Vygotsky E A Motivação Escolar

23/07/2009 • Por • 14,694 Acessos

 

 

 

Vygotsky foi um renomado psicólogo russo que aplicou-se no estudo das formas de aprendizagem, focalizando-as em seu caráter psicológico. O seu trabalho se volta mais para uma concepção sociocultural do desenvolvimento psicológico do indivíduo do que uma abordagem puramente biológica. Isso permitiu a ele ir a fundo na compreensão e natureza das funções psicológicas superiores. Uma de suas idéias consistiu na quebra do paradigma até então aceito pela maioria dos cientistas de que o desenvolvimento psicológico era fruto de um processo que ocorria no interior do sujeito, de forma subjetiva. Vygotsky substitui essa noção mostrando que o desenvolvimento psicológico começa pela interação interpsicológica para depois intrapsicológica.

 O enfoque sociocultural do desenvolvimento psicológico foi considerado por Vygotsky uma forma mais plausível de se compreender os fenômenos de aprendizagem. Ele acreditava que o desenvolvimento era um processo evolutivo e que as funções psicológicas superiores – como a atenção, a memória, o pensamento, por exemplo -, se dava a partir de um plano interpsicológico de desenvolvimento (ou seja, através da interação da criança, no caso, com o outro). A partir dessa idéia, nasce a concepção de Zona de Desenvolvimento Proximal, que elucida a distância entre o desenvolvimento real (aquele que torna o indivíduo capaz de enfrentar situações aplicando seu conhecimento de maneira autônoma) e o desenvolvimento potencial (aquele que o indivíduo possui, mas que encontra-se em processo).

 Em síntese, a Zona de Desenvolvimento Proximal é basicamente tudo aquilo que, em termos intelectuais, a criança pode adquirir com a ajuda de um suporte educacional qualificado.

 Vygotsky fala sobre dois estágios de formação pedagógica do indivíduo: um que se centra nas interações do mesmo com a família e o outro que se pauta nas interações com as instituições sociais de ensino, entre elas a Escola.

 Como a Zona de Desenvolvimento Proximal proposta por Vygotsky é aquela em que a criança engaja o aprendizado através da relação com outro (relação interpsicológica), poderíamos nos questionar: qual o papel da motivação nesse âmbito educacional? Quais os tipos de motivação existentes?

 Existem dois tipos claros de motivação: a motivação intrínseca (chamada também de pessoal ou inconsciente e representa o desejo interior de atingir algum objetivo ou satisfazer determinada necessidade; é a força psíquica que todos nós possuímos) e a motivação extrínseca (motivação caracterizada por fatores predominantemente externos; é conhecida também como motivação ambiental ou consciente). O professor tem um papel maior na motivação extrínseca, pois é ele quem deve produzir uma aula que desperte interesse nos alunos. A motivação intrínseca é fundamental porque dela depende todo o processo de aprendizagem. O aluno precisa estar motivado a aprender, embora nem sempre os motivos sejam o aprender em si.

Há também a perspectiva atribucional imposta aos alunos por si mesmos. Eles se auto-avaliam ou avaliam o que aprenderam a partir dos resultados concretos de suas ações ou tarefas. Esses resultados podem ser tanto negativos quanto positivos e se transformam no critério primeiro desses alunos, que se sentem ou bem sucedidos ou fracassados. O que mede a aprendizagem dos jovens é a balança do êxito. Esses juízos prévios acabam desmotivando alguns deles na maioria das vezes.

Como vimos, os alunos têm diversos métodos individuais de avaliação do que fazem ou produzem. Para a maioria deles, o que fazem precisa ser interessante, de pouco esforço e de alguma utilidade. Dessa forma, eles criam certo afeto pelo que foram designados a fazer, e isso os conduz até mesmo a bons resultados.

 Alguns psicólogos fazem uma notável distinção entre dois tipos de alunos: o que se empenha tendo como objetivo primeiro aprender e o que busca obter boas qualificações, notoriedade, aquele carregado com desejo de ganhar aprovação de outros, além de, em alguns casos, evitar castigos. Os alunos que se enquadram no primeiro tipo são os que traçam metas de aprendizagem e como resultado obtêm sempre bom desempenho, excelentes notas e motivação. Geralmente esses alunos estão sempre abertos às correções e não se frustram com facilidade. Os alunos que apenas se preocupam com resultados concretos e aparentes, quando recebem nota baixa ou não vêem êxito no que fizeram, se frustram e não extraem nada de bom com essa experiência, o que desmotiva-os.

 Além dos já citados, outros paradigmas povoam as mentes dos alunos, entre eles o conceito de inteligência. Alguns concebem a inteligência como algo dado por graça divina, algo herdado geneticamente e que é inalcançável para os que não foram contemplados. Isso fomenta as aceitações de erros como incapacidade. Esse tipo de coisa precisa ser tratado imediatamente, pois afeta muito a forma do aluno encarar a si mesmo como um ser que tenha competência para aprender apesar dos erros e fracassos.

 O que a Escola necessita fazer é concentrar esforços na motivação dos alunos. Isso impulsiona e ativa recursos cognitivos. A motivação deve – quase sempre – ser encarada como algo muito importante no processo de aprendizagem, a não ser quando haja excessos. As motivações tanto intrínseca quanto extrínseca em excesso trazem malefícios aos alunos. O que deve haver é um equilíbrio entre ambos.

Perfil do Autor

Bruno Santos

Nome: Bruno dos Santos Silva Idade: 20 anos Formação: Estudante de Letras da Universidade Estadual de Feira de Santana. Cidade: Feira de Santana Estado: Bahia.