Alfabetização: dificuldades dos anos iniciais

04/06/2013 • Por • 214 Acessos

INTRODUÇÃO

 O Artigo Científico tem como objetivo finalizar toda nossa etapa de estágios e práticas desenvolvidas no campo escolar e salas de aulas, onde durantes este períodos nos deparamos com dificuldades da aprendizagem nos anos iniciais, nos depararmos com queixas de que uma criança, ao final da alfabetização, escreve, mas não lê, apresentam dificuldades na escrita e principalmente leitura, torando-se muitas vezes totalmente dependentes do professor para realizar esta, por eles, o que implica mais tarde em alunos com grandes dificuldades de interpretação de texto e tantas outras matérias, uma vez que a leitura e a interpretação adequada refletem diretamente na educação das crianças e jovens. Assim devido tal problemática levou-nos a escolha do tema: Alfabetização: Dificuldades dos Anos Iniciais. Com embasamento na Psicologia Cognitiva e nos estudos do Letramento, o artigo tem como objetivo apresentar um estudo sobre a dicotomia da aprendizagem da leitura e da escrita inicial. Primeiramente, faz-se uma revisão do embasamento teórico sobre a aprendizagem da escrita, posteriormente dos processos de leitura e seguindo, faz-se uma análise das dificuldades iniciais que envolvem a não-aprendizagem da leitura.

  Ao se propor o presente artigo, acreditamos que se pode contribuir de forma bastante significativa para a superação das dificuldades de aprendizagem apresentadas por crianças nas series iniciais. Acreditamos que para a superação dos problemas do ensino para crianças faz necessário um estudo sobre as dificuldades do ensino nas series iniciais investigar sobre as teorias de aprendizagem e colocá-las em prática, conhecendo as individualidades de cada criança e desenvolvendo estratégias de ensino que atuem de forma dinâmica e eficiente para o aprendizado do educando.

  O presente trabalho foi baseado nas práticas e atividades realizadas no período de Estágios Supervisionado e principalmente em um estudo Bibliográfico fundamentado em literaturas de bases especificas a respeito do tema abordado tais como livros, artigos, teses e dissertações de autores especialistas e específicos da área como: Coelho, Ferreiro, Moll, Zilberman.

OS DESAFIOS DA ALFABETIZAÇÃO

 A aprendizagem e a construção do conhecimento são processos naturais e espontâneos do ser humano que desde muito cedo aprende a mamar, falar, andar, pensar, garantindo, assim, a sua sobrevivência. Com aproximadamente três anos, as crianças são capazes de construir as primeiras hipóteses e já começam a questionar sobre a existência. A aprendizagem escolar também é considerada um processo natural, que resulta de uma complexa atividade mental, na qual o pensamento, a percepção, as emoções, a memória, a motricidade e os conhecimentos prévios estão envolvidos e onde a criança deva sentir o prazer em aprender (COELHO, 1997).

 A aprendizagem escolar é considerada um processo natural da criança, porém observarmos durante nosso período de estágio que muitos alunos sentem grandes dificuldades nas séries iniciais do Ensino Fundamental com relação à leitura e à escrita.

 Segundo FERREIRO (1993), os professores partem do pressuposto de que enquanto a criança não domina a leitura e a escrita, é necessário que eles como profissionais educadores conduzam a leitura ate que o educando possua autonomia para também ler de forma a expandir seus horizontes na construção do conhecimento.

 Existem diversas técnicas e formas de se iniciar a leitura e a escrita no processo de alfabetização. No entanto muitos educadores se mantêm convictos de que a alfabetização só ocorre através da decodificação das famílias silábicas (GUERRA, 2002).

 Sendo assim nos como profissionais da educação devemos compreender que a alfabetização não é um processo baseado em perceber e memorizar e, para aprender a ler e escrever, o aluno precisa construir um conhecimento de natureza conceitual: ele precisa compreender não só o que a escrita representa, mas também de que forma ela representa graficamente a linguagem, como cita ZILBERMAN (1985):

 "A criança é vista como um ser em formação cujo potencial deve se desenvolver a formação em liberdade, orientando no sentindo de alcance de total plenitude em sua realização" (p. 27).

 Só um avanço contínuo no sentido de se criar novas propostas e de pensar na importância do letramento, impedirá que a criança chegue ao 4° ou 5° ano sem saber ler e escrever. Um bom caminho para crianças que tem dificuldade de aprendizagem, de acordo com a proposta do letramento, seria contemplá-las com aquilo que elas não fazem uso dentro de seu meio social. Um exemplo é inserir em uma comunidade carente livros, revistas, jornais, material impresso de todo tipo de leitura que será apresentada às crianças e as mesmas farão uso daquela que mais se identifica e tem sentido para ela (GANÉ, 1975).

 MOLL (1996) afirma que:

 "A criança que vive num ambiente estimulador vai construindo prazerosamente seu conhecimento do mundo. Quando a escrita faz parte de seu universo cultural também constrói conhecimento sobre a escrita e a leitura. Ler é conhecer. Quando mais tarde ela aprender a ler a palavra, já enriquecida por tantas leituras anteriores, apropriar-se á de mais um instrumento de conhecimento do mundo (p.69)."

 Um dos elementos imprescindíveis à alfabetização é o processo de compreensão do funcionamento do sistema de escrita, ou seja, para se apropriar dessa linguagem é preciso pensar sobre ela e compreendê-la.

 Há um provérbio chinês que diz: "Só se aprende Praticando", ou seja, a forma de aprendizagem se dá de forma diferente para cada aluno cada qual com suas dificuldades individuais sendo assim nos professores devemos estar atentos quanto o processo de aprendizagem, tentando descobrir novas estratégias, novos recursos que levem a criança ao aprendizado.

 Consciente do nosso papel no processo de alfabetizar, o educador pode realizar um trabalho de ação pedagógica com enfoque no desenvolvimento e construção da linguagem. Ao deixar de lado uma metodologia imposta por uma cartilha e partindo da leitura de mundo das crianças, o educador passa a medir e participar no processo espontâneo de conceituação da língua escrita (GANÉ, 1975).

 Há muitas formas de se dar a alfabetização. Inseri-las para o benefício do aluno é o nosso dever fundamental.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 Conclui-se que nos como futuros professores devemos respeitar as dificuldades apresentadas nas crianças, respeitar o ritmo de cada criança. Pois o professor precisa ter idéias claras a respeito do que significa assumir um ou outro comportamento metodológico no processo escolar. É fundamental saber tirar todas as vantagens dos métodos, bem como conhecer as limitações de cada um.

 A realização de novas propostas de alfabetização se concretiza através da interatividade entre professor e aluno como sujeitos de uma prática cooperativa instaurada na ação e na reflexão que ambos exercem sobre o objeto do conhecimento a ser desvelado.

 Faz-se valido ressaltar que o importante não são cartilhas, cargas horárias e conteúdo curricular "exigido" e sim um bom ensino e aprendizado para as crianças de forma que elas aprendam e não apenas decorem uma determinada matéria, de forma que coloquem em pratica os conhecimentos adquiridos dentro do âmbito escolar tornando-se cidadãos autônomos e capazes de interagir com qualquer objeto de seu conhecimento.

REFERÊNCIAS BIBLÍOGRAFICAS

  COELHO, M. T. e ASSUNÇÃO, J. E. Problemas de Aprendizagem. São Paulo: Ática, 1997.

  FERREIRO, Emília. Com todas as letras. Editora Cortez. São Paulo. 1993.

  GUERRA, L.B. A criança com dificuldades de aprendizagem. Rio de Janeiro: Enelivros, 2002.

  MOLL, Jaqueline. Alfabetização possível: reinventando o ensinar e o aprender. Porto Alegre: Ed. Mediação, 1996.

  ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 1995.