A importância do saber contar histórias na educação infantil

08/02/2012 • Por • 5,634 Acessos

CAPÍTULO I – INTRODUZINDO O CAMINHO DA PESQUISA.

Quando se reflete sobre praticas literárias há de se considerar a relevância da leitura no ambiente escolar. Para cogitar sobre e sugerir práticas e atividades ligadas à literatura, é necessário que se entenda que o educador deverá ser o possibilitador  da leitura de forma prazerosa. O professor deverá ser capaz de estimular ao pré-escolar a curiosidade e pretensão de recorrer continuamente. A propagação da leitura é de tal significância que , deve ser vista como um compromisso a que todos participam do processo educacional.

Os parâmetros curriculares nacionais (2000, p. 64-65), definem como importância da inserção da leitura no ambiente escolar:

  • ampliar a visão de mundo e inserir o leitor na cultura letrada;
  • estimular o desejo de outras leituras;
  • possibilitar a vivência de emoções, o exercício da fantasia e da imaginação;
  • permitir a compreensão do funcionamento comunicativo da escrita: escreve-se para ser lido;
  • expandir o conhecimento a respeito da própria leitura;
  • aproximar o leitor dos textos e os tornar familiares — condição para a leitura

fluente e para a produção de textos;

  • possibilitar produções orais, escritas e outras linguagens;
  • informar como escrever e sugerir sobre o que escrever;
  • ensinar a estudar;
  • possibilitar ao leitor compreender a relação que existe entre a fala e a escrita;
  • favorecer a aquisição de velocidade na leitura;
  • favorecer a estabilização de formas ortográficas.  

Essas habilidades podem se desenvolver por meio da  literatura inserida no cotidiano escolar. O professor deve facilitar o processo de ensino-aprendizagem dos seus educandos e a contação de histórias pode ser uma maneira eficiente  de inserir os conteúdos de forma prazerosa.

1.1 -  Justificativa

A sociedade está um caos, as crianças se tornam adultos imprudentes e sem princípios e muitas as vezes a escola fica estagnada sem saber o que fazer. Entretanto, se analisarmos veremos que a escola tem inúmeras formas de construir conceitos nos seus educandos e o pilar dessa formação deve ser iniciado no pré-escolar.

Os pré-escolares têm um mundo a descobrir e a escola parece um espaço adequado e favorável para isto, e por que não por meio de histórias?

As histórias despertam a imaginação, trabalham a concentração, ensinam princípios, a distinção entre o bem e o mal e muitas situações subjetivas que poderão estar implícitas em situações futuras.

A contação de histórias na educação infantil pode modificar a estrutura social do futuro e formar cidadãos com consciência social e moral capazes de melhorar o mundo violento e conturbado em que estamos inseridos.

1.2 – Situação Problema

            As crianças têm sido criadas sem acreditar na beleza da vida, incapazes de construir uma visão do certo e do errado e muitas vezes ao cresceram não nem noções de princípios e de moral. A família por inúmeras vezes é omissa e não permite aos seus filhos o contato com histórias que trabalhem conceitos e moral, muitas vezes por falta de tempo ou até mesmo por falta de estrutura.

            A escola tem assumido um papel que ultrapassa o espaço de ensino/aprendizagem, tem sido lugar de construção afetiva, parâmetros culturais e sociais e por conta disto deve repensar estratégias para conduzir a formação completa de seus educandos. A contação de histórias é uma alternativa lúdica e construtora para estes alunos que precisam ver o lado bom da vida e construir conceitos.

 1.3 - Objetivos

1.3.1 – Geral

  • Refletir sobre como o professor pode elaborar de práticas lúdicas literárias quês estimulem o processo de ensino-aprendizagem e de formação da personalidade e dos princípios dos seus educandos.

1.3.2 – Específicos

  • Analisar a importância da professora saber contra histórias na pré –escola.
  • Identificar a função da contação de histórias para a formação da moral e construção da personalidade.
  • Refletir como o professor pode elaborar práticas lúdicas que estimulem o processo de interesse dos educandos pela literatura.

1.4 – Metodologia

A pesquisa monográfica foi elaborada com um estudo de cunho bibliográfico que possibilitou a compreensão dos métodos que podem aprimorar a prática educadora na educação infantil com base na literatura.

Como referencial teórico foi utilizado trabalho de autores renomados no âmbito, como ABRAMOVICH, BETTELHEIM, FARIA e FREIRE.

Para o referencial teórico transcorrer de forma organizada, fácil e lógica para leitura a organização do estudo foi feita através de fichamento, leitura de livros, textos, periódicos pesquisados, além da prévia estruturação dos capítulos e análise bibliográfica.

 Capítulo II - A Importância Do Saber Contar Histórias Na Educação Infantil

"O ouvir histórias pode estimular o desenhar, o musicar, o sair, o ficar, o pensar, o teatrar, o imagiar, o brincar, o ver o livro, o escrever, o querer ouvir de novo (a mesma história ou outra). Afinal, tudo pode nascer dum texto!" (ABRAMOVICH, 1995, p. 23)

O advento globalização trouxe mudanças consideráveis na sociedade como um todo, a tecnologia de ponta substituiu muitos hábitos. A tv, os computadores, os videogames e tantas mídias tomaram lugar do bom e velho livro.

Muitos não vêem o porque de ler um livro, se há possibilidade de ouvir a mesma história em um áudio-livro, ou assisti-la em filme em um tempo bem reduzido. Ler passou a ser uma obrigação, muitos só lêem quando há necessidade escolar e mesmo assim, inúmeras vezes substituem a leitura da obra na íntegra, por uma resenha on-line.

A escola cotidianamente vem perdendo o seu papel como estimuladora da literatura para os educandos, já não há mais o uso contínuo de livros paradidáticos e muito menos avaliações da leitura.

A leitura dever ser cultivada desde a primeira infância. É muito importante quando a mãe conta histórias para o seu filho ainda bebê, pois mesmo sem interagir ou entender, este vai se sentindo confortável e concentrado, até o momento ao qual passa a ter entendimento do contexto criando prazer e admiração pelas histórias.

O alicerce para o interesse da literatura deve ser na educação infantil, onde o professor deverá criar meios para que os alunos possam se ambientar com as histórias, meios como o acesso e manuseio a livros, contação de histórias, encenação, introdução de princípios a partir dos contos, entre outros.

As histórias podem ser contadas com recursos variados para que o aluno possa interatuar com o meio e criar gosto pela leitura, como a utilização de fantoches, dedoches, reprodução do texto com artesanato, encenação...

A partir da literatura a criança começa a entender os princípios e os fatos sociais, despertam o sentido fático, se emocionando e criando expectativas com o texto.

"É através duma história que se podem descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica...É ficar sabendo História, Geografia, Filosofia, Política, Sociologia, sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula...".( ABRAMOVICH, 1995, p. 17).

Quando as histórias passam a ser arquivados na memória, propiciam aos educandos a comparação com a sua própria experiência, mesmo quando eles não estão conscientes de notar semelhanças. 

A necessidade de se criar o gosto pela leitura trará sim imensos benefícios que tornarão o indivíduo agente ativo no processo de interação, socialização, criatividade e etc. Logicamente que isso deve se dá através da diversificação das atividades desenvolvidas no processo de ensino e aprendizagem.

 A exposição à leitura das histórias no núcleo familiar durante a pré-escola, proporciona a muitas crianças ao sucesso escolar e ampliam um interesse lúdico com respeito às atividades de leitura e escrita, exercitadas pelos adultos que a rodeiam.

O aprendizado da leitura se dá a partir das experiências pessoais, devemos, entretanto ir além deste contexto individual. A curiosidade é impulsionada do processo de aprendizado, vindo a se transformar em necessidade e esforço para "alimentar" o imaginário, desvelar os mistérios do mundo e permitir ao leitor desenvolver um auto-conhecimento através de como e o que lê. O processo de leitura acontece, coletando experiências na medida em que se organizam os conhecimentos adquiridos, se estabelece as inter-relações entre essas experiências e no processo de resolução dos problemas que se nos apresentam. "A leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquela." (FREIRE, 1982).

2.1 – Competências de leitura

De acordo com Faria apaud Poslaniee & Houyel (2009, p.18), " a formação do leitor na infância não pode prescindir de determinadas competências ligadas à compreensão do texto e conseqüentemente, à satisfação que este pode proporcionar à criança".

Há duas fontes de competência para propiciar da satisfação da criança, sendo:

1)   As que as crianças já têm como bagagem, antes mesmo de obterem contato com o espaço escolar;

2)   As que a criança adquire na escola ou em atividades de leitura, como visitação a bibliotecas ou a centros culturais.

Para Faria apud Poslaniee & Houyel (2009, p.18 -19), existem quatro competências que as crianças têm antes da alfabetização:

a)    Domínio da língua oral;

b)    Domínio da capacidade abstrata de associar;

c)    Conhecimento sobre objetivos da literatura;

d)    Conhecimento intuitivo de que ler é compreender.

A partir do ingresso da criança a escola, há a ampliação das competências anteriores à alfabetização a partir da introdução de aspectos literários, tais como narrativas de livros infantis e vivência a partir de histórias.

O texto literário desenvolve a competência da abstração, visto que todas as experiências vividas pelos educandos são simbólicas e por isso devem ser imaginárias. Outra competência que o texto literário pode desenvolver é a capacidade de dedução, principalmente em textos que deixam lacunas abertas, para serem resolvidas ao longo do contexto.

De acordo com Faria (2009, p;21):

Todo livro oferece ao leitor uma complexidade – maior ou menor – para destrinchar; e o leitor é também portador de uma complexidade – mais ou menos grande – no ato da leitura. Se a complexidade do livro é menor do que a dor leitor, este se aborrecerá. Ao contrário, se o livro é muito complexo para a complexidade do leitor, este só utilizará certos aspectos, ou não chegará a entra no livro.

É muito importante que o próprio professor tenha uma formação literária básica, para que possa elaborar suas aulas, introduzir os conteúdos e escolher os livros que irá trabalhar e quais competências pretende desenvolver com aquele tipo de literatura e para isso há algumas etapas essenciais ao planejamento e execução das atividades que desenvolvem as competências  de leitura e escrita, como:

1)    PREMATURIDADE DE LEITURA

  • Levantamento de presunção, alusão;
  • Conhecimento anterior;
  • Exploração do título, do autor, do assunto, imagem.

2)    EXPOSIÇÃO E LITERATURA TEXTUAL

  • Contato com o texto;
  • Verificação das proposições levantadas;

3)    ESTUDO LÉXICO

  • Significação das palavras desconhecidas, sinônimos, antônimos;
  • Diferentes significados expressos na mesma palavra;

4)    ABRENGÊNCIA

  • Busca de informações e dados que estão presentes, de forma explícita ou implícita, nos textos, permitindo o melhor entendimento dos mesmos.

5)    INTERPRETAÇÃO

  • Envolve o conhecimento de mundo, as inferências e opniões que vão além do texto.

6)    ESCRITA TEXTUAL

  • Deve ser realizada sempre a partir de uma situação real de comunicação, permitindo ao aluno inserir-se no contexto do enunciado escrevendo, portanto, não apenas para o professor.

A partir do conhecimento de toda a estrutura responsável pela construção das competências e aplicação destas na prática, o professor obterá sucesso na aplicação das práticas literárias, conquistando o que almeja para os seus educandos.

Capítulo III – A função do conto de fada na construção da personalidade e dos princípios morais no educando.

Os contos de fadas abordam inúmeros aspectos da personalidade infantil, que são essencial para a formação de uma boa estrutura psicológica, pois a partir destes a criança aprende a lidar com problemas.

A literatura de conto de fadas ajuda aos professores a entenderem o pensamento das crianças e ajudá-las a solucionar seus conflitos interiores.

É muito comum que o pré-escolar possua um pensamento imaginário e mágico bem parecido com os contos de fada, talvez seja por isso que o entendimento destes contos seja claro e interessante.

O mais interessante é que todo conto tem uma formação moral imbutida no seu contexto, como "O Patinho feio", onde as crianças aprendem que não devem ter preconceito nem julgar as pessoas pelas aparências, ou mesmo, a "Chapeuzinho Vermelho", que ensina que não se deve falar com estranhos, nem desobedecer os conselhos dos pais.

"(…) O conto de fadas é a cartilha onde a criança aprende a ler sua mente na linguagem das imagens, a única linguagem que permite a compreensão antes de conseguirmos a maturidade intelectual". Assim, cada criança, [...] procurará no conto de fadas, um significado diferente de acordo com as suas necessidades e interesses em cada fase de sua vida. Os contos de fadas falam: de medos (Chapeuzinho Vermelho); de amor (A Pequena Sereia); da dificuldade [...] (Peter Pan); de carências (Joãozinho e Maria); de autodescobertas (O Patinho Feio); e de perdas e buscas (O Gato de Botas).(BETTELHEIN, 1990, p.197)

Todas estas histórias que estão inseridas no crescimento de todas as crianças vão ajudando a construir princípios e a formação do próprio eu da criança.

Ler histórias para crianças é poder sorrir, rir, gargalhar com as situações vividas pelas personagens, é suscitar o imaginário, é ter curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, é encontrar idéias para solucionar questões. É uma possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivemos e atravessamos.

O desígnio dos contos de fada é um tipo de abertura para novas descobertas, de um universo novo e extraordinário, mais próximo da realidade infantil do que da realidade natural.

ABRAMOVICH (1997, p16) ressalta "(…) Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias... escutá-las é o início da aprendizagem para ser leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo...". Podemos, assim, começar a compreender a importância da Literatura Infantil no desenvolvimento cognitivo das crianças. Ser leitor é o meio para conhecer os diferentes tipos de textos, de vocabulários. É uma forma de ampliar o universo lingüístico. Para o "contador" de histórias, cabe o prazer de interagir com a leitura ao mesmo tempo em que oportuniza este prazer para os seus ouvintes, como reafirma AROEIRA (1996, p 141) "(…) Contar histórias é uma experiência de grande significado para quem conta e para quem ouve".

Por meio dos contos as crianças resolvem suas dúvidas interiores e a solucionarem problemas que aparentemente para eles não havia solução. O conto de fada demonstra que para todo problema existe uma solução alcançável, talvez não da forma esperada, mas da forma que propicie o desdobramento do martírio.

"Os contos de fadas mantêm uma estrutura fixa. Partem de um problema vinculado à realidade (como estado de penúria, carência afetiva, conflito entre mãe e filhos), que desequilibra a tranqüilidade inicial. O desenvolvimento uma busca de soluções, no plano da fantasia, com a introdução de elementos mágicos. A restauração da ordem acontece no desfecho da narrativa, quando há uma volta ao real. Valendo-se desta estrutura, os autores, de um lado, demonstram que aceitam o potencial imaginativo infantil e, de outro, transmitir à criança a idéia de que ela não pode viver indefinidamente no mundo da fantasia, sendo necessário assumir o real, no momento certo". AGUIAR, Vera Teixeira de. Era uma vez (contos de Grimm). Porto Alegre, Kuarup.1990.

De acordo com BETTELHEIM, 2004, p-20:

"Enquanto diverte a criança, o conto de fadas a esclarece sobre si mesma, e favorece o desenvolvimento de sua personalidade. Oferece significado em tantos níveis diferentes, e enriquece a existência da criança de tantos modos que nenhum livro pode fazer justiça à multidão e diversidade de contribuições que esses contos dão à vida da criança". ().


Capítulo IV – O professor como elaborador de práticas lúdicas literárias que estimulem o processo de ensino-aprendizagem do aluno.

Obviamente, o professor que objetiva o oferecimento de uma educação que prepare seus alunos para a vida, faz com que a sala de aula possa ser um ambiente de produção de aprendizagens significativas.

A contação de histórias de forma correta, coopera para que as crianças alarguem suas habilidades consideradas importantíssimas para sua vida pessoal e estudantil.

A leitura é uma forma de favorecer a remoção de barreiras educacionais, principalmente através da promoção do desenvolvimento da linguagem e do exercício intelectual, aumentando a possibilidade de normalização da situação pessoal de um indivíduo.

De acordo com entrevista dada à revista Nova Escola, pela escritora, Ana Maria Machado (2001), "Dois fatores levam uma criança a gostar de ler:curiosidade e exemplo.Por isso, é fundamental o adulto mostrar interesse."

Ao adentrar no mundo escolar, a leitura não mais se realizará como na família, devendo sofrer modificações que são vitais para o desenvolvimento da aprendizagem.

A partir deste momento o professor inicia a inserção das histórias em seus conteúdos de forma interdisciplinar e dinâmica.  Na educação infantil, o professor deve trabalhar a literatura principalmente para a construção de conceitos, conhecimento do mundo que os cerca e no início da aquisição da leitura e da escrita.

O professor deve valorizar a idéia que a criança, quando ouve histórias de seu interesse, começa a fazer associações e relações destas com fatos e situações cotidianas, ou seja, o ato de contar histórias possibilita que a criança tenha uma maior e melhor compreensão do mundo, facilitando e proporcionando a si o desempenho de papéis sociais de forma autônoma e crítica.

O contador deve fazer uma leitura expressiva para fim de estimular na criança a espontaneidade, o encantamento e o gosto pela leitura. O professor ao contar histórias, durante sua prática educativa, deve atuar como um agente formador de alunos leitores, proporcionando e permitindo que eles se tornem sujeitos ativos e responsáveis pela construção de seus conhecimentos.

"A construção da leitura na sala de aula merece cuidados especiais por parte do professor. O livro de literatura é um objeto de arte com características particulares oriundas de uma experiência criadora. Enquanto arte da palavra, o texto literário semeia diversos sentidos na busca de um cultivo plural de leituras. Cabe a cada leitor a cultura desse solo criativo de descampado feitio. O ato de ler atualiza esse processo revelador da arte da palavra desenvolvendo a expressão do sujeito leitor numa dimensão crítica-reflexiva. É dentro dessa perspectiva, então, que a prática leitora do livro infantil deve se manifestar no convívio da sala de aula." (MIGUEZ, Fátima. Nas arte-manhas do imaginário infantil: o lugar da literatura na sala de aula. Rio de Janeiro: Zeus, 2000, p. 15)

O espaço de exploração da leitura para ser eficaz deve ter outras atividades que estimulem o prazer de seus alunos, tais como pintura, desenho, recontagem de histórias de forma teatral, construção de personagens com massinha, papel cartão, tecido entre outras atividades prazerosas.

Portanto, avalizar a fortuna da experiência narrativa desde os primeiros anos de vida da criança contribui para o desenvolvimento do seu pensamento lógico e também de sua imaginação,que segundo Vigotsky (1992, p.128) caminham juntos: "a imaginação é um momento totalmente necessário, inseparável do pensamento realista.". Neste sentido, o autor enfoca que na imaginação a direção da consciência tende a se afastar da realidade. Esse distanciamento da realidade através de uma história por exemplo, é essencial para uma penetração mais profunda na própria realidade: "afastamento do aspecto externo aparente da realidade dada imediatamente na percepção primária possibilita processos cada vez mais complexos, com a ajuda dos quais a cognição da realidade se complica e se enriquece. (VIGOTSKY, 1992, p.129) ".

4.1 - O papel do professor como formador de leitores nas séries iniciais

O professor nas séries iniciais, assim com a escola deve principalmente formar leitores. Considerando a leitura na escola, percebe-se a diferença entre o aluno leitor e o não leitor, assim como, qual iniciou seu processo de leitura na pré-escola e o que fez tardiamente no final do ensino fundamental ou durante o ensino médio.

Atualmente pode-se notar que a escola tem falhado em desenvolver o lado lúdico da leitura, o que contradiz as propostas pedagógicas que estão em alta e que apresentam como proposta uma educação transformadora e criativa. Contudo, para que estas propostas pedagógicas tenham êxito é indispensável que haja investimentos da escola e do professor para formação dos leitores e que se trilhe o caminho do lúdico na literatura infantil.

A literatura infantil é uma forma de manifestar sentimentos e palavras, que transporta a criança ao alargamento cognitivo e da personalidade , atendendo sua necessidades e aumentando sua capacidade crítica.

A leitura tem como faculdade de instigar ou provocar o imaginário, e satisfazer as necessidades voltadas para as dúvidas em relação ao mundo.

O ato de ouvir histórias vai além do prazer, pois é através deste que a criança pode conhecer coisas novas, para que efetivamente sejam iniciados a construção da linguagem, da oralidade, idéias, valores e sentimentos, ao quais ajudará na sua formação pessoal e na sua leitura de mundo, que é o primeiro contato de leitura construída por uma criança.

Entretanto, há um desacerto entre as reais condições da escola e o que ela pretende efetuar. Por isso a educação qualitativa exige o envolvimento de todo âmbito escolar; sobretudo do professor que deve ser um leitor com conhecimento amplo e disposto a usar de metodologias que atraiam o aluno a leitura e direcionem seus interesses a mundo da literatura.

A escola deve esclarecer aos seus professores sobre a importância da literatura e de como utilizá-la e assim, faz-se necessário um processo de conscientização da equipe pedagógica a cerca desse assunto.

O professor deve ter claro que a literatura é explorar o lúdico, fantasia, imaginação e principalmente o questionamento, fatores estas que estarão enriquecendo o ato de ler.

Nas trilhas do mesmo entendimento, Souza (1992) afirma:

Leitura é, basicamente, o ato de perceber e atribuir significados através de uma conjunção de fatores pessoais com o momento e o lugar, com as circunstâncias. Ler é interpretar uma percepção sob as influências de um determinado contexto. Esse processo leva o indivíduo a uma compreensão particular da realidade.

A qualidade do uso da literatura pode tornar-se uma forte aliada do professor, para fazer seus pré-escolares a compreenderem o mundo real, assim como o aprendizado seja ele escrito ou oral.

 O professor que deseja executar uma proposta que transforme o rumo da educação deve compreender a importância da literatura para os alunos. Além disso, ele deverá desempenhar a condição de auxiliar; no dialogo entre o texto e o aluno, para que ambos possam dominar e conhecer o respectivo texto e realizarem uma condição de troca de experiências e entendimentos.

O pré-escolar deve vivenciar o gosto pela literatura de forma lúdica e prazerosa e para isso, a função do educador deve ir além de decifrar códigos e símbolos, este tem que ajudar o aluno a compreender e decifrar códigos e símbolos, e também, a compreender e interpretar a leitura não apenas dos conteúdos, mas do mundo que o cerca.

A partir do entendimento do que é concreto, o pré-escolar passará a ter a interpretação dos textos a partir da abstração do que lhe é contado.

O professor, ao expor a literatura ao aluno, deve instigá-los a formulação de postura critica a cerca do que aprende e a expressar seu ponto de vista no que diz respeito à interpretação de obras literárias.

A escola tem um papel fundamental para garantir o contato com livros desde a primeira infância: manusear as obras encantar-se com as ilustrações e começar a descobrir o mundo das letras.

Mesmo antes de aprender a ler,as crianças devem ser colocadas em contato com a literatura.  Ao ver um adulto lendo, ao ouvir uma história contada por ele,ao observar as rimas (num poema ou numa música), os pequenos começam a se interessar pelo mundo das palavras.

É o primeiro passo para se tornarem leitores Literários, percurso que vai se estender até o fim do Ensino Fundamental.

Considerações finais

A partir do estudo da pesquisa desenvolvida pude constatar através das teorias dos autores estudados, que o ato de contar histórias, é sem dúvida, uma atividade que oportuniza ao aluno a realização das tarefas de leitura e escrita com mais qualidade.

O livro infantil de qualidade tal como a prática planejada e aplicada de contação de historias insere na criança ao conhecimento de mundo e sua capacidade de fazer associações e inferências.

Faz-se adequado e necessário que toda escola tenha seu projeto de leitura, embasado, por questões que façam com que haja a ampliação de capacidade de compreensão e interpretação de conteúdos.

Os livros qualitativos têm como características a apresentação de uma linguagem cuidadosa e com valor ético. Eles por muitas vezes propõem trocadilhos, metáforas, provérbios, parlendas e jogos sonoros – construções estas que, quando observadas e decodificadas contribuem para a formação do repertório literário do leitor da educação infantil.

O educador deve perceber a pertinência temática, a proposta poética e a construção da narrativa, tal como o cenário, dos personagens para aplicar os contos, ou histórias para a aplicação das atividades , seja na sala de aula,, ou mesmo na biblioteca escolar.

 Com tal análise, foi possível ver, através das teorias dos autores estudados e das concepções das pessoas que colaboraram para esta investigação, que o ato de contar histórias é, sem dúvida, uma atividade que oportuniza ao aluno a realização das tarefas de leitura e escrita com mais qualidade.

Referências bibliográficas

ABRAMOVICH, F. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1997.

AGUIAR, Vera Teixeira. Era uma vez...na escola: formando educadores para formar leitores. Belo Horizonte: Formato, 2001.

BETTELHEIM, B. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.

FARIA, M. A. Como usar a literatura infantil na sala de aula. 5 ed. São Paulo. Contexto: 2009. (Como usar na sala de aula).

FREIRE. Paulo. A importância do ato de ler( em três artigos que se completam). São Paulo, Autores Associados/ Cortez, 1982

Nova Escola, Fala Mestre - Edição Nº 145, Setembro, 2001.

MIGUEZ, Fátima. Nas arte-manhas do imaginário infantil: o lugar da literatura na sala de aula. Rio de Janeiro: Zeus, 2000, p.15.

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: língua portuguesa Secretaria de Educação Fundamental. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

SOUZA, Renata Junqueira de. Narrativas infantis: a literatura e a televisão de que as crianças gostam. Bauru: USC, 1992.