Fatores responsáveis para o desenvolvimento da inteligência emocional nos alunos

17/09/2011 • Por • 873 Acessos

A criança não precisa só do desenvolvimento cognitivo como se pensava os primórdios da educação, precisa de subjetividade, ou seja, participar ativamente com o professor no processo educativo. Com isto, deve-se ter uma educação que promova a formação e o desenvolvimento integral do ser humano, seria uso do estudo e da prática da Inteligência Emocional na educação formal. Pois a educação nesses novos tempos necessita-se do trabalho e uso da solidariedade e da consciência na prática pedagógica, buscando contribuir para o extermínio daquele currículo onde só valorizava o conteúdo memorizado em cada matéria. Deve-se criar condições de formar seres humanos conscientes do seu papel em quanto cidadão, ao contrario do que se tem hoje na educação, que é um ensino fragmentado, estimulador da repetência e dos conflitos entre professores e alunos.

Partindo desta ideia, que atitudes devem ser mudadas para que a escola realmente trabalhe a inteligência emocional? O ponto de partida que temos são as observações em sala de aula, pois sabemos que é através desse estudo que conhecemos nossos alunos e a maneira de adequar às atividades a realidade de cada um, daí vem o seguinte pressuposto "devemos ver o homem por inteiro, em uma sociedade solidária e justa, com uma educação de qualidade para todos, que respeite o aluno e lhe permita o desenvolvimento pleno de suas potencialidades". Mas como implantar esta teoria na prática, se não temos quase nada do exposto na afirmativa anterior, pelo contrario temos uma sociedade individualista e pobre em princípios éticos e morais?  

Parece ser absolutamente impossível desenvolver a inteligência emocional nos alunos, principalmente por que os educados não acreditam em seus professores, criando assim um ambiente conflituoso onde as consequências são imediatas, desinteresse por parte dos alunos e diminuição da capacidade de ensinar por parte dos professores, diante de tamanha desmotivação, ambos revelam-se baixa auto-estima e não estão conseguindo dá o melhor de si, contribuindo para agressões físicas e verbais, repetência, abandono escolar e migrações, problemas esses que vem sucateando o processo de ensino aprendizagem. 

Mas continua a pergunta aparentemente sem resposta: como desenvolver essas habilidades no ambiente escolar que temos hoje em dia? Principalmente porque o currículo da educação básica e os cursos de formação de professores ainda estão voltados para a era da informação e não do conhecimento, provocando assim o desgaste de todos envolvidos no processo. Augusto Cury nos alerta para:

Professores, não se preocupem em dar 100% das matérias que lhes foram incumbidas, essa educação está errada e falida. Numa educação participativa, que valoriza o treinamento da emoção, devemos dar mais atenção à qualidade das informações do que à quantidade (CURY, 2001, P. 71)

        A profissão de educador amplia-se além da prática de conteúdos pré-estabelecidos. Nela está inserida a formação enquanto ser humano e isto implicam aspectos afetivos e cognitivos exigindo diversificação de comportamentos, ou seja, é toda uma junção das necessidades escolares e sociais para que o ensino ganhe significado para a vida do educando, pois sabemos que no mundo atual o que realmente importa é aquele conhecimento que atende as necessidades elementares do dia a dia, pois é através deste princípio que o aluno irá chegar à verdadeira aprendizagem, a aprendizagem para a vida. Na escola revela-se toda uma gama de sentimentos; emoções e comportamentos a que um indivíduo possa expressar e se submeter, considerando que ambos passam grande período de tempo nesse ambiente, e, é nele que se expande a possibilidade da educação emocional. Sentimento como amor, alegria devem ser valorizados e incentivados. Mas não significa que as emoções negativas como: raiva, medo, tristeza, frustrações deixarão de existir, no entanto se houver a aproximação aluno/professor, ambos aprenderá a lidar com este tipo de sentimento, pois, são através dessas emoções negativas que o professor conhece seu aluno, podendo criar estratégias para a solução de tais problemas.

Quando o professor está apto a trabalhar estas áreas, auxiliará seu aluno a conscientizar-se de suas emoções. Para isso precisa ser intuitivo. "Quem não desenvolve a intuição pode estar preparado para educar robôs, mas não seres humanos". (CURY, 2007, p. 58).

O meio social hoje está absorvida em grandes problemas de relacionamento devido à falta de controle emocional e isto acaba atingindo a escola: crianças extremamente estressadas, individualistas, carentes de afeto, entre outros. Não seria à hora do professor aproximar do aluno, interessar pela vida do mesmo? Uma sugestão para esta aproximação seria: fazer com que o aluno se sinta útil no meio escolar, como por exemplo, o professor poderia pedir auxílio ao educando em acesso a internet, pois sabemos que os jovens têm certa facilidade no uso da tecnologia. Com isto o aluno entenderia que o conhecimento é recíproco que todos precisam uns dos outros, o aluno aprenderia a ser feliz na escola, descobrindo o prazer de aprender, e vendo o professor não só como profissional que esta lá para ensinar, mas como um aliado no processo de desenvolvimento educacional. Além disto, não podemos descartar o ambiente em sala de aula, pois deve ser acolhedor, organizado, de grande interação onde os próprios alunos são os responsáveis por esta organização fazendo com que eles se sintam ativos não só no desenvolvimento da aprendizagem, mas no processo de formação do ser humano.

Espero que os educadores e planejadores estejam à altura do desafio de criar ambientes em que as inteligências possam ser avaliadas de uma maneira tão naturalista e justa para com a inteligência quanto possível. (GARDNER, 1999, P. 211).

Diante do exposto não devemos esquecer as limitações enfrentadas pelos educadores como: extensa carga horária de trabalho, salas lotadas, o não envolvimento do meio social (pais, família, comunidade), pouco tempo reservado ao planejamento, sentimentos e profissionalismo do professor, além da sensibilidade, que se torna um fator imprescindível no papel que desempenha no processo de ensino-aprendizagem e desenvolvimento emocional. Deve-se ter também uma participação maior por parte do Poder Público em todos os aspectos principalmente no sentido de valorização dos professores, na organização do sistema educacional, melhoria nas estruturas físicas das escolas propiciando um espaço agradável ao desenvolvimento das diversas atividades. Com tudo isto tornará possível o desenvolvimento de uma educação não doentia, e o professor poderá desempenhar suas funções com maiores chances de sucesso.

 

REFERÊNCIAS

CURY, Augusto. Maria , a maior educadora da história. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.

CURY, Augusto. Treinando a emoção para ser feliz. São Paulo: Academia de Inteligência, 2001.

GARDNER, Howard. O Verdadeiro, o Belo e o Bom: os princípios básicos para uma nova educação. EUA. Objetiva, 1999.

TIBA, Içami. Disciplina: limite na medida certa. Novos paradigmas – ed. ver. atual. E ampl. – São Paulo: Integrare Editora, 2006.

 

Perfil do Autor

ERINALDO REINALDO RODRIGUES

Possui graduação em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Universidade Estadual do Piauí (2009) especialização em Gestão Escolar pela...