Indisciplina na escola: reflexão sobre uma prática

18/11/2011 • Por • 578 Acessos

1. Introdução

  

O tema indisciplina na escola aborda sobre os problemas que podem ter origem nas questões sócio-culturais tais como: pobreza, violência doméstica, alcoolismo, entre outros fatores que  influenciam no aumento da indisciplina na escola. Nessa ótica aproximar-se da criança é uma necessidade educativa para poder entendê-la e, posteriormente poder ajudá-la. Assim, para obter um melhor resultado nos trabalhos escolares que realiza. O professor devera juntar diferentes culturas, fazer respeitar os valores de cada criança evitando futuros constrangimentos e discórdias. O caminho é construir um conjunto de regras e fazer cumpri-las, juntamente desse processo, pais e professores devem ser aliados na formação educativa do aluno, um ajudando ao outro, mas sem interferir no papel que cada um ocupa.

 

Conforme Freitas (2009), a indisciplina pode surgir como alternativa para o "insucesso" escolar, procurando valorizar a sua relação como os outros. Este fracasso não se refere exclusivamente às notas nas disciplinas, mas também a certos valores que o aluno não vê refletido nele. Assim, é preciso mostrar autoridade, mas usar uma linguagem que não ataque a dignidade dos envolvidos em atos indisciplinados, sempre respeitando a individualidade de cada aluno. Quando houver brigas, procurar soluções que satisfaçam ambas as partes envolvidas.

 

Alunos agressivos precisam de afeto e limites, pois a agressividade exagerada é sintoma de problemas graves. Exemplos de atitudes equilibradas podem ajudar a resolver certos problemas. Geralmente, a indisciplina encontrada na escola deve proceder de experiências anteriores, as quais reforçam na criança um comportamento inadequado, revelado muitas vezes pela agressividade.

   

2.  A prática do professor

  

A família é a parte fundamental, pois quando a criança inicia a vida escolar, ela já vem com sua cultura, com seu modelo familiar, com um comportamento diferenciado de outras crianças. Quando a criança tem o hábito de cometer um ato indisciplinar, o professor deve ser mais observador e buscar conhecer os seus problemas, para averiguar se são de origem social e/ou cultural, tais como: pobreza, violência domestica, drogas e alcoolismo.

 

No contexto atual, muita coisa mudou em relação a 30 anos atrás e, hoje, a escola não adota mais uma postura repressiva e violenta. Estamos numa época de valorização da democracia, da cidadania e do respeito. Cabe a escola levar os princípios humanos  à sério dentro do seu projeto pedagógico. Então, como acabar ou diminuir a indisciplina em sala de aula, objetivando melhorar as condições de aprendizado dos  alunos?

 

Não seria possível uma resposta definitiva, mas é imprescindível que o docente domine os conteúdos com os quais trabalha, além de ser afetivo com seus alunos, pois estes ingredientes possibilitam  garantir a autoridade em sala de aula, bem como, a qualidade do processo ensino e aprendizagem, uma vez que a profissão docente se liga às práticas sociais e interativas da sociedade como um todo.

 

Sendo assim, acredito primeiramente que o professor deve identificar os motivos da indisciplina. Observar os alunos e estabelecer um diálogo pode ajudar muito neste sentido. Muitas vezes, a indisciplina ocorre porque os alunos não entendem o conteúdo ou acham as aulas cansativas. Nestes casos, o professor pode modificar suas aulas, adotando atividades estimulantes e interativas. Esta atitude costuma gerar bons resultados.

 

Uma outra boa sugestão é criar algumas regras comuns para o funcionamento das aulas. O professor pode fazer isso com a ajuda dos próprios alunos. Dentro destas regras podem constar: levantar a mão e aguardar a sua vez antes de perguntar ou falar, fazer silêncio em momentos de explicação, falar num tom de voz adequado, etc.

   

3. Dificuldades na aprendizagem

   Os alunos que praticam a indisciplina são vistos pelos educadores e por outros  alunos como "alunos-problemas", mas o que falta é uma proposta, um planejamento pedagógico. A maioria das crianças com problemas, não conseguem terminar os nove anos de estudo obrigatório, estes alunos possivelmente são aqueles que têm distúrbios psicopedagógico, distúrbios de aprendizagem ou distúrbio comportamental. A maioria desses alunos devem receber atenção especial dos educadores, porque estas crianças podem ter perdido o interesse pela aula, levando a evasão escolar e, sem escola, não há possibilidade de o cidadão ter de fato acesso aos seus direitos constituídos. Segundo Drouet (1989, p. 93):    

[...] todos os distúrbios – de fala, de audição, emocionais, do comportamento etc. – têm sua origem em causas diversas, porém todos eles se constituem em obstáculos à aprendizagem, prejudicando-a ou mesmo impedindo-a, cabe ao professor observar as crianças, perceber aquelas que apresentam problemas de aprendizagem e encaminhá-los ao especialista adequado para diagnóstico e tratamento.

  

As informações da citação acima esclarecem que, podemos localizar as práticas pedagógicas que, em sentido amplo, dominam o campo da educação nos últimos dois séculos. De um lado, as práticas tradicionais centradas no professor, o qual transmitem os conhecimentos que lhes são transmitidos. Assim, devemos superar a concepção de que o problema da indisciplina está no aluno, pois como afirma Franco (1986), o aluno tem sido a maior vítima de exclusão por ser indisciplinado. Daí a necessidade de pensarmos em algumas alternativas para amenizarmos esses problemas do cotidiano escolar. Sobre a questão da autoridade, Davis & Luna (1991) enfatizam:

   

[...] o professor com autoridade é também aquele que deixa transparecer as razões pelas quais a exerce: não por prazer, não por capricho, nem mesmo por interesses pessoais, mas por um compromisso genuíno com o processo pedagógico, ou seja, com a construção de sujeitos que, conhecendo a realidade, disponham-se a modificá-la em consonância com um projeto comum (IBIDEM, 1991, p.69).

   

Desta maneira, é importante também que, o professor tenha autoridade para conduzir de forma mais proveitosa possível o processo de ensino e aprendizagem, sua autoridade precisa ser exercida nos domínios: intelectual, ético, profissional e humano.

 

  4. Compreensão dos problemas de indisciplina na escola  

  

Guimarães (1996), expõe que, a escola tem mecanismos disciplinares que levam à disciplinarização do comportamento de alunos, de professores e de outros funcionários. Dessa forma, aponta a indisciplina como uma possível resistência por parte dos alunos que não se submetem as normas das escolas. A indisciplina tem vínculos com a educação moral recebida, com o modo que se dá a relação professor x aluno, tampouco, com a existência de currículo oculto excludente e as imposições da escola. Pelo contrário, a partir destas análises promovem discussões que buscam indicar caminhos para a resolução ou amenização de um conflito que pode ser trabalhados.

 

Dessa forma, a autoridade do professor é fundamental na aprendizagem do aluno (Davis e Luna, 1991), não advindo mera-mente da sua palavra ou do fato desse ser mais velho que seus aprendizes, mas sim da sua função social e pública que realiza na sociedade, num espaço de formação que deve ser valorizado  a escola, este espaço em que o professor representa "formas de conhecimento e critérios de valor que são publicamente estabelecidos" (Carvalho, 1999, p. 58).

 

É necessário esclarecermos que, através desta concepção não estou defendendo um ensino moralista. Pelo contrário, defendo a ideia de que a escola exerce influência sobre a formação moral de seu aluno e, portanto, deve estar apta a contribuir no desenvolvimento moral. Segundo a concepção de (Piaget), é sempre bom lembrar que um mesmo aluno indisciplinado com um professor nem sempre é indisciplinado com os outros, sua indisciplina, portanto, parece ser algo que desaponta ou acentua-se dependendo da circunstancia ou da interação.

   

5. Considerações finais

  

Diante dos aspectos sobre a indisciplina na escola, questão que tem se agravado nos últimos anos, houve um aumento significativo de casos de indisciplina dentro da sala de aula, foi a partir da reflexão docente sobre a prática vivenciada em sala de aula que se percebeu uma possível mudança na sua forma de atuar, além de podermos observar uma transformação dos comportamentos de alunos na escola. Portanto, é grande o desafio que nós educadores temos encontrado em relação a indisciplina em sala de aula e na escola, tanto na pública como na particular, todavia com manifestações diversas. Vale destacar que, a família também precisa estabelecer limites aos seus familiares, bem como, acompanhar o trabalho do filho na escola e tomar atitudes quando esses limites são desestabilizados ou  não são respeitados.

  

6. Referências Bibliográficas

    

DAVIS, C.; LUNA, S. A questão da autoridade na educação. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 76, p. 65-70, fev. 1991.

 

 DROUET, Ruth Caribé da Rocha. Distúrbios da aprendizagem. São Paulo: Ática, 1986.

  

FREIRE, P.: SHOR, I. Medo e Ousadia: O cotidiano do professor. 5. Ed. São Paulo:Paz e terra, 1996.

   

FRANCO, Luiz A. C. A disciplina na Escola. In Problemas de Educação Escolar. São Paulo: CENAFOR, 1986.

  

PIAGET, J. O juízo moral na criança. 2a ed. São Paulo: Summus, 1994
ARAÚJO, U.F. de.  Moralidade e indisciplina: uma leitura possível a partir do referencial piagetiano -Indisciplina na escola. São Paulo: Summus, 1996

  

PARRAT-DAYAN, Silvia. Como enfrentar a indisciplina na escola. São Paulo: Contexto, 2008.

  

FREITAS, Eliana Maria de. As conseqüências da indisciplina escolar no processo ensino aprendizagem. Universidade Gama Filho. Ceará, 2009.

   

OLIVEIRA, Ricardo Augusto A de. Indisciplina Na Escola Como Fator Determinante No Processo Ensino Aprendizagem: A Experiência Da Escola São Francisco Em Marco – Ce. Disponível em: ˂http://www.artigonal.com/educacao-artigos/indisciplina-na-escola-como-fator-determinante-no-processo-ensino-aprendizagem-a-experiencia-da-escola-sao-francisco-em-marco-ce-3138468.html˃ Acesso em: 02/08/2011.

 

 

[1] Acadêmica do Curso de pedagogia, em EAD da FAEL – Faculdade Educacional da Lapa - Portaria n.º 1.616, maio de 2005. Atua como professora na Escola Estadual "Criança Cidadã".

 

 

 

 

Perfil do Autor

Darci Martins

Pedagoga apaixonada pela profissão.