A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE CRIADORA NA EDUCAÇÃO

Publicado em: 27/07/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 903 |

1.A ARTE COMO MEIO DE COMPREENDER O DESENVOLVIMENTO

 

1.1  Desenvolvimento emocional

 De acordo com o Lowenfel, o desenho pode proporcionar a oportunidade do desenvolvimento emocional, está intrinsecamente ligada a intensidade com que o autor se identifica com sua obra, ou seja, as freqüentes repetições estereotipadas só são usualmente vistas nos desenhos de crianças que desenvolveram padrões rígidos em seu raciocínio, assim [...] repetições ridas e estereotipadas expressam um tipo inferior de estado emocional (pág.37).

Dessa maneira, uma criança incapaz de reações emocionais pode expressar sentimentos desprendidos, sem incluir nada de pessoal na sua obra criadora. O autor destaca ainda que, com a inclusão direta do eu, a criança participa, com efeito, de seu desenho; pode aparecer diretamente em sua obra criadora ou representar alguém com quem se identifique isto é uma criança emocionalmente livre, desinibida, na expressão criadora, sente-se segura e confiante ao abordar qualquer problema que derive de suas experiências. Identifica-se, estritamente, com seus desenhos e tem liberdade para explorar e experimentar grande variedade de materiais.

 1.2  Desenvolvimento Intelectual

 O desenvolvimento intelectual está relacionado a compreensão gradativa que a criança tem de si própria e do seu meio, ou seja, o conhecimento está ativamente à disposição da criança, quando desenha, demonstra seu nível intelectual. Sob esse aspecto o autor destaca os desenhos como meios utilizados para demonstrar o indicio da capacidade mental da criança, principalmente quando os meios verbais de comunicação não são adequados. Dessa maneira é importante que se possa manter um equilíbrio apropriado entre a evolução emocional e a intelectual.

 1.3  Desenvolvimento Físico

Segundo Lowenfeld, o desenvolvimento físico manifesta-se em sua capacidade de coordenação visual, na maneira como controla seu corpo, orienta seu traço e dá expressão as suas aptidões. "as mudanças no desenvolvimento físico podem ser facilmente observadas nas crianças em sua fase de garatujas", ou seja, quando os traços apontam o desenvolvimento físico em atividades criadoras, pois a projeção do eu do desenho é designada como figuração mental do corpo. A continua exageração ou omissão de algumas partes do corpo pode estar vinculada ao desenvolvimento físico do indivíduo.

 1.4  Desenvolvimento Perceptual

 A fruição da existência e a capacidade de aprendizagem talvez dependam do significado e da qualidade das experiências sensoriais. A observação visual é, normalmente, aquela a que se atribui maior ênfase na experiência artística. De acordo com o autor, o desenvolvimento perceptual revela-se na crescente sensibilidade às sensações do tato e dá pressão, desde o simples amassar do barro de moldagem e a exploração tátil de contexturas até as reações sensitivas ao barro, na modelação de uma escultura e na fruição das diferentes qualidades da superfície e do contexto, numa variedade de formas artísticas. Assim, [...] as experiências auditivas são freqüentemente incluídas na expressão artística. Esta inclusão varia desde a mera consciência de sons e sua introdução, até as reações sensitivas as experiências musicais, transformadas numa expressão de arte ( pág.44).

 1.5  Desenvolvimento Social

 O desenvolvimento social das crianças pode ser facilmente apreciado em seus esforços criadores, isto é, a criança muito pequena começa a incluir algumas pessoas em seus desenhos, logo que abandona a fase das garatujas. Dessa maneira, à medida que a criança cresce, sua arte vai refletindo sua crescente conscientização das pessoas e da influencia destas em sua vida, a criança passa a adotá-las numa grande porcentagem do seu conteúdo temático. Assim ao autor destaca no livro a importância do processo artístico, em si mesmo, proporcionando um meio de desenvolvimento social, isto é, a arte proporciona a oportunidade de interação social com as crianças da mesma idade, através dos trabalhos em grupos podem cooperar tendo a maior consciência da contribuição de cada individuo. Como cita Lowenfeld:

 Essa capacidade só pode ser desenvolvida, se a criança aprender a assumir a responsabilidade pelas coisas que está fazendo, se for capaz de enfrentar suas próprias ações e, assim fazendo, identificar-se com outrem. As atividades criadoras fornecem um excelente meio para dar importante passo ( Pág.44).

Sob tal aspecto o autor considera a arte como um meio primordial de comunicação e, como tal, converte-se em expressão mais social do que pessoal. O desenho pode assim, torna-se uma ampliação do eu no mundo da realidade. Esse sentimento de consciência social é o inicio da compreensão de um mundo mais amplo, de que a criança passou a tomar parte.

 1.6  Desenvolvimentos Estético

 O desenvolvimento estético, está relacionado a capacidade sensitiva para integrar experiências num todo coeso, de acordo com Lowefeld cada material artístico possui exigências diferentes, em função do seu uso estético, isto é a estética está intimamente vinculada à personalidade, a falta de organização ou a dissociação de partes, dentro de um desenho, podem, ser um sinal da falta de integração psíquica do individuo. Portanto a educação pode ser encarada como a evolução do comportamento estético.

 1.7  Desenvolvimento Criador

 O desenvolvimento criador está relacionado a liberdade emocional: liberdade para explorar e experimentar, liberdade para envolver-se, emocionalmente, na criação. De acordo com o autor criança inibidas em sua criatividade, por regras ou forças que lhes são alheias podem retrair-se ou recorrer à cópia ou ao desenho mecânico. Na perspectiva do autor garatujar é importante e significativa, pois assim, a criança pode se expressar livremente e não de maneira imposta, a capacidade criadora é essencial em nossa sociedade, e o trabalho da criança reflete no seu desenvolvimento criador, tanto no próprio desenho como no processo de realizar a forma artística.

 1.8  Resumo das características do desenvolvimento

Lowefeld aborda a arte como importante para a criança, para seus processos de pensamento, para seu desenvolvimento perceptual e emocional, para sua crescente conscientização social e para seu desenvolvimento criador. Tal importância engloba a arte como, parte do processo psicológico que ocorrem e que são experimentados e se desenvolvem na criança, à medida que esta é influenciada pela aprendizagem, dessa maneira a arte proporciona à criança uma vasta gama de possibilidades, e seu desenvolvimento não está limitado, às áreas que foram predeterminadas pelo sistema educacional, assim o desenho, a pintura ou a construção que executa reflete sua crescente capacidade para lidar com uma série diversificada de possibilidades, de forma construtiva.

2        A ARTE COMO REFLEXO DO DESENVOLVIMENTO

 Segundo o autor através da arte podemos penetrar em seu comportamento e desenvolver a apreciação dos vários e complexos modos como ele cresce e se desenvolve.Assim para trabalhar com crianças na área de arte é necessário compreender as várias fases da evolução e possuir um completo conhecimento é necessária para que o professor determine até que ponto a criança pode compreender e utilizar a experiência artística.tais experiências  não possuem um tema a ser ensinado, ou seja, num certo sentido não existe temas para a arte, somente modos diversos de representar as relações do artista com os objetos e as pessoas que o cercam e com os sentimentos e as emoções que são provocadas pelo mundo à sua volta.A criança transmite sua experiência subjetiva do que é importante para ela no ato de desenhar, unicamente demonstra o que se encontra de forma ativa em sua mente. Portanto, o desenho fornece-nos um excelente registro das coisas que se revestem de importância para à criança, durante o processo de desenhar.

 2.1 Fases do desenvolvimento na Arte

 A medida que a criança mudam sua arte se transforma sobre esse aspecto Lowenfeld destaca fases do desenho infantil onde destaca a primeira dela como fase das garatujas, momento em que a criança desenha rabisco desordenados, numa folha de papel,tais traços vão se tronando cada vez mais ordenados organizados e controlados, esse período dura em torno dos dois aos quatro anos. A etapa seguinte é denominada estágio pré-esquemático, nesse estágio a criança faz a representação típica de um homem apenas com a cabeça e pés, e começa desenhando uma quantidade de outros objetos do seu meio, com os quais teve contato.

Essas figuras ou esses objetos aparecem colocados de um modo um tanto desordenado no papel e podem variar, consideravelmente, de tamanho. A fase seguinte é o estágio esquemático, que começa por volta dos sete anos e se estende até os nove, nesta fase a criança desenvolve o conceito definido da forma. Seus desenhos simbolizam partes do seu meio, de um modo descritivo, habitualmente, ela repete uma a outra vês no esquema que criou para representar um homem. Quando a criança atinge na idade de nove anos ingressa no Estágio do realismo, os desenhos simbolizam mais do que representam os objetos. O jovem está muito cômico de si mesmo e essa consciência manifesta-se em seus trabalhos, até ingressar num ultimo estágio de pseudonaturalista o período do raciocínio, nesta o desenho da figura humana apresenta muitos detalhes e, como era de esperar, revela um incremento na conscientização das características sexuais.

 2.2 O significado das fases do desenvolvimento

 De acordo com o autor as fases do desenvolvimento infantil, torna-se um trabalho artístico que significa a reconstruir o seu meio, proporcionando uma boa indicação sobre o desenvolvimento da criança, segundo Piaget apud Lowedfeld (pág.60):

[...] ao estudarmos o raciocínio das crianças devemos descobrir as fases no seu desenvolvimento em estreito paralelo com os períodos de crescimento mencionados [...] a primeira etapa chama-se período das adaptações sensórios motoras, ao qual segue o período pré-operacional e o período das operações concretas [...] o trabalho de Piaget demonstra que nada resulta de bom para a criança, quando se critica seus desenhos ou outras formas visuais por ela produzidas; se é importante mudar a forma de um trabalho artístico, realizado por um jovem.Sob essa premissa os desenhos podem refletir a capacidade da criança para manejar certas partes do seu meio de um modo muito prático. O ensino torna muito significativo, quando a criança pode dominar essa informação. 

3 ARTE E CRIATIVIDADE

 A arte e a capacidade criadora sempre estiveram ligadas de acordo com Lowedfeld, assim o termo criatividade tornou-se excessivamente popular. As palavras criatividade ou capacidade criadora são aplicadas como pintura brilhante em livros e títulos. Em geral, considera-se criatividade como um comportamento produtivo, que se manifesta em ações ou realizações. O autor destaca as dificuldades que o professor de crianças pequenas de apresenta formas aceitáveis em que as crianças possam usar e são encorajadas a utilizar sua capacidade criadora, existem diferent6es fases do pensamento criador, onde a criatividade necessita ser alimentada por um tipo especial de ambiente, a criatividade deve ser amparada, e ao mesmo tempo orientada para caminhos socialmente aceitáveis, as experiências artísticas proporcionam  uma excelente oportunidade para reforçar o pensamento criador e propiciar os meios pelos quais os jovens podem desenvolver suas representações imaginativas e originais sem censura.

 

 

BIBLIOGRAFIA

LOWENFELD.W.L. Desenvolvimento da capacidade criadora.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/a-importancia-da-atividade-criadora-na-educacao-2910876.html

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