A Dialética na Educação: o que é? Como se faz

Publicado em: 22/04/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 4,127 |

A Dialética na Educação: o que é? Como se faz.

Jorge Rocha Gonçalves

j.rocha60@yahoo.com.br

 

Resumo: como a utilização da dialética pode ajudar o relacionamento na sala de aula e a qualidade do ensino e aprendizagem pela participação.

Palavras chaves: analise síntese, dialética

Na Grécia antiga e nos principais discursos contra a abolição da escravatura no teatro Santa Izabel e no auditório da Faculdade de Direito do Recife, oradores abolicionista e a favor da República, como Castro Alves, Frei Canecas, Joaquin Nabuco e outros, faziam verdadeiros concursos de oratória em defesa dos direitos das minorias pretas, que era a maioria da população no Brasil.

A principal especificidade dessas retóricas foi à utilização da dialética como expressão majoritária nas falas marcantes desses sábios oradores.

A dialética é uma expressão de origem Grega, composta de dois eixos temáticos determinantes; a análise e a síntese.

O discurso pode encobrir varias vertentes do pensamento e sensibilizar todos que ouve, quando se é um grande orador, mais as contradições entre o fazer e o ser, estes, não esconde, pois são testemunhos, entra aqui a análise, descobrindo as contradições.

O aparecimento da síntese ocorre, quando se quer encobrir as contradições da análise no discurso, então se torna falsa principalmente a voz, escondendo o discurso verdadeiro, ou o sentimento real de quem estar falando. Neste momento, o mais hábil dos oradores, fala uma frase verdadeira para encobrir as contradições e inibir a análise.

A escola socrática formou grandes oradores dialéticos que surgem nas ciências sociais e nas ciências humanas, desde quando se utilizou a duvida para entendimento dos fatos e inibir a análise dos discursos.

Os Socráticos, para se destacar dos oradores que provocaram a duvida para fugir da análise e da síntese, utilizaram um artifício ate hoje praticado principalmente pelos pesquisadores e políticos, então a provocação tornou-se o maior meio para descobrir a verdade e desqualificar o outro em seu discurso na política partidária.

Antes de CRISTO, portanto, bem antes de Sócrates, o livro do TAO, escrito por Lao Tsé, já fazia demonstração claras da dialética em seus escritos, quando se utilizou da contradição na obtenção de uma resposta.

A identificação da dialética como ciência do conhecimento veio por Zenão de Eléia, (495 a 430, a.c), quando se utilizou de parodoxicos para formular suas teorias.

O paradoxo compreende-se por uma expressão verdadeira em sua aparência, levando sempre a uma contradição, muito comum nos inquéritos policiais, ou nas pesquisas para buscar uma verdade ou resposta.

O paradoxo caracteriza-se, por alguém pensar que o visto ou ouvido, possa ser a verdade, nos progresso da situação apresentada, ou mesmo na utilização das ciências, o paradoxo será identificação em suas contradições.

Nos debates sobre a ética, deslumbramos o papel do paradoxo, tanto na paradoxia, como na heterodoxia.

Uma das celebres frases, ditas por Heráclito de efésio, Socrático, tornou-se jargão popular, quem já não falou que "não se toma banho no mesmo rio duas vezes, pois na segunda vez, o rio não é o mesmo".

Encontramos nesta afirmativa filosófica de Heráclito tanto a paradoxia, como a heterodoxia, pois demonstra a ação e o efeito dessa ação, o resultado dos contrários, entre o sujeito praticante da ação e o objeto, recebedor da ação, que se torna novo a cada acão recebida.

Encontramos nesta expressão de Heráclito, grandes temas para discussão sobre a dialética, no ensino e na vida.

A expressão da origem ao fazer uso da dialética, quando se explica o movimento, as transformações e as interações entre as coisas, nada é isolado, todas as coisas se interligam.

A oposição da dialética quanto a sua prática, é a metafísica, "onde o mundo é um aglomerado de coisas, a ser desembaraçada", para o entendimento.

Platão definia a dialética, como um método de educação racional das idéias, onde as idéias passam a ter uma multiplicidade para a unidade, no qual duas ou mais pessoas atuam na busca do saber, para obtenção de perguntas e respostas.

"Max chama Aristóteles do ‘maior pensador da antotguidade", quando colocou a dialética como auxiliar da filosofia, reduzindo-a a uma atividade critica desconfigurando-a como um método para se chegar à realidade.

Para Aristóteles, a "dialética era a lógica do provável", aonde não conduzia ao conhecimento, mais a uma possibilidade de um objeto.

No terceiro século depois de CRISTO, o Platonismo reaparece em torno dos pensamentos sobre a dialética. Neste contexto, Plotino, autor das Eneadas, (205 – 270), volta a defender a dialética como parte da filosofia e não como um método.

Na idade média, os oradores fortalecem a dialética como um método através da retórica e da gramática, no qual discerniam o verdadeiro do falso, principalmente, nas interpretações no teatro e do pensamento liberal iniciando seu surgimento.

A influência da igreja neste período, colocando a filosofia como dependente da teologia, não aceitaram a dialética, pois afirmavam os religiosos, esta se contraponha a ordem divina.

A metafísica prevalece, pois atende aos interesses dos dominantes do período que buscavam inibir a evolução social através do radicalismo moral e pelas instituições subordinadas em nome de DEUS.

Na idade moderna, julga-se a dialética inútil, devido à lógica estabelecida por Aristóteles, onde seus julgadores, considerava a dialética como "aparência da lógica".

Descartes e Kant defendiam esse silogismo dialético, que Descartes no "Discurso do Método", redireciona a dialética propondo regras para analise do discurso e a utilização da síntese, na comparação no exposto pela linguagem.

Max, também, expõe a dialética como método ao propor um modelo para pesquisa e como expor os resultados da pesquisa.

Rousseau retorna a dialética para o condicionamento social dos indivíduos, existente desde Platão.

Hegel retorna a dialética ao âmbito da filosofia através da aplicação cientifica no conhecimento, introduzindo o uso da razão na analise dos fatos, afirmando que a razão é a "própria realidade" a ser entendida, de onde sai do abstrato e chega a ordem do todo.

Feuerbach, a dialética, toma nova direção ao afirmar que o homem projeta um "sonho no céu de justiça que não pode fazer na terra".

Portanto, a análise do mundo e sua contextualização encontram na dialética seu forte aliado para fundamentação dos conteúdos a serem aplicados na sala de aula.

 

 

Referenciais

GADOTTI, Moacir. Concepção Dialética da Educação. 15 ed. São Paulo. Cortez. 2006.

FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. Rio de janeiro. Paz e terra. 1975

FREIRE. Paulo. Ação Cultural para a Liberdade: outros escritos. Rio de janeiro. Paz e terra. 1976.

 

 

Avaliar artigo
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 2 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/a-dialetica-na-educacao-o-que-e-como-se-faz-2208058.html

    Palavras-chave do artigo:

    analise sintese

    ,

    dialetica

    Comentar sobre o artigo

    Edjar Dias de Vasconcelos

    A mente humana funciona por essa mecanicidade. A maioria dos códigos de memória são resultados de equívocos e de ideologias não correspondentes ao mundo da representação, entre sujeito e objeto, como produções culturais.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 22/12/2014 lAcessos: 20
    Gerson Nei Lemos Schulz

    O artigo discute o que é dialética e suas aplicações à educação, à filosofia e à forma de construir o raciocícnio em geral.

    Por: Gerson Nei Lemos Schulzl Educaçãol 04/03/2011 lAcessos: 490
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Depois de Hegel surge o seu principal reformulador da dialética, Karl Marx que procurou inverter a lógica da aplicação ao entendimento da realidade, na inversão da lógica idealista de Hegel.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educaçãol 05/05/2013 lAcessos: 27
    Elizeu Vieira Moreira

    Os estudiosos sabem que existem duas concepções de fazer ou produzir ciência, duas visões de mundo, duas visões de homem e duas visões de sociedade e, por conseguinte, duas concepções epistemológicas: a METAFÍSICA e a DIALÉTICA. A metafísica é uma concepção acrítica ou crítica produtivista porque está comprometida com a conservação e a manutenção do status quo.

    Por: Elizeu Vieira Moreiral Educação> Ciêncial 27/12/2011 lAcessos: 188
    Edjar Dias de Vasconcelos

    A palavra dialética vem do grego, cujo significado etimológico, dialektike, que significa o fundamento da argumentação, coerência de discurso, na análise de qualquer fato, seja qual for a sua natureza. Platão foi o primeiro filósofo a desenvolver o conceito da palavra dialética, para ele a dialética significa conceito através do qual a alma se eleva por etapas a um processo superior na superação do mundo das aparências sensíveis, isso é ao mundo prático da empiricidade.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 26/02/2014 lAcessos: 84
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Todos nós em algum momento perguntamos o que é a verdade, resposta difícil, porque a verdade precisa necessariamente ser objetiva, para ter fundamento é necessário ser universal, o que não pode ser é uma hipóstase metafísica, mesmo que todos não acreditem na universalidade de um fato como verdadeiro.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 04/12/2012 lAcessos: 11
    Marcelo Gomes González

    O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil é um documento que equivale aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), já que foi criado pelo MEC em 1998. No entanto, há um debate ferrenho entre as grandes esferas da administração é o fato desse nível de ensino compor a Educação Básica, mas ser posta de forma facultada, fazendo com que, muita das vezes, não seja cursada pela criança, que fica com um ensino deficitário na base do conhecimento.

    Por: Marcelo Gomes Gonzálezl Educação> Educação Infantill 17/10/2012 lAcessos: 702
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Para ele a teoria do conhecimento, ou seja, aplicação do racionalismo cartesiano tinha a seguinte finalidade, dar forma ao conhecimento por intermédio da experiência, desenvolvendo o uso prático observacional de um objeto em forma de estudo.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 28/10/2012 lAcessos: 52
    Elizeu Vieira Moreira

    Reflete sobre o fazer pedagógico, o método e a metodologia circunscritos no conjunto das demais questões sociais que fazem parte do contexto sócio-cultural-econômico propugnado pelo capitalismo globalitarizado e neoliberalizado. Analisa os efeitos que o modelo racionalista de qualidade (e eficiência) da educação propugnado pelo Banco Mundial (apoiado pela UNICEF, UNESCO, PNUD) teve sobre o fazer pedagógico, o método e a metodologia...

    Por: Elizeu Vieira Moreiral Educação> Ciêncial 02/07/2011 lAcessos: 731
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Trata-se de uma prática política cruel resultada de regimes políticos de exceção. O cidadão por motivos ideológicos era preso, as vezes transformado em mão de obra escrava, ou simplesmente exterminado.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 03/03/2015
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Maior filósofo Iluminista. Despertou se do seu nono dogmático. Influenciado profundamente por Hume. Formulou a sua base epistemológica. Da Construção do seu pensamento crítico. Sustentado em teses fundamentais. O que se pode compreender. O que deve ser feito. O que é permitido na compreensão das coisas.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 28/02/2015

    Veja como obter log juro composto um método diferente de encontrá-lo,e citações de artigos...

    Por: Edvaldo morais dos santosl Educação> Ensino Superiorl 25/02/2015

    Um das maiores frustrações dos jovens que procuram o primeiro emprego é a condição imposta por muitas empresas de que já tenham exercido a função a que se candidatam, ou alguma semelhante. Isso depõe contra as próprias empresas, como se pretendessem que seus contratados já tivessem sido "treinados" pelo concorrente, já tivessem cometido os erros naturais do aprendizado em outro lugar, e chegassem preparados para desempenhar como autênticos campeões.

    Por: Julia Nascimentol Educação> Ensino Superiorl 25/02/2015
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Apenas cinco milhões de anos. Inexaurivelmente. O suficiente. O universo ficará escuro. O infinito transformará. Em um grande deserto. Frio e árido. Latíbulo.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 24/02/2015

    As tecnologias digitais da informação revolucionaram (e continuam revolucionando) as profissões da comunicação. Ainda que exista uma base teórico-reflexiva que permaneça estável e indispensável, há nova prática e novo saber profissional que, assim como as transformações tecnológicas, mudam continuamente e trazem desafios complexos para a universidade e para o ensino.

    Por: Central Pressl Educação> Ensino Superiorl 23/02/2015
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Somente a Filosofia dá direito ao cidadão ser realmente crítico. Qualquer disciplina, sobretudo, na área do espírito, não poderá ser crítica sem a Filosofia, como instrumento de análise epistemológica. No entanto, a Filosofia é uma disciplina extremamente difícil, complexa e diversa, aplicada em campos variados com fundamentos diferenciados.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 22/02/2015
    Genilda Vieira Rodrigues

    Este artigo trata-se de um estudo bibliográfico, cujo objetivo foi desvelar a ação supervisora frente a situação indisciplinar discente; considerando aspectos condizentes a função do psicopedagogo na história brasileira, tendo em vista o seu papel de controlar e fiscalizador, como também de cunho participativo; comprometido com o processo de ensinar e aprender, com observância da coerência/incoerência entre as funções atribuídas a este profissional, e a que ele deve realmente desempenhar e sua i

    Por: Genilda Vieira Rodriguesl Educação> Ensino Superiorl 21/02/2015

    o presente trabalho possui como condição básica a obtenção de novos olhares na analise avaliativa e melhoria do desempenho. Será demonstrado como os recursos que são emitidos para o CEJA Valdemar de Oliveira são aplicados na garantia da qualidade do ensino e facilitando os trabalhos dos professores, alunos e gestão.

    Por: Jorge Rocha Gonçalvesl Educação> Ensino Superiorl 14/05/2014 lAcessos: 30

    presente trabalho possui como fonte de informações a pesquisa-ação, os resultados obtidos em 2013 na escola CEJA Valdemar de Oliveira, assim como, as possibilidades de mudanças aplicadas em 2014. A base de dados fundamenta-se na analise de aprovação e reprovação de 2013, bem como, as respostas dos professores e estudantes as perguntas realizadas. A coleta de dados se apresenta nas ideias de Souwey

    Por: Jorge Rocha Gonçalvesl Educação> Ensino Superiorl 18/04/2014 lAcessos: 24

    resenha escrita com a obtenção de demonstrar as atividades executa na escola em tempo de agora. Método usado, a observação em Suvey, de onde mostra-nos a importância da observação e analise do comportamento humano diante dos procedimentos executados por cada um deles

    Por: Jorge Rocha Gonçalvesl Educação> Ensino Superiorl 13/10/2013 lAcessos: 18

    resenha apresentado reflexões sobre as atuais reclamações sociais em um Brasil, voltados para grupos de interesses pessoais

    Por: Jorge Rocha Gonçalvesl Educação> Ensino Superiorl 26/06/2013 lAcessos: 35

    artigo sobre os procedimentos disponíveis pelos administradores públicos de educação, na efetivação de ações (dês) vinculadas a qualidade da escola através dos financiamentos escolares

    Por: Jorge Rocha Gonçalvesl Educação> Ensino Superiorl 26/06/2013 lAcessos: 14

    resenha derivada das observações realizadas nas unidades de ensino e seus ambientes em Recife, onde encontramos procedimentos concernentes ao (dês) andamento na escola nos aspectos administrativos e pedagógicos. Método de validação em Seauvy

    Por: Jorge Rocha Gonçalvesl Educaçãol 22/03/2013 lAcessos: 114

    resenha destinada a demonstração dos procedimentos utilizados para elevar o homem à categoria de humanizador

    Por: Jorge Rocha Gonçalvesl Educação> Ensino Superiorl 16/01/2013 lAcessos: 60

    apresentar os avanços da ciência e tecnologia em beneficio da aprendizagem e bem da escola de qualidade com a humanização do homem

    Por: Jorge Rocha Gonçalvesl Educação> Ensino Superiorl 05/10/2012 lAcessos: 147
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast