A importância do lúdico no processo de ensino-aprendizagem

Publicado em: 02/03/2012 |Comentário: 0 | Acessos: 4,557 |

INTRODUÇÃO

Diante das observações realizadas e das experiências vivenciadas durante os três primeiros Ciclos de Estágio Supervisionado em diferentes Escolas da Rede Municipal de Ensino Fundamental da cidade de Juazeiro - BA, cumprindo as exigências práticas do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia - UNEB, quando se teve a oportunidade de conhecer a realidade de trabalhar com crianças, muitas vezes dispersas, com pouco interesse pelas aulas, desatentas e até mesmo agressivas, dificultando o processo de ensino-aprendizagem, é que se pôde perceber a necessidade de o professor repensar sua prática, através de atividades que estimulem a participação e envolvimento dos alunos.

Num mundo de desigualdades e contradições, a educação se caracteriza como um referencial de esperança e transformação, que permite modificar a realidade, alterando o seu rumo, provocando as rupturas necessárias e aglutinando as forças que garantem a sustentação de espaços onde o novo seja buscado, construído e refletido, de modo a permitir o acesso ao conhecimento, à participação e propiciando condições para que o indivíduo construa sua cidadania.

O paradigma que inspira a educação moderna busca evidenciar a necessidade de se aprender um jeito novo de repensar a prática pedagógica no âmbito escolar, de tal forma que o educador busque construir em novos alicerces, substituindo a rigidez, pela alacridade, a passividade pelo entusiasmo de ensinar e de aprender, observando, refletindo, compreendendo e reconstruindo o conhecimento.  

Nessa perspectiva, a ludicidade vem ganhando espaço dentro do cenário atual das discussões em torno da educação, uma vez que se constitui um instrumento essencial na formação e desenvolvimento da criatividade, iniciativa e autonomia, bem como na aquisição dos diversos saberes.

Sendo assim, vale salientar a necessidade de um trabalho pautado nos jogos e atividades lúdicas, visto ser o brinquedo a essência da infância e a sua prática um acesso para a construção do conhecimento.

"A educação pela via da ludicidade propõe-se a uma nova postura existencial, cujo paradigma é um novo sistema do aprender brincando inspirado numa concepção de educação para além da instrução". Santos (2001. p. 53).

O jogar/brincar é inerente à criança e, através dele, se relaciona com as coisas e as pessoas, ampliando seus conhecimentos e desenvolvendo suas capacidades psicomotoras, cognitivas, afetivas, lingüísticas, sociais e emocionais.

"O ato de brincar é importante, é terapêutico, é prazeroso, e o prazer é ponto fundamental da essência do equilíbrio humano. Logo, podemos dizer que a ludicidade é uma necessidade interior, tanto da criança quanto do adulto. Por conseguinte a necessidade de brincar é inerente ao desenvolvimento". Bertoldo e Ruschel (2005).

Assim, é inevitável a necessidade de se resgatar, para os dias atuais, brincadeiras que com o passar dos anos foram esquecidas e que, no entanto contribuem de forma contundente para o desenvolvimento das aptidões físicas e mentais da criança.

"Num país onde se estimula crianças a se vestirem com trajes sensuais e requebrarem sobre garrafas, há que se resgatar brincadeiras verdadeiramente infantis, que respeitem o desenvolvimento da criança e não façam dela uma versão miniaturizada de dançarinas-objeto''. Nogueira (2004).

Em suma, "o jogo é um fator didático altamente importante; mais do que um passatempo, ele é elemento indispensável para o processo de ensino-aprendizagem. A educação pelo jogo deve, portanto, ser a preocupação básica de todos os professores que têm intenção de motivar seus alunos ao aprendizado". Teixeira (1995, p. 49).

Assim, nessa busca de conhecimentos, é que se propõe uma reflexão acentuando a importância do lúdico como uma estratégia na construção do aprendizado dentro do espaço escolar, bem como o seu potencial para a viabilização de uma prática pedagógica transformadora, em que o aprendizado acontece de maneira suave e divertida proporcionando ao aprendiz constante prazer e alegria. 

Dentro dessa visão, busca-se evidenciar o significado e o papel das diferentes formas e classificações das atividades lúdicas na sistematização do movimento de ensino-aprendizagem com vistas ao desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico, psicológico, intelectual, afetivo e social, destacando a necessidade do preparo do educador para o manejo dessa ferramenta.

De forma objetiva, esse trabalho busca chamar a atenção dos educadores para uma reflexão acerca da realização de uma prática mais condizente com os dias atuais, destacando aspectos metodológicos que auxiliem e tornem as aulas cada vez mais dinâmicas e atraentes, dando liberdade de expressão e de participação às crianças, de modo que elas vejam a escola como uma extensão do seu dia-a-dia.


1.   COMO ENTENDER O LÚDICO

"Podemos considerar o brincar como uma linguagem, através da qual as crianças se comunicam, entre si e com os adultos". (Adriana Friedmann)

A palavra lúdico remonta aos tempos antigos e tem suas origens no latim ludus, que significa brincar na sua forma mais ampla, ou seja, envolve desde os jogos, as brincadeiras de todas as comunidades, sejam elas urbanas ou rurais, os brinquedos e qualquer atividade que desperte prazer, até o estado de espírito de quem joga e se diverte.

Esse brincar é uma ação natural do "homo ludens". Desde o seu nascimento já lhe está intrínseco o comportamento lúdico e toda a sua trajetória está permeada de reações espontâneas e prazerosas. Nos primeiros meses de vida, quando o bebê começa a manusear os objetos, levando-os a boca, ou o simples fato de o bebê jogar o objeto no chão, torna-se para ele motivo de prazer.  Na medida em que a criança cresce, estas reações lúdicas se intensificam e novas brincadeiras vão se incorporando no seu dia-a-dia.

Assim, durante toda sua infância, a criança vivencia momentos de prazer, quer através de brincadeiras de roda, de faz-de-conta, amarelinha, pega-pega e tantas outras, ou por meio de brinquedos como a boneca, o carrinho, a bola, o pião, a pipa, e os jogos, que constituem não apenas fonte de prazer, mas também de construção de conhecimento.

A brincadeira é para a criança um meio pelo qual ela se relaciona com o mundo, se descobre, experimenta, cria, compreende e transforma, começa lentamente a construir sua história, bastando apenas que lhes dêem liberdade para se manifestar, e se expressar.

Vale salientar que o lúdico além de assumir caráter instintivo, ou seja, ser natural do homem, ele também faz parte de uma cultura, estando presente seja na forma de músicas, frases, palavras ou sílabas ritmadas, integrando as culturas através de suas peculiaridades e transmitindo-as de geração a geração ao longo dos séculos.

No folclore, o lúdico se destaca através do conjunto de manifestações populares como as brincadeiras, as danças e as músicas tradicionais, que são cantadas e tocadas, cada uma de maneira diferente. As rodas de Ciranda-cirandinha; Terezinha de Jesus; o meu boi morreu; Carneirinho, Carneirão; a linda rosa juvenil; o cravo brigou com a rosa..., as parlendas ("Mindinho, seu vizinho, maior de todos, fura bolo e cata piolho"; "bão-balalão, senhor capitão, espada na cinta, ginete na mão"; "Hoje é domingo pé de cachimbo"...), as mnemônicas ("um, dois, feijão com arroz"), os jogos de salão ou ao ar livre (berlinda, anel, queimada, amarelinha, carniça, gude), e o teatro das crianças, sinalizam o momento da socialização, do estreitamento dos laços sociais, que apesar das mudanças, não se perderam em meio aos brinquedos eletrônicos.

Como terapia, o lúdico tem funcionado, segundo Herbert Spencer, como uma "descarga de energia vital", necessária ao reequilíbrio de centros nervosos.

"Muitos autores - a exemplo de Kudo & Pierri (1990), Lindquist (1993), Sikilero et al. (1997), Novaes (1998) e Santa Roza (1999) - vêm apontando para a importância da presença da atividade lúdica durante o período de adoecimento e internação hospitalar de crianças. Nesse sentido, o brincar passa a ser visto como um espaço terapêutico capaz de promover não só a continuidade do desenvolvimento infantil, como também a possibilidade de, através dele, a criança hospitalizada melhor elaborar esse momento específico em que vive". Mitre apud (Mitre e Gomes (2004, p.148).

Na verdade, o lúdico envolve não só o brincar, mas visa a construção integral do ser humano. Ao brincar ele desenvolve sua capacidade motora, intelectual, social e cultural, além de obter grande benefício para a saúde do corpo.

Entretanto, como relacionar o lúdico com a educação?

A educação está presente em toda parte, perpassa não só os bancos escolares como também o modo de vida dos grupos sociais e as trocas de experiências, visando o individuo como um todo.

"A verdadeira educação significa mais do que a prossecução de um certo curso de estudos. Significa mais do que a preparação para a vida presente. Visa o ser todo, e todo o período da existência possível ao homem. É o desenvolvimento harmônico das faculdades físicas, intelectuais e espirituais. Prepara o estudante para o gozo do serviço neste mundo, e para aquela alegria mais elevada por um mais dilatado serviço no mundo vindouro". White (1977 p.13).

Durante muito tempo a educação das crianças era restrita somente ao âmbito familiar. Naquela época não existiam escolas apropriadas para a educação infantil. "É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo", afirma Ariès (1981 p. 50). Na realidade, a criança era vista, segundo as palavras do referido autor, como "um adulto em miniatura" e tinha uma educação baseada nas aprendizagens adquiridas ao observar as atividades dos mais velhos.

Com o passar do tempo, os filhos dos mais nobres começaram a receber em casa o ensinamento das primeiras letras, ministrado por preceptores, enquanto que a burguesia encaminhava seus filhos para escolas, onde crianças e adultos se misturavam na mesma classe, sem distinção de idade ou escolarização.

Somente no início do século XVII é que surgiram as primeiras preocupações com a educação das crianças pequenas. Isso se deu a partir das preocupações resultantes do reconhecimento e valorização que elas passaram a ter no meio em que viviam. Contudo, apesar das melhorias efetuadas no ensino-aprendizagem das crianças nos dias atuais, ainda pode-se perceber grande parcela da população infantil sendo educada segundo as antigas práticas de aprendizagem.

Conforme o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil,

"Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural. Neste processo, a educação poderá auxiliar o desenvolvimento das capacidades de apropriação e conhecimento das potencialidades corporais, afetivas, emocionais, estéticas e éticas, na perspectiva de contribuir para a formação de crianças felizes e saudáveis". Brasil (1998, RCNEI, vol. I, p. 23).

Portanto, o ato de brincar torna a aprendizagem extremamente significativa por estar vinculada a realidade cognitiva e sensorial da criança vivida na experiência do seu cotidiano. Assim, ao lançar mão de metodologias agradáveis e adequadas às crianças, o professor abre um caminho para um aprendizado a partir da sua realidade, através de atividades que lhes sejam próprias e que despertem o interesse e o agir com naturalidade, ou seja, por meio de atividades recreativas que estimulem o raciocínio.

Ao inserir as atividades lúdicas como recurso didático, o professor diversifica suas aulas, tornando-as mais criativas, desafiadoras e interessantes, além de motivar os alunos a participarem ativamente na aquisição do saber.

A proposta de trabalho a partir da ludicidade desenvolve as estruturas psicológicas globais, haja vista que possibilita ao aluno construir seu próprio pensamento e estreitar laços de amizade e afetividade.

Assim, vale ressaltar que,

"o jogo em sala de aula é uma ótima proposta pedagógica, porque propicia a relação entre parceiros e grupos e, nessas relações, podemos observar a diversidade de comportamento das crianças para construir estratégias para a vitória, como também as relações diante da derrota. Jogar com parceiros ou em grupo propicia a interação entre os mesmos, o que é um fator de avanço cognitivo, pois, durante o jogo, a criança estabelece decisões, conflitua-se com seus adversários e também reexamina seus conceitos". Rallo, apud Robaina et al (2005, p.25).

Diante disso, e contrariando os métodos tradicionais, nos quais o aluno não passa de um receptáculo de informações, é bastante plausível o entendimento de que a utilização de jogos, histórias, dramatizações, músicas e as manifestações artísticas constituam artifícios pelos quais o educador atraia a atenção e motive o alunado a participar na construção do seu próprio conhecimento.

O lúdico, através dos jogos, brincadeiras e divertimentos, traz para o ambiente da sala de aula uma atmosfera de encantamento, alegria e prazer, onde o real se confunde com a fantasia, fazendo com que o aluno seja capaz de construir sua concepção de mundo de maneira espontânea, oportunizando assim, um aprendizado eficaz.

Vale ressaltar também, a idéia de que buscando resgatar o significado dos jogos e brincadeiras dentro do espaço escolar, delineia-se um caminho que pode tornar possível um ensino de qualidade. Esse resgate permitirá ao aluno um aprendizado mais prazeroso, o que contribui para o pleno desenvolvimento da motricidade, da mente, da criatividade e demais habilidades de forma mais natural, promovendo a socialização e descoberta do mundo.

Nesse sentido, o lúdico atua de forma holística no desenvolvimento da criança, pois, além de crescer física e intelectualmente, o brincar favorece o desenvolvimento dos vínculos afetivos e sociais, contribuindo para a realização do ser e do conhecer.

Até porque, o ensino atualmente fundamenta-se em pressupostos que possibilitam aos sujeitos históricos do fazer pedagógico (alunos/professores) condições de criar e recriar o ambiente da sala de aula, apontando e descobrindo caminhos que vislumbrem a construção de uma aprendizagem mais significativa. Isto é, o professor deixa de ser mero transmissor e passa a atuar como mediador desse ato multifacetado que é ensinar/aprender.


2.   FORMAS DE APRESENTAÇÃO E CLASSIFICAÇÕES LÚDICAS

"Brincar sempre para experimentar e um dia ir buscar. Brincar para entrar em contato com a própria vontade para então conseguir decidir. Brincar com liberdade plena para imaginar e criar para um dia vir a construir. Brincar imitando para aprender a aprender. Brincar com a fantasia para perceber que se é capaz de transformar. Brincar podendo arriscar sem medo para vir a sentir confiança. Brincar ganhando, perdendo e cooperando para saber conviver pacificamente. Brincar sentindo alegria, medo, frustração, felicidade, amor e ódio para um dia poder vir a perdoar. Brincar sempre, por toda a vida".   (Cecília Aflalo).

A necessidade de se expressar é inerente ao homem e cada um procura extravasar essa necessidade de forma diferente. Uns através da música, outros através da dança, do desenho, do teatro, ou até mesmo na arte de contar uma história. O certo é que cada pessoa tem uma forma diferente de ver e sentir as coisas. Na sala de aula não é diferente, e o professor deve estar atento para atender essas necessidades dando ao aluno a oportunidade de encontrar a melhor forma de exprimir suas idéias.

O acesso aos livros de histórias infantis, às representações teatrais, à pintura livre, à dança, e à música são de grande valia, pois instiga o desenvolvimento da consciência individual e coletiva, além de ampliar as capacidades artísticas, estéticas e dramáticas e incentivar o respeito mútuo pelas diferenças, bem como a construção de conceitos e valores. 

No momento em que o aluno pinta, dramatiza, canta ou dança sobre algum tema, ele o faz a partir de uma leitura prévia. Para tanto, ele busca informações através de pesquisas e procura a melhor forma de se expressar sobre o assunto desenvolvendo assim a criatividade, a responsabilidade, a disciplinaridade, a organização e a socialização. O resultado desse conjunto de informações é a construção do conhecimento e a formação de cidadãos capazes de transformar o meio em que vivem.

Pelo exposto, o lúdico é um recurso pedagógico riquíssimo, podendo ser utilizado em todas as disciplinas e das mais variadas formas, tais como: jogos, histórias, representações teatrais e dramatizações, além das artes visuais, das músicas, danças e canções.

2.1 Os Jogos

"O grande educador faz do jogo uma arte, um admirável instrumento para promover a educação para as crianças". Almeida (2000, p. 23).

Os jogos são atividades lúdicas de caráter formativo, pois além de desenvolver as aptidões físicas e mentais, ainda fomenta as relações sociais e interpessoais.

Dentre as formas de apresentação lúdica, os jogos são os mais preferidos, estando presente na vida do ser humano desde os tempos mais remotos, podendo ser usados por crianças, jovens e adultos, pois, além de divertirem, aumentam a capacidade mental e intelectual do jogador, funcionando como instrumento eficiente na aquisição do conhecimento e desenvolvimento das diferentes habilidades. 

Ao recorrer ao uso dos jogos, o professor cria uma atmosfera de motivação e prazer na sala de aula, despertando o interesse dos alunos no processo de ensino-aprendizagem, levando-os a participarem mais ativamente, assimilando melhor o conteúdo.

Além de ser uma atividade lúdica, o jogo educa, pois enquanto diverte, facilita o aprendizado e aumenta a capacidade de retenção do que foi ensinado, estimulando a mente e o intelecto do jogador. Conforme os PCN's, "por meio dos jogos as crianças não apenas vivenciam situações que se repetem, mas aprendem a lidar com símbolos e a pensar por analogia (jogos simbólicos): os significados das coisas passam a ser imaginados por elas". Brasil (2001. PCN's, 1º e 2º ciclos. Vol. III, p. 48).

Segundo Dohme (2003, p. 79), o jogo representa um fim para as crianças, uma vez que elas participam com o objetivo de satisfazer seus desejos. Já para o educador, o jogo compõe um meio apropriado para a metodologia de ensino-aprendizagem, bastando para isso, saber escolher o jogo mais adequado para alcançar seus objetivos. Os mesmos proporcionam reações de alegria e prazer pela atividade a ser desenvolvida, envolvendo o aluno e estimulando-o à ação. Dessa forma, torna-se necessário que a atividade a ser desenvolvida, represente um verdadeiro desafio ao aluno, motivando-o ainda mais. Por se tratar de atividade de caráter competitivo, o jogo provoca situações nas quais o sujeito necessita coordenar diferentes pontos de vista, estabelecer várias relações, resolver conflitos e estabelecer uma ordem.

Conforme Vygotsky (1998), é através do jogo que a criança aprende a agir, sua curiosidade é estimulada, adquire iniciativa e autoconfiança, proporcionando o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração.

Os jogos podem ser classificados como jogos de ação, aventura, cassino, lógicos, estratégicos, esportivos, roleplaying games (RPGs), entre outros, podendo, muitas vezes, ser utilizados com propósitos educacionais como destacado por Tarouco et al, (2004), em seu artigo "Jogos educacionais":

"Ação - os jogos de ação podem auxiliar no desenvolvimento psicomotor da criança, desenvolvendo reflexos, coordenação olho-mão e auxiliando no processo de pensamento rápido frente a uma situação inesperada. Na perspectiva instrucional, o ideal é que o jogo alterne momentos de atividade cognitiva mais intensa com períodos de utilização de habilidades motoras.

Aventura - os jogos de aventura se caracterizam pelo controle, por parte do usuário, do ambiente a ser descoberto. Quando bem modelado pedagogicamente, pode auxiliar na simulação de atividades impossíveis de serem vivenciadas em sala de aula, tais como um desastre ecológico ou um experimento químico.

Lógico - os jogos lógicos, por definição, desafiam muito mais a mente do que os reflexos. Contudo, muitos jogos lógicos são temporalizados, oferecendo um limite de tempo dentro do qual o usuário deve finalizar a tarefa. Aqui podem ser incluídos clássicos como xadrez e damas, bem como simples caça-palavras, palavras-cruzadas e jogos que exigem resoluções matemáticas.

Roleplaying game (RPG) - Um RPG é um jogo em que o usuário controla um personagem em um ambiente. Nesse ambiente, seu personagem encontra outros personagens e com eles interage. Dependendo das ações e escolhas do usuário, os atributos dos personagens podem ir se alterando, construindo dinamicamente uma história. Esse tipo de jogo é complexo e difícil de desenvolver. Porém, se fosse desenvolvido e aplicado à instrução, poderia oferecer um ambiente cativante e motivador.

Estratégicos - os jogos estratégicos se focam na sabedoria e habilidades de negócios do usuário, principalmente no que tange à construção ou administração de algo. Esse tipo de jogo pode proporcionar uma simulação em que o usuário aplica conhecimentos adquiridos em sala de aula, percebendo uma forma prática de aplicá-los".

Entretanto, é importante que o professor saiba avaliar se o jogo com o qual está trabalhando é interessante e desafiador, além disso, se faz necessário adequar os jogos conforme o desenvolvimento de cada criança, respeitando seu ritmo, ambiente e estímulos. Nesse sentido, Piaget classifica os jogos em três grandes categorias - os jogos de exercícios, o jogo simbólico e o jogo com regras - que correspondem aos estágios, ou fases de evolução mental de uma criança. Cada estágio é um período onde o pensamento e comportamento infantil é caracterizado por uma forma específica de conhecimento e raciocínio.

Os Jogos de exercícios (nascimento até 2 anos): É o primeiro estágio da vida (o período sensório-motor), quando a criança busca satisfazer suas necessidades. Estes exercícios baseiam-se na repetição de gestos e movimentos simples como sacudir os braços, balançar objetos, emitir sons, caminhar, correr, pular, chupar a chupeta, etc. É o que acontece quando o bebê joga objetos no chão diversas vezes ou balança o chocalho sem parar. É o prazer contido na ação. A criança brinca sozinha, sem utilização da noção de regras. Nesse estágio, o bebê apresenta um tipo de funcionamento intelectual inteiramente prático, vinculado à ação. Apesar destes jogos começarem na fase maternal e durarem até os 2 anos, eles se estendem por toda vida, uma vez que o ser humano faz uso de atividades como andar de bicicleta, caminhar, dançar, etc.

Os Jogos simbólicos (2 a 6 anos): corresponde ao estágio pré-operacional quando a criança começa a entrar no mundo dos símbolos, sendo capaz de imitar outras pessoas, reproduzir as relações vivenciadas em seu cotidiano e de reconhecer objetos. Essa fase é marcada pelo fazer de conta, pelo irreal, o imaginário, o fictício, pela representação do teatro, das histórias de fantoches. As crianças começam a brincar de faz-de-conta, vestem a roupa do papai ou da mamãe para imitá-los e, usando a imaginação, transformam vassouras em cavalos, bonecas em pessoas, estabelecendo assim, uma comparação entre o real e o imaginário, realizando sonhos e fantasias. Segundo Piaget, esse tipo de atividade

"consiste em satisfazer o eu por meio de uma transformação do real em função dos desejos: a criança que brinca de boneca refaz sua própria vida, corrigindo-a à sua maneira, e revive todos os prazeres ou conflitos, resolvendo-os, compensando-os, ou seja, completando a realidade através da ficção". Piaget (1986, p. 54).

Os jogos de regras (6 aos 12 anos): corresponde ao estágio das operações concretas. Nesta fase a criança aprende a cumprir as regras dos jogos, a considerar outros fatores que influenciam no resultado, como atenção, concentração, raciocínio e sorte. Nesse período, a criança se depara com situações e limitações impostas pelas regras que caracterizam espaços de transição à vida adulta. A busca competitiva de encontrar uma possível saída para resolver uma situação-problema e, quando encontra a solução, a alegria por ter alcançado a vitória. São jogos que possuem relevância para que determinadas normas de conduta, valores morais e perspectivas de vida sejam absorvidas pela criança. Nesse estágio a criança joga em grupos interagindo com outras pessoas.

Dentre os muitos jogos de regras, pode-se fazer menção ao jogo de futebol, de damas, o baralho, os esportes, etc., que têm como característica a existência de um conjunto de leis impostas pelo grupo e a busca de um objetivo comum, vencer, quer seja por mais sorte ou melhor desempenho. Sentimentos de tensão, alegria, euforia, raiva, expectativa, surpresa, riso, desespero, choro, euforia são expressos pelos jogadores e torcedores.

Os jogos são suportes que ajudam as crianças a se desenvolverem de forma saudável, seja no aspecto físico, social, intelectual e emocional. Quando estão jogando, as crianças, colocam em prática capacidades que vão além do raciocínio e estimulam outras habilidades importantes como a destreza em coordenar movimentos corporais  dentro de um determinado espaço, acompanhado ou não de um ritmo musical, seguido da habilidade em estabelecer uma relação inter e intrapessoal, levando em conta seus sentimentos, humores,  temperamentos e motivações ao liderar uma equipe. Além disso, durante a prática de um jogo, a criança adquire desenvoltura na resolução de situações problema e contagem de pontos, bem como no uso da linguagem para convencer, agradar, estimular ou transmitir idéias quer seja através da fala como pelo uso de desenhos.

Assim, o jogo se torna um meio poderoso na aprendizagem ao mesmo tempo em que desenvolve a percepção, inteligência e instintos sociais, contribuindo na socialização e na formação da personalidade da criança.

Referindo-se ao jogo como recurso pedagógico, os PCN's assim expressam:

"Um aspecto relevante nos jogos é o desafio genuíno que eles provocam no aluno, que gera interesse e prazer. Por isso, é importante que os jogos façam parte da cultura escolar, cabendo ao professor analisar e avaliar a potencialidade educativa dos diferentes jogos e o aspecto curricular que se deseja desenvolver". Brasil (2001. PCN's, 1º e 2º ciclos. Vol. III, p. 49)

Como se observa, pelo jogo evidencia-se o interesse dos alunos na pesquisa, socialização e parceria entre colegas e professores, bem como na troca de saberes, possibilitando o estímulo das inteligências múltiplas e a aquisição de um aprendizado mais prazeroso e criativo.

2.2 As Histórias

"Histórias são pontes; são laços entre o narrador e o ouvinte, entre o real e o imaginário, entre o passado, o presente e o futuro; são elos que se constroem e reconstroem entre seres humanos, em um processo sem fim. As histórias (...) trazem saberes e experiências acumuladas por várias gerações. Oferecem exemplos de modelos e papéis que, desde a infância, facilitam nossa relação com o mundo. Levam-nos a experimentar as emoções, a ‘treinar' posturas, a nos identificar com personagens e situações, a sonhar coisas melhores do que temos e a perceber que tudo também poderia ser pior. Contos de fadas, histórias de bichos e fábulas são uma porta de entrada para o mundo da fantasia, e, como podem ver, também uma porta de saída para a vida real". (Tricate, 2004)

Apesar de a literatura infantil ter surgido somente no século XVII, as histórias infantis e os contos populares existem desde que o ser humano adquiriu a fala e assim vem ocupando lugar de destaque na vida dos seres humanos.

O ato de contar histórias está intrínseco ao indivíduo, pois este necessita compartilhar com os outros suas experiências, seus sentimentos, pensamentos e sonhos. As narrativas de histórias são indispensáveis na transmissão de conhecimentos e de valores essenciais à vida na medida em que estimulam a imaginação e desenvolvem o intelecto das crianças, suscitando condições para que elas trabalhem com o texto a partir de seu ponto de vista, julgando e assumindo posições frente aos fatos narrados, identificando-se com algum personagem, criando novas situações através das quais elas próprias possam ser inseridas no contexto, tornando-se assim, atores e autores de suas criações.

O processo de ouvir histórias provoca emoções que transportam os ouvintes ao mundo da fantasia, deixando-os flutuar nas asas da imaginação, contribuindo, dessa forma, para a construção do pensamento, formação do senso crítico e ampliação de horizontes para distinguir opções e fazer escolhas acertadas.

Assim, por acreditarem no poder e na magia que as histórias exercem nos seus ouvintes, é que muitos estudiosos relatam sua importância no desenvolvimento infantil.  De acordo com Abramovich (1994. p. 17),

 "ler histórias para crianças, sempre, sempre ... É poder sorrir, rir, gargalhar com as situações vividas pelas personagens, com a idéia do conto ou com o jeito de escrever dum autor e, então, poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de brincadeira, de divertimento ... É também suscitar o imaginário, é ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, é encontrar outras idéias para solucionar questões (como as personagens fizeram ...). É uma possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivemos e atravessamos - dum jeito ou de outro - através dos problemas que vão sendo defrontados, enfrentados (ou não), resolvidos (ou não) pelas personagens de cada história (cada uma a seu modo) ... É a cada vez ir se identificando com outra personagem (cada qual no momento que corresponde àquele que está sendo vivido pela criança) ... e, assim, esclarecer melhor as próprias dificuldades ou encontrar um caminho para a resolução delas ..."

A magia de contar história consiste na capacidade que a história tem de expandir a percepção, levar a criança a perceber todas as coisas como se estivessem vivas. As pedras possuem vida, os rios falam, os animais pensam e conversam, as plantas também têm o poder de falar, sapos se transformam em príncipes. Para elas, as coisas podem agir e sentir.

O trabalho com a história infantil é essencial para o desenvolvimento da criança nos âmbitos recreativo, educativo, instrutivo, afetivo e social, pois alarga horizontes, fertiliza a imaginação, desperta emoções, valoriza sentimentos, cria hábitos, estimula a socialização, desenvolve a atenção e a disciplina, além de contribuir para a construção de sua identidade pessoal.

As histórias podem ser utilizadas para tornar as aulas mais agradáveis e estimulantes por apresentarem situações-problema correlacionados com o mundo infantil, desafiando a criança e contribuindo para o desenvolvimento da sua capacidade de formular idéias, analisar, criar hipóteses, refletir, questionar e tirar conclusões.

Cadermatori afirma que "a literatura, por sua vez, propicia uma reorganização das percepções do mundo e, desse modo, possibilita uma nova organização das experiências existenciais da criança" (1987 p.18).

Através das histórias pode-se sentir emoções como a alegria, a tristeza, o prazer, o bem estar, a raiva, a irritação, o medo, a insegurança, vivendo profundamente cada cena que as narrativas provocam em quem as ouve, um mundo de imaginação, sonhos e fantasias. Conforme Dohme (2003, p. 91),

"as histórias transportam o ouvinte para o outro mundo, o mundo da fantasia e a sua narrativa cuidadosa permite que o ouvinte sinta novas e diferentes emoções. Isto amplia a sua visão, que sai da limitação do que pode perceber ao seu redor no dia-a-dia, para ter contato como outras emoções e sensações que a fantasia desperta".

Como se sabe, os objetivos educacionais das histórias infantis são muitos e de grande importância como recurso auxiliar de estimulação psicológica, moral e afetiva, dentre eles, Meirelles apud Bissoli (2005, p.8), faz menção aos seguintes:

"Formação de leitores - a atração pela leitura surge por meio da audição de histórias, o que, paralelamente, estimula a capacidade de criação da criança. Os temas matemáticos, se apresentados, poderão ajudar o pequeno estudante a desenvolver a capacidade de fazer metaleituras, ou seja, elaborar problemas a partir de histórias, observar as mensagens contidas nas entrelinhas, praticando o seu gosto inato pêlos enigmas, pela descoberta.

Recreação - a história recreia a criança, distraindo-a e ajudando-a a descarregar tensões, por conta dessa transposição a um mundo imaginário que poderá ajudá-la até mesmo a resolver conflitos emocionais próprios, devido à identificação que faz com algum personagem.

Instrução - além de enriquecer o vocabulário, ampliar a fronteira de suas idéias e conhecimentos, desenvolver a linguagem e o pensamento, as histórias servem de veículo para um aprendizado espontâneo, prazeroso e agradável de noções e conceitos matemáticos, entre outros.

Estimulação - a atenção, a memória e a reflexão são estimuladas, pois a criança aprende a ouvir, a dar sua opinião, a respeitar a opinião dos outros, enfim, a viver em sociedade. Desse modo, esse instrumento de ensino facilita a adaptação do aprendiz ao ambiente coletivo, pela incorporação dos valores sociais e morais que são captados pela observação do comportamento de personagens fictícios".

Neste caso, torna-se imprescindível o uso da literatura infantil no cotidiano das crianças, de modo que os livros estejam disponíveis para que elas tenham contato desde cedo com a leitura e possam manuseá-los sempre que desejarem.

De acordo com as características e o teor, as histórias podem ser classificadas em Contos de fadas, Fábulas, Lendas, Mitos, Histórias reais e Histórias de aventura.

2.2.1 Contos de fadas

"Os contos de fadas são narrativas simbólicas extremamente simples, primitivas, capazes de transmitir experiências subjetivas complexas e vivências emocionais delicadas às pessoas mais ingênuas e às crianças". Vieira (2005, p 9).

Segundo Rotta, apud Bencini, (2005 p.53), não é difícil reconhecer os contos de fada, uma vez que,

"animais que falam, fadas madrinhas, reis e rainhas não podem faltar, assim como a introdução 'era uma vez'. As narrativas se passam em um lugar distante - 'muito longe daqui' - e têm personagens com nomes comuns ou apelidos, como João e Chapeuzinho Vermelho. Esses elementos facilitam a memorização e tornam a narrativa apropriada à oralidade. 'No conto maravilhoso, o leitor é transportado para um mundo onde tudo é possível: tapetes voam e galinhas põem ovos de ouro. Essa é a magia da fantasia'".

Os contos de fadas pertencem ao gênero literário mais rico do imaginário popular, funcionando muitas vezes, como válvula de escape ao permitir que a criança vivencie seus problemas psicológicos de modo simbólico, extraindo lições de vida e saindo mais feliz dessa experiência.

Quem nunca ouviu falar na Bela Adormecida, no Patinho Feio, em João e Maria, na Bela e a Fera, em Branca de Neve e os sete anões, na Gata Borralheira, em Cinderela, em Pinóquio, no Pequeno Polegar, em Chapeuzinho Vermelho e em tantos outros contos que, de forma maravilhosa, encantam e enlevam as crianças ao mundo maravilhoso do faz-de-conta?

"Por quê? Porque os contos de fadas estão envolvidos no maravilhoso, um universo que denota fantasia, partindo sempre duma situação real, concreta, lidando com emoções que qualquer criança já viveu... Porque se passam num lugar que é apenas esboçado, fora dos limites do tempo e do espaço, mas onde qualquer um pode caminhar... Porque as personagens são simples e colocadas em inúmeras situações diferentes, onde têm que buscar e encontrar uma resposta de importância fundamental, chamando a criança a percorrer e a achar junto uma resposta sua para o conflito... Porque todo esse processo é vivido através da fantasia, do imaginário, com intervenção de entidades fantásticas (bruxas, fadas, duendes, animais falantes, plantas sábias...)". Abramovich, (1994, p.120).

Dentre as muitas situações que a criança vivencia no seu dia-a-dia, pode-se fazer menção a agressividade, ao preconceito, a rejeição, a inveja, a discórdia entre irmãos, a dor da separação, que são abordadas com muita propriedade nas histórias de Rapunzel, do Patinho Feio, de João e Maria, de Cinderela e tantas outras.

Dessa forma, os contos de fadas sobrepujam às outras histórias, já que, além de exercerem fascínio nas crianças, também refletem suas sensações, emoções, temores e situações com as quais muitas vezes vivenciam no seu dia-a-dia. Tal pensamento é enfatizado nas palavras de Bettelheim, (2001, p. 13):

"Para que uma estória realmente prenda a atenção da criança, deve entretê-la e despertar a sua curiosidade. Mas para enriquecer a sua vida, deve estimular-lhe a imaginação; ajudá-la a desenvolver seu intelecto e tornar claras suas emoções; estar harmonizada com suas ansiedades e suas aspirações; reconhecer plenamente suas dificuldades e, ao mesmo tempo, sugerir soluções para os problemas que a perturbam. Resumindo, deve de uma só vez relacionar-se com todos os aspectos de sua personalidade (...) Sob estes aspectos e vários outros, no conjunto da 'literatura infantil' - com raras exceções - nada é tão enriquecedor e satisfatório para a criança, como para o adulto, do que os contos de fadas folclóricos. Na verdade, em nível manifesto, os contos de fadas ensinam pouco sobre as condições específicas da vida na moderna sociedade de massa; estes contos foram inventados muito antes que ela existisse. Mas através deles pode-se aprender mais sobre os problemas interiores dos seres humanos e sobre soluções correlatas para seus predicamentos em qualquer sociedade, do que com qualquer outro tipo de estória dentro da compreensão infantil."

Com base nas proposições anteriores, cada criança tira suas próprias lições dos contos de fadas a depender do momento e das experiências pelas quais está passando, extraindo daí o que de melhor possa aproveitar para a ocasião.

As narrativas dos contos de fadas contêm a fórmula mágica capaz de envolver a atenção das crianças, despertando-lhes sentimentos e valores que permeiam seu cotidiano. Ao ouvi-las, as crianças, ainda que imperceptivelmente, estão formando sua leitura de mundo que as ajudarão no decorrer da vida. Nessas histórias, estão inseridas verdades como a exaltação do bem e a destruição do mal, demonstrando assim, que é possível vencer obstáculos e ser vitorioso.

Referindo-se aos contos de fadas, Vieira (2005, p. 9), relata que:

"Se a criança pode aprender, por meio deles, a identificar e a reconhecer, nos outros e em si mesma, pensamentos e sentimentos que ajudam ou atrapalham sua relação consigo mesmo e com os outros, se aprende a conviver com naturalidade com fortes elementos do inconsciente da humanidade e do seu próprio inconsciente, estaremos lhe oferecendo melhores condições para crescer e amadurecer por meio da narrativa e da relação dos contos de fadas".

Os contos de fadas, através das identificações que os ouvintes estabelecem com seus personagens, exercem uma influência muito benéfica na mente das crianças, uma vez que lhes permite organizar seus sentimentos mais profundos e contraditórios.

 Sobre sua importância na formação da criança, Bettelheim (2001, p.32), defende que,

"Os contos de fadas, à diferença de qualquer outra forma de literatura, dirigem a criança para a descoberta de sua identidade e comunicação, e também sugerem as experiências que são necessárias para desenvolver ainda mais o seu caráter. Os contos de fadas declaram que uma vida compensadora e boa está ao alcance da pessoa apesar da adversidade - mas apenas se ela não se intimidar com as lutas do destino, sem as quais nunca se adquire verdadeira identidade. Estas histórias prometem à criança que, se ela ousar se engajar nessa busca atemorizante, os poderes benevolentes virão em sua ajuda, e ela o conseguirá".

Além disso, a identificação entre os alunos e os personagens predispõe as crianças à leitura, o que leva a uma reflexão acerca da necessidade de se trabalhar com os contos de fadas em sala de aula, buscando a internalização da leitura, a construção da criatividade, do senso crítico e da expressividade das crianças.

2.2.2.  Fábulas

As fábulas, conforme a Encyclopaedia Britannica[1], são

"narrativas alegóricas em prosa ou verso, cujos personagens são geralmente animais, que conclui com uma lição moral. Sua peculiaridade reside fundamentalmente na apresentação direta das virtudes e defeitos do caráter humano, ilustrados pelo comportamento antropomórfico dos animais. O espírito é realista e irônico e a temática é variada: a vitória da bondade sobre a astúcia e da inteligência sobre a força, a derrota dos presunçosos, sabichões e orgulhosos etc. A fábula comporta duas partes: a narrativa e a moralidade. A primeira trabalha as imagens, que constituem a forma sensível, o corpo dinâmico e figurativo da ação. A outra opera com conceitos ou noções gerais, que pretendem ser a verdade 'falando' aos homens".

Essas histórias datam de eras passadas. No século VIII a.C. já se ouvia falar delas, que pouco a pouco foram ganhando espaço entre os povos. Na Grécia, as fábulas foram difundidas por um escravo chamado Esopo, que apesar de gago e corcunda, conquistou a liberdade com sua inteligência e esperteza e viajou por muitas terras aconselhando a muitos através das fábulas. Já o escritor francês Jean de La Fontaine contava histórias de animais com características bem humanas, com suas virtudes e defeitos para denunciar as misérias e as injustiças de sua época, através de recursos como a sutileza, a ironia e a astúcia. Somente a partir do século XVII, as histórias, antes escritas para os adultos, foram aos poucos sendo adaptadas à linguagem infantil e mais tarde, por volta do ano de 1922, introduzidas no Brasil pelo famoso escritor, Monteiro Lobato, que além de recontar as fábulas de Esopo e La Fountaine, criava as suas próprias.

As fábulas estão intimamente ligadas à parte racional das crianças e por esta razão são mais apropriadas a partir dos sete anos, quando a criança vivencia o estágio operatório completo. Nessa fase, a criança começa a lidar com conceitos abstratos como os números e relacionamentos, é capaz de estabelecer relações objetivas de semelhanças e diferenças e de construir um conhecimento mais compatível com o mundo ao seu redor.

Assim, através das fábulas é possível ao professor trabalhar e analisar com seus alunos, o significado da mensagem transmitida percebendo os aspectos positivos e negativos nelas inseridos. Uma proposta interessante seria um trabalho em dupla, onde cada aluno disponibilizasse de uma cópia da fábula a ser estudada. O professor narraria a fábula, ou leria junto com os alunos e em seguida, cada dupla debateria os valores morais contidos na história.

Geralmente, as fábulas trazem em seu enredo questões de ética como a solidariedade, a (in)justiça social, a vaidade, a ganância, o espírito de vingança, o autoritarismo etc. o que poderia suscitar boas discussões.

Essas atividades abrem espaço para se trabalhar o diálogo, a interpretação e a ortografia, melhorando a linguagem, a comunicação, expressividade e a escrita das crianças.  Além disso, as fábulas constituem um meio riquíssimo para que as crianças se familiarizem com as virtudes.

Na atual conjuntura, quando muito se tem falado sobre a ética e o respeito às diferenças, faz bem trabalhar as fábulas, uma vez que nestas estão enfronhados os conceitos e valores e o respeito às pessoas, independente de sua raça ou condição social, além de discutir sobre certas atitudes humanas, como a esperteza, a ganância, o ser bondoso, o não ser tolo, a gratidão e disputa entre fortes e fracos.

Dentre as muitas fábulas da literatura infantil, vale destacar a "Cigarra e a formiga", "a lebre e a tartaruga", "a raposa e a cegonha", "o leão e o ratinho", "o pequeno Polegar", "o burrinho problema" e tantas outras que encerram lições valiosíssimas, resgatando valores e agradando os ouvintes.

2.2.3 As Lendas

As lendas são narrações fantasiosas, escritas ou orais, nas quais os fatos históricos são deformados pela imaginação popular, que mescla a realidade com a ficção. Estas narrativas surgiram por acaso, não se sabe ao certo de onde vieram, nem quando ou como apareceram, são frutos da imaginação humana e versam sobre vários assuntos da natureza, do homem, acontecimentos históricos, religiosos, etc., retratam histórias de heróis humanos que refletem os anseios de um grupo ou de um povo de maneira imaginária e fantástica.

As lendas acompanhadas de mistérios, assombrações e medo, enfeitam e caracterizam o lugar, girando quase sempre em torno de tipos imaginários como feiticeiras, duendes e entidades míticas, tornando-as como se fossem reais.

 O que mais caracteriza a lenda é a sua narração de maneira fascinante, encantadora, inventiva e misteriosa que aos poucos vai envolvendo seus ouvintes, de tal forma que até aqueles que não acreditam nas histórias, acabam por transmiti-las a outras pessoas.

No folclore brasileiro, essas lendas são representadas por figuras fantásticas, aparições ou até mesmo assombrações, com o objetivo de causar o mal ou alertar as pessoas. Dentre as lendas mais conhecidas entre as crianças, estão o Curupira, o Saci-pererê, Iara, o Nego d'água, o Boto cor-de-rosa, a Mula-sem-cabeça, etc.

2.2.4 Mitos

Bem distintos dos contos de fadas, os mitos são narrativas cheias de simbolismos usados para explicar fenômenos da natureza e dar sentido as coisas do mundo. Enquanto os contos de fada apresentam situações que, apesar de improváveis, são transmitidas de forma simples, deixando transparecer ao leitor/ouvinte como algo que poderia acontecer a qualquer pessoa, os mitos contam histórias que fogem à razão do homem e que se passam com seres divinos e sobrenaturais. Além disso, os mitos, na maioria das vezes, têm um desfecho trágico e encerram lições de pessimismo e tristeza. 

O mito inclui atitudes -- religiosas, históricas, folclóricas e sociais -- buscando explicar, de forma espontânea e imediata, aspectos da realidade inapreensíveis para a razão. Assim, surgiram da necessidade que o homem tem de querer explicar o como e o porquê das coisas, dos mais diversos fenômenos naturais e o porquê dos deuses.

Essas narrativas, geralmente, estão ligadas às origens, à criação do mundo, do homem e à genealogia dos deuses. Assim, diferentes povos, de diferentes culturas têm buscado construir seus próprios mitos, na expectativa de encontrar explicação para suas origens e para aquilo que julgam inexplicável.

Apesar de ser uma prática primitiva, o homem moderno ainda utiliza os mitos para estudar a procedência de cada cultura e de sua história.

Segundo Eliade, (2000, p.11),

"o mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares....o mito conta uma história sagrada, relata um acontecimento que teve lugar no tempo primordial, o tempo fabuloso dos começos...o mito conta graças aos feitos dos seres sobrenaturais, uma realidade que passou a existir, quer seja uma realidade tetal, o Cosmos, quer apenas um fragmento, uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, é sempre portanto uma narração de uma criação, descreve-se como uma coisa foi produzida, como começou a existir..."

Dentre os mais diversos tipos de mitos, sobressaem os cosmogônicos, os  escatológicos, os mitos sobre o tempo e a eternidade  e os mitos de transformação e de transição. Assim, nessa farta literatura mítica, em que a realidade se confunde com a fantasia, o professor pode encontrar um leque de oportunidades para trabalhar com seus alunos, fazendo uma releitura dessas narrativas, trazendo de forma bem lúdica, através das dramatizações, das músicas, desenhos e pinturas, um pouco da história de como viviam, pensavam e se organizavam os povos em diferentes tempos e espaços.

2.2.5 Histórias reais

As histórias reais estão diretamente relacionadas não apenas com acontecimentos vivenciados pelas pessoas, mas também com os fatos que ainda não aconteceram e que poderão acontecer a qualquer pessoa e a qualquer momento. São situações, muitas vezes engraçadas, comoventes ou tristes pelas quais as crianças aprendem, crescem, descobrem o rumo a tomar e confirmam suas escolhas e decisões ao relacionar as experiências dos personagens com os fatos que elas vivenciam no seu cotidiano.

Tais histórias, notadamente presentes na literatura lobatiana, estão permeadas de acontecimentos comuns e familiares à criança em seu cotidiano e que são abordados com a mais absoluta verossimilhança e naturalidade, nas figuras de Narizinho, Pedrinho, D. Benta, tia Nastácia que possuem as mesmas características e vivenciam situações semelhantes às de seus leitores e ouvintes.

São histórias que encerram lições de vida que servem como incentivo e apoio aos seus ouvintes, além de despertar sua curiosidade e levá-los a uma reflexão sobre as mais diferentes situações de vida.

2.2.6 Histórias de aventura

As histórias de aventuras têm freqüentemente agradado as crianças, mesmo quando são escritas para adultos. Suas narrativas têm muito a ver com o real, entretanto seus personagens são dotados de poderes e aptidões que lhes enchem de coragem, força e astúcia para enfrentar qualquer que seja a situação. São típicos heróis com super poderes, vilões com planos para conquistar a humanidade e dominar o mundo, mocinhas em situações perigosas esperando serem salvas. É o caso das histórias de Tarzan, Robinson Crusoé, Alice no País das Maravilhas, Alibabá e os quarenta ladrões, O Mágico de Oz, As Viagens de Gulliver, etc.

A propósito, merece ressalva a história de Robinson Crusoé, que numa linguagem simples, conta as aventuras de um náufrago e sua inesquecível busca pelos meios básicos de sobrevivência, revelando a verdadeira necessidade que o ser humano tem de viver em sociedade e sua capacidade de superar situações adversas, vencendo o isolamento e o desespero.

2.3. A Arte de Contar Histórias

O ato de contar histórias é uma arte que todos que se dedicam ao trabalho com crianças deveriam desenvolver, visto ser uma das formas literárias expressivas de mais fácil compreensão. Por menor que seja o grau de intelectualidade da pessoa, com certeza, ela não terá dificuldade para compreender e entender a beleza de uma narrativa, colocando-se, muitas vezes, no lugar do protagonista, sofrendo seus sofrimentos, gozando suas alegrias e emoções; ou seja, vive a própria história. Na verdade, o contar historias é uma arte que está arraigada no interior do homem, bastando, tão somente despertar a imaginação criadora.

Contar histórias é um dom que merece ser aprimorado mais e mais, é saber criar um ambiente de encantamento, de suspense e emoção, de tal modo que os personagens ganhem vida, transformando tanto narrador como ouvinte. Esses momentos são de vital importância no desenvolvimento cognitivo da criança, pois despertam a criatividade, a imaginação e a produção da escrita.

Ao contar uma história, o narrador deve levar em conta alguns critérios, que com certeza, muito contribuirão para o seu sucesso. A narrativa deve ser feita de forma original e despertar no ouvinte interesse pelo desenrolar da história. A linguagem deve ser clara, simples, correta e, sobretudo, aproximar-se ao máximo do real, ser verossímil, isto é, deve dar a impressão de que ela pode ter acontecido.

Assim, o orador deve primar por uma boa dicção, mudando o ritmo ou o tom de voz, fazendo pausas, para caracterizar cada cena. Se a situação é emocionante, o ritmo da voz deve ser mais rápido e mais alto; se é triste, deve-se primar por uma voz mais baixa e mais pausada.

Viver cada cena, revelar entusiasmo, tornar cada episódio o mais autêntico possível, dando vida aos animais e pessoas (linguagem onomatopaica), procurar prender a atenção das crianças e trazê-las o mais próximo do livro para que vejam as ilustrações, olhar no olho de cada criança, pausadamente. Usar gestos para dramatizar partes da história e abusar das expressões faciais para diferenciar e acompanhar os sentimentos dos personagens são características de um bom contador de histórias.

As histórias podem ser utilizadas em todas as disciplinas, no entanto, se faz necessário, seguir quatro elementos essenciais que compõem a narrativa: introdução, enredo, clímax e desfecho.

2.3.1. Introdução:

Tem a finalidade de prender o interesse da criança, desde a primeira frase, portanto, faz-se necessário que se faça uma introdução interessante. Esta pode ser feita a partir de uma pergunta, de uma ilustração, ou daquelas velhas frases características: "Era uma vez...", "Há muitos anos atrás...", etc. É importante que seja curta, interessante e que contenha as informações essenciais para apresentar e caracterizar os principais personagens e o local onde os fatos se desenrolam.

Em geral, a introdução responde às perguntas: Quem? Onde? Quando? Que? Deve haver o indício de que coisas excitantes irão acontecer, incitando a curiosidade. Porém, não se deve apresentar tudo na introdução, é bom manter um certo nível de mistério, antecipação e surpresa.

O professor que tiver uma história bem introduzida terá a atenção dos alunos até o desfecho da mesma.

2.3.2. Enredo:

O enredo é o desenvolvimento da história aonde os fatos vão sendo apresentados paulatinamente e de forma cada vez mais interessante. É a ação dos personagens. No decorrer do enredo é interessante que se faça perguntas que estimulem a imaginação e o raciocínio da criança. É muito importante que durante o enredo crie-se um clima de expectativa e suspense, aumentado assim, o interesse do ouvinte e preparando-o para o clímax da história. É hora de fazer a aplicação da verdade básica da lição.

2.3.3. Clímax:

O Clímax é momento de maior "intensidade" em uma história, seu ponto culminante, portanto, deve ter todo caráter de surpresa. Todo o desenvolvimento da história deve ser dirigido para este momento.

É o momento em que a emoção é maior, em que a atenção é redobrada e em que a expectativa é superior à do resto da história. É a ocasião de apresentar a solução para os problemas que surgiram durante a narrativa e de desvendar os mistérios. É hora de usar o bom senso e, sem mais delongas, partir de imediato para o desfecho, pois, como as crianças já sabem o que aconteceu e tendo a sua curiosidade satisfeita, começam a perder o interesse pelo resto da história, será mais difícil manter a atenção por muito tempo.

3.2.4. Desfecho:

A narrativa atinge o Desfecho, quando chega à solução, boa ou não, do principal conflito. É a conclusão da história, deve ser curta e satisfatória.

As histórias devem ser interessantes e instrutivas; além disso, é interessante que se escolha narrativas de acordo com a idade e cultura dos ouvintes, tendo em vista o propósito do ensinamento que se quer transmitir, o que requer do transmissor o conhecimento pleno da narrativa.

Ao contar histórias o professor estimula a imaginação dos alunos, podendo utilizar esse mecanismo para facilitar o entendimento das diversas disciplinas levando-os a questionarem, a formularem hipóteses e inventarem novas histórias. Durante a narrativa, o professor pode aproveitar para formar conceitos de altura, tempo, idade, distâncias, etc., por meio de comparações e repetições. Dessa forma, a atividade de contar histórias pode se transformar num importantíssimo recurso pedagógico para a formação de leitores dentro e fora da escola.

2.4. As representações teatrais e as dramatizações

O teatro tem o poder de fazer chorar, rir, gargalhar, assoviar e encantar, sem, contudo, deixar de lado a oportunidade de debater temas importantes e expor a realidade do mundo, podendo ser usado como ferramenta de grande valia para incentivar uma aprendizagem participativa.

As apresentações teatrais e as dramatizações são fontes de imaginação, criatividade, aventura e prazer que carregam em si probabilidades infinitas de aprendizagem. As possibilidades de exploração destes ricos recursos junto às crianças são indiscutivelmente pertinentes no meio acadêmico, uma vez que os mesmos contribuem fortemente na consolidação da aprendizagem infantil e no fortalecimento das noções de cidadania, ao mesmo tempo em que ajudam a criança a construir a sua identidade.

Além desses aspectos, o teatro e as dramatizações contribuem para o crescimento integrado da criança, tanto no aspecto individual como coletivo, à medida que desenvolve sua expressividade e sua relação com o grupo.

Nessa sentido, os PCN's ressaltam a importância de se trabalhar com estas metodologias, visto que,

"O ato de dramatizar está potencialmente contido em cada um, como uma necessidade de compreender e representar uma realidade (...) A dramatização acompanha o desenvolvimento da criança como uma manifestação espontânea, assumindo feições e funções diversas, sem perder jamais o caráter de interação e de promoção de equilíbrio entre ela e o meio ambiente. Essa atividade evolui do jogo espontâneo para o jogo de regras, do individual para o coletivo. (...) Ao participar de atividades teatrais, o indivíduo tem a oportunidade de se desenvolver dentro de um determinado grupo social de maneira responsável, legitimando os seus direitos dentro desse contexto, estabelecendo relações entre o individual e o coletivo, aprendendo a ouvir, a acolher e a ordenar opiniões, respeitando as diferentes manifestações, com a finalidade de organizar a expressão de um grupo. O teatro tem como fundamento a experiência de vida: idéias, conhecimentos e sentimento. A sua ação é a ordenação desses conteúdos individuais e grupais". Brasil (2001. PCN's, 1º e 2º ciclos. Vol. VI, p.83)

No simples ato de brincar de faz-de-conta, a criança extravasa seu potencial artístico, podendo representar ou recriar a realidade em que vive, ampliando, elaborando e organizando o seu pensamento para compreender o mundo que a cerca, de forma a expressar seus sentimentos, idéias e reflexões sobre a vida.

As dramatizações e representações teatrais oportunizam a criança vivenciar situações que possibilitam a construção do conhecimento e o desenvolvimento de uma expressão ampla, verbal, gestual, enfim, criadora.

Ao imitar, fantasiar na imaginação e na realidade, viver uma história, imaginar-se nela, refletir-se na própria ação, dividir, esperar e reconhecer a ação de um companheiro ou um grupo faz com que a criança cresça intelectual e emocionalmente.

Essa forma lúdica de aprender contribui de modo indelével no amadurecimento da criança, favorecendo a formação da sua identidade e ressaltando a importância dos valores, as conseqüências das atitudes e, acima de tudo, desenvolvendo o espírito de cooperação e a habilidade para se trabalhar em grupo. 

Através dessas atividades, o aluno aperfeiçoa sua dicção e conversação, além de valorizar sua auto-estima e romper com os preconceitos e bloqueios, favorecendo sua inserção no mundo.  Nesse sentido, Almeida (2000), enfatiza a importância de a criança participar da construção dos mais diferentes materiais como, fantasias, máscaras, fantoches, marionetes, e de sua utilização em teatros, dramatizações ou outras representações de sua opção, uma vez que oportuniza a criança a trabalhar com a imitação e a representação, desenvolve sua autonomia e a estrutura de regras de convívio grupal.

As apresentações teatrais e as dramatizações são formas lúdicas que deveriam fazer parte do planejamento do professor, pois oportuniza ao professor trabalhar diferentes tipos de textos, expandir o vocabulário e a escrita dos alunos, identificar e interagir com outras realidades culturais, desenvolver pesquisas e sobretudo pautar um trabalho interdisciplinar abrangendo os temas transversais.

Segundo Costa (2001, p.112), o ensino através das dramatizações

"não pode ser ignorado devido a grande capacidade de compreensão que oferece, bem como o prazer que proporciona às crianças. Além disso, abre a oportunidade de viver certas experiências que conduzirão a um aprendizado mais rápido."

Assim, é oportuno, que ao preparar suas aulas, o professor busque, na medida do possível, oferecer estímulos por meio de textos que incitem as crianças a personificarem seus personagens e dramatizarem a narrativa, outra possibilidade é a de se trabalhar com fantoches, permitindo que a criança brinque livremente, criando suas próprias histórias.

2.5. Música, Dança e Canções

A música é considerada linguagem universal entre as pessoas, é uma forma de comunicação que todos os homens entendem, despertando sentimentos de alegria, euforia, tristeza, saudade, melancolia, agitação, etc.

A arte de dançar e cantar sempre fez parte do meio cultural e das atividades de lazer das pessoas, abrindo as portas da percepção, da diversidade cultural, da inteligência e da apreciação artística. .

Apesar das diferentes formas pelas quais a música e a dança se apresentam no seio da sociedade, elas acompanham os seres humanos em praticamente todos os momentos de sua vida exercendo as mais diferentes funções quer no aspecto social, afetivo ou cognitivo. Desde os tempos mais remotos, a música e a dança sempre estiveram presentes em todas as regiões do mundo e em todas as culturas, ou seja, é uma linguagem universal presente em todas as épocas.

Desde antes do nascimento, o ser humano desfruta dos benefícios da música, ao ser embalado pela suave canção de ninar cantada por sua mãe, o bebê adormece tranqüilo, ao mesmo tempo em que são desenvolvidos os estímulos e gosto pela música. Não só enquanto bebê, mas, todo o seu crescimento é permeado pelas belíssimas canções de roda, que trazem letras, melodias e ritmos bastante lúdicos, envolvendo de maneira coletiva várias brincadeiras, danças e trava-línguas. Tudo do jeitinho que a criança gosta e que lhe é necessário para que aprenda e se desenvolva.

Durante as canções e brincadeiras de roda, a criança tem diante de si uma ótima oportunidade para a socializ

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/a-importancia-do-ludico-no-processo-de-ensino-aprendizagem-5710692.html

    Palavras-chave do artigo:

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    Por: Maria Cristinal Educação> Educação Infantill 18/11/2014

    Aprender com prazer, aprender brincando, brincar aprendendo, aprender a aprender, aprender a crescer: a escola é, sim, espaço de aprendizagem. Assim, é fundamental que cada professor se sinta desafiado a repensar o tempo pedagógico, analisando se ensina o que é de direito para os estudantes e se a seleção de conteúdos, capacidades e habilidades é de fato importante naquele momento.

    Por: Maria Cristinal Educação> Educação Infantill 18/11/2014

    A prática educativa está fortemente relacionada a processos de comunicação e interação entre os seres, que a utilizam para assimilar seus saberes, habilidades, técnicas, valores, atitudes, e, através disso, construir novos saberes. Sendo assim, não se pode reduzir a educação ao simples ato de ensinar e a pedagogia como um conjunto de métodos que possibilita o ensino. Sendo assim, surge um questionamento essencial a todo aquele que quer compreender, viver e fazer pedagogia: quem é o pedagogo?

    Por: Maria Cristinal Educação> Educação Infantill 18/11/2014

    A questão da inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais em todos os recursos da sociedade ainda é muito incipiente no Brasil. Movimentos nacionais e internacionais têm buscado um consenso para formatar uma política de inclusão de pessoas portadoras de deficiência na escola regular.

    Por: Jania Gasques bordonil Educação> Educação Infantill 17/11/2014
    Liamara Lucia de Almeida Cacho

    Nos anos iniciais, a disciplina que trabalha as noções históricas, de espaço e tempo é chamada de Estudos Sociais. Neste período o professor deve transmitir aos alunos noções fundamentais de organização da vida em sociedade, de como se organiza o próprio município, da atuação das autoridades, organizações e hierarquias, noções de respeito e educação cidadã, além dos deveres e direitos humanos.

    Por: Liamara Lucia de Almeida Cachol Educação> Educação Infantill 14/11/2014 lAcessos: 11
    Liamara Lucia de Almeida Cacho

    Como todos já sabem e ouviu-se muito falar, a educação autônoma é a mais viável e satisfatória nos dias de hoje. Com tantas transformações ocorrendo em tempo real, e em nível econômico, político e social, além de cultural também. Com base nisto, quero colocar alguns dos meus pensamentos sobre a educação.

    Por: Liamara Lucia de Almeida Cachol Educação> Educação Infantill 14/11/2014
    Liamara Lucia de Almeida Cacho

    Há tempos busca-se formar integralmente o homem, provavelmente, nenhuma palavra expressa mais essa ideia de formação humana que a palavra, oriunda da Cultura Grega, Paídeia, que exprimia o ideal de desenvolver no ser homem aquilo que era considerado próprio da sua natureza, essa ideia perpassou o humanismo renascentista chegando até aos nossos dias atuais. Diante disso, cabe perguntar: O que significa essa totalização da formação humana? Pode ser definido em um único conceito?

    Por: Liamara Lucia de Almeida Cachol Educação> Educação Infantill 14/11/2014

    A educação inclusiva é voltada de todos para todos, os ditos "normais" e as pessoas com algum tipo de deficiência poderão aprender em conjunto. Uma pessoa dependerá da outra para que realmente exista uma educação de qualidade. A função de separar e classificar os alunos, rotulando-os como menos ou mais capazes, dá lugar a de escolher cada um, valorizando suas potencialidades, sua linguagem, suas diferenças, bem como os instrumentos que ampliam suas possibilidades de aprender, de comunicar e de i

    Por: Darci Martinsl Educação> Educação Infantill 14/11/2014 lAcessos: 13
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