e realizar uma breve análise crítica da teoria.

No inicio da década de 1980, Howard Gardner causou forte impacto na área educacional com a divulgação da sua teoria das inteligências múltiplas. Até então, o padrão mais aceito para a avaliação de inteligência eram os testes de QI (quociente de inteligência), criados nos primeiros anos do século 20 pelo psicólogo francês Alfred Binet (1857-1911). A inteligência na visão tradicional é conceituada como a capacidade de responder a testes de inteligência, o Q.I, que media, basicamente, a capacidade de dominar o raciocínio conhecido como lógico-matemático. Alguns testes realizados demonstram que a "faculdade geral da inteligência" não muda muito com a idade ou com treinamento ou experiência. A inteligência é um atributo ou uma faculdade inata do ser humano. Gardner procurou ampliar este conceito (FERRARI, 2008).

Sua insatisfação com a idéia de QI e com visões unitárias de inteligência, o levou a redefinir inteligência à luz das origens biológicas da habilidade para resolver problemas. Através da avaliação das atuações de diferentes profissionais em diversas culturas, e do repertório de habilidades dos seres humanos na busca de soluções, culturalmente apropriadas, para os seus problemas (GAMA, 1998).

A inteligência para Gardner é a capacidade de solucionar problemas ou elaborar produtos que são importantes em um determinado ambiente ou comunidade cultural. A capacidade de resolver problemas permite às pessoas abordar situações, atingir objetivos e localizar caminhos adequados a esse objetivo (TRAVASSOS, 2001).

Gardner sugere que alguns talentos só se desenvolvem porque são valorizados pelo ambiente. Ele afirma que cada cultura valoriza certos talentos, que devem ser dominados por uma quantidade de indivíduos e, depois, passados para a geração seguinte (GAMA, 1998).

A inovação dentro da teoria de Gardner é considerar a inteligência como possuindo várias facetas. Tais facetas nada mais são do que talentos, capacidades e habilidades mentais; onde são chamadas de inteligências em sua teoria (KRUSZIELSKI,2005).

Um exemplo dessas varias facetas ocorreu na Copa do Mundo de 1958. O Brasil possuía seu primeiro psicólogo esportivo, João Carvalhaes, que assessorava a seleção brasileira de futebol. O psicólogo resolveu aplicar em todos os jogadores testes de QI. Garrincha, que estava no ápice de sua carreira, após responder os testes ficou sabendo que seu quociente intelectual era irrisório, sendo classificado como débil mental. Por este motivo quase foi impedido de participar da Copa (KRUSZIELSKI,2005 Apud MODERNELL, 1992, p. 56).

A teoria das inteligências múltiplas trata das potencialidades humanas. Gardner concluiu, a princípio, que há sete tipos de inteligência:

1. Lógico-matemática - é a capacidade de realizar operações numéricas e de fazer deduções. 
2. Linguística é a habilidade de aprender idiomas e de usar a fala e a escrita para atingir objetivos.
3. Espacial - é a disposição para reconhecer e manipular situações que envolvam apreensões visuais.

4. Físico-cinestésica - é o potencial para usar o corpo com o fim de resolver problemas ou fabricar produtos.

5. Inteligência Interpessoal - é a capacidade de compreender outras pessoas; o que as motiva, como elas trabalham, como trabalhar cooperativamente com elas. Os vendedores, políticos, professores, terapeutas e líderes religiosos bem-sucedidos são indivíduos com altos graus desta inteligência.

6. Inteligência Intrapessoal - é uma capacidade correlativa, voltada para dentro. É a capacidade de formar um modelo acurado e verídico de si mesmo e de utilizar esse modelo para operar efetivamente na vida.

7.  Musical - é a aptidão para tocar, apreciar e compor padrões musicais.

De acordo com Gardner, os seres humanos dispõem de graus variados de cada uma das inteligências e maneiras diferentes com que elas se combinam e organizam e se utilizam dessas capacidades intelectuais para resolver problemas e criar produtos. Ele deixa claro que, embora estas inteligências sejam, até certo ponto, independentes uma das outras, raramente funcionam de maneira isolada. Então, observa-se que os indivíduos se diferenciam quanto à forma e quanto à capacidade para realizar tarefas intelectualmente exigentes. O conceito de inteligência como sendo uma capacidade inata, geral e única, que permite aos indivíduos um desempenho, maior ou menor, em qualquer área de atuação (GAMA, 1998).

Segundo a Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner, não é possível compensar totalmente a desvantagem genética com um ambiente estimulador da habilidade correspondente, mas condições adequadas de aprendizado sempre fazem nascer alguma resposta positiva do individuo, desde que elas despertem o prazer do aprendizado (FERRARI, 2008).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

 FERRARI, M.; Howard Gardner - O cientista das inteligências múltiplas. [periódico da internet]. Out 2008 [acesso em 2010 abr 02]; [aproximadamente 5p.]. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/cientista-inteligencias-multiplas-423312.shtml

 GAMA, M. C. S. S.;  A Teoria das Inteligências Múltiplas e suas implicações para Educação. [periódico da internet]. 1998 [acesso em 2010 mar 30]; [aproximadamente 5p.]. Disponível em: http://www.homemdemello.com.br/psicologia/intelmult.html

 GARDNER, H. Estruturas da mente: A Teoria das Inteligências Múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

 KRUSZIELSKI, L. Sobre a teoria das inteligências múltiplas, de GARDNER. [periódico da internet]. Abr. 2005 [acesso em 2010 mar 30]; [aproximadamente 10p.]. Disponível em: http://www.oestrangeiro.net/psicologia/27-teoria-das-inteligencias-multiplas-de-gardner

 TRAVASSOS, L. C.; Inteligências múltiplas. Rev. de biol. e cienc. da terra, 2001.

 

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    inteligencias

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    quociente de inteligencias

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    potencialidades

    Comentar sobre o artigo

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    Micael Oliveira 19/08/2011
    Gostei deste texto, até mesmo por pensar como Gardner. Essa simples formar de pensar, ele vê nas pessoas capacidades que vão além do resultado de um teste.
    Penso desta formar também, não ser taxativo,mas em deixar o tempo mostrar a capacidade de cada um.
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