Infância roubada: a exploração do trabalho infantil

20/05/2010 • Por • 4,603 Acessos

ABSTRACT

The present work treats about the exploration of the infantile work, based on the book '' The Beggars", of author Victor Hugo, and also through researches to emphasize the reality of the current days. Intending in that way to approach the causes, consequences and solutions for the infantile work, and to obtain as result a worthy life for each child. Because, that is a study that has for objective to do with that the people contemplate and avoid that children are each it comes more explored.

 

Word-key: I work infantile, causes, consequences and solutions.

 

 

Introdução

O tema, Infância roubada: a exploração do trabalho infantil vai expor a triste vida de uma menina que distante da mãe e sem pai é explorada de tantos trabalhos pesados, por um casal mau caráter, mas um dia consegue encontrar uma pessoa que lhe deu amor e carinho. Essa é uma história do autor, Victor Hugo, cuja obra "Os Miseráveis", publicado em 1862, na França. E porque será, que muitas crianças não vive como crianças?

Através da historia vai perceber uma época de revoluções, onde o autor relata justamente os acontecimentos que ocorriam, as guerras napoleônicas ocorrido em 1799 e 1815, quando a França enfrentou várias alianças de potencias européias, tudo isso, dificultava cada vez mais a vida de quem sobrevivia, pois não tinha uma estrutura de governo e ainda confusões econômicas e políticas, fizeram com que o autor Victor Hugo denunciasse todo tipo de injustiças, espelhando de forma exemplar as dificuldades daquele século.

Assim dessa forma, é analisado o contexto histórico da Revolução Industrial na Inglaterra, no século XVIII, que com sua ampliação ao resto da Europa e aos Estados Unidos, generalizaram-se à exploração de crianças durante todo o século XIX e princípios do século XX. Segundo Divalte Garcia, mulheres e crianças eram obrigadas a trabalhar, recebendo remunerações ainda menores que as dos homens. Tal que afirma, "a vida nas fábricas era odiosa, a disciplina, intolerável". (Garcia, 2008, p. 31).

Portanto, o objetivo do trabalho é apresentar de forma clara, sobre a exploração do trabalho infantil, apresentando, através da obra "Os Miseráveis", a triste realidade da época e que perdura até aos dias atuais, sendo fundamentadas em pesquisas. Em seguida são apresentadas algumas causas, conseqüências e soluções para reduzir o trabalho infantil.

A vida sofrida da menina Cosette

Cosette, com três anos de idade, filha de Fantine, a qual desesperada por conseguir trabalho, deixou-a com o casal Thénardier, pois pareciam ser ótimas pessoas para tratar sua filha, mas pelo contrario, Cosette era maltratada. Passou então, a usar roupas velhas com seu corpinho pequeno e magro, os olhares provavelmente assustados, ingênuos, sinceros e puros, de quem não compreendia que estava sendo explorada. Não comia direito e era tratado como um  animal, tal que o autor afirma: "Passou a vesti-la com roupas velhas, deixadas pelas filhas. Para comer, davam-lhe as sobras dos pratos. Comida um pouco melhor que a do cão e pouco pior que a do gato". (Hugo, p. 37).

O que se percebe, que assim que Cosette crescia, se tornava à empregada da casa, aí se observa desde já, a exploração do trabalho infantil na obra, quando obrigavam a pobre menina fazer compras, varrer a casa e buscar água na floresta escura, com um balde pesado e grande, apavorada, sem saber se temia mais o escuro e ruídos da floresta ou a perversa senhora Thénardier.

É perceptível na obra de Hugo, ávida dura que Cosette levava, não sabendo o que era uma diversão ou se quer algum brinquedo, pois não tinha tempo para brincar só para trabalhar, era uma menina triste que nem se quer conseguia sorrir de tanto sofrimento, apenas obdecia quem mandava. Isso era a realidade que o autor abordava em sua obra, uma época de tantas revoluções, acontecimentos  e exploração.

Cosette teve sua infância roubada, mas não perdeu a forma de sonhar, sonhava em ganhar uma boneca, e sem brincar, sorrir e passear ia vivendo como podia, mas até então apareceu uma pessoa que lhe estendeu a mão e que no lugar de vassouras e baldes deu a tão sonhada boneca que Cosette sonhava. E é com isso que se percebe que assim como existem pessoas que só querem explorar crianças para trabalhar, existem também, aquelas que só querem a felicidade, e que justos de mãos dadas possam trilhar um caminho repleto de realizações.

Dessa forma, a vida que Cosette levava na obra descrita por Victor Hugo, é a realidade que milhões de crianças vivem hoje em dia e que passam pelo mesmo sofrimento, sem educação, saúde e saneamento básico. Segundo Gilberto Dimenstein foram constatadas algumas organizações que adotaram um plano nacional para devolver as crianças para as salas de aulas. Uma delas é a Fundação Abrinq*, com apoio da OIT* (Organização Internacional do Trabalho), que articulam maneiras para que varias empresas assumissem um compromisso de investigar se seus fornecedores exploram mão-de-obra infantil, sendo que algumas assumiram o compromisso, como a Volkswagem, Ford e outras. Assim afirma, "...está nas grandes empresas, até estatais, que contratam os serviços desses fornecedores e se beneficiam, sabendo ou não, da exploração infantil". (Dimensteis, p. 34).

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*Movimento pela erradicação do trabalho infantil – São Paulo.

*Criada em 1919, e ratificada em 2000 pelo Brasil, em proibir as piores formas de trabalho infantil.

Segundo a Constituição de 1988, o trabalho infantil é proibido por lei para menores de 14 anos, sendo que, essa pode ser como aprendiz e a partir dos 16 como empregado. O que se analisa é que essa lei não é seguida em muitos lugares, já que é visível a exploração do trabalho infantil, a falta de fiscalização em que não se preocupam com varias crianças sendo exploradas até mesmo pela própria família. Pois na Constituição Federal de 1988, determina que:

 

 

Art. 227 – E dever da família, da sociedade e do Estado assegurar á criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, á profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e a convivência familiar e comunitária, além de colocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (p. 126).

 

 

Segundo Hélio Bicudo, a causa principal do trabalho infantil é a miséria, pois a falta de oportunidade de trabalho, a renda baixíssima do país, a não alfabetização, tudo isso são fatores que contribuem para a miséria, a família sem ter o que dar para seus filhos, acaba mandando eles irem trabalhar, para poder ajudar dentro de casa. Desse modo ratifica, "... a criança vai ou é mandada para o mercado de trabalho porque lhe falta em casa o necessário para a sua sobrevivência ou para a sobrevivência da família". (Bicudo. 1997, p. 129).

Portanto, assim como tem as causas, tem também as conseqüências, e uma delas é a ausência escolar, isto é, a perda dos anos de escolaridade em razão do trabalho na infância, pois isso, prejudica o presente e futuro da criança, ou seja, vai ter menos chance de alcançar um emprego melhor na fase adulta, e acima de tudo, não conhece a sua infância , de viver como criança, e muitas vezes, cresce com angústia, dor e também com raiva, seja dos pais ou da própria sociedade.

Outra conseqüência do trabalho realizado na infância, é a saúde, que crianças não tem uma alimentação adequada, usam utensílios contaminados muitas vezes, enfim, prejudicial a vida de uma criança, pois quanto mais cedo o menor começa a trabalhar, pior é o seu estado de saúde.

Assim, algumas soluções poderiam reduzir a exploração do trabalho infantil, como exemplo, qualquer política que melhorasse o funcionamento do mercado de forma a aumentar a renda dos trabalhadores adultos, para que diminuísse o índice de desemprego, isso com certeza teria chance de reduzir o trabalho infantil. Também, servira para muitos pais que já tem uma renda suficiente e mesmo assim exploram seus filhos para trabalharem e aumentar seu patrimônio.

Em virtude dos fatos mencionados, acredita-se que, a exploração do trabalho infantil, ainda é um entrave nos dias atuais, onde crianças deixam de ser crianças desde quando começam a trabalhar como adulto ou muitas vezes sendo tratada como um animal,  passando por várias dificuldades e sem ter noção dos riscos que levam, essa é a triste realidade de ontem, hoje e infelizmente do amanhã. Porém, o respectivo trabalho buscou pesquisas de longos anos até a atualidade, para que cada ser humano faça a sua parte de evitar que crianças sejam vitimas de delinqüente que as exploram.

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

BICUDO, Hélio. Direitos Humanos e sua proteção. São Paulo: editora FTD, 1997.

 

DIMENSTEIN, Gilberto. Aprendiz do futuro: Cidadania hoje e amanhã: 9ª. ed. editora ática,2000.

 

GARCIA, Divalte. História. 1ª.ed. São Paulo: editora ática, 2008.

 

HUGO, Victor. Os Miseráveis. Tradução walcy Carrasco. 1ª. ed. São Paulo: editora FTD, 2001.

 

Constituição 1988: Texto Constitucional de 5 de Outubro de 1988 com as alterações adotadas pelas Emendas Constitucionais nº 1/92 a 30/2000 e Emendas Constitucionais de revisão nº 1 a 6/94. – Ed. atual. Dezembro, 2000: Brasília. Edição técnicas, 2001.

 

 

 

 

 

 

Perfil do Autor

Bia Oliveira de Andrade

Formada em Licenciatura Plena em Letras [email protected]