Importância da leitura na aprendizagem dos alunos nos anos iniciais

27/09/2011 • Por • 750 Acessos

IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA APRENDIZAGEM DOS ALUNOS NOS ANOS INICIAIS

EVILÁSIO FERREIRA DE SOUSA

 

 

A leitura é um processo de interação entre o autor e o leitor, mediado pelo texto. É processo dinâmico que leva o leitor a inferir dados e situações e a pensar, intensamente, após o ato de ler. O leitor coloca-se dentro do texto, identifica-se com personagens, considera o provável e desconsidera o improvável, o que permite e favorece a compreensão de um texto. É o leitor que confere sentido ao texto, completando os vazios deixados pelo autor. Autor e leitor dialogam sobre um tema e completam-se a partir de suas experiências.

O ensino da leitura é um empreendimento de risco se não estiver fundamentado numa concepção teórica firme sobre os aspectos cognitivos envolvidos na compreensão do texto. Tal ensino pode facilmente desembocar na exigência de mera reprodução das vozes de outros leitores mais experientes ou mais poderosos que o aluno. (...) Ler criticamente significa questionar as evidências a fim de rechaçar a lógica da dubiedade, agindo no sentido de enxergar com lucidez os dois lados de uma moeda, as várias dimensões de um problema, as múltiplas camadas de significação de um texto (...). Em suma, o leitor crítico tem sempre como norte (como propósito implícito ou explícito ao longo dessa atividade específica da leitura) chegar a um posicionamento combatendo a simplificação ou a superficialização da realidade via discurso que a representam. (SILVA, 1998, p.38).

Cabe a instituição escolar, programar uma prática de leitura crítica voltada para a educação libertadora e cultural. Conforme Silva (1993, p.82) "não existe meio termo para o trabalho pedagógico: ou se educa para a emancipação (conscientização, politização) ou se educa para a submissão (enquadramento, adaptação)".

Quem se compromete com a formação de leitores no Brasil tem que contar com bloqueios e dificuldades de várias ordens: distorções e equívocos na prática de leitura ou na ausência dessa prática. Isso é observado por Silva (1986:60), quando diz que "o abismo que se separa a criança brasileira do livro fica ainda melhor delineado quando enfocamos o fator escolar". Isso acontece porque a escola não cumpre com sua função social de aproximar os alunos do mundo da leitura, incentivando-os por meio da diversidade de livros e textos que circulam socialmente. Segundo o PCN de Língua Portuguesa (1997): A leitura na escola tem sido fundamentalmente um objeto de ensino. Para que possa constituir também objeto de aprendizagem, é necessário que faça sentido para o aluno, isto é, a atividade de leitura deve responder do seu ponto de vista, os objetivos de realização imediata. (BRASIL, 1997, p.54).

Pode-se dizer que a leitura abre caminhos para se interpretar o mundo e dar sentido a ele. No entanto, precisa-se ter a certeza de que a função do educador não seria precisamente a de ensinar a ler, mas a de criar condições para o educando realizar a sua própria aprendizagem conforme seus próprios interesses, necessidades, fantasias; segundo as dúvidas e exigências que a realidade lhe apresenta. Assim, criar condições de leitura, não implica só alfabetizar, mas ter acesso a tudo que lhe convém. Contudo a realidade que se contempla nas escolas encontra-se bem distante desses princípios, embora alguns poucos professores manifestem esforço para mudar esse quadro. Justamente essa minoria que tem conseguido reverter os insucessos em muitas salas de aulas.

Na maioria das escolas, encontram-se professores que estimulam anotações, cópias e memorizações, o que tem levado o educando a se afastar do gosto pela leitura. Nesta perspectiva, Bamberger (1991, p.97) afirma que "quando se transforma em rotina mecânica, a leitura perde sua função de estímulo intelectual e emocional e pode redundar no embotamento da fantasia e do raciocínio".

Solé (1998, p.97), diz que "a leitura por prazer associa-se à leitura de literatura" a qual oportuniza um diálogo com o leitor, estimula sua participação, atraindo o leitor para novas abordagens literárias, devido ao seu redor ser, às vezes um tanto lúdico, permite uma compreensão mais racional e mais crítica do texto.

Yunes e Pondé (1988, p.37) dizem que, "desse modo, a literatura assume um papel muito amplo, pois deixa de ser apenas sinal de erudição, para construir na formação do pensamento crítico e atuar como instrumento de reflexão."

Vale salientar que a leitura de literatura favorece no processo educativo, ao mesmo tempo em que dá prazer, através do estímulo das sensações e das emoções do leitor, desafia sua razão e amplia seu conhecimento. O trabalho com leitura em sala de aula ainda não tem sido feito de maneira correta, remete-se ao uso do texto como pretexto para estudo da gramática e à concepção errônea sobre o que vem a ser um texto.

A compreensão é uma atividade de construção dos sentidos do texto. Sendo assim, é necessário ocorrer a interação entre leitor e texto; conseqüentemente a rede de relações significativas existentes no texto e na visão do mundo, tanto do autor quanto do leitor, será revelada. A partir de informações implícitas e explícitas, somadas aos conhecimentos prévios do leitor, ele será capaz de realizar inferências, construindo desse modo, um novo significado. Utilizando seus conhecimentos de mundo e suas estruturas psicológicas, o leitor pode descobrir diversos significados contextual.

Ao se considerar aspectos como as hipóteses do leitor e seus conhecimentos prévios, começam a se discutir a noção de contexto. A leitura, numa perspectiva interativa, não é simplesmente entendida como algo para ser ensinado o feito, mas como um processo orquestrado e complexo, por meio do qual os indivíduos constroem sentidos. Os conhecimentos prévios do leitor são discretos, usados para organizar uma classe particular de conceitos formados a partir de experiências.

Uma concepção mais contemporânea define a leitura como um ato de significado a um texto escrito. Num mundo onde a escrita é um meio importante na circulação de idéias, é fundamental a análise do ato de ler. Ler não é decodificar.

Ler, todo mundo sabe, está longe de ser uma tarefa fácil. Qualquer leitura exige o domínio da língua e suas nuances, além de tempo e concentração, determinação e conhecimento sobre o tema (ou vontade para aprender e descobrir). Mas ler é o único jeito de se comunicar de igual para igual com o resto da humanidade, seja no tempo- por meio de textos escritos por gente que já morreu, como Jean Piaget e Paulo Freire, seja no espaço- ao ler em jornais, livros e revistas, o que japoneses e alemães acham de eventos que estão ocorrendo neste exato momento. É nos escritores que se desvendam outras culturas, que hábitos e histórias diferentes se revelam e que se compreende, de fato, o sentido da expressão diversidade (de idéias, vivências, sonhos, experiências). É por isso que ler seja talvez, a coisa mais importante que a escola tem a ensinar, até porque se os alunos não tiverem o domínio da leitura não poderão compreender as outras disciplinas escolares e é possivelmente por isso que eles concluam seus estudos e pouco tempo depois não se lembram do que estudaram.

Não existe um método pronto para se ensinar a ler, mas existem estratégias de leitura que facilitam a tarefa do professor de ensinar compreensão leitora aos seus alunos. É necessário que o professor tome conhecimento dessas estratégias e as ponha em prática nas atividades de leitura para enriquecimento da aula.

Estratégias de leitura: As estratégias de leitura são procedimentos ou atividades escolhidas para facilitar o processo de compreensão em leitura. São também, técnicas ou métodos que os leitores usam para adquirir a informação; ocorrem simultaneamente podendo ser mantidas, modificadas ou desenvolvidas durante a apropriação do conteúdo.

As estratégias mais usadas são: 1-    Antecipação- são as hipóteses que o leitor levanta com base nas pistas que vai percebendo durante a leitura ou com base nos conhecimentos que tem acerca do gênero literário, por exemplo, ou nas ilustrações, título e outras mais; 2-    Seleção- é a capacidade que a mente tem em selecionar aspectos importantes, relevantes e ignorar outros irrelevantes, a fim de compreender o texto; 3-    Inferências- são os complementos que o leitor fornece ao texto a partir dos seus conhecimentos prévios; 4-    Auto-regulação- é a ponte que o leitor faz entre o que supõe e as respostas que vai obtendo no decorrer da leitura; 5-    Auto - correção- acontece quando o leitor fica com dúvidas e então repensa a hipótese levantada, criam outras e faz as devidas correções.

 A leitura como meio de aprendizagem: A leitura é um dos meios mais importantes na escola para a aprendizagem. É necessário que a prática da leitura nas salas de aulas seja freqüente, pois à medida que se avança na escolaridade, aumenta a exigência de uma leitura mais independente pelos alunos.

O problema é que os alunos estão chegando às séries mais altas do ensino fundamental sem saber ler e ler, como já foi dito anteriormente, não é tarefa fácil de ensinar. O aconselhado é que se usem várias estratégias, muitos materiais e métodos para que o aluno se sinta estimulado para leitura.

O que mais motiva as crianças a ler e a escrever, conforme afirma Solé (1998), "leitura em grupos pequenos ou grandes é ver os adultos que tenham importância para elas lendo ou escrevendo, assistir a, tentar e sentir-se aprovadas em suas tentativas.

Aprender a ler é muito diferente de aprender outros procedimentos ou conceitos. Exige que a criança possa dar sentido àquilo que se pede que ela faça que disponha de instrumentos cognitivos para fazê-lo e que tenha ao seu alcance a ajuda insubstituível do seu professor, que pode transformar esse ato num desafio apaixonante e cheio de emoções, o que para muitos é um caminho duro e cheio de obstáculos.

Uma pessoa desenvolverá o gosto pela leitura se desde cedo tiver experiências gratificantes com os livros ou até mesmo através da internet buscando textos significativos. Pesquisas recentes mostram que a televisão não é obstáculo à leitura, atende a certas expectativas das pessoas, mas não ocupa o lugar do livro. Muitas vezes, ela até chama atenção sobre determinados títulos, estimulando a leitura.

Considerando as discussões apresentadas neste artigo, conclui-se que a leitura deve ser vista como uma atividade intermediária entre autor-leitor-texto, que se caracteriza em outras interações, que é possível incluir ações de resgate e valorização da leitura como instrumento especial de aquisição de conhecimento humano, na arte de interpretar a realidade.

A compreensão eficiente de um texto é conseqüência de uma leitura interativa onde o leitor, por meio do processo de monitoramento, ativa seu conhecimento prévio e suas lembranças "que são relevantes para a compreensão de um texto que fornece pistas e sugere caminhos, mas que certamente não explicita o que seria possível explicitar." (KLEIMAN, 199, p. 27).

Para que a aprendizagem aconteça, o professor precisa dispor de paciência e gentileza, evitar o excesso de informações inúteis e aceitar o aprendizado das crianças de acordo com o desenvolvimento natural de suas faculdades. Não pode e não deve confiar em uma metodologia especial, milagrosa, mas na sua experiência, fundamentada por sua competência pedagógica. É observando seus alunos, refletindo sobre sua prática e aprofundando seus conhecimentos sobre a leitura e a aprendizagem, que ele, o professor, pode compreender e atender às necessidades, às dificuldades e aos interesses de cada criança num dado momento. Ler é uma atividade voluntária, inserida num projeto individual e /ou coletivo.

É preciso entender que ler não é um ato mecânico de decodificação das palavras. Ler é ir além do escrito, compreender as entrelinhas, ir e voltar no texto, é descobrir e descobrir-se. Ler é um ato apaixonante que nos faz viajar, sofrer, amar. É a porta de entrada para todos os conhecimentos.

 

Importância da leitura na aprendizagem dos alunos nos anos iniciais

                                                 EVILASIO FERREIRA DE SOUSA[1]

                                          E-mail: eurison1@bol.com.br

 

 

RESUMO: O presente artigo consiste em apresentar, através de uma pesquisa bibliográfica, um estudo sobre a importância da leitura na aprendizagem dos alunos nos anos iniciais. O qual sugere destacar a importância da leitura na primeira fase da vida escolar dos educandos, uma vez que já foi comprovado que quem ler mais aprende com mais facilidade, se comunica melhor e absorve com mais eficácia as informações. O hábito da leitura se forma antes mesmo do saber ler; é ouvindo histórias que se treina a relação com o mundo, o aluno lê tudo que se passa ao seu redor, suas relações, sua situação; tudo isso antes de ingressar na escola e aprendendo a ler, a criança entra na língua escrita. Sabe-se que a criança traz para a escola o conhecimento prévio e que esse precisa ser sistematizado, por isso cabe a escola criar condições que garantam a permanência da curiosidade que a criança tem em desvendar os mistérios dos textos, lendo-os por prazer e não por obrigação.  

PALAVRAS-CHAVE: Escola, Aluno, Leitura, Aprendizagem

 

The importance of reading on student learning in the initial years

 

ABSTRACT:  This article is to present, through a bibliographical, a study on the importance of reading on student learning in the initial years. Which suggests stressing the importance of reading in the first phase of schooling of learners, since it has already been established that anyone reading more learns more easily communicate better and absorbs more effectively the information. The habit of reading is formed even before the read; it is listening to stories that trains the relationship with the world, the student reads all what is happening around them, their relationships, their situation; all this before joining at school and learning to read, the child enters the written language. We know that the child brings to school knowing that needs to be systematic piece, lies the school create conditions which ensure the permanence of curiosity that the child is in uncovering the mysteries of texts by reading them for fun and not an obligation.   

 

KEY WORDS: School, Student, Reading, Learning

 

 

 

[1] DOUTOR EM EDUCAÇÃO (UNINORTE - PY)

 

Perfil do Autor

Evilasio Ferreira de Sousa

Doutor em Educação (Uninorte - PY), Meste em Invação Educacional (UAB - Espanha), Especialista em Metodologia do Ensino Superior e d...