A Dialética na Educação: o que é? Como se faz

22/04/2010 • Por • 4,489 Acessos

A Dialética na Educação: o que é? Como se faz.

Jorge Rocha Gonçalves

j.rocha60@yahoo.com.br

 

Resumo: como a utilização da dialética pode ajudar o relacionamento na sala de aula e a qualidade do ensino e aprendizagem pela participação.

Palavras chaves: analise síntese, dialética

Na Grécia antiga e nos principais discursos contra a abolição da escravatura no teatro Santa Izabel e no auditório da Faculdade de Direito do Recife, oradores abolicionista e a favor da República, como Castro Alves, Frei Canecas, Joaquin Nabuco e outros, faziam verdadeiros concursos de oratória em defesa dos direitos das minorias pretas, que era a maioria da população no Brasil.

A principal especificidade dessas retóricas foi à utilização da dialética como expressão majoritária nas falas marcantes desses sábios oradores.

A dialética é uma expressão de origem Grega, composta de dois eixos temáticos determinantes; a análise e a síntese.

O discurso pode encobrir varias vertentes do pensamento e sensibilizar todos que ouve, quando se é um grande orador, mais as contradições entre o fazer e o ser, estes, não esconde, pois são testemunhos, entra aqui a análise, descobrindo as contradições.

O aparecimento da síntese ocorre, quando se quer encobrir as contradições da análise no discurso, então se torna falsa principalmente a voz, escondendo o discurso verdadeiro, ou o sentimento real de quem estar falando. Neste momento, o mais hábil dos oradores, fala uma frase verdadeira para encobrir as contradições e inibir a análise.

A escola socrática formou grandes oradores dialéticos que surgem nas ciências sociais e nas ciências humanas, desde quando se utilizou a duvida para entendimento dos fatos e inibir a análise dos discursos.

Os Socráticos, para se destacar dos oradores que provocaram a duvida para fugir da análise e da síntese, utilizaram um artifício ate hoje praticado principalmente pelos pesquisadores e políticos, então a provocação tornou-se o maior meio para descobrir a verdade e desqualificar o outro em seu discurso na política partidária.

Antes de CRISTO, portanto, bem antes de Sócrates, o livro do TAO, escrito por Lao Tsé, já fazia demonstração claras da dialética em seus escritos, quando se utilizou da contradição na obtenção de uma resposta.

A identificação da dialética como ciência do conhecimento veio por Zenão de Eléia, (495 a 430, a.c), quando se utilizou de parodoxicos para formular suas teorias.

O paradoxo compreende-se por uma expressão verdadeira em sua aparência, levando sempre a uma contradição, muito comum nos inquéritos policiais, ou nas pesquisas para buscar uma verdade ou resposta.

O paradoxo caracteriza-se, por alguém pensar que o visto ou ouvido, possa ser a verdade, nos progresso da situação apresentada, ou mesmo na utilização das ciências, o paradoxo será identificação em suas contradições.

Nos debates sobre a ética, deslumbramos o papel do paradoxo, tanto na paradoxia, como na heterodoxia.

Uma das celebres frases, ditas por Heráclito de efésio, Socrático, tornou-se jargão popular, quem já não falou que "não se toma banho no mesmo rio duas vezes, pois na segunda vez, o rio não é o mesmo".

Encontramos nesta afirmativa filosófica de Heráclito tanto a paradoxia, como a heterodoxia, pois demonstra a ação e o efeito dessa ação, o resultado dos contrários, entre o sujeito praticante da ação e o objeto, recebedor da ação, que se torna novo a cada acão recebida.

Encontramos nesta expressão de Heráclito, grandes temas para discussão sobre a dialética, no ensino e na vida.

A expressão da origem ao fazer uso da dialética, quando se explica o movimento, as transformações e as interações entre as coisas, nada é isolado, todas as coisas se interligam.

A oposição da dialética quanto a sua prática, é a metafísica, "onde o mundo é um aglomerado de coisas, a ser desembaraçada", para o entendimento.

Platão definia a dialética, como um método de educação racional das idéias, onde as idéias passam a ter uma multiplicidade para a unidade, no qual duas ou mais pessoas atuam na busca do saber, para obtenção de perguntas e respostas.

"Max chama Aristóteles do ‘maior pensador da antotguidade", quando colocou a dialética como auxiliar da filosofia, reduzindo-a a uma atividade critica desconfigurando-a como um método para se chegar à realidade.

Para Aristóteles, a "dialética era a lógica do provável", aonde não conduzia ao conhecimento, mais a uma possibilidade de um objeto.

No terceiro século depois de CRISTO, o Platonismo reaparece em torno dos pensamentos sobre a dialética. Neste contexto, Plotino, autor das Eneadas, (205 – 270), volta a defender a dialética como parte da filosofia e não como um método.

Na idade média, os oradores fortalecem a dialética como um método através da retórica e da gramática, no qual discerniam o verdadeiro do falso, principalmente, nas interpretações no teatro e do pensamento liberal iniciando seu surgimento.

A influência da igreja neste período, colocando a filosofia como dependente da teologia, não aceitaram a dialética, pois afirmavam os religiosos, esta se contraponha a ordem divina.

A metafísica prevalece, pois atende aos interesses dos dominantes do período que buscavam inibir a evolução social através do radicalismo moral e pelas instituições subordinadas em nome de DEUS.

Na idade moderna, julga-se a dialética inútil, devido à lógica estabelecida por Aristóteles, onde seus julgadores, considerava a dialética como "aparência da lógica".

Descartes e Kant defendiam esse silogismo dialético, que Descartes no "Discurso do Método", redireciona a dialética propondo regras para analise do discurso e a utilização da síntese, na comparação no exposto pela linguagem.

Max, também, expõe a dialética como método ao propor um modelo para pesquisa e como expor os resultados da pesquisa.

Rousseau retorna a dialética para o condicionamento social dos indivíduos, existente desde Platão.

Hegel retorna a dialética ao âmbito da filosofia através da aplicação cientifica no conhecimento, introduzindo o uso da razão na analise dos fatos, afirmando que a razão é a "própria realidade" a ser entendida, de onde sai do abstrato e chega a ordem do todo.

Feuerbach, a dialética, toma nova direção ao afirmar que o homem projeta um "sonho no céu de justiça que não pode fazer na terra".

Portanto, a análise do mundo e sua contextualização encontram na dialética seu forte aliado para fundamentação dos conteúdos a serem aplicados na sala de aula.

 

 

Referenciais

GADOTTI, Moacir. Concepção Dialética da Educação. 15 ed. São Paulo. Cortez. 2006.

FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. Rio de janeiro. Paz e terra. 1975

FREIRE. Paulo. Ação Cultural para a Liberdade: outros escritos. Rio de janeiro. Paz e terra. 1976.

 

 

Perfil do Autor

Jorge Rocha Gonçalves

Sou professor técnico da secretaria estadual de Educação de Pernambuco. se preparando para terminar o mestrado em Ciências da Educação e...