REFLEXÕES SOBRE A DEPRESSÃO INFANTIL: Um olhar Psicopedagógico

Publicado em: 25/09/2012 |Comentário: 0 | Acessos: 332 |

1 ASPECTOS GERAIS DA DEPRESSÃO SOB A ÓTICA GENÉTICA

Vivemos em um mundo globalizado, exigente, ditador, individualista, formador de opiniões, com um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente. Uma rotina cansativa de trabalho, estudo, casa, família e lazer, com muitas responsabilidades, escolhas e decisões, onde muitas vezes renunciamos a parte prazerosa por falta de tempo ou até mesmo exaustão. É a partir destes que atraímos as chamadas doenças modernas, e uma das mais conhecidas nos últimos anos é a depressão.

Em pesquisa realizada na revista Grupo Escolar (2011), vimos que a depressão é um distúrbio mental decorrente do funcionamento alterado das células cerebrais que comprometem o estado emocional e físico do individuo. Este distúrbio ocorre devido a uma disfunção na transmissão dos impulsos de uma célula nervosa para outra, os neurotransmissores, chamados de noradrenalina e serotonina, substâncias químicas usadas pelo cérebro na comunicação desses neurônios. Estes por sua vez, existem em grande quantidade, causando variação de humor, comportamento, perda de interesse pelas atividades diárias, tristeza, desânimo, ansiedade e irritabilidade.

Coutinho (2005, p. 02) assevera que a depressão pode ser vista como um mal que se enraíza no "eu" do individuo, bloqueando suas vontades e dirigindo de forma negativa o curso de seus pensamentos, interferindo no seu autoconceito, prejudicando o sujeito tanto no contexto psicossocial como individual

Jeffrey (apud GIANCATERINO, 2003, p. 11) entende "a depressão como considerada um distúrbio cíclico, com períodos de alívio e bem-estar, talvez seja por isso que algumas pessoas não procuram ajuda por acreditarem não estar com a doença".  De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a depressão é a doença mental que mais afeta os povos do mundo, cerca de 20% (vinte por cento) da população mundial. E o mais preocupante, segundo a OMS é que 15% dos depressivos acabam se matando. Os dados mais recentes publicados na Revista super interessante em abril de 2011 demonstram que, em 2001 havia 340 milhões de depressivos no mundo, a maior parte entre 20 e 40 anos de idade, dos quais apenas 25% tinham acesso a algum tratamento efetivo.

Ainda, segundo o autor supracitado, estima-se que, em 2020 a depressão será um dos principais distúrbios mentais a atingir os países em desenvolvimento - especialmente os Estados Unidos, que concentram as pesquisas - cerca de 340 pessoas sofrerão dessa doença. As pessoas deprimidas têm 20 (vinte) vezes mais riscos de morrer de acidentes ou suicídio.

Dessa feita, a depressão tem grupos de risco, os adultos, crianças e idosos, sendo o primeiro grupo o mais vulnerável, em especial as mulheres de 20 a 50 anos de idade, numa proporção de duas mulheres para um homem, enquanto que o suicídio é quatro vezes maior no homem. Uma das explicações para este fato é a variação hormonal a qual a mulher passa no decorrer de sua vida, enquanto que o homem é mais cobrado pela sociedade. Outra curiosidade é o gêmeo que tiver depressão, o outro tem 46% de risco de desenvolvê-la. A explicação é o fator genético que influência.

Atribui-se a depressão adulta, idosa e infantil a causas comuns como fatores genéticos, psicossociais e neuroquímicos. Quando os pais são portadores da doença, o risco do filho também desenvolver a doença ao longo de sua vida aumenta consideravelmente de 25% a 50% (vinte e cinco a cinquenta por cento).

Outras causas da depressão são o baixo funcionamento da tireóide, uso de medicamentos à base de corticóides, para hipertensão, uso de álcool, drogas, doenças graves, perda de entes queridos, separação de pais, perda de emprego e problemas financeiros, e que a depressão no Ocidente é maior que no Leste Asiático, devido a cultura baseada na colaboração coletiva (NAKAMURA, 2007, p. 11).

A depressão está intimamente ligada à história de vida de cada indivíduo, sua maneira se ser e de viver. Segundo Leite (apud GIANCATERINO, 2005) o indivíduo não consegue nutrir emocionalmente de maneira adequada sua relação com o mundo, para tanto leva consigo uma falta de sentido na relação com o meio externo. Percebemos que uma pessoa depressiva carrega consigo uma culpa eterna, apresentando feições de melancolia, tristeza e choro. Manifestações de cansaço, apatia, desânimo e em casos mais graves tendência ao suicídio.

Quando uma doença surge na vida de um individuo, traz consigo alterações e transformações não só no organismo como também no modo de vida e nas relações sociais. Contudo, há mais procura dos serviços médicos, diminuição da produtividade no trabalho e prejuízo na qualidade de vida quando comparados a outros, além de uma maior incidência de uso de medicamentos alopáticos que em sua maioria, trazem prejuízos futuros.

3 DEPRESSÃO INFANTIL: UM MISTÉRIO A DESVENDAR

É de se destacar, inicialmente, que, nos últimos anos, as crianças têm merecido preocupação em relação à problemática da depressão. O aumento considerável de casos de depressão infantil tem preocupado a todos e foi destaque em pesquisas recentes, enfatizando estudos sobre as taxas de prevalência e aumento do problema.

A depressão infantil atinge 20% das crianças brasileiras, ataca inclusive bebês recém-nascidos e deixa marcas profundas, que vão interferir não só na infância, mas também na adolescência e na vida adulta. Estes dados alarmantes são da Organização Mundial de Saúde e foram referendados pela Sociedade Brasileira de Pediatria (CEZIMBRA, 1998, p. 01).

A vivência de situações adversas desencadeia nos indivíduos diferentes respostas, algumas adaptativas, outras que os expõem a riscos ainda maiores. O comportamento dos sujeitos perante esses eventos depende de sua vulnerabilidade.  Este conceito pode ser definido como uma predisposição para o desenvolvimento de disfunções psicológicas ou de respostas pouco adequadas à ocasião.

Há trinta anos, a depressão infantil não era considerada como uma doença (MALAGRIS E CASTRO, 2000). Acreditava-se que a criança não poderia ser depressiva por não ter noção dos problemas do dia-a-dia, que estão intimamente associados a esta doença.

Assim, as pessoas confundiam os sintomas de depressão apresentados pelas crianças como birras, mau humor, agressividade, hiperatividade, fobia escolar etc. Só após pesquisas de Rutter, Tizarde e Whitmore (1970) começaram a apontar prevalências de depressão infantil em 1% (um por cento) das crianças de até 10 anos de idade. Em 1971, no IV Congresso de União de Pai dos psiquiatras Europeus, em Estolcomo (ANELL, 1972), foi reconhecido e elaborado critérios de diagnósticos para quadro depressivo infantil e adolescente (DSM- IV), que demonstraremos mais à frente, ainda neste capítulo.

Nakamura (2007, p. 08) evidencia na década de 1970 o aumento das pesquisas no campo da depressão infantil, especificamente na psiquiatria, na qual foram discutidos a identidade da depressão infantil como forma clínica independente daquela encontrada em adultos. É considerada doença grave pelo discurso médico - cientifico especialmente pela incapacidade social associada.

Segundo Leite (apud GIANCATERINO, 2002, p.02): "A OMS estima que 20% (vinte por cento) das crianças e adolescentes no mundo apresentam sintomas de depressão".

Índice preocupante, se levarmos em consideração a população infantil como um todo. Para tanto, é um problema de saúde pública, tendo como principal atenuante o Sistema de Saúde Pública do nosso país, bastante falho no que diz respeito a atendimento e acompanhamento.

Dessa feita, o problema passa a ser falta de políticas públicas que possam embasar-se nessas pesquisas a fim de tratar a problemática como uma urgência imediata, criando programas de pesquisas para a investigação e solução dos problemas.

Para Cruvinel (2008, p. 12):

Esses dados são controversos por depender das diferenças na população estudada, nos métodos de avaliação, de diagnóstico de depressão e diferenças no ponto de corte dos instrumentos aplicados na pesquisa.

No Brasil acredita-se que a depressão tem inicio na infância, mas como as pesquisas são escassas não se tem um número exato, apenas estimativas de prevalência de 0,4 a 3,0%. Acredita-se que as pesquisas poderiam ser mais direcionadas as crianças, desmembrando-as dos adolescentes, que apresentam sintomas diferentes e mais específicos a serem pesquisados.

Segundo Giancaterino (apud CÂNDIDA, 2005) nos Estados Unidos 0,9% (zero vírgula nove por cento) das crianças em idade pré-escolar são vítimas de depressão, 1,9% em idade escolar e 4,7% em adolescentes, índices considerados alto para um país desenvolvido.

Mesmo depois de diversos estudos a cerca da temática, ainda há bastante o que se descobrir sobre depressão em crianças. Apesar dos sintomas de depressão infantil serem muito parecidos com a dos adultos, ainda há controversas sobre a verdadeira frequência de síndromes depressivas em pré-puberes. Possivelmente, este fator esteja ligado à falta de informações dos pais, educadores e da própria sociedade. Dificuldade de relacionamento com os pais descaracteriza o contexto familiar dessas crianças. Ao contrário de adultos, os meninos são mais vulneráveis a depressão que as meninas, pois elas lidam de forma diferente com os sentimentos sendo encorajadas a expressar tristeza, choro, desânimo, humor distorcido, autodepreciação, agressividade, irritação, distúrbios do sono, enquanto eles são reforçados a utilizar outras estratégias como distração. 

Depreende-se, na oportunidade, que, o quadro critérios de diagnóstico Transtorno Depressivo na Infância e Adolescência (DSM – IV), contido no Manual Estatístico para Doenças Mentais de Transtorno classifica as doenças mentais e define como na Infância e Adolescência, apresentação de pelo menos cinco dos sintomas abaixo relacionados por, no mínimo, um mês

        • Humor deprimido ou perda de          interesse ou prazer;
        • Perda de ganho de peso (mais          ou menos 5% por mês);
        • Insônia ou hipersônia;
        • Agitação ou retardo          psicomotor;
        • Baixo rendimento escolar;
        • Sentimento de inutilidade ou          culpa;
        • Fadiga ou perda de energia;
        • Diminuição da capacidade de          pensar;
        • Pensamentos de morte, ideação          suicida (adolescentes)
          

Os sintomas não satisfazem os critérios para episódios mistos, causam sofrimento, prejuízos do funcionamento social, não decorrentes de substâncias médicas, não relacionados ao luto.

Dessa feita, o suicídio infantil é raro, devido ao conceito de morte diferente do adulto. As crianças acreditam que a morte não seja o fim do sofrimento, apenas um sono que depois irá acordar.

Assim, para um melhor entendimento, foram divididos por faixa etária, os sintomas apresentados em crianças depressivas:

  • 0 a 6 anos de idade – Mudanças de humor (tristeza, melancolia, agressividade), dores insistentes de cabeça e de barriga, falta ou aumento de apetite, coordenação motora retardada, baixo rendimento escolar, sonolência,  choro constante. Baixo índice de suicídio.
  • 7 a 13 anos de idade- Reclamações constantes, tristeza, infelicidade, somatizam problemas, perdem o interesse por atividades antes praticadas com prazer, tom de voz monótona, negativismo. É considerada a idade mais perigosa para o suicídio. 

Para Ballone (2003), a classificação deve ser apresentada pela fases da criança, conforme descriminada abaixo:

  • Fase pré-verbal– mau humor demonstrado através de expressões mímicas e comportamentais. Inquietação, retraimento, choro, apatia e falta de apetite. 
    • Fase pré-escolar – Somatizam transtornos afetivos, manifestados através de dores abdominais, falta de apetite, retardo no desenvolvimento físico e intelectual, irritabilidade, hiperatividade, medos e fisionomia triste.

Nesse sentido, seja qual for a classificação dos sintomas, a depressão infantil é um assunto muito grave, sujeito a discussões, pois quando não diagnosticado pode desencadear várias doenças como bulimia, anorexia, desenvolvidas em sua maioria na adolescência. Para tanto, os pais devem estar sempre atentos a estes sintomas, evitando prolongamento da doença. Na maioria dos casos, os pais trabalham fora e não dedicam uma parte de seu tempo a criança, deixando a critério de babás despreparadas.

Portanto, para as crianças que apresentam sintomas e não são detectados, somatizam uma cadeia que tem maior repercussão na adolescência, fase em que os conflitos surgem, haja vista a intensidade dos sentimentos e emoções que afloram. Os sintomas depressivos preservados durante todo o período infantil tendem a acumular abrolhando com maior intensidade e ocasionando elevado nível depressivo, levando o paciente ao uso de medicamentos controlados por longos períodos.

A maior parte da sintomatologia depressiva é intrapsíquica, as próprias crianças são as maiores comunicadoras de seu mundo interior. A partir dos seis anos de idade, elas são capazes de identificar sua sintomatologia depressiva (PUIG-ANTICH, 1986).

2.1 DESMIUSSANDO A DEPRESSÃO INFANTIL

Depreende-se, oportunamente, que diversos autores, acreditam não existir depressão em bebes. Com o decorrer das pesquisas, percebesse que esta existe e com um alto índice, preocupante por sinal. As crianças são extremamente sensíveis a emoções, mesmo dentro da barriga de suas mães. Uma gravidez indesejada, por exemplo, pode ocasionar um bebe depressivo, sem estímulos, triste, com choro constante e até falta de apetite.

Seligman (1995, p.05) "associa o estilo explicativo da criança ao da mãe. Ele acredita que as crianças desenvolvem as criticas mediante situações vivenciadas em família como o caso de uma separação, mudança de escola, padrão de vida, morte entre outras".

Uma família desarmonizada, com pais viciados em drogas, álcool, violência constante, estupros ocasionando gravidez indesejada, são fatores em que as mães passam aos seus bebes sensações desagradáveis de rejeição, podendo ser facilmente percebido por eles, mesmo dentro dos ventres. Estes, por sua vez, percebendo os estímulos externos, tendem a se deprimirem mesmo antes de nascerem, ou até mesmo, no caso dos viciados, nascerem com o vicio (drogas e álcool) apresentarem comportamentos agressivos e incomuns a bebes de sua idade.

Nesse sentido, a ciência evolui a passos lentos no que se refere a pesquisas sobre esta temática, havendo avanços consideráveis nos últimos anos.

Outrossim, a antropologia médica propõe abordagens mais amplas, considerando a cultura como fator determinante a pesquisa, abrindo um leque de possibilidades a serem estudadas.

A representação clínica da depressão e da ansiedade não é portanto apenas uma função do contexto etnocultural do paciente, mas depende da estrutura do sistema de saúde em que esta inserido, das categorias de diagnósticos, dos conceitos que são encontrados na mídia e no diálogo com a família, amigos, médicos. Enfatiza-se que as pesquisas acerca da depressão infantil precisam ser mais voltadas à cultura de cada criança, como ela pode expressar seus sentimentos como alegria, raiva, ira, choro, como é o relacionamento familiar, como foi abordado anteriormente, o contexto familiar é de suma importância para o desenvolvimento do individuo, a sua relação com a sociedade, e até a relação com o médico ou psicólogo que acompanhe seu tratamento, evidenciando a depressão infantil como um fenômeno sociocultural, claro não descartando em hipótese alguma a questão genética.

2.2 A DEPRESSÃO INFANTIL SOB A ÓTICA ESCOLAR

Tudo o que não temos ao nascer, e de que necessitamos como adultos, é-nos dado pela educação. Essa educação nos vem da natureza, ou dos homens ou das coisas. O desenvolvimento interno de nossas faculdades e de nossos órgãos é a educação da natureza; e o que nos ensinam a desenvolver essas habilidades é a educação e o ganho de nossa própria experiência sobre os objetos que nos afetam também é a educação das coisas.

Nascemos sensíveis e, desde o nosso nascimento somos molestados de diversas maneiras pelos objetos que nos cercam. Mal tomamos por assim dizer consciência de nossas sensações e já nos dispomos a procurar os objetos que as produzem prazer ou a deles fugir, primeiramente segundo nos sejam elas agradáveis ou desagradáveis, depois segundo a conveniência ou a inconveniência que encontramos entre esses objetos e nós, e, finalmente segundo os juízos que fazemos deles em relação à idéia de felicidade ou de perfeição que a razão nos fornece o prazer.

Nosso verdadeiro estudo é o da condição humana. Quem entre nós sabe suportar os bens e os males desta vida é, a meu ver, o mais bem-educado; daí decorre que a verdadeira educação consiste menos em preceitos do que em exercícios (ROUSSEAU apud CHALITA, 1995, p.06).

Na sociabilidade atual, na qual a esfera e os padrões  provenientes do social estão em vigor, o exercício da faculdade e julgar é dificultado, prevalecendo um horizonte meramente funcional e condicionado (ARENDT apud AGUIAR, 2004, p. 09).

O que Arendt (apud Aguiar, 2004, p. 9)) quis dizer é que os padrões da sociedade permanecem inalterados, prevalecendo a esfera política, o que para ela o social e o econômico são a mesma coisa, um não existindo sem o outro, para a nossa sociedade, não é bem assim. O compreendimento do social é o que mais a preocupa, por que o que nos difere dos animais é a condição humana por intermédio de modos de vida que podem ser distinguidos em vita activia e vita contemplativa

Para Arendt (apud AGUIAR, 2004, p.10) existe uma grande lacuna de entendimento entre as esferas políticas e sociais. O homem não se preocupando com o social, apenas impondo o consumismo, com o progresso tecnológico, fazendo com que a natureza invada o campo do artifício, potencializando a descartabilidade.

Portanto, o que a autora detecta claramente é a expansão da solidão e da alienação nas sociedades abundantes, ocasionando desta forma, os problemas descritos nesse trabalho, onde se enfoca a depressão infantil.

Durante muitos anos, a existência de depressão na infância foi questionada. Algumas pessoas acreditavam que o problema só apareceria no final da adolescência e inicio da idade adulta, por isso a falta de pesquisas nessa área e o recente interesse.

Nos tempos atuais, cada vez mais, as famílias estão deixando mais cedo seus filhos na escola, quebrando um ciclo de convivência de suma importância para o desenvolvimento social e psíquico da criança, a ausência da família, principalmente na figura materna, o que ocasiona sentimentos de apreensão e medo, a busca por uma substituta recaem sobre a figura que lhe oferece mais atenção que nesse caso será a professora ou uma babá, que não consegue preencher o espaço da mãe.

Os fatores que advém a depressão infantil são variados, porém alguns poderão ser facilmente identificados sem que haja necessariamente a ajuda de um profissional qualificado para tanto, as crianças da educação infantil estarão sempre mais vulneráveis devido a sua pouca experiência e principalmente insegurança.

Freud (1976, p. 19) alerta para alguns cuidados que devemos ter ao tentarmos detectar algumas doenças relacionadas à mente humana:

[...] é preciso que levemos em conta a distorção e a reelaboração às quais o passado de uma pessoa está sujeito, quando visto na perspectiva de um período posterior.

Com essa afirmação, Freud tenta nos explicar que quando analisamos uma criança nas perspectivas do presente e do futuro, precisamos analisar seu passado como principal porta de entrada, analisando quais as distorções sofridas e principalmente quais os traumas deixados. Com isso, fica mais fácil entender como se fez aquele sofrimento e como podemos trabalhar aquele individuo baseado naquele estudo.

Na depressão, existem alguns agravantes que favorecem. Como exemplo, citamos:

a) Transtorno Obsessivo compulsivo (TOC),conhecido pela sigla TOC, e apresenta as seguintes características:

É um transtorno caracterizado pela presença de obsessões e compulsões, idéias e pensamentos, imagens ou impulsos repetidos e persistentes que provocam ansiedade. Os sintomas têm inicio na infância ou adolescência, tendo como principal atenuante a hereditariedade (GONZALEZ, 1999, p. 02).

b) Transtornos do humorapresentam:

Oscilações ou mudanças cíclicas de humor que vão desde normais até bruscas nos estados de alegria, tristeza, mudanças patológicas acentuadas, episódios de manias, hipomania, depressão e mistos. É considerada uma doença de grande impacto na vida do paciente, família e sociedade, causando prejuízos frequentemente irreparáveis em vários setores da vida do indivíduo, finanças, saúde, reputação entre outros. Inicia-se na infância, geralmente com sintomas de irritabilidade intensa, e fatores biológicos relativos a neurotransmissores cerebrais, genéticos, sociais e psicológicos complementam sua intensidade (www.abcsaude).

c) Esquizofrenia, uma doença marcada por algumas características bem particulares. Vejamos:

Mudança de comportamento do individuo entre o final da adolescência e a fase adulta, ficando mais retraída, isolada, delirando, com idéias incompatíveis com a realidade, ouvindo vozes comentando sobre seus atos e pensamentos, fala e comportamento desorganizados. Como se houvesse uma pessoa perseguindo e querendo prejudicá-la. O trabalho e a relação com as outras pessoas são gravemente afetadas, mas como não há cura e é uma doença ainda pouco revelada pelas pesquisas, o tratamento ainda é com a administração de medicamentos. Afetam cerca de 2 milhões  de pessoas no Brasil e 70 milhões no mundo(Super Interessante, 2011, p. 30).

d) Transtornos de Conduta, doença intimamente relacionada à sociopatas:

É caracterizado pela prática de atividades consideradas ilegais, como ferir animais, maltratar pessoas, seja moralmente ou fisicamente, sem apresentar arrependimento pelas suas atitudes. Tem inicio na infância e adolescência e a partir dos 18 anos, se enquadra como Transtorno de Personalidade Antissocial - TPAS. (NAVEGA, 2011, p. 02).

e) Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH): doença, tão comum nas salas de aulas de hoje e Rohde, (2000, p. 02) faz suas colocações acerca dessa doença que apresenta algumas das características mais marcantes deste trabalho:

Caracterizam-se por desatenção, hiperatividade e impulsividade. Dificuldades de concentração descuidam em atividades escolares consideradas simples para sua faixa etária, parece não ouvir quando lhe dirigem a palavra, não finaliza trabalhos domésticos, dificuldades em organizar tarefas, distraído, esquecimento em atividades que não sejam de seu interesse entre outras. Em sala de aula apresenta agitação nas mãos e pés ou se remexe da cadeira, abandona sua cadeira sem motivos aparentes, correr demais, dificuldade de envolver-se em atividades silenciosas, falar em demasia, dar respostas precipitadas antes de conclusão da pergunta, dificuldade em esperar, interromper assuntos entre outros.

f) Retardo Mental. Vasconcelos (2004, p. 71) caracteriza o retardo mental como sendo:

um dos transtornos neuropsiquiatricos mais comuns em crianças e adolescentes. São mais freqüentes no sexo masculino, atribuído às numerosas mutações dos genes encontrados no cromossomo X6.  Caracteriza-se pela atraso da fala/linguagem, alterações de comportamento e baixo rendimento escolar, função intelectual baixa, demonstrada pelo QI (Quoeficiente Intelectual) igual ou menor que 70 (considerado normal é acima de 85 e os individuos em idade escolar com um escore de 71a 84) , pelo qual, são examinados habilidades adaptativas de comunicação, autocuidados, sociais, interpessoais, orientação, trabalho, lazer, saúde e segurança.

g) Transtornos de ansiedade. Para Castillo (2000, p. 20) a ansiedade é:

[...] um sofrimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho. Passam a ser reconhecidos como patológicos quando são exagerados, desproporcionais em relação ao estimulo, ou qualitativamente diversos do que se observa como normal naquela faixa etária e interferem na qualidade de vida, o conforto emocional ou o desempenho diário do individuo. Ressaltamos que são mais comuns em indivíduos com hereditariedade.

Por esses e outros fatores somados, a criança terá conseqüências futuras, como a questão do relacionamento com a sociedade e o mundo ao seu redor.  A discussão acerca das causas da depressão infantil são inúmeras, o stress, por exemplo, pode vir silenciosamente causando influências comportamentais que a partir daí será uma fonte geradora, repassando para as demais crianças. O mundo atual é bastante difícil para todos, já que cada vez mais as exigências diárias nos tiram como pais do convívio familiar implantando na criança um sentimento de vazio, já que a ausência dos familiares permanece.

Por outro lado, outra questão geradora de polêmica é a educação dos pais para com os filhos. Muitas vezes eles se confundem na hora de educar corretamente a criança demonstrando incoerência no momento de determinar o que é certo e errado e na maioria das vezes, discutindo na presença dos filhos. O pai geralmente mais atarefado sobrecarrega a mãe, essa por sua vez, abraça mais do que pode em termos de obrigação familiar, trabalho, estudos, que deveria ser igualmente equilibradamente, repassando às crianças o estresse familiar.

Novais (2004, p.21, 22) relata:

Disciplina confusa por parte dos pais – Nota-se que alguns pais se mostram bastante confusos quanto ao melhor método para disciplinar seus filhos: ora elogiam, ora usam a súplica como meio para tentar convencê-los a obedecer, outras vezes perdem a paciência [...]. Nesses casos, não existe previsibilidade no mundo da criança e ela passa a não saber que conseqüências ocorrerão quando se comportar de um modo ou de outro.

Os pais precisam estar harmônicos no âmbito de educar seus filhos, a criança precisa também entender quando realiza algo errado, mas também ser elogiada quando age corretamente. O ambiente escolar cada vez mais também é uma fonte geradora externa de stress já que as disputas diárias, as pressões sobre notas, trabalhos e as atividades diárias colocam os alunos em uma extrema situação de pressão que nem sempre é absorvida positivamente.

Percebe-se, assim que, o dia-a-dia da escola irá substancialmente contribuir para sua formação psíquica, já que sua estrutura emocional será moldada diariamente de acordo com suas experiências diárias, como o convívio familiar, a sociedade e a escola, que neste ambiente desenvolve uma prática de convivência em sociedade. As experiências vividas irão caracterizar as circunstâncias "Para crianças menores, por exemplo, as ameaças ou a ridicularização pelas mais velhas, podem constituir-se em experiências facilitadoras para a ansiedade" (ALSOP e MCCAFFREY, 1999, p.12).

Outrossim, levantando a discussão da ansiedade, observa-se que esta se inicia com problemas relacionados à depressão, quando não ocorre a inclusão por parte da escola trará conseqüências graves a criança que ao sentir-se rejeitada por seus colegas, irá criar um mundo próprio, procedimento que permitirá a ela defender-se de situações constrangedoras e geradoras de mal-estar.

Portanto, tratando de um dos pontos que indica a possibilidade de depressão infantil é ansiedade demasiada, ao notar uma criança quando começa a demonstrar ansiedade excessiva é bom que os que a cercam comecem a prestar mais atenção aos seus atos, pois uma simples fobia pode ser indicio de futuros grandes distúrbios emocionais.

O próprio organismo da criança de forma inconsciente ativa essa proteção que irá disparar todas as vezes que surgir o enfretamento de determina situação, fato que ficou marcado em sua lembrança outrora ocorrido.

Pode-se como exemplo, citar a angústia como uma associação de um sentimento de desprazer com vivência de tensão interna, ou espera de um perigo ameaçador e, na criança, pode ser considerada.

Nesse sentido, Sacristán et al. (1995) deduz:

[...] reação do organismo infantil frente a situações de ameaça, que se caracteriza por vivências desagradáveis, com formas de expressão diversas, através de sintomas e sinais somáticos ou comportamentos variados, com valor defensivo, dinamizante, organizador e evolutivo, que se aprende e constitui na infância.

Então é possível verificar que a ansiedade virá como um fator de proteção já que em ambientes considerados "hostis" essa será uma das formas de se proteger de determinados ataques diretos.

Outro fator preocupante para desencadear a ansiedade e consequentemente a depressão que, podemos citar como atual é oBullying. Este termo é utilizado para descrever atos de violênca física ou psicologica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do ibglês bully, tiranete ou valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder (Wikepedia, 2011).

O bulling tão em moda nos tempos atuais acontece quando, um ou mais alunos agridem, seja na forma física ou mesmo psicológica, através de xingamentos, fazendo referências a possíveis "defeitos", tentando de todas diminuir o outro, que na maioria das vezes é incapaz de se defender. Nessa perspectiva, designa o hábito de usar a superioridade física para intimidar, tiranizar, amedrontar e humilhar outra pessoa (CHALITA, 2008, p.81).

Dessa feita, o bulling chegou às escolas de forma sorrateira, pois o apartheid escolar é bastante antigo, haja vista que há muito tempo a sociedade é separada em classes sociais, e dentre essas classes existem as subdivisões que variam de acordo com o poder exercido, a capacidade física,  o padrão de beleza, haja vista que os mais belos não irão trafegar exterior. Nas escolas essa situação se repete já que os grupos são definidos em forma de poder, menos favorecidos e mais favorecidos.

Assim, é nesse momento que o bulling começa, na separação dos grupos, pois assim quem ousar cruzar a linha imaginária que os divides sofrerá as conseqüências cruéis, ou mesmo aqueles que não ousar tentar infringir tais regras impostas, terão que arcar com o peso de terem seus defeitos explorados de forma sarcástica e até mesmo chegando ao ponto de serem agredido fisicamente. Porém, não é necessário uma visão mais ampla dos educadores, apenas se desprender dos fatos pura e simplesmente para ai então, verificar que, quem utiliza o bullying como forma de demonstração de força e poder no ambiente escolar, estará necessitando de ajuda tanto quanto os que por ele for vitimado.

Os agressores, provavelmente, sofrem ou sofreram situações constrangedoras em sua própria casa, pais, irmãos, familiares em geral, ou no ambiente social em que reside. Essas atitudes acontecem por serem um reflexo do sofrimento já internalizado, que encontra uma maneira de extravasar tal sofrimento, ridicularizando para sentir-se melhor ou até mesmo usando a agressão física para desviar seu sofrimento ou sua conduta.

Portanto, na escola vivenciam-se diariamente situações nas quais membros do seu convívio, para se divertirem, colocam apelidos que denigrem sua imagem, provocam situações de brigas que sempre estará o assediado em desvantagem, e lhe tira toda e qualquer possibilidade de uma ascensão social no ambiente escolar. Para um adulto uma situação com tal é deveras constrangedoras, imaginar que uma criança conseguirá lidar facilmente com essas situações diariamente sem nenhuma conseqüência mais grave é deveras perigoso.

Dessa feita, esse assunto precisa ser discutido e tratado com muito cuidado pelos que fazem o corpo escolar, por se tratar de um grande vilão das doenças relacionadas a depressão infantil. Os educadores podem detectar e intervir com condições de reverter tal quadro. Esclarecer que assédio moral é crime seria um meio bastante esclarecedor para iniciar a discussão sobre o assunto. Trazer profissionais até mesmo da área de direito para uma palestra na escola e junto com os alunos levantar uma discussão a cerca do Bullying, as sansões que poderão vir a sofrer, as conseqüências físicas e psicológicas para a vítima e as conseqüências da lei para quem pratica o assedio moral.

Segundo Pamplona (2006, p.07 ), o assédio moral trata de tão-somente: "uma violação ao um interesse juridicamente tutelado, sem conteúdo pecuniário, mas que deve ser preservado como um dos direitos mais importantes da humanidade: o direito à dignidade."

Então, como evitar que um direito tão importante para o desenvolvimento de uma criança seja retirado de forma abrupta, covarde e diária? Já que a criança ao sofrer o assédio, estará sofrendo um atentado contra a dignidade psíquica, de forma reiterada, tendo por efeito a sensação de exclusão do ambiente e do convívio social.

A dignidade é a palavra que define uma linha de honestidade e ações corretas baseadas na justiça e nos direitos humanos, construída através dos anos criando uma reputação moral favorável ao indivíduo. Respeitando todos os códigos de ética e cidadania e nunca transgredindo-os, ferindo a moral e os direitos de outras pessoas. Ser digno é obter merecimento ético por ações pautadas na justiça, honradez e na honestidade

Então que todos, escola, pais, educadores e gestores estejam preparados para lidar com o bullying, pois um ambiente onde alunos ridicularizam os seus colegas e os desmoralizam perante os outros, é um ambiente considerado propício ao desenvolvimento de doenças relacionadas a depressão.

                      Aquino (1996, p.11) lembra: "É bem possível, embora igualmente improvável, que, durante a trajetória profissional de um educador, este nunca venha a se defrontar situações-limites vivenciados por algum ou alguns de seus alunos".

Situações estas que, atualmente, não são em pequeno número e afetam cada vez mais uma maior quantidade de alunos, dos mais variados níveis sociais.

Arendt (apud AGUIAR, 2004, p. 18):

Defende a recuperação da dignidade da política, razão de pouca discussão nos tempos modernos. O desenvolvimento tecnológico é a chave para superar esta escassez. Ela defende a questão social como uma questão de planejamento, administração e conhecimento especializado, passível de solução.

Aguiar (2004 p. 18) alerta para o fato de que a tecnologia é uma grande vilã no surgimento das doenças do mundo moderno, pois ela não se porta como uma esfera neutra, pelo contrário, a incidência da tecnologia nos modos de vida nem sempre favorecem o intercâmbio das pessoas, em sua maioria, obstaculam as relações diretas, o acirramento em função da descartabilidade de um contingente enorme de mão-de-obra do mercado de trabalho, perfazendo um número considerável de pessoas desempregadas, repassando para as famílias outro grande atenuante.

Sabe-se da importância do contato humano para o desenvolvimento social do individuo, e o que Aguiar relata é justamente essa falta de contato, que agora com o surgimento das redes sociais, telefones celulares, smartfones entre outros, ficou superficial, apenas mensagens eletrônicas, recados, afastando aquilo de denominamos convívios presenciais, e fazendo com que cada vez mais, as crianças e adolescentes se excluam em seus quartos, em meio a seus aparelhos tecnológicos, resumindo o que antes era uma prazerosa conversa e até mesmo desabafos, resumi-se em apenas mensagens virtuais. Por isso, o aumento de casos de violência nas escolas e famílias, haja vista, falta de diálogo.

Chalita (2009, p. 16) lembra a importância da amizade no desenvolvimento humano: "Uma alma habitando dois corpos – eis o convite da amizade. Eis a pedagogia a serviço do bom, do belo e do verdadeiro. Há muito a fazer. Façamos."

O uso das novas tecnologias veio para subsidiar de alternativas o convívio pessoal e profissional, porém seu mau uso tem causado graves problemas sociais, como também o egocentrismo.

Para tanto, o aumento do acesso a informação pode ser um fator positivo ou negativo no processo de depressão. A vida moderna traz reflexões a cerca dos valores éticos, culturais e sociais, principalmente no que tange o convívio e a utilização das novas tecnologias.

3.3 ALHEAMENTO DA CRIANÇA À ESCOLA

Não é incomum a criança criar situações para que a sua ida a escola seja adiada ou não aconteçam, simulações de dores, informações desencontradas sobre situações ocorridas, já que neste ambiente ela irá sentir-se totalmente descolada, ocasionando muitas vezes pânico ao saber que terá novamente o enfretamento dos xingamentos ou mesmo agressões físicas pelos seus colegas. Nesses casos é crucial a intervenção dos pais a estes sintomas e procurando verificar in-loco como vai o desempenho escolar do seu filho, consultando o responsável na própria escola bem como procurando além de tudo, auxilio profissional para que em conversa com a criança, possam identificar possíveis "pedidos de socorro".

A Depressão Infantil pode afetar o rendimento escolar, o desenvolvimento emocional normal e a estabilidade de toda a família.  De posse desses fatores os pais deverão procurar auxílio de todas as pessoas possíveis, seja no ambiente escolar (psicopedagogico), seja no clínico (especialistas), já que esses sintomas poderão vir facilmente acompanhado de um quadro mais agravante.

Alguns procedimentos podem evitar situações como esta, conversas informais com a criança sondando e procurando verificar quais são os motivos de isolamento,  seja na escola ou mesmo no ambiente familiar, as visitas na escola devem ser freqüentes verificando  sempre que possível junto aos professores, supervisores e pedagogos como está o rendimento escolar, o comportamento, o relacionamento com os outros colegas, enfim, sondagens que podem ajudar a detectar atitudes suspeitas. Atitudes como essas, poderão prevenir situações de risco que comprometerão o desenvolvimento da criança.

Por outro lado, não é fácil identificar situações de depressão na escola, mas se acredita ser as mais comuns quando detectadas, as seguintes: Medo, Regressões no desenvolvimento, Dificuldades de adaptação no âmbito escolar, Dificuldades afetivas, Mudanças e distúrbios no comportamento, conflitos a maioria das regras impostas.

É esse momento que a intervenção pais e o corpo docente deve ocorrer, no sentido de atentar às mudanças comportamentais, pois uma vez detectadas, urgentemente providencias deverão ser tomadas, em busca da causa para que o problema seja solucionado o mais breve possível.

Não é difícil constatar no meio escolar que alguns pais ou professores acreditam que essas fases são comuns ao desenvolvimento da criança, ignorando peremptoriamente os sintomas que iniciam a depressão infantil.

Para Novaes Lip (2008, p.33):

existem vulnerabilidades com as quais se nasce e outras que são adquiridas ao longo da história de vida". Em suma apenas um profissional adequado e preparado acerca do assunto poderá determinar se o comportamento diferenciado de uma criança poderá ser determinado como "normal" ou precisar de maiores cuidados e atenção.

Os docentes, por sua vez, serão o elo principal de ligação entre a criança, a escola, os pais e o tratamento médico, pois ficarão de identificar (desde que devidamente cercado de condições de identificação dos sintomas) mudanças bruscas de comportamentos e de humor.

Hoje em dia, cada vez mais, as escolas se preparam para receber seus alunos na educação infantil.

Infelizmente no Brasil, a distância entre escola pública e particular é bastante considerável, em favor da escola particular, segundo Lombardi et al. (apud ARAÚJO, 2005, p. 125):

As expressões público e privado têm suas etimologias vinculadas à língua latina, segundo o Dicionário Houaiss, referenciando que o vocábulo público é "concernente ao público, do público, que é de interesse, utilidade do público, que é propriedade pública", e privado significa "pertencente a cada indivíduo; particular, próprio, individual.

Outrossim, é preciso que as duas caminhem juntas no processo de preparação dos alunos brasileiros, sem demagogia ou exclusão social, tanto nas instituições públicas como também nas privadas. Porém a preparação dos docentes, a qualidade dos materiais didáticos, e recursos áudio visuais, garantem uma aprendizagem significativa, nas escolas particulares, já que a burocracia, e a falta de compromisso dos governos com a educação pública, nos levam, a resultados cada vez mais beirando a incapacidade, aumentando cada vez mais a distância entre o publico e privado.

Ao analisarmos uma pesquisa realizada pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos[1] (Pisa, na sigla em inglês) revela que a distância entre as duas redes, chegava a 109 pontos em 2006, cresceu e atingiram até 121, os números indicam níveis de conhecimento distintos em leitura, matemática e ciência. A pesquisa demonstrou que um aluno que estuda numa escola particular alcança 519 pontos em média – o nível 3 na escala de proficiência (patamar considerado razoável pelos organizadores da avaliação) -, o da pública (federal, estadual e municipal) faz 398 pontos e não sai do primeiro nível de desempenho.

                       

Grafico 1

Fonte: Disponível em:. Acesso em: 25 set 2011. p. 1

Gráfico 2

Fonte: Disponível em:. Acesso em: 25 set 2011. p. 1

No entanto, os esforços desprendidos pelo governo federal não são poucos, e precisam ser reconhecidos, já que incontáveis são os projetos de lei, incentivos dos mais variados, aplicados a todas as faixas etárias no que concerne a população estudantil que freqüenta as instituições públicas. Porém os investimentos são mal conduzidos, dificultando a acessibilidade dos recursos disponível para o docente e discente, tendo por sua vez o retardo no processo ensino-aprendizagem, sendo necessária a comunidade no meio escolar, não apenas os alunos, mas o todo precisa estar mais envolvido, cobrando na ponta o investimento que não chega, denunciando abusos e desvios, causando com isso prejuízos à sociedade.

A falta de infra-estrutura, de equipamentos, a manutenção em geral dos ambientes escolares, e com os baixos salários e profissionais desmotivados, perfazem um somatório negativo na escola pública.

Estes fatos acima citados podem ser verificados no resultado do Exame Nacional do Ensino Médio de 2010 (Enem), realizado na cidade de Campinas-SP, por exemplo, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, a diferença entre a melhor escola particular, O Instituto Educacional Imaculada, e a melhor escola pública com a menor nota, a estadual 31 de Março, no Jardim Santa Monica, é de 236,07 pontos. Enquanto o MEC comemora o aumento da média geral no exame, os educadores e especialistas apontam que ainda é preciso grandes avanço para a garantia de um ensino público de qualidade, foi verificado que das 90 escolas públicas de Campinas que aparecem no ranking do MEC, 50 ficaram com a nota abaixo da última colocada entre as escolas privadas da cidade, 15 não foram pontuadas por não atingir o número mínimo de participantes e 24 ficaram com média acima da instituição que ocupa o último lugar (MIRANDA, 2011 p.01).

O exemplo cita acontece no país, numa região Metropolitana de Campinas que é, extremamente rica, onde teoricamente deveria ser muito mais fácil de administrar, já que é considerada uma das mais dinâmicas no cenário econômico brasileiro e representa 2,7% do PIB (produto interno bruto) nacional e 7,83% do PIB paulista, isso tudo montado sobre uma forte economia, que proporciona um grande nível de desenvolvimento da área metropolitana de Campinas,[2 já que no seu entorno, também possuir um grande nível de desenvolvimento econômico, a exemplo de Paulínia um município da região de Campinas, que graças a Refinaria de petróleo (Replan), em seu domínio, detém um alto grau de desenvolvimento socioeconômico para si e os municípios vizinhos.

Fatos como esses evidencia que mesmo nas regiões mais desenvolvidas do país, se não acontecer um comprometimento dos gestores, a nível regional, a evolução tão alardeada para a educação brasileira não sairá das mentes de seus idealizadores e dos projetos de lei.

Entretanto, notam-se sinais de crise também na escola particular, que apesar de todo aparato que as cercam, a grande maioria não atravessa bons momentos, já que muitas padecem dos mesmos problemas existentes nas escolas mantidas pelo governo.

Sugere-se, dessa feita, que a razão principal seja o instrucionismo comum aos dois sistemas, tendo em vista que se trata da mesma política educacional e dos mesmos professores (muitos lecionam nas duas realidades). A diferença maior possivelmente é que a escola particular é gerida pela iniciativa privada com base na pressão do mercado e dos pais dos alunos, do que segue que seu desempenho, mesmo não sendo aceitável, é mais elevado. Sugere-se também que a iniciativa mais promissora para superar este imbróglio seria apostar no professor, cuidando sistematicamente de sua formação permanente, dentro da premissa de que se o professor aprender bem, o aluno também o poderá fazer. (DEMO, 2007, p. 181).

A partir da LDB 96 (Lei Nº 9394/96), o governo deu inicio um processo de incentivo por graduação em todos os recantos do país. Foi a partir desta lei que se instalou várias universidades presenciais e a distância, gerando acesso e alternativas a quem não dispunha de recursos para as altas mensalidades existentes pelas faculdades atuais, bem como acesso as públicas, uma vez que, a concorrência às vagas era injusta, visto número de vagas não comportar a quantidade de inscrições. Um professor graduado com certeza terá um embasamento bem maior para lidar com diversas situações de ensino, se comparado ao não graduado, isso permitiu um ganho exponencial tanto na escola privada, quanto na pública, já que garantiu uma melhor preparação para que o docente assuma uma sala de aula, garantindo aos alunos um profissional ainda mais preparado não só no que diz respeito ao conteúdo, mas também a problemas comportamentais, identificando junto com os demais profissionais envolvidos da escola como psicólogos, supervisores, assistentes sociais e pedagogos, é claro que instituições privadas estão bem mais a frente, quando se trata de assuntos relacionados a mudanças de comportamento, já que o acompanhamento é mais efetivo e a comunicação com os pais acontece de forma mais direta, porém com a união de todos, é possível reduzir drasticamente os problemas relacionados com a depressão infantil.

3.4 NOÇÃO DA SOCIEDADE E DA FAMÍLIA A CERCA DA PROBLEMÁTICA

            Percebe-se, neste instante, uma grande preocupação no que tange a depressão infantil e seu tratamento, a participação da família e da sociedade como um todo. Muitos familiares acreditam não ter este problema, interpretam o comportamento das crianças estão com birras, manhas, etc. No entanto, é preciso ter muito cuidado, essas birras, manhas são pedidos de socorro muitas vezes não ouvidos pelos pais. Ao contrário do que se possa imaginar, as crianças são muito inteligentes e sensitivas e conseguem perceber facilmente quando algo esta errado. Claro, elas não têm noção de algumas coisas, como por exemplo, a morte de uma pessoa querida que não vai mais voltar.

No contexto sociocultural, algumas famílias, por falta de informações, não acreditam na depressão e até vitimizam as crianças, agravando sua conjuntura de insatisfação com diversas situações sejam elas socioeconômicas, pessoais, profissionais entre outras. Existem situações em que as crianças são extremamente agressivas, irritadas, sem paciência. Como a depressão, na maioria dos casos, caracteriza-se por desanimo, apatia e falta de prazer em desenvolver situações, as pessoas acreditam que essas situações, por ser oposta, não se caracteriza por depressão, o que pode ocorrer, os sintomas são diferentes em cada situação não existindo um padrão de sintomas.

            Nesse sentido, a família precisa estar ciente de que toda e qualquer mudança mínima no universo da criança ocasionará influências sejam positivas ou negativas, tudo vai depender da ótica por ela contextualizada. Por isso, mais uma vez batendo na mesma tecla, os pais precisam estar atentos que uma simples mudança de professora, escola, ou até mesmo a ocorrência de separação matrimonial, poderá ocasionar situações de stress, que junto com outros fatores poderão levar a uma depressão leve ou mesmo grave.

A partir dos elementos introduzidos pela cultura, mediante o discurso científico – informações, conceitos e categorias relacionadas à doença –, estabelecem- se arranjos considerados mais apropriados para cada grupo de atores sociais. Assim, as pessoas organizam suas vidas de acordo com a sua cultura, respondendo à necessidade cultural de ordenar o pensamento diante dos acontecimentos da realidade (NAKAMURA, 2007, p. 7).

A criança até certa idade ainda não tem condições de digerir e aceitar certas situações que fogem ao seu controle, para ela o mundo gira a sua volta então quando ocorre o inverso, a reação poderá ser variada sendo a assimilação nesses casos muito difícil pois é a partir dessa falta de entendimento é que poderá ocorrer.

A criança desenvolve mecanismos de defesas para que possa suportar situações adversas, é comum ao ser humano, por exemplo, sentir-se aliviado de fortes dores ao prostra-se e buscar a posição fetal, já que o seu inconsciente sabe que essa posição sempre lhe trouxe segurança e estabilidade, sabendo disso a criança vai desenvolvendo durante sua infância formas de se proteger daquilo que lhe ameaça ou mesmo que não consegue compreender.

Ansiedade, isolamento, comportamento agressivo, falta de concentração, baixa auto-estima, timidez em excesso, são sempre antecessores de uma situação que envolve a depressão infantil, já que esses fatores desencadeiam um processo interno de auto defesa, que facilmente culminará num total isolamento do mundo externo fazendo com que a criança crie o seu próprio universo, para assim fugir das situações que lhe causam extrema dor e incompreensão. Em suma são vários os pedidos de socorro que a mesma enviará aos que lhe cercam no seu convívio familiar ou escolar, cabe aos responsáveis envolvidos perceberem essas situações e buscar condições para ajudá-las.

Nakamura (2007, p. 6), relata:

Esses estados infantis poderiam passar despercebidos ou adquirir relevância, dependendo de quem os observasse, do que fosse observado e do grau de tolerância do observador, nessas situações. Muitas vezes, os familiares mostravam certa confusão sobre os diferentes estados infantis definidos pela utilização de termos como "manhoso", "birrento", "nervoso" ou "mal-educado".

                Para tanto, o observador tem que estar atento a diferenciação entre os estados infantis definidos pela autora, passando a basear-se em estado de isolamento, desmotivação, falta de apetite, falta de interesse que são as mais comuns em crianças. É incomum vermos crianças brincando e outras observando. Elas, em sua maioria, interagem a fim de participarem da brincadeira, das amizades, do meio social, enfim, nunca se engane ao ver uma criança isolada, sozinha, exceto quando apresenta algum sintoma de doença como gripe, mal estar etc.

            Não é fácil detectar a criança com depressão, apenas com a ajuda conjunta da família, escola e sociedade é que se consegue identificar algo de estranho e duvidoso no que se refere ao comportamento, e a partir dessa descoberta, precisa-se levar ao conhecimento de um profissional qualificado, seja um psicólogo, um psiquiatra, um neurologista, enfim, uma pessoa capaz de ajudar aquela criança a voltar ao convívio familiar, escolar e social.

4. MEIOS DE ENFRENTAMENTO DA PROBLEMÁTICA

A depressão, em especial a infantil, é um problema grave que envolve desde a família a Saúde Pública e, por isso, deve ser encarado concomitantemente com os atores do processo e em especial até de forma preventiva pelos poderes públicos como uma situação que requer atenção.

Lidar com a depressão não é fácil, nem para quem está acometido por esta enfermidade bem como, as pessoas que a cercam. A depressão pode ser muito bem representada de forma abstrata sendo algo "como bater de frente com um maciço elefante de tristezas e frustrações" (LOIOLA, 2008, p.05).

Imaginar para um adulto tal fato seria sem sobra de dúvidas devastadora, imagine quando colocamos neste contexto uma criança, que além de não conseguir expressar o que estaria ocorrendo internamente, não saberia nunca pedir ajudar de forma clara.

Nestes casos é preciso que a família tenha sempre o alerta ligado. Percebendo mudanças pequenas ou relevantes presentes no comportamento, no humor, nas atitudes da criança, estas mudanças, pode ser um pedido de ajudar e não simplesmente uma "birra" da criança que dependendo da faixa etária não terá dominando ainda um vocabulário vasto para expressar uma dor profunda e tamanho vazio que sente, causados pela depressão.

Cada vez mais, a família está se despedaçando, as refeições outrora sagrada, hoje perde lugar para compromissos inadiáveis, trânsito complicado e até mesmo a televisão. Momentos como esses permitem aos pais conversarem e identificarem as mudanças que vão claro ocorrendo aos poucos. A depressão infantil não escolhe classe, raça ou cor, ela poderá advir sempre de uma situação traumática envolvendo entes queridos da criança ou até mesmo a si mesmo.

 É preciso ter em mente que nem sempre uma criança arredia, agressiva ou que se comporte mal na presença de adultos ou mesmo de outras crianças, tenha recebido pouca ou nenhuma educação pura e simplesmente, ao se deparar com tal situação deve-se analisar todo o contexto, verificando se isso vem ocorrendo a pouco tempo, evitando assim rotular e agravar mais ainda o problema.

Nos tempos atuais, e comum a cobrança exacerbada  pela sociedade aos seus membros, em todas as fases, é claro que ao chegar na fase adulta o ser terá condições de lidar com os problemas, já que ao longo da vida acumulou experiências, que permitirão assimilar frustrações perdas etc. Porém a criança devido a sua intrínseca imaturidade não terá as ferramentas necessárias para suportar uma carga tão forte sobre seus ombros. Já que o desgaste seja ele físico ou mental extrapola o limiar do racional. Fatos como a separação diária dos pais, começam já a disparar um botão de autodefesa da mesma, que ainda na sua residência ficará sobre a tutela de um estranho, sendo muitas vezes difícil a assimilação de tal fato. A partir daí começa uma rotina altamente estressante, que inicia-se juntamente com a fase escolar, que nas classes menos abastardas ainda há  necessidade de ajudar os pais na renda familiar.

Abaixo se encontram alguns sintomas que poderão ajudar na identificação da depressão infantil:

IDADE

SINTOMAS

Geral

A   criança apresenta traços de isolamento, melancolia, tristeza, chora muito,   tem problemas para dormir ou dorme em excesso, é obesa ou simplesmente sem   nenhum apetite

Nos   bebês os sintomas mais comuns são perda de peso, rosto sem expressão, falta   de apetite, dificuldade para adquirir peso, insônia, rejeição ao contato   humano, choro insistente, diminuição de movimentos e atraso no   desenvolvimento da linguagem;

0 a 6

A   criança depressiva pode apresentar mudanças súbitas de humor, sentir   insistentes dores - principalmente de cabeça - alterações de apetite e sono,   tristeza, falta de amigos e coordenação motora retardada.

7 a 13

Nesta   idade as crianças já começam a reclamar, perdem o interesse por determinadas   atividades que antes gostavam, se dizem tristes e infelizes, podem somatizar   problemas. Muitas vezes, isso chega a provocar doenças sérias como úlceras.   São quietas e, em geral, choram com facilidade, têm dificuldades para dormir   ou dormem muito, se denominam feias e afirmam fazer tudo da maneira errada.   Irritabilidade, baixa-estima, culpa, cansaço e baixo rendimento escolar   também são sintomas característicos.

14 a 17

Alteração   do humor, ansiedade, agressividade, baixa-estima, uso de drogas ou álcool,   forte sentimento de culpa, relacionamento social distante, falta de apetite e   concentração, medo, insegurança, sentimento de fracasso, acham que a vida não   tem sentido, rebeldia e acentuada tendência ao suicídio.

Quadro 1: sintomas que poderão ajudar na identificação da depressão infantil.

Fonte: Diário do Povo, 25/05/1998.

Os pais precisam se conscientizar que sozinhos, tornar-se muito difícil lidar com o problema da depressão infantil, é preciso a união de todos que cercam a criança, por isso, deve-se enfatizar, que o setor educacional como um grande aliado nesta luta, que se travará contra tal enfermidade, pois até mesmo para a observação do individuo, tendo em vista que as crianças desfrutam de um tempo significativo do seu cotidiano nessas instituições, destaca-se, ainda, a importância de uma equipe escolar qualificada composta por psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e psicopedagogos, dada sua capacidade de abrangência, sendo aliados importante na solidificação de ações de promoção de saúde voltadas para o fortalecimento das capacidades dos indivíduos e para a tomada de decisões favoráveis a saúde.

Em tese, a equipe precisa estar em plena sintonia para detectar o aluno que apresenta pelos menos cinco dos sintomas de depressão, e imediatamente, acionar a família para uma conversa minuciosa a respeito da problemática, para isso a equipe precisa ter a real certeza do diagnóstico, e encaminhar ao profissional mais qualificado, seja o próprio psicólogo, o psiquiatra ou mesmo um médico especialista em depressão infantil, deixando bem claro, a responsabilidade da escola em receber novamente este aluno, após diagnóstico, e inseri-lo ao ambiente escolar de forma natural e receptiva, não deixando que ele se sinta excluído, ou mesmo incapaz de continuar seus estudos.

Um acompanhamento especial pela equipe da escola ao aluno em tratamento será de suma importância para que ele possa continuar seu caminho rumo ao êxito de seu tratamento, afinal faz parte a continuidade da rotina escolar, não esquecendo a família de fazer parte também desse acompanhamento. Como se trata de depressão infantil, toda a família deverá ser inserida pela escola no acompanhamento, pais, irmãos, avós, enfim, todos aqueles que estão em convívio direto e indireto com aquela criança.

Outro contraponto freqüentemente encontrado é a desistência do paciente ao tratamento após algumas sessões. Sua autoconfiança engrandece o enganando, deixando-o capaz de lidar com aquela situação sem a ajuda do profissional que o acompanhará. Nesse caso, não há alternativa a não ser o de aguardar o reaparecimento dos sintomas até então camuflados pela autoconfiança e a partir daí, o paciente volta ao tratamento. No caso das crianças os pais têm uma grande parcela de culpa, acreditando ser o momento de parar o tratamento, não aguardando alta médica, o que faz o individuo sofrer mais ainda no retorno.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Objetivou-se com a produção deste trabalho verificar como a escola pode contribuir para melhorar a vida de crianças com problemas de depressão, enfatizando-se a ajuda de profissionais e principalmente da família nessa causa.

Os sintomas da depressão infantil na fase inicial são de difícil detecção, e geralmente são assintomáticos, por isso apenas presente na vida da criança é que os responsáveis poderão distinguir estes sintomas. Sabe-se que é possível tratar a causa, cercando-se de ferramentas e informações adequadas para o enfrentamento da problemática, evitando desse modo que uma simples situação de stress venha a progredir para uma depressão.

Os pais precisam ser guardiões atentos, já que não adianta prover os filhos de bens materiais e esquecendo o principal que seria dispensar atenção, para que diariamente participem do dia a dia da criança, constatando através de conversas, as conquistas e principalmente as perdas enfrentadas pelas crianças.

Os problemas que afetam o desenvolvimento das crianças são infindáveis, a maturidade é claro, vem com a convivência e experiência diária com o seu meio. Porém a cooperação mútua nem sempre acontece entre os seres, ao iniciar sua vida escolar a criança tem primeiramente uma forte quebra do vínculo com a mãe, que antes era seu porto seguro. O professor nestes casos terá uma incumbência imensurável, já que por certo período administrará estas carências e necessidades. Fica claro que sozinhos os responsáveis pelas crianças sentem mais dificuldades, por isso é preciso que trabalhem em conjunto escola/família, detectando precocemente a depressão infantil, facilitando o tratamento que é único e exclusivo, para crianças menores de 6 (seis) anos, terapêutico, sem o uso de medicações. Carinho, afeto, amor, são primordiais, em complemento ao estímulo, mostrando a criança o quanto ela é importante para a família, a sociedade, a escola.

Através deste estudo observamos, dentre os escritos feitos e fundamentados em autores que ajudaram e ajudam no processo ensino-aprendizagem, com suas variadas formas, a importância de refletir sobre um relacionamento harmonioso entre família / aluno / escola, evitando a depressão infantil, sendo assim um desafio para a família e para o educador comprometido com a educação.

O apanhado histórico aqui feito, sobre a depressão infantil, vem nos mostrar a importância do contexto social e familiar e sua evolução até a era tecnológica, ao estudar e analisar esta (educação / relação / convívio), a fim de poder em sua realidade psicopedagógica ser colaborador convicto através das ações educacionais.

Ainda nos reportando sobre o primeiro capítulo, este nos faz ter uma visão também da necessidade de compreensão dos objetivos da educação e da relação educativa, dura

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/reflexoes-sobre-a-depressao-infantil-um-olhar-psicopedagogico-6209503.html

    Palavras-chave do artigo:

    depressao infantil

    ,

    aprendizagem docente

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    O presente artigo discute a importância da participação da família no processo educacional da criança na Educação Infantil. O artigo desenvolvido tem como objetivo discutir a importância da família na educação da criança, tanto no ambiente social da escola como no ambiente familiar, focalizando assim, o papel da família nesse processo.

    Por: Sandra Maria dos Reis Bernardol Educação> Educação Infantill 26/09/2014

    A Literatura Infantil é uma prática interdisciplinar que está relacionada com outros modos de expressão (o movimento, a imagem, a música) que formam a bagagem comunicativa da criança desde os seus primeiros anos. Este trabalho traz como tema "A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL" e tem como objetivo compreender a importância da contação de histórias na Educação Infantil como incentivo a leitura, auxílio na aprendizagem e no desenvolvimento integral da criança.

    Por: Sandra Maria dos Reis Bernardol Educação> Educação Infantill 26/09/2014

    As leis que regem a Educação no Brasil prevê que aqueles que possuem algum tipo de deficiência devem ser incluídos nas salas de aula tidas como "normais". No entanto, será que estamos preparados para recebermos esses alunos?

    Por: Sanbial Educação> Educação Infantill 25/09/2014

    Muito se fala do poder da literatura - e de como a escola é um lugar privilegiado para estimular o gosto pela leitura. E todos os especialistas concordam que, num pais como o Brasil, a escola tem um papel fundamental para garantir o contato com os livros desde a primeira infância: manusear as obras, encantar-se com as ilustrações e começar a descobrir o mundo das letras.

    Por: Jania Gasques bordonil Educação> Educação Infantill 22/09/2014
    Lucivania da Silva

    O Código de Trânsito brasileiro (CTB), lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, passou a vigorar a partir de 22 de janeiro de 1998, é considerado como um dos códigos mais avançados do mundo, pois trouxe consigo muitas inovações. Uma das mais significativas é que, pela primeira vez, o código traz um capítulo exclusivo à educação, determinando, entre outros aspectos, a educação para o trânsito.

    Por: Lucivania da Silval Educação> Educação Infantill 16/10/2013 lAcessos: 77
    Lucivania da Silva

    Nesse trabalho abrirei a discussão a cerca do estresse no âmbito educacional, suas principais causas e consequências para a educação. Em particular enfatizarei o docente e o gestor educacional. Em paralelo, explanarei a síndrome de Burnout que nada mais é do que um estresse crônico. Tratarei também do problema no contexto educacional e por fim farei uma breve discussão a cerca do que podemos fazer enquanto gestores para minimizar a problemática em pauta.

    Por: Lucivania da Silval Educaçãol 25/10/2012 lAcessos: 103
    Lucivania da Silva

    O problema da indisciplina vem a cada ano aumentando consideravelmente, haja vista muitos direitos dos alunos e poucos são as formas de cobrarem seus deveres. A escola deixou de ser uma complementação da educação para ser a única educação recebida pelos alunos. Os fatores são variados, pais ausentes, famílias destroçadas por alguns problemas comuns nos dias atuais como, separação de pais, drogas, álcool, entre outros, acarretando numa total ausência do direcionamento educação familiar.

    Por: Lucivania da Silval Educação> Ciêncial 25/09/2012 lAcessos: 577
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