A Ludicidade em sala de aula

28/07/2010 • Por • 980 Acessos

"Brincar com as crianças não é perder tempo, é ganhá-lo".

(Carlos Drummond de Andrade)

A ludicidade  transita livremente entre o mundo interno e o mundo real,  deixando transparecer temporariamente a realidade.

Muitos educadores ficam indecisos entre brincar e estudar, alguns  educadores da Educação Infantil por muitas vezes , não tem  a responsabilidade com a parte pedagógica ,promovendo apenas o brincar . Outros porém das series subseqüentes só  conseguem promover o estudar, tornando as aulas maçantes sem usarem a criatividade.

Fazendo uma análise mais detalhada através de observações feitas em Instituições de Ensino, temos presenciado   práticas pedagógicas onde não há brinquedos, áreas de lazer  e momentos para brincar na escola. O educador não interage com o educando, em brincadeiras dirigidas, quando propõem alguma brincadeira (uma raridade) esta é totalmente separada das atividades escolares transformando esse dia em um dia de "recreação".muito esperado pelos alunos.E, assim mesmo, apenas nas escolas infantis e séries Iniciais pois nas séries  de ensino fundamental o brincar foi esquecido, já que os alunos precisam ir para escola para estudar , não para brincar, lugar de brincar é em casa, mantendo o brincar  sob controle, brincando se sobrar tempo ou na hora do recreio quando o tempo passa voando, entre o momento de lanchar e descansar para retomarem aos estudos, e mesmo que esta não seja, a priori, uma atividade lúdica, representa um momento prazeroso diferenciado das tarefas tipicamente escolares, onde um gesto de espontaneidade é possível.

E assim as crianças vão passando o ano sem sentirem prazer em estudar tornando o estudo como uma forma de opressão, onde todos, professores e alunos permanecem como se estivessem em uma panela de pressão prestes a explodir.

Por outro lado, quando defendemos o lúdico não significa negligenciar a responsabilidade sobre o ensino, a aprendizagem e o desenvolvimento do educando. Como nos fala  Dolto, (1999:109) " as crianças necessitam de limites para sentirem-se em segurança, mas de limites que se devem apenas ao perigo real que suas transgressões implicariam para a integridade de seu organismo ou a dos outros".

Esses limites são essenciais  para a construção do senso de realidade, e os educadores deveriam conciliar o lúdico e a responsabilidade com a parte pedagógica, transformando suas aulas em momentos de prazer, tudo bem dosado, dessa forma  os interesses dos alunos aumentariam e os resultados seriam mais satisfatórios.

Ainda existe muita indagação por parte dos educadores a respeito da aprendizagem do aluno, mas percebemos que muitos não avaliam sua prática no dia a dia.  Muitos ainda não conseguiram quebrar paradigmas e atualizarem-se, ainda estão no tempo em que o aluno faz o que o professor manda.

Entretanto sabemos que essa prática não funciona mais, a relação professor-aluno precisa mudar onde professores ensinam aprendendo e aprendem ensinando pois os alunos tem muito com o que contribuírem.

Quando pensamos que estamos perdendo tempo ao brincar com as crianças em sala de aula, estamos redondamente enganados, elas tem uma capacidade inventiva muito aflorada, e com isso uma facilidade de assimilação quando através de uma brincadeira surgimos com temas ou conteúdos que desejamos que eles apreendam e não decorem.

Uma aula para ser lúdica  deve ter  atividade livre, criativa, imprevisível, pois assim é o brincar,  capaz de absorver a pessoa que brinca, não centrada na produtividade. E se ficarmos centrados somente na produtividade, voltaremos à estaca zero.

Perfil do Autor

Luci

ALVES, Lucimar sou Pedagoga formada pela Faculdade EDUVALE de Jaciara-MT, Pós-Graduada em Avaliação do Ensino e Aprendizagem pela...