Inclusão escolar um problema social

09/10/2012 • Por • 220 Acessos

 Introdução 

         Quando foi criada a Lei de Diretrizes e bases da Educação (LDB), 9394/96, com o objetivo de incluir as crianças com necessidades educacionais especiais, no ensino regular e como era de se esperar não agradou a todos, certamente essas rejeição foi sem dúvida a falta de conhecimento dos profissionais da área educacional, muitos por ter que fazer um trabalho diferenciado em sala de aula e na escola junto a estas crianças. A inclusão dos portadores de necessidades educacionais especiais é um dos grandes desafios que não só a educação nas a sociedade no geral enfrenta hoje. Isto nos faz refleti sobre o verdadeiro sentido da inclusão e a necessidade de formação profissional. Atualmente, mesmo com as leis que amparam a educação inclusiva, sabe-se que o atendimento as crianças com necessidades educacionais especiais, ainda é um grande desafio para as escolas, uma vez que requerem do educador e de toda a comunidade escolar conhecimento e entendimento diferenciado do seu processo. A escola tem a finalidade de trabalhar o desenvolvimento integral de todas as crianças, inclusive da criança com necessidades educacionais especiais, promovendo o seu crescimento nos aspectos físico, psicológico, social, intelectual e cultural dentro do âmbito escolar. Por outro lado os benefícios são muitos, tanto para os alunos com necessidades educacionais especiais quanto para os demais que terão a oportunidade de conviver com as diferenças, refletindo e respeitando as mesmas desde muito cedo.

Exclusão ate quando teremos?

           A educação é a base para uma sociedade mais justa, se todos seguissem essa linha de pensamento principalmente os políticos que são os que realmente fizessem acontecer em nosso país teriam uma educação de qualidade, e certamente não haveria tantas desigualdades sociais, tanta gente sem ter acesso à escola e ao conhecimento.   Muitas escolas  ainda resistem à inclusão em virtude da sua incapacidade de atuar diante da diversidade, da variedade, daquilo que é real nos seres humanos, em vez daquilo que ela idealiza. Assim, uma classe heterogênea em escola pode e deve favorecer esse meio estimulador para que, não apenas o aluno com necessidades especiais educacional, mas qualquer aluno possa desenvolver seu processo sócio-cultural. 

 Ponto de vista de Paulo Freire (2001, P.21)

"Não me parece possível a nenhum educador ou educadora que assuma a responsabilidade de coordenar os trabalhos de uma Secretaria de Educação, não importa de que cidade ou estado, escapar ao desafio dos défitis que a educação brasileira experimenta. De um lado. O quantitativo, e do outro qualitativo."

        A escola, e considerada espaço privilegiado de construção de conhecimentos e de envolvimento de valores, e tem como propostas pedagógicas a contribuição, para a transformação da sociedade no sentido de torná-la menos desigual e mais democrática,      ela deve refletir sobre formas de inclusão social, de modo que os alunos e a comunidade participem de seu grupo social e usufruam as possibilidades que a instituição lhe oferece, a escola deve viabilizar a construção de culturas, políticas e práticas inclusivas, referindo nos desenvolvimentos de valores pela preocupação com a construção cotidiana de relações de desigualdade e de desvalorização do outro na escola e na sociedade.

Segundo Paulo Freire (1996)

"É de inclusão que se vive á vida. É assim que os homens aprendem, em comunhão. O homem se define pela capacidade e qualidade das trocas que estabelece e isso não seriam diferentes com os portadores de necessidades educacionais especiais."

           Uma escola e reconhecida como lugar de encontros, lugar de humanização, de sensibilidade, lugar de vida e de diversidade.   Para se ajustar a essa realidade a escola precisa focar nos desafios que serão provocados por essa inovação, nas ações que serão implementadas quando da efetivação do aluno com necessidades educacionais especiais nas turmas escolares e principalmente o cuidado na formação de profissionais para atender esta nova demanda escolar que antes era submetida ao ensino especializado.

Como diz Glat (2007)

"Para se torna-se inclusiva a escola precisa formar seus professores e equipe de gestão, e rever as formas de interação vigentes entre todos os segmentos que a compõem e que nela interferem.  Precisa realimentar sua estrutura, organização, seu projeto político-pedagógico, seus recursos didáticos, metodologias e estratégias de ensino."  

            A intenção de incluir deve estar em primeiro lugar, visando garantir efetivamente a participação e a aprendizagem do aluno. Para que haja uma educação verdadeiramente libertadora, precisamos de professores atualizados e sem preconceitos, para obter uma aprendizagem escolar de qualidade e produtiva, é preciso primeiramente relacionar-se com o outro, integrar-se ao convívio social, então, cabe ao professor fazer essa relação de integração do aluno portador de necessidades educacional especiais com os demais colegas de turma para que haja um bom relacionamento entre eles, pois a inclusão verdadeira e aquela que da oportunidade a todos sem preconceitos.

            Todos nós não podemos ter um lugar no mundo sem desconsiderar o do outro, valorizando o que ele é e o que ele pode ser, além disso, para todos os professores o maior ganho está em garantir a todos o direito à educação igual.

De acordo com Paulo Freire (1996, p. 73):

"Que o formado na área da educação, tem que se convencer definitivamente desde o inicio de sua formação de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidade para a sua produção ou a sua construção",

         Para que realmente tenha uma melhora significante de Educação para todos, os professores deverão ousar avançar, mas ousar com confiabilidade, com paixão e muita coragem, traçando metas de políticas educacionais que tragam em sua concepção a inclusão, para que não mais haja sob qualquer pretexto o distanciamento ao atendimento escolar.  A inclusão pode ser uma verdadeira relação ensino-aprendizagem, uma relação aluno - professor, aluno - aluno na qual cada indivíduo ora é os chamados aprendizes, ora é o chamado ensinantes. Com isto, pode assegurar o acolhimento e o desenvolvimento dos alunos que necessitam de uma educação inclusiva.

                É muito importante que a criança com portadora de necessidades especial freqüente a escola, onde ela pode desenvolver seu potencial intelectual e interagir com outras crianças, e a família desempenha um papel de fundamental importância no processo de adaptação dessa criança à escola, ela deve conversar com a professora e com a equipe escolar, orientando sobre como seus limites e potencialidades.

Os obstáculos ainda existem

             A muitos obstáculos ainda a ser enfrentados para ter um ensino especializado no aluno, pois implicam investimentos em novos conhecimentos atuais, na educação em nosso país e com isso tem suas barreiras nas intervenções tipicamente escolares, em sala de aula.

 De acorda com Paulo Freire (1979, p.15)

"Esta tomada de consciência não é ainda a conscientização, porque esta consiste no desenvolvimento crítico da tomada de consciência. A conscientização implica, pois, que ultrapassemos a esfera espontânea de apreensão da realidade, para chegarmos a uma esfera cognoscível e na qual o homem assume uma posição epistemológica."

            De fato, nem sempre os estudos e as comprovações são diretamente aplicáveis à realidade escolar e as implicações pedagógicas que podemos retirar de um novo conhecimento também precisam ser testados, para confirmar sua eficácia no domínio do ensino escolar na inclusão social. Sabe-se que a situação atual do atendimento às necessidades escolares das crianças com necessidades especiais educacionais é responsável por uns grandes índices de repetência e evasão nas escolas. Entretanto, no imaginário social, como na cultura escolar, a incompetência de certos alunos, os pobres e os portadores de necessidades especiais para não conseguem enfrentar as exigências da escolaridade regular, e desistem de estuda, é uma crença que aparece na simplicidade das afirmações do senso comum e até mesmo em certos argumentos e interpretações teóricas sobre o tema da inclusão.

              Muitas escolas que não estão atendendo alunos com necessidades educacional especiais em suas turmas se justificam, na maioria das vezes pelo despreparo dos seus professores para esse fim, e tem também por incrível que pareça aquelas que não acreditam nos benefícios que esses alunos poderão tirar da nova situação, especialmente os casos mais graves, pois acreditam que essas crianças não teriam condições de acompanhar os avanços dos demais colegas e seriam ainda mais marginalizados e discriminados do que nas escolas especiais, a exclusão esta acontecendo dentro das próprias escolas. O professor, de um modo geral, tem dificuldades em lidar com as crianças com necessidades especiais. E este desafio que precisa ser assumido por todos os educadores. As dificuldades no processo de inclusão escolar formam uma rede de situações que vão influenciando umas às outras, gerando, ao final, novos processos de exclusão dos alunos.

              A luta pela inclusão da pessoa com necessidades especiais na sociedade e, principalmente na educação, começou em 1994 na conferência na cidade de Salamanca, Espanha, com representantes do mundo todo, no qual resultou um documento denominado declaração de Salamanca.

A tendência da política social durante as duas últimas décadas foi de lamentar a integração e a participação e de lutar contra a exclusão.  A integração e a participação fazem parte essencial da dignidade humana e do gozo e exercício dos direitos humanos. No campo da educação, essa situação se reflete no desenvolvimento de estratégias que possibilitem uma autêntica igualdade de oportunidades. A experiência de muitos países demonstra que a integração de jovens e adultos com necessidades pode progredir no terreno educativo e no da integração social. [...] As necessidades educativas essenciais incorporam os princípios já comprovados de uma pedagogia equilibrada que beneficia todas as crianças. [...] (BRASIL, 1994, p. 23)

             Pode-se, portanto conceituar inclusão antes de tudo como um processo educacional interativo, um movimento que respeita às singularidades das pessoas, oferecendo respostas às suas necessidades e particularidades, é a certeza de que não existem pessoas iguais e são exatamente as diferenças entre os seres humanos, que o caracterizam pensar em educação inclusiva significa, antes de tudo, respeitar a diversidade das pessoas, e, sobretudo respeitar os diferentes saberes dos que convivem num mesmo espaço seja ele escolar ou social.

           É importante destacar que em nosso país, educação é um direito estendido a todos, mas não e respeitada por todos.

Considerações finais

             A inclusão só é possível quando houver respeito à diferença e o reconhecimento destas  diferenças entre as pessoas, conseqüentemente responsáveis por promover a efetiva construção de uma escola mais humana e direcionada aos problemas de aprendizagem dos alunos, só assim, pode-se, dizer que a inclusão esta sendo bem aceitas, pelo menos a nível escolar, as sugestões para uma aprendizagem cuidada e orientada estão lançadas. Compete às escolas proporcionar este equilíbrio aos alunos. O simples fato de colocar alunos lado a lado, portadores de necessidades especiais escolar ou não, não garante, por si só, a inclusão e a adaptação de forma a interagir de forma positiva com outros alunos, podendo mesmo ocorrer com atitudes que não tragam benefício algum para ambos os lados, para que a inclusão seja uma realidade, será necessário rever uma série de barreiras, além da política e as de práticas pedagógicas.

              A escola para a maioria das crianças brasileiras é o único espaço de acesso aos conhecimentos, é o lugar que vai lhes proporcionar condições, de se desenvolver e de se tornar um cidadão e de alguém com identidade social e cultural. As escolas os prepararão para o futuro, e certo que se as crianças conviverem e aprenderem a valorizar as diferenças e as diversidades em sua escola, em suas salas de aula e assim serão adultos bem diferentes dos de hoje, onde a inclusão fará parte de seu dia a dia na sociedade em que vive, compreendemos que a inclusão tem acontecido e aceita mais muito lenta do que o esperado, ela incomoda, mais provoca mudanças e uma delas é a discussão que muitos estudiosos estão fazendo e está é apenas um começo. Por tudo isso que esta acontecendo, nota-se a grande importância que há na modificações de alguns conceitos educacionais, o desafio da inclusão escolar está associado ao desafio de superar as diferenças raciais e culturais. É um grande desafio, difícil, complexo, mas não impossível, a inclusão é uma tarefa exigente, mas possível como o é o próprio ato do aprender, do conhecer e do viver. Como já dizia Paulo Freire "Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda". Por isso inclusão esta buscando retirar as barreiras impostas pela exclusão social.

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 BEYER, H. O. Inclusão e avaliação na escola de alunos com necessidades educacionais especiais. Porto Alegre: Editora Mediação, 2005.

 FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes Necessários à prática educativa. 24ª edição. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1996.

 --------, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. 3ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Editora Paz e Terra, 2003.

 ---------, Paulo. Pedagogia Do Oprimido.  49ª reedição. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2005.

 ---------, Paulo. Conscientização: São Paulo, S.P. Editora: Cortez & Moraes, 1979.

----------, Paulo.  A Educação na Cidade. 5ª ed. São Paulo. S.P: Editora: Cortez, 2001.

 BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Lei n. 9.394/96 

 REVISTA NOVA ESCOLA. São Paulo. Abril, Edição Especial; n° 11, novembro de 2009. Texto Espaços de Inclusão, do site: www.tvbrasil.com.br.R, pesquisas realizadas 13/09/2012

 Declaração de Salamanca. Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais, http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf> pesquisa realizada: 26/08/1012.

http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=803- pesquisa realizada 30/08/2012

http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/ - pesquisa realizada 24/09//2012

GLAT, Rosana (organização). Educação Inclusiva: Cultura e Cotidiano Escolar, Rio de Janeiro – RJ. Editora: Letras, 2007.

Perfil do Autor

noeli flor

Acadêmica -  pedagogia - 6º período- Unesc -  Faculdades Integradas de Cacoal -  Rondônia