O ensino de geografia na educação infantil

Publicado em: 28/03/2011 |Comentário: 1 | Acessos: 9,455 |

INTRODUÇÃO

 Sabemos que a escola é um lugar privilegiado para a construção da cidadania, para isso precisamos ter consciência da importância do professor na formação do sujeito, saber ser capaz de cumprir deveres e usufruir dos direitos que possuímos. E, para que o conhecimento é necessário ser estimulado desde seu nascimento.

Para auxiliar nesse objetivo entendemos o ensino de Geografia como metodologia importante na realização do trabalho pedagógico na Educação Infantil. Esta pesquisa analisará as limitações e as possibilidades do ensino da Geografia na Educação Infantil e como isso pode acontecer de maneira significativa para o sujeito, tendo como objetivos específicos: caracterizar as etapas da criança na Educação Infantil segundo teorias do desenvolvimento de Piaget e Vygostky; especificar os conceitos importantes no desenvolvimento das crianças como orientação, espaço, tempo, representação, lugar, paisagem; analisar a importância da orientação espacial e temporal da construção do sujeito; compreender as limitações do ensino de Geografia na Educação Infantil; pesquisar estratégicas para trabalhar o ensino da Geografia na Educação Infantil.

 O objetivo deste estudo foi de compreender, através de leituras, de que maneira o professor de Educação Infantil, pode auxiliar o bom desenvolvimento integral da criança, considerando a importância do sujeito de localizar-se no tempo e no espaço em que vive, tornando-se alguém participativo da sociedade.

 O ENSINO DE GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 A formação escolar da criança começa na Educação Infantil e entendemos que, para oportunizar a integridade da construção dos conhecimentos, a Geografia é fundamental nesta etapa de ensino.Para compreender o processo em que se insere a Geografia e suas possibilidades, é necessário considerar o contexto no qual surgem a infância e a escola.

Dessa forma as evoluções que ocorreram no decorrer da história são mudanças relevantes a serem ponderadas para analisarmos a importância das aprendizagens dos conhecimentos geográficos na Educação Infantil, visando o desenvolvimento integral do ser humano. Conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n° 9394 de 20 de Dezembro de 1996, Art. 29 fica evidente a mudança ocorrida em relação ao entendimento e a prática no que se refere à Educação Infantil, ao dispor sobre sua finalidade: A Educação Infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e comunidade.

Pode-se perceber que a finalidade da Educação Infantil passou a ter um contorno mais complexo e menos linear. A partir desse momento, a criança é considerada como sujeito histórico social, que possui seus direitos garantidos na LDB. Cumprindo a tarefa indissociável de educar a criança é percebida, para além do mero cuidar da criança no seu desenvolvimento integral.

 Nessa perspectiva apresentamos uma discussão sobre esses processos em que se constroem historicamente, ou seja, a infância e a escola. O conceito de infância que atualmente se entende, conhece e estuda, nem sempre prevaleceu, pois na Idade Média, o sentimento de infância como faixa etária que merecesse caracterização e atenção distinta das demais, era inexistente.

 Segundo Àries (1982), o desenvolvimento da criança realizava-se com as experiências e acontecimentos, convivendo no ambiente familiar e social, aprendendo o que era necessário para se tornar adulto, pois não se considerava a criança como ser participante e atuante da sociedade, por ser pequena e incapaz de executar tarefas dos adultos. Conforme a criança ia desenvolvendo físicamente e cognitivamente, ela ia sendo introduzida na vida adulta.

 Para tanto, ia adquirindo aprendizagens necessárias para viver e ser considerada como tal. Nesse sentido, a criança aprendia, por exemplo, os afazeres da casa e os afazeres de um ofício, geralmente o mesmo que dos familiares.

 Mas este pensamento em relação à criança começa a mudar a partir do século XVII e durante o século XVIII. É nesse período que ela começa a ser vista como um ser ingênuo, frágil e digno de atenção e mimos. Ao encontro dessa nova percepção, os adultos passam a disponibilizar mais tempo para as crianças, uma vez que, também, começam a considerá-la como um ser em processo de desenvolvimento. Por isso passam a considerar necessário prepará-las para uma vida adulta. Áries (1982, p. 100) nos apóia para melhor compreendermos esse novo tratamento dado à infância: Um novo sentimento de infância havia surgido, em que a criança, por sua ingenuidade, gentileza e graça, se tornava uma fonte de distração e relaxamento para os adultos, um sentimento que poderíamos chamar de paparicação. .

 Com esta nova forma de pensar e de tratar as crianças, por parte dos adultos, começa a entender e discutir um novo conceito em relação à infância. Esse novo entendimento reconhece essa fase do ser humano como merecedora de uma atenção especial, pois preocupa-se com a formação moral da criança que se tornará um adulto, que pretende que seja digno de respeito, socialização, solidariedade, compreensão, afeto e carinho.

Paralelamente, grandes mudanças começam a ocorrer com a humanidade. A sociedade e a economia, pouco a pouco, vão deixando de ser familiares para ser comunitárias. Com a invenção da máquina a vapor, as famílias saem do campo para morar na cidade à procura de condições melhores de vida, tornando-se uma comunidade concentrada nos grandes centros urbanos.

 Com a mudança ocorrida na sociedade a escola começa a transformar-se para atender a essa nova necessidade. A reflexão passa a ser sobre a formação da criança, não mais apenas como um processo de aquisição conhecimentos. Com isso ocorrem mudanças nos colégios, que passam a ser organizados por classes e idades, formando cidadãos preparados também para o trabalho.

 A mudança pela qual passa o papel de inserção da criança no mundo, que antes era da família, agora começa a ser exercida pela escola; é uma forma de transmitir a moral e ofícios, que antes era incumbência da família, porque agora a criança é percebida de forma diferente, e também, porque o adulto está ocupado trabalhando nas fábricas.

 Uma característica dessa nova escola é a educação pela transmissão de conhecimento e formação através de disciplina autoritária e rigorosa. Pode-se dizer que há restrita preocupação de como a criança desenvolve sua aprendizagem, e quais são métodos de ensino mais eficazes. Logo, trata-se de uma educação que hoje denominaríamos tradicional. Áries (1981, p. 117) revela a face moral considerada fundamental no papel da escola daquele período: Esses educadores eram responsáveis pela alma de seus alunos:era um dever também usar sem indulgência culpada de seus poderes de correção e punição, pois isso envolvia a salvação da alma das crianças, pelas quais eles eram responsáveis perante Deus.

 No século XIX, sob fortes influências econômicas e sociais, surgem movimentos em favor de uma educação para todos, independentes da classe social e sexo, passando às escolas a responsabilidade do Estado, por sua vez, através de uma legislação, cria um sistema de ensino nacionalizado, com calendário escolar, currículo escolar e processos educacionais (ARANHA 2008).

Muitas escolas públicas são abertas e passam a servir como estratégias para evitar problemas sociais futuros. Preparam as crianças para uma vida adulta em sociedade, desenvolvendo suas capacidades cognitivas e físicas que vão ao encontro de uma sociedade preparada para trabalhar, especialmente nas fábricas.

 Há uma preocupação com a preparação de uma sociedade que se habitue, desde cedo, com a disciplina e que aprenda, na escola, a se acomodar às fragmentações do espaço e do tempo. A comparimentação dos horários (períodos de tempo das aulas das disciplinas) e dos espaços (vertical e horizontal: seriação e turmas por faixa etária), passa a incorporar o contexto escolar.

 A urbanização traz para as ruas muitas crianças. Seus pais precisavam deixá-las sozinhas para poderem trabalhar e não havia um lugar adequado onde pudessem deixar seus filhos. Para evitar que essas "crianças problemas sociais" e "marginalizadas", continuassem nas ruas, sofrendo influências de pessoas que poderiam tirar proveito da situação, houve um grande aumento no número de escolas.

 Paralelamente, nesse período, ocorre também uma atenção maior para com as crianças da primeira infância. Isso por que se percebe a necessidade de uma aprendizagem preparatória para ingressar na escola regular, para facilitar o aprendizado posterior.

 Diante da importância que deve ser dada a essa faixa etária, passam a ocorrer pesquisas que buscam compreender o desenvolvimento da aprendizagem nesse período, na qual as crianças necessitam de uma atenção especial. Surge então uma grande inovação: os "jardins de infância". Friedrich Froebel (1958), fundou os "jardins de infância".

Para ele, os adultos precisam cuidar das crianças pequenas, assim como um jardineiro cuida de suas flores, com muito carinho e atenção especial em cada etapa em que elas se encontram. Nessa perspectiva, Froebel defende que é essencial o cuidado inicial da criança para seu posterior desenvolvimento.

 Para tanto, propõe o privilégio às atividades lúdicas, com jogos e brincadeiras desenvolvidas para as crianças na Educação Infantil. Para o autor, o processo de ensino e aprendizagem deve ser de maneira espontânea, alegre, divertida e prazerosa para as crianças, cabendo ao professor aguçar a curiosidade infantil e estimular o desenvolvimento cognitivo, nesses primeiros anos de vida.

 Mas se deve ter consciência de que a educação infantil, por muito tempo, foi vista apenas como um processo de cuidar e alimentar as crianças nos seus primeiros anos de vida, sem considerar o pensamento de Froebel(1986, p, 31): A educação é o processo pelo qual o indivíduo desenvolve a condição humana autoconsciente, com todos os seus poderes funcionando completa harmoniosamente, em relação a natureza e à sociedade.

Além do mais, era o mesmo processo pelo qual a humanidade, como um todo,originariamente se elevara acima do plano animal e continuará a se desenvolver até sua condição atual.Implica tanto a evolução individual quanto universal.

No século XX, dá-se continuidade aos movimentos e reflexões, ocorrendo grandes transformações sociais e políticas. Isso faz com que se criem novos valores. A escola começa então a mudar a educação das crianças frente a sua importância, que cada vez mais se considerava no contexto econômico e social.

A criança começa a ser percebida de outra maneira para que se torne um adulto participativo da sociedade. Para isso, ela precisa interagir com o meio no qual está inserida. Neste contexto, a Geografia tem um papel muito importante, pois tem sua centralidade na espacialidade, temática que abordaremos mais adiante.

Assim, surgem movimentos críticos com o intuito de mostrar que a educação tradicional está ultrapassada. Grandes reflexões e estudos são realizados na área da educação, pois é preciso considerar a constante transformação do mundo contemporâneo, revendo qual o melhor método para que aconteça uma aprendizagem significativa. Várias correntes pedagógicas influenciam nestas mudanças da educação.

 Essa preocupação com o processo pedagógico, que significa arte e ciência da educação e da instrução, torna-se evidente nas palavras de Aranha (2008, p. 245): Diante de uma sociedade tão complexa e cheia de contradições podemos imaginar o papel importante que representa a implantação de um adequado sistema de educação, antecedido por reflexões rigorosas sobre seus fundamentos e objetivos, ou seja, uma reflexão pedagógica.

 Surge uma educação voltada para a formação integral do educando, à qual se preocupa com os processos cognitivos, psicológicos e afetivos. Para isso, é de muita importância o contexto social em que o aluno está inserido, visando melhorar o seu desenvolvimento humano e social.

Como vimos, a educação vem sofrendo mudanças ao longo dos séculos, na busca de uma prática educativa mais eficiente, baseada em fundamentos teóricos e práxis, desenvolvidas por pensadores, estudiosos e cientistas para que, no âmbito escolar, o processo educacional seja realmente eficaz e produtivo.

 Nessa perspectiva, apresento uma análise das obras de Vygotsky e Piaget, autores que apresentam referenciais teóricos fundamentais para refletir o processo de ensino e aprendizagem, especialmente no que se refere a Educação Infantil e as aprendizagens geográficas. 

 Lev Semenivich Vygotsky (1896-1934), nasceu na Rússia e vivenciou os momentos da revolução que implementava o socialismo. Oriundo de família nobre formou-se em Direito, estudou Filosofia, Filogia, Literatura, Pedagogia e Psicologia, o que o levou a dedicar-se ao ensino e à pesquisa na área do desenvolvimento psicológico humano. Apesar de ter morrido ainda muito jovem, deixou uma enorme obra, mais de duzentos trabalhos científicos, que podem ser pontos de referência para debates em várias áreas do conhecimento.

 Para a discussão sobre Vygotsky, baseamo-nos em Martha K. De Oliveira (2002), que coloca o autor como o pensador destaque que alicerça suas análises sobre os processos de ensinar e aprender. Entendemos, assim como Oliveira (2002), que Vygotsky é um autor muito importante para a educação, pois em seus estudos valorizou muito a escola, a intervenção pedagógica e o papel do professor para a formação do sujeito.

 Preocupava-se, ainda, com as situações de aprendizagem em sala de aula, ou seja, com a mediação pedagógica. Dessa forma Vygotsky desenvolveu vários estudos no sentido de fazer uma pesquisa significativa para melhor entender o desenvolvimento humano, privilegiando a importância da interação social, para as operações superiores.

 Por operações superiores entende- se a capacidade de refletir e agir sobre o mundo no nível mais abstrato e que libera o sujeito, ao menos em parte, de proceder por tentativa e erro Vygotsky. Segundo Vygotsky, o nível dessas operações superiores do sujeito tem início com as interações sociais, pois desde as atividades do cotidiano de uma criança, até ser capaz de formular conceitos, o autor destaca a importância da totalidade da cultura e da história na formação do sujeito.

Ao analisar os fenômenos da linguagem e pensamento, Vygotsky busca compreender como ocorre a internalização do sujeito histórico social no processo de construção de conceitos. Entende que essas generalizações sempre estarão em transformação, devido ao sujeito estar sempre em interação com o meio social e com as possibilidades de intervenções arbitrárias ou intencionais, que podem ser apresentadas pela educação escolar.

Segundo Oliveira (2002), Vygotsky, ao explicar as operações superiores usa o conceito de mediação que, em termos gerais, é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação que deixa de ser direta e passa ser mediada.

Para Vygotsky, a relação do homem com o mundo não é uma relação direta, mas sim, uma relação mediada, pois as funções psicológicas superiores apresentam uma estrutura, entre o homem e o mundo real existem os mediadores, distinguidos por dois tipos: os instrumentos e os signos.

 O instrumento é um elemento entre o trabalhador e o objeto, ampliando a possibilidade transformação da natureza. O machado, por exemplo, corta mais e melhor que a mão humana, como se pode observar, o instrumento é feito especialmente para certo objetivo: é um objeto social e mediador da relação do sujeito e do mundo. Na educação escolar o instrumento é o meio usado para alcançar, por exemplo, a construção dos signos. Já os signos são meios utilizados pelos homens para auxiliar na resolução de problemas psicológicos, ajudam nas atividades que exigem memória e atenção e agem como instrumentos da atividade psicológica, da mesma maneira que os instrumentos servem para auxiliar no trabalho.

 Portanto, os instrumentos são elementos externos ao sujeito, sua função é provocar mudanças nos objetos, na natureza,e os signos são orientados para o próprio sujeito, auxiliando no controle das ações psicológicas e não nas ações concretas.

É fundamental para o desenvolvimento do sujeito, que ocorra o que Vygotsky chamou de processo de internalização: as marcas externas vão se transformando em processos internos de mediação, onde são desenvolvidos sistemas simbólicos que organizam os signos em estruturas complexas. Por exemplo, a palavra "mesa" não é apenas uma palavra pela qual pode ser chamada uma determinada mesa concreta e sim ser aplicada a todas as mesas em geral.

Podemos perceber a importância do processo de internalização, pois a criança a partir dos instrumentos e através dos signos, constrói conceitos abstratos usando a memória e a atenção. Conforme Vygotsky (2001, p. 114) nos explica: Todas as funções psicointelectuais superiores aparecem duas vezes no decurso do desenvolvimento da criança: a primeira vez nas atividades coletivas, nas atividades sociais, ou seja, como funções interpsíquicas: a segunda, nas atividades individuais, como propriedades internas do pensamento da criança, ou seja, como funções intrapsíquicas.

 Um elemento importante para que todo este processo ocorra na mente em desenvolvimento da criança, é a cultura na qual ela esta inserida, pois o meio influencia fornecendo ao indivíduo os sistemas simbólicos que permitem construir a interpretação do mundo.

Outro elemento de fundamental importância e que ocupou o principal lugar nos estudos e pesquisas de Vygotsky é a linguagem. Este tem como principal função de proporcionar a comunicação com outros seres da comunidade, utilizando o sistema de linguagem, sistemas simbólicos dos grupos humanos.

É por meio da linguagem que as funções mentais superiores (memória e o pensar) são formados socialmente, para que aconteça a transmissão da cultura do grupo no qual a criança está inserida. A linguagem fornece conceitos e maneiras de organizar o real que constitui entre o sujeito e o objeto de conhecimento, tornando-se um instrumento de pensamento. Vygotsky afirma que, mesmo antes da criança exercer a linguagem de fala, ela desenvolve um pensamento,a partir das outras linguagens as quais está esposta com que é capaz de resolver problemas práticos, através dos instrumentos. Quando o percurso do pensamento encontra-se com o da linguagem, inicia uma nova fórmula de funcionamento psicológico. Conforme Oliveira nos esclarece (2002, p. 34): A fala torna-se intelectual, com função simbólica, o pensamento torna-se verbal, mediados por significados dado a linguagem através dos signos. Os significados dos signos, ou melhor, das palavras proporciona às crianças a mediação simbólica entre o sujeito e o mundo, além de possibilitar a comunicação do sujeito com a comunidade e a organização do mundo real aplicando palavras a objetos.

 Para que as crianças tenham uma aprendizagem significativa, os educadores precisam ter consciência de que a aprendizagem possibilita o surgimento de processos internos no sujeito, e o desenvolvimento na relação com o ambiente sócio-cultural em que vive.

 A expressão de um conceito específico dentro da teoria de Vygotsky, é essencial compreender suas ideias e teorias sobre a relação entre desenvolvimento e aprendizagem o conceito de zona de desenvolvimento proximal e o conceito de Zona de Desenvolvimento Potencial. A zona de desenvolvimento proximal (ZDP) permite depreender que se trata da aprendizagem que acontece no intervalo entre o desenvolvimento real e o desenvolvimento potencial, ou seja, a distância entre o que o sujeito já sabe e aquilo que tem potencialidade de aprender. O nível de desenvolvimento real é a capacidade das crianças de realizar ações de formas independentes da mediação, sendo fases conquistadas no desenvolvimento infantil. O nível de desenvolvimento potencial é a capacidade de realizar ações com a mediação de adultos ou colegas que já realizam determinada ação sozinhos. Conforme já foi dito, desenvolvimento potencial é a ideia de que a criança tem condições de realizar uma determinada tarefa, mas precisa da mediação de alguém para executá-la, para poder ultrapassar e avançar para além do que é seu desenvolvimento.

Neste contexto, a educação tem o papel importante de estimular a criança a desenvolver seu potencial. A escola e professores são fundamentais para o desenvolvimento psicológico das crianças, tendo como referência para iniciar uma ação pedagógica, o nível de desenvolvimento real dos alunos.

Partindo do que a criança sabe, o professor pode realizar interferências pedagógicas desafiadoras e incentivadoras, podendo orientar a aprendizagem, antecipando o desenvolvimento do aluno, tornando-o real, gerando o aprimoramento da criança. E, partindo da teoria de Vygotsky, os pedagogos podem orientar-se para que o ensino de Geografia na Educação Infantil seja significante, porque considera o espaço como essencial.

 A criança interage permanentemente em uma espacialidade e, ao ingressar na escola, possui conhecimentos prévios que podem ser qualificados, melhorando com isso a maneira de entender o mundo.

 A teoria vigotskiana é, ao lado da piagetiana, de suma relevância para pensar os processos de ensino e aprendizagem. A seguir, analisaremos a centralidade dada por Piaget à educação em suas limitações e possibilidades. 

 Jean Piaget (1896-1980), nascido na Suíça, formado em Biologia, interessou-se por pesquisar sobre o desenvolvimento do conhecimento nos seres humanos. Sua obra nos ajuda a pensar sobre como se desenvolve a inteligência em tais seres.

 Por este motivo é que foi chamada ciência de Epistemologia Genética, entendida como o estudo das estruturas dos conhecimentos, pois sua preocupação principal é sobre como ocorre a construção do pensamento lógico da criança e a sua inteligência.

Para a discussão sobre Piaget, baseamo-nos em Anália Rodrigues de Faria (1989), que coloca Piaget como o pensador destaque para uma educação de qualidade. A autora se baseia em Piaget para suas análises sobre os processos de desenvolvimento da inteligência do sujeito.

 A teoria de Piaget, assim como a de Vygotsky, tem comprovação em bases científicas. Isso porque ambos descreveram o processo de desenvolvimento da inteligência, como experienciou suas teorias na prática com atividades realizadas por ele mesmo.

Segundo Faria (1989), Piaget afirma que o desenvolvimento intelectual da criança acontece quando as estruturas da inteligência se constroem pela interação do sujeito com o mundo. Entende-se que a criança está inserida em um meio ambiente no qual realiza uma relação do seu corpo com os objetos, e esta relação gera conflitos em suas estruturas mentais.

Sendo assim,a construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou mentais, provocando o desequilíbrio, resultam na adaptação a uma situação que equilibra dois fenômenos estruturais mentais da criança, a assimilação e acomodação conforme nos explica Faria (1989).

 A assimilação consiste na tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação a partir da estrutura cognitiva que ele possui naquele momento específico da sua existência. Representa um processo contínuo na medida em que o indivíduo está em constante atividade de interpretação da realidade, consequentemente, tendo que se adaptar a ela, visando sempre a restabelecer a equilibração do organismo.

 A acomodação, por sua vez, consiste na capacidade de modificação da estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento, e pode acontecer de duas formas: • Criar um novo esquema no qual se possa encaixar o novo estímulo, ou • Modificar um já existente de modo que o estímulo possa ser incluído nele. Ocorrendo acomodação processo de modificação de esquemas, que ajuda na reorganização dos esquemas assimilatórios do sujeito, onde acontece o desenvolvimento cognitivo, ajudando a cada nova assimilação e novos estados de equilíbrio.

Piaget conceitua o desenvolvimento intelectual da criança em subdivisões por estágios, correspondendo ao seu nível de equilíbrio. Assim, as crianças podem compreender o mundo de diferentes maneiras, conforme o estágio de desenvolvimento em que se encontram.

Os estágios que Piaget criou Sensório-Motor, Pré-Operatório, Operatório Concreto e Operatório Formal, ajudam os professores a melhor entender como a criança se desenvolve, para que se possa pensar a prática pedagógica, de acordo com momento em que ela se encontra, respeitando seus limites.

 Os estágios Sensório-Motor, Pré-Operatório em que a criança, na Educação Infantil, se encontra é importante para realizar um ensino de Geografia significativo, visando o pleno desenvolvimento intelectual, motor, moral e afetivo do educando. Por isso, trataremos resumidamente de cada um desses estágios que abrangem a faixa etária da criança da Educação Infantil entre 0 e 6 anos de idade.

 Estagio Sensório- Motor (de zero a 2 anos)

 Nesse primeiro estágio, a criança recém- nascida desenvolve reflexo inato, por meio de atividades repetidas, interagindo com objetos (seio, mão, pé, roupas, brinquedos) sem assimilá-lo como algo diferente. Nessa fase da vida, a criança é egocêntrica, ou seja, exige todas as ações voltadas para ela, é o centro de seu mundo, mas ainda não consegue relacionar o seu corpo com os objetos. Conforme Faria nos traz sobre o egocentrismo segundo Piaget (1989, p. 42): Para Piaget individuo, no seu espírito egocêntrico, assimila tudo a si e ao seu ponto de vista próprio. Ele não toma consciência clara do seu pensamento e não tem sentimento do seu eu como algo separado do outro.

Portando, o pensamento e a linguagem estão centrados no eu, mais a serviço das suas necessidades subjetivas e afetivas, do que da verdade. A criança que tem seu corpo como centro do seu mundo começa, a partir dos 8 meses, a descentrar esta noção, passando a interagir com os objetos, diferenciando do seu corpo, tendo também a noção de como pode agir sobre os objetos, que serão constantes em sua vida.

A criança começa apresentar, aos poucos, movimentos coordenados no seu ambiente, construindo lógica para sua ação, pela imitação, possibilitando recordar e reproduzir a vontade de sua ação sobre os objetos. Então, conhecer significa organizar, estruturar e entender, para que com este processo a criança possa explicar seus pensamentos e ações.

 Podemos então, ter a noção da importância da Geografia nesta fase da criança, ajudando a localizar-se no espaço, criar a noção do seu corpo e do objeto, onde acontece a conquista da percepção e dos movimentos, de todo o mundo que o cerca.

 Estágio Pré-Operatório (de 2 a 6 anos)

 Nesse período segundo Piaget, a criança está desenvolvendo ativamente a linguagem, o que possibilita, além de utilizar a inteligência prática adquiridas no período sensório-motor, iniciar a capacidade de representar uma coisa por outra, ou seja, formar esquemas simbólicos.

 Com o desenvolvimento da função simbólica, a criança é capaz de interagir com objetos ausentes, criando significados para ações imaginárias através de gestos, palavras, desenhos.

A criança consiste em construir imagens, para ajudar a formar classes, classificação, como gato (miau), não somente para o gato que avistou, e sim para todos os gatos que poderá ver. A linguagem, nesse período funciona adequadamente quando a criança domina as classes, como vemos no exemplo acima.

A linguagem se aplica a verbos simples, adjetivos e advérbios de tempo e lugar. Ainda nesta etapa, ela continua centrada no seu eu, incapaz ainda de considerar a noção do outro, ocorrendo não apenas com objetos físicos, mas também em relação ao seres que convivem com a mesma, possuindo uma linguagem egocêntrica e socializada.

Nesse estágio da vida a criança precisa aprender a viver em sociedade, situando-se no espaço, no tempo, no lugar, para que no seu cotidiano escolar , assim como sua vida adulta, tenha facilidade para a construção do conhecimento. Conforme Piaget (1975, p. 277) nos traz sobre a construção do símbolo na criança: O que se tem que encontrar não é apenas a explicação de "representação" em geral, mas uma explicação suscetível de penetrar no próprio por menor dos mecanismos representativos, tais, por exemplo, as múltiplas formas de instituição espaciais (ordem, posição, deslocamento, distância, etc.) [...]. Percebe-se que a criança, nesse contexto, começa a entender o mundo de outra forma, sai do convívio familiar, passando também para instituições que tem deveres e direitos na formação de um cidadão.

 Durante essa formação, que devemos como professores desenvolver as capacidades motoras, sociais, afetivas e cognitivas das crianças, é nesse contexto que a Geografia tem um papel muito importante para que o aluno desenvolva a orientação espacial e temporal, como a representação do lugar em que vive.

Segundo as teorias de Piaget e Vygotsky, conceitos geográficos são muito importantes, precisando ser trabalhados com as crianças. Embora tenha que se compreender as limitações do ensino nessa idade em que as crianças se encontram para elaborar estratégias para a prática escolar, ambos pensadores consideram o contexto espacial da criança como fundamental nas suas aprendizagens.

 A Geografia na Educação Infantil pode ajudar a criança a desenvolver noções de representação e orientação de lugar, paisagem, lateralidade, espaço e tempo, com estratégias de ensino que possam vir a ajudá-la no seu desenvolvimento intelectual ao longo da vida.

Quando se fala em Geografia na Educação Infantil, não estamos falando em estudar conceitos científicos, pois a criança nesta fase, não esta preparada para trabalhar estes referenciais.

 A Educação Infantil mudou muito ao longo do tempo, como vimos no capítulo anterior, era vista como um espaço que tinha como função principal cuidar das crianças. Dizendo de outro modo, a preocupação central não era necessariamente com o ensino de conhecimentos formais ou com o desenvolvimento integral, mas apenas vinculada aos cuidados físicos.

Já nos dias de hoje, existem métodos didáticos voltados ao desenvolvimento de capacidades e habilidades necessárias para que a criança se torne adulto com condições físicas, psicológicas, motoras, afetivas e sociais para viver em sociedade. O processo ficou mais orientado para a formação das competências e habilidades cognitivas (raciocínio lógico e inteligência) e emocionais (motivação, auto-estima, afetividade, disciplina), dessa forma, a criança poderia entender e apreender melhor o mundo em que vive.

Considerando que os seres humanos vivem sempre em um lugar em interação com os elementos e as ações da natureza e da sociedade, o espaço e o tempo têm importância fundamental na formação da criança. A aprendizagem de todos os indivíduos se processa nas interações com os significantes do ambiente em que vivem. Isso porque eles necessitam conhecer e compreender seu espaço geográfico já nos primeiros anos das suas vidas. Em função disso o ser humano é capaz de realizar uma leitura de mundo.

 Como vimos em Vygotsky e Piaget, entendendo que o sujeito se constitui a partir do social. Nesse entendimento, a espacialidade em todos seus elementos e ações é parte importante do aprendizado, por isso deve também estar presente nas estratégias de ensino das Escolas de Educação Infantil.

Segundo Piaget (1989), a criança, na Educação Infantil, encontra-se nos estágios sensório motor e pré- operatório, e não consegue sozinha compreender seu espaço e tempo de maneira crítica, necessitando que o adulto a auxilie a explorar o mundo em que vive. Esta experiência é indispensável para a formação de um cidadão participativo na sociedade.

Neste contexto, a Geografia contribui na compreensão da criança da vida em sociedade, sobre a noção do espaço e tempo, reestruturando conceitos sobre a realidade vivida. Para podermos pensar sobre os processos de ensinar / aprender Geografia nesse período da Educação Básica, é relevante entender o contexto histórico dessa área do conhecimento. Segundo Moreira (1994, p. 08), "a geografia é um saber tão antigo quanto a própria história dos homens".

 Desde os primórdios da história humana, os povos já eram dotados de uma mobilidade espacial, decorrente tanto do exercício da curiosidade como da necessidade de reprodução da própria sociedade, que levou à exploração de regiões diferentes daquelas da habitação inicial. Há muito tempo, os homens procuram conhecer cada vez mais o mundo em que habitam, sendo algo curioso para os mesmos, registrando todas as descobertas para transmiti-las à sociedade.

 A descrição dos lugares (aspectos sociais, culturais, políticos, econômicos, bem como características físico-naturais), torna-se fator importante para essa transmissão de conhecimentos. Esse saber geográfico era produzido, principalmente, para a atividade de prática diária, pois a partir daí começa-se a produzir mapas, os quais passam a facilitar a localização de mercadores, navegantes, militares, historiadores, filósofos e matemáticos que utilizarão estes saberes no seu cotidiano.

 A Geografia é algo que existe há muito tempo, mas com o passar dos anos ela se tornou uma ciência social, onde seu objetivo é o estudo do planeta Terra, também a relação do homem com o meio ambiente e essas práticas influencia o espaço em que vivemos. Convém ressaltar ainda, que a Geografia é uma ciência fundamental, pois permite ao homem compreender e planejar melhor a sua vida ,o planeta em que vivemos. Isso exige uma ação de ligação entre espaço e tempo. Conforme Cavalcanti (1998, p. 16): Esse enriquecimento das diferentes interpretações na Geografia conduz a necessidade de reformular categorias e conceitos para compreender melhor o movimento da sociedade, para refletir sobre a problemática espacial, à luz das contribuições de uma teoria sócio crítica.

 O "movimento da sociedade" a que Cavalcanti se refere nos permite entender que a criança precisa ser participante da Geografia, do espaço estudado e não apenas entender conceitos sobre esta ciência. Precisa para ter uma consciência da importância da compreensão do mundo em que vive, para ser um cidadão participante e crítico da sociedade em que está inserida.

 Isso não deve ocorrer somente depois da alfabetização, pois na Educação Infantil podemos iniciar esta aprendizagem que seguirá pela vida toda. A criança passa a ter a noção de espaço e tempo a partir do momento em que se relaciona com o mundo que a cerca, dando sentido e significado para os objetos, acontecimentos vividos, ordem, lugar e pessoas. Conforme Paganelli apud Callai et al.(1998, p. 69): A construção da noção de espaço pela criança requer uma longa preparação [...] Se faz por etapas, mas sempre associadas à descentração e apoiada na coordenação de ações [...] Há um longo caminho a ser percorrido para a construção da noção de espaço, que se inicia pela ação da criança e culmina com a operação mental.

O conceito de espaço, que mais tarde a criança irá aprender, é realizado pelo processo de abstrair a realidade vivida. Para que isso aconteça com facilidade é importante que se construa a consciência da espacialidade, desde suas relações com os objetos concretos.

 Para que se desenvolva na Educação Infantil esta aprendizagem, professores e alunos precisam considerar, conforme analisamos anteriormente, uma compreensão de aspectos importantes para Geografia, tais como: espaço, tempo, espaço geográfico, e a compreensão das categorias espaciais (lugar, paisagem, território, sociedade, natureza, cotidiano). Espaço é onde o ser humano vive; é construído por seus ocupantes. Nele moramos, ocupamos um lugar, e temos cada qual a sua realidade.

 A criança necessita entender a noção do mesmo para compreender o local em que se vive e, com isto, na Educação Fundamental, desenvolver um processo de aprendizagem em que aprende o espaço como resultado das suas ações e de seus grupos. É também importante salientar que a noção de tempo é um conceito que deve ser construído paralelamente à noção de espaço e tempo físico (o do calendário, de horas, dias e noites), do tempo social, de consequências de acontecimentos, para seu desenvolvimento de cidadão participativo, crítico e reflexivo no seu meio social.

A noção de tempo surge quando a criança começa a compreender que o tempo possui ritmos diferentes, que ao passar das horas acontecem várias coisas. Algumas, às vezes, parecem passar devagar, outras, rápidas demais, e nem sempre da mesma maneira para todos.

O professor na Educação Infantil precisa ter a consciência de trabalhar com a criança o tempo social, pois a mesma precisa compreender seu espaço, que fatos não acontecem com as pessoas, animais e objetos permanecendo parados e, sim, com processos contínuos de ação determinada pela sociedade.

 O tempo social compreendido, tendo a noção de que todas as ações são realizadas em um determinado tempo, entendendo o antes, depois, em seguida, o hoje, agora, o ontem, a criança terá uma aprendizagem significativa, que auxilia quando for aprender o tempo físico na sua educação futura.

O tempo físico é um tempo universal, do calendário, que possibilita indicar quando os fatos aconteceram, através de datas, oportunizando a convivência harmônica na sociedade todos da sociedade. Conforme Callai (1991, p. 28) discute em sua obra: A estruturação da noção de tempo é o resultado de um longo caminho percorrido pela criança, pois desde o nascimento, o organismo com seus ritmos espontâneos (ritmos descobertos pela criança e não aprendido por imitação do adulto), é confrontado a uma realidade temporalmente estruturada, seja por razões puramente física, como alternância dos dias e das noites, seja pela influência de normas sócio-culturais

. A criança, na Educação Infantil, precisa ser considerada como um ser capaz de aprender, realizando atividades que possam auxiliá-la na compreensão da noção de espaço e tempo, para que, ao ingressar na Educação Fundamental entenda significativamente os conceitos geográficos.

 A escola de Educação Infantil deve ser um lugar com espaços diversificados, com objetos de várias formas e tamanhos, com muitos materiais lúdicos, para que o docente possa auxiliar, através da alegria, da curiosidade e da surpresa, uma aprendizagem prazerosa e eficiente às crianças. Conforme Andreis (1999, p. 13-14) afirma: A escola é que pode e deve proporcionar esta oportunidade de construção, pelo educando, destas noções espaciais e deste pensar dialético.

Estas noções de orientação e capacidade de representação são especialmente habilidades da inteligência espacial. Segundo Gardner (1994), a "inteligência espacial" é a capacidade que possuímos de refletir e agir com exatidão num mundo visual, mesmo não estando na presença do real fisicamente, sendo algo fundamental que o sujeito adquira na sua vida, para facilitá-la, podendo planejar, imaginar, desenhar e transformar ações.

Na obra "Geografia, escola e construção de conhecimentos", Cavalcanti (2006) nos ajuda a entender melhor conceitos importantes de Geografia, que auxiliam no desenvolvimento das crianças na Educação Infantil e, de maneira lúdica, obter uma aprendizagem com uma visão melhor do mundo.

 É no espaço que se materializam as relações da sociedade com a natureza, o resultado de ações sociais concretas, onde a sociedade o produziu. Santos (1996, p. 51) confirmou o conceito de espaço geográfico, permitindo uma melhor compreensão: [...] é formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como um quadro único na qual a história se dá.

No começo era a natureza selvagem, formada por objetos naturais, que ao longo da história vão sendo substituídos por objetos fabricados, objetos técnicos, mecanizados e, depois cibernéticos, fazendo com que a natureza artificial tenda a funcionar como uma máquina.

 O ser humano, para um desenvolvimento integral, necessita ter a noção das categorias espaciais desde pequeno, e isto, pode ser apresentado para as crianças na Educação Infantil. A seguir, analisaremos algumas categorias espaciais que são instâncias para melhor compreensão da espacialidade de vida.

O "lugar" é o espaço que se torna familiar ao indivíduo. No limite do espaço vivido, do experienciado. Pode se dizer que é o espaço com o qual o sujeito se identifica e se sente pertencente é afetivamente ligado.

 A "Paisagem" é tudo aquilo que nós vemos o que nossa visão alcança. O domínio do visível, aquilo que a vista abarca. Não é formada apenas de volumes, mas também de cores, movimentos, odores, sons, segundo Santos apud Cavalcanti (2006, p.98).

 A "Sociedade" é a maneira que as pessoas se organizam para viver em relativa harmonia. Para conviver com direitos e deveres, é necessário aprender a aceitar as diferenças, para lutar por um objetivo comum, onde cada indivíduo possa ter seu espaço respeitado.

A "Natureza", em Geografia, pode ser vistas em três concepções diferentes: como organismo "humano", como manifestação de inteligência externa e sua visão evolucionista. Mas é preciso considerar que existem várias maneiras de concebê-la, fundamentadas em análises geográficas como homem determinado pelo ambiente natural, natureza como possibilidade à existência humana, analisando a relação do homem com ela como dependente da relação homem- homem, uma possível separação entre o físico e o humano.

Andreis (2009) nos auxilia para compreender a instância, o "Território" todo espaço que se configura pela apropriação de alguém ou de algum grupo. Esse conceito refere-se às formas de soberania sobre os locais do mundo, uma vez que supõe poder de mando e propriedade.

Quer dizer que essa instância categorial, permite ler o espaço a partir da posse, do domínio e do mando. Por exemplo, os espaços urbanos e rurais são apropriados pelas pessoas, pelas empresas, pelo poder público, entre outros.

 O "cotidiano" pode ser compreendido como a categoria com a qual há convivência diária por todas as pessoas (...). Gestos e objetos fazem parte dessa movimentação. Nas pequenas atitudes, e com os elementos espaciais, diariamente todos se envolvem, com prazer ou desprazer, porque há a obrigação da convivência e da sobrevivência no local que pode ser entendido como as ocorrências diárias, pelas quais todas as pessoas passam. (...). É o "nível real, atual e concreto com o qual e no qual ocorre o embate diário." (Andreis, 2009, p. 38-40) Como o professor de Educação Infantil não ensinará conceitos para as crianças, este processo pode se dar através destas categorias espaciais.

 É uma possibilidade para repensar a prática pedagógica diária, desenvolvendo noções que ajudarão as crianças em sua futura aprendizagem. Quer dizer que o professor auxiliará a criança a compreender o espaço, utilizando categorias e oportunizando o entendimento de que a criança é sujeito autor do espaço.

 A criança convive concretamente com os objetos e ações especializados, sua característica mais marcante é a proximidade da realidade. Para oportunizar a construção de capacidades cognitivas, é importante um processo de abstração do mundo que a cerca. Isto pode ser oportunizado na medida em que professor convida a criança a participar, vendo o mundo a partir de outras instâncias ou categorias.

Nesse sentido, conceitos como orientação (localização e situação) e representação (desenhos ou mapas) são instrumentos que auxiliam a partir das categorias no percurso para as generalizações, permitindo recontextualizar o vivido, o percebido e o concebido. As categorias permitem uma leitura de mundo a partir de determinada perspectiva: lugar, a partir da noção de pertencimento, identificação e afetividade; o cotidiano, a partir das relações locais e globais; o território, a partir das relações de poder, a sociedade, percebendo sua importância na sua comunidade, a natureza, num convívio indissociável e com respeito.

Os conceitos por sua vez oportunizam a construção de significados novos via zona de desenvolvimento proximal e no caminho às formas superiores de pensamento – entendimento que se encontra com as discussões de Vygotsky.

 A importância do desenvolvimento das noções espaciais e temporais na Educação Infantil é relevante, pois aprender, deste pequeno, que vivemos em um espaço e num determinado tempo, ajuda muito a criança entender o meio em que se encontra como resultado de escolha suas e dos grupos com os quais vive.

 A "orientação espacial" pode auxiliar a criança a adquirir formas de representar o espaço na Educação Infantil, sendo um recurso que pode ser utilizado para potencializar a capacidade de representação do espaço (objetos e ações naturais e artificiais). Nesse sentido, é importante respeitar alguns critérios como: título, legenda, margens, escala, entre outros.

Na Educação Infantil, é importante estar atento a construção da capacidade de perceber o espaço como representável em desenhos, o que é entendido como mapa, também a percepção do espaço como construção do sujeito que nele interage.

 Na vida da criança, desde seu nascimento, estão presentes no espaço, composições dinâmicas de elementos ou ações. E na escola que pode oportunizar a significação dessa espacialidade, por meio de sistematização, ou seja, explorando a localização, a orientação, representação e as categorias referidas anteriormente.

 As expressões a seguir podem ser entendidas como noções que possibilitam a fomentação dessas capacidades: menor, maior, lugar, alto, baixo, longe, perto, em cima, embaixo, dentro, fora, relação, deslocamento, diferente, igual, parecido, frente, atrás, junto, separado, no mesmo local, locais diferentes, largo, estreito, metros, quilômetros, centímetros, polegadas, palmos, passos, cheio, vazio, curto, comprido, pequeno, grande, parado, em movimento, artificial, natural, aberto, fechado, individual, coletivo, direita, esquerda, novo, velho, curto, sempre, nunca, às vezes, longo, depois, durante presente, passado, futuro, anos, meses, dias, minutos, segundos, hora, início, e fim entre outras possibilidades. Usando cotidianamente essas expressões com as crianças, é possível facilitar o entendimento do espaço e do tempo em que vivemos, podendo reformular ideias já existentes, compreendendo assim, o meio em que está inserido, vindo a tornarem-se adultos organizados em sua vida adulta, com tarefas diárias. Confrontar, caracterizar, analisar, situar são habilidades que podem ser trabalhadas suscitando noção de espaço e tempo com as crianças.

 Quer dizer que as interrogações ou perguntas abertas acerca dos objetos e das ações espaciais, interpretadas a partir das categorias e dos conceitos referidos, sendo possibilidades de construir conhecimentos em Geografia na Educação Infantil.

Para desenvolver estas noções de Geografia com crianças na Educação Infantil, as quais não estão alfabetizadas e nem dominam conceitos. Nesse sentido, a importância de trabalhar com as categorias, conceitos e noções, o que nos referimos anteriormente é importante adotar outros meios, além do papel e o lápis, que sejam eficazes e prazerosos, como atividades lúdicas.

 Com as crianças é importante utilizar a expressão "atividades lúdicas", porque permite que entendam a brincadeira como um método didático da escola, que é diferente da brincadeira do dia-a-dia. Essas atividades poderão ser realizadas com a intenção de aprimorar os conhecimentos, onde a criança aprenda a perceber que está sendo avaliada.

 Através das atividades lúdicas, a criança pode aprender espontaneamente, de maneira prazerosa, noções de espaço e tempo, aprendizagem básica para conviver na sociedade e no mundo.

 Na Educação Infantil, podem ser realizadas pedagogicamente, tarefas considerando o psicológico infantil, da alegria de descobrir algo novo, da curiosidade, do prático e do cooperativo ao encontro das proposições de Vygotsky e Piaget.

 A relevância da espacialidade é ratificada por Vygotsky e Piaget, como vimos no capítulo anterior onde, através das atividades lúdicas, a criança pode realizar uma significativa aprendizagem e em suas teorias, privilegiam a importância da interação social, cultural, histórica, e com o meio ambiente para a formação do sujeito.Nesse sentido, é relevante refletir sobre algumas formas que podem ser trabalhadas contemplando a espacialidade na Educação Infantil, o que veremos a seguir.  

 Ao encontro da discussão sobre a criança e a escola e das contribuições de Vygotsky e Piaget na construção das noções de Geografia na Educação Infantil, que analisamos  anteriormente, apresentamos, agora, algumas possibilidades de atividades lúdicas que podem orientar a compreensão sobre o que entendemos como relevante no ensino da Geografia na Educação infantil.

A atividade lúdica permite que a criança desenvolva habilidades psicomotoras, cognitivas e sociais, agindo e refletindo sobre o que está acontecendo ao seu redor, reestruturando seus conhecimentos. Vygotsky nos apóia ao afirmar que é brincando que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao invés de uma esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas.

O professor de Educação Infantil, para realizar um ensino de Geografia significativo, necessita escolher metodologias capazes de expressar com clareza os objetivos que deseja alcançar com seus alunos. Conforme as metodologias escolhida, podem- se realizar práticas, de maneira participativa e integrada, para ajudar a criança na construção da noção de orientação no espaço e tempo.

 A partir da orientação espacial, a criança pode interpretar a realidade em que vive, ou seja, sua família, sua escola, sua comunidade, sua cidade, o mundo em que vivemos. E para que isto ocorra, podem ser trazidas experiências vividas, e oportunizar novas experiências, que podem reformular seus conhecimentos. Segundo Rego (2003), na Educação Infantil, o trabalho do professor para auxiliar o entendimento da noção de orientação espacial, pode começar na realização de uma atividade lúdica, interagindo com os conhecimentos das crianças, internalizando-as de forma concreta, prazerosa e afetiva.

Castrogiovanni (2000) também nos ajuda a pensar essa possibilidade ao afirmar que é fundamental proporcionar situações de aprendizagem que valorizem as referências dos alunos quanto ao espaço vivido. Para que se desenvolva uma aprendizagem eficaz, é essencial que aconteçam no cotidiano escolar das crianças as atividades lúdicas.

 Pois a partir disso, elas podem adquirir habilidades, capacidades e conhecimentos para uma vida melhor em sociedade. Isso porque juntar o brincar ao ato de educar, auxilia uma aprendizagem espontânea, alegre e produtiva. Conforme Moyles (2002, p. 35) nos apresenta que: Em todas as idades, o brincar é realizado por puro prazer e diversão e cria uma atitude alegre em relação à vida e à aprendizagem. Isso certamente é uma razão suficiente para valorizar o brincar.

É importante que o professor da Educação Infantil reflita sobre a necessidade das crianças nesta etapa da vida. Isto para poder organizar o local e os ambientes, considerando fatores fundamentais, como aspectos psicológicos, cognitivos, intelectuais e afetivos.

 O professor pode basear-se numa proposta pedagógica que privilegie uma rotina de planejamento e avaliação das atividades que poderá desenvolver com as crianças, sempre considerando o tempo, espaço e os materiais, de acordo com as características da turma. Tendo como um meio fundamental na Educação Infantil, as atividades lúdicas oportunizam uma educação, onde a criança possa evoluir constituindo-se integralmente no tempo e no espaço, e entrando progressivamente no mundo sócio-histórico-cultural dos adultos.

 Segundo Kaschk (2003), as atividades lúdicas ajudam a orientação na execução das tarefas objetivadas pelo professor, sem a criança se dar conta do que realmente se quer com determinada atividade. Isso oportuniza constituir-se como ser que formula e compartilha ideias no convívio diário e desenvolve uma aprendizagem espontânea e realizadora.

 As atividades lúdicas podem trazer a criança capacidades que serão fundamentais na vida adulta. Essas oportunidades permitem, de modo espontâneo, manifestar desejos, pensamentos, motivações e impulsos. Assim o sujeito pode se identificar como ser, adquirir sempre novos conhecimentos.

Segundo Moyles (2002) atividades lúdicas proporcionam às crianças estimulação, interesse, concentração, motivação. Permitem que aprendam significadamente, interagindo com o meio e com outras crianças e adultos, sem terem medo de ficarem constrangido. Nestas ocasiões, a criança livremente pode aprender, por exemplo, noções de orientação espacial.

 O professor tem o papel de incentivador e orientador das atividades lúdicas, diante das suas possibilidades cognitivas. Fica clara a importância do brincar no trabalho pedagógico na Educação Infantil. Moyles (2002) nos diz que as atividades lúdicas existem de duas maneiras: o brincar livre e o brincar dirigido.

 As brincadeiras livres são onde a criança realiza atividades do seu próprio interesse, realizando sua interação com objetos, local, outros seres. As atividades dirigidas referem-se à maneira como podem acontecer as brincadeiras, ou seja, o professor pode desenvolver uma aprendizagem sem que o aluno perceba diretamente o que está acontecendo. Isso permite que não se torne um processo negativo, onde o professor somente verbaliza e teoriza, esperando que os alunos pequenos entendam e aprendam.

Isso realmente fica difícil, pois crianças pequenas não conseguem sozinhas adquirir conhecimentos específicos, precisando conceber gradativamente estes conhecimentos, respeitando o estágio em que se encontram. Convém lembrar o quando as duas atividades lúdicas são importantes para o desenvolvimento da criança. Por meio do brincar livre, exploratório, as crianças aprendem alguma coisa sobre situação, pessoas, atitudes e respostas, materiais, propriedades, texturas, estruturas, atributos visuais, auditivos e sinestésicos. Por meio do brincar dirigido, elas têm uma outra dimensão, e uma nova variedade de possibilidade estendendo-se a um relativo domínio dentro daquela área ou atividade (MOYLES, 2002, p.33).

O professor de Educação Infantil tem o papel fundamental de realizar um trabalho pedagógico que auxilie no desenvolvimento das crianças, atendendo suas necessidades nos estágios, que analisamos em Piaget. Isso pode se dar iniciando, mediando, observando e avaliando a aprendizagem através de atividades lúdicas, que abrem para reflexão e planejamento.

Segundo Oliveira (2002, p. 89): [...] atividades lúdicas necessitam ser planejadas, tendo objetivos (correspondente ao processo e resultado alcançado pela criança), os conteúdos das atividades (realizado pelas crianças com a mediação do adulto), experiências significativas (ativamente a criança participa, progredindo no desenvolvimento), estratégias de aprendizagem (maneira que o que a atividade) e ambiente de aprendizagem (todo ambiente escolar e sua rotina).

 As atividades lúdicas na Educação Infantil, além de proporcionar em uma aprendizagem às crianças, também ajudam o professor a aprender e a compreender melhor seus alunos neste estágio. Podendo se tornar um ponto de referência para desenvolver um trabalho bem planejado e realizado que seja importante para os aprendentes.

 Segundo Maluf (2010), as atividades lúdicas oferecem, no momento em que se realizam uma experiência completa, relacionando a atitude ao pensar e ao sentimento. A partir delas a criança pode assimilar o que está acontecendo, e construindo seu conhecimento a partir da sua realidade, de maneira prazerosa.

Conforme Faria (1989)- apresentado no primeiro capítulo sobre os estudos comprovados de Piaget no processo de adaptação da criança-há uma situação que equilibra dois fenômenos estruturais mentais da criança: a assimilação e acomodação. Conforme Moyles (2002, p. 35): Quando observamos as crianças, parece claro que existe muito mais motivação e satisfação na aprendizagem neste tipo de situação, pois as crianças podem basear a nova aprendizagem em algo que já lhes é familiar e, conseqüentemente, essa nova aprendizagem vem mais naturalmente para elas. Podem ser entendidas como atividades lúdicas as brincadeiras, os jogos, ou qualquer outra maneira de brincar, que desenvolva uma situação de interação das crianças com seu meio e sua realidade espacial.

Para que o ensino de Geografia seja significativo a partir das atividades lúdicas, o mais importante não é qual é a atividade proposta, é importante estar atento à forma como ela é dirigida e vivenciada. Tendo bem esclarecido pelo professor os objetivos, os conteúdos de atividades, experiências significativas, estratégias de aprendizagem e ambiente de aprendizagem, com já vimos.

As atividades lúdicas, juntamente com a pretensão consistente e consciente dos professores, podem ser o caminho para contribuir para com o bem-estar. Para o bom desenvolvimento das crianças, porque oportuniza uma aprendizagem importante realizada pela escola.

Nessa percepção,   existem atividades que podem auxiliar na orientação dos professores, considerando a importância de a criança entender melhor o espaço em que vive é que  apresento, após pesquisas em diversos livros na área de Geografia, atividades lúdicas que podem ser realizadas nas Instituições de Educação Infantil, auxiliando o entendimento das crianças, numa visão melhor de mundo.

 Tendo-as como fundamentais para o desenvolvimento do sujeito, é que se criou série de atividades para serem pedagogicamente trabalhadas com crianças, ou seja, com objetivos a serem alcançados oportunizando a construção de diversas noções das categorias geográficas e dos conceitos como de orientação e representação espacial.

 Andreis (1999) afirma que a criança precisa desenvolver a noção da representação, com uma construção gradativa, o que pode ser obtido no decorrer de atividades que devem conter sempre muito movimento, expressões e sonhos, imaginação incentivada, ilustrada pelo professor.

 CONCLUSÃO

 A Educação Infantil possui um papel fundamental, para pode oportunizar o desenvolvimento integral da criança na construção dos conhecimentos. Nesta fase do ensino trabalhar Geografia e suas possibilidades, pode ser uma maneira de realizar uma aprendizagem significativa com a criança.

Segundo a teoria de Vygotsky (2001), os pedagogos podem orientar-se para que o ensino de Geografia seja satisfatório, considerando o espaço como essencial, pois a criança interage permanentemente nele, realizando atividades no cotidiano, privilegiando a importância das interações sociais, para que aconteçam as operações superiores, entendida como a capacidade de refletir e agir sobre o mundo no nível mais abstrato.

 Conforme Piaget (1989), o desenvolvimento intelectual da criança se constrói pela interação do sujeito com o mundo. Realizando uma relação do seu corpo com os objetos e pessoas, gerando conflitos em suas estruturas mentais, ocorrendo uma equilibração, a criança se adapta, assimilando e acomodando seu novo conhecimento, um desenvolvimento contínuo do afetivo, do social e do intelectual da criança, que também pode ser realizado pelo professor de Educação Infantil.

A criança encontra-se na Educação Infantil nos estágios sensório motor e pré- operatório, e não consegue sozinha compreender seu espaço e tempo de maneira crítica, necessitando que o adulto a auxilie a explorar o mundo em que vive.

 Segundo teorias de Piaget e Vygotsky, conceitos geográficos são importantes, precisando ser trabalhados com as crianças. Embora tenham que ser compreendidas as limitações do ensino nessa idade em que a criança se encontra para elaborar estratégias para a prática escolar, ambos pensadores consideram o contexto espacial da criança como fundamental no seu desenvolvimento.

 A Geografia contribui na compreensão da criança da vida em sociedade, sobre a noção do espaço e tempo, reestruturando conceitos sobre a realidade vivida. Pois a criança passa a ter a noção de espaço e tempo a partir do momento, em que se relaciona com o mundo que a cerca, dando sentido e significado para os objetos, acontecimentos vividos, ordem, lugar e pessoas.

 Para que se desenvolva na Educação Infantil esta aprendizagem, professores e alunos precisam considerar, conforme analisamos anteriormente aspectos importantes para Geografia, como espaço, tempo, espaço geográfico, e a compreensão das categorias espaciais (lugar, paisagem, território, sociedade, natureza, cotidiano).

Como o professor de Educação Infantil não ensinará conceitos para as crianças, este processo pode se da através destas categorias espaciais. É uma possibilidade para repensar a prática pedagógica diária, desenvolvendo noções que ajudarão as crianças em sua futura aprendizagem, podendo ser oportunizado na medida em que a professor convida a criança a participar, vendo o mundo a partir de outras instâncias ou categorias.

Na Educação Infantil, é importante estar atento a construção da capacidade de perceber o espaço como representável em desenhos, o que é entendido como mapa, também a percepção do espaço como construção do sujeito que nele interage. Para desenvolver estas noções de Geografia com crianças na Educação Infantil, as quais não estão alfabetizadas e nem dominam conceitos, é importante trabalhar com as categorias, conceitos e noções, o que nos referimos anteriormente é importante adotar outros meios, além do papel e o lápis, que sejam eficazes e prazerosos, como atividades lúdicas.

 O professor de Educação Infantil, para realizar um ensino de Geografia significativo, necessita escolher metodologias capazes de expressar com clareza os objetivos que deseja alcançar com seus alunos. Conforme as metodologias escolhida podem- se realizar práticas, de maneira participativa e integrada, possam ajudar a criança na construção da noção de orientação no espaço e tempo.

 Para que se desenvolva a aprendizagem significativa, entendemos que são essenciais que aconteçam no cotidiano escolar das crianças as atividades lúdicas. Pois a partir disso, elas adquirem habilidades, capacidades e conhecimentos para uma vida melhor em sociedade.

Os professores po

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    geografia

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    Estela MarisB. Peronio 30/03/2011
    Muito boa sua analise sobre a educação, principalmente na questão do ensino de geografia na educação infantil, conseguiu fazer um questionamento importante sobre a educação e formação das crianças. Parabéns.
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