As estruturas afetivas e a socialização

Publicado em: 29/03/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 458 |

Até os dois anos, aproximadamente, as emoções e os sentimentos gerados do contato do bebê com a mãe são concentrados no próprio corpo da criança, constituindo esquemas afetivos e globais.

À medida que o corpo infantil se separa do corpo das outras pessoas ("eu" - "outro"), ocorre entre eles trocas que embora não sejam genuinamente sociais, fazem com que a vida afetiva se descentre do bebê e transfira para os outros.

Segundo Wadsworth (1998, p.74)  através da  teoria de Piaget  "o individuo não é um ser social ao nascer, mas torna-se progressivamente social". De um modo geral, todo recém nascido encontra um meio social com o qual interage. Inicialmente, as suas respostas ao meio limitam a reações reflexas e, enquanto tais, não são sociais. Já vimos que durante os dois primeiros meses de vida o bebê começa a fazer diferenciações no meio (como no ato do reflexo de sugar) e a estabelecer intercambio ativos com os pais. 

Alguns teóricos argumentam que existe um "instinto social" herdado, e explica a universalidade do comportamento social. Piaget acredita não ser este o caso, mais acredita que as crianças tornam-se sociais, progressivamente no decorrer dos anos: "o comportamento do bebê é condicionado desde o início por fatores sociais". Piaget entende que o desenvolvimento social age sobre o desenvolvimento cognitivo e afetivo, à medida que a criança estabelece intercâmbios com o meio social. Como o desenvolvimento afetivo não é separado do desenvolvimento cognitivo, o desenvolvimento social não é separado do desenvolvimento cognitivo e afetivo. O conhecimento social é construído pela criança á medida que ela interage com os adultos e com outras crianças. 

Em relação aos sentimentos interindividuais com o domínio da noção do objeto permanente, há uma separação do "eu" corporal em relação ao outro, dando início a um sistema de trocas sociais e afetivas. Essas trocas, porém, não são genuinamente sociais, pois são calcadas, sobretudo, na imitação de gestos.

Portanto, a imitação do ato da mãe de tocar o rosto do bebê gera-lhe prazer e leva a criança a repetir os gestos na própria mãe. Por isso, nesta fase, ocorre mais trocas de ações do que de intenções. Embora tais afetos possam ser evocados juntamente com a imagem da mãe, são pouco duradouros.

Em se tratando dos sentimentos intra-individuais a criança começa a valorizar a si mesma a partir dos sucessos e fracassos de suas próprias ações. Na aprendizagem do ato de andar, por exemplo, experimenta prazer e sucesso e fracassos ao conseguir dar vários passos, sem uma queda. A autovalorização gera maior confiança em si e facilitará o prosseguimento da aprendizagem.

A criança inicia a autodesvalorização ao experimentar impressões desagradáveis, decorrentes dos insucessos ou das quedas. Isto repercutirá no processo de aprendizagem, levando-o a um retardamento.

A regra motora, em seus primórdios, confunde-se com o hábito. Este abrange uma seqüência de ações que, ritualizadas e cristalizadas, conduzem a uma adaptação, como o ato de andar por exemplo.

Para Piaget, citado por Rodrigues (2001, p.37) um hábito se se transforma em regra quando há consciência da regularidade na sucessão das ações, acompanhada do sentimento de obrigatoriedade. Isto  só ocorre quando existe uma oposição, à realização das seqüências de ações e, especialmente quando o individuo sai de si mesmo para conviver com o outro. Em outras palavras, a criança, ao nascer, não é boa nem má do ponto de vista intelectual ou moral, mas é "dona" do seu "destino". 

Segundo Rodrigues (2001, p.24), o bebê só toma conhecimento de um objeto levado à sua boca em função das sensações gustativas ou sinestésicas experimentadas. Também não tem conhecimento das pernas, braços, mãos, como domínio de seu próprio corpo. As mãos chegam a provocar susto ao atingirem ocasionalmente o seu rosto.

Naturalmente, de acordo com o tempo, esses atos assimilativos reflexos sofrerá pequenas alterações.

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/as-estruturas-afetivas-e-a-socializacao-4500050.html

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    afetividade

    ,

    socializacao

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