Educação na sociedade atual

18/03/2011 • Por • 7,070 Acessos

EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE ATUAL

Talita Chrystina Nóbrega da Silva[1]

 

 

RESUMO

Considerando que a Educação da Sociedade Atual e a prática pedagógica têm sido bastante discutidas, o processo pedagógico tem refletido principalmente nas ações dos alunos e no contexto escolar, o que vem tornando a insegurança entre professores, alunos e os agentes escolares cada vez mais constantes, comprometendo assim todo o processo ensino-aprendizagem. Por isso, se faz necessário a busca de uma nova reflexão no processo educativo, para que o professor possa vivenciar essas transformações e beneficiar suas ações, buscando novas formas didáticas e metodológicas de promoção no processo ensino-aprendizagem com seu aluno. A Sociedade Atual passa por várias mudanças comprometendo o ensino e tratando do espaço escolar como se fosse um simples depósito de alunos, esquecendo que esse valioso espaço escolar serve como um espaço primordial onde irão ser formados os futuros cidadãos, que estão naquele espaço em busca de um aprendizado. A escola nesse contexto tem a alternativa de rever suas ações e o papel da sua prática educativa, é preciso fazer uma análise sobre os conceitos didáticos – metodológicos como forma de adequar sua postura pedagógica atual, cumprindo assim sua função transformadora e idealizadora de conhecimentos científicos – filosóficos pautando o resultado de suas ações em saber concreto.

 

Introdução

A educação é um processo de construção pessoal e social que se dá na interação com o cotidiano, nas relações que o homem estabelece com a natureza, a sociedade e suas estruturas políticas, sociais e econômicas.

"Educação é o caminho pelo qual homens e mulheres podem chegar a tornar-se conscientes de si próprios, de sua forma de atuar e de pensar ,quando desenvolvem todas as suas capacidades considerando não apenas eles mesmos ,mas também as necessidades dos demais". (FREIRE. p.40)

 

Diante de várias transformações sociais, o processo de desenvolvimento da escola entra em pauta como um dos mais importantes aspectos a serem discutidos nesse processo é nela que são promovidas as mais importantes formulações teóricas, sobre o desenvolvimento cultural e social de todas as nações, a pesquisa educacional toma lugar central na busca da perspectivas que possibilitem uma nova prática educacional, envolvendo agentes escolares que conduzem o ambiente escolar, transformando o ensino em parte integrante ou principal na motivação dessas transformações. Os agentes educacionais e a escola de uma maneira geral, vêm vivenciando um processo de mudança que tem refletido principalmente nas ações de seus alunos e na materialização destas no contexto escolar, fato que tem tornado ponto de dificuldade e insegurança entre professores e agentes escolares de forma geral, configurando a forma comprometida no processo ensino-aprendizagem.

Sobre isso, GADOTTI (2000, p.6) afirma que, neste começo de um novo milênio, a educação apresenta-se numa dupla encruzilhada: de um lado, o desempenho do sistema escolar não tem dado conta da universalização da educação básica de qualidade; de outro, as novas matrizes teóricas não apresentam ainda a consciência global necessária para indicar caminhos realmente seguros numa época de profundas e rápidas transformações.

Além da formação de base (Ensino Fundamental e Ensino Médio) e da formação específica para o aprimoramento pessoal e profissional, estando clara a relevância da formação contínua e permanente, tendo em vista o mundo moderno, os conhecimentos precisam ser modificados, reelaborados, pois o desenvolvimento tecnológico, político e social deixou de ser um complemento passando a basear-se na estrutura da própria vida. Por isso, a educação de adultos é uma necessidade, a formação do jovem e do adulto é a efetivação da própria vida em ação, sendo o próprio adulto um agente de sua formação.

Se hoje a escola deseja formar um cidadão consciente e reflexivo, como consta na LDB ,em seu art.22º "A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando ,assegurando-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores", se a sociedade mudou e exige pessoas questionadoras e conscientes de seus direitos e deveres, é necessário que professores e professoras e todos os envolvidos com as instituições de ensino reflitam quanto a sua prática e sua postura diante dos discentes. Não é possível culpar apenas os alunos ou os professores, todos os que estão envolvidos com a educação e são responsáveis por esta mudança.

O professor nesse contexto deve ter em mente a necessidade de se colocar em uma postura norteadora do processo ensino-aprendizagem, levando em consideração que sua prática pedagógica em sala de aula tem papel fundamental no desenvolvimento intelectual de seu aluno, podendo ele ser o foco de crescimento ou introspecção do mesmo quando da sua aplicação metodológica na condução da aprendizagem.

Sobre essa prática Gadotti (2000, p.9) afirma que "nesse contexto, o educador é um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. Ele precisa construir conhecimento a partir do que faz, e para isso, também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o que fazer dos seus alunos".

O autor afirma ainda que, os educadores, numa visão emancipadora, não só transforma a informação em conhecimento e em consciência crítica, mas também formam pessoas. Diante dos falsos pregadores da palavra, dos marketeiros, eles são os verdadeiros "amantes da sabedoria", os filósofos de que nos falava Sócrates. Eles fazem fluir o saber (não o dado, a informação e o puro conhecimento), porque constroem sentido para a vida das pessoas e para a humanidade e buscam juntos, um mundo mais justo, mas produtivo e mais saudável para todos. Por isso, eles são imprescindíveis.

 

 

1 Construindo o conhecimento na Escola

 

A aprendizagem não consiste em mera cópia, reflexão exata ou simples reprodução do conteúdo a ser aprendido, mas que implica um processo de construção, no qual as contribuições dos alunos desempenham um papel decisivo (COLL, 1996, p.395).

Aprender não é uma tarefa fácil como supõe alguns professores, não é apenas repetir na prova o conteúdo transmitido durante as aulas. O conhecimento é construído, e não apenas transmitido como insistem alguns professores em suas práticas em sala de aula. A relação de afetividade, de objetivos claros, de aplicação para sua vida, é fundamental para a mediação mental construtiva do aluno na sua aprendizagem.

O aluno não consegue estabelecer um significado para aquilo que está aprendendo, não participa do processo de aprendizagem, já que há uma diferença entre aprendizagem significativa e repetitiva. Deve-se levar em conta o conhecimento prévio que o aluno tem, caso contrário o conteúdo proposto pode estar muito longe de sua possibilidade de estabelecer uma conexão. A construção da aprendizagem é complexa, pois o professor não trabalha com uma matéria inerte, mas com aluno vivo e que pode ou não aceitar aquilo que lhe querem ensinar.

Para compreender como se produz à construção do conhecimento na aula, é necessário além do mais e, sobretudo analisar os intercâmbios entre o professor e os aluno, em torno dos conteúdos da aprendizagem; é necessário analisar as interações que se estabelecem entre os três vértices do triângulo do processo de construção (COLL ,1996, p.402).

 

 

Este triângulo proposto por Coll constitui-se do professor, aluno e conteúdo são fundamentais para o processo do conhecimento significativo, não sendo possível separar ou fragmentar um do outro. Mas sim, estabelecer uma cumplicidade, uma relação de afetividade entre eles para que o objetivo da escola possa ser cumprido.

É preciso sempre questionar o papel da escola no mundo moderno e tentar verificar ações que visem transformar o papel do ambiente escolar e dar aos educando um processo de geração de conhecimento menos traumático revendo modelos avaliativos e buscando relações mais harmônicas entre os personagens do contexto escolar para que o processo de geração de conhecimento tenha sempre uma razão de ser e tenha sempre ações de compromisso de todos no alcance de uma nova forma de entender, analisar e questionar o mundo em que vivemos.

A escola de hoje não é igual à de décadas passadas, os alunos também não são os mesmos, e se eles não forem bem trabalhados, podem acabar sendo cúmplices do processo de destruição dos ideais propostos para a concretização de uma escola que seja forte em valores e conhecimentos que visem um aprendizado criativo e prazeroso, aproximando o aluno em relação à realidade que lhe cerca e preparando-o para o mundo do trabalho e para a vida social.

A escola tem um papel importante na vida dos educandos, pois é ela que estimulará e formará estes educandos a serem críticos e conhecedores do seu papel no mundo. A escola precisa resgatar seu valor de difusão do conhecimento pois é nela que nos tornamos pessoas melhores.

Segundo LADISLAU DOWBOR (1998, p.259),

 

a escola deixará de ser "Lecionadora" para ser "gestora do conhecimento. Prossegue dizendo que pela primeira vez a educação tem a possibilidade de ser determinante sobre o desenvolvimento. A educação tornou-se estratégica para o desenvolvimento, mas, para isso, não basta! modernizá-la, como querem alguns. Será preciso transformá-la profundamente.

2 Ser professor no Contexto Atual

 

A trajetória da profissão docente tem estreita ligação com a história da educação escolar e com os impasses e desafios por ela enfrentados. Nunca foi tão difícil ser professor como nos dias de hoje. A relação vertical dos órgãos oficiais educacionais ao propor reformas e novas propostas educacionais, vem colocando o professor no patamar das discussões próprias da sua função; a profissão docente nas últimas décadas se depara com um processo de valorização/desvalorização, crítica e perda de identidade.

O professor no que se refere à competência técnico-didática e científica veio construindo o conhecimento com o qual trabalha apoiando-se nos estatutos da modernidade que têm na ciência, a verdade absoluta.

Para Alves e Garcia (2000), a educação sempre esteve ligada a um projeto, a um sentido, fica difícil para o professor descobrir seu papel numa escola, onde sua autoridade não é mais construída pela certeza de métodos e técnicas. A grande preocupação do professor passa a ser legitimidade da coisa ensinada, no que se refere ao seu valor educativo, consistência e interesse despertado.

Para Nóvoa (1995), a confirmação do sistema de ensino mudou radicalmente e encontramo-nos, por um lado, perante uma autêntica socialização divergente: a de uma sociedade pluralista, com modelos de educação opostos e valores diferentes e contraditórios e por outro lado, a da diversidade própria da sociedade multicultural e multilíngüe.

A participação dos professores na mudança educativa é vital e não basta, portanto, que adquiram novos conhecimentos sobre concepções, métodos e técnicas didáticas. Os professores, mais que aprendizes técnicos, são aprendizes sociais. O conhecimento do desejo do professor parece mostrar com mais verdade o que se deve mudar ou conservar e este é fundado em uma trajetória profissional. É fundamental reafirmar, ainda que o saber docente não é formado apenas da prática, mas é nutrido pelas teorias da educação. O professor desenvolve-se como intelectual crítico no próprio processo de profissionalização, nos cursos de aperfeiçoamento e na prática cotidiana, quando incorpora a análise do âmbito escolar no contexto mais amplo, buscando respostas, para o trato da desigualdade e diversidade com que trabalha hoje. Reconhecendo que no processo das reformas o poder e o conhecimento circulam de forma desigual, recorrer às novas visões da antropologia, sociologia e etnografia representa uma grande contribuição à pesquisa e análise do discurso e da prática pedagógica, não mais a partir da cultura dominante. Assim, pensa-se poder visualizar o professor não mais como dono do saber formal, mas em um movimento de trocas culturais com os alunos, com seus pares e com a comunidade. Por outro lado, não é mais possível vê-lo longe das reflexões sobre o processo político pedagógico do contexto em que atua, respondendo passivamente a proposta de mudanças impostas e não discutidas.

 

CONCLUSÃO

 

A educação acontece na escola e fora dela, ela será eficaz a partir do momento em que professores e alunos tomarem consciência dos processos informais, de educação e que os levem em consideração ao desenvolverem suas atividades, buscando a coerência entre o dizer e o fazer, entre o pensar e o agir, entre o sentir e o falar.

Hamze (2004:1) afirma:

 

"O professor e o mundo contemporâneo", considera que os novos tempos exigem um padrão educacional que esteja voltado para o desenvolvimento de um conjunto de competências e de habilidades essenciais, a fim de que os alunos possam fundamentalmente compreender e refletir sobre a realidade, participando e agindo no contexto de uma sociedade comprometida com o futuro.

 

Faz-se necessário à busca de uma nova reflexão no processo educativo e que a escola também passe por transformações, buscando novas formas do ensino aprendizagem com seu aluno e ser um instrumento de enfoque motivador desse processo.

 

REFERÊNCIAS

ALVES, N; GARCIA, R (Orgs.). O Sentido da Escola. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

BRASIL, Lei nº 9394 de 1996 - Estabelece as Diretrizes da Educação Nacional.

CASTRO, A. H. O professor e o mundo contemporâneo. Jornal O Diário Barretos, opinião aberta, 08 de jul. 2004.

COLL, CÉSAR. Um Marco de Referência Psicológica Para a Educação Escolar: A Concepção Construtivista da Aprendizagem e do Ensino. In: Coll, César.

CURY, Jamil Carlos Roberto. Medo à liberdade e compromisso democrático: LDB e Plano Nacional de Educação. São Paulo: Ed. Do Brasil, 1997.

DOWBOR, L. A Reprodução Social: Vozes, 1998.

GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

NÓVOA, A. (Org). Profissão Professor. Portugal: Porto Editora, 1995.

 

[1] Servidora Publica e Professora de Lingua Portuguesa com Mestrado em Linguistica Aplicada pela UNICAMP – SP.