A Escola No Mundo Contemporâneo

Publicado em: 05/03/2009 |Comentário: 2 | Acessos: 4,262 |

A ESCOLA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Gema Parenti Araújo 

Resumo: O presente artigo busca refletir sobre as transformações que a sociedade vem sofrendo nestes últimos anos e a forma como a educação está sendo atingida, especialmente com os avanços tecnológicos, afetando a identidade do professor e gerando o fenômeno do mal-estar docente. Apresenta, também, uma reflexão sobre o importante papel da gestão para o adequado enfrentamento deste problema, nas instituições escolares, buscando alcançar o bem-estar geral na escola.


Palavras-chave: Avanços tecnológicos, gestão, mal-estar docente, motivação.


O mundo contemporâneo vem sofrendo diversas transformações em múltiplos setores da sociedade, inclusive na educação, provocadas especialmente pelo avanço das tecnologias, pela produção incessante de conhecimento e pela criação de novos meios de comunicação. Essas transformações são, ao mesmo tempo, responsáveis por esse processo e resultantes desse processo, que é irreversível e tende a avançar rapidamente a cada dia. 
Na visão de Anthony Giddens (2005), a modernidade deveria ser vista como um fator multidimensional que inclui mudanças sociais, intelectuais e políticas; ao invés disso, a modernidade busca valorizar a multiplicidade de valores atingindo assim a identidade dos sujeitos. Diz o autor que, "em vez de estarmos entrando num período de pós-modernidade, estamos alcançando um período em que as conseqüências da modernidade estão se tornando mais radicalizadas e universalizadas do que antes" (GIDDENS, 2005, p.12).
Na percepção de Stuart Hall (2003), de certa forma, o indivíduo possuía uma única identidade, mas com a modernidade o mesmo indivíduo tem que adaptar-se a várias identidades "formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam" (HALL, 2003, p. 13).
Alberto Melucci (2001) adota a expressão identização para referir o "caráter processual, auto-reflexivo e construído da definição de nós mesmos" (MELUCCI, 2001, p. 34). A identidade é, para este autor, "um processo de constante negociação entre as diversas partes do eu, tempos diversos do eu e ambientes ou sistemas diversos de relações, nos quais cada um está inserido", capacitando o indivíduo a responder pelos múltiplos e contraditórios elementos que lhe compõem em cada momento (MELUCCI, 2004, p. 67). 
O mal-estar docente, fenômeno contemporâneo, pode estar relacionado a todas essas mudanças que vêm ocorrendo e que afetam também os professores e suas identidades. O professor, em meio a tantas exigências e necessidades que se transformam continuamente, questionando seu papel e suas funções, acaba por desenvolver sentimentos de insatisfação profissional e falta de disposição para buscar aperfeiçoamento; esgotamento pelo acúmulo de tensões; depressões. Esses sentimentos, muitas vezes, o levam ao abandono da própria profissão, visto que as mudanças acontecem com tanta rapidez e não conseguem ser acompanhadas pelos educadores.
Segundo Moacir Gadotti, em sua obra Boniteza de um Sonho (2001, p. 14), essas mudanças vão além da sala de aula "através da rede de computadores interligados", com isso, informações são passadas velozmente para o mundo todo em qualquer ocasião, sejam elas de qualquer natureza, permitindo que o aluno traga para a sala de aula informações muitas vezes ignoradas pelo professor. 
Em meio a toda essa corrida ao progresso, podemos dizer que a escola acaba perdendo-se em relação ao ensino e à aprendizagem, tanto pela falta de recursos para atender a toda essa demanda de novos conhecimentos e competências, como pela falta de formação dos que precisam acrescentar à sua função de transmissores do conhecimento, a de animadores culturais, assistentes sociais e responsáveis administrativos. Esta concepção multifuncional pode traduzir-se num fator de perturbação e de stress, levando o educador ao desânimo. 
Além da constante formação do educador, para que possa acompanhar as mudanças e assim evitar o mal-estar, acredito na importância da construção de um bom relacionamento no ambiente escolar, incluindo os momentos de construção e reconstrução dos significados das práticas em sala de aula, como afirma Philippe Meirieu (2006), dizendo que "todo nosso esforço consiste em despertar a motivação no próprio movimento do trabalho", pois é trabalhando e investigando que se constrói a motivação" (MEIRIEU 2006, p. 51).
O acesso à informação está se tornando cada vez mais um problema com o qual a escola tem de lidar. A informação hoje circula em revistas, jornais, Internet, TV e outros. À escola cabe redirecionar suas práticas para a viabilização e democratização do acesso a essa informação, visando a criação de condições para que o aluno possa gerenciar de forma coerente este acesso em questão. 
Vivemos em uma sociedade rotulada de vários nomes , mas que aflui para a mesma idéia de avanços tecnológicos. Seja qual for o rótulo, incontestavelmente os tempos são outros e, portanto, são tempos que pedem uma nova escola e que requer uma inovação daqueles que dela participam. A gestão pedagógica é uma parte importante desse processo, pois a ela cabe estabelecer objetivos específicos, definir as ações em função dos objetivos e do perfil dos alunos e da comunidade, como afirma Heloisa Lück: "gestão educacional corresponde ao processo de gerir a dinâmica do sistema de ensino como um todo" (LÜCK, 2006, p. 36). 
A autora ressalta a importância do projeto pedagógico para acompanhar toda essa transformação que a escola vem sofrendo na atualidade, sendo que o projeto deveria ser revisto a cada ano e em alguns casos, reformulado, pois é através da prática que novas idéias vão surgindo e alimentando o aprendizado. A escola está deixando de ser um espaço para acumular conhecimento, onde o educador é visto apenas como um depositário do saber; hoje, o papel do professor passa a ser o de e facilitador do aprendizado, também o de criar situações de aprendizagem que sirvam para toda a vida do aluno, através de metodologias que organizem e criem condições para um ambiente educacional autônomo.
Para facilitar essa construção mencionada, é fundamental que se crie na escola, um clima agradável entre professor e gestores, pois dessa forma o professor terá mais facilidade de compartilhar seus saberes e as suas idéias. Sentir-se-á apoiado nas suas propostas e nos seus protestos. Terá liberdade para expressar seus sentimentos em relação ao ensino e às aprendizagens e não aprendizagens de seus alunos, estes últimos como um dos motivos já comprovados de intenso mal-estar dos professores. 
Colocando-se numa posição de aprendente, disposto a aprender sempre, com certeza será ouvido pelos colegas e pela equipe gestora da escola, tendo assim a liberdade de expressão nas trocas de experiências entre os colegas, tão importantes para o aprimoramento do ensino. Para isso, se faz necessário uma constante reflexão da sua prática docente, para que se torne consciente do que faz, de como faz e do que não faz, porque na medida em que constrói essa consciência, o professor, como afirma Jaume Carbonel, "passa a se deparar com as suas potencialidades e fragilidades e esse é o ponto de partida de um processo de mudanças e de avanços pessoais e profissionais". 

Os profissionais da educação devem lembrar-se continuamente de sua vocação, paixão, compromisso. A vocação é um compromisso com a paixão pelas diversas dimensões do conhecimento – psicológicas, epistemológicas, sociais, éticas e políticas – e pela curiosidade permanente quanto a tudo que acontece na sala de aula, na escola e na comunidade, no município, no estado, no país e no mundo; porque "a vocação é uma decisão individual que se projeta no coletivo." (CARBONEL, 2001, p. 110)

José Manuel Zaragoza (1993) faz referência à acelerada transformação no contexto social em que se desempenha a educação, fazendo novas exigências a cada dia. "O sistema educacional, rapidamente massificado nas últimas décadas, ainda não dispõe de uma capacidade de reação para atender às novas demandas sociais" (1993, p. 13). Por outro lado, os educadores, como profissionais responsáveis pela mediação do conhecimento, que desempenham papéis importantes na transformação dos indivíduos, precisam estar atualizados e aptos a enfrentarem as mudanças e, que para não se sentirem inferiorizados, deveriam buscar novos conhecimentos através de continuas capacitações, a fim de estarem sintonizados com os acontecimentos que ocorrem no mundo. 
Nesse sentido, Gadotti (2001) faz menção à necessidade do educador de buscar atualizar-se para que consiga acompanhar essas constantes mudanças. 

Em sua essência, ser professor hoje, não é nem mais difícil nem mais fácil do que era há algumas décadas atrás. É diferente. Diante da velocidade com que a informação se desloca, envelhece e morre, diante de um mundo em constante mudança, seu papel vem mudando, senão na essencial tarefa de educar, pelo menos na tarefa de ensinar,de conduzir a aprendizagem e na sua própria formação que se tornou permanentemente necessária. (GADOTTI, 2001, p. 7)


Em nossa atividade de formação de professores, numa escola pública de ensino fundamental, por ocasião de nosso estágio do último semestre do Curso de Pedagogia, durante um debate sobre a necessidade de o educador atualizar-se e participar de cursos para que possa estar sempre bem ciente no que diz respeito ao ensino e aprendizagem, a fim de que não venha sofrer os sintomas que o mal-estar causa, ouvimos de uma professora a seguinte fala: "Mas como fazer tudo isso com o salário que ganhamos? Como dar conta de toda essa demanda e ainda ter tempo para nossa vida pessoal, nossa família, nossos amigos?".
Isso mostra que o professor é muito cobrado e pouco valorizado, especialmente no que tange à remuneração e às condições de trabalho. As pessoas esquecem que um professor também é um ser humano e precisa de cuidados, e que tem direito à vida. Mas quem se preocupa com isso? Zaragoza (1994, p. 25) faz uma alusão a isso, afirmando que "são os efeitos permanentes de caráter negativo que afetam a personalidade do professor como resultado das condições psicológicas e sociais em que se exerce a docência." Esses fatores impedem que o trabalho do professor seja eficaz, gerando o desânimo e a auto-depreciação, distanciando-o do contexto em beneficio da aprendizagem significativa.
Carbonel (2002, p.109), afirma que "nos ombros do educador são depositadas esperanças por uma revolução social e que o caminho para o desenvolvimento é a educação". Com todo esse excesso de responsabilidade, e pelo pouco tempo e pelos meios de que dispõe para cumprir seus deveres como educador, o professor acaba, muitas vezes, realizando mal seu próprio trabalho. Com isso é levado a fazer uma avaliação prejudicial de si próprio e do seu trabalho. Isso faz com se sinta frágil e se questione até que ponto está sendo útil na aprendizagem do aluno, o que afeta a imagem que tem de si mesmo, colocando em dúvida até mesmo seu grau de importância na profissão de educador e deixando-o com vontade de largar tudo, surgindo, aí, provavelmente, uma importante crise de identidade.
Charles Taylor (1994) avalia essa situação como decorrente da falta de reconhecimento de si próprio e do outro. Se o professor não conseguir fazer-se visível e sustentar seu estado de legitimidade não terá como ser reconhecido pelo outro. "O não-reconhecimento ou o reconhecimento inadequado pode prejudicar, pode ser uma forma de opressão, aprisionando uma pessoa em um modo de ser falso, distorcido e limitado" (TAYLOR, 1994, p. 25). Segundo o autor, a construção da identidade tem que passar pelo reconhecimento da singularidade por parte do outro, sem isso, o indivíduo poderá ficar à margem da cidadania plena. 
Taylor (1994) ainda nos aponta que "um indivíduo ou um grupo de pessoas pode sofrer um verdadeiro dano, uma autêntica deformação se a gente ou a sociedade que os rodeiam lhes mostram como reflexo, uma imagem limitada, degradante, depreciada sobre ele" (1994, p. 58). Para que isso seja minimizado, acredito que uma das maneiras mais apropriadas, diante das dificuldades apresentadas, é pensar com seriedade na formação continuada e contextualizada. Ela pode representar uma grande possibilidade de inovação coletiva, se desenvolvida de forma crítica e reflexiva e com total envolvimento dos professores e da gestão, no sentido de oferecer mais oportunidades para que os professores se qualifiquem mútua e profissionalmente. 
A formação continuada é uma oportunidade para trocar experiências e aprender um com o outro, motivando-se diante das dificuldades que se apresentam no cotidiano. Meirieu (2006) salienta a importância da motivação para um desempenho virtuoso do professor no ensino e aprendizagem. O autor afirma que "todo nosso esforço consiste em despertar a motivação no próprio movimento do trabalho", criando um ambiente de trocas e investigações, pois é partilhando que se constrói a motivação, e tendo em mente que a ética, a competência e o reconhecimento são fatores-chave deste esforço (2006, p. 51). 
O professor precisa ter uma mente aberta e preparar-se para acompanhar o ritmo acelerado das mudanças; precisa abrir espaços para as novas tecnologias e buscar novas formas de ensinar, que vão muito além das tradicionalmente utilizadas, onde o professor fala e o aluno fica na condição de ouvinte, sem poder opinar, complementar, discutir, discordar ou questionar. O professor tem o dever de educar cidadãos para que possam incluir-se na sociedade por uma participação ativa nas decisões.
Embora essas colocações possam parecer um pouco utópicas, acredito que vale a pena sonhar e lembrar que na educação todas as utopias são temporárias. Edgar Morin (2000) nos leva a crer que o conhecimento é mutável e que, por isso, se deve buscar sempre atribuir o conhecimento ao sujeito, buscando ensinar em todos os aspectos para a melhor qualidade de vida da pessoa. 
A escola que desejamos é uma escola significativa para o aluno, através da qual ele possa formar-se plenamente, sendo capaz de tomar decisões adequadas às exigências do mundo contemporâneo, sem com isso abandonar sua humanidade. Para isso se faz necessário que os padrões escolares se adaptem à nova mentalidade, aos novos tempos. É preciso reformular a escola e acrescentar inovações, quem sabe reinventá-la, a partir do compromisso de todos com as transformações sociais desejadas e tendo em vista o bem-estar de toda a sociedade. 




REFERÊNCIAS
CARBONELL, Jaume. A aventura de Inovar: a mudança na escola. Porto Alegre: Artmed, 2002. 
CODO, Wanderley. Educação: carinho e trabalho. Petrópolis: Vozes, 1999. 
GIDDENS, Anthony. Mundo em Descontrole: o que a globalização está fazendo de nós. 4ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.
GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: Ensinar e Aprender com Sentido. Novo Hamburgo: Feevale, 2003.
HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade. 8ª ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
LÜCK, Heloísa. Gestão Educacional: Uma questão paradigmática. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2006. 
MEIRIEU, Philippe. Carta A Um Jovem Professor: Porto Alegre, Artmed, 2006. 
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2 ed. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2000.
TAYLOR, Charles. Multiculturalismo. Instituto Piaget: Universiy Press, 1994.
ZARAGOZA, José Esteve Manoel. O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores. EDUSC. Bauru, SP. 1994 
O mundo contemporâneo vem sofrendo diversas transformações em múltiplos setores da sociedade, inclusive na educação, provocadas especialmente pelo avanço das tecnologias, pela produção incessante de conhecimento e pela criação de novos meios de comunicação. Essas transformações são, ao mesmo tempo, responsáveis por esse processo e resultantes desse processo, que é irreversível e tende a avançar rapidamente a cada dia. 
Na visão de Anthony Giddens (2005), a modernidade deveria ser vista como um fator multidimensional que inclui mudanças sociais, intelectuais e políticas; ao invés disso, a modernidade busca valorizar a multiplicidade de valores atingindo assim a identidade dos sujeitos. Diz o autor que, "em vez de estarmos entrando num período de pós-modernidade, estamos alcançando um período em que as conseqüências da modernidade estão se tornando mais radicalizadas e universalizadas do que antes" (GIDDENS, 2005, p.12).
Na percepção de Stuart Hall (2003), de certa forma, o indivíduo possuía uma única identidade, mas com a modernidade o mesmo indivíduo tem que adaptar-se a várias identidades "formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam" (HALL, 2003, p. 13).
Alberto Melucci (2001) adota a expressão identização para referir o "caráter processual, auto-reflexivo e construído da definição de nós mesmos" (MELUCCI, 2001, p. 34). A identidade é, para este autor, "um processo de constante negociação entre as diversas partes do eu, tempos diversos do eu e ambientes ou sistemas diversos de relações, nos quais cada um está inserido", capacitando o indivíduo a responder pelos múltiplos e contraditórios elementos que lhe compõem em cada momento (MELUCCI, 2004, p. 67). 
O mal-estar docente, fenômeno contemporâneo, pode estar relacionado a todas essas mudanças que vêm ocorrendo e que afetam também os professores e suas identidades. O professor, em meio a tantas exigências e necessidades que se transformam continuamente, questionando seu papel e suas funções, acaba por desenvolver sentimentos de insatisfação profissional e falta de disposição para buscar aperfeiçoamento; esgotamento pelo acúmulo de tensões; depressões. Esses sentimentos, muitas vezes, o levam ao abandono da própria profissão, visto que as mudanças acontecem com tanta rapidez e não conseguem ser acompanhadas pelos educadores.
Segundo Moacir Gadotti, em sua obra Boniteza de um Sonho (2001, p. 14), essas mudanças vão além da sala de aula "através da rede de computadores interligados", com isso, informações são passadas velozmente para o mundo todo em qualquer ocasião, sejam elas de qualquer natureza, permitindo que o aluno traga para a sala de aula informações muitas vezes ignoradas pelo professor. 
Em meio a toda essa corrida ao progresso, podemos dizer que a escola acaba perdendo-se em relação ao ensino e à aprendizagem, tanto pela falta de recursos para atender a toda essa demanda de novos conhecimentos e competências, como pela falta de formação dos que precisam acrescentar à sua função de transmissores do conhecimento, a de animadores culturais, assistentes sociais e responsáveis administrativos. Esta concepção multifuncional pode traduzir-se num fator de perturbação e de stress, levando o educador ao desânimo. 
Além da constante formação do educador, para que possa acompanhar as mudanças e assim evitar o mal-estar, acredito na importância da construção de um bom relacionamento no ambiente escolar, incluindo os momentos de construção e reconstrução dos significados das práticas em sala de aula, como afirma Philippe Meirieu (2006), dizendo que "todo nosso esforço consiste em despertar a motivação no próprio movimento do trabalho", pois é trabalhando e investigando que se constrói a motivação" (MEIRIEU 2006, p. 51).
O acesso à informação está se tornando cada vez mais um problema com o qual a escola tem de lidar. A informação hoje circula em revistas, jornais, Internet, TV e outros. À escola cabe redirecionar suas práticas para a viabilização e democratização do acesso a essa informação, visando a criação de condições para que o aluno possa gerenciar de forma coerente este acesso em questão. 
Vivemos em uma sociedade rotulada de vários nomes , mas que aflui para a mesma idéia de avanços tecnológicos. Seja qual for o rótulo, incontestavelmente os tempos são outros e, portanto, são tempos que pedem uma nova escola e que requer uma inovação daqueles que dela participam. A gestão pedagógica é uma parte importante desse processo, pois a ela cabe estabelecer objetivos específicos, definir as ações em função dos objetivos e do perfil dos alunos e da comunidade, como afirma Heloisa Lück: "gestão educacional corresponde ao processo de gerir a dinâmica do sistema de ensino como um todo" (LÜCK, 2006, p. 36). 
A autora ressalta a importância do projeto pedagógico para acompanhar toda essa transformação que a escola vem sofrendo na atualidade, sendo que o projeto deveria ser revisto a cada ano e em alguns casos, reformulado, pois é através da prática que novas idéias vão surgindo e alimentando o aprendizado. A escola está deixando de ser um espaço para acumular conhecimento, onde o educador é visto apenas como um depositário do saber; hoje, o papel do professor passa a ser o de e facilitador do aprendizado, também o de criar situações de aprendizagem que sirvam para toda a vida do aluno, através de metodologias que organizem e criem condições para um ambiente educacional autônomo.

Para facilitar essa construção mencionada, é fundamental que se crie na escola, um clima agradável entre professor e gestores, pois dessa forma o professor terá mais facilidade de compartilhar seus saberes e as suas idéias. Sentir-se-á apoiado nas suas propostas e nos seus protestos. Terá liberdade para expressar seus sentimentos em relação ao ensino e às aprendizagens e não aprendizagens de seus alunos, estes últimos como um dos motivos já comprovados de intenso mal-estar dos professores. 
Colocando-se numa posição de aprendente, disposto a aprender sempre, com certeza será ouvido pelos colegas e pela equipe gestora da escola, tendo assim a liberdade de expressão nas trocas de experiências entre os colegas, tão importantes para o aprimoramento do ensino. Para isso, se faz necessário uma constante reflexão da sua prática docente, para que se torne consciente do que faz, de como faz e do que não faz, porque na medida em que constrói essa consciência, o professor, como afirma Jaume Carbonel, "passa a se deparar com as suas potencialidades e fragilidades e esse é o ponto de partida de um processo de mudanças e de avanços pessoais e profissionais". 

Os profissionais da educação devem lembrar-se continuamente de sua vocação, paixão, compromisso. A vocação é um compromisso com a paixão pelas diversas dimensões do conhecimento – psicológicas, epistemológicas, sociais, éticas e políticas – e pela curiosidade permanente quanto a tudo que acontece na sala de aula, na escola e na comunidade, no município, no estado, no país e no mundo; porque "a vocação é uma decisão individual que se projeta no coletivo." (CARBONEL, 2001, p. 110)

José Manuel Zaragoza (1993) faz referência à acelerada transformação no contexto social em que se desempenha a educação, fazendo novas exigências a cada dia. "O sistema educacional, rapidamente massificado nas últimas décadas, ainda não dispõe de uma capacidade de reação para atender às novas demandas sociais" (1993, p. 13). Por outro lado, os educadores, como profissionais responsáveis pela mediação do conhecimento, que desempenham papéis importantes na transformação dos indivíduos, precisam estar atualizados e aptos a enfrentarem as mudanças e, que para não se sentirem inferiorizados, deveriam buscar novos conhecimentos através de continuas capacitações, a fim de estarem sintonizados com os acontecimentos que ocorrem no mundo. 
Nesse sentido, Gadotti (2001) faz menção à necessidade do educador de buscar atualizar-se para que consiga acompanhar essas constantes mudanças. 

Em sua essência, ser professor hoje, não é nem mais difícil nem mais fácil do que era há algumas décadas atrás. É diferente. Diante da velocidade com que a informação se desloca, envelhece e morre, diante de um mundo em constante mudança, seu papel vem mudando, senão na essencial tarefa de educar, pelo menos na tarefa de ensinar,de conduzir a aprendizagem e na sua própria formação que se tornou permanentemente necessária. (GADOTTI, 2001, p. 7)


Em nossa atividade de formação de professores, numa escola pública de ensino fundamental, por ocasião de nosso estágio do último semestre do Curso de Pedagogia, durante um debate sobre a necessidade de o educador atualizar-se e participar de cursos para que possa estar sempre bem ciente no que diz respeito ao ensino e aprendizagem, a fim de que não venha sofrer os sintomas que o mal-estar causa, ouvimos de uma professora a seguinte fala: "Mas como fazer tudo isso com o salário que ganhamos? Como dar conta de toda essa demanda e ainda ter tempo para nossa vida pessoal, nossa família, nossos amigos?".
Isso mostra que o professor é muito cobrado e pouco valorizado, especialmente no que tange à remuneração e às condições de trabalho. As pessoas esquecem que um professor também é um ser humano e precisa de cuidados, e que tem direito à vida. Mas quem se preocupa com isso? Zaragoza (1994, p. 25) faz uma alusão a isso, afirmando que "são os efeitos permanentes de caráter negativo que afetam a personalidade do professor como resultado das condições psicológicas e sociais em que se exerce a docência." Esses fatores impedem que o trabalho do professor seja eficaz, gerando o desânimo e a auto-depreciação, distanciando-o do contexto em beneficio da aprendizagem significativa.
Carbonel (2002, p.109), afirma que "nos ombros do educador são depositadas esperanças por uma revolução social e que o caminho para o desenvolvimento é a educação". Com todo esse excesso de responsabilidade, e pelo pouco tempo e pelos meios de que dispõe para cumprir seus deveres como educador, o professor acaba, muitas vezes, realizando mal seu próprio trabalho. Com isso é levado a fazer uma avaliação prejudicial de si próprio e do seu trabalho. Isso faz com se sinta frágil e se questione até que ponto está sendo útil na aprendizagem do aluno, o que afeta a imagem que tem de si mesmo, colocando em dúvida até mesmo seu grau de importância na profissão de educador e deixando-o com vontade de largar tudo, surgindo, aí, provavelmente, uma importante crise de identidade.
Charles Taylor (1994) avalia essa situação como decorrente da falta de reconhecimento de si próprio e do outro. Se o professor não conseguir fazer-se visível e sustentar seu estado de legitimidade não terá como ser reconhecido pelo outro. "O não-reconhecimento ou o reconhecimento inadequado pode prejudicar, pode ser uma forma de opressão, aprisionando uma pessoa em um modo de ser falso, distorcido e limitado" (TAYLOR, 1994, p. 25). Segundo o autor, a construção da identidade tem que passar pelo reconhecimento da singularidade por parte do outro, sem isso, o indivíduo poderá ficar à margem da cidadania plena. 
Taylor (1994) ainda nos aponta que "um indivíduo ou um grupo de pessoas pode sofrer um verdadeiro dano, uma autêntica deformação se a gente ou a sociedade que os rodeiam lhes mostram como reflexo, uma imagem limitada, degradante, depreciada sobre ele" (1994, p. 58). Para que isso seja minimizado, acredito que uma das maneiras mais apropriadas, diante das dificuldades apresentadas, é pensar com seriedade na formação continuada e contextualizada. Ela pode representar uma grande possibilidade de inovação coletiva, se desenvolvida de forma crítica e reflexiva e com total envolvimento dos professores e da gestão, no sentido de oferecer mais oportunidades para que os professores se qualifiquem mútua e profissionalmente. 
A formação continuada é uma oportunidade para trocar experiências e aprender um com o outro, motivando-se diante das dificuldades que se apresentam no cotidiano. Meirieu (2006) salienta a importância da motivação para um desempenho virtuoso do professor no ensino e aprendizagem. O autor afirma que "todo nosso esforço consiste em despertar a motivação no próprio movimento do trabalho", criando um ambiente de trocas e investigações, pois é partilhando que se constrói a motivação, e tendo em mente que a ética, a competência e o reconhecimento são fatores-chave deste esforço (2006, p. 51). 
O professor precisa ter uma mente aberta e preparar-se para acompanhar o ritmo acelerado das mudanças; precisa abrir espaços para as novas tecnologias e buscar novas formas de ensinar, que vão muito além das tradicionalmente utilizadas, onde o professor fala e o aluno fica na condição de ouvinte, sem poder opinar, complementar, discutir, discordar ou questionar. O professor tem o dever de educar cidadãos para que possam incluir-se na sociedade por uma participação ativa nas decisões.
Embora essas colocações possam parecer um pouco utópicas, acredito que vale a pena sonhar e lembrar que na educação todas as utopias são temporárias. Edgar Morin (2000) nos leva a crer que o conhecimento é mutável e que, por isso, se deve buscar sempre atribuir o conhecimento ao sujeito, buscando ensinar em todos os aspectos para a melhor qualidade de vida da pessoa. 
A escola que desejamos é uma escola significativa para o aluno, através da qual ele possa formar-se plenamente, sendo capaz de tomar decisões adequadas às exigências do mundo contemporâneo, sem com isso abandonar sua humanidade. Para isso se faz necessário que os padrões escolares se adaptem à nova mentalidade, aos novos tempos. É preciso reformular a escola e acrescentar inovações, quem sabe reinventá-la, a partir do compromisso de todos com as transformações sociais desejadas e tendo em vista o bem-estar de toda a sociedade. 




REFERÊNCIAS
CARBONELL, Jaume. A aventura de Inovar: a mudança na escola. Porto Alegre: Artmed, 2002. 
CODO, Wanderley. Educação: carinho e trabalho. Petrópolis: Vozes, 1999. 
GIDDENS, Anthony. Mundo em Descontrole: o que a globalização está fazendo de nós. 4ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.
GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: Ensinar e Aprender com Sentido. Novo Hamburgo: Feevale, 2003.
HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade. 8ª ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
LÜCK, Heloísa. Gestão Educacional: Uma questão paradigmática. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2006. 
MEIRIEU, Philippe. Carta A Um Jovem Professor: Porto Alegre, Artmed, 2006. 
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2 ed. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2000.
TAYLOR, Charles. Multiculturalismo. Instituto Piaget: Universiy Press, 1994.
ZARAGOZA, José Esteve Manoel. O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores. EDUSC. Bauru, SP. 1994 
O mundo contemporâneo vem sofrendo diversas transformações em múltiplos setores da sociedade, inclusive na educação, provocadas especialmente pelo avanço das tecnologias, pela produção incessante de conhecimento e pela criação de novos meios de comunicação. Essas transformações são, ao mesmo tempo, responsáveis por esse processo e resultantes desse processo, que é irreversível e tende a avançar rapidamente a cada dia. 
Na visão de Anthony Giddens (2005), a modernidade deveria ser vista como um fator multidimensional que inclui mudanças sociais, intelectuais e políticas; ao invés disso, a modernidade busca valorizar a multiplicidade de valores atingindo assim a identidade dos sujeitos. Diz o autor que, "em vez de estarmos entrando num período de pós-modernidade, estamos alcançando um período em que as conseqüências da modernidade estão se tornando mais radicalizadas e universalizadas do que antes" (GIDDENS, 2005, p.12).
Na percepção de Stuart Hall (2003), de certa forma, o indivíduo possuía uma única identidade, mas com a modernidade o mesmo indivíduo tem que adaptar-se a várias identidades "formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam" (HALL, 2003, p. 13).
Alberto Melucci (2001) adota a expressão identização para referir o "caráter processual, auto-reflexivo e construído da definição de nós mesmos" (MELUCCI, 2001, p. 34). A identidade é, para este autor, "um processo de constante negociação entre as diversas partes do eu, tempos diversos do eu e ambientes ou sistemas diversos de relações, nos quais cada um está inserido", capacitando o indivíduo a responder pelos múltiplos e contraditórios elementos que lhe compõem em cada momento (MELUCCI, 2004, p. 67). 
O mal-estar docente, fenômeno contemporâneo, pode estar relacionado a todas essas mudanças que vêm ocorrendo e que afetam também os professores e suas identidades. O professor, em meio a tantas exigências e necessidades que se transformam continuamente, questionando seu papel e suas funções, acaba por desenvolver sentimentos de insatisfação profissional e falta de disposição para buscar aperfeiçoamento; esgotamento pelo acúmulo de tensões; depressões. Esses sentimentos, muitas vezes, o levam ao abandono da própria profissão, visto que as mudanças acontecem com tanta rapidez e não conseguem ser acompanhadas pelos educadores.
Segundo Moacir Gadotti, em sua obra Boniteza de um Sonho (2001, p. 14), essas mudanças vão além da sala de aula "através da rede de computadores interligados", com isso, informações são passadas velozmente para o mundo todo em qualquer ocasião, sejam elas de qualquer natureza, permitindo que o aluno traga para a sala de aula informações muitas vezes ignoradas pelo professor. 
Em meio a toda essa corrida ao progresso, podemos dizer que a escola acaba perdendo-se em relação ao ensino e à aprendizagem, tanto pela falta de recursos para atender a toda essa demanda de novos conhecimentos e competências, como pela falta de formação dos que precisam acrescentar à sua função de transmissores do conhecimento, a de animadores culturais, assistentes sociais e responsáveis administrativos. Esta concepção multifuncional pode traduzir-se num fator de perturbação e de stress, levando o educador ao desânimo. 
Além da constante formação do educador, para que possa acompanhar as mudanças e assim evitar o mal-estar, acredito na importância da construção de um bom relacionamento no ambiente escolar, incluindo os momentos de construção e reconstrução dos significados das práticas em sala de aula, como afirma Philippe Meirieu (2006), dizendo que "todo nosso esforço consiste em despertar a motivação no próprio movimento do trabalho", pois é trabalhando e investigando que se constrói a motivação" (MEIRIEU 2006, p. 51).
O acesso à informação está se tornando cada vez mais um problema com o qual a escola tem de lidar. A informação hoje circula em revistas, jornais, Internet, TV e outros. À escola cabe redirecionar suas práticas para a viabilização e democratização do acesso a essa informação, visando a criação de condições para que o aluno possa gerenciar de forma coerente este acesso em questão. 
Vivemos em uma sociedade rotulada de vários nomes , mas que aflui para a mesma idéia de avanços tecnológicos. Seja qual for o rótulo, incontestavelmente os tempos são outros e, portanto, são tempos que pedem uma nova escola e que requer uma inovação daqueles que dela participam. A gestão pedagógica é uma parte importante desse processo, pois a ela cabe estabelecer objetivos específicos, definir as ações em função dos objetivos e do perfil dos alunos e da comunidade, como afirma Heloisa Lück: "gestão educacional corresponde ao processo de gerir a dinâmica do sistema de ensino como um todo" (LÜCK, 2006, p. 36). 
A autora ressalta a importância do projeto pedagógico para acompanhar toda essa transformação que a escola vem sofrendo na atualidade, sendo que o projeto deveria ser revisto a cada ano e em alguns casos, reformulado, pois é através da prática que novas idéias vão surgindo e alimentando o aprendizado. A escola está deixando de ser um espaço para acumular conhecimento, onde o educador é visto apenas como um depositário do saber; hoje, o papel do professor passa a ser o de e facilitador do aprendizado, também o de criar situações de aprendizagem que sirvam para toda a vida do aluno, através de metodologias que organizem e criem condições para um ambiente educacional autônomo.
Para facilitar essa construção mencionada, é fundamental que se crie na escola, um clima agradável entre professor e gestores, pois dessa forma o professor terá mais facilidade de compartilhar seus saberes e as suas idéias. Sentir-se-á apoiado nas suas propostas e nos seus protestos. Terá liberdade para expressar seus sentimentos em relação ao ensino e às aprendizagens e não aprendizagens de seus alunos, estes últimos como um dos motivos já comprovados de intenso mal-estar dos professores. 
Colocando-se numa posição de aprendente, disposto a aprender sempre, com certeza será ouvido pelos colegas e pela equipe gestora da escola, tendo assim a liberdade de expressão nas trocas de experiências entre os colegas, tão importantes para o aprimoramento do ensino. Para isso, se faz necessário uma constante reflexão da sua prática docente, para que se torne consciente do que faz, de como faz e do que não faz, porque na medida em que constrói essa consciência, o professor, como afirma Jaume Carbonel, "passa a se deparar com as suas potencialidades e fragilidades e esse é o ponto de partida de um processo de mudanças e de avanços pessoais e profissionais". 

Os profissionais da educação devem lembrar-se continuamente de sua vocação, paixão, compromisso. A vocação é um compromisso com a paixão pelas diversas dimensões do conhecimento – psicológicas, epistemológicas, sociais, éticas e políticas – e pela curiosidade permanente quanto a tudo que acontece na sala de aula, na escola e na comunidade, no município, no estado, no país e no mundo; porque "a vocação é uma decisão individual que se projeta no coletivo." (CARBONEL, 2001, p. 110)

José Manuel Zaragoza (1993) faz referência à acelerada transformação no contexto social em que se desempenha a educação, fazendo novas exigências a cada dia. "O sistema educacional, rapidamente massificado nas últimas décadas, ainda não dispõe de uma capacidade de reação para atender às novas demandas sociais" (1993, p. 13). Por outro lado, os educadores, como profissionais responsáveis pela mediação do conhecimento, que desempenham papéis importantes na transformação dos indivíduos, precisam estar atualizados e aptos a enfrentarem as mudanças e, que para não se sentirem inferiorizados, deveriam buscar novos conhecimentos através de continuas capacitações, a fim de estarem sintonizados com os acontecimentos que ocorrem no mundo. 
Nesse sentido, Gadotti (2001) faz menção à necessidade do educador de buscar atualizar-se para que consiga acompanhar essas constantes mudanças. 

Em sua essência, ser professor hoje, não é nem mais difícil nem mais fácil do que era há algumas décadas atrás. É diferente. Diante da velocidade com que a informação se desloca, envelhece e morre, diante de um mundo em constante mudança, seu papel vem mudando, senão na essencial tarefa de educar, pelo menos na tarefa de ensinar,de conduzir a aprendizagem e na sua própria formação que se tornou permanentemente necessária. (GADOTTI, 2001, p. 7)


Em nossa atividade de formação de professores, numa escola pública de ensino fundamental, por ocasião de nosso estágio do último semestre do Curso de Pedagogia, durante um debate sobre a necessidade de o educador atualizar-se e participar de cursos para que possa estar sempre bem ciente no que diz respeito ao ensino e aprendizagem, a fim de que não venha sofrer os sintomas que o mal-estar causa, ouvimos de uma professora a seguinte fala: "Mas como fazer tudo isso com o salário que ganhamos? Como dar conta de toda essa demanda e ainda ter tempo para nossa vida pessoal, nossa família, nossos amigos?".
Isso mostra que o professor é muito cobrado e pouco valorizado, especialmente no que tange à remuneração e às condições de trabalho. As pessoas esquecem que um professor também é um ser humano e precisa de cuidados, e que tem direito à vida. Mas quem se preocupa com isso? Zaragoza (1994, p. 25) faz uma alusão a isso, afirmando que "são os efeitos permanentes de caráter negativo que afetam a personalidade do professor como resultado das condições psicológicas e sociais em que se exerce a docência." Esses fatores impedem que o trabalho do professor seja eficaz, gerando o desânimo e a auto-depreciação, distanciando-o do contexto em beneficio da aprendizagem significativa.
Carbonel (2002, p.109), afirma que "nos ombros do educador são depositadas esperanças por uma revolução social e que o caminho para o desenvolvimento é a educação". Com todo esse excesso de responsabilidade, e pelo pouco tempo e pelos meios de que dispõe para cumprir seus deveres como educador, o professor acaba, muitas vezes, realizando mal seu próprio trabalho. Com isso é levado a fazer uma avaliação prejudicial de si próprio e do seu trabalho. Isso faz com se sinta frágil e se questione até que ponto está sendo útil na aprendizagem do aluno, o que afeta a imagem que tem de si mesmo, colocando em dúvida até mesmo seu grau de importância na profissão de educador e deixando-o com vontade de largar tudo, surgindo, aí, provavelmente, uma importante crise de identidade.
Charles Taylor (1994) avalia essa situação como decorrente da falta de reconhecimento de si próprio e do outro. Se o professor não conseguir fazer-se visível e sustentar seu estado de legitimidade não terá como ser reconhecido pelo outro. "O não-reconhecimento ou o reconhecimento inadequado pode prejudicar, pode ser uma forma de opressão, aprisionando uma pessoa em um modo de ser falso, distorcido e limitado" (TAYLOR, 1994, p. 25). Segundo o autor, a construção da identidade tem que passar pelo reconhecimento da singularidade por parte do outro, sem isso, o indivíduo poderá ficar à margem da cidadania plena. 
Taylor (1994) ainda nos aponta que "um indivíduo ou um grupo de pessoas pode sofrer um verdadeiro dano, uma autêntica deformação se a gente ou a sociedade que os rodeiam lhes mostram como reflexo, uma imagem limitada, degradante, depreciada sobre ele" (1994, p. 58). Para que isso seja minimizado, acredito que uma das maneiras mais apropriadas, diante das dificuldades apresentadas, é pensar com seriedade na formação continuada e contextualizada. Ela pode representar uma grande possibilidade de inovação coletiva, se desenvolvida de forma crítica e reflexiva e com total envolvimento dos professores e da gestão, no sentido de oferecer mais oportunidades para que os professores se qualifiquem mútua e profissionalmente. 
A formação continuada é uma oportunidade para trocar experiências e aprender um com o outro, motivando-se diante das dificuldades que se apresentam no cotidiano. Meirieu (2006) salienta a importância da motivação para um desempenho virtuoso do professor no ensino e aprendizagem. O autor afirma que "todo nosso esforço consiste em despertar a motivação no próprio movimento do trabalho", criando um ambiente de trocas e investigações, pois é partilhando que se constrói a motivação, e tendo em mente que a ética, a competência e o reconhecimento são fatores-chave deste esforço (2006, p. 51). 
O professor precisa ter uma mente aberta e preparar-se para acompanhar o ritmo acelerado das mudanças; precisa abrir espaços para as novas tecnologias e buscar novas formas de ensinar, que vão muito além das tradicionalmente utilizadas, onde o professor fala e o aluno fica na condição de ouvinte, sem poder opinar, complementar, discutir, discordar ou questionar. O professor tem o dever de educar cidadãos para que possam incluir-se na sociedade por uma participação ativa nas decisões.
Embora essas colocações possam parecer um pouco utópicas, acredito que vale a pena sonhar e lembrar que na educação todas as utopias são temporárias. Edgar Morin (2000) nos leva a crer que o conhecimento é mutável e que, por isso, se deve buscar sempre atribuir o conhecimento ao sujeito, buscando ensinar em todos os aspectos para a melhor qualidade de vida da pessoa. 
A escola que desejamos é uma escola significativa para o aluno, através da qual ele possa formar-se plenamente, sendo capaz de tomar decisões adequadas às exigências do mundo contemporâneo, sem com isso abandonar sua humanidade. Para isso se faz necessário que os padrões escolares se adaptem à nova mentalidade, aos novos tempos. É preciso reformular a escola e acrescentar inovações, quem sabe reinventá-la, a partir do compromisso de todos com as transformações sociais desejadas e tendo em vista o bem-estar de toda a sociedade. 




REFERÊNCIAS
CARBONELL, Jaume. A aventura de Inovar: a mudança na escola. Porto Alegre: Artmed, 2002. 
CODO, Wanderley. Educação: carinho e trabalho. Petrópolis: Vozes, 1999. 
GIDDENS, Anthony. Mundo em Descontrole: o que a globalização está fazendo de nós. 4ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.
GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: Ensinar e Aprender com Sentido. Novo Hamburgo: Feevale, 2003.
HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade. 8ª ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
LÜCK, Heloísa. Gestão Educacional: Uma questão paradigmática. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2006. 
MEIRIEU, Philippe. Carta A Um Jovem Professor: Porto Alegre, Artmed, 2006. 
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2 ed. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2000.
TAYLOR, Charles. Multiculturalismo. Instituto Piaget: Universiy Press, 1994.
ZARAGOZA, José Esteve Manoel. O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores. EDUSC. Bauru, SP. 1994 
O mundo contemporâneo vem sofrendo diversas transformações em múltiplos setores da sociedade, inclusive na educação, provocadas especialmente pelo avanço das tecnologias, pela produção incessante de conhecimento e pela criação de novos meios de comunicação. Essas transformações são, ao mesmo tempo, responsáveis por esse processo e resultantes desse processo, que é irreversível e tende a avançar rapidamente a cada dia. 
Na visão de Anthony Giddens (2005), a modernidade deveria ser vista como um fator multidimensional que inclui mudanças sociais, intelectuais e políticas; ao invés disso, a modernidade busca valorizar a multiplicidade de valores atingindo assim a identidade dos sujeitos. Diz o autor que, "em vez de estarmos entrando num período de pós-modernidade, estamos alcançando um período em que as conseqüências da modernidade estão se tornando mais radicalizadas e universalizadas do que antes" (GIDDENS, 2005, p.12).
Na percepção de Stuart Hall (2003), de certa forma, o indivíduo possuía uma única identidade, mas com a modernidade o mesmo indivíduo tem que adaptar-se a várias identidades "formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam" (HALL, 2003, p. 13).
Alberto Melucci (2001) adota a expressão identização para referir o "caráter processual, auto-reflexivo e construído da definição de nós mesmos" (MELUCCI, 2001, p. 34). A identidade é, para este autor, "um processo de constante negociação entre as diversas partes do eu, tempos diversos do eu e ambientes ou sistemas diversos de relações, nos quais cada um está inserido", capacitando o indivíduo a responder pelos múltiplos e contraditórios elementos que lhe compõem em cada momento (MELUCCI, 2004, p. 67). 
O mal-estar docente, fenômeno contemporâneo, pode estar relacionado a todas essas mudanças que vêm ocorrendo e que afetam também os professores e suas identidades. O professor, em meio a tantas exigências e necessidades que se transformam continuamente, questionando seu papel e suas funções, acaba por desenvolver sentimentos de insatisfação profissional e falta de disposição para buscar aperfeiçoamento; esgotamento pelo acúmulo de tensões; depressões. Esses sentimentos, muitas vezes, o levam ao abandono da própria profissão, visto que as mudanças acontecem com tanta rapidez e não conseguem ser acompanhadas pelos educadores.
Segundo Moacir Gadotti, em sua obra Boniteza de um Sonho (2001, p. 14), essas mudanças vão além da sala de aula "através da rede de computadores interligados", com isso, informações são passadas velozmente para o mundo todo em qualquer ocasião, sejam elas de qualquer natureza, permitindo que o aluno traga para a sala de aula informações muitas vezes ignoradas pelo professor. 
Em meio a toda essa corrida ao progresso, podemos dizer que a escola acaba perdendo-se em relação ao ensino e à aprendizagem, tanto pela falta de recursos para atender a toda essa demanda de novos conhecimentos e competências, como pela falta de formação dos que precisam acrescentar à sua função de transmissores do conhecimento, a de animadores culturais, assistentes sociais e responsáveis administrativos. Esta concepção multifuncional pode traduzir-se num fator de perturbação e de stress, levando o educador ao desânimo. 
Além da constante formação do educador, para que possa acompanhar as mudanças e assim evitar o mal-estar, acredito na importância da construção de um bom relacionamento no ambiente escolar, incluindo os momentos de construção e reconstrução dos significados das práticas em sala de aula, como afirma Philippe Meirieu (2006), dizendo que "todo nosso esforço consiste em despertar a motivação no próprio movimento do trabalho", pois é trabalhando e investigando que se constrói a motivação" (MEIRIEU 2006, p. 51).
O acesso à informação está se tornando cada vez mais um problema com o qual a escola tem de lidar. A informação hoje circula em revistas, jornais, Internet, TV e outros. À escola cabe redirecionar suas práticas para a viabilização e democratização do acesso a essa informação, visando a criação de condições para que o aluno possa gerenciar de forma coerente este acesso em questão. 
Vivemos em uma sociedade rotulada de vários nomes , mas que aflui para a mesma idéia de avanços tecnológicos. Seja qual for o rótulo, incontestavelmente os tempos são outros e, portanto, são tempos que pedem uma nova escola e que requer uma inovação daqueles que dela participam. A gestão pedagógica é uma parte importante desse processo, pois a ela cabe estabelecer objetivos específicos, definir as ações em função dos objetivos e do perfil dos alunos e da comunidade, como afirma Heloisa Lück: "gestão educacional corresponde ao processo de gerir a dinâmica do sistema de ensino como um todo" (LÜCK, 2006, p. 36). 
A autora ressalta a importância do projeto pedagógico para acompanhar toda essa transformação que a escola vem sofrendo na atualidade, sendo que o projeto deveria ser revisto a cada ano e em alguns casos, reformulado, pois é através da prática que novas idéias vão surgindo e alimentando o aprendizado. A escola está deixando de ser um espaço para acumular conhecimento, onde o educador é visto apenas como um depositário do saber; hoje, o papel do professor passa a ser o de e facilitador do aprendizado, também o de criar situações de aprendizagem que sirvam para toda a vida do aluno, através de metodologias que organizem e criem condições para um ambiente educacional autônomo.
Para facilitar essa construção mencionada, é fundamental que se crie na escola, um clima agradável entre professor e gestores, pois dessa forma o professor terá mais facilidade de compartilhar seus saberes e as suas idéias. Sentir-se-á apoiado nas suas propostas e nos seus protestos. Terá liberdade para expressar seus sentimentos em relação ao ensino e às aprendizagens e não aprendizagens de seus alunos, estes últimos como um dos motivos já comprovados de intenso mal-estar dos professores. 
Colocando-se numa posição de aprendente, disposto a aprender sempre, com certeza será ouvido pelos colegas e pela equipe gestora da escola, tendo assim a liberdade de expressão nas trocas de experiências entre os colegas, tão importantes para o aprimoramento do ensino. Para isso, se faz necessário uma constante reflexão da sua prática docente, para que se torne consciente do que faz, de como faz e do que não faz, porque na medida em que constrói essa consciência, o professor, como afirma Jaume Carbonel, "passa a se deparar com as suas potencialidades e fragilidades e esse é o ponto de partida de um processo de mudanças e de avanços pessoais e profissionais". 

Os profissionais da educação devem lembrar-se continuamente de sua vocação, paixão, compromisso. A vocação é um compromisso com a paixão pelas diversas dimensões do conhecimento – psicológicas, epistemológicas, sociais, éticas e políticas – e pela curiosidade permanente quanto a tudo que acontece na sala de aula, na escola e na comunidade, no município, no estado, no país e no mundo; porque "a vocação é uma decisão individual que se projeta no coletivo." (CARBONEL, 2001, p. 110)

José Manuel Zaragoza (1993) faz referência à acelerada transformação no contexto social em que se desempenha a educação, fazendo novas exigências a cada dia. "O sistema educacional, rapidamente massificado nas últimas décadas, ainda não dispõe de uma capacidade de reação para atender às novas demandas sociais" (1993, p. 13). Por outro lado, os educadores, como profissionais responsáveis pela mediação do conhecimento, que desempenham papéis importantes na transformação dos indivíduos, precisam estar atualizados e aptos a enfrentarem as mudanças e, que para não se sentirem inferiorizados, deveriam buscar novos conhecimentos através de continuas capacitações, a fim de estarem sintonizados com os acontecimentos que ocorrem no mundo. 
Nesse sentido, Gadotti (2001) faz menção à necessidade do educador de buscar atualizar-se para que consiga acompanhar essas constantes mudanças. 

Em sua essência, ser professor hoje, não é nem mais difícil nem mais fácil do que era há algumas décadas atrás. É diferente. Diante da velocidade com que a informação se desloca, envelhece e morre, diante de um mundo em constante mudança, seu papel vem mudando, senão na essencial tarefa de educar, pelo menos na tarefa de ensinar,de conduzir a aprendizagem e na sua própria formação que se tornou permanentemente necessária. (GADOTTI, 2001, p. 7)


Em nossa atividade de formação de professores, numa escola pública de ensino fundamental, por ocasião de nosso estágio do último semestre do Curso de Pedagogia, durante um debate sobre a necessidade de o educador atualizar-se e participar de cursos para que possa estar sempre bem ciente no que diz respeito ao ensino e aprendizagem, a fim de que não venha sofrer os sintomas que o mal-estar causa, ouvimos de uma professora a seguinte fala: "Mas como fazer tudo isso com o salário que ganhamos? Como dar conta de toda essa demanda e ainda ter tempo para nossa vida pessoal, nossa família, nossos amigos?".
Isso mostra que o professor é muito cobrado e pouco valorizado, especialmente no que tange à remuneração e às condições de trabalho. As pessoas esquecem que um professor também é um ser humano e precisa de cuidados, e que tem direito à vida. Mas quem se preocupa com isso? Zaragoza (1994, p. 25) faz uma alusão a isso, afirmando que "são os efeitos permanentes de caráter negativo que afetam a personalidade do professor como resultado das condições psicológicas e sociais em que se exerce a docência." Esses fatores impedem que o trabalho do professor seja eficaz, gerando o desânimo e a auto-depreciação, distanciando-o do contexto em beneficio da aprendizagem significativa.
Carbonel (2002, p.109), afirma que "nos ombros do educador são depositadas esperanças por uma revolução social e que o caminho para o desenvolvimento é a educação". Com todo esse excesso de responsabilidade, e pelo pouco tempo e pelos meios de que dispõe para cumprir seus deveres como educador, o professor acaba, muitas vezes, realizando mal seu próprio trabalho. Com isso é levado a fazer uma avaliação prejudicial de si próprio e do seu trabalho. Isso faz com se sinta frágil e se questione até que ponto está sendo útil na aprendizagem do aluno, o que afeta a imagem que tem de si mesmo, colocando em dúvida até mesmo seu grau de importância na profissão de educador e deixando-o com vontade de largar tudo, surgindo, aí, provavelmente, uma importante crise de identidade.
Charles Taylor (1994) avalia essa situação como decorrente da falta de reconhecimento de si próprio e do outro. Se o professor não conseguir fazer-se visível e sustentar seu estado de legitimidade não terá como ser reconhecido pelo outro. "O não-reconhecimento ou o reconhecimento inadequado pode prejudicar, pode ser uma forma de opressão, aprisionando uma pessoa em um modo de ser falso, distorcido e limitado" (TAYLOR, 1994, p. 25). Segundo o autor, a construção da identidade tem que passar pelo reconhecimento da singularidade por parte do outro, sem isso, o indivíduo poderá ficar à margem da cidadania plena. 
Taylor (1994) ainda nos aponta que "um indivíduo ou um grupo de pessoas pode sofrer um verdadeiro dano, uma autêntica deformação se a gente ou a sociedade que os rodeiam lhes mostram como reflexo, uma imagem limitada, degradante, depreciada sobre ele" (1994, p. 58). Para que isso seja minimizado, acredito que uma das maneiras mais apropriadas, diante das dificuldades apresentadas, é pensar com seriedade na formação continuada e contextualizada. Ela pode representar uma grande possibilidade de inovação coletiva, se desenvolvida de forma crítica e reflexiva e com total envolvimento dos professores e da gestão, no sentido de oferecer mais oportunidades para que os professores se qualifiquem mútua e profissionalmente. 
A formação continuada é uma oportunidade para trocar experiências e aprender um com o outro, motivando-se diante das dificuldades que se apresentam no cotidiano. Meirieu (2006) salienta a importância da motivação para um desempenho virtuoso do professor no ensino e aprendizagem. O autor afirma que "todo nosso esforço consiste em despertar a motivação no próprio movimento do trabalho", criando um ambiente de trocas e investigações, pois é partilhando que se constrói a motivação, e tendo em mente que a ética, a competência e o reconhecimento são fatores-chave deste esforço (2006, p. 51). 
O professor precisa ter uma mente aberta e preparar-se para acompanhar o ritmo acelerado das mudanças; precisa abrir espaços para as novas tecnologias e buscar novas formas de ensinar, que vão muito além das tradicionalmente utilizadas, onde o professor fala e o aluno fica na condição de ouvinte, sem poder opinar, complementar, discutir, discordar ou questionar. O professor tem o dever de educar cidadãos para que possam incluir-se na sociedade por uma participação ativa nas decisões.
Embora essas colocações possam parecer um pouco utópicas, acredito que vale a pena sonhar e lembrar que na educação todas as utopias são temporárias. Edgar Morin (2000) nos leva a crer que o conhecimento é mutável e que, por isso, se deve buscar sempre atribuir o conhecimento ao sujeito, buscando ensinar em todos os aspectos para a melhor qualidade de vida da pessoa. 
A escola que desejamos é uma escola significativa para o aluno, através da qual ele possa formar-se plenamente, sendo capaz de tomar decisões adequadas às exigências do mundo contemporâneo, sem com isso abandonar sua humanidade. Para isso se faz necessário que os padrões escolares se adaptem à nova mentalidade, aos novos tempos. É preciso reformular a escola e acrescentar inovações, quem sabe reinventá-la, a partir do compromisso de todos com as transformações sociais desejadas e tendo em vista o bem-estar de toda a sociedade. 




REFERÊNCIAS
CARBONELL, Jaume. A aventura de Inovar: a mudança na escola. Porto Alegre: Artmed, 2002. 
CODO, Wanderley. Educação: carinho e trabalho. Petrópolis: Vozes, 1999. 
GIDDENS, Anthony. Mundo em Descontrole: o que a globalização está fazendo de nós. 4ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.
GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: Ensinar e Aprender com Sentido. Novo Hamburgo: Feevale, 2003.
HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade. 8ª ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
LÜCK, Heloísa. Gestão Educacional: Uma questão paradigmática. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2006. 
MEIRIEU, Philippe. Carta A Um Jovem Professor: Porto Alegre, Artmed, 2006. 
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2 ed. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2000.
TAYLOR, Charles. Multiculturalismo. Instituto Piaget: Universiy Press, 1994.
ZARAGOZA, José Esteve Manoel. O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores. EDUSC. Bauru, SP. 1994 
O mundo contemporâneo vem sofrendo diversas transformações em múltiplos setores da sociedade, inclusive na educação, provocadas especialmente pelo avanço das tecnologias, pela produção incessante de conhecimento e pela criação de novos meios de comunicação. Essas transformações são, ao mesmo tempo, responsáveis por esse processo e resultantes desse processo, que é irreversível e tende a avançar rapidamente a cada dia. 
Na visão de Anthony Giddens (2005), a modernidade deveria ser vista como um fator multidimensional que inclui mudanças sociais, intelectuais e políticas; ao invés disso, a modernidade busca valorizar a multiplicidade de valores atingindo assim a identidade dos sujeitos. Diz o autor que, "em vez de estarmos entrando num período de pós-modernidade, estamos alcançando um período em que as conseqüências da modernidade estão se tornando mais radicalizadas e universalizadas do que antes" (GIDDENS, 2005, p.12).
Na percepção de Stuart Hall (2003), de certa forma, o indivíduo possuía uma única identidade, mas com a modernidade o mesmo indivíduo tem que adaptar-se a várias identidades "formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam" (HALL, 2003, p. 13).
Alberto Melucci (2001) adota a expressão identização para referir o "caráter processual, auto-reflexivo e construído da definição de nós mesmos" (MELUCCI, 2001, p. 34). A identidade é, para este autor, "um processo de constante negociação entre as diversas partes do eu, tempos diversos do eu e ambientes ou sistemas diversos de relações, nos quais cada um está inserido", capacitando o indivíduo a responder pelos múltiplos e contraditórios elementos que lhe compõem em cada momento (MELUCCI, 2004, p. 67). 
O mal-estar docente, fenômeno contemporâneo, pode estar relacionado a todas essas mudanças que vêm ocorrendo e que afetam também os professores e suas identidades. O professor, em meio a tantas exigências e necessidades que se transformam continuamente, questionando seu papel e suas funções, acaba por desenvolver sentimentos de insatisfação profissional e falta de disposição para buscar aperfeiçoamento; esgotamento pelo acúmulo de tensões; depressões. Esses sentimentos, muitas vezes, o levam ao abandono da própria profissão, visto que as mudanças acontecem com tanta rapidez e não conseguem ser acompanhadas pelos educadores.
Segundo Moacir Gadotti, em sua obra Boniteza de um Sonho (2001, p. 14), essas mudanças vão al
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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/a-escola-no-mundo-contemporaneo-803416.html

    Palavras-chave do artigo:

    avancos tecnologicos

    ,

    gestao

    ,

    mal estar docente

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    Regivaldo Cláudio de Freitas

    O objetivo central do trabalho é promover uma discussão estabelecendo paralelos entre a forma como a Matemática é tradicionalmente trabalhada (como forma de exclusão) e a Matemática Libertadora a serviço da transformação social. E, discutir a importância da integração da tecnologia ao currículo. Os principais autores utilizados foram Vygotsky e Ubiratan D' Ambrósio. A metodologia utilizada baseia-se no paradigma hermenêutico cuja pesquisa é de natureza qualitativa.

    Por: Regivaldo Cláudio de Freitasl Educação> Ensino Superiorl 29/01/2012 lAcessos: 951
    Tereza Cristiany P. N. Simão

    RESUMO: Este artigo tem por objetivo refletir sobre a função supervisora no contexto atual e sua atuação como suporte ao trabalho docente. Apresentando discussões acerca do desenvolvimento da ação do supervisor escolar como um profissional mediador/articulador do processo de ensino-aprendizagem, que deve apresentar aspectos de liderança, através de conhecimentos específicos sobre a educação, assim como, manter um relacionamento de companheirismo com o corpo docente da instituição em que atua.

    Por: Tereza Cristiany P. N. Simãol Educação> Educação Infantill 28/03/2013 lAcessos: 377
    GUTEMBERG MARTINS DE SALES

    RESUMO O objetivo deste artigo é a busca pela compreensão sobre a prática docente da Educação Física no ensino superior. Para tal partiu-se do estudo sobre as noções sobre educação, delineando-se o papel do docente no ensino superior, destacando ainda algumas de suas funções didáticas metodológicas. Tudo isso sem deixar de mencionar sobre o papel e funções do Estado e do governo na universalização brasileira.

    Por: GUTEMBERG MARTINS DE SALESl Educação> Ensino Superiorl 06/07/2011 lAcessos: 313

    O presente trabalho tem como propósito apresentar um estudo através de uma análise bibliográfica sobre a incorporação das tecnologias da informação e da comunicação na educação básica. Apontando algumas reflexões e discussões acerca do uso das tecnologias no cotidiano e nas práticas pedagógicas dos professores de educação básica.

    Por: Patricia Coelhol Educação> Educação Onlinel 24/08/2010 lAcessos: 4,689 lComentário: 1

    Este artigo apresenta o curso de formação de professores nas tecnologias de linguagens audiovisuais produzido pela SEED/MEC e Unirede. Descreve sua organização estrutural, caracteriza as edições, evidencia os desafios e avanços a cada edição, ressalta os aspectos que redimensionaram o curso visando atender às diferenças regionais e pontua os ganhos dos professores cursistas no processo de formação.

    Por: Maria Amabia Viana Gomesl Educação> Educação Onlinel 10/09/2010 lAcessos: 875 lComentário: 2
    Manoel Aparecido Martins

    A ludicidade faz parte do ser humano desde seu nascimento, é brincando que a criança vai conhecendo o mundo ao seu redor, vai se identificando, vai fazendo parte. O lúdico pode e deve ser utilizado no ensino de todas as disciplinas, até mesmo de forma interdisciplinar. Portanto é de fundamental importância um estudo mais aprofundado da natureza e importância desta disciplina nos dias atuais, bem como seu histórico e a aplicação do lúdico na mesma.

    Por: Manoel Aparecido Martinsl Educaçãol 17/06/2009 lAcessos: 14,993 lComentário: 4

    Descrição de um problema de comunicação nas IFES, apontando uma falha na veiculação das informações destinadas aos alunos. O estudo é realizado na Universidade Federal Rural de Pernambuco, com uma pesquisa que fornece fundamentos para captar dificuldades dos alunos quanto ao nível de informações veiculadas, para, em seguida, criar medidas para implementar meios de comunicação afim de obter melhoria na veiculação das informações necessárias quanto aos procedimentos existentes nas Universidades.

    Por: Rúbia Wanessa dos Reis Cruzl Educação> Ensino Superiorl 04/09/2009 lAcessos: 3,121
    GUTEMBERG MARTINS DE SALES

    No Brasil, nos últimos tempos, o ensino da matemática tem vivido uma situação de colapso permanente em todos os graus de ensino, desde o Ensino Fundamental até o ensino superior, onde o insucesso atinge índices preocupantes. Não estamos pensando apenas nas reprovações, mas em um número crescente de educandos que não gostam de matemática, não entendem para que serve e não compreendem verdadeiramente a sua relevância.

    Por: GUTEMBERG MARTINS DE SALESl Educação> Ensino Superiorl 16/01/2013 lAcessos: 118
    Elizeu Vieira Moreira

    Reflete sobre a trajetória da qualidade como parâmetro do processo de produção capitalista até sua transformação em Qualidade Total e sua ressignificação como simulacro e instrumento de controle nas políticas educacionais e das relações pedagógicas.

    Por: Elizeu Vieira Moreiral Educação> Ciêncial 29/06/2011 lAcessos: 686
    Simoni Caldeira da Fonseca

    O referente trabalho aborda a importância da gestão escolar para a organização pedagógica da Educação Infantil, pois a criança necessita de todo cuidado específico para sua idade e na escola ela deve encontrar este amparo. O gestor escolar tem a função de proporcionar à criança um ambiente todo aconchegante, colorido, organizado, com atividades permanentes, enfim, tudo o que é necessário para que ela tenha um desenvolvimento adequado.

    Por: Simoni Caldeira da Fonsecal Educação> Educação Infantill 11/12/2014

    COM A INTRODUÇÃO DA CRIANÇA NA ESCOLA INICIA-SE O PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO E COM ELE MUITAS VEZES EMERGEM OS PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO. CABE AOS PAIS EM SINTONIA COM A ESCOLA BUSCAR ALTERNATIVAS PARA RESOLUÇÃO DO PROBLEMA, UMA DAS INDICAÇÕES É ATRAVÉS DA ORIENTAÇÃO A PAIS.

    Por: DABDA TAIS BORBAl Educação> Educação Infantill 10/12/2014
    marli frageri

    valorização de calculos na educação infantil sem sequencia logica.Cada criança cria a sua própria estratégia combinatória baseando no raciocínio logico multiplicativo contando sempre em sequencia descontinua ou seja números que para ela e de fácil pronuncia.

    Por: marli frageril Educação> Educação Infantill 04/12/2014 lAcessos: 12

    O presente resumo refere-se aos problemas relacionados a alunos da Escola 29 Novembro que tem problemas de comportamento e aprendizagem porque muitas os pais ou responsáveis não dão a devida atenção.

    Por: Sortineide Navarro Segural Educação> Educação Infantill 04/12/2014

    A musica esta dentro de cada cultura e tradição de um povo, a musica desenvolve vários fatores de uma criança.

    Por: Domingos Paulol Educação> Educação Infantill 04/12/2014 lAcessos: 15

    Compreende-se, que há inúmeras dificuldades dos alunos, relacionadas à capacidade de resolver operações matemáticas. Nesta área, a Discalculia, ganha destaque, pois afeta as condições de desenvolvimento da capacidade cognitiva do aluno, impedindo que tenha melhor construção de ações que facilite sua aprendizagem.

    Por: Soraya Borba E. Serranol Educação> Educação Infantill 03/12/2014 lAcessos: 13
    marli frageri

    a arte de nao esta emde sala mas tambem atraves de brincadeiras e materiais concretos, a criança ja vem de casa com uma bagagem de cpnhecimentos e cabe ao educador completar e enriquecer sua cultura.

    Por: marli frageril Educação> Educação Infantill 03/12/2014 lAcessos: 11
    marli frageri

    melhorias e sugestoes para uma melhor aprendizagem que tenhamos menas evasão nas escolas tudo depende de um excelente desempenho do professor que trabalhe e se dedique a cada educando com muito amor.

    Por: marli frageril Educação> Educação Infantill 03/12/2014

    Gema Parenti Araújo Pedagoga pesquisadora O objetivo deste artigo é conhecer os princípios normativos do projeto Altas Habilidades, suas finalidades e critérios de seleção; refletir sobre a exclusão que pode ocorrer com os alunos que não são selecionados para as Altas Habilidades e as ações realizadas na escola para o atendimento à diversidade; reconhecer quais são os sentimentos e pensamentos dos alunos a esse respeito e averiguar o motivo da implantação do Projeto de Altas Habili

    Por: GEMA PARENTIl Educação> Educação Infantill 11/03/2009 lAcessos: 4,773 lComentário: 4

    Comments on this article

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    cacilda 18/09/2010
    Gostei de seu artigo, ao falar de escola contemporanea, o proprio nome ja diz, espera-se que possamos com tantas mudanças, não esquecermos que crianças, merecem sempre a nossa atenção, o carinho e esperamos q agora,digo, está no momento de todos nos verem e prometerem melhorias educacionais...Tomara que não seja mais uma vez somente na hora do nosso VOTO....
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    Priscilla 01/04/2009
    Gostei bastante do artigo, muito bem escrito e o tema bem relevante com as necessidades da escola hoje!
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