PROPOSTA DE REABILITAÇÃO ATRAVÉS DA ESTIMULAÇÃO NEUROSSENSORIAL

25/11/2010 • Por • 1,281 Acessos

PROPOSTA DE REABILITAÇÃO ATRAVÉS DA ESTIMULAÇÃO NEUROSSENSORIAL

Ana Paula Alves dos Santos

Luciana Marçal da Silva

Sílvia Marta Moura e Silva

 

Quando nos foi dado o desafio de atender pacientes com deficiência grave, tanto mental quanto motor, ficamos estudando formas para atendê-los integralmente, o  programa que montamos  procura englobar as 3 áreas principais de atendimento integral às pessoas com deficiência que são educação, assistência social e saúde. O trabalho já existia, mas não incluía o atendimento global, de vários profissionais na mesma terapia  e o enfoque de sala de atendimento única (sala de aula) e não a retirada do usuário da sala, para atendimentos individual de determinada especialidade.

Para isso vimos à necessidade do atendimento multidisciplinar ser mais efetivo e globalizado com a junção de várias especialidades (no mínimo duas), para a partir de uma avaliação global e individualizada, traçar objetivos  com metas únicas para todos os profissionais envolvidos no programa trabalharem  com  as estratégias em comum, sempre explorando potencialmente todas as áreas de estimulação sensorial.

A equipe é composta de professoras, auxiliar de enfermagem, auxiliar social, enfermeira, fisioterapeuta, fonoaudióloga, psicóloga, terapeuta ocupacional, assistente social, musicoterapeuta e professor de expressão corporal.

Todas as terapias, com exceção da fisioterapia respiratória e procedimentos de enfermagem são realizados em grupo com princípios de metodologias adaptadas e estudadas com o objetivo de atingir todas as áreas sensoriais, iniciando com a sensação e percepção, para que as áreas estimuladas (olfato,gustação, visão, audição, propriocepção, vestibular, motora) sejam efetivamente exploradas de forma repetitiva, com bombardeio de estimulação de todas as formas acima descritas.

Metodologias:

-         Plasticidade neural: estimular modificações tanto de processos quanto de estrutura cerebral para melhorar função. Quanto mais se estimula (repetição), mais canais são abertos e mais conexões são feitas. Áreas latentes do cérebro passam a fazer a funções das áreas lesadas.

-         Terapia sensório-motora: desenvolver no indivíduo capacidade de sentir e perceber, aprender e organizar sensações recebidas do ambiente e esboçar gradativamente respostas, no decorrer da estimulação através da plasticidade neural.

-         Integração sensorial: é o processo pelo qual o cérebro organiza as informações de modo a dar uma resposta adaptativa adequada organizando assim as sensações do próprio corpo e do ambiente de forma a ser possível o uso eficiente do corpo no ambiente.

 

-         DOMAN: técnica de estimulação de pessoas com o cérebro lesado, visando rotina diária e bombardeio cognitivo com atividades motoras, respiratórias, olfativas, gustativas, auditivas e visuais, pela repetição de atividades previamente elaboradas.

 

Rotina de Trabalho:

Atendimento consta de um turno no qual é estruturado com rotina de enfermagem, cuidados, alimentação e as terapias de estimulação.

Essa rotina é planejada de acordo com os objetivos que se pretendem alcançar com cada indivíduo, avaliado por fichas específicas de cada áreas e seguida de um estudo de caso para estabelecer meta única que serão traçados os objetivos a serem alcançados com cada um.

Se faz necessário um planejamento sistematizado de atividades baseadas nas metodologias descritas acima, bem como recursos estimuladores destinados a incentivar e facilitar  o desenvolvimento da clientela assistida.

O oferecimento dos recursos (físicos, tecnológicos, materiais e humanos) deve ser apropriado as suas necessidades e as técnicas devem proporcionar interações ativas do indivíduo. Para facilitar sua  participação nas atividades é necessário: adaptações; posicionamento adequado; motivação (aspecto lúdico da intervenção); materiais adequados.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

DOMAN, Glenn. O que fazer pela criança de cérebro lesado. Ed Auriverde, 1989.

MELLO, Bárbara Cristina;  NUNES, Maria Carolina Vitta; MELO, Luciana Vieira .   Integração sensorial. Faculdade de Terapia Ocupacional de São Camilo.

VOLPI, Sandra Cristina Pizzocaro; Desenvolvimento motor normal e disfunções neuromotoras na infância. (apostila curso).

NUNES, Clarisse. Aprendizagem activa na criança com multideficiência – guia para educadores. Ministério da Educação – Departamento de educação básica, 2001.

MAGALHÃES, Lívia C. (apostila) Introdução a terapia de integração Sensorial/ Teoria da relação entre processos neurológicos e comportamento

ESPESCHIT, Rita. Crianças fora de sincronia – Revista presença pedagógica – julho/ Agosto 2000)

OLIVEIRA, Maria Cristina de; SIMÃO, Roberta K. Integração sensorial, In: Algumas abordagens da terapia ocupacional.

LAMBERTUCI, Maria Cristina Franco, MAGALHÃES, Lívia de Castro. Terapia Ocupacional nos transtornos invasivos do desenvolvimento, In: CAMARGO, Walter Junior, Transtornos invasivos do desenvolvimento - 2002 – primeira edição, ministério da justiça.

MONTEIRO, Bibiana Caldeira. Integração Sensorial – Apostila , 2005.

SOARES,Dulce Consuelo, O cérebro X Aprendizagem, disponível em www. psicopedagogia.com.br.

Laboratório de atividades e desenvolvimento infantil, disponível em www.eeffto.ufmg.br

 

Professora da UCD, com formação em psicologia

Coordenadora do Centro de Reabilitação física, com formação em fisioterapia

Fonoaudióloga e coordenadora da UCD