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A Dura Realidade Do Estudante Do Período Noturno
Por: Armando Terribili Filho  | Publicado em: 07-03-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 272 | Avaliação: (148) (?)
A rotina diária de levantar cedo, trabalhar o dia todo, enfrentar as dificuldades de trânsito e transporte é a realidade de dezenas de milhões de brasileiros. Entretanto, para 2,7 milhões, esta rotina é acrescida de atividades estudantis no período noturno, alimentação inadequada e um percurso de volta à residência marcado pela insegurança. Acresça-se ao cenário, reduzida quantidade de horas de sono, pouco lazer e a própria legislação trabalhista, que não oferece flexibilização de horário de trabalho para o estudante-trabalhador e não propicia benefício-alimentação adicional, para que o estudante possa se alimentar antes das aulas, uma vez que se locomovem diretamente do local de trabalho para a instituição. Esta foi a constatação de tese desenvolvida sobre o impacto do “entorno educacional” no cotidiano do estudante do ensino superior noturno, que pesquisou 340 estudantes da cidade de São Paulo e de duas do interior paulista, uma da região de Campinas e outra de Araçatuba.
O ensino superior noturno é recente no país, pois tem menos de 50 anos de existência, entretanto, tem alta representatividade numérica e mostra-se crescente (60% do total de matrículas do país, e 70% no Estado de São Paulo). O ensino noturno se transformou em instrumento de inclusão social, pois nele o jovem busca sua formação profissional, enquanto o trabalho remunerado durante o dia oferece-lhe subsídios financeiros para viabilizar os estudos.
Os pesquisados reclamam das aulas expositivas não-dialogadas, com baixa interatividade, pouca utilização de recursos tecnológicos que estimulem sua participação, causando desinteresse, apatia e sono.
Na Capital, o trânsito e o trabalho após o expediente normal de trabalho são fatores que causam atrasos, perda de aulas e provas. No interior do estado, o longo trajeto em estradas é um dificultador, pois, muitas vezes, o curso desejado não é oferecido na cidade do estudante. O que há em comum para os estudantes das cidades pesquisadas é a presença da violência após o encerramento das aulas, quando estes ficam expostos aos riscos da noite, período de maior índice de delitos.
Os pesquisados (86% são estudantes-trabalhadores) alegam que os atrasos na chegada à instituição os impedem de realizar pesquisas antes da aula, ou mesmo freqüentar bibliotecas, reduzem o convívio social e impedem que se alimentem. As dificuldades atingem de forma indiscriminada estudantes de todos os níveis socioeconômicos.
Passando ao largo pelo protecionismo ou assistencialismo, destaca-se que a instituição de ensino e o “extramuros” não reconhecem essas dificuldades. A instituição deveria disponibilizar infra-estrutura (biblioteca, secretaria, laboratórios) em horário pós-aulas, deveria ter seu projeto pedagógico compatível com a realidade do aluno do noturno, oferecer recursos tecnológicos e capacitação ao corpo docente, possibilitando o desenvolvimento de conteúdos atualizados, além de buscar integração com empresas de transportes para compatibilizar horários e demandas. Nessa mesma linha, as prefeituras deveriam criar e manter faixas de travessia de pedestres, iluminar as áreas próximas às instituições, organizar o fluxo de veículos na chegada e saída dos estudantes. Já a Secretaria de Segurança Pública poderia ter um contingente repressivo maior no período noturno entre dez horas e meia-noite, horário de maior circulação de estudantes, e também, estender a realização de rondas escolares para as instituições de ensino superior. Adicionalmente, os empresários, em meses letivos, poderiam flexibilizar o horário de trabalho e ampliar o valor do benefício-alimentação para tais estudantes.
Muito se fala sobre a importância da Educação na formação de um país, de seu povo, e sobretudo, das conseqüências da melhoria da qualidade de vida. Na atualidade, falar em Educação como prioridade transformou-se em discurso politicamente correto de intelectuais, empresários e políticos. Essa é a hora de dar um basta na expectativa de que “o outro” faça algo, pois a Educação clama por ações imediatas tanto do intramuros como do extramuros das instituições de ensino. Ações que devem ser integradas, sincronizadas e amparadas por planos e políticas públicas, que se sobreponham a cores partidárias, tendo um real compromisso com a sociedade e com a formação do povo brasileiro.
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Perfil o autor:Armando Terribili Filho, PMP. Doutor em educação pela UNESP e mestre em Administração de Empresas pela FECAP. Diretor de projetos da Unisys Brasil em São Paulo, professor da Faculdade de Administração e da pós-graduação da FAAP em cursos de Gestão de Projetos. Atua também na pós-graduação da UNINOVE em curso de formação de professores para o ensino superior. Detém a certificação PMP do PMI (Project Management Institute).
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