Leitura um processo para aprendizagem

06/07/2010 • Por • 2,711 Acessos

Para a realização da leitura envolve a memória, pensamento, a linguagem e percepção para construção do entendimento da linguagem. Assim, "a leitura utiliza vários níveis de conhecimento que integram entre si, à leitura é considerada um processo interativo. Pode-se dizer com segurança que sem o engajamento do conhecimento prévio do leitor não haverá compreensão", assim afirma Kleiman (2007, p. 13).

A fim de compreender a aquisição da leitura este apresenta alguns modelos de leitura, como o top-down que processa predições progressivamente sobre pequenas unidades do texto. O modelo buttom-up que processa a leitura a partir de uma seqüência linear e o modelo interativo, que argumenta em prol da ocorrência dos dois processos bottom-up e top-down simultaneamente ou alternadamente.

Segundo o Ferreira (2004), leitura é o "ato ou efeito de ler", como também arte de decifrar um texto segundo um critério. Leitura também pode se entendida não como um conceito, mas como um conjunto de práticas que regem as formas de utilização que a sociedade, faz dela, especialmente através da escola.

Há diferentes formas de leitura, uma delas é a decodificação decifratória, aquela em que a atenção e o esforço do leitor estão voltados exclusivamente para a decifração. São mais realizados por indivíduos que estão se familiarizando com o código, como os que estão se alfabetizando. Enquanto para a realização da leitura automática há pequeno esforço em decifrar realizada por leitores já familiarizados com o código.

De acordo com a teoria da leitura silenciosa, a rapidez e a fluência na leitura seriam fatores decisivos para compreensão. Desta forma quanto mais fluente a leitura maior a chances de uma compreensão adequada. Todavia, a relação entre fluência e compreensão da leitura não é tão direta como essa teoria faz supor. Uma vez que há leitores que, a despeito de uma leitura muito silabada, ou escandida, conseguem uma boa compreensão do que estão lendo e vice-versa.

Conforme os modelos de processamento de dados qualquer tarefa cognitiva, começa com um estímulo e finaliza com a resposta. E segundo Van Dijk e Rintsch (1983, apud Kock, 2008, p.34) o processamento de um texto consiste em diferentes estratégias, que é "uma instrução global para cada escolha a ser feita no curso da ação". E, esta por sua vez, tem a função de facilitar o processamento textual, quer em termos de produção ou de compreensão.

De acordo com a teoria há três modelos de leitura fundamentados no processo cognitivo: o primeiro, o modelo descendente (top-down), que segundo Goodmam (1998, apud Pinto, 2006), os leitores formam hipóteses sobre as palavras que encontram, levando em conta a informação visual.  Neste modelo o elemento mais importante para a identificação das palavras é o contexto.

Assim, Goodman (1998, apud Pinto, 2006 p.14) diz que: "A leitura é um processo receptivo da linguagem. É um processo psicolingüístico no qual começa com uma representação da superfície lingüística codificada por um escritor e termina com o significado que o leitor constrói". Segundo o autor o sentido não é uma característica dos textos. O sentido, por sua vez, está entre o autor e o leitor, concebido pelo escritor no texto e construído do texto pelo leitor.

O segundo modelo é o bottom-up ao mesmo tempo conhecido como modelo ascendente, criado por Gough em 1972, que neste modelo o leitor lavra a leitura de maneira linear, iniciando das letras para os sons, para as palavras, para as sentenças e finalmente para o significado. Assim, todas as letras do campo visual devem se consideradas individualmente pelo leitor para assinalar o significado de cada uma. Desta forma a leitura das palavras acontece após a uma análise sistemática de grafemas, que são convertidos em fonemas e o conhecimento fonológico é o principal mediador para o reconhecimento das palavras. Desta maneira, o processamento bottom-up interpreta unidades lingüísticas individuais e estabelece sentido textual das pequenas unidades para as maiores, ou seja, centra-se na habilidade de interpretar ou modificar em som o que é visto linearmente em um texto.

E finalmente o modelo interativo que para Rumelhat (1985, apud Pinto, 2006) é o modelo mais eficiente, pois engloba os modelos top-down e bottom-up. Que para Carrell (1988, apud Pinto, 2006) o uso de um modelo de processamento, em detrimento do outro causa prejuízo a leitura, principalmente a leitores iniciantes que focam somente a um modelo, já os leitores maduros faz uso dos dois modelos alternando de um para o outro durante a leitura. Este modelo é defendido até hoje e sua principal característica esta na distinção entre as duas rotas de leitura, de maneira que o modelo utilizado para ler as palavras conhecidas não é a mesma para a leitura de palavras desconhecidas.

Segundo Carvalho (2010), entre os muitos fatores que determinam à forma de leitura, está presente a perspectiva do texto, onde o leitor deverá acionar justamente, os mesmos significados, na mesma alteração de possibilidades, para que haja a compreensão durante a realização da leitura. A perspectiva do leitor está relacionada ao conhecimento prévio que o mesmo possui e ao sentido que ele atribui ao que lê. As estratégias auxiliam o leitor e que cada um, tem sua estratégia própria, alguns relêem o texto até que compreendem, outros assinalam os pontos principais, dão sentido pelo contexto.

Atualmente a leitura é indispensável para a aquisição do conhecimento, uma vez que o mesmo é adquirido através de métodos e técnicas bem estruturadas levando o leitor ao conhecimento científico que refletirá num sentido amplo. Assim a leitura é indispensável para que o indivíduo construa seu conhecimento e exerça a cidadania. A estreita relação do leitor com a leitura lhes traz a possibilidade de plena participação social, pois é por meio dela que o homem se comunica, tem acesso à informação, defende suas idéias, divide e constrói visões de mundo e produz conhecimento. A sociedade atual caracteriza-se pela busca da informação, do conhecimento. A educação dos indivíduos precisa enfatizar a leitura como via de inclusão social e de melhoria para a sua formação. A leitura, portanto, promove o resgate da cidadania, devolve a auto-estima ao promover a integração social, desenvolve um olhar crítico e possibilita formar uma sociedade consciente.

Por meio deste estudo conclui-se que a leitura é complexa e que não há uma forma única, bem como um modelo padrão de leitura, e foi apontado pelos autores há várias formas e todas elas são bem aproveitadas em todas as situações em que ela se encontra. Assim para a realização da leitura de palavras conhecidas utiliza-se um modelo, como o top-down e no caso de palavras desconhecidas, principalmente palavras estrangeiras utiliza-se o bottom-up, evidenciando que ambos os modelos são aplicáveis em nosso cotidiano. Mas diante disso Goodman (1987, apud Maciel, 2004) afirma que possui um único processo de leitura, ainda que seja necessária a flexibilidade, toda leitura deve começar com um texto, este é construído como linguagem e finaliza com a construção do significado.

 

 

REFERÊNCIAS

 

CARVALHO, Íris Oliveira de. Leitura e Produção Escrita. In: Metodologia do Ensino Fundamental / Universidade Feral de Goiás. Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação. Goiânia: FUNAPE/CIAR, 2010.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.Versão 5.0. Curitiba: Positivo, 2004.

KLEIMAN, Ângela. Texto e Leitor: Aspectos cognitivos da leitura. 10.ed., Campinas, SP: Pontes, 2007.

KOCK, Ingedore Vilhaça. O texto e a construção dos sentidos. 9.ed., 1ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2008.

MACIEL, Diva Albuquerque. Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Leitura Escrita. Brasília, DF: Universidade de Brasília/CEAD, 2004.

PINTO, C. M.; RICHTER, M. G. O livro didático de português para estrangeiros segundo a Teoria da Atividade. In: VI Seminário Internacional em Letras Palavras: Margens e Imagens, 2006, Santa Maria. Anais. Centro Universitário Franciscano, 2006.

Perfil do Autor

Jorge Ramos Nunes

Sou professor da Rede Pública Municipal de Ensino de Águas Lindas, Graduado em Pedagogia e Especialista em Psicopedagogia, atualmente trabalho no Polo UAB do município, sou estudante do curso de Teatro na Universidade de Brasília - UnB. E me interesso muito por assuntos realcionados, a edição de vídeos, web designer, e outros pertinentes a informática.