Fatores responsáveis para o desenvolvimento da inteligência emocional nos alunos

Publicado em: 17/09/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 678 |

A criança não precisa só do desenvolvimento cognitivo como se pensava os primórdios da educação, precisa de subjetividade, ou seja, participar ativamente com o professor no processo educativo. Com isto, deve-se ter uma educação que promova a formação e o desenvolvimento integral do ser humano, seria uso do estudo e da prática da Inteligência Emocional na educação formal. Pois a educação nesses novos tempos necessita-se do trabalho e uso da solidariedade e da consciência na prática pedagógica, buscando contribuir para o extermínio daquele currículo onde só valorizava o conteúdo memorizado em cada matéria. Deve-se criar condições de formar seres humanos conscientes do seu papel em quanto cidadão, ao contrario do que se tem hoje na educação, que é um ensino fragmentado, estimulador da repetência e dos conflitos entre professores e alunos.

Partindo desta ideia, que atitudes devem ser mudadas para que a escola realmente trabalhe a inteligência emocional? O ponto de partida que temos são as observações em sala de aula, pois sabemos que é através desse estudo que conhecemos nossos alunos e a maneira de adequar às atividades a realidade de cada um, daí vem o seguinte pressuposto "devemos ver o homem por inteiro, em uma sociedade solidária e justa, com uma educação de qualidade para todos, que respeite o aluno e lhe permita o desenvolvimento pleno de suas potencialidades". Mas como implantar esta teoria na prática, se não temos quase nada do exposto na afirmativa anterior, pelo contrario temos uma sociedade individualista e pobre em princípios éticos e morais?  

Parece ser absolutamente impossível desenvolver a inteligência emocional nos alunos, principalmente por que os educados não acreditam em seus professores, criando assim um ambiente conflituoso onde as consequências são imediatas, desinteresse por parte dos alunos e diminuição da capacidade de ensinar por parte dos professores, diante de tamanha desmotivação, ambos revelam-se baixa auto-estima e não estão conseguindo dá o melhor de si, contribuindo para agressões físicas e verbais, repetência, abandono escolar e migrações, problemas esses que vem sucateando o processo de ensino aprendizagem. 

Mas continua a pergunta aparentemente sem resposta: como desenvolver essas habilidades no ambiente escolar que temos hoje em dia? Principalmente porque o currículo da educação básica e os cursos de formação de professores ainda estão voltados para a era da informação e não do conhecimento, provocando assim o desgaste de todos envolvidos no processo. Augusto Cury nos alerta para:

Professores, não se preocupem em dar 100% das matérias que lhes foram incumbidas, essa educação está errada e falida. Numa educação participativa, que valoriza o treinamento da emoção, devemos dar mais atenção à qualidade das informações do que à quantidade (CURY, 2001, P. 71)

        A profissão de educador amplia-se além da prática de conteúdos pré-estabelecidos. Nela está inserida a formação enquanto ser humano e isto implicam aspectos afetivos e cognitivos exigindo diversificação de comportamentos, ou seja, é toda uma junção das necessidades escolares e sociais para que o ensino ganhe significado para a vida do educando, pois sabemos que no mundo atual o que realmente importa é aquele conhecimento que atende as necessidades elementares do dia a dia, pois é através deste princípio que o aluno irá chegar à verdadeira aprendizagem, a aprendizagem para a vida. Na escola revela-se toda uma gama de sentimentos; emoções e comportamentos a que um indivíduo possa expressar e se submeter, considerando que ambos passam grande período de tempo nesse ambiente, e, é nele que se expande a possibilidade da educação emocional. Sentimento como amor, alegria devem ser valorizados e incentivados. Mas não significa que as emoções negativas como: raiva, medo, tristeza, frustrações deixarão de existir, no entanto se houver a aproximação aluno/professor, ambos aprenderá a lidar com este tipo de sentimento, pois, são através dessas emoções negativas que o professor conhece seu aluno, podendo criar estratégias para a solução de tais problemas.

Quando o professor está apto a trabalhar estas áreas, auxiliará seu aluno a conscientizar-se de suas emoções. Para isso precisa ser intuitivo. "Quem não desenvolve a intuição pode estar preparado para educar robôs, mas não seres humanos". (CURY, 2007, p. 58).

O meio social hoje está absorvida em grandes problemas de relacionamento devido à falta de controle emocional e isto acaba atingindo a escola: crianças extremamente estressadas, individualistas, carentes de afeto, entre outros. Não seria à hora do professor aproximar do aluno, interessar pela vida do mesmo? Uma sugestão para esta aproximação seria: fazer com que o aluno se sinta útil no meio escolar, como por exemplo, o professor poderia pedir auxílio ao educando em acesso a internet, pois sabemos que os jovens têm certa facilidade no uso da tecnologia. Com isto o aluno entenderia que o conhecimento é recíproco que todos precisam uns dos outros, o aluno aprenderia a ser feliz na escola, descobrindo o prazer de aprender, e vendo o professor não só como profissional que esta lá para ensinar, mas como um aliado no processo de desenvolvimento educacional. Além disto, não podemos descartar o ambiente em sala de aula, pois deve ser acolhedor, organizado, de grande interação onde os próprios alunos são os responsáveis por esta organização fazendo com que eles se sintam ativos não só no desenvolvimento da aprendizagem, mas no processo de formação do ser humano.

Espero que os educadores e planejadores estejam à altura do desafio de criar ambientes em que as inteligências possam ser avaliadas de uma maneira tão naturalista e justa para com a inteligência quanto possível. (GARDNER, 1999, P. 211).

Diante do exposto não devemos esquecer as limitações enfrentadas pelos educadores como: extensa carga horária de trabalho, salas lotadas, o não envolvimento do meio social (pais, família, comunidade), pouco tempo reservado ao planejamento, sentimentos e profissionalismo do professor, além da sensibilidade, que se torna um fator imprescindível no papel que desempenha no processo de ensino-aprendizagem e desenvolvimento emocional. Deve-se ter também uma participação maior por parte do Poder Público em todos os aspectos principalmente no sentido de valorização dos professores, na organização do sistema educacional, melhoria nas estruturas físicas das escolas propiciando um espaço agradável ao desenvolvimento das diversas atividades. Com tudo isto tornará possível o desenvolvimento de uma educação não doentia, e o professor poderá desempenhar suas funções com maiores chances de sucesso.

 

REFERÊNCIAS

CURY, Augusto. Maria , a maior educadora da história. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.

CURY, Augusto. Treinando a emoção para ser feliz. São Paulo: Academia de Inteligência, 2001.

GARDNER, Howard. O Verdadeiro, o Belo e o Bom: os princípios básicos para uma nova educação. EUA. Objetiva, 1999.

TIBA, Içami. Disciplina: limite na medida certa. Novos paradigmas – ed. ver. atual. E ampl. – São Paulo: Integrare Editora, 2006.

 

Avaliar artigo
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 1 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/fatores-responsaveis-para-o-desenvolvimento-da-inteligencia-emocional-nos-alunos-5227885.html

    Palavras-chave do artigo:

    desenvolvimento da inteligencia emocional na educacao basica

    Comentar sobre o artigo

    Ricardo Capozzi

    As competências interpessoais são apontadas como fator determinante para o sucesso profissional. É inteligente emocionalmente aquele profissional que tem autoconsciência, pois consegue monitorar-se, observar-se em ação e fazer com que seus atos influenciem positivamente outras pessoas. Saber manter-se equilibrado em situações de estresse, transmitir confiança e tranqüilidade são predicados essenciais para a manutenção do comportamento humano.

    Por: Ricardo Capozzil Carreira> Recursos Humanosl 05/07/2011 lAcessos: 3,526

    O presente trabalho tem como propósito apresentar um estudo através de uma análise bibliográfica sobre a incorporação das tecnologias da informação e da comunicação na educação básica. Apontando algumas reflexões e discussões acerca do uso das tecnologias no cotidiano e nas práticas pedagógicas dos professores de educação básica.

    Por: Patricia Coelhol Educação> Educação Onlinel 24/08/2010 lAcessos: 4,533 lComentário: 1

    O uso da ludicidade é neste artigo sugerido como ferramenta de apoio, para ser resgatado como processo educativo e para ser utilizado nas atividades lúdicas não como substituta pura e simples do método tradicional de ensino, mas torná-lo mais eficiente e compreensível para o aluno, pois os jogos possuem a vantagem de, ao mesmo tempo em que ensina diverte. Dessa forma a criança comunica-se consigo mesma e com o mundo, aceita a existência dos outros, estabelece relações sociais, constrói conhecime

    Por: Elizabete Rodrigues Rebouças Pereira da Cruzl Educação> Educação Onlinel 19/01/2011 lAcessos: 3,465
    Berenice Neves Grisoste

    Este artigo relata a relação afetiva entre aluno/professor que é de extrema importância para o desenvolvimento de aprendizagem saudável entre os educandos, e adaptação dos mesmos ao meio físico e social. O desenvolvimento do aluno tem um valor imprescindível para o processo de construção de conhecimentos e da realidade em que ele vive. Percebe-se que o afeto é um grande laço que liga o professor e aluno, é um conjunto onde estão relacionados á autoestima, amor, sentimentos e valores, são essas r

    Por: Berenice Neves Grisostel Educação> Educação Infantill 24/11/2013 lAcessos: 104
    Fayson Merege

    Considerando que o movimento, a corporeidade e o lúdico são de suma importância para o desenvolvimento da criança e que a Educação Física é parte do processo de cultura e humanização da mesma, o presente estudo busca construir e consolidar uma parceria entre a Pedagogia e a Educação Física na Educação Infantil. Pela importância que a infância representa na formação da personalidade do indivíduo, buscam-se respaldos por uma "nova práxis pedagógica" que leve a uma organização didática.

    Por: Fayson Meregel Educação> Educação Infantill 13/06/2012 lAcessos: 656
    Marcelo Gomes González

    O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil é um documento que equivale aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), já que foi criado pelo MEC em 1998. No entanto, há um debate ferrenho entre as grandes esferas da administração é o fato desse nível de ensino compor a Educação Básica, mas ser posta de forma facultada, fazendo com que, muita das vezes, não seja cursada pela criança, que fica com um ensino deficitário na base do conhecimento.

    Por: Marcelo Gomes Gonzálezl Educação> Educação Infantill 17/10/2012 lAcessos: 542
    GUTEMBERG MARTINS DE SALES

    A pesquisa possibilitou-nos demonstrar a importância das atividades lúdicas na aprendizagem, visto que os jogos e brincadeiras são, conforme diversos estudiosos, experiências que se correlacionam ao ambiente e devem ser aplicadas as crianças em fase escolar, indiferente de idade e série. Ostentada por expressivos referenciais teóricos, a proposta de trabalho apresentada permite afirmar a existência de jogos e brincadeiras infantis, que se bem aplicadas, auxiliarão no desenvolvimento infantil.

    Por: GUTEMBERG MARTINS DE SALESl Educação> Educação Infantill 15/05/2014 lAcessos: 138
    Rosimeire Moreira Quintela

    RESUMO Esta pesquisa visa transformar métodos tradicionais contidos na escola levando os professores a participarem de pesquisas, práticas pedagógicas, inovações para que suas aulas se tornem mais criativas e produtivas. O objetivo é de auxiliar na superação do fracasso escolar em relação à leitura, pois se acredita na possibilidade de sucesso de todas as crianças...

    Por: Rosimeire Moreira Quintelal Educação> Educação Infantill 11/01/2012 lAcessos: 1,158
    Iracema Gonçalves da Silva

    A brincadeira é a atividade espiritual mais pura do homem neste estágio e, ao mesmo tempo, típica da vida humana enquanto um todo da vida natural interna no homem e de todas as coisas. Ela dá alegria, liberdade, contentamento, descanso externo e interno, paz com o mundo...

    Por: Iracema Gonçalves da Silval Educaçãol 04/12/2010 lAcessos: 4,474 lComentário: 1
    Zilda Ap. S. Guerrero

    No método de Frotagem o artista utiliza um lápis ou outra ferramenta de desenho, e faz uma "fricção" sobre uma superfície texturizada. O desenho pode ser deixado como está, ou pode ser utilizado como base para aperfeiçoamento. Essa técnica foi desenvolvida pelo pintor, escultor e artista gráfico alemão, Max Ernst, em 1925. Ele foi um dos fundadores do movimento "Dada" e posteriormente um dos grandes nomes do Surrealismo.

    Por: Zilda Ap. S. Guerrerol Educação> Educação Infantill 18/09/2014 lAcessos: 172

    Ênfase no aprender não é de hoje que existe esse modelo de avaliação formativa. A diferença é que ele é visto com o melhor caminho para garantir a evolução de todos os alunos, uma espécie de passo á frente em relação á avaliação conhecida como somativa.

    Por: Jania Gasques bordonil Educação> Educação Infantill 17/09/2014

    Atualmente, o tema Educação Física na Educação Infantil vem sendo objeto de estudo de múltiplos pesquisadores. Essa "nova" área de estudo justifica-se pelo fato de que o movimento, a corporeidade e o lúdico são de suma importância para o desenvolvimento da criança.

    Por: Sandra Maria dos Reis Bernardol Educação> Educação Infantill 16/09/2014

    A verdadeira educação é aquela que instiga o desejo do indivíduo a explorar, observar, trabalhar, jogar e acreditar-se. Levando em conta essa perspectiva, a educação precisa organizar seus conhecimentos, partindo dos interesses dos alunos e, desse modo, levá-los a outros patamares de aprendizagem, que são primordiais à formação e ao exercício da cidadania.

    Por: Sandra Maria dos Reis Bernardol Educação> Educação Infantill 16/09/2014

    O presente artigo objetiva investigar como Educação Infantil contribuem para o desenvolvimento da aprendizagem.

    Por: Sandra Maria dos Reis Bernardol Educação> Educação Infantill 15/09/2014 lAcessos: 14

    O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma doença cercada de controvérsia. Por atingir principalmente crianças, muito pais enxergam problemas onde eles não existem — sintomas isolados são comuns nesta fase da vida. Também há quem não preste atenção ao conjunto de sintomas que a caracterizam: quadros de desatenção, hiperatividade e impulsividade de maneira exacerbada.

    Por: Jania Gasques bordonil Educação> Educação Infantill 14/09/2014 lAcessos: 12

    Receber os estudantes com deficiência é um avanço. Mas faltam fazer da inclusão uma realidade e assegurar o direito à Educação

    Por: Jania Gasques bordonil Educação> Educação Infantill 14/09/2014
    Isabel Cristina

    Atualmente, a proposta de educação inclusiva tem gerado polêmicas discussões entre os que adotam uma posição integracionista, os que defendem a escola inclusiva ou ainda aqueles que sentem a importância de uma educação especializada para o aluno com necessidades educacionais especiais . No longo caminho a ser percorrido muitas são as dificuldades a serem enfrentadas, principalmente as que dizem respeito às barreiras físicas e atitudinais,constituídas dos estigmas, preconceitos e estereótipos.

    Por: Isabel Cristinal Educação> Educação Infantill 29/08/2014 lAcessos: 14
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast