Trânsito E Mobilidade Urbana: Uma Crescente Preocupação

02/12/2009 • Por • 1,360 Acessos

 TRÂNSITO E MOBILIDADE URBANA: UMA CRESCENTE PREOCUPAÇÃO

 

 

 

Vasconcelos (1985) define o trânsito como uma disputa e negociação de base ideológica e política. Do ponto de vista social, pode-se estudar o trânsito através de indicadores de avaliação tais como: fluidez, segurança, acessibilidade e qualidade de vida.

O termo mobilidade é usado como um conceito mais amplo que migração, já que considera uma parte crescente dos movimentos da população com impactos sociais, econômicos, políticos e ambientais não pode ser caracterizada como “mudança de residência permanentes ou semi-permanentes”(Lec,1996),senão como movimentos circulatórios ou temporais de curta duração.

Na cidade, o trânsito reflete e está articulado ao processo político e econômico, a diferenças de classes, ao autoritarismo da sociedade, a educação sobre o trânsito, a simbologia dos veículos, a cultura e visão do mundo e da personalidade do condutor e aspectos biológicos.

Mobilidade urbana, muitas vezes é afetada pela condição com a qual este trânsito se apresenta. É de interesse político, econômico e de saúde pública, rever estes aspectos.

No trânsito observam-se alguns aspectos agravantes sociais tais como: mudanças de interesses em relação á acessibilidade, fluidez, segurança, etc... e,mudança das posições de pedestres a motoristas.

A Psicologia do Trânsito deve pensar como o trânsito se forma, como as pessoas participam deste espaço e quais as necessidades e interesses das pessoas. Ela deve estudar o conflito físico do trânsito, onde há disputa pelo espaço físico e o conflito político onde há interesse das pessoas relacionadas à posição social.

Para cumprir este papel o CFP (Conselho Federal de Psicologia) promoveu no dia 21/08/2009 um debate on-line que teve como tema: ”Desafios da Psicologia na Interface do Trânsito com a Mobilidade”. Dando continuidade a esta palestra promoveu também nos dias 22 a 24 de outubro de 2009 o Seminário Nacional Psicologia e Mobilidade: O espaço público como direito de todos, que aconteceu no Teatro Gazeta em São Paulo.

A Mobilidade Urbana foi o principal tema da 10ª Conferência das Cidades nos dias 1 e 2 de setembro de 2009, na Câmara dos Deputados em Brasília (segundo revista CNT Transporte Atual, ano XV , nº 168, agosto 2009). Organizado pela Comissão de Desenvolvimento Urbano, o evento promoveu um debate sobre a formulação e condução de políticas públicas de mobilidade urbana.

Como nota-se o problema da Mobilidade Urbana já movimenta o país. Diariamente nos jornais que circulam o país encontramos notícias referentes ao tema, relacionar todas as manchetes seria uma tarefa impraticável.

De acordo com o art. REF: 19001-Análises de Sistemas de Transporte Urbano por meio da sintaxe espacial, de Ana Paula G. Barros e outros (2008), “inúmeros problemas de tráfego são causados pelo aumento desordenado na quantidade de veículos nos centros das cidades aliado à falta de planejamento urbano e de transportes- a implicar uma nítida problemática de fluxo.”

Segundo o IBGE (2007) o Brasil é hoje um país preponderantemente urbano onde cerca de 80% de sua população vive em aglomerações urbanas, representando algo em torno de 151,7 milhões de pessoas. Isto representa que 70% da população do país vive em apenas 10% do seu território e que as regiões metropolitanas detêm 30% da população total.

Marcos Sousa e Janete Sousa (2009) afirmam: ”O simples fato de se deslocar nas cidades pode causar desarranjos em suas infra-estruturas e disseminar desconfortos e/ou problemas emocionais ás pessoas que nelas transitam.”

Alexandre Garcia, na revista CNT-Transporte Atual nº168, ressalta que países como Rússia, Polônia e Hungria, no últimos 20 anos aperfeiçoaram uma malha de transportes que já supera a do nosso país,que nunca sofreu a destruição da guerra, como eles, nem mesmo viveu sobre ameaça de ataques. Pelo contrário, no Brasil encontramos carros demais, espaço e paciência de menos.

Porém, o agravante no comprometimento da Mobilidade Urbana não se refere só ao número aumentado de veículos mas, também à falta de manutenção da sinalização,principalmente horizontal. A ausência de pintura nas vias fere a legislação e consequentemente compromete a mobilidade humana. Ainda em relação ás vias, encontramos calçadas obstruídas por acúmulo de lixo ou de comerciantes que levam o pedestre para o meio da rua, comprometendo ainda mais a mobilidade.

Segundo Diário Catarinense de 26/05/2009 Florianópolis é considerada a cidade que tem o segundo pior índice de mobilidade do mundo e o deslocamento mais complicado entre 21 das principais capitais brasileiras. Só perde para a cidade de Puket, na Tailândia.

Precisa-se reverter urgentemente esta situação que,torna-se cada vez mais, uma crescente preocupação nacional.Na revista CNT-Transporte Atual nº170, Alexandre Garcia intitula “PRENÚNCIO DE APOCALIPSE”.Segundo ele: “É que se um grande nó amarrar o trânsito,ninguém mais roda, ninguém mais transporta, ninguém mais vende, ninguém mais fabrica.Essa é uma profecia fácil de fazer, porque os sinais do apocalipse no trânsito estão diante dos nossos para-brisas.”

 

REFERÊNCIAS

 

 

 

BARROS, A. P.B.G. et al. Análise de sistemas de transporte urbano por meio de sintaxe especial.Maputo, Moçambique: 5 º Congresso Luso-Moçambicano de Engenharia ,2 a 7  set. 2009. 

FLORIANÓPLOIS TEM PIOR MOBILIDADE URBANA DO BRASIL. Diário Catarinense , 26 mai.2009. Disponível em:<htpp:www.clirls.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=28local=18&section=geral&newsID=a 2523317.xml>. Acesso em 23 out 2009.  5 º Congresso Luso-Moçambicano de Engenharia ,2 a 7 set. 2009. 

IBGE. Projeção da População do Brasil. Brasília, 2007.Disponível em: < www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=207&id_pagina=1 >. Acesso em 14 out.2009 

 

MOBILIDADE URBANA. CNT Transporte Atual ,n.168, p.17,ago.2009.

 

 

PRENÚNCIO DE APOCALIPSE. CNT Transporte Atual, n.170,p.9,out.2009  

 

SOUSA, M.T.R.;SOUSA,J.R. Aspectos psicológicos relacionados á mobilidade e à acessibilidade no espaço urbano:uma revisão da literatura. Curitiba: Geografar, v.4, n.1, jan/jun 2009.Disponível em: <.Acesso">http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/geografar/article/view/14425>. Acesso em 23 set.2009

VASCONCELOS, E. A.. O que é Trânsito, 1985. 

 

 

Perfil do Autor

tereza afonso ferreira guedes