A cultura indígena a partir dos livros didáticos no ensino de história

Publicado em: 11/04/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 3,438 |

Em 10 de março de 2008, foi sancionada a Lei n° 11.645/08 que torna obrigatório o ensino da história e da cultura indígena nas escolas. Através desta iniciativa, é importante pesquisar sobre o tema e verificar a sua abordagem, reconhecendo os principais problemas e trazendo sugestões. A cultura indígena faz parte da nossa história e da tradição do Brasil, portanto a escola deve propiciar aos alunos o conhecimento sobre o processo de construção do país pelas diferentes etnias, trazendo a necessidade de trabalhar de forma adequada a história e a cultura indígena na sala de aula.

Neste artigo foram analisados sete livros didáticos. A partir da análise desses livros é possível perceber a forma como o indígena é abordado em sala de aula, mais especificamente no ensino fundamental, e mostra que este é frequentemente ignorado nos programas curriculares e tem sido sistematicamente mal trabalhado. Os professores revelam-se pouco informados e os materiais didáticos, com algumas exceções, são deficientes e trazem uma visão estereotipada, genérica e equivocada dos indígenas. Estas duas dimensões, livro e ensino estão diretamente ligadas, pois, o material didático que deveria ser utilizado como um suporte ao professor, muitas vezes se transforma em fonte primária de conhecimento.

 

Para o professor trabalhar a temática indígena na sala de aula, é necessário haver propostas baseadas, antes de tudo, na situação em que vive e na superação de toda e qualquer forma de discriminação contra os povos indígenas, bem como o reconhecimento de seus direitos.

 

 

Discriminação significa literalmente tratar alguém de uma forma diferente. Pode ser definido como um comportamento manifesto, que se exprime através da adoção de padrões de preferência em relação aos membros do próprio grupo e/ou de rejeição em relação aos membros dos grupos externos (Pereira 2002, p. 110).

 

A partir deste conceito, verifica-se que ao ignorar e trabalhar de forma inadequada as nações indígenas, os professores estão excluindo e rejeitando estes povos, sendo uma forma de discriminação. Os alunos, por sua vez, aprendem de maneira equivocada a história indígena, contribuindo para o processo discriminatório.

 

HISTÓRIA INDÍGENA E HISTORIOGRAFIA

A história tem dialogado com a antropologia e o resultado dessa interlocução tem contribuído para o estudo da temática indígena, permitindo a produção e acumulação de um conhecimento considerável sobre estas sociedades. Este conhecimento, por vezes, ainda está restrito à academia e aos especialistas, não alcançando a grande parcela da sociedade e, principalmente, os alunos da educação básica.

A tese de extinção dos grupos indígenas, sustentada por diversas correntes a partir do final do século XIX e reforçada no paradigma evolucionista, na qual, a fragilidade destes homens primitivos diante do homem civilizado, os levaria ao desaparecimento, parece encontrar força e adeptos. Conforme previsto em 1832, "já visível o gérmen do desaparecimento rápido" (MARTIUS, Apud GRUPIONI & SILVA, 2004, p. 222). Até pouco tempo atrás, esta visão prevalecia entre antropólogos e historiadores que buscavam atribuir um significado à história das populações indígenas, e encaravam com pessimismo o seu futuro.

O suporte teórico para sustentar a hipótese de que os índios deixariam de existir, se baseava na imposição de sistemas de trabalho que desagregava as comunidades, na assimilação forçada, na descaracterização étnica e em extermínio físico, assim expresso:

Prevê-se uma redução progressiva da população indígena, à medida que os diversos grupos passem da condição de isolamento à de integração [...]. Contudo, as culturas indígenas, somente podendo sobreviver autônoma nas áreas inexploradas ou de penetração recente e fraca ou nas condições artificiais da intervenção protecionista, constituem obsolescências

Conforme Ribeiro previa em sua citação, a população indígena se desintegrava à medida que a integração ocorria. A crítica é a utilização deste pressuposto, por parte de professores e historiadores, para não trabalhar e pesquisar sobre os índios contemporâneos, por ser uma minoria com o destino já previsto. Felizmente, nos últimos anos, o pressuposto de que os índios deixaram de existir, começou a ser revertido, "talvez pela primeira vez na história do Brasil, paira uma certa nuvem de otimismo no horizonte do futuro dos índios" (GRUPIONI & SILVA, 2004 p. 223). A população indígena que estava em declínio desde o séculoXVI parece ter se estabilizado, e tem mostrado, inclusive, uma tendência de aumento. "Apesar de tudo, a população indígena vem crescendo nos últimos anos. Com isso, a participação das crianças nas sociedades em que vivem tem aumentado" (COTRIM & RODRIGUES, 2008, p.57).

destinadas a se descaracterizarem na medida em que a sociedade nacional cresça e ganhe homogeneidade de desenvolvimento (RIBEIRO, 1977, p. 445).

 

Atualmente existem missionários, principalmente na Amazônia, que dão assistência aos indígenas, mas sua atuação não se restringe à luta pelos direitos dos índios, mas também reorganizam as tribos, desmancham as malocas, constroem outras habitações e dividem as famílias indígenas, cada qual com sua família conjugal, além de construir igrejas para a sua orientação. Deste modo, esses missionários influenciam diretamente nestas sociedades: "Alegavam que a maloca, desprovida de janelas e permanentemente cheia de fumaça era um matadouro de índios; que a promiscuidade de tanta gente de sexo e idade diversa contrariava a moral cristã" (Ribeiro, 1977, p. 34). Assim comoos jesuítas, estes missionários possuem o intuito de civilizar e converter os índios, interferindo diretamente na sua cultura. Este olhar atualizado sobre a questão indígena é o que falta nas escolas, saber como vivem estas populações e seus principais problemas.

 

A formação brasileira é sempre lembrada como uma miscigenação do negro, do índio e do branco, mas apesar disto, parece prevalecer a ideia de que o elemento lusitano foi o que moldou o brasileiro de hoje:

Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições,nossas ideias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra. Podemos construir obras excelentes, enriquecer nossa humanidade de aspectos novos e imprevistos, elevar à perfeição o tipo de civilização que representamos: o certo é que todo o fruto de nosso trabalho ou de nossa preguiça parece participar de um sistema de evolução próprio de outro clima e de outra paisagem. (HOLANDA. 2006, p. 31)

Conforme se verifica em Holanda, os elementos constituintes da nossa brasilidade teriam vindos de fora, ainda que reconheça a contribuição dos índios na nossa formação, esta cultura não é valorizada. A miscigenação seria mais por uma facilidade portuguesa a adaptar e se adaptar a novos costumes do que a uma mescla de culturas propriamente dita.

Nem o contato e a mistura com raças indígenas ou adventícias fizeram-nos tão diferentes dos nossos avós de além-mar como às vezes gostaríamos de sê-lo. No caso brasileiro, a verdade por menos sedutora que possa parecer a alguns dos nossos patriotas, é que ainda nos associa à península Ibérica, a Portugal especialmente, uma tradição longa e viva, bastante viva para nutrir, até hoje, uma alma comum, a despeito de tudo que nos separa. Podemos dizer que de lá nos veio a forma atual de nossa cultura; o resto foi matéria que se sujeitou mal ou bem a essa forma. (HOLANDA. 2006, p. 31).

De acordo com a citação, o elemento lusitano seria predominante nas raízes do Brasil. A seu ver, toda a associação se deu com o predomínio e precedência dos colonizadores portugueses, perspectiva que diminui a grande importância dos outros elementos étnico-culturais, dos índios e do escravo africano.

 

A classificação dos povos indígenas por estágio de cultura contribuiu para o processo discriminatório, e está relacionada à classificação em "marginais", "semi-marginais", "tribos" e "cacicados", dada no início do século XX pelo antropólogo Steward, Apud Fausto (2005, p. 11, 13 e 14):

Steward propôs classificá-las em quatro grandes tipos, hierarquizados em função do nível de complexidade [...]. No estrato inferior, temos os chamados povos marginais, com uma tecnologia de subsistência muito rudimentar e carecendo de instituições políticas. Seriam predominantemente caçadores-coletores marginais e nômades [...]. Acima dos marginais, teríamos as tribos da floresta tropical, semi-marginais. Estas viveriam em aldeias mais permanentes, porém dispersas no território. Congregariam um número maior de pessoas do que os bandos marginais, graças à agricultura de queima e coivara e à exploração de recursos aquáticos, mas careceriam de instituições propriamente políticas [...]. Um outro tipo de formação social , caracterizado por um desenvolvimento inicial de centralização política e religiosa, estratificação em classes e intensificação econômica […]. Por fim, no topo da classificação […], o império inca […]. Sistemas intensivos de produção agrícola, criação extensiva de animais, aparelho estatal desenvolvido com formas sofisticadas de administração pública e extração de tributos.

Segundo esta ideia, os "marginais", "semi-marginais" e "tribos", por viverem na floresta, estavam associados negativamente a uma cultura inferior, enquanto nas terras altas (Peru – império inca) teriam se desenvolvido o cacicado, a cultura e o Estado. Esta concepção de evolução, onde a cultura passava por estágios, foi criticada por Boas Apud Silva & Silva (2010, p. 85)"Toda cultura tem uma história própria que vai se desenvolver de forma particular, não podendo ser julgada a partir da história de outras culturas". Os índios eliminados fisicamente, "destinados ao extermínio", muitas vezes deixaram de ser vistos pela historiografia como sujeitos históricos.

O LIVRO DIDÁTICO E OS ÍNDIOS

 

A análise de alguns livros didáticos direcionados ao ensino fundamental permite considerações sobre como a temática indígena, a partir de como estas fontes são trabalhadas na sala de aula.A pesquisa se baseou em renomados autores de livros didáticos, tais como Cláudio Vicentino, Gilberto Cotrim, Mario Schmidt, entre outros, a escolha do recorte temporal é do período recente. As informações em geral não são suficientes e abarcam a história indígena quando esta se manifesta a partir da história europeia, aspectos culturais raramente são abordados. A análise por temas políticos, sociais e culturais, revela as principais abordagens encontradas nos materiais didáticos. A falta de organização política é o destaque mais comum bem como a ausência de autoridade, o cacique apesar de ser o chefe da tribo não mandava nos índios e tinha os mesmos direitos que os outros. As guerras entre as tribos e contra os europeus são sempre mencionadas. Nos aspectos sociais o destaque é para o modo de vida comunitário, e a grande quantidade de parentes que viviam na mesma maloca, moradia dos índios, e a prática da caça, da coleta e da pesca. Na questão cultural a ênfase é na antropofagia entre os tupis, e o fato de não dominarem a escrita. Estes elementos constroem os estereótipos do índio no Brasil.

 

O livro didático ocupa um espaço importante nas escolas e na formação básica dos alunos, e não raramente se constitui na única fonte de informação sobre os indígenas, tanto para os alunos quanto para os professores. Os livros didáticos têm o poder de fazer, como "num passe de mágica", aparecer e desaparecer a população indígena. Os índios aparecem no início da colonização, como se estivessem aqui desde os primórdios da humanidade, assim asociedade europeia é apresentada como sendo o ápice do desenvolvimento humano enquanto os índios (assim como os africanos) representam a comunidade primitiva.

No livro didático de história do autor Vicentino as informações sobre os indígenas são escassas, aparecendo em três abordagens específicas, escambo, padres Anchieta e Nóbrega e a confederação dos tamoios. Uma página seria suficiente para agregar estas informações. Não é abordada a cultura indígena, como viviam estas populações antes da chegada do colonizador. A ênfase dada pelo autor é mais nos aspectos políticos e administrativos dos portugueses. Desta forma o índio é mal trabalhado e é deixado no passado.

A separação dos povos indígenas por estágio de cultura é comum, bem como a sua comparação com os pré-colombianos que estavam no estágio mais alto de cultura, enquanto os indígenas brasileiros no estágio mais baixo.

 

Você também descobriu que a evolução não aconteceu de igual forma para todos os índios; descobriu ainda que os índios se reuniam em tribos, conforme a sua evolução [...], algumas nações viviam em avançado estágio de cultura, os astecas, os maias e os incas [...], outros índios viviam de maneira muito simples, da coleta, da caça e da pesca (DANTAS, 1988, p. 22 e 23).

 

Com a chegada dos europeus, os índios cordiais e amigáveis, carregam o pau-brasil e trocam a sua mão de obra por "bugigangas", como se vê neste exemplo:

 

Os comerciantes portugueses convenceram os índios a ajudá-los na construção de feitorias, em troca de bugigangas (espelhos, miçangas, facas e machados), e também a cortar as árvores e transportar os pesados troncos até as feitorias (CARMO & COUTO, 1997, p. 48).

O índio é apresentado como ignorante, e não se trabalha com a perspectiva de queas ferramentas dos brancos os ajudavam em seu trabalho diário e por serem objetos que os índios não produziam, lhes eram de grande valor.O próprio valor atribuído aos bens materiaisdepende de cada cultura.

O bom selvagem, no entanto, se revolta e vira o traidor, é o caso dos índios Tamoios que se aliam aos franceses e promovem ataques aos colonos. O brasileiro é o português neste momento, os franceses são os estrangeiros e os índios os aliados; ora do estrangeiro, ora do brasileiro:

 

Com o pau-brasil começou a exploração do trabalho indígena pelos europeus (portugueses e franceses). Para os índios, não havia diferença entre uns e outros; por isso, algumas tribos negociavam com os portugueses, enquanto outras trabalhavam para os franceses (CARMO & COUTO, 1997, p. 49).

 

Os indígenasfaziam alianças com os portugueses ou com os franceses, conforme o tratamento recebido e as vantagens que poderiam tirar com tais parcerias, inclusive, na luta contra tribos inimigas. A ideia de que os portugueses eram os brasileiros e os indígenas uma população de nativos que foi dizimada é comum: "Desejosos de obter os instrumentos que lhes eram muito úteis, os nativos se antecipavam à chegada dos brasileiros, abatendo centenas de árvores" (RODRIGUES, 2001, p. 140).

 

 

Em seguida, a figura do índio aparece ligada aos bandeirantes, que começam a escravizá-los. Com a chegada dos jesuítas, o índio passou a ser "civilizado", começou a usar roupas, para esconder a nudez, e foi "catequizado". Os padres Anchieta e Nóbrega são enaltecidos porque lutaram contra a escravidão indígena e trouxeram-lhes a fé cristã. "Surgiram sacerdotes católicos que a tudo enfrentaram para defender os povos indígenas" (SCHMIDT, p. 32). No livro didático, depois da catequese os índios são dizimados e somem. O índio é trabalhado no passado, assim os alunos não são preparados para entender a questão indígena no presente e no futuro. Eles possuem a imagem do índio que vive na oca, pinta o rosto, anda nu e se enfeita com penas, genérico e estereotipado, vivendo de forma primitiva.

 

A Lei n° 11.645/08 procura modificar este quadro, a referida Lei é uma importante iniciativa, pois coloca a questão indígena em pauta, entretanto, é necessário um trabalho mais amplo junto aos professores, a fim de oportunizar recursos para que possam se atualizar e, assim, trazer para a sala de aula a temática indígena de forma adequada. A boa notícia é que os livros didáticos mais atuais, especificamente após a Lei, já trazem maiores informações sobre os índios, abordando-os de maneira mais apropriada e trazendo um panorama das populações atuais. O mesmo autor que trabalhou de forma deficiente em materiais didáticos mais antigos mostra uma visão coerente e trabalha adequadamente a temática em livros atuais, "A igreja contribuiu para a destruição das culturas indígenas. Mas elas não desapareceram totalmente. De certo modo estas culturas se fundiram com as europeias para forjar o que é a América Latina hoje" (SCHMIDT, 2008, p. 144). Ainda Schmidt (2008, p. 154) traz também o conceito de etnocentrismo: "Quando considerarmos que os valores de nossa cultura, criados por nossa sociedade, são "verdades absolutas" e que todas as outras culturas diferentes são "inferiores, bárbaros e atrasados", nós estamos sendo etnocentricos".

POSSIBILIDADES DE TRABALHAR A TEMÁTICA INDÍGENA EM SALA DE AULA

 

 

O despreparo dos professores ao lidar com a temática indígena na sala de aula é comum, sem ter informações suficientes, preferem deixar o índio no passado, lá na colonização ou então parado no tempo e no espaço, trazem o índio atual como o mesmo de 1500. Para os alunos, índio é aquele que vive na aldeia e anda nu ou enfeitado, e aquele que seguidamente veem no centro da cidade, vestido e vendendo cestos ou aquele que vai à escola, não é índio de verdade. É necessário trabalhar com o conceito de cultura:

 

Todas as culturas têm uma estrutura própria, todas mudam, todas são dinâmicas. Não é possível falarmos de povos sem história, porque isso significaria a existência de uma cultura que não passou por transformações ao longo do tempo, algo que hoje é refutado (SILVA & SILVA, 2010, p.87).

Desta forma, cabe ressaltar aos alunos que as sociedades indígenas sofreram influências e também influenciaram outras culturas.

Tem uma data especial em que se trabalha a questão indígena, mais especificamente no ensino fundamental, o dia 19 de abril (Dia do índio), isso quando não é a única no ano. A atividade, geralmente, é pintar ou desenhar o índio, aquele genérico e estereotipado, ou então os alunos devem fazer uma comparação entre a sociedade indígena e a nossa, destacando o atraso e a sua primitividade, incentivando o etnocentrismo. Exemplifica-se tal assertiva. "Comente três diferenças entre a nossa sociedade e as sociedades indígenas" (Rodrigues p.139).

 

Trabalhar em sala de aula a cultura e buscar afirmar o lugar de sujeitos históricos dos povos indígenas são excelentes oportunidades para romper o etnocentrismo.

 

 

Etnocentrismo é uma visão do mundo fundamentada rigidamente nos valores e modelos de uma dada cultura; por ele, o indivíduo julga e atribui valor à cultura do outro a partir de sua própria cultura. Tal situação dá margem a vários equívocos e ao preconceito que leva o indivíduo a considerar sua cultura a melhor ou superior (Silva & Silva 2010, p.127).

 

Para trabalhar a temática indígena em sala de aula, primeiramente é fundamental que o professor procure se informar sobre o assunto, para despir os conceitos e preconceitos que os alunos trazem consigo. O objetivo principal deve ser o encaminhamento do aluno para a descoberta e reflexão a partir da sua própria capacidade, conforme explica Freire (2009, p. 47). "Saber ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção". O enfoque deste artigo é o ensino de história e cultura indígena no ensino fundamental, trazendo a necessidade de os professores enfatizarem a reflexão dos alunos, que possuem um conhecimento deturpado acerca do assunto, a fim de possibilitar uma visão ampla, atual, coerente e sem preconceitos. Através de conceitos fundamentais os alunos podem comparar os novos enfoques com o que conheciam pelo senso comum.

 

Para trabalhar com os indígenas contemporâneos, uma boa metodologia é utilizar matérias de jornais e revistas ou fazer uma pesquisa orientada na internet. Colocando o foco nas principais discussões acerca destas sociedades, como por exemplo: Reservas indígenas – os locais onde se encontram no Brasil, a invasão do garimpo, a discussão acerca da demarcação das terras, os missionários que agem nas aldeias sem o controle da FUNAI - enfim, existem inúmeras situações e circunstâncias que podem ser exploradas. Os professores devem propiciar aos alunos o conhecimento dos aspectos positivos e afirmativos desta população em relação à cultura nacional, fazendo associações às tradições indígenas usando como exemplos a música, a culinária, as artes plásticas entre outros. Com as crianças, pode-se trabalhar com cantigas de roda, com a pesquisa sobre nomes que são de raiz indígenas, e com a contação de histórias utilizando a visão de mundo dos indígenas, para explicar, por exemplo, a criação do mundo e as divindades cultuadas segundo estas crenças e destacando a sua relação com a natureza.

 

Vale ressaltar que a cultura indígena possui um universo de informações a ser estudado, competindo ao professor a sua realização, inserindo o conteúdo com outras matérias e não trabalhando como uma disciplina isolada. Associar a cultura indígena ao conteúdo que está sendo vivenciado pelos alunos, resulta em um rico processo de aprendizagem, proporcionando o contato com as tradições do país e, consequentemente, com a sua história.

CONSIDERAÇÕES FINAISA Lei n° 11.645/08 tende a beneficiar a formação curricular, visto que estabelece a criação de abordagens inovadoras em relação à história indígena nas escolas. Vale ressaltar que esta nova Lei oferece ao aluno a oportunidade de conhecer as matrizes culturais que fizeram parte da história do seu país, pois a abordagem até então realizada nas escolas estava voltada para a história europeia, e o índio aparecia como coadjuvante e não como sujeito histórico. Tornou-se obrigatório o ensino da cultura indígena na escola, mas a expectativa de que o Ministério da Educação (MEC) lançasse subsídios que facilitassem o trabalho dos professores não aconteceu, então é de suma importância que os professores busquem meios de atualização sobre a cultura e história indígena, desenvolvendo um competente e gratificante trabalho com os seus alunos.

 

A imagem que o livro didático faz do índio é aquela moldada pelos europeus, ignorando a produção intelectual recente que traz novas abordagens e concepções. A homogeneização do índio é algo que deve ser rompido, existem diferentes sociedades indígenas cada qual com a sua organização, com traços semelhantes e distintos entre si. A ideia que os alunos têm do povo indígena é aquela na qual o índio aparece nu, pintado, e vivendo em uma oca. Trabalhar a questão indígena na escola é oferecer ao aluno condições de conhecer e estar em contato com as tradições de seu país, buscando a sua valorização, promoção e preservação.

 

O PNLD considera importante a participação do professor e profissionais da educação no processo de escolha dos livros didáticos. Este processo de escolha deve ser realizado de forma transparente com vistas a assegurar ao aluno o acesso a um material didático de qualidade, que contribua para o seu pleno desenvolvimento e para o exercício da cidadania, considerando as diversidades sociais e culturais que caracterizam a sociedade brasileira. Esta escolha está sempre pautada nas políticas educacionais do Estado e dialoga com o contexto político, social e cultural. A história da cultura indígena não estava representada de forma adequada no material didático, porém, já é possível perceber mudanças que começam pela iniciativa do Governo Federal em valorizar e promover o ensino da história e da cultura indígena, incluindo como obrigatório no currículo escolar.

 

para romper o etnocentrismo.

 

Etnocentrismo é uma visão do mundo fundamentada rigidamente nos valores e modelos de uma dada cultura; por ele, o indivíduo julga e atribui valor à cultura do outro a partir de sua própria cultura. Tal situação dá margem a vários equívocos e ao preconceito que leva o indivíduo a considerar sua cultura a melhor ou superior (Silva & Silva 2010, p.127).

 

Para trabalhar a temática indígena em sala de aula, primeiramente é fundamental que o professor procure se informar sobre o assunto, para despir os conceitos e preconceitos que os alunos trazem consigo. O objetivo principal deve ser o encaminhamento do aluno para a descoberta e reflexão a partir da sua própria capacidade, conforme explica Freire (2009, p. 47). "Saber ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção". O enfoque deste artigo é o ensino de história e cultura indígena no ensino fundamental, trazendo a necessidade de os professores enfatizarem a reflexão dos alunos, que possuem um conhecimento deturpado acerca do assunto, a fim de possibilitar uma visão ampla, atual, coerente e sem preconceitos. Através de conceitos fundamentais os alunos podem comparar os novos enfoques com o que conheciam pelo senso comum.

 

Para trabalhar com os indígenas contemporâneos, uma boa metodologia é utilizar matérias de jornais e revistas ou fazer uma pesquisa orientada na internet. Colocando o foco nas principais discussões acerca destas sociedades, como por exemplo: Reservas indígenas – os locais onde se encontram no Brasil, a invasão do garimpo, a discussão acerca da demarcação das terras, os missionários que agem nas aldeias sem o controle da FUNAI - enfim, existem inúmeras situações e circunstâncias que podem ser exploradas. Os professores devem propiciar aos alunos o conhecimento dos aspectos positivos e afirmativos desta população em relação à cultura nacional, fazendo associações às tradições indígenas usando como exemplos a música, a culinária, as artes plásticas entre outros. Com as crianças, pode-se trabalhar com cantigas de roda, com a pesquisa sobre nomes que são de raiz indígenas, e com a contação de histórias utilizando a visão de mundo dos indígenas, para explicar, por exemplo, a criação do mundo e as divindades cultuadas segundo estas crenças e destacando a sua relação com a natureza.

 

Vale ressaltar que a cultura indígena possui um universo de informações a ser estudado, competindo ao professor a sua realização, inserindo o conteúdo com outras matérias e não trabalhando como uma disciplina isolada. Associar a cultura indígena ao conteúdo que está sendo vivenciado pelos alunos, resulta em um rico processo de aprendizagem, proporcionando o contato com as tradições do país e, consequentemente, com a sua história.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Lei n° 11.645/08 tende a beneficiar a formação curricular, visto que estabelece a criação de abordagens inovadoras em relação à história indígena nas escolas. Vale ressaltar que esta nova Lei oferece ao aluno a oportunidade de conhecer as matrizes culturais que fizeram parte da história do seu país, pois a abordagem até então realizada nas escolas estava voltada para a história europeia, e o índio aparecia como coadjuvante e não como sujeito histórico. Tornou-se obrigatório o ensino da cultura indígena na escola, mas a expectativa de que o Ministério da Educação (MEC) lançasse subsídios que facilitassem o trabalho dos professores não aconteceu, então é de suma importância que os professores busquem meios de atualização sobre a cultura e história indígena, desenvolvendo um competente e gratificante trabalho com os seus alunos.

 

A imagem que o livro didático faz do índio é aquela moldada pelos europeus, ignorando a produção intelectual recente que traz novas abordagens e concepções. A homogeneização do índio é algo que deve ser rompido, existem diferentes sociedades indígenas cada qual com a sua organização, com traços semelhantes e distintos entre si. A ideia que os alunos têm do povo indígena é aquela na qual o índio aparece nu, pintado, e vivendo em uma oca. Trabalhar a questão indígena na escola é oferecer ao aluno condições de conhecer e estar em contato com as tradições de seu país, buscando a sua valorização, promoção e preservação.

 

O PNLD considera importante a participação do professor e profissionais da educação no processo de escolha dos livros didáticos. Este processo de escolha deve ser realizado de forma transparente com vistas a assegurar ao aluno o acesso a um material didático de qualidade, que contribua para o seu pleno desenvolvimento e para o exercício da cidadania, considerando as diversidades sociais e culturais que caracterizam a sociedade brasileira. Esta escolha está sempre pautada nas políticas educacionais do Estado e dialoga com o contexto político, social e cultural. A história da cultura indígena não estava representada de forma adequada no material didático, porém, já é possível perceber mudanças que começam pela iniciativa do Governo Federal em valorizar e promover o ensino da história e da cultura indígena, incluindo como obrigatório no currículo escolar.

 

REFERÊNCIAS

 

 

CARMO, Sonia Irene do & COUTO, Eliane. História do Brasil – 1º grau. vol.1. São Paulo: Moderna, 1997.

 

COTRIM, Gilberto; RODRIGUES, Jaime. Saber e Fazer História - 7º ano. São Paulo: Saraiva, 2008.

 

DANTAS, José. História do Brasil – Dos habitantes primitivos à Independência - 1º grau. vol. 1. São Paulo: Moderna, 1988.

 

FAUSTO, Carlos. Os índios antes do Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar , 2005.

 

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 29ª Ed. São Paulo: Paz e Terra, 2009.

 

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26ª Ed. São Paulo: Universidade de Brasília, 2006.

 

PEREIRA, Marcos E.Psicologia Social dos Estereótipos. São Paulo: EPU, 2002.

 

RIBEIRO, Darcy. Os índios e a civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno. Rio de Janeiro: Vozes, 1982.

RODRIGUE, Joelza Ester. História em documento – 6ª série – São Paulo: FTD, S/D.

 

SCHMIDT, Mario Furley. Nova história crítica da América. São Paulo: Nova geração, S/D.

 

_______________ Nova história crítica

– 6ª série. São Paulo: Nova geração, 2008.

 

SILVA, Aracy Lopes; GRUPIONI, Luís Donisete Benzi. A Temática indígena na escola – novos subsídios para professores de 1º e 2º graus. São Paulo: Global, 2004.

SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de Conceitos Históricos. 3ª Ed. São Paulo: Contexto, 2010.

 

VICENTINO, Claudio. Projeto - História - 6ªsérie. São Paulo: Scipione, 2006

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/a-cultura-indigena-a-partir-dos-livros-didaticos-no-ensino-de-historia-4581589.html

    Palavras-chave do artigo:

    ensino os indios no livro didatico historia indigena historia

    Comentar sobre o artigo

    Wilian Junior

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    A atual política educacional brasileira orienta em superar o preconceito, a discriminação e o racismo que ainda imperam nas instituições de ensino. Dessa forma, as Leis 10.639/03 e 11.645/08 que incluem o ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Indígena propõem que se acabe com os estigmas que negros e indígenas ainda sofrem. Dessa forma, se pretende, através desse artigo, refletir sobre as imagens dos negros contidos nos livros didáticos e paradidáticos.

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    marlucia pontes gomes de jesus

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    DANIELY MARIA OLIVEIRA BARBOZA

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    Por: DANIELY MARIA OLIVEIRA BARBOZAl Educação> Ensino Superiorl 30/11/2013 lAcessos: 64
    Soraya Mendonça

    LDB PASSO A PASSO – 3ª EDIÇÃO ATUALIZADA ATUALIZAÇÕES ATÉ 31/AGOSTO/2009 Legislação e Comentários Nota da Editora: Os acréscimos de texto no livro em relação à 3ª edição atualizada estão grafados aqui em vermelho, respeitando a ordem cronológica de publicação das leis. PÁG. 86: LEI Nº 11.525 DE 25 DE SETEMBRO DE 2007 Acrescenta § [...]

    Por: Soraya Mendonçal Educação> Educação Infantill 23/02/2011 lAcessos: 10,644 lComentário: 1
    Bruno Santos Teodoro

    A presente obra vai analisar a aplicação da Lei 11.645/08, que institui o ensino de Historia e Cultura Africana, Afro-brasileira e o ensino de Historia e Cultura Indígena nas escolas de Ensino Fundamental e Médio, alterando a Lei 9.394/96 e tem como principal objetivo promover uma educação que conhece e valoriza a diversidade, na escola que constitui um espaço privilegiado para a aquisição do conhecimento, o desenvolvimento do cidadão e a sua inserção na sociedade.

    Por: Bruno Santos Teodorol Educação> Ensino Superiorl 27/02/2011 lAcessos: 825

    RESUMO O artigo aqui apresentado tem como objetivo, descrever, relatar, discutir a importância das lutas como forma pedagógica possível na cultura e na formação social de estudantes. Identificamos que as lutas se fazem presente e pode se manifesta de varias formas: o ato de se sentir oprimido, acuado, fome, injustiçado, sosobrevivência, defesa, conquista. Mudanças se fazem através de elaboração de metodologias inovadoras, pois a pratica das lutas atua como válvula de escape.

    Por: jose pinto da silval Educação> Educação Infantill 08/04/2010 lAcessos: 607

    A escola para a maioria das crianças brasileiras é o único espaço de acesso aos conhecimentos universais e sistematizados, e as crianças que durante sua vida escolar esporádica ou mais frequentemente os assim chamados, crianças com "distúrbios de aprendizagem" ou "problemas de aprendizagem" ou dificuldade de aprendizagem", quando não adequadamente tratados esses distúrbios, com certeza podem aumentar e se ampliar de tal forma que chegam a provocar acentuado insucesso escolar.

    Por: Cátia Martins Bernardes Lenzil Educação> Ensino Superiorl 27/10/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Resultado direto da Revolução Comercial, do mesmo modo, produto da ideologia política renascentista e posteriormente, da Filosofia iluminista.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 27/10/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Exemplo da Inglaterra. O Parlamento resultou. De uma conciliação dos poderes. Entre a nobreza e a burguesia. Sendo que Coroa reina. Mas apenas a burguesia governa.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 23/10/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    O seguinte motivo: não era nacionalista, Jesus defendia o domínio romano sobre os judeus, justificando que o povo pagasse imposto a Roma. Barrabás fora colocado em liberdade, pois defendia a luta armada para Israel libertar-se do domínio romano.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 22/10/2014

    Este artigo trata da importância da postura do professor universitário no desenvolvimento do aluno e como uma Filosofia Confessional influencia neste propósito. Para isso verificamos o papel das Instituições confessionais protestantes no processo da Educação Universitária do país. Para melhor conhecimento foi realizada uma pesquisa exploratória em forma de entrevista com alunos de uma Instituição confessional Protestante com o objetivo de saber qual a relação que eles têm com seus professores.

    Por: JACKSON ROBERTO DE ANDRADEl Educação> Ensino Superiorl 22/10/2014

    RESUMO Uma só palavra ou teoria não seria capaz de abarcar todos os processos e experiências históricas que marcaram a formação do povo brasileiro. Marcados pelas contradições do conflito e da convivência, constituímos uma nação com traços singulares que ainda se mostram vivos no cotidiano dos vários tipos de "brasileiros" que reconhecemos nesse território de dimensões continentais. A primeira marcante mistura aconteceu no momento em que as populações indígenas da região entraram em

    Por: Joiciane de Sousa Santosl Educação> Ensino Superiorl 21/10/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Dado ao caráter emergencial da fome generalizada, povos africanos têm que se alimentar de animais portadores de tais vírus, que são mortais ao organismo humano, como cobras, ratos, morcegos e o chimpanzé.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 20/10/2014 lAcessos: 15
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Motivado pelo conflito contra os ingleses com objetivo de controlar o norte da França, o referido monarca, formou um grande exercito, sustentados por impostos cobrados no território nacional.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 20/10/2014
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