Leitura e escrita nas concepções pedagógicas sobre a alfabetização

28/12/2012 • Por • 229 Acessos

Introdução

Procurou-se no artigo discutir sobre alguns elementos da escrita, que estão presentes na maior parte de nossas atividades cotidianas e dela lançamos mão para dar conta de grande parte de nossas ações.

O processo de aprendizagem da leitura, que é lendo que se aprende a ler, é por meio da experiência que a criança desenvolve sua capacidade de mobilizar estratégias básicas para o ato da leitura. Há diferença entre ver, ouvir e escutar.

Fazer parte do espaço escolar é manter um estudo constante, para que se possa oferecer um trabalho coerente com a área da qual se faz parte; questionando e motivando a criança, para que trilhe um caminho de equilíbrio cognitivo e chegue à conquista de novos conhecimentos.

Como no âmbito escolar, esta cada vez mais precária a formação da criança, em decorrências de falta de estruturação familiar, escolar e profissional, organizamos esta monografia, para que assim sejam sanadas algumas dúvidas decorrentes destas visões.

Por se tratar de uma pesquisa restritamente bibliográfica tem-se como objetivo oferecer novas sugestões de trabalho na educação escolar, privilegiando a ação cooperativa e a criatividade das crianças, visando à conquista da autonomia cognitiva e moral. Relacionando a prática com a teoria, pois estas estão intimamente interligadas no cotidiano escolar. Enfocando a figura do Educador como mediador das relações que a criança constrói com ela mesma e com o grupo em relação à escrita e a leitura.

À medida que os anos passam, fica mais fácil encontrar meios de alfabetizar, porém há uma condição que muitos se esquecem: o que é alfabetizar e como assim o fazê-lo? Muitos ficam no meio da caminhada e esperam os que passam para pegar seu rastro. Mas não é bem assim que acontece, o professor deve ser um mediador do conhecimento, portanto, deveria ter em mente as respostas para tais perguntas.

Para alfabetizar, deve-se conhecer esse processo, desde a história da civilização, pois esta surgiu com a escrita aos dias de hoje. Digamos que o professor – educador/alfabetizador – não saiba desses primórdios, talvez a criança não perceba qualquer diferença entre este e aquele que conheça, porém, também já sabemos que a criança pressente e insegurança deste professor, dando assim um completo desarranjo e a mesma não conseguindo completar seus objetivos e nem o professor assim o fará.

1. CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS SOBRE ALFABETIZAÇÃO

No Brasil analfabetismo ainda é um dos maiores obstáculos do exercício da cidadania e exclusão social das camadas mais desprovidas da população.

Acredita-se ser imprescindível haver uma conscientização sobre a importância da alfabetização para esse novo milênio, pois num mundo em rápida e crescente evolução como o qual em que vivemos é necessário que o adulto que não conseguiu ser alfabetizado na época adequada, incorpore que nunca é tarde para começar e como ele faz parte do mundo, deve ser sujeito deste mundo e não simplesmente espectador.

Portanto, ele distinguirá estes dois mundos: o da natureza e o da cultura; o papel do homem na realidade e com ela; as relações entre a natureza e a comunicação dos homens; a cultura como resultado de seu trabalho, de seu esforço criador.

O analfabeto aprende criticamente a necessidade de aprender a ler e a escrever. "É entender o que se lê escrever o que se entende." (FREIRE, 2006, p. 72). Por isso, a alfabetização não pode ser como uma doação, de fora para dentro, mas de dentro para fora, pelo próprio analfabeto, ajustado pelo professor.

Ler é um conjunto de habilidades e comportamentos que se estendem desde simplesmente decodificar sílabas ou palavras até ler Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa. Uma pessoa pode ser capaz de ler um romance um bilhete, ou uma história em quadrinhos, e não ser capaz de ler um romance, um editorial de jornal. Assim ler é um conjunto de habilidades, comportamentos, conhecimentos, que compõem um longo e complexo continuum (SOARES, 2009, p. 48).

Solé (2008, p.18), defende que poder ler, isto é compreender e interpretar textos escritos de diversos tipos com diferentes intenções e objetivos contribui de forma decisiva para a autonomia das pessoas, na medida em que a leitura é um instrumento necessário para que nos manejemos com certas garantias em uma sociedade letrada.

Assim como outras coisas, ler é uma questão de compartilhar. Compartilhar objetos, compartilhar tarefas compartilhar os significados construídos em torno delas. No entanto, nessa atividade compartilhada a responsabilidade é diferente para o professor e para os alunos, pois o primeiro pode se colocar ao nível dos segundos, para ajudá-los a se aproximar dos objetos perseguidos (SOLE, 2008, p.173),

Acredita-se que o desenvolvimento da competência leitora não termina quando o aluno domina o sistema de escrever e ler; o processo é contínuo e conta com a participação do aprendiz nas práticas que se envolvem a língua escrita e que se traduz na competência de ler e produzir textos dos mais variados gêneros.

Quanto mais acesso à cultura escrita, mais possibilidades de construção de conhecimentos sobre a língua, mais se estabelece a comunicação com os textos impressos, por meio da busca da compreensão; constituindo uma tarefa permanente, que se enriquece com novas habilidades à medida que se manejam adequadamente textos cada vez mais complexos, sabe-se que ler é um processo que se desenvolve ao longo de toda escolaridade e de toda vida.

O ensino e a aprendizagem da leitura estão atrelados com a concepção de leitura tida pela escola. Tradicionalmente, acredita-se que se ensina do simples para o composto e que ler expressa atingir equivalência entre os fonemas e os signos.

Como afirma Antunes (2003), o trabalho com a leitura ainda está centrado em habilidades mecânicas de decodificação da escrita, muitas vezes sem reflexão, sem diálogo com o texto. Quando a leitura é utilizada, serve de pretexto para atividades matalinguísticas ou finalidades meramente avaliativas.

Para Kleiman (2004) citada por Duarte & Werneck (2007) existem duas concepções de texto e de leitura que se perpetuam ainda hoje nas escolas. Ou o texto é visto como repositório de mensagens e informações ou é visto como um conjunto de elementos gramaticais.

A fruição e o prazer estão excluídos. A escola, reproduzindo o sistema e preparando para ele, excluir qualquer atividade não rendosa: lê-se um romance para preencher uma famigerada ficha de leitura, para se fazer uma prova ou até mesmo para se ver livre da recuperação (GERALDI, 2004, p. 97).

Completa ainda Geraldi (2004), que a leitura não pode ser uma apologia da dureza, da insensibilidade, da frieza, repressão e do medo. Ler não pode ser: castigo, desprazer, sacrifício ou ensino mecânico, totalmente distante do lúdico, das práticas sociais, da construção do saber.

A instituição escolar de maneira geral trabalha com texto que prepara o educando para ler e escrever narrações, dissertações, descrições e cartas. Ele é treinado para reproduzir textos modeladores, com regras fixas preestabelecidas e numa linguagem escolar distante da realidade. Esse trabalho na pedagogia tradicional, geralmente leva o aluno a decodificar sem compreender e escrever sem expressividade.

O aprendiz não é um objeto nas mãos do educador. É o que Freire chama de "educação bancaria", ou seja, o educando, ao receber passivamente os conhecimentos, torna-se um depósito do educador. "Ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para sua produção ou a sua construção" (FREIRE, 2009, p. 52).

Quando a criança chega à escola, já é um bom leitor do mundo. Desde muito nova, começa a observar antecipar, a interpretar e a interagir dando significados aos seres, objetos e situações que a rodeiam. (FREIRE, 2009). A leitura de mundo precede a leitura da palavra, a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo, mas por certa forma de "escrevê-lo" de "reescrevê-lo", quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente.

Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de ensinar-aprender participamos de uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de mãos dadas com a decência e com a seriedade (FREIRE, 2009, p. 24).

Discutir e repensar a pedagogia tradicional, onde o professor é a figura central, sendo visto como um transmissor de informações e que o maior desafio é ensinar a ler e escrever é imprescindível considerar o ponto de vista de Freire (2009).

Ensinar não é transmitir conhecimentos, conteúdos, nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, alma a um corpo indeciso e acomodado. Não há docência sem discência, apesar das diferenças, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender (FREIRE, 2009, p. 25).

É importante lembrar que, as estruturas de nossas instituições de ensino precisam ser modificadas, fazendo com que a sala de aula, o local de aprendizado por excelência, seja vista como um espaço para exercício da autonomia na aprendizagem, e não de transmissão de conteúdos, pois o que importa na Educação Básica não é a quantidade de informações, mas a capacidade de lidar com elas, por meio de processos que impliquem sua apropriação, comunicação produção e reconstrução. Ensinar os educandos a apreenderem conteúdos, formar suas convicções e esboçar soluções, este é o grande desafio do século XXI.

2. A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO

O interesse pela questão do relacionamento professo-aluno vem de épocas, em que a escolarização ainda era coisa dos tempos da palmatória, e essa relação se limitava em perguntar e responder.

Contudo percebe-se que este assunto continua tema de muitas discussões e assim motivou-nos interesse com a questão do relacionamento do professor com a criança da pré-escola e em especial com as da alfabetização. Esta preocupação é fruto de várias indagações.

Como será nas salas de aula da pré-escola, o relacionamento professor-aluno: ainda continua autoritário ou mudou alguma coisa? Os professores que assumiram uma proposta pedagógica de respeito à personalidade da criança numa visão sócio interacionista adotam uma postura de autoridade pedagógica, sem autoritarismo?

A preocupação com o relacionamento professor-criança na alfabetização é que, por estar iniciando o processo de leitura e escrita, a integração entre discente-docente é de grande importância, visto que a troca de experiência entre eles representa um elemento fundamental para a elaboração da leitura e da escrita. É o professor quem pode ou não garantir esse espaço de troca de modo a transformar esse intercâmbio numa interação produtiva para a criança.

Assim, justifica-se o interesse pela teoria sócio interacionista que, teoricamente, possibilita esta relação de troca de experiência entre criança-criança e professor-criança. Este trabalho procura mostrar como se estabelece o processo de interação na pré-escola, especialmente na alfabetização, salientando a importância de um vínculo específico professor-aluno no processo de aprendizagem.

É certo que o presente material não tem pretensões de sanar as deficiências que a alfabetização enfrenta, e nem sequer apresentar fórmulas definitivas de relacionamento professor-aluno.

O que pretende é alertar o professor a respeito deste problema e oferecer alguns subsídios teóricos e práticos para enfrentar, com mais profundidade teórica e segurança, a alfabetização.

Falar e escrever implica uma realidade que envolve a prática constante deste binômio, caracterizando um ato espontâneo de expor seus conceitos sobre qualquer valor, dentro de um vocabulário próprio que quantifica um ser falante e pensante que é o homem. Lembrando que o texto é a manifestação do ser humano por meio dos diversos tipos de linguagem, o conteúdo dela é valorizado pela variedade de significados, dependendo do contexto implantado.

O bom leitor sempre tem algum comentário e ou crítica a fazer, questionamentos a elaborar, numa descoberta provocada pela sensibilidade à leitura, pela consulta ao material lido, desenvolvendo através dele um senso crítico, não estereotipado, todavia não implicando, necessariamente, que seja um bom escritor.

A dificuldade em escrever, em repassar às linhas palavras que expressem e liberem a capacidade de atribuir dados interessantes ao texto nem sempre pode ser rotulado como falta de hábitos à leitura, maior responsável pela pobreza vocabular.

Sabe-se da existência de outros fatores que impedem alguns, de natureza psicológica liderados pelo medo de acelerar os passos no exercício da escrita deixando fluir as idéias, coordenando-as, imputando sentidos aos textos através da clareza que conduz à decorrência lógica.

Livros revelam que a aprendizagem da leitura é fundamental para a integração do indivíduo no seu contexto social, contudo o hábito da leitura abre novas perspectivas e permite posições críticas diante da realidade que o cerca, ou seja, dá-lhe nova visão e exige dele posturas de entendimento sobre os fatos; obrigando-o a falar, e a se expor por meio de textos que caracterizam sua autoria, oriundas do mundo da leitura.

Deve-se estimular o aluno leitor a compreender o texto, a interpretá-lo e a recriá-lo com seu vocabulário, criando novas situações e provocando dessa recriação outra produção formada por um autor diferente, embora suas intuições escritas tenham partido de uma sugestão inicial.

Nossa geração precisa escrever consertar seus deslizes que fogem às regras abordadas nas gramáticas e selecionar de maneira crítica e produtiva a ela, os tipos de leituras que lhe permitem o aceso a formas mais elaboradas de culturas, informando-lhes quanto às discussões diversas, sem, contudo esquecer-se do compromisso com o léxico e a construção de textos bem trabalhados.

Pensar é fundamental, pois é a intervenção do raciocínio em favor da escrita; é o conteúdo mais original que caracteriza a verdadeira produção de um texto; é o variante inconfundível de seu autor traduzido em palavras que exprimem vários significados.

Para Pain (2006) a aprendizagem contribui para a integração do ego, estando assim, relacionada com o desenvolvimento psicológico, que leva à capacidade de interação e à adaptação do sujeito à realidade: Processo que sofre influência de fatores individuais e ambientais.

3. A MOTIVAÇÃO E O ESTÍMULO AO HÁBITO DA LEITURA

Uma ótima maneira de propiciar aos alunos uma facilidade da leitura seria o de criar mini-bibliotecas em cada sala de aula para melhorar o acesso aos livros, que estarão mais próximos de suas atividades. Organizar sessões de leitura livre, onde cada aluno explica o que leu para o resto da sala.

Desta forma aprende-se com a experiência do outro e muitas vezes o aluno se sente motivado a ler um livro a partir da descrição do colega. Dando um status próprio à atividade de leitura no planejamento escolar, se possível reservando      uma aula por semana para a prática de leitura.

Permitir que os alunos selecionassem suas leituras, é uma maneira de incentivar o gosto pessoal na escolha de um livro, um gesto que ele repetirá futuramente, quando tornar-se um consumidor de livros.

Valorizando a leitura de revistas e jornais, o aluno entrará em contato com diversos registros de escrita aceitos socialmente além de acumular informações sobre o bairro, a cidade, o país e o mundo. Mas é importante que a leitura de jornais tenha periodicidade, não adianta fazer essa atividade uma vez por mês, pois os alunos não compreenderão o contexto dos dias anteriores.

O mais importante, neste momento, é que eles desenvolvam o hábito pela leitura. O gosto por ela virá com o tempo.

Mas questionamos ainda se a atual prática do ensino está a favor ou contra a democratização escolar?

A sequência que define essa democratização do ensino é a permanência do educando na escola e a consequente terminalidade escolar, onde o aluno que teve acesso à escola deve ter a possibilidade de permanecer nela até o nível da terminalidade significativa, tanto do ponto de vista individual quanto social.

A educação é por natureza o lugar da construção de uma arquitetura de valores de um projeto harmonizador de motivações e interesses individuais e coletivos.

Essa democratização implica em primeiro lugar o acesso à educação escolar, significando na sociedade moderna e civilização urbana a garantia do atendimento às necessidades de escolarização de todo cidadão, pois desde os atos mais simples à participação dos bens culturais, da vida econômica à profissional há necessidade da escolarização.

O erro construtivo significa considerar que o conhecimento produzido pelo educando num dado momento de sua experiência de vida é um conhecimento em processo de superação. A criança e o jovem aprimoram sua forma de pensar o mundo à medida que se depara com novas situações, novos desafios e formulam e reformulam suas hipóteses.

Dentro do processo ensino aprendizagem, quando avaliamos, exercemos um ato político, pois devemos ter em mente que estamos formando cidadãos críticos.

É o professor que reflete sobre a produção de conhecimento do aluno, promovendo o movimento, favorecendo a iniciativa e a curiosidade no perguntar e no responder e construindo novos saberes, junto com os alunos.

O diálogo é, pois, a confirmação conjunta do professor e dos alunos no ato comum de conhecer e reconhecer o objeto de estudo.

Então ao invés de transferir o conhecimento estaticamente, como se fosse posse fixa do professor o diálogo requer uma aproximação dinâmica na direção do objetivo.

A mesma preocupação que motivou-nos a optar pelo tema de nossa monografia levou-nos a pesquisar outras maneiras e formas de ensinar, pautada em uma prática pedagógica mais atual, que acompanha a evolução social.

Então precisamos mudar essa concepção para que esse quadro se reverta em benefícios mútuos que, consequentemente beneficiaria a sociedade como um todo.

Nosso maior desafio é contribuir para transformar a educação nas escolas, objetivando o real processo do aluno, auxiliando-o na compreensão de suas dificuldades em relação à realização de tarefas, dificuldades essas que os levam a demonstrar lacunas em sua aprendizagem.

Acredita-se assim estar contribuindo para que os colegas educadores busquem o grande desafio de aprender a aprender para poderem ensinar bem.

A leitura foi criada para o prazer e não ser imposta como dever, pois o livro é um contador de história, e a estimulação do leitor faz com que o autor tenha mais inspiração, criando novos personagens e novos episódios.

Esta inter-relação entre o livro e o leitor é muito forte, o leitor se comporta como um verdadeiro leitor, digamos até que, um cúmplice do próprio texto.

O livro se coloca a disposição do leitor, abrindo a diversidade das coisas que são imaginárias. O leitor passa a ter a significação da própria existência do livro.

A ampliação da leitura se torna efetivamente correta pela inspiração que é colocada como elemento importante quando os pais acompanham seus filhos à noite até a cama e contam-lhes uma história.

Essa criança ao chegar à escola participará com prazer das atividades de leitura desenvolvendo e assimilando os diferentes tipos de textos. Quando o aluno se torna um leitor frequente não significa que tenha que ler tudo que lhe for imposto, pois ele dispõe de alguns direitos (PERRENOUD, 2000), os quais são apontados como sendo:

  - O direito de não ler; não se deve considerar a leitura uma obrigação, o importante é oferecer às crianças a oportunidade de aprender a ler.

- O direito de pular páginas; o leitor tem o direito de pular páginas que não acha interessante para a sua leitura.

- O direito de reler; o reler pode acontecer mediante as várias situações, mas todas elas remetem à gratuidade de novamente se interar com o mesmo texto.

- O direito de ler o que quiser; condenar um leitor, porque lê o que para os pedagogos não é um bom texto, é o mesmo que não se lembrar da sua própria adolescência, e impedir que mais tarde este jovem leitor chegue por sua conta aos grandes textos.

- O direito de ler em qualquer lugar; quando a leitura é prazerosa não conseguimos ficar muito tempo longe dessa leitura, contanto que não seja nas horas de outras obrigações essa leitura pode e deve ser realizada onde se desejar.

- O direito de ler em voz alta; geralmente na própria família se inibe o ato de ler em voz alta e muitas vezes a própria escola determina que se faça a leitura com os olhos.

- O direito de calar; o homem lê porque se sente só, a leitura é uma companhia que não ocupa lugar de outra companhia, mas em contrapartida nenhuma companhia o substitui.

As razões pelas quais levam o homem a ler são próprias e ninguém pode se sentir no direito de pedir um prestar contas dessa intimidade estabelecida. Como exemplo disso, temos as novas tecnologias informatizadas em suma à internet que indiretamente, fez uma grande revolução tanto na escrita como na leitura, criando novos estilos de linguagens.

A internet vem mudando nossa relação com a escrita e a leitura, naquilo que é basicamente um ambiente de texto. No entanto ela está criando uma nova linguagem, baseada não só em termos técnicos e de comunicação usados na internet, mas também em símbolos e siglas, que são utilizados para a comunicação (AGUERROUND, 2007, p. 7).

Acredita-se que a internet estimule a leitura pelas razões de comunicação através dos símbolos e siglas, além disso, abriu muitos outros recursos para o acesso a material impresso e a outros materiais que requerem leitura. O aspecto que essa tecnologia possui, é que serve como atalho no processo de pesquisa, dispensando o que esteja disponível nas bibliotecas.

Na verdade a internet exige a leitura para uma comunicação através da escrita. Portanto, essas habilidades tornam-se cada vez mais importantes. Nem toda leitura de mundo é correta. Leituras equivocadas podem levar a desastres políticos. Alunos chegam à escola com leituras equivocadas sobre o funcionamento do universo, da natureza ou da sociedade. O mesmo ocorre no mundo da alfabetização.

A leitura é aqui considerada conforme Silva & Carbonari (2002) como sendo:

Uma atividade dinâmica de recriação dos sentidos existentes no texto quer sejam deliberadamente expressos ou simplesmente intuídos a partir da experiência de vida do leitor, numa relação de intertextualidade que enriquece e amplia o sentido imediato daquilo que é lido. (SILVA & CARBONERI, 2002, p. 103).

De acordo com Silva & Carbonari (2002, p. 104 citado por SOUZA, 2004) as concepções de leitura oral estão reunidas em quatro grandes grupos, a saber:

Leitura pressuposta: o professor pressupõe a compreensão do texto pelo aluno, como matéria lida, fosse imediatamente entendida.

Leitura instrumental: constitui-se numa estratégia mecânica. O que interessa principalmente não é o conteúdo dos textos, mas a simples emissão da voz, o que deve ser feita com entonação, pontuação, e ritmo adequado.

Leitura seguida de trabalho de aprofundamento no texto baseado numa concepção de aprendizagem como um sistema imunológico: nestes episódios após uma leitura oral, há sempre uma explicação do professor a respeito da matéria lida.

Leitura seguida de trabalho assentada numa concepção dialógica de aprendizagem: após a leitura ora, há questionamentos ou problematização do tema abordado. Os alunos contribuem com opiniões pessoais e constroem relações que enriquecem o texto lido.

Contudo, imersa a toda essa questão, pode-se afirmar que a leitura é uma das atividades mais prazerosas que existem, pois consegue levar-nos a mundos de encantos e fantasias, onde os personagens somos sempre nós mesmos.

Segundo Brandão e Micheletti (2002, p. 17 apud BURANELLO, 2009, p. 14) "o ato de ler é um processo abrangente e complexo. É um processo de compreensão, de intelecção de mundo que envolve uma característica essencial e singular ao homem. A sua capacidade simbólica e de interação com o outro pela mediação da palavra".

Nesse sentido, conforme as autoras a recepção de um texto nunca poderá ser entendida como um ato passivo, pois quem escreve o que faz pressupondo o outro, o leitor, quer seja ele empírico, real ou virtual. Se um texto é marcado por sua incomplenitude e só se completa no ato da leitura; se o leitor é aquele que vai fazer funcionar o texto, na medida em que o opera através da leitura, o ato de ler não pode se caracterizar como uma atividade passiva.

Ao contrario, para essa concepção de leitura o leitor é um elemento ativo no processo. Um texto bem formado, conforme Brandão e Micheletti (2002 apud BURANELLO, 2009, p. 14) trazem em seu bojo, desde um momento inicial de sua concepção e produção, uma preocupação com o seu destinatário.

Acredita-se que o ato de ler está presente quando a escola compreende a importância da leitura no contexto mais amplo, como uma produção de sentidos do aluno, a leitura assim, torna-se um processo natural. Ler é compreender as diversas formas de expressão através das múltiplas linguagens.

Considerações Finais

Conclui-se em nosso entender que o professor na verdade é mais um dos membros do grupo e o processo de ensino aprendizagem depende da dinâmica de todos esses grupos. Percebeu-se que alfabetizar, não é simplesmente jogar uma grande quantidade de tarefas para que as crianças as realizem, é, sem dúvidas, colocar conhecimentos já adquiridos anteriormente, ou seja, aprende-se a ler e a escrever fora da escola também.

É necessário que o professor saiba passar o valor do ambiente escolar para o aluno e o valor da sua função e das atividades pedagógicas aplicadas.

O professor deve reconhecer que a criança só constrói seu conhecimento desenvolvendo seu raciocínio, e deve colaborar para que isso aconteça, que seus esquemas cognitivos e assimiladores que os fazem capazes de serem alfabetizados são estimulados antes de conhecerem o aprendizado formal e que há problemas patológicos ou não, que interferem nessas capacidades.

Aprender a ler e a escrever depende muito mais que de punições e provas, e fatores motivantes. Além das atividades atraentes de objetivos claros, o diálogo é o fator que mais pode desfazer questões e mudar atitudes quando a aprendizagem e ao hábito da leitura e escrita.

Os processos de alfabetização são gradativos e dependem também do espaço físico em que a mesma é realizada. A sala de aula pode transformar-se num espaço em que criança terá contato com materiais escritos ampliando suas vivências com o mundo letrado. Para isso não se poderá manter o ambiente físico tradicional carteiras enfileiradas e paredes nuas.

Transformar a escola e particularmente a sala de aula num ambiente que estimule as mais variadas situações da escrita, realização coletiva, em pequenos grupos, em pares ou classes, toda facilita a expressão livre do aluno.

O acesso a diversos tipos de textos narrativos, cartas, receitas e bilhetes, poesias é fundamental para que o aluno perceba o uso de diferentes possibilidades de linguagem.

Do mesmo modo, é importante ler com os alunos e não para eles, ou seja, trocar impressões dar-lhes oportunidades de fazer sua própria interpretação.

Acredita-se que qualquer texto, perde sua característica e se transforma assunto estimulante e desafiador desde que seguido de uma discussão aberta, transformando professor e aluno em destinatário ativos críticos da mensagem.

A Psicopedagogia trabalha exclusivamente com a aprendizagem do ser humano, sendo reintegrativa quando seu foco é mais curativo, oferecendo ao indivíduo a possibilidade de pensar por si próprio, construindo assim o seu caminho e a sua história.

É construtiva quando no sentido de ser mais preventiva auxilia na identificação de desenvolver habilidades, competências, melhorar o raciocínio, a criatividade, a observação e percepção, a reflexão a flexibilidade, a tolerância, a intuição, promovendo a qualidade do relacionamento interpessoal e intrapessoal, trabalha com questões relacionadas estritamente à maneira de como a pessoa aprende e ensina, envolvendo, necessariamente, a inteligência cognição e o desejo afetividade.

Tem como objetivo possibilitar que as pessoas possam se conhecer melhor, conhecer a própria realidade em que estão inseridas e podem vir a atuar mais eficazmente sobre ela, transformando, e sendo transformado por essa realidade.

Referências

AGUERROUND, I. Nova Escola - Revista do professor. Março/2004. p. 7.

ANTUNES, I. Aula de Português: Encontro e Interação. São Paulo: Parábola, 2003.

BURANELLO, E. C. A leitura crítica nas aulas de Língua Inglesa: uma experiência com o gênero leitura em quadrinhos. Maio de 2009. Disponível em: www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/378-4.pdf. Acesso em: 18/Jun./ 2012.

FERREIRO, E. & TEBEROSKY, A. Reflexões sobre a Alfabetização. São Paulo: Cortez & Autores Associados, 2008

FREIRE, P. A importância do ato de ler: Em três Artigos que se Completam. 48. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa – 39. ed. São Paulo:- Paz e Terra, 2009.

GERALDI, J. W. (org.). O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 2004.

KLEIMAN, A. B. Leitura: Ensino e pesquisa. São Paulo: Pontes, 2004.

KLEIMAN, A. B. Oficina de leitura: teoria e prática. 2004. In: A literatura e o ensino de leitura para o público juvenil. DUARTE, M. N. & WERNECK, L. (UFRJ), 2007. Disponível em: http://www.filologia.org.br/ixcnlf/6/07.htm. Acesso em 18/Jun. 2012.

PAIN, S. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006.

PERRENOUD, P. Pedagogia Diferenciada: Das Intenções à Ação. Porto Alegre: Artmed, 2000.

SILVA, A. C. CARBONARI, R. Cópia e Leitura Oral: estratégias para ensinar? In: CHIAPPINI, Ligia (coord. geral). Aprender e ensinar com textos didáticos e paradidáticos. São Paulo: Cortez, 2002. p. 103 - 115

SOARES, M. B. Letramento: um tema em três gêneros. 3 ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

SOLÉ, I. Estratégias de leitura. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

Perfil do Autor

GUTEMBERG MARTINS DE SALES

Professor de Matemática e Física na rede privada e pública estadual de ensino. Coordenador Pedagógico na rede pública estadual. Orientador...