BRINCADEIRAS E JOGOS NO PARQUE

Publicado em: 12/05/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 7,569 |

Os espaços do parque sempre existiam nas instituições de educação infantil, mas suas funções e objetivos têm conotações diferentes em função da evolução das propostas pedagógicas e do lugar que a brincadeira ocupa no desenvolvimento da criança. Durante muito tempo, a brincadeira no parque esteve associada à necessidade da criança de extravasar energias contidas na sala de aula ou desencadear do trabalho pedagógico. A utilização do espaço externo acontecia à margem do processo educacional, por isso não exigia um planejamento de ações, mas apenas o controle da segurança e da disciplina.

Entendemos que a brincadeira é um componente socialmente construído, que ajuda a criança a entender a si mesma e ao universo cultural em que está inserida, podendo se mais ou menos rica em função dos materiais, tempo, espaço e parceiros de que dispõe. Este novo olhar sobre o brincar mostra a importância de planejarmos ambientes lúdicos adequados às necessidades e interesses da criança.

Analisar e planejar intervenções no uso dos equipamentos, pisos, volumes, elementos naturais e brinquedos do parque possibilitam que a estruturação do ambiente esteja conectada aos objetivos gerais da instituição e dos diferentes eixos de trabalho da educação infantil. Para tanto o ideal é que o planejamento do parque envolva tomadas de decisões tendo em vista diferentes caminhos. Este processo pode ser facilitado quando seguimos alguns passos:

1. Definição de metas e objetivos

 

  • Relacionar os objetivos gerais da instituição às atividades exercidas no parque;
  • Definir as possibilidades de brincadeiras, projeto e seqüências de atividades ao longo do ano.

 

2. Avaliação qualitativa do espaço

 

  • Observar os brinquedos, suas formas, cores e texturas, sons e cores, tipos de piso, relevos e elementos naturais; pesquisar locais de iluminação e sombra;
  • Levantar problemas: locais em que as crianças se machucam, dificuldades do professor, existência de conflitos entre as crianças;
  • Verificar se existem cantos estruturados com diferentes atividades conforme o interesse das crianças: brincadeiras de faz-de-conta, jogos tradicionais, brincadeiras com materiais.

 

3. Observação o uso do espaço pelas crianças

 

  • Listar as brincadeiras mais presentes, observar se há estímulos para as brincadeiras de faz-de-conta e para a ampliação do repertório de movimentos e brincadeiras;
  • Verificar se os materiais de manipulação, como brinquedos tradicionais, caixas de papelão ou de plástico, tecidos, fantasias etc, que permitem a construção de ambientes e brincadeiras pelas próprias crianças, estão realmente acessíveis a elas e sejam seguros e ao mesmo tempo desafiadores;
  • Observar a variedade de movimentos, individualmente ou em cooperação, proporcionados pela organização do espaço.

 

4. Definição de horários, grupos e momentos da rotina.

 

  • Decidir se vai uma para o parque uma classe por vez, duas ou mais; decidir como será a composição do gruo que vai brincar, todos da mesma idade ou de várias idades;
  • Pensar em quanto tempo para cada grupo e em que momentos da rotina.

 

5. Seleção de materiais e formas de utilização

 

  • Pesquisar, adquirir e/ou confeccionar materiais estruturadores de ambientes (tecidos, pneus, redes de balanças, cordas...), brinquedos tradicionais (pião, bolinha de gude, corda, sapato de lata, vai e vem, pipa, bola, bambolês, giz para desenha...) e materiais de faz-de-conta (brinquedos de areis, elementos para casinha, fantasias, espadas de jornal...);
  • Definir modos de organização e ofertas de materiais;
  • Pensar em formas de conexão entre os elementos industriais (equipamentos) e os elementos da natureza (árvores, aclives e declives), criando vínculos entre os espaços, a criança e a brincadeira.

 

6. Definição de regras e atitudes do professor

 

  • O professor deve saber como intervir em situações de conflito ou de perigo e, ainda, como sugerir desafios e brincadeiras;
  • Além disso, o adulto que acompanha as crianças no parque também deve dividir com as crianças as responsabilidades em relação à oferta de materiais.

 

Exercícios de planejamento: Transformando um parque tradicional em um espaço repleto de estímulos para brincadeiras tradicionais e de faz-de-conta, desafios de movimento e descobertas sensoriais.

 

Labirinto de tiras:

O labirinto é um recurso interessante para a construção de relações espaciais. Neste exemplo, a trama integrada ao trepa-trepa surpreende a criança criando caminhos mais sinuosos que no brinquedo tradicional. Pode ser instalado nas árvores, através de amarrações simples ou a ganchos e argolas fixadas no piso ou na parede.

Brincadeiras tradicionais com regras:

Acontecem, geralmente, nos espaços abertos. É interessante observar o repertório que as crianças apresentam, procurando enriquece-los através da intervenção direta: relembrando regras, ajudando a resolver conflitos, chamando a atenção para estratégias que determinadas crianças adotam ou oferecendo materiais.

Para saber mais:

  • A Cidade e a Criança. Mayumi W. de Souza Lima. Ed. Nobel, São Paulo, 1989.
  • A Arte Lúdica. Elvira Almeida. EDUSP, São Paulo, 1997.
  • Espaços Lúdicos ao ar livre na Educação Infantil. Isabel Porto Filgueiras. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação da USP, 1998.
  • E Espaço do Brincar. Adriana Freyberger. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, 2000.

 

Avaliar artigo
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 3 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/brincadeiras-e-jogos-no-parque-2358279.html

    Palavras-chave do artigo:

    brincadeiras e criancas

    Comentar sobre o artigo

    A presente monografia vem demonstrar que o brinquedo e a brincadeira na pré-escola é de um aspecto muito importante na interação da criança com o adulto, com o outro. E a brincadeira em grupo serve para socializar crianças e a compreensão de regras. Elas aprendem a lidar com os sentimentos, interagir, resolver conflitos e desenvolver a imaginação e criatividade para resolver problemas. E, portanto, contra este pensamento que buscamos e é de fundamental importância que professores tenham conhe.

    Por: João do Rozario Limal Educação> Educação Onlinel 01/06/2008 lAcessos: 126,329 lComentário: 14

    Brincar é fundamental para as crianças. Portanto, entreter o seu filho com brincadeiras saudáveis e jogos educativos também é essencial. Veja aqui algumas dicas de como estimular as brincadeiras de seus filhos e tornar o aprendizado algo mais divertido e prazeroso.

    Por: Beatriz Gonzalesl Relacionamentosl 10/09/2009 lAcessos: 6,314

    Brincadeira de criança… Como é bom, como é bom… Quem nunca viu aquele antigo filme em que o menino "pilotava" Helicópteros de brinquedo e ficava voando por ai… Ou melhor, quem nunca quis um desses?

    Por: Ricardo Prates Moraisl Internet> Comércio Eletrônicol 18/03/2011 lAcessos: 119

    Observando o comportamento das crianças no cotidiano, percebe-se que elas, na era da informatização, passam cada dia mais tempo na frente de um computador, de uma televisão ou se entretendo com brinquedos eletrônicos. Fazendo com que brinquem menos e socializem-se menos com outras crianças. Com isso a criança perdeu o hábito saudável de brincar outras brincadeiras, até mesmo de ver o mundo além da janela. Sendo assim, surge a idéia de uma prática de mudanças no brincar. Resgatando as brincadeiras antigas: Propor às crianças um jeito diferente de brincar, resgatando, conhecendo e valorizando brincadeiras infantis antigas possibilitando momentos que desenvolvam suas habilidades cognitivas, seu potencial de reflexão e de construção do conhecimento, pois é com o lúdico que ela experimenta a vida, resolve problemas e desenvolve a sua socialização atitudinal própria e coletiva.

    Por: claumiranda batista limal Educação> Educação Infantill 08/01/2009 lAcessos: 76,423 lComentário: 17

    Piscina é algo que todos gostam, inclusive os pequenos, mas estes não podem ficar sós quando tomam banho, independente do tamanho e da profundidade. Com alguns meses de vida, o bebê já pode ser estimulado a aproveitar os benefícios da água em abundância e não é só isso. Uma pesquisa feita pelo Institute for Educational Research, na Austrália, mostrou que quanto mais cedo a criança aprende a nadar, melhor será o seu desenvolvimento intelectual.

    Por: 3xcelerl Casa & Jardiml 19/09/2014

    No Brasil estamos vendo o grande descaso que nossas "crianças" tem feito... são "crianças" que saem para a balada cada dia mais cedo, já aos 12 ou 13 anos, vemos essas "crianças" nas festas e bares com atitudes que muitos de nós só começamos a ter após os 17 ou 18 anos.

    Por: Ruben Zevallos Jr.l Lar e Família> Adolescentesl 24/01/2009 lAcessos: 590 lComentário: 1

    As Brincadeiras estimulam o Desenvolvimento Infantil e devem ser praticadas no dia-a-dia. Saiba mais sobre a importância das Brincadeiras para as Crianças.

    Por: Beatriz Gonzalesl Saúde e Bem Estarl 02/12/2009 lAcessos: 2,259

    As brincadeiras são muito importantes para o desenvolvimento da criança - pois é através das brincadeiras que as crianças desenvolvem suas habilidades, inteligência, coordenação motora, além de outras características essenciais ao convívio em sociedade. Saiba porque brincar é uma atividade essencial ao desenvolvimento infantil.

    Por: Beatriz Gonzalesl Lar e Famílial 12/08/2009 lAcessos: 14,132 lComentário: 4

    As Brincadeiras de Cirança estimulam o intelecto e o corpo. Brinque Ao Ar Livre com seu filho e ajude-o em seu desenvolvimento. Veja mais neste artigo.

    Por: Gabi Batistal Lar e Famílial 05/03/2010 lAcessos: 1,485
    Simone Andrade R. S. Rodrigues

    No cenário educativo, os jogos ajudam a criança no seu desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social, pois, por meio das atividades lúdicas, a criança forma conceitos, reforça habilidades, estabelece relações lógicas, além de desenvolver a expressão oral e corporal.

    Por: Simone Andrade R. S. Rodriguesl Educação> Educação Infantill 27/10/2014
    Simone Andrade R. S. Rodrigues

    Entende-se por racismo no futebol, qualquer prática racista oriunda de xingamentos ou algum tipo de sinal obsceno, praticada em campo durante alguma partida de futebol ou ainda nas arquibancadas, direcionada a algum dos participantes diretos da partida. A rivalidade entre times pode ser uma das explicações, mas alguns casos se tornaram tão polêmicos que atingiram em cheio a mídia e as pessoas pela revolta do ato completamente errôneo.

    Por: Simone Andrade R. S. Rodriguesl Educação> Educação Infantill 26/10/2014
    Simone Andrade R. S. Rodrigues

    Iniciamos esta discussão indagando aos nossos leitores se em algum momento pararam para observar as inúmeras expressões faciais que docentes e educandos protagonizam em sala de aula? Frente a isto nos questionamos: o que aconteceu com nossos alunos? O que houve com a docilidade, amabilidade, respeito, e admiração com a figura docente? Por quais caminhos se dispersaram? E por que não dizer a humanização do ambiente escolar?

    Por: Simone Andrade R. S. Rodriguesl Educação> Educação Infantill 26/10/2014
    edivaldo coelho da silva

    EDUCAÇÃO NAS ESCOLAS SOBRE SEGURANÇA DO TRABALHO PARA CRIANÇAS PARA AS MESMAS AO CHEGAS DENTRO DAS ORGANIZAÇÕES ESTAREM PREPARADAS PARA AS ADVERSIDADES DOS RISCOS ENCONTRADOS NAS ATIVIDADES LABORAIS A ATUAR COM SEGURANÇA.

    Por: edivaldo coelho da silval Educação> Educação Infantill 26/10/2014 lAcessos: 11
    ELISETE AMADOR PEREIRA

    Nosso artigo de opinião vem tratando do perfil ou papel do Coordenador Pedagógico em nossa escola, na cidade de Alto Araguaia- MT. Percebemos que o papel do Coordenador Pedagógico em nossa escola tem sido diferente do que realmente deve ser, ou seja, o Coordenador Pedagógico tem desempenhado funções alheias às suas, fazendo mais o papel administrativo e burocrático do que o pedagógico. é sobre isso que falaremos aqui, dando nossa opinião.

    Por: ELISETE AMADOR PEREIRAl Educação> Educação Infantill 23/10/2014

    O presente artigo aborda o sistema de ensino de língua portuguesa envolvendo o aluno com dislexia e os professores que atuam na 5º serie, no contexto educacional de nível fundamental II.Visa investigar, as metodologias adotadas em sala nas aulas de língua portuguesa e se são suficientes para proporcionar aulas apropriadas quão grandemente necessárias, para contemplar as especificidades do aluno disléxico, de maneira a assegurar o seu aprendizado.

    Por: Taynara Freitas de Souzal Educação> Educação Infantill 22/10/2014 lAcessos: 15

    As conexões entre brincar, aprender e ensinar são perceptíveis quando o educador consegue conciliar os objetivos pedagógicos com os objetivos dos alunos. Ensinando a aprender contribuindo para o desenvolvimento da subjetividade, para a construção do ser humano autônomo e criativo, preparando para o exercício da cidadania e da vida coletiva incentivando a buscar justiça social e igualdade com o respeito à diferença.

    Por: Rosana Maciel Averl Educação> Educação Infantill 12/10/2014 lAcessos: 39

    Este artigo tem como objetivo apresentar a pesquisa sobre o impacto do programa escola da família na vida de crianças e adolescentes da Escola Vicente Minicucci na cidade de Franca . A pesquisa foi desenvolvida na Escola Estadual Vicente Minicucci, na cidade de Franca - SP. Seguindo os métodos de observação e questionário aplicados aos responsáveis e participantes do programa. Foi possível perceber que esse programa tem sido de suma importância pelo fato de tirar as crianças da rua, lugar

    Por: Leticia Oliveiral Educação> Educação Infantill 06/10/2014 lAcessos: 23
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast