Os artefatos legais no contexto da legislação brasileira: em cena a educaçao infantil

15/10/2013 • Por • 95 Acessos

O contexto legal acenado a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), que aponta a Educação Infantil, como primeira etapa da educação básica, e que deve ser oferecida em creches e pré-escolas às crianças de zero a cinco anos. A referida lei estabelece a Educação Infantil como etapa inicial da Educação Básica, essa conquista acaba por tirar as crianças de seu estado de confinamento nas instituições vinculadas aos órgãos de assistência social.

 

Com a L.D.B[4] nº 9394/96 pela primeira vez a Educação Infantil foi admitida como primeira etapa da Educação Básica, obedecendo a constituição de 1988 no seu artigo 205: "a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, será incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho". (BRASIL, 1988).

 

 

A LDB, propõe a reorganização da educação brasileira, amplia o conceito de educação básica, que perpassa a compreensão ampla sobre a Educação Infantil, consequentemente estende os laços das relações entre o trabalho e a prática social exercida nas relações familiares, trabalhistas de lazer e no contexto social. Entretanto, aumenta as responsabilidades das unidades escolares principalmente as creches e pré- escolares.

Na metade do século XX, com a crescente industrialização e urbanização do país, a mulher começa a ter uma maior inserção no mercado de trabalho, o que provoca um aumento pelas instituições que tomam conta de crianças pequenas. Começa a se delinear um atendimento com forte caráter assistencialista.

 Surgiram várias teorias na educação, pensando-se nas mudanças de leis. E com isso aumenta o trabalho e a pratica social exercida nas relações familiares, trabalhistas de lazer e de convivência social. Porem aumenta as responsabilidades das unidades escolares principalmente as creches e pré-escolas. E por iniciativa própria da população houve também maior aparecimento de creches comunitárias que muitas vezes eram desvinculadas do apoio governamental e gerida pelos próprios usuários, geralmente pertencentes à classe média, ou recebiam verbas públicas para o atendimento de crianças de famílias de baixa renda. O contexto de criação de creches no país era tenso e frágil, conforme aponta (OLIVEIRA, p.114),

 

Os donos das fábricas, por seu lado, procurando diminuir a força dos movimentos operários, foram concedendo certos benefícios sociais e propondo novas formas de disciplinar seus trabalhadores. Eles buscavam o controle do comportamento dos operários, dentro e fora da fábrica. Para tanto, vão sendo criadas vilas operárias, clubes esportivos e também creches e escolas maternais para os filhos dos operários. O fato dos filhos das operárias estarem sendo atendidos em creches, escolas maternais e jardins de infância, montadas pelas fábricas, passou a ser reconhecido por alguns empresários como vantajoso, pois mais satisfeitas, as mães operárias produziam melhor. (OLIVEIRA, 1992, p. 18).

 

E em 1990 surge o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, que vem  estabelecer um sistema de elaboração e fiscalização de políticas públicas voltadas para a infância, tentando impedir desmandos, desvios de verbas e violações dos direitos das crianças. Serviu ainda como base para a construção de uma nova forma de olhar a criança. Uma criança com direito de ser criança. Direito ao afeto, direito de brincar, direito de querer, direito de não querer, direito de conhecer, direito de sonhar, isso quer dizer que são atores do próprio desenvolvimento.

Posterior à aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente, o Ministério da Educação publica uma série de documentos intitulados como: Política Nacional de Educação Infantil. O teor do documento era de estabelecer diretrizes pedagógicas e de recursos humanos com o objetivo de ampliar a oferta de vagas e promover a melhoria da qualidade de atendimento nessa etapa de ensino: Critérios para um atendimento em creches que respeite os direitos fundamentais das crianças, que discute a organização e o funcionamento interno dessas instituições; Por uma política de formação do profissional de educação infantil, que reafirma a necessidade e a importância de um profissional qualificado e um nível mínimo de escolaridade para atuar nas instituições de Educação Infantil. Esses documentos foram fundamentais no sentido de dar maiores garantias e possibilidades de organização do trabalho dos professores no interior dessas instituições.

Concomitantemente à Constituição Federal de 1988, ao Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990, destaca-se a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, que, ao tratar da composição do ensino, inseriu a educação infantil como primeira etapa da Educação Básica. Essa Lei define que a finalidade da educação infantil é promover o desenvolvimento integral da criança até cinco anos de idade, complementando a ação da família e da comunidade (BRASIL, 1996).

 

De acordo com o Ministério da Educação, o tratamento dos vários aspectos como dimensões do desenvolvimento e não áreas separadas foi fundamental, já que [...] evidencia a necessidade de se considerar a criança como um todo, para promover seu desenvolvimento integral e sua inserção na esfera pública (BRASIL, 2006, p. 10).

 

Acena-se um grande avanço no que diz respeito aos direitos da criança, uma vez que a educação infantil, além de ser considerada a primeira etapa da Educação Básica, embora não obrigatória, é um direito da criança e tem o objetivo de proporcionar condições adequadas para o desenvolvimento do bem-estar infantil, como o desenvolvimento físico, motor, emocional, social, intelectual e a ampliação de suas experiências.

No intuito de garantir que esses objetivos sejam alcançados de modo integrado, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil -RCNEI (1998) sugere que as atividades devem ser oferecidas para as crianças não só por meio das brincadeiras, mas aquelas advindas de situações pedagógicas orientadas.

 Portanto, a integração entre ambos os aspectos é relevante no desenvolvimento do trabalho do professor, considerando que, educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros, em uma atitude de aceitação, respeito e confiança, e o acesso pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural (BRASIL, 1998a, p. 23).

Por sua vez o planejamento do currículo inclui a organização de uma série de elementos que vai enriquecer o universo da escola da infância. Questões como a rotina, o tempo, o espaço, os materiais disponíveis, os brinquedos devem permear todo o desenvolvimento das atividades junto às crianças. Planejar o currículo implica ouvir os profissionais em suas concepções e decisões, problematizar a visão deles sobre creches e pré-escolas, evitando perspectivas fragmentadas e contraditórias, que refletem a influência das várias concepções educacionais que vivenciaram ou com que tiveram contato. (OLIVEIRA, 2002, p. 168).

Perfil do Autor

Simone Barbosa de Lima

Formada em Pedagogia na instituição UNOPAR, professora da Educação Infantil na rede pública e privada.