O Processo Ensino Aprendizagem Na Educação Infantil

09/11/2011 • Por • 6,888 Acessos

1 - Introdução

A educação infantil consiste no desenvolvimento de um trabalho na formação de crianças, cujo objetivo é que elas se tornem aptas para viver numa sociedade democrática, multidiversificada e em constante mudança.  Na escola consideramos desafiador conseguir adaptar uma prática pedagógica que atenda essas necessidades. Então, diversificam-se as atividades visando proporcionar um trabalho mais adequado possível. São trabalhadas atividades como: hora do conto, da música, do jogo, brincadeira, pintura e hora do aprender, entre outras.

As historinhas infantis são atividades presente em todo o currículo da infância, quer seja nos espaços escolares ou informais. Ao contar uma história à criança no seu mundo imaginário, estará aprendendo sua estrutura e aos poucos, passa a atribuir significado à mesma; por isso a história deve ser envolvente e despertar interesse, para ajudá-la a se desenvolver intelectualmente. Não só as crianças, mas adolescentes, jovens e adultos também demonstram grandes interesses pelas histórias. Em sala de aula é comum encontrar a "sacola do conto", onde ficam guardados os livros infantis para atividades de leitura. A recreação torna-se a preferida entre as atividades educativas. Por seu lúdica é prazerosa pela agitação que é sua característica principal. Por envolver maior quantidade de pessoas permite a integração e socialização. Os ensinamentos em atividades recreativas como esperar a vez de jogar, ou aceitar o perder e o ganhar, são valores que se levam para a vida. Através do desenho e da pintura a criatividade toma forma e colorido, além de serem determinantes para que se desenvolva a imaginação e constituem aprendizados significativos.  A Educação Infantil é uma importante etapa na vida de todos. É necessário ser criterioso na escolha da escola em que vamos entregar nossas crianças, e o acompanhamento da família na realização dos trabalhos é determinante para seu aprendizado.

 

2- O Professor Como Mediador na Educação Infantil

O mundo está mudando e isso está ocorrendo a uma velocidade sem precedentes na evolução histórica da humanidade. A globalização, o surgimento de novas tecnologias, como o avanço das telecomunicações e da informática, contribuem para que ocorra mudanças, também, na Educação. A interação professor - aluno vem se tornando muito mais dinâmica nos últimos anos. O professor tem deixado de ser um mero transmissor de conhecimentos para ser mais um orientador, um estimulador de todos os processos que levam os alunos a construírem seus conceitos, valores, atitudes e habilidades que lhes permitam crescer como pessoas, como cidadãos e futuros trabalhadores, desempenhando uma influência verdadeiramente construtiva.
A Educação deve não apenas formar trabalhadores para as exigências do mercado de trabalho, mas cidadãos críticos capazes de transformar um mercado de exploração em um mercado que valorize uma mercadoria cada vez mais importante: o conhecimento. Dentro deste contexto, é imprescindível proporcionar aos educandos uma compreensão racional do mundo que o cerca, levando-os a um posicionamento de vida isento de preconceitos ou superstições e a uma postura mais adequada em relação a sua participação como indivíduo na sociedade em que vive e do ambiente que ocupa. O desafio de contribuir com a educação num momento de mudanças e incertezas e a necessidade de resgatar valores tão importantes condizentes com a sociedade contemporânea leva o professor a entender que deverá exercer um novo papel, de acordo com os princípios de ensino-aprendizagem adotados, como saber lidar com os erros, estimular a aprendizagem, ajudar os alunos a se organizarem, educar através do ensino, entre outros.
O aluno precisa adquirir habilidades como fazer consultas em livros, entender o que lê, tomar notas, fazer síntese, redigir conclusões, interpretar gráficos e dados, realizar experiências e discutir os resultados obtidos e, ainda, usar instrumentos de medida quando necessário, bem como compreender as relações que existem entre os problemas atuais e o desenvolvimento científico. Isso só será possível, a partir do momento que o professor assumir o seu papel de mediador do processo ensino-aprendizagem, favorecendo a postura reflexiva e investigativa. O modo de entender e agir que nos possibilita não nos deixarmos abater pela adversidade e, até mesmo, de utilizá-la para crescer. Uma das causas do fracasso do ensino é que tradicionalmente, a prática mais comum era aquela em que o professor apresentava o conteúdo partindo de definições, exemplos, demonstração de propriedades, seguidos de exercícios de aprendizagem, fixação e aplicação, pressupondo-se que o aluno aprendia pela reprodução. Considerava-se que uma reprodução correta era evidência de que ocorrera a aprendizagem. Essa prática mostrou-se ineficaz, pois a reprodução correta poderia ser apenas uma simples indicação de que o aluno aprendeu a reproduzir, mas não aprendeu o conteúdo. É necessário saber para ensinar. O professor deve se mostrar competente na sua área de atuação, demonstrando domínio na ciência que se propõe a lecionar, pois do contrário, irá apenas "despejar" os conteúdos decorados.
Adequar a metodologia e os recursos audiovisuais de forma que haja a comunicação com os alunos, é também, uma forma de fazer da aula um momento propício à aprendizagem.
É importantíssimo que o professor tenha, também, competência humana, para que possa valorizar e estimular os alunos, a cada momento do processo ensino-aprendizagem. A motivação é imprescindível para o desenvolvimento do indivíduo, pois bons resultados de aprendizagem só serão possíveis à medida que o professor proporcionar um ambiente de trabalho que estimule o aluno. Dentro das competências: científica, técnica, humana e política desenvolvidas pelo professor, são essencial propiciar aos alunos condições para o desenvolvimento da capacidade de pensar crítica e logicamente, fornecendo-lhes meios para a resolução dos problemas inerentes aos conteúdos trabalhados interligados ao seu cotidiano, fazendo com que ele compreenda que o estudo é mais do que mera memorização de conceitos e termos científicos transmitidos pelo professor. É indispensável dar mais ênfase à aprendizagem do que aos programas e provas como é prática comum em nossas escolas, pois no processo de ensino e aprendizagem, conceitos, ideias e métodos devem ser abordados mediante a exploração de problemas, desenvolvendo competências para a interpretação e resolução dos mesmos. E esta resolução não é um exercício em que o aluno aplica, de forma quase mecânica, uma fórmula ou um processo operatório, mas uma orientação para a aprendizagem, pois proporciona o contexto em que se pode aprender conceitos, procedimentos e atitudes. Para que ocorram essas transformações, tão necessárias, é preciso que o professor demonstre profissionalismo, ética e, acima de tudo, compromisso com o sucesso dos alunos. O compromisso de conduzi-los ao aprendizado.

2.1 - Processos de Ensino-Aprendizagem

Os centros de educação infantil são por excelência o local onde a vida coletiva favorece as interações em grupo, pois são ambientes que recebem, constantemente, influências das condições sócio-culturais, determinantes do processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças. Nas palavras de Abramowiz (1995, p. 39): "A creche é um espaço de socialização de vivências e interações". Neste espaço as interações traduzem-se por atividades diárias que as crianças realizam com a companhia de outras crianças sob a orientação de um professor. A partir da compreensão de que estas situações contribuem para o processo de aprendizagem e desenvolvimento infantil, é possível o professor e demais profissionais da Educação Infantil redimensionar a sua prática pedagógica e re-significar o papel da interação na educação infantil.

Ao apresentar os pressupostos vygotskyanos do processo ensino aprendizagem, é nossa intenção destacar a importância de valorizar a mediação neste processo, e trazer reflexões para a prática dos professores que atuam na Educação Infantil. Diante das premissas básicas apresentadas acima, o papel do professor muda radicalmente, pois o coloca além do centro do processo, como aquele que ensina enquanto as crianças aprendem passivamente; e além da postura de aguardar que as crianças digam o que, como e quando querem aprender. Ao contrário, de acordo com a perspectiva aqui defendida, o professor torna-se o agente mediador do processo de ensino-aprendizagem, propondo desafios às crianças a orientando-as a resolvê-los. Assim, por meio de intervenções, o professor pode contribuir para o fortalecimento de funções que ainda não estão consolidadas, e para o desenvolvimento de outras. Este processo torna-se mais rico, sobretudo na Educação Infantil, quando são proporcionadas atividades grupais, em que os alunos mais adiantados poderão cooperar com os demais. Esta concepção rompe com a idéia de que o aluno deve descobrir sozinho as respostas, e principalmente que a aprendizagem é uma atividade individual e independente do grupo cultural. A aprendizagem escolar implica uma constante reorganização de experiências, por isso é importante que o professor tenha domínio do quanto à criança ainda necessita para chegar a produzir determinadas atividades com autonomia. O professor poderá avaliar não apenas as aquisições conceituais por parte das crianças, mas também o nível e o tipo de interação que ele, como membro mais experiente do grupo está proporcionando ao desenvolver o trabalho pedagógico.

 

Considerações Finais

A elaboração deste trabalho possibilitou a reflexão e a ampliação de nossos conhecimentos sobre a possibilidade de desenvolver atividades significativas com crianças de 0 a 6 anos em instituições educativas com o objetivo de promover o processo ensino aprendizagem na educação infantil. Pode-se afirmar que a vivência com outras crianças e adultos nos centros de educação infantil, é importante para o desenvolvimento infantil, pois provoca novas experiências, permitem adquirir novos hábitos, atitudes, valores e também a linguagem daqueles que interagem com a criança. É necessário que o professor e demais profissionais que atuam na educação infantil conheçam as premissas básicas da teoria histórico-cultural sobre o processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças, e em razão disso, se reconheçam como os membros mais experientes de um grupo cujas funções são a promoção de interações e a mediação do conhecimento.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ABRAMOWIZ, A. e WAGKOP, G. Creche: atividades para crianças de zero a seis anos. São Paulo: Moderna, 1995.

OLIVEIRA, M. K. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: Um Processo Sócio histórico.

São Paulo: Scipione, 1993.

REGO, T.C. Vygotsky: Uma Perspectiva Histórico Cultural da Educação. Rio de

Janeiro: Vozes, 1995.

VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. Rio de Janeiro: Martins Fontes,

1988.

 

Perfil do Autor

Edlene Maria da Silva

Professora Esp. Edlene Maria da Silva Nascimento. Professora Graduada em Pedagogia pela UNIC - Universidade de Cuiabá, Especialista em...