A ARTE NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL : uma análise da prática docente

Publicado em: 15/07/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 3,114 |

Desde os tempos da pré-história, quando o homem exprimia seu cotidiano e suas emoções nas pinturas e desenhos das paredes das cavernas, o ensino da arte está presente, de forma indireta e informal.

 

O caminho percorrido pela arte cujas origens se entrelaçam com a do próprio homem, se inicia quando a figura do artista se confunde com a de um curandeiro, sacerdote ou mágico. As pinturas paleolíticas altamente elaboradas, o caráter utilitário dos produtos artísticos no período neolítico, a especialização do trabalho na figura do artista/artesão são alguns aspectos a considerar. Com o aparecimento da escrita esses registros foram possíveis e o ensino passou a ser feito de forma mais sistemática. A arte egípcia, os conceitos culturais greco-romanos e o espírito da produção artística e do humanismo foram marcas presentes. 

 

Surgindo na Idade Média o aparecimento de Igreja como grande responsável pela arte. Era a principal patrocinadora da arte e dos artistas e, no ambiente eclesiástico, tanto no sentido da produção e da apresentação artística, quanto da educação em arte.

 

A questão do surgimento da burguesia urbana como estimuladora da formação do sistema de corporação e guildas consolida o pensamento renascentista. Nesta época, houve a "larização" da arte, e, a igreja perde o domínio e os leigos passam a também produzi-la. Nesse contexto, aparece a relação do patrono das artes com artistas (mecenato) e a combinação do conhecimento humanista com a educação em arte, por meio das oficinas educativas.

 

No entanto, é nos séculos seguintes que surge as academias, que são fundamentais no processo educativo em artes, pois desenvolve os diversos estilos estéticos. Passando a ser uma preocupação maior com o ensino da arte no currículo das escolas e multiplicam-se os espaços de fruição artística como os museus das artes.

 

Nos séculos XVIII e XIX, com o surgimento da industrialização, cujo fim era de servir a indústria com fins lucrativos, o ensino das artes passa a ser utilitarista, visando à produção de artista reprodutores de técnicas e desenhos industriais, sem o desenvolvimento da livre expressão.

 

No século XX e XXI, a arte reconquista sua liberdade com o surgimento de movimentos em prol do artista e de sua criatividade. No Brasil, essa realização dá-se com a semana da Arte Moderna, em 1922. A partir do século XX, a arte popular começa a adquirir o status de arte. A semana de arte Moderna, com certeza foi o grande marco da arte no Brasil. A partir daí, a arte toma novos rumos, mais ousados e independentes. Além da semana de 22, no século XX, aconteceu a criação das Universidades brasileiras (década de 30) e outros eventos culturais importantes – as "Bienais da Arte" (1951); os movimentos culturais realizados nas universidades brasileiras como "Festivão da Canção Universitária" (década de 50 e 60); o movimento de Contracultura (década de 70); o incentivo à pós-graduação em arte no Brasil (dos anos 70 até nossos dias).

 

Dado o exposto, é notória que com a chegada da Missão Francesa ao Brasil e a semana da Arte Moderna, ou semana de 22, trouxe novos paradigmas para a arte brasileira. Pode-se afirmar que suas metas obedecem ao vigor estético europeu. Já a semana de 22 causou uma verdadeira "revolução", tentando resgatar a brasilidade à arte brasileira.

 

"Para persuadir o proletariado de que é livre, que o mundo capitalista é um mundo de liberdade em que as probabilidades são iguais para todos, é necessário não se dizer nada sobre os mecanismos de exploração é de autoctonismo entre as classes, quer dizer passo a passo, sobre o mundo presente..." (SNYDERS, 1977)

 

Ocorreram muitas mudanças de concepção, movimentos trouxeram uma tendência reformista e o surgimento de várias obras pedagógicas dirigidas ao ensino de arte. Jhon Ruskin enfatiza a espontaneidades do desenho infantil. James Sully que estabeleceu relações sobre a mente infantil e sua produção artística. Thomas Ablett defendia o desenho por seu valor em si. A questão da identidade infantil era discutida nesse inicio de século. No século XX, a descoberta da criança como ser autônomo gerou a valorização de sua personalidade e criatividade.

O movimento de Educação Artística, surgido em finais do século XIX no Primeiro Seminário de Educação em Dresden, buscava resgatar a importância da expressão artística da criança. Esse movimento levava em consideração o olhar recém descoberto para a arte primitiva e a arte dos doentes mentais que não seguiam padrões estabelecidos de beleza pela cultura ocidental. Tal pensamento revolucionou o conceito de Arte, obrigando no final do século XIX o ensino da Arte nas escolas.

 

Nos anos 50, há o surgimento de novas propostas visando o equilíbrio entre os dois extremos: a livre expressão e a teoria curricular centrada na criança que considera o conhecimento como ponto fundamental. Chega-se a conclusão que a livre expressão do modernismo tinha à banalização do ensino da arte cujos professores despreparados geraram um decréscimo do nível de qualidade, levando ao desprestígio da disciplina frente às demais do currículo escolar. Quando se trata da Educação Infantil o caso ainda é mais grave, devido a sua história recente baseada no assistencialismo. As raízes da Educação Infantil provêm de séculos passados, apesar de sua expansão ter acontecido nas últimas décadas o termo, introduzido por Froebel ("Kendesgarten" Jardim de Infância) tem sido adaptado desde então em divisas realidades educacionais. A origem da educação infantil está intimamente ligada ao processo de industrialização e aos fenômenos de transformação que o acompanham tais como a urbanização e o aumento do trabalho feminino.

 

Estes acontecimentos históricos têm ligação direta com a perspectiva histórica do profissional da Educação Infantil, pois no Brasil com a expansão considerável deste segmento educacional, ampliou-se também o número de professores que se dedicam nesta área. Nesta perspectiva é relevante considerar as inúmeras funções que historicamente lhe são atribuídas e que se relacionam ao fazer pedagógico deste profissional.

Segundo Monarcha, 2001:

 

 

As instituições pré-escolares - creches, asilos e jardins-de-infância ­foram propostas a partir da questão da função materna e do trabalho feminino. Agregando-se os problemas do abandono e da criminalidade infantil, da mortalidade infantil e da puericultura, chegava-se à política eugênica, que visava à formação de uma raça trabalhadora e submissa. As propostas da "assistência científica" tinham como suporte o preconceito contra a pobreza e a perspectiva de interferir na luta de classes. em defesa do capitalismo. Nesse sentido, assumiam um caráter educacional, almejando a domesticação dos trabalhadores. As instituições pré-escolares se integravam nessa perspectiva, tanto por exercer uma ação disciplinadora junto às mães, como por desenvolver uma proposta educacional que pretendia, por um lado, isolar as crianças pobres á meios "contagiosos" e, por outro, inculcar-lhes um sentimento de subaltemidade, preparando-as para serem trabalhadores submissos à - exploração. (MONARCHA 2001)

 

Instalaram-se no país agências de dois organismos internacionais dirigidos à infância: a Omep/Brasil - Organização Mundial de Educação Pré-Escolar, em 1953, do setor privado, com programas para a formação de professores e propostas para o desenvolvimento da pré-escola, e o Unicef - Fundo das Nações Unidas para a Infância -, com trabalhos de cunho assistencial, ambos situando a pobreza como uma ameaça ao desenvolvimento e dirigindo propostas que influenciaram os setores responsáveis pela educação.

 

A atuação desses organismos, de certa forma, contribuiu para o estabelecimento de uma política de Educação Infantil no Brasil, principalmente a partir da década de 1970, colaborando na elaboração de diretrizes básicas e na organização de eventos que originaram definições governamentais.

 

Em termos legais, a primeira abordagem foi feita na Lei nº 4.024 de 1961, que dedicou dois artigos nas Diretrizes e Bases da Educação Nacional à educação da criança:

 

Nesta perspectiva, percebemos a grande importância em considerar a arte como ciência valiosa neste processo. Nesta perspectiva, destaca-se um trabalho de caráter humanista, transformador e social.

 

 Ademais, com o surgimento de novas teorias a respeito do funcionamento do cérebro, como a investigada por Gardner, por exemplo, sobre inteligências múltiplas, há uma contribuição para que a questão fosse encarada por ângulos inovadores.

 

No Brasil, em 20 de dezembro de 1996 foi aprovada a atual L.D.B. – Lei de diretrizes e Bases nº 9394/96, com o objetivo de regular as mudanças educacionais. Na nova L.D.B. o ensino da arte é reconhecido, tanto para o Ensino Fundamental como para o Ensino Médio como uma área distinta e obrigatória. Esse reconhecimento aparece no artigo 26, parágrafo 2º: "O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica.....................................................

Com base nessa lei educacional, que prometia inovações, criaram-se os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, documentos oficiais formulados com o intuito de orientar a prática educacional de professores de todas as áreas curriculares do Ensino Fundamental ao Médio. Os PCN-Arte propõem que sejam trabalhadas quatro modalidades artísticas: Artes Visuais (englobando artes gráficas, vídeo, cinema, fotografia e as novas tecnologias, como as tecnologias digitais); Música; Teatro e Dança.

As recomendações feitas nos PCN – Arte é de que o ensino da Arte possua sua própria linguagem, com suas próprias estruturas e códigos. A importância para o currículo do Ensino Médio é de continuação e fortalecimento dos conhecimentos de arte desenvolvidos nos anos anteriores, e seu ensino é determinado com intuito de capacitar os estudantes a humanizarem-se melhor como cidadãos inteligentes, sensíveis, estéticos, reflexivos, criativos e responsáveis, no coletivo, por melhores qualidades culturais na vida dos grupos e das cidades.................................................

Nos PCNEM – Arte encontra-se uma ‘concepção contemporânea' da disciplina, em que a arte é "considerada um conhecimento humano articulado no âmbito da sensibilidade, da percepção e da cognição" (BRASIL, 2008, p.98) . No documento, a arte é considerada uma linguagem passível de análise, e como tal, uma maneira de comunicação.humana....................................................................................................

As linguagens artísticas constituem-se de sistemas de signos – como os visuais, sonoros, corporais – que percebemos como elementos próprios das linguagens e são compreendidos nas criações simbólicas.................................................................

Tais competências e habilidades são distribuídas no documento por meio de três grandes eixos, que servirão de suporte para a inclusão dos conteúdos previstos para cada área distinta de arte. Os eixos norteadores para os conteúdos propostos no PCNEM apresentam-se nas seguintes categorias: representação e comunicação; investigação e compreensão; e contextualização sociocultural.....................................

A concepção de ensino de arte proposta pelos PCN, embora não explicitamente, é a ‘Metodologia Triangular' ou ‘Proposta Triangular' defendida por Ana Mae Barbosa. Conforme o PCN – Arte, o "conjunto de conteúdos está articulado dentro do processo de ensino e aprendizagem e explicitado por intermédio de ações em três eixos norteadores: produzir, apreciar e contextualizar" .
A "Proposta Triangular" está dentro de uma concepção de ensino de arte como conhecimento, defendendo a idéia da arte na educação com ênfase na própria arte, entendendo que há um conhecimento e uma linguagem específica da área.

A corrente essencialista "acredita ser a arte importante por si mesma e não por ser instrumento para fins de outra natureza" (BARBOSA, 2003, p.65). Segundo essa concepção, o conceito de arte está ligado também à cognição como um dos elementos de manifestação da razão, pois existe na arte um conhecimento estruturador que dá potência à cognição.......................................................................

Olhando para essa trajetória histórica da disciplina observa-se nitidamente que a Arte só foi considerada como área de conhecimento na atual LDB, visto que anteriormente era desenvolvida apenas como atividade curricular não obrigatória.

 

Esta retrospectiva histórica não dá conta de todo o universo relativo ao ensino da arte, mas nos esclarece um aspecto essencial: o ensino da arte de forma sistematizada é algo recente na história da Educação de Crianças..

 

Segundo os PCN de arte, "a área que trata da educação escolar em arte tem um percurso relativamente recente e coincide com as transformações educacionais que caracterizam o século XX e em várias partes do mundo" (1997, p. 21). Este ensino, assim como as outras áreas de conhecimento, recebeu as influências ocorridas pelas mudanças de paradigmas na área da educação, da psicologia e de outros saberes.

 

Eu daria tudo que eu tivesse para voltar os tempos de criança.

Eu não sei para que a gente cresce.

Se leva consigo esta lembrança. (Música: Meus tempos de criança).

 

Conforme Gallo (1998) Os vários contextos que envolvem a escola influenciam de maneira sistemática a prática escolar. Reconhecer a dependência que a escola tem com a história e a cultura é um passo importante para a construção de saberes acerca do processo de formação do sujeito engajada nas questões éticas e políticas

 

O trabalho em artes com crianças  propicia o desenvolvimento do pensamento artístico, que caracteriza um modo particular de dar sentido as experiências pessoais.

 

Segundo Piaget a criança passa por fases, e a primeira é o período das adaptações Sensório Motora. A criança necessita sentir e tocar aquilo que vê. O trabalho de Piaget demonstra que nada resulta de bom para as crianças quando se criticam seus desenhos ou outras formas visuais por elas produzidas.

 

Ao subestimarmos a capacidade criadora da criança estamos indo de encontro a todo seu desenvolvimento. Por meio dela o aluno amplia a sensibilidade, a percepção, a reflexão e a imaginação.

 

Aprender Arte envolve fazer trabalho artístico, apreciar e refletir sobre eles. Envolve também conhecer, apreciar sobre as formas da natureza e sobre as produções artísticas individuais e coletivas de distintas culturas e épocas. A arte de cada cultura revela o modo de perceber, sentir e articular significados e valores que governam diferentes tipos de relações entre os indivíduos na sociedade. Solicita visão e escuta e os demais sentidos como porta de entrada para uma compreensão mais significativa das questões sociais.

 

Este conhecimento abre perspectivas para que o aluno tenha uma compreensão do mundo na qual a dimensão poética esteja presente. Além disso, ensina que é possível transformar a existência, que é preciso mudar referência a cada momento, ser flexível. Isso quer dizer que criar e conhecer são indissociáveis e a flexibilidade é condição fundamental para aprender. O ser humano que é podado deste conhecimento tem uma aprendizagem limitada, escapa-lhe a dimensão do sonho, da força comunicativa dos objetos à sua volta, da sonoridade integrante da poesia das criações musicais, das cores e das formas, dos gestos e luzes que buscam o sentido da vida.

 

 Percebe-se este acontecimento quando o educador não enxerga a grandiosidade das produções artísticas mesmo de crianças muito pequenas. Notamos as salas super enfeitadas, mas tudo feito pela mão do educador, sem nenhuma participação do centro do processo artístico: o aluno. Contradizendo o que afirma Peixoto: "O materialismo dialético afirma a arte como um produto do trabalho humano espiritual material, como uma forma de expressão e de conhecimento de cada realidade, historicamente datada." (PEIXOTO, 2003, p. 50)

 

Devido a observações realizadas, nota-se que arte visual é entendida apenas como mero passatempo em que as atividades realizadas são desprovidas de significados. Outra prática corrente considera que o trabalho deve ter uma conotação decorativa (e o caso observado nas salas dos primeiros anos) servindo para ilustrar temas e datas comemorativas, enfeitar as paredes com motivos considerados infantis. Nessa situação, é os adultos que gozam o material utilizado, não consideram que as crianças são capazes de fazê-lo. Sendo que seria apenas necessário um mediador para oportunizar-lhes a produção artística.

 

É deprimente a prática de colorir imagens feitas pelos adultos em folhas mimeografadas nas salas  como exercícios de coordenação motora. Na confluência da antropologia, da filosofia, da psicologia, da psicanálise, da crítica de arte, do psicopedagogia e das tendências estéticas da modernidade, surgiram autores que formularam os princípios inovadores para o ensino das artes, da música, do teatro e da dança, tais princípios reconheciam a arte da criança como manifestação espontânea e auto expressiva. Valoriza a livre expressão e a sensibilização para o experimento artístico como orientação que visavam ao desenvolvimento do potencial criador, ou seja, as propostas eram construídas nas questões do desenvolvimento da criança.

"... a história do tempo presente pode permitir com mais flexibilidade a necessária articulações entre de um lado, a descrição das percepções e das reapresentações dos atores, e do outro, a identificação das determinações e das interdependências desconhecidas que tecem os laços sociais. Assim a história de tempo presente constitui um lugar privilegiado para uma reflexão sobre as modalidades e os mecanismos de incorporação do social pelos indivíduos de uma mesma formação social". (MEIHY, 1996, p. 53)

 

 

É constatado que desde a primeira infância o ser humano está em um processo constante de aprendizagem que começa com a utilização psicofisiológica dos mecanismos de percepção-relação e que se elabora na linguagem até construir o sistema de codificação cultural de atitudes e posições pessoais que definem o ser social.

 

"Para conhecer os objetos, o sujeito tem que agir sobre eles e, por conseguinte, transformá-lo tem que deslocá-lo, agrupá-lo, combiná-los, separá-los e juntá-los." (PIAGET,1990) Portanto, cabe ao professor deixar que seus alunos construam seus materiais, pois, o errado para nós é sem duvida o mais certo para a criança e é baseado nestes supostos erros que eles se desenvolvem.

 

Com base no capítulo II da educação básica artigo 25 da LDB, inciso 2º que diz: o ensino da arte constituiria componente currículo obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. A partir de 1990, norteado pela LDB (Leis de Diretrizes e Base para educação Brasileira) surge a RCN: documento norteado da educação infantil. Este documento revela que a criança tem suas próprias impressões, idéias e interpretações sobre a produção de arte e o fazer artístico, tais construções são elaborada através de suas experiências ao longo da vida. As crianças exploram, sentem, agem, refletem e elaboram sentidos de suas experiências. A partir daí constroem significações sobre como se faz, o que é, para que serve e sobre outros conhecimentos a respeito da arte.

 

 No entanto, observa-se durante esses anos um amontoado de exposições nas paredes, onde a criança com certeza não pode vê-las, por que os cartazes são pregados bem mais alto que o seu campo visual e também não podem tocá-las, pois se o fizer estragam... Neste sentido, a arte é vista como mero enfeite. Contradizendo a visão de Vygotsky (1998 p. 250) que fala da arte como potencializadora da compreensão do mundo que revelam aspectos da produção de sentidos de um sujeito que estão entrelaçados com sua objetividade. A arte retrata a relação entre subjetividade e objetividade, uma vez que cria um campo de possibilidade em que a realidade pode ser transformada pela percepção singular revelando conseqüentemente o impacto daquela sobre a formação da consciência de si e do outro. "É por isso que o relacionamento necessita de mediações para não cair no conformismo. Assim, um professor é um mediador entre a criança e os valores éticos universais, entre a criança e a lei, entre a criança e as aprendizagens, entre a criança e a ação..." (REVISTA PÁTIO COL. INFANTIL)

 

A base dada peças concepções contemporâneas acerca da infância servirá para discutir com relevância a temática sobre artes , infância e contemporaneidade fazendo, contudo, uma análise das postulações de Kramer ( 2003 )

   

Nesse momento, o sentimento de infância corresponde a duas atitudes contraditórias: uma considera a criança ingênua, inocente e graciosa e é traduzida pela paparicação dos adultos, e a outra surge simultaneamente à primeira, mas se contrapõe à ela, tornando a criança um ser imperfeito e incompleto, que necessita da "moralização" e da educação feita pelo adulto ( kramer, 2003).

 

 

 

 

 

 

Todo espaço físico é um território cultural: a ser ocupado, construído, bagunçado, organizado, marcado por experiências, sentimentos e ações das pessoas. Pode, também, ser deixado de lado.

 

Os espaços das EMEFs são variados e diferentes. Por isso, eles devem refletir os princípios educativos em que se baseiam e a prática das profissionais da área que nelas agem.

 

As crianças precisam de espaço para movimenta-se, correr, esconder-se, olhar-se, engatinhar, andar, soltar, pular, apresentar, mexer, descansar. Precisam ficar sozinhas ou com os amigos para desenhar, construir, pintar, dançar, ler, pensar, cantar, pesquisar, conversar, subir, descer, brincar, gritar ou ficar quietas, comer, dormir. É evidente que os adultos podem criar um ambiente cultural de maneira a propiciar ao máximo a escolha de atividade das crianças, dentro de um padrão de segurança, de estímulo à autonomia e a cooperação.

 

A organização dos espaços das escolas  é importante por que:

  • Afeta tudo o que a criança fez.
  • Modifica suas atividades e a maneira como utiliza os materiais.
  • Influência sua capacidade de escolha.
  • Transforma as interações com as outras crianças, com os profissionais e com seus pais.

 

A forma como os adultos organizam os espaços das escolas  é fundamental, deste que haja lugar para todos. Mas o mais importante é o uso que adultos e criança, fazem dele que produz a qualidade do trabalho. Sendo assim, expressamos a importante das artes visuais na Educação de Crianças  e principalmente nos primeiros anos, que vem demonstrando um descompasso entre os caminhos apontados pela produção teórica e a prática pedagógica existente.

 

Um dos aspectos importante em artes visuaissão aspossibilidades expressivas que compreendem as diferentes linguagens plásticas como o desenho, a pintura, gravura, a escrita e também aquelas relacionados à visualidade como: fotografia, cinema e o vídeo. Segundo Vigtosky o meio é tido como uma "força social que com sua carga emocional ou ideológica, sacode ou comove aos demais. Ninguém continua a ser exatamente como era depois de ter sido abalada por uma verdadeira obra de arte". (VÁZQUEZ, 1978, p. 22)

 

Ele também destaca que o desenvolvimento e o aprendizado não são independentes e nem caminham juntos, coincidindo em todos os pontos para ele, o aprendizado e o desenvolvimento da criança estão inter-relacionados desde os primeiros dias de vida. O aprendizado, portanto começa muito antes de sua ida para a escola. Na medida em que ela viva experiências significativas do seu cotidiano, algo funda­mentalmente novo ocorrerá no seu desenvolvimento.

 

Entretanto, as metodologias que se apresentam na escola l observada, são frutos dos modernismos metodológicos que se centram na análise das técnicas e modelos descartando dimensão histórica das condições sociais que suscitam tal produção. Tais práticas desconsideram o aluno como um artista e como tal um ser social cuja obra é um fruto das relações deste com os outros. Apesar da temporalidade, a arte é condicionada socialmente e reflete as estruturas sociais enquanto "um produto de homem historicamente condicionado" (VÁZQUEZ, 1978, p. 28).

 

Evidentemente que cada área de expressão tem sua especificidade a ser trabalhada, sendo ela um conjunto integrado que constitui o horizonte de aprendizagens e constrói a personalidade da criança.

 

Vejamos o desenho, para o berçário é fundamental, embora se apresentem sob forma de risco (garatujas), estes comunicam idéias, sentimentos, visões do mundo, num suporte que vai do papel à madeira, passando pela areia, dentre outros.

É imperativo que o professor compreenda o ato de desenhar como algo próprio, individual e intransferível. Um movimento que passeia pelo imaginário de quem está desenhando. Para um maior entendimento precisamos rever a nossa própria vivência que é o ato de desenhar. Com esta compreensão o educador jamais vai se refrear de oportunizar esta vivência aos seus alunos. Não base científica para algumas alegações de professores tais como que as crianças de berçário são pequenas demais para desenhar ou que não dão significado ao que desenham.

 

Quanto àpintura na educação escolar, como as demais linguagens das artes visuais, possibilitam ao aluno desenvolver a imaginação e a criatividade por meio de exercícios que envolvam tanto a prática da pintura, como o conhecimento e a punição da produção artística na história da arte, ampliando, desta maneira, o universo de subsídios para a criação pessoal.

 

Na cultura, a cor se torna elemento fundamental de contribuição do espaço e o aluno transpõe o que já desenvolveu no desenho. Não se trata apenas de colorir o desenho, mas a construção prioritária de um espaço.

 

Dentre as possibilidades de trabalho, nas salas de berçário, a pintura com os dedos, com as mãos, com os pés é de extrema importância por possibilitar a exploração das possibilidades dos materiais envolvidos na proposta. É um trabalho direto com a tinta, sem intermédio de instrumento, o que permite experimentar as sensações e explorar as texturas. São inúmeras as possibilidades de vivenciar o contato com materiais diversos, naturais ou não, que propiciam a construção de conhecimento acerca da arte.

 

Existem várias maneiras de se fazer pintura, como por exemplo, com esponjas, canudinhos, com lixa, pincel, barbante, giz, entre outros. Enfim são infinitas as possibilidades de criação que dependerá da criatividade tanto do professor como do aluno. É importante que todo trabalho artístico seja transformado em projetos, criando situações de aprendizagens por meio e conteúdos vinculados, o que, sem dúvida, despertará maior interesse por parte dos alunos ao desenvolver as atividades propostas.

 

"Quando a criança pinta, o mundo encolhe-se até as dimensões de uma folha de papel, a folha transbordará os seus limites e torna-o mundo" (Schon,2000)

 

Outro item a ser trabalhado são as gravuras, que é uma linguagem expressiva utilizada pelo artístico, seja qual for à técnica escolhida, o que vale acima de tudo, é a capacidade de expressão que cada meio permite, e como esta irá ao encontro às necessidades do artista.

 

Nas Séries Iniciais  o trabalho com gravura deve ser pensado na perspectiva de proporcionar aos alunos o contato com esta forma de manifestação artística, possibilitando o olhar para a história da arte, a fim de perceber a trajetória histórica da gravura, bem como os modos de produção da mesma e posteriormente, partir para a experimentação das diversas possibilidades de utilização dos materiais.

 

A matriz de madeira utilizado no tipo gravura pode ser substituída na escola por placa de isopor, que facilita o trabalho com instrumentos como lápis ou canetas para desenhar na matriz, evitando assim as ferramentas habituais utilizado pelo artista.

 

É importante ressaltar que a gravura constitui-se numa forma de representação e linguagem artística, descartando aqui à utilização da gravura no andamento comercial, não devendo ser comparado aos produtos fabricados pelos meios industriais.

 

"... as crianças não precisam ser habilidosas para ser criadoras. Mas, em qualquer forma de criação, existem gravuras de liberdade emocional: liberdade para explorar e experimentar, na criação. Isto é verdade tanto no uso dos temas como no uso dos materiais artísticos". (LOWEN FELD, 1977)

 

 

Portanto, as instituições educacionais, essencialmente os centros educacionais infantis, devem organizar praticas em torno de aprendizagem da arte, garantindo oportunidades para que as crianças sejam capazes de ampliar o conhecimento de mundo e do universo cultural. Tal pratica envolvem a manipulação de diferentes objetos e matérias, explorando suas características, propriedades e possibilidades de manuseio, utilização de diversos materiais gráficos e plásticos sobre inúmeras superfícies, além de oportunizar as crianças o contato com diversas formas de manifestação artística.

 

Pensar na Educação Artística inserida no currículo é dar outro significado aos conteúdos estudados na escola. Se as escolas brasileiras precisam renovar seus currículos, nada mais pertinente que fazê-lo tendo como referências as proposições já conhecidas acerca da  Arte no cotidiano escolar.

   

Se pensarmos cada sujeito como inserido em diferentes contextos de vida, não há como desconsiderar que suas possibilidades de conhecimento estão relacionadas às relações entre esses contextos. A história de vida de cada aluno ou aluna não é uma história descolada dos contextos sociais, econômicos, políticos e culturais. Existentes. FERRAÇO ( p.19. 2005 )

 

 

 

 

 

 

 

Sabe-se que a Educação  foi historicamente relegada no panorama político  brasileiro. Os profissionais  do ensino  neste cenário tem pouca  qualificação e apenas a partir de mudanças sociais significativas que influenciaram reformas no sistema educacional é que a sua formação passa a ser discutidanos Programas de Formação Continuada.

 

Numa retrospectiva, de 1996 a 2009 ocorreram mudanças significativas quanto a como trabalhar artes nas salas das Séries Inicias , nas EMEFs da Serra ES. Com amparo legal e embasamento teórico a arte passou a ser vista como de fundamental importância. Não presenciamos mais educadores sem formação acadêmica na rede municipal de Ensino como afirma  o artigo 62, título VI, parágrafo 1:

 

"A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á nível superior, em curso de Licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries de ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal." E além disso, "Como seria de se esperar, surge aqui mais uma vez à questão que é uma encruzilhada de toda reflexão pedagógica: a formação dos professores. É no domínio artístico que ela é, com certeza, mais insuficiente. (PORCHER, 1982, p. 23)

 

No ínterim, as observações realizadas na década de 90 foram péssimas, muitas crianças eram espancadas, mal tratadas, etc, as creches na verdade eram depósitos de crianças. As crianças eram trancadas nos berços e não se levava em conta nenhuma de suas potencialidades. O assistencialismo estava em vigor, foi um massacre da educação infantil. Alguns anos se passaram e a função assistencialista tem resistido, mas a pedagógica aflora cada vez mais dando status de rainha ao eixo artes.

 

As EMEFs precisam ser um espaço de acesso a todas as linguagens (escrito, musical, corporal, plástico, dramático, etc), mas não necessariamente um espaço formador de atores, escritores, músicos, etc. ela é um espaço de experiências totalizadoras onde a criança pode ampliar seus conhecimentos do mundo. E a criança, principalmente dos berçários, são crianças de um todo dotado de descobertas cabendo professor intermediar tudo isso.

 

Experimentar é lidar com objetos, palavras, materiais e fatos de uma nova maneira, ousando, arriscando, entrando em terrenos desconhecidos, sem controle e que não sabemos onde vai dar. O professor precisa aprender a lidar com a emoção, com o desconhecido e com o incontrolável.  Precisam experimentar, sonhar, viajar por caminhos nunca antes percorridos, viajar com a cabeça, com o coração, com o corpo todo. É isso também se faz necessário nos berçários onde a criança está aberta a todos os saberes necessários para a vida.

 

Sendo assim, quando Vigotsky fala da zona de desenvolvimento proximal ele coloca o outro, ou seja, o professor como o mediador do saber da criança. E, isso também é extremamente importante no âmbito da arte. Pois sem um intermediário a criança sozinha não chega a lugar nenhum. Quando o professor desempenha um papel em favor da função pedagógica, ele atua como mediador entre o aluno e os conhecimentos socialmente construídos pela humanidade e historicamente adquiridos na vida da criança. Nessa perspectiva, faz-se necessário que o educador oportunize situações nas quais as crianças possam observar experimentar, manipular materiais concretos e explorar o meio físico e social através de uma proposta metodológica integradora das diferentes áreas do conhecimento.

 

É possível afirmar ainda a importância do contexto social estimulante, permissor do desenvolvimento internacional envolvendo as dimensões social, cultural, afetiva, física e mental. É  imperativo que seja oferecido à criança oportunidade para que ela venha a ter uma visão positiva de si mesma e do mundo, desenvolvendo plenamente suas potencialidades, possibilidades físicas, personalidade, habilidades de enfrentar a vida, de relacionar-se com os outros e de "instrumentalização" de sua inteligência e não há nada melhor do que oferecer isso através da arte.

 

O ser humano conhece o mundo e se conhece por meio de uma pedagogia inovadora, de caráter investigativo e promotor da curiosidade. Neste sentido, o professor se enquadra como o mediador das ações pedagógicas.

 

Portanto, a arte desempenha um papel principalmente vital na educação das crianças. Desenhar, pintar ou construir constitui um processo completo em que a criança reúne diversos elementos de sua experiência, para formar um novo e significativo todo. No processo de selecionar, interpretar e reformar esses elementos, a criança proporciona mais do que um quadro de uma escultura, proporciona parte de si própria: como deusa, como sente e como vê. Para ela, a arte é atividade dinâmica e unificadora.

 

Arte também é ver e sentir o que se passa no momento vivido, e saber como a criança processa sua aprendizagem dia-a-dia. Sendo sumariamente importante que o professor reflita sobre o que fazer e como envolver a sua criança, num universo artístico e estético.

 

No ano 2008 os trabalhos desenvolvidos pela professora , fica evidente um trabalho voltado para arte-educação- a arte vista como ciência em si – desenvolvedora de potencialidades psíquicas, emocionais e físicas. Percebemos o desenvolvimento das crianças  que apresentando nítida independência nos seus desempenhos, demonstrando automonia, tanto na sala de aula como fora delas, e, sobretudo formando uma imagem positiva de si e do mundo que os cercam. Logo, analisando passado e presente acredita-se que os frutos colhidos serão de ótima qualidade, pois estamos abertos a mudanças.

 

Quando agimos de maneira a facilitar a desenvoltura daqueles com os quais trabalhamos de maneira clara e objetiva fazemos com que as crianças sejam mais confiantes em si mesmas, tal confiança fornece a base para saber sentir e expressar todas as emoções que a arte inspira. Pois, o próprio ato de criar ou recriar pode fornecer novos vislumbres, novas perspectivas e novas compreensões para a ação futura. Provavelmente, o melhor preparo para criar seja o próprio ato de criação.

 

Portanto, de acordo com PCN's:

"Aprender arte é desenvolver progressivamente um percurso de criação pessoal cultivado, ou seja, alimentado pelas interações significativas que o aluno realiza com aqueles que trazem informações pertinentes para o processo de aprendizagem (...), com fontes de informações (...), e com o seu próprio percurso criador". (PCN's, p. 47)

 

Assim sendo, as escolas  precisam ser lugares privilegiados para a formação de seres que valorizam a arte como memória de um povo e como meio transformador do mesmo. Cabendo ao educador garantir aos seus alunos a maior quantidade possível de experimentações e pesquisas, nas quais o professor se posiciona como mediador na construção do conhecimento seja ele artístico ou não. . Entendemos que a organização do trabalho pedagógico deve ser orientada pelo principio básico de proporcionar, à criança, o desenvolvimento da autonomia, ou seja, a capacidade de construir as suas próprias regras e meios de ação que sejam flexíveis e possam ser negociadas com outras pessoas, sejam eles adultos ou crianças.

 

Não temos a pretensão de formar artistas, mas oferecer pela arte o estímulo a inteligência, contribuindo para a formação da personalidade. Temos sim a pretensão de acrescentar ao trabalho criador dos bebês o aperfeiçoamento dos processos de observação, percepção, imaginação, raciocínio, controle da motricidade ampla e fina, criatividade, sobretudo, o afloramento da essência do ser humano: os sentimentos.

 

O trabalho com Artes nas Séries Iniciais , ao longo da história, tem demonstrado um descompasso entre os caminhos embasados por uma argumentação científica e as práticas pedagógicas correntes. Em muitas propostas educacionais, as atividades envolvendo o eixo artes são entendidas apenas como meros passatempos em que colar, pintar, recortar, desenhar são totalmente destituídos de significado.

 

Outra prática pedagógica comum encara o trabalho com artes apenas como conotação decorativa, servindo para ilustrar datas comemorativas e enfeitar paredes com motivos infantis. Nessa situação, o trabalho é feito pelos adultos, pois estes julgam as crianças incapazes de produzir um produto de qualidade estética.

 

Além disso, a arte visual tem sido vista como reforço de conteúdo, incluindo práticas de colorir imagens em folhas mimeografadas como exercício de fixação, coordenação motora e memorização de letras e números.

 

Entretanto, após a confluência das várias ciências humanas, constatou-se que as práticas correntes acima citadas desconsideram o processo de desenvolvimento criador da criança e da cultura que ela esta inserida. É imperativo reconhecer a arte infantil como uma manifestação espontânea e auto-expressiva. O cerne do trabalho com Artes deve ser o desenvolvimento do potencial criador da criança. Isso não se resume "em deixar a criança fazer" sem qualquer intervenção por parte do educador, pois isso seria de pouco valor para seu desenvolvimento integral. Este processo possui formas complexas de aprendizagens e não ocorre automaticamente á medida que a criança cresce.

 

Este enfoque nos coloca sob a responsabilidade voltada ao trabalho pedagógico, dentro das EMEFs. Sendo necessário, o desenvolvimento da capacidade de uma visão prospectiva da realidade e a produção de atitudes criadoras de autêntica e consciente participação na evolução das relações sociais.

 

Os pressupostos epistemológicos de uma metodologia necessitam proporcionar aos sujeitos do ato educativo não só o conhecimento da estrutura, teórico-prático dos métodos de ensino, mas ensejar, numa perspectiva substancial, a incorporação do pólo instrucional no pólo sócio-educativo: ligam as possibilidades didáticas as possibilidades educativas e estas ao contato sócio-cultural. Este por sua vez, não deve ser um mero pretexto para a estruturação da ação didática, mas o ponto essencial para a valorização da arte na educação escolar. O que se pretende com esses pressupostos, é a preposição de métodos de ensino que proporcione ao educador um modo significativo de assimilação crítica de como desenvolver arte-educação.

 

Desde cedo, a criança sofre a influência da cultura e isso reflete na arte, ou seja, seus trabalhos revelam o local e a época histórica em que vivem, suas aprendizagens, suas idéias e a representação das produções artísticas que tem contato e até mesmo sobre o seu potencial. Os pequeninos têm idéias próprias sobre suas produções e as interpreta de um modo muito peculiar e impar. Nesse ínterim, o trabalho com artes pressupõe uma linguagem que tem estruturas e características próprias. Num âmbito prático e reflexivo, isso ocorre pela articulação do fazer artístico, da apreciação e da reflexão sobre o que se cria.

 

 Em contextos educativos infantis, a arte pode contribuir para o desenvolvimento afetivo, emocional, para mediar à compreensão da criança sobre si mesma e do mundo que a cerca, para favorecer o seu trânsito entre a realidade e a fantasia.

 

Sendo a escola um espaço privilegiado por excelência para a educação, nada melhor que por aí se dê o contato sistematizado com o universo artístico e suas linguagens: arte visual, teatro, dança, música e literatura, entre outros.

 

"Aprender arte é desenvolver progressivamente um percurso de criação pessoal cultivado, ou seja, alimentado pelas interações significativas que o aluno realiza com aqueles que trazem informações pertinentes para o processo de aprendizagem (...) com fontes de informações (...), com o seu próprio percurso criador". (PCN's, 2006, p. 47)

 

 A postura pedagógica nos centros de educação infantil deve evidenciar o reconhecimento da necessidade da arte como mola propulsora da capacidade transformadora, a fim de que a prática pedagógica tenha coerência. Cabe então fazer da arte uma parte entre o aprender e o fazer na transformação do ser humano; apoiado no desenvolvimento da capacidade criativa e artística, na prática reflexiva das crianças ao articular a percepção, a sensibilização, a cognição e a imaginação.

 

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/a-arte-nas-series-iniciais-do-ensino-fundamental-uma-analise-da-pratica-docente-5030929.html

    Palavras-chave do artigo:

    arte

    ,

    educacao e escola

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