Educação Especial: Alfabetização de Surdos

Publicado em: 22/06/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 7,274 |

INTRODUÇÃO

Como alfabetizar alunos com deficiência auditiva? Essa é uma pergunta que professores pensam ao deparar-se com alunos surdos, atualmente o que mais tem se falado na educação é a inclusão. E como incluir? Sabe-se que não é uma tarefa fácil, no entanto, não é impossível, partindo do ponto em que um surdo possa aprender LIBRAS para comunicar-se um com outros, então, pode-se concluir que o mesmo terá capacidade de aprender a ler e escrever. Isso é um dos direitos do ser humano para assim viver em sociedade. Como diz BRASIL, "o letramento é, portanto, condição e ponto de partida na aquisição da língua oral pelo surdo, o que remete ao processo psicolingüístico da alfabetização e a explicitação e construção das referências culturais da comunidade letrada. (BRASIL. 2004. p. 77).

Para inclusão dos deficientes auditivos na educação foi utilizadas abordagem diferentes, o processo iniciou com o Oralismo que tem como objetivo fazer a reabilitação da criança surda em direção à normalidade, negando a surdez e enfatizava a fala, e com isso essa abordagem passou ser muito criticada, segundo Skilar (1999), "o oralismo está fundamentado pela visão clínico-terapêutica da surdez", ou seja, nessa abordagem tentou trabalhar a fala da língua majoritária. Ao perceber que essa abordagem não obteve sucesso passou-se a utilizar-se da Comunicação Total, que utilizava uma filosofia de trabalho voltado ao atendimento e à educação de pessoas surdas, nesse processo surge então sistema de sinais que tinha como objetivo ensinar a língua majoritária, que no Brasil foi utilizado o português sinalizado, no qual o surdo não compreendia muito a comunicação, sendo criticado por alguns teóricos e pela comunidade surda.

Ciccone (1990) demonstrou que muitas crianças que forma expostas sistematicamente à modalidade oral de uma língua, antes dos três anos, conseguiram aprender a língua, mas, o desenvolvimento cognitivo, social e emocional, não foi bem sucedido. E por fim damos de encontro com o Bilingüismo,  abordagem que tem sido defendida por lingüistas, parte do principio que o surdo tem que aprender primeiro a Língua de Sinais para depois aprender a segunda língua, ou seja, primeiro sua linguagem e depois a língua majoritária. De acordo com Brito (1993) no bilingüismo a língua de sinais é considerada uma importante via para o desenvolvimento do surdo, em todas as esferas de conhecimento, e, com tal, propicia não apenas a comunicação surdo-surdo, além de desempenha a importante função de suporte ao pensamento e de estimulador do desenvolvimento cognitivo e social. Segundo Quadros (1997) o bilingüismo é uma proposta de ensino usada por escolas que se propõem a tornar acessível à criança duas línguas no contexto escolar.

O letramento dos surdos durante os primeiros anos escolares, ajuda na interação e pode contribuir para a convivência em sociedade.

 

DESENVOLVIMENTO

Partindo do princípio, que a educação é um direito de todos, espera-se que as crianças com deficiência auditiva também tenha esse direito. De acordo com a Educação Especial da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/96) "o processo de atendimento educacional e a garantia de introduzir nele inovações, assegura maiores possibilidades de integração do portador de deficiência auditiva à sociedade".

Mas para se começar a falar em alfabetização dos surdos, tem que se entender um pouco da história da filosofia educacional em torno dos deficientes. Por muito tempo, os surdos eram vistos como pessoas ignorantes, primitivos com isso muitos eram ignorados pelos seus familiares e pela sociedade.

Com isso no decorrer dos anos foram se formando diferentes visões e metodologias para alfabetizar uma pessoa surda. No primeiro momento surge como abordagem educacional o oralismo, seguindo pela comunicação total e por fim bilingüismo.

Segundo Goldfeld (1997, p. 30) "o oralismo ou filosofia oralista, usa a integração da criança surda à comunidade de ouvintes, dando-lhe condições de desenvolver a língua oral. O oralismo percebe a surdez como uma deficiência que deve ser minimizada através da estimulação auditiva"

Em meados dos anos de 1990 a abordagem utilizada foi a Comunicação Total, como diz Honora:

A Comunicação Total utilizava a utilização simultânea de todos os recursos lingüísticos, ou seja, a comunicação feita por meio da oralização, de prótese auditiva, de gestos naturais, de língua de sinais, expressão facial, de alfabeto manual, de leitura labial, de escrita, enfim de tudo aquilo que serviria de meio para ajudar a desenvolver o vocabulário, a linguagem e o conceito de idéias entre o individuo com deficiência auditiva do outro. (HONORA, 2008. p. 53).

 

Como as duas abordagens não foram bem aceitas pela comunidade surda, então começa a utilização do Bilingüismo, abordagem essa que preconiza a aquisição de duas línguas, sendo a uma a língua de sinais (L1) e a outra a língua materna dos surdos (L2). Como afirma Goldfeld (1997, p. 38):

 

O Bilingüismo tem como pressuposto básico que o surdo deve ser Bilíngüe, ou seja, deve adquirir como língua materna à língua de sinais, que é considerada a língua natural dos surdos e, como Segunda língua, a língua oficial de seu país (...) os autores ligados ao Bilingüismo percebem o surdo de forma bastante diferente dos autores oralistas e da Comunicação Total. Para os bilingüistas, o surdo não precisa almejar uma vida semelhante ao ouvinte, podendo assumir sua surdez.

 

No Brasil, a educação dos surdos teve início durante o Segundo Império, com a chegada do educador francês Hernest Huet. Em 1857, foi fundado o Instituto Nacional de Surdos-Mudos, atual Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES), que inicialmente utilizava a língua dos sinais, mas que em 1911 passou a adotar o oralismo puro.

Na década de 70, com a visita de Ivete Vasconcelos, educadora de surdos da Universidade Gallaudet, chegou ao Brasil a filosofia da Comunicação Total e, na década seguinte, a partir das pesquisas da professora lingüista Lucinda Ferreira Brito sobre a Língua Brasileira de Sinais e da Professora Eulália Fernandes sobre a educação dos surdos, o Bilingüismo passou a ser difundido. Atualmente, estas três filosofias educacionais ainda persistem paralelamente no Brasil.[1]

Agora podemos começar a discutir um pouco sobre a alfabetização dos deficientes auditivos. Quando paramos para pensar em como alfabetizar uma criança com tal deficiência nos assustamos, segundo Honora "(...) em nada se diferencia da alfabetização de um aluno ouvinte, visto que o aluno com deficiência auditiva se utilizará de pistas auditivas e articulatórias para a construção da escrita". (HONORA, 2008. p. 62).

A alfabetização do surdo prevê que sejam utilizados alguns recursos como: desenho, produção coletiva, produção gestual e facial, mas isso não se difere da alfabetização dos outros alunos, pois temos que utilizar de tais recursos no inicio da alfabetização, como diz Lucena a Alfabetização, quando direcionada aos surdos, assume um caráter fundamental, "(...), pois não se limita só à Alfabetização, mas a um trabalho conjunto de aquisição de conhecimento e desenvolvimento de linguagem" (LUCENA, 1987: 12).

No entanto, o que não podemos esquecer o deficiente auditivo possui duas línguas: a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e a língua materna do país, que no nosso caso é a Língua Portuguesa, sendo a primeira a L1 e a segunda L2. "O deficiente auditivo apesar de contar com expressões faciais e movimentos corporais, não possui uma das fontes de informação mais rica da língua oral: monitorar sua própria fala e elabora sutilezas através da entonação, volume de voz, hesitação, etc". (ROCHA; COUTINHO. p 79-80).

Pensando em uma educação em duas línguas podemos concluir que o deficiente auditivo possui uma educação bilíngüe, de acordo com Sánchez (1991, apud SLOMSKI, 2011, p. 65), uma educação bilíngüe, deverá contemplar os seguintes objetivos:

 

  • Criar condições que garantam o desenvolvimento normal da linguagem das crianças surdas e que facilitem seu ótimo desenvolvimento emocional, afetivo, cognitivo e social;
  • Criar condições que permitam a aquisição eficaz de conhecimentos e o máximo de aproveitamento dos conteúdos curriculares em todos os níveis por parte das crianças surdas, mediante a utilização da Língua de Sinais;
  • Facilitar o processo da aquisição da língua escrita por parte as crianças e adultos surdos, e sua utilização coletiva em sua comunidade;
  • Promover a comunidade de surdos em seus aspectos educativos, culturais, laborais, socioeconômicos e organizacionais, bem como projetar sua imagem à macrocomunidade ouvinte;
  • Propiciar a participação direta e efetiva da comunidade de surdos nos sistema educativo especial;
  • Promover intercâmbios, conhecimento e cooperação entre surdos e ouvintes em todos os âmbitos da vida e da sociedade;
  • Facilitar a aprendizagem da língua oral como segunda língua. (SLOMSKI. 2010. p. 65)

 

Vygotsky (1984) assinalou que o gesto precede a palavra; é a primeira linguagem do ser humano. O mesmo também diz que toda a aprendizagem deve ter significado, sentido para a criança e precisa surgir de uma necessidade interior para ser, posteriormente, necessária e relevante para ela.

A criança surda mesmo não tendo o conhecimento de LIBRAS comunica-se por meio de gestos, que acaba sendo uma forma de comunicação na ausência da fala. O teórico Tervoort (1961) chama essa linguagem de "simbolismo esotérico", ou seja, um sistema lingüístico restrito, que serve para comunicação na ausência de uma língua comum entre seus familiares.

Por volta dos cinco anos a criança tem que começar ser alfabetizada em sua língua materna no caso LIBRAS para que assim não apresentem problemas cognitivos, emocionais e sociais. Por ser um período inicial de aquisição de linguagem é o momento em que a mesma começa a formular hipóteses, experimentar possibilidades, como ressalta Magda Soares "ter-se apropriado da escrita é diferente de ter aprendido a ler e escrever: aprender a ler e escrever significa adquirir uma tecnologia, a de codificar em língua escrita "própria", ou seja, é assumi-la com sua "propriedade" (SOARES. 1998. p.89).

Alfabetizar um deficiente auditivo realmente nos traz algumas dúvidas tais como: devemos alfabetizar ou letrar um surdo em LIBRAS, alguns teóricos afirma que é preciso os dois tanto letrar quanto alfabetizar para que os mesmo adquiram habilidades na escrita do Português e a LIBRAS simbolizando a língua escrita, ou seja, objeto de interação e entendimento que são os requisitos para capacitar uma pessoa como letrada. Como Soares definir letramento:

O letramento não pode ser considerado um "instrumento" neutro a ser usado nas práticas sociais quando exigido, mas é essencialmente um conjunto de práticas socialmente construídas que envolvem a leitura e a escrita, geradas por processos sociais mais amplos, e responsáveis por reforçar ou questionar valores, tradições e formas de distribuição de poder presentes nos contextos sociais. (SOARES, 1998, p.75)

 

 

Quando utilizamos o termo letramento não estamos falando só no processo de saber ler e escrever, mas daquele individuo que faz uso da leitura e escrita em qualquer situação, em qualquer lugar social. Veja o que diz Honora. (2008, p. 63):

 

É importante sabermos que:

  • A criança só inicia o aprendizado de uma língua escrita após dominar a língua de sinais ou a fala;
  • A criança não está necessariamente alfabetizada se somente transcrever o alfabeto manual para a escrita. Isso fica claro quando a professora quer que o aluno escreva a palavra BOLA e se utiliza das letras do alfabeto manual – B – O- L- A para que o aluno transcreva, em seu caderno, com as letras de português;
  • São maiores as chances de a criança compreender o que está sendo ensinado e de conseguir aprender o português escrito quanto mais à professora utilizar-se da língua de sinais associada ao português falado;

 

Tovar (2000, apud FERNANDEZ, 2011, p. 85-86), ao tratar da aquisição da escrita por crianças surdas, lembra que esse "ensino deve estar centrado inicialmente nos níveis discursivo e pragmático para que as leve à compreensão e produção textuais, e não, começar por letras, palavras, frases e orações onde a linguagem escrita se apresenta desligada do contexto real".

Diante de tudo que já foi citado em torno da alfabetização do surdo, o professor também tem que ser um dominante de LIBRAS, mas se caso não souber a Língua de Sinais como este poderá alfabetizar tal criança? Segundo Slomski:

Falar um modelo de educação bilíngüe para surdos implica, por um lado, o direito à educação minoritária e, por outro, a formação do profissional especializado que irá garantir esse direito. (...), a formação profissional não se limita a formação de educadores ouvintes ou Surdos, mas uma política educacional voltada para a formação dos educadores e demais profissionais, bem como as famílias envolvidas com esta educação sejam Surdas ou ouvintes. (SLOMSKI, 2010 p. 78-79).

 

Kyle (1999) enfatiza a necessidade de aceitação e uso por parte de professores da Língua de Sinais e salienta que os professores deverão desenvolver os conhecimentos e as habilidades necessárias para que os conteúdos do currículo não sejam simplesmente traduzidos para a língua de sinais, mas encontrar a forma correta de apresentar certos elementos na língua da minoria.

Caso o professor não possuo a proficiência básica de LIBRAS para ministrá-la, pode utilizar-se da ajuda de um tradutor/ intérprete, no entanto alguns teóricos informam que a atuação do intérprete em sala de aula não é garantia de aprendizado. Como diz Lacerda (2002), a inserção do intérprete em sala de aula precisa ser feita com muito cuidado e reflexão, bem como é preciso compreender melhor o seu papel e os seus modos de atuação.

Seguindo a mesma autora, em relação ao intérprete educacional é preciso:

 

(...) definir melhor a função do intérprete educacional; figura desconhecida, nova, que, com um delineamento mais adequado (direitos e deveres do intérprete, limites da interpretação, divisão do papel de intérprete e de professor, relação do intérprete com alunos surdos e ouvintes em sala de aula, entre outros), poderia favorecer um melhor aproveitamento deste profissional no espaço escolar (LACERDA. 2006. p. 7)

 

A formação do intérprete também é importante para alfabetização do surdo para que o mesmo entenda o conteúdo e não simplesmente interpretar, pois caso surgir alguma dúvida essa possa ser suprida por escolhas didático-pedagógica assertivas pelo intérprete, ou seja, o intérprete tem que ter formação de educador.

De acordo com Dorziat (2006, p.10):

 

As escolas têm contratado intérpretes, geralmente, sem preparo para tal função e sem o conhecimento pedagógico/ curricular adequado. Isso pode acarretar perdas tanto na qualidade das informações transmitidas ao aluno surdo, quanto no modo como o intérprete participa do processo ensino-aprendizagem, se não tem conhecimento das disciplinas especificas, nem formação para exercer o magistério.

 

Nessa mesma linha de pensamento, Quadros (2004) descreve que a atuação do intérprete exige uma formação especifica. Assim, as pessoas ouvintes que dominam a língua de sinais não podem ser consideradas intérpretes.

Então qual seria a função do intérprete?  Kelman (2005) enumerou onze papéis assumidos pelo intérprete educacional ou professor intérprete na sala de aula. São eles:

  1. Ensinar a Língua Portuguesa como segunda língua;
  2. Ensinar a Língua de Sinais para surdos;
  3. Ensinar a Língua de Sinais para ouvintes;
  4. Realizar adequações curriculares;
  5. Participar do planejamento das aulas;
  6. Estabelecer uma sintonia com a professora da classe (integração entre professora regente e professora intérprete)
  7. Orientar habilidades de estudo dos alunos surdos;
  8. Estimular a autonomia do aluno surdo;
  9. Estimular e interpretar a comunicação entre colegas surdos e ouvintes;

10.  Usar a comunicação bimodal (usar múltiplos canais de comunicação, como diferentes recursos visuais e corporais);

11.  Promover a tutoria (viabilizar a ajuda dos alunos ouvintes com os surdos).

Mesmo que o professor seja proficiente da Língua de Sinais ou tenha um intérprete em sala é preciso saber que método de leitura e escrita será utilizado com esse aluno, segundo o MEC há dois métodos leitura, os sintéticos e os analíticos, sendo que o primeiro subdivide três:

a) alfabético: o aluno aprende as letras isoladamente, liga as consoantes às vogais, formando sílabas; reúne as sílabas para formar as palavras e chega ao todo (texto);

b) fonético ou fônico: o aluno parte do som das letras une o som da consoante ao som da vogal, pronunciando a sílaba formada;

c) silábico: o aluno parte das sílabas para formar palavras.

E os métodos analíticos que subdivide em:

a) palavração: este método parte da palavra. Existe aqui a preocupação de que vocábulos apresentados tenham seqüência tal, que englobam todos os sons da língua e as dificuldades sejam sistematizadas gradativamente. Depois da aquisição de determinado número de palavras, formam-se as frases;

b) sentenciação: esse método parte da frase para depois dividi-la em palavras, de onde são extraídos os elementos mais simples: as sílabas;

c) conto, estória (global): esse método é composto de várias unidades de leitura que apresentam começo, meio e fim. Em cada unidade, as frases estão ligadas pelo sentido para formar um enredo, havendo uma preocupação quanto ao conteúdo que deverá ser do interesse da criança. (MEC, 2009. p. 16).

Nesta mesma linha, o MEC destaca há diversidade metodológica no qual também é divido em dois: o global e o analítico-sintético. O método global implica que o aluno apresente os seguintes requisitos:

a) a criança surda deve ser atendida em idade precoce, ou seja, ter atendimento educacional ou clínico, logo que seja detectada a perda auditiva;

b) logo que seja detectada a perda, haja indicação do aparelho de amplificação sonoro individual adequado e, conseqüentemente, a estimulação dos resíduos auditivos;

c) a criança deverá passar por um período pré-escolar onde desenvolverá

  • A aquisição de linguagem em nível de recepção e emissão oral do Português e/ou da utilização da Língua Brasileira de Sinais;
  • Treinamento auditivo; o as funções e habilidades de coordenação viso motora global;
  • Coordenação motora fina;
  • Percepção figura-fundo;
  • Constância perceptual;
  • Posição espacial.

d) a criança não deverá apresentar distúrbios perceptuais (espelhamento, problema de memória, etc.);

e) a criança deverá vir de um ambiente que lhe proporcione experiências variadas.

Quanto ao analítico-sintético explora o todo, sendo que o professor poderá partir de: a) da palavra, passando para a frase, formando um texto, retirando novamente a palavra para decompô-la em sílabas; b) da frase, retirando a palavra para chegar à sílaba; c) da estória, retirando a palavra-chave para depois destacar a sílaba. (MEC. 2009. P. 17-20).

Metodologia

Para a realização do presente trabalho foi utilizado a metodologia  de pesquisa bibliográfica e documental norteada pelo paradigma fenomelógico buscando, portanto, embasamento teórico para a realização da pesquisa, numa abordagem qualitativa, pois não pretendo submeter o conhecimento produzido com essas investigações a controle de verificação empírica e comprovada por meio de técnicas precisas, objetivos e mensuráveis

CONCLUSÃO

A educação tem hoje, portanto, um grande desafio: garantir o acesso aos básicos que a escolarização deve proporcionar todos os indivíduos – inclusive aqueles com necessidades educacionais especiais, neste trabalho em particularmente com os portadores de deficiência auditiva.

Ao longo dessa trajetória, verificou-se a necessidade de alfabetizar os deficientes auditivos, dando a eles o direito de aprender a ler e a escrever, mostrando que fato de não poder ouvir não quer dizer que também não possa freqüentar um ensino regular e aprender como as outras crianças.

Tornar realidade à educação inclusiva, por sua vez, não se efetuará somente por colocar o aluno em sala de aula, a caminha ainda é longa para essa minoria. Propor inclusão escolar de surdos requer uma educação bilíngüe no qual os professores ainda não se adequaram a essa realidade, no entanto, percebe-se a responsabilidade do professor buscar novas aprendizagens e assim obter as competências para o ensino dos alunos com deficiência auditiva. Aprender a Língua de Sinais não é a única solução, mas com certeza já é um caminho para acontecer à alfabetização, o que não se pode esquecer também que o educador tem um grande aliado em sala o intérprete educacional, que é um direito de todo aluno surdo, garantido por lei, contudo a Educação para Surdos não pode ser apenas uma tradução passado do intérprete para o aluno, segundo Lacerda (2000) o ato de interpretar é um processo cognitivo pelo qual há troca de mensagens de uma língua para a outra, sejam orais ou sinalizadas, no entanto o intérprete atua efetivamente como educador.

Espera-se que o dado aqui apresentado abra o leque e sirva para contemplar a prática de profissionais da educação a fim de novas reflexões, como diz Ferreiro, "que as mudanças necessárias para enfrentar sobre bases novas a alfabetização inicial não se resolvem como um novo método de ensino, nem com novos testes de prontidão, nem com novos materiais didáticos". (FERREIRO, 1995, p. 40)

 

 

 

REFERÊNCIAS

BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Programa Nacional de Apoio à Educação dos Surdos. Ensino de língua portuguesa para surdos: Caminhos para a prática pedagógica. Brasília: MEC, 2004, 2. V

_______, MEC. Ministério da Educação e Cultura. Estudos para Surdos. Parte V. Rio de Janeiro, 2009

BRITO, L. F. Integração social e educação de surdos. Rio de Janeiro: BABEL editora, 1993

________. Uma abordagem fonológica de sinais da LSCB. Espaço: Informativo Técnico-Científico do INES, Rio de Janeiro, v.1, p. 20-43, 1990.

CICCONE, M. Comunicação total. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1990.

DORZIAT, A. O currículo da escola pública: um olhar sobre a diferença dos surdos. In: 28ª Anped, 2006, Caxambu. 40 anos de Pós-Graduação em Educação no Brasil, 2005. p. 1-16

FERNANDES. E. Surdez e Bilingüismo. Porto Alegre: Mediação, 2011

GÓES. M. C. R. de. Linguagem, Surdez e Educação. Campinas: Autores Associados, 2002

GOLDFELD. M. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio-interacionista. São Paulo: Plexus, 1997

HONORA. M. Esclarecendo as deficiências: Aspectos teóricos e práticos para contribuir com  uma sociedade inclusiva. São Paulo: Ciranda Cultural, 2008

LACERDA, C. B. F. de. O intérprete de língua de sinais no contexto de uma sala de aula de alunos ouvintes: problematizando a questão: In: LACERDA, C. B. F.; GÓES, M. C. R. (Org.). Surdez: processos educativos e subjetividade. São Paulo: Lovise, 2000. p. 51-84.

____________________. A inclusão escolar de alunos surdos: O que dizem alunos, professores e intérpretes sobre esta experiência. Caderno Cedes, V. 26, nº 69, maio/ agosto. Campinas. 2006

LUCENA, M. F. G. O atendimento educacional de crianças portadoras de deficientes auditivas em fase inicial de alfabetização. Dissertação de mestrado. SP: PUC- SP

MOORES, D. F. Educar a Psicologia Surdos:  O uso de princípios e prática. Boston: Moughton Mifflin, 1978

 

Moores, D. F. - Educar a Psicologia Surdos: O uso de princípios e
Prática.
Boston Moughton Mifflin, 1978

QUADROS, R. M. de.; KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira: estudos lingüísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.

QUADROS, R. M. de. O ‘BI' em bilingüismo na educação de surdos. In: FERNANDES, E. Surdez e bilingüismo. Porto Alegre: Mediação, 2005.

QUADROS, R. M. A educação de surdos: a aquisição da linguagem. Porto Alegre. Artes médicas, 1997.

REIS, V. P. F. A criança surda e seu mundo: o estado da arte, as políticas e as intervenções necessárias. Dissertação de mestrado. UFES, 1992.

SLOMSKI. V. G. Educação Bilíngüe para Surdos: Concepções e implicações práticas. Curitiba: Juruá, 2011

SKLIAR, C. Atualidade da educação bilíngüe para surdos. V. 1. Porto Alegre: Mediação, 1999.

_______. Pedagogia (improvável) da diferença: e se o outro não estivesse aí? Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

 

[1] Texto disponível em: http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=revista_educarede.especiais&id_especial=98 – Acesso em: 10/05/11

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/educacao-especial-alfabetizacao-de-surdos-4939205.html

    Palavras-chave do artigo:

    alfabetizacao surdos libras letramento inclusao

    Comentar sobre o artigo

    Profº Raul Cuore

    A importância de conhecer a estrutura da Libras para o educador busca uma nova abordagem sobre o estudo inclusivo, este trabalho propõe compreender o uso da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), aplicado para alunos com necessidades auditivas específicas. Será analisado o papel do aluno, do interprete de Libras e do professor no contexto de sala de aula, o entendimento do português como fonte de alfabetização e letramento que serão de grande importância na discussão do ensino inclusivo dos deficientes auditivos em escolas regulares.

    Por: Profº Raul Cuorel Educaçãol 30/05/2009 lAcessos: 30,252 lComentário: 5
    Simoni Caldeira da Fonseca

    O referente trabalho aborda a importância da gestão escolar para a organização pedagógica da Educação Infantil, pois a criança necessita de todo cuidado específico para sua idade e na escola ela deve encontrar este amparo. O gestor escolar tem a função de proporcionar à criança um ambiente todo aconchegante, colorido, organizado, com atividades permanentes, enfim, tudo o que é necessário para que ela tenha um desenvolvimento adequado.

    Por: Simoni Caldeira da Fonsecal Educação> Educação Infantill 11/12/2014

    COM A INTRODUÇÃO DA CRIANÇA NA ESCOLA INICIA-SE O PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO E COM ELE MUITAS VEZES EMERGEM OS PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO. CABE AOS PAIS EM SINTONIA COM A ESCOLA BUSCAR ALTERNATIVAS PARA RESOLUÇÃO DO PROBLEMA, UMA DAS INDICAÇÕES É ATRAVÉS DA ORIENTAÇÃO A PAIS.

    Por: DABDA TAIS BORBAl Educação> Educação Infantill 10/12/2014
    marli frageri

    valorização de calculos na educação infantil sem sequencia logica.Cada criança cria a sua própria estratégia combinatória baseando no raciocínio logico multiplicativo contando sempre em sequencia descontinua ou seja números que para ela e de fácil pronuncia.

    Por: marli frageril Educação> Educação Infantill 04/12/2014 lAcessos: 12

    O presente resumo refere-se aos problemas relacionados a alunos da Escola 29 Novembro que tem problemas de comportamento e aprendizagem porque muitas os pais ou responsáveis não dão a devida atenção.

    Por: Sortineide Navarro Segural Educação> Educação Infantill 04/12/2014

    A musica esta dentro de cada cultura e tradição de um povo, a musica desenvolve vários fatores de uma criança.

    Por: Domingos Paulol Educação> Educação Infantill 04/12/2014 lAcessos: 15

    Compreende-se, que há inúmeras dificuldades dos alunos, relacionadas à capacidade de resolver operações matemáticas. Nesta área, a Discalculia, ganha destaque, pois afeta as condições de desenvolvimento da capacidade cognitiva do aluno, impedindo que tenha melhor construção de ações que facilite sua aprendizagem.

    Por: Soraya Borba E. Serranol Educação> Educação Infantill 03/12/2014 lAcessos: 13
    marli frageri

    a arte de nao esta emde sala mas tambem atraves de brincadeiras e materiais concretos, a criança ja vem de casa com uma bagagem de cpnhecimentos e cabe ao educador completar e enriquecer sua cultura.

    Por: marli frageril Educação> Educação Infantill 03/12/2014 lAcessos: 11
    marli frageri

    melhorias e sugestoes para uma melhor aprendizagem que tenhamos menas evasão nas escolas tudo depende de um excelente desempenho do professor que trabalhe e se dedique a cada educando com muito amor.

    Por: marli frageril Educação> Educação Infantill 03/12/2014
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