A importância da literatura infantil no desenvolvimento cognitivo da criança

Publicado em: 01/06/2012 | Acessos: 2,036 |

1. Introdução

O presente trabalho convida você para uma viagem ao universo da literatura infanto-juvenil. Ler, pensar, sentir, ouvir falar, sonhar, fantasiar, conhecer, experimentar, tudo isso que faz parte do nosso dia a dia e dá sentido á nossa vida só acontece por meio da literatura. Ela significa a abertura de todas as janelas para entender o mundo por meio dos olhos dos autores e das experiências das personagens. O conteúdo de uma obra infantil precisa ser de fácil entendimento pela criança que a lê, seja por si mesma, ou com a ajuda de uma pessoa. Além disso, precisa ser interessante e, acima de tudo, estimular a criança.

São vários os conceitos que se tem de Literatura Infantil, dentre eles, como o referido por CUNHA, de que "(…) Literatura Infantil são os livros que têm a capacidade de provocar a emoção, o prazer, o entretenimento, a fantasia, a identificação e o interesse da criançada". (apud ALVES, 2003).

ABRAMOVICH (1997, p16) ressalta "(…) Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias... escutá-las é o início da aprendizagem para ser leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo...". Podemos, assim, começar a compreender a importância da Literatura Infantil no desenvolvimento cognitivo das crianças. Ser leitor é o meio para conhecer os diferentes tipos de textos, de vocabulários. É uma forma de ampliar o universo lingüístico. Para o "contador" de histórias, cabe o prazer de interagir com a leitura ao mesmo tempo em que oportuniza este prazer para os seus ouvintes, como reafirma AROEIRA (1996, p 141) "(…) Contar histórias é uma experiência de grande significado para quem conta e para quem ouve".

2. Literatura infanto-juvenil – considerações históricas

Hoje, a dimensão da literatura infanto-juvenil é ampla e importante. Ela proporciona à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo incontestável. Quanto mais cedo uma criança tiver contato com a literatura, de forma oral ou impressa maior será a probabilidade de se tornar um adulto leitor. Com relação ao desenvolvimento cognitivo, a criança , quando lê, ou ouve histórias e é capaz de indagar, comentar, refletir sobre elas, adquire uma postura crítico-refletiva, extremamente relevante á sua formação cognitiva.

No entanto, a literatura infanto-juvenil só atingiu tal projeção há pouco tempo, pois os primeiros livros para as crianças escritas por professores e pedagogos, estavam diretamente relacionados a uma função utilitário-pedagógica e, por isso, foi sempre considerada uma forma literária menor, uma sublimatura, ou seja, u, a literatura inferior, simplificada.

Esse caráter didático da produção para a infância surgiu no final do século XVII, com o intuito de ensinar valores, auxiliar no enfrentamento da realidade social e propiciar a adoção de hábitos. Assim, essa função pedagógica, e não literário presente nos primeiros livros infantis implicava a ação educativa do livro sobre a criança, dificultando sua decisão e escolha do que e como ler. Era, portanto, uma literatura para estimular a obediência, cujas histórias acabavam sempre premiando o bom e castigando o que considerava mal.

Um exemplo dessa polarização entre o bem e o mal se concentrou durante anos, na personagem da bruxa. Ela correspondia a um procedimento padrão de maldade e nunca mudava suas ações ou reações, sendo sempre má.

Assim, por iniciar o homem no mundo literário a literatura infantil deve ser lida para expandir a capacidade e interesse de análise do mundo e sensibilização da consciência. È fundamental que a literatura seja sempre considerada de modo global e complexo em sua pluralidade.

2.1. Conceituação e principais manifestações

A palavra "literatura" vem do latim litteris, que significa letra. Uma das definições de literatura, ou pelo menos a mais conhecida, já que há muitas discussões acerca do tema, é a de que se dá o uso estético da linguagem escrita. Entende-se por estética a captação da beleza das formas artísticas, uma função particular que busca a perfeição do sensível e do próprio fenômeno artístico.

Nesse sentido, a literatura contempla o belo, o estético; a escrita resulta do olhar observador e intérprete do escritor. Ele discorre sobre os mais variados aspectos de sua experiência e da experiência dos seus contemporâneos. Por isso, cada escrita literária traz consigo, ás vezes através de milênios, uma parcela do tempo em que viveu o escritor.

Portanto, a literatura é a arte de criar e recriar um texto mais elaborado na sua estrutura, para que o leitor possa recriar, por meio da imaginação, a cena descrita, o espaço ocupado pela personagem, a própria personagem; para que o leitor possa sentir, por intermédio da sinestesia, o conflito desencadeado do decorrer da trama; possa formular uma possível solução para o conflito, pelo raciocínio; possa sentir prazer na leitura vivenciada. Literatura é arte e deleite. Embora também apresente ideologias e manifestações culturais, ela amplia, transforma, enriquece a própria existência e experiência do leitor.

Dentre das muitas definições e controvérsias quanto á verdadeira ou possível natureza dessa literatura, adoto a posição de Marc Soriano (1975, p. 185), na linha semiológica de Roman Jakobson:

A literatura é uma comunicação histórica (localizada no tempo e no espaço) entre o locutor ou um escritor-adulto (emissor) e um destinário-criança (receptor) que, por definição, ao longo do período considerado, não dispõe senão do modo parcial da experiência do real e das estruturas lingüísticas, intelectuais, afetivas e outras que caracterizam a idade adulta.

Aqui, o fenômeno literário é entendido como uma forma de aprendizagem do mundo. O autor-adulto comunica ao leitor-criança uma mensagem que esse segundo possa adquire no ato de ler.

Como acentua Nelly Novaes Coelho (2000, p. 27), a literatura infantil é, antes de tudo, "literatura, ou melhor, é arte: fenômeno de criatividade que representa o mundo, o homem, a vida, através da palavra. Funde os sonhos e a vida prática; o imaginário e o real; os ideais e sua possível/impossível realização.

2.3. Principais manifestações literárias

De acordo com as considerações de Nelly Novaes Coelho (2000, p. 164), a literatura infanto-juvenil "ocupa um lugar especifico no âmbito do gênero ficção, visto que ela se destina a um leitor especial, a seres em formação, a seres que estão passando pelo processo de aprendizagem inicial da vida". Como há uma grande variedade de manifestações lingüísticas que a literatura destinada às crianças e aos jovens apresenta, optei por selecionar as mais comuns. Elas se diversificam na sua estrutura dependendo da natureza do tema, da intencionalidade, da matéria ficcional, etc. Cito a fábula, apólogo, o conto de fadas, o conto maravilhoso, a poesia, a lenda e o romance.

A leitura de obras infantis/juvenis nas mais variadas manifestações (poesia, conto, fábula, apólogo, lenda, etc.) requer um olhar aguçado do professor para que não desvie o foco da atenção, uma vez que o simbólico na literatura traça seu percurso para a transcendência dos anseios humanos: encontros e desencontros, angústia, medo, tristeza, alegria, amor, dor, felicidade. Isso porque a literatura faz olhar, sentir se e construir-se dentro Fe um universo de possibilidades e também colabora para o processo básico da humanização e para a ressignificação da realidade que cerca o leitor.

2.4. Funções da literatura infanto-juvenil  

Em linhas gerais, a literatura infanto-juvenil desempenha um papel importante, no sentido de desalienar a criança, o que não significa entregar pensamentos prontos, mas ensinar a pensar. Sem esquecer que está fazendo arte, reconstruindo o mundo, a literatura voltada para crianças e jovens e jovens leitores deve propiciar a formação de uma consciência crítica, contrária àquela que contorna os problemas, que a aceita e permite ficarem como estão. Logo, é indubitável que as produções não enfoquem temas relacionados á violência e nem incentivem posturas sociais aliadas ao preconceito ou á exclusão.

Em seu estudo sobre as publicações atuais, Franstz (1998, p.70) observa que uma das marcas da literatura infanto-juvenil brasileira "é a sua contribuição para uma visão mais critica da realidade. Isso tudo sem deixar de lado à fantasia, o humor, a poesia".

Ao mesmo tempo em que faz a criança rir, sonhar e se divertir a literatura atual também não se furta de convidá-la a olhar ao redor e refletir sobre o que está acontecendo.

2.5. Metodologia do ensino de literatura infantil e juvenil

Um dos objetivos da escola, que é o de formar leitores. Para que isso ocorra, é imprescindível que o professor seja um exímio leitor, que goste de ler e que proporcione condições de leituras significativas aos seus alunos.

O professor deve não só apenas sugerir como também estimular seus alunos, por meio de uma atmosfera agradável, e propiciar um ambiente que convide à leitura na própria sala de aula ou mesmo fora dela, demonstrando, assim, que essa é uma atividade importante e indispensável.

Algumas sugestões de atividades que o professor pode aproximar da sua realidade educacional, contextualizando-as de acordo com as necessidades de seus alunos. Alguns exemplos que poderão gerar resultados positivos, enriquecendo a vivência estética e ampliando a experiência lúdica do leitor infanto-juvenil.

2.6. O professor-leitor

A finalidade precípia da metodologia do ensino da literatura infanto-juvenil é a de promover uma leitura de qualidade para que o leitor possa se sentir recompensado ao ler, seja porque sentiu prazer, seja porque venceu obstáculos, seja porque se emocionou com poemas ou narrativas que leu.

Para tanto, o leitor em formação deve receber, constantemente, estímulos para interagir com as obras literárias dos mais diversificados gêneros, dos clássicos até os contemporâneos. Quanto mais acesso a autores e obras, mais facilmente o leitor amplia sua capacidade reflexiva e o domínio do idioma, o que terá reflexos em sua formação.

De acordo com Kazantzakis (apud ZOTZ; CAGNETI, 2010 p. 56), "os professores idéias são os que se fazem de pontes, que convidam os alunos a atravessarem-na e depois, tendo facilitado a travessia. Desmoronam com prazer, encorajando-os a criarem as suas próprias pontes". Assim, percebemos que o trabalho do professor deve ser considerado uma ponte para fazer o aluno chegar ao livro e permitir que ele busque seus caminhos literários, por seus próprios meios – tirando do texto o que mais lhe interessar no momento, usufruindo daquilo que veio ao encontro de suas buscas, sentindo o prazer do ler pelo ler, sem ser cobrado e sufocado posteriormente com fichas de leitura.

A esse respeito, então, a função do professor não deve se limitar ao ensino da leitura, mas principalmente, criar condições para o educando realizar a sua própria aprendizagem, conforme seus próprios interesses, necessidades, fantasias. Ou seja, o professor, como mediador, não deve ser um auxiliar do diálogo entre o texto e o leitor. Isso não significa que ele deverá ler para o aluno, mas, ao contrário, passará a ler com o aluno.

2.7. A literatura e sua exploração em sala de aula

Para Bárbara Vasconcelos de Carvalho (1984, p. 47), a literatura:

É a arte de ouvir e de dizer, logo, nasce o homem. Suas origens se assinalam com o uso a palavra: filogeneticamente o homem aprendeu a falar-dizer-antes de ler e escrever, como ontogeneticamente acontece à criança, portadora de sua bagagem lingüística, antes de se alfabetizar. E essa capacidade de ouvir e de dizer é o ponto de partida para a literatura.

Dessa forma, não seria papel do professor fazer da leitura um prazer, uma fruição, se ela própria acontece de forma natural. Diante da literatura, o professor está cumprindo esse papel de permitir que o aluno tome gosto e forme seu senso critico. Ou seja, a obrigação deve ser deixada de lado e a gratuidade em relação á leitura precisa ser retomada em sala de aula. Segundo o autor, "uma condição para se reconciliar com a leitura: não pedir nada em troca" (PENNAC, 1998, p. 121). Isso porque sabemos que quando há á cobrança do entendimento do texto, o aluno precisa, muitas vezes, adivinhar o que seu professor quer ouvir: respostas que vão ao encontro da visão única e particular de quem formularam as perguntas.

A interpretação é algo subjetivo, que implica abordagens distintas e ativas; é, conseqüentemente, pessoal, única, própria não apena de cada um, mas também do momento e da situação em que se lê. Por exemplo, ao ouvir uma música, cada um consegue senti-la e vivê-la á sua maneira, dependendo do momento que esta vivendo, do lugar que esta ouvindo, etc.

Sendo assim, segundo Frantz (1998, p. 49), "especialmente no caso da obra literária o professor não poder as nunca um redutor do seu significado, limitando as possibilidades de atribuição de sentido por parte do leitor". O universo cultural de um leitor nunca será idêntico ao de outro, e ai é que reside um dos principais fatores que levam a diferentes visões de um mesmo texto. Ler é, então, atribuir sentidos.

2.8. Reflexão sobre a atividade literária;

O professor precisa tomar algumas atitudes ao refletir sobre o trabalho com a literatura em sala de aula; de acordo com Gregorn Filho (2009), é necessário:

  • Entender, que a criança individua pertencente a um grupo social, é um aprendiz da cultura desse grupo e que a educação formal, ministrada nas escolas, deve ser construída como um prosseguimento desse aprendizado;
  • Entender a literatura como um fenômeno de linguagem que resulta de experiências vivenciadas pelos autores dos livros. Essas experiências são existenciais, isto, é resultante das vivências do autor na sua trajetória de vida; são também sociais e culturais, pois cada indivíduo interpreta a vida e as relações humanas de acordo com os elementos que a sua sociedade a sua cultura proporcionaram;
  • Compreender a leitura como diálogo entre leitor e texto, entre contextos ás vezes bastante diversos, e entender que essa atividade promove uma integração entre o momento da leitura (presente) e o da produção textual (passado), sendo capaz de estimular o imaginário e as emoções da criança;

Assim, como destaca Bordini (1985), se o professor estiver comprometido com uma proposta transformadora da educação, ele encontrará no material literário o recurso mais favorável á consecução de seus objetivos.

3. A literatura na escola;

È inegável que o hábito e o gosto pela leitura deveriam passar de pai para filho, ou seja, começar em casa, no seio familiar, na primeira infância. A leitura, como prática sociocultural, deve estar inserida em um conjunto de ações sociais e culturais e não exclusivamente escolarizadas. No entanto sabemos que, na maioria dos casos, isso não acontece. Dessa forma, constatamos que é na escola que a criança se torna (ou deveria se tornar) leitora, porque se trata da principal agência responsável pelo ensino do registro verbal da cultura. Ou seja, o acesso á leitura significa ter acesso á escola e nela obter as habilidades e os conhecimentos necessários para a participação no mundo da escrita. Em outras palavras, tudo o que a leitura pode oferecer de possibilidade para a produção e atribuição de sentidos, pelos leitores, acaba sendo tolhido e inviabilizado nas propostas de uso sugeridas por muitos professores. O incentivo e promoção de momentos de interação e debate sobre os mais diversos assuntos, por meio de varias iniciativas em torno da leitura, o estudo e a busca por respostas em diferentes meios de informação, acessíveis a partir da intervenção pedagógica da escola. É claro que muitas experiências de sucesso têm acontecido e vêm sendo desenvolvidas por algumas escolas que sentiram a necessidade de fazer da leitura algo mais do que um momento para avaliação.

As crianças gostam de ouvir e ler histórias, o que eu lhes falta é o estabelecimento de uma relação prazerosa com o texto literário, tanto no sentido lúdico, quanto no sentido afetivo, pois parece que o espaço escolar sempre serviu como lugar de razão. Infelizmente, por um longo tempo, a emoção e a afetividade estiveram longe das salas de aula (CAVALCANTI, 2002).

Dessa forma, constatamos a urgência de que a escola seja preparada para formar leitores, para não fazer da literatura um mero instrumento pedagógico, com a finalidade de reproduzir padrões, modelos estanques e valores da ideologia dominante. A sensibilização da escola e dos profissionais envolvidos é mais do que fundamental para a efetivação do processo de leitura.

4. Contar histórias: uma prática milenar;

Segundo Traça (apud CAVALCANTI, 2002, p. 45), os educadores de infância defendem "que o imaginário da narrativa é da parte do ser humano uma demanda constante. Um dos primeiros pedidos que a criança de idade semiótica faça ao seu círculo, familiar e educacional, é a expressão quase universal: Conta-me uma história". Dessa forma, observa-se que o primeiro contato dos pequenos com um texto é feito oralmente. Conforme esclarece Abramovich (1993, p. 17);

È através da voz da mãe, do pai ou dos avôs, contando, contos de fada, trechos da Bíblia, histórias inventadas (tendo a criança ou os pais como personagens), livros atuais e curtinhos, poemas sonoros e outros mais... Contados durante o dia, numa tarde de chuva ou á noite, antes de dormir, preparando para o sabor gostoso e reparador, embalado por uma voz amada... È poder rir, sorrir, gargalhar com as situações vividas pelas personagens, com a idéia do conto ou com o jeito de escrever de um autor e, então, poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de brincadeira, de divertimento.

Contar histórias é uma postura tão antiga quanto o próprio homem. Para ter o domínio da natureza e dos fenômenos, ele criava narrativas que explicassem a realidade, para entender a vida, sua passagem pelo mundo. Isso significa que ele sentir necessidade de compreender os acontecimentos que escapavam ao seu entendimento racional. Assim, de acordo com pesquisadores da área, esse modo de entender a vida evoluiu para os mitos, ritos, lendas, relatos maravilhosos e contos de fadas. Não se sabe precisar quando esse costume se instituiu como prática social, porém, é possível afirmar que surgiu faz muito tempo e é de ordem universal, ocorrendo, portanto em todas as civilizações.

Na França, no século XVII, Charles Perrault coletou as histórias exclusivamente de fonte popular. Os próprios contos maravilhosos dos irmãos Grimn foram colhidos da tradição oral da Alemanha e publicados no início do século XX. Os contos passaram da modalidade oral á escrita, atestando a circularidade universal, mantendo um diálogo com o imaginário entre vários povos.

5. Como contar histórias;

Primeiramente, devemos partir do pressuposto de que todos podem ser contadores de histórias, embora uns sejam possuidores de talento para a palavra que impressiona, emociona, descobre e encanta, enquanto outros vão contar suas histórias sem a magia que deveria possuir esse momento (CAVALCANTI, 2002).

Com voz pausada, clara e uniforme, e frases de ordem direta, o professor deve iniciar a narração, geralmente com uma frase introdutória: "Há muitas luas passadas..."; "Há muito tempo atrás..."; "Num reino muito distante..."; "No tempo em que os bichos falavam..." ou simplesmente com o enunciado exímio para adentrar ao mundo da fantasia: "Era uma vez..."

O encaminhamento da história conduzirá ao enredo, sempre seguindo ordem cronológica para criar seqüência de significação e interpretação. As interferências são bem-vindas, como aplausos, repetições dos enunciados e motes da narrativa.

Assim, vários pontos alôs da história devem ser salientados com inflexões da voz, modulações melódicas, expressões fisionômicas e gestos, criação de suspense e realce. Encaminham para o desfecho, não esquecer que não se deve apontar moral ou acentuar conceitos ideologicamente pré-construídos, pois as conclusões pertencem ao leitor-ouvinte.

A conversa após a história prolonga o deleite, mas é necessário ter atenção na seleção dos questionamentos para que não sejam superficiais, óbvios ou condicionadores; é preciso preocupar-se em ouvir relatos das identificações sentidas pela criança com alguma personagem, enfim, com a relação que ela venha a estabelecer com a história.

Contudo, torne-se imprescindível alertar que não existem "fórmulas mágicas" para substituir o entusiasmo do contador.

6. Considerações finais;

Ouvir e ler histórias é entrar em um mundo encantador, cheio ou não de mistérios e surpresas, mas sempre muito interessante, curioso, que diverte e ensina. È na relação lúdica e prazerosa da criança com a obra literária que temos uma das possibilidades de formarmos o leitor. È na exploração da fantasia e da imaginação que se instiga a criatividade e se fortalece a interação entre o texto e o leitor. A literatura infantil, portanto, não pode ser utilizada apenas como um pretexto para o ensino da leitura e para o incentivo á formação do hábito de ler. Para que a obra literária seja utilizada como um objeto mediador de conhecimento, ela necessita estabelecer relações entre a teoria e prática, possibilitando ao professor atingir determinadas finalidades educativas. Para tanto, uma metodologia baseada em um ensino por projetos é uma das possibilidades que tem evidenciado bons resultados no ensino de língua materna.

7. Referências Bibliográficas

ABRAMOVICH, F. Literatura infantil: gostosuras e bobices. 3. Ed. São Paulo: Scipione, 1993

CAVALCANTI, J. Caminhos da literatura infantil e juvenil: dinâmica e vivências na ação pedagógica. São Paulo: Paulus, 2002.

BORDINI, M. da G. Literatura na escola de 1º e 2º graus: por um ensino não alienante. Perspectiva – revista do CED. Florianópolis: UFSC, 1985.

COELHO, N. N. Literatura infantil: teoria, ANÁLISE, DIDÁTICA. São Paulo: Moderna, 2000

FRANTZ, M. H. Z. O ensino da literatura nas séries iniciais. Ijuí: Unijuí, 1998

CARVALHO, B. V. de. A literatura infantil, visão crítica e histórica. São Paulo: Global, 1984

SILVA, E. T. Biblioteca escolar: da gênese á gestão. In: ZIBERMAN, R. (Org.) Leitura em crise na escola: as alternativas do professor. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1991

SORIANO, M. Guide de litterature pour La jeunesse. Paris: Flamarion, 1975

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/a-importancia-da-literatura-infantil-no-desenvolvimento-cognitivo-da-crianca-5952812.html

    Palavras-chave do artigo:

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    O presente artigo discute a importância da participação da família no processo educacional da criança na Educação Infantil. O artigo desenvolvido tem como objetivo discutir a importância da família na educação da criança, tanto no ambiente social da escola como no ambiente familiar, focalizando assim, o papel da família nesse processo.

    Por: Sandra Maria dos Reis Bernardol Educação> Educação Infantill 26/09/2014 lAcessos: 49

    As constantes transformações nas áreas econômicas, política, social, tecnológicas e culturais da sociedade atual têm forçado a escola a modificar seus objetivos, adequando-os ás exigências do mercado de trabalho e do trabalhador. O homem solicitado pela sociedade informatizada precisa ser mais flexível, deve possuir educação geral, com novas habilidades cognitivas, capacidade de dominar a tecnologia e de aprender. E a escolarização tem sido um requisito de inclusão nessa sociedade.

    Por: Darci Martinsl Educação> Educação Infantill 22/10/2012 lAcessos: 222

    Este artigo traz algumas discussões reflexivas sobre as linguagens da arte na infância, com ênfase nos aspectos conceituais e metodológicos. A arte na Educação infantil tem papel fundamental na construção de um indivíduo crítico, fornecendo-lhe experiências que o ajude a refletir, desenvolver valores, sentimentos, emoções e uma visão questionadora do mundo que o cerca.

    Por: Darci Martinsl Educação> Educação Infantill 04/10/2012 lAcessos: 272

    A educação inclusiva é voltada de todos para todos, os ditos "normais" e as pessoas com algum tipo de deficiência poderão aprender em conjunto. Uma pessoa dependerá da outra para que realmente exista uma educação de qualidade. A educação mudou é direito de todos, é direito de cada um, podendo ser reivindicada por vias políticas e judiciais, caso lhe seja negado.

    Por: Darci Martinsl Educação> Educação Infantill 06/09/2012 lAcessos: 545

    Indisciplinados, problemáticos, avoados e mal criados, são alguns rótulos que crianças, jovens com TDAH hiperativo. Pais e professores não sabem o que fazer quando a criança apresenta constante inquietação ou age de forma inesperada. Freqüentemente crianças pequenas são ativas ou ate mesmo distraídas nos primeiros anos escolares, baseando-se apenas em alguns sintomas não é possível fazer o diagnostico do transtorno.

    Por: Darci Martinsl Educação> Educação Infantill 13/07/2012 lAcessos: 583

    O presente trabalho relata sobre a indisciplina na sala de aula. O conceito de indisciplina é susceptível de múltiplas interpretações. A questão da indisciplina deixou de ser um evento particular das escolas, para se tornar um dos grandes problemas escolares da atualidade, por ser considerado um obstáculo para um bom processo de aprendizagem. Portanto, alguns alunos são denominados de indisciplinados ou de incompetentes.

    Por: Darci Martinsl Educação> Educação Infantill 18/11/2011 lAcessos: 518

    O ato de jogar é tão antigo quanto o próprio homem, pois este sempre manifestou uma tendência lúdica, ou seja, um impulso para o jogo. A reflexão acerca da história do ato de brincar e, muito mais, sobre a história da criança e sua participação no contexto familiar e social, além de ampliar nossos conhecimentos sobre a importância do lúdico na construção do desenvolvimento infantil cognitivo, afetivo e social. Assim, objetiva-se, neste artigo, compreender a importância de se resgatar as brincade

    Por: Darci Martinsl Educação> Educação Infantill 18/11/2011 lAcessos: 545
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