Limites E Possibilidades Do Áudio E Do Vídeo Na Educação

Publicado em: 09/11/2009 | Comentário: 0 | Acessos: 139

Após uma releitura  acurada dos trabalhos relacionados com o uso do rádio na educação permanente e continuada nas última quatro décadas no Brasil, constata-se que os vários programas desenvolvidos por instituições públicas e privadas, emissoras comunitárias, educativas universitárias e comerciais acumularam  experiência em capacitar e instruir pessoas, em nível substancial, além de proporcionar entretenimento e lazer.  Destacamos a década de 70 como fase mais profícua do rádio no seu envolvimento com a educação continuada. O rádio foi largamente empregado na oferta de curso supletivo do primeiro e segundo grau, como também na alfabetização de jovens e adultos, tendo o apoio pedagógico da mídia impressa por meio de apostilas disponibilizadas em bancas de jornais e livrarias.

No atual momento, com o advento da Internet e as comunicações via satélite, acompanhamos o surgimento da terceira geração do rádio sobre IP, (rádios para serem ouvidas exclusivamente pela Internet - também chamados web-radios) cujo estúdio de produção e transmissão pode ser um simples microcomputador com recursos de multimídia, tendo no entanto alcance mundial.

No Brasil, até a data da elaboração deste artigo, havia mais de cem web-rádios cadastradas no site www.radio.com.br, transmitindo programações de diferentes gêneros, tais como: jornalístico, musical clássico, pop e religioso dentre outros. Apenas três emissoras transmitiam uma programação variada, intercalando música com pequenos blocos de informações culturais e de utilidade pública, abordando temas como saúde, meio ambiente e educação para o trânsito: Rádio Educativa Udesc – Florianópolis, Rádio Educativa Udesc – Joinville e Rádio Educativa Udesc – Lages, todas no estado de Santa Catarina. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão-ABERT informa que no Brasil existem aproximadamente 3 mil emissoras de rádio comerciais e 7 mil comunitárias, sendo que esse número deve dobrar nos próximos dez anos.

Apesar de inúmeras iniciativas de entidades estudantis, comunitárias e mesmo particulares, na tentativa de preencherem a imensa lacuna existente no cenário nacional, para o uso do rádio como instrumento educativo, não existe por parte dos governos em suas instâncias federal, estadual ou municipal incentivo à autoria e produção de programas puramente educacionais. Torna-se necessário que a educação informal ou sistematizada  feita por meio destas novas  tecnologias possa ser apoiada numa pedagogia adequada e consciente das mudanças da Sociedade da Informação, cada vez mais exigente e ansiosa pelo conhecimento.  Percebe-se que o imenso potencial educativo do rádio, quer através do sistema tradicional de transmissão em ondas de freqüência modulada (FM), ondas médias (OM), ondas tropicais (OT) e ondas curtas (OC) ou via Internet, está subtilizado, servindo essa poderosa mídia apenas para reproduzir notícias ou música de qualidade duvidosa, sem atender às reais e urgentes necessidades educacionais do povo brasileiro.

  1. Torna-se necessário projetar o nosso amanhã em termos educacionais,  construirmos e consolidarmos esta sociedade, alicerçada pela ética, justiça e solidariedade, já que estas são  competências que se aprendem, daí entendermos a educação como um processo amplo, um projeto para toda uma vida, um bem ao qual se agregue valor permanentemente e possa ser promovido pelo uso de tecnologias que alcancem a todos.

Ao analisarmos o modelo de ensino tradicional onde o professor se posta diante dos alunos que na maioria dos casos assiste passivamente, sem direito a questionamentos, limitando-se a anotar aquilo que lhe dito, perdendo-se em anotações, verificamos que a introdução de novos recursos midiáticos como a linguagem radiofônica televisiva enseja uma maior participação e envolvimento dos aprendizes com os conteúdos disciplinares. Tal envolvimento é reforçado do processo de aprendizagem já que transfere para o aluno uma maior autonomia e participação em todo o processo.

O áudio e o vídeo como mídias difusoras da aprendizagem

Muito embora não existam ainda informações e pesquisas suficientes capazes de embasar  a suposição de que  a simples introdução de um kit multimídia numa sala de aula, permitindo aos alunos o acesso a internet. Esta intenção preliminar, apresentada em sala de aula, gerou visível entusiasmo e curiosidade e pareceu-nos, ao mesmo tempo, ser uma solução bastante acessível, já que não privilegiaria nem restringiria o acesso ao conteúdo a um grupo limitado de estudantes.

Muitas são as escolas que têm estabelecido projetos-pilotos através dos quais, disponibilizam recursos básicos para instalação de uma rádio-pátio (mesa de som, tocador de cds, microfone e caixas de som) ou mesmo em projetos mais sofisticados com o uso de computador, placa de captura de som e vídeo, webcams e gravador de cds.  Estes projetos educacionais envolvendo recursos de áudio têm produzido impactos visíveis no processo ensino-aprendizagem, além da animação e entusiasmo com que os alunos e professores se envolvem colaborativamente para a produção de programas educativos do tipo áudio-aula ou vídeo-aula.

É importante destacar ainda que as situações e tarefas propostas em projetos desta natureza, são corrigidos e adaptados conforme as necessidades da disciplina e limitações da escola. Percebe-se que o próprio processo de construção de vídeo ou áudio-aulas, onde se faz necessário um planejamento, desde a escolha da pauta, pesquisa, escolha dos apresentadores, entrevistas, gravação e edição objetivos previamente estabelecidos, tão completa e independente do trabalho realizado em sala de aula quanto possível.

Para o acompanhamento da atividade a distância, foi definida a necessidade de utilização de um microcomputador dotado de navegador de Internet (Internet Explorer, Netscape Navigator ou similar) com o aplicativo (gratuito) RealAudio Player instalado. Tal aplicativo (e seu respectivo formato de arquivo) foram escolhidos por disporem de uma excelente relação entre quantidade de áudio e tempo de transferência, evitando assim que o aluno seja obrigado a aguardar durante dezenas de minutos para acompanhar apenas alguns segundos de aula - algo que seguramente aconteceria com os alunos sem conexão dedicada caso o conteúdo fosse disponibilizado em vídeo.

Sem lugar a dúvidas, vivemos em uma sociedade de aprendizagem. Esta demanda de aprendizagens contínuas e massivas é uma das características que definem a sociedade atual. Mas não se trata apenas de aprender muitas coisas, senão de  aprender coisas diferentes, por meios igualmente diferentes e em um tempo escasso, dado o grande volume de informação que devemos processar, e a velocidade de mudança e inovação, que nos exige o aperfeiçoamento constante ao longo de toda a vida.

Na busca de uma solução eficaz aos desafios propostos pela atual sociedade às organizações educacionais, surge a revalorização das modalidades de educação semi-presencial e a distância. Estas modalidades educativas começam a se desenvolver em sua terceira geração, onde os recursos das mídias tradicionais - texto, áudio e vídeo – são potencializados a partir de sua fusão na internet.

A Internet, esta poderosa mídia digital, otimiza e barateia a distribuição de informação áudio-visual e textual, abrindo inúmeras alternativas educativas e surgindo como alternativa para responder ao escasso tempo de que as pessoas dispõem; à dificuldade de deslocamento no tráfego dos grandes centros urbanos; e à impossibilidade de contar com os especialistas necessários em cada região para estruturar cursos e programas de alta qualidade.

Alternativas viáveis para a melhoria dos processos educativos

Uma resposta à complexidade dos processos que envolvem o ensino-aprendizagem e a urgência em formar indivíduos competentes que a sociedade atual demanda, dependem da criação estratégica de um espaço de produção e difusão de conhecimentos atualizados, em linguagens didáticas, através do uso de todo o potencial das novas tecnologias de comunicação e informação. Aí reside a inovação e a excelência de programas e cursos  que envolvam o uso dos recursos midiáticos de massa como o rádio, a tv e a internet ou ainda a integração de todas elas. A sala de aula é a célula-máter, a incubadora de tais projetos.

É fundamental que as escolas proporcionem uma oferta educativa que se constitua a partir do diagnóstico das necessidades de formação da população alvo e de suas características culturais, elemento central do planejamento educativo e das estratégias de comunicação com ampla utilização de todos os recursos tecnológicos existentes.  Que se caracterize pela elaboração de materiais diversos e adaptados a cada uma das realidades em que se desenvolvem as atividades educativas, não só no que diz respeito à elaboração de conteúdos conceituais, senão também às experiências de aprendizagem e às atividades do plano de ensino.

Espera-se que os gestores escolares apostem em estratégias pedagógicas dinâmica, com programas que sejam atualizados permanentemente, respondendo ao acelerado ritmo de mudança da sociedade do conhecimento e do mercado de trabalho atual, superando assim o anacronismo em que, cedo ou tarde, caem os conteúdos escolares do modelo de ensino presencial.

Percebe-se que em instituições de ensino, quer sejam do nível básico, fundamental ou médio, ao desenvolverem uma sólida estrutura tecnológica e comunicacional articulada por uma estratégia pedagógica que considerem ações desenvolvidas para melhorar a comunicação entre os alunos e os docentes, têm obtido uma resposta positiva global no rendimento dos alunos e dos professores. Tais ações  elevam a auto-estima do conjunto e de cada indivíduo, transformando-os em verdadeiros protagonistas de suas atividades de ensino e aprendizagem.

Ofertas educativas que permitam tirar o estudante do marasmo e tédio característico da educação tradicional, permitindo-lhes criar, inovar e compartilhar experiências com o resto de seus colegas, tem produzido resultados altamente positivos.  As trocas e trabalho colaborativo em torno de projetos tais como a construção de uma rádioweb para a escola ou produção de um vídeo retratando a realidade do bairro, dotam o estudante de um poder adicional de transferência a diversas situações da vida,  constrói pontes para formação de cidadãos conscientes de seus direitos, deveres e sobretudo dos seus limites e potencialidades.

Uma proposta pedagógica que permita construir aulas globais, recorrendo aos especialistas de diferentes instituições, cidades e mesmo países, na formação de um corpo de professores altamente especializados em cada uma de suas áreas de conhecimento, provavelmente levará à uma difusão mais rápida e melhor do conhecimento com ganhos para todos. Através de atividades diversificadas e abertas, tais estratégias podem favorecer a transferência de saberes aos mais variados contextos profissionais, que promova a auto-aprendizagem, criando possibilidades para que o aluno aprenda a aprender, concedendo-lhe plena autonomia.

As linguagens atrativas e sedutoras do rádio e da televisão podem e devem ser apropriadas por alunos e professores e fazer parte do universo cotidiano educativo a partir de projetos criativos e inovadores em sala de aula. Desta forma, a educação brasileira poderá enfrentar o desafio de transformar as velhas e empoeiradas salas de aula, em ambientes atraentes e agradáveis aos nossos jovens, despertando-lhes o desejo de para lá se dirigirem com uma renovada emoção de se sentirem parte de um projeto real de vida e não apenas  da agente passivo deste processo.

(Artigonal SC #1438425)

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