A Formação Continuada E O Ato De Avaliar; Reflexão Sobre A Prática Docente

20/03/2008 • Por • 9,232 Acessos

Ao falar da prática docente, da carreira profissional do docente, é imprescindível trazer à baila uma breve reflexão acerca de uma das responsabilidades imputadas ao professor no seu cotidiano, o ato de avaliar. Avaliar: dar valor!

Contemplaremos a distinção sobre as concepções de avaliação de Luckesi e de Perrenoud – especialistas no assunto, um brasileiro e outro suíço. Entendemos aqui ser propício configurar as idéias gerais desses autores sobre avaliação, uma vez que trilham um mesmo caminho, ou seja, o distanciamento da prática avaliativa autoritária, classificatória, padronizada, burocrática. Isso viabiliza a retomada de algumas características acerca da avaliação enquanto componente de uma pedagogia diferenciada. Tanto Luckesi quanto Perrenoud se valem de termos conceituais distintos – enquanto um faz uso da terminologia "avaliação diagnóstica", o outro se apropria dos termos "avaliação formativa" – mas conceitualmente muito próximos, pois nos conduzem à reflexão acerca do processo avaliativo como instrumento dessa pedagogia diferenciada, que deve pautar-se pela busca qualitativa, pelo maior aproveitamento do que é trabalhado nos ambientes escolares. Acreditamos que o ambiente educa, e nisso entendemos a ultrapassagem dos muros escolares; o conhecimento se dá em vários outros territórios, o que pode confrontar com o conhecimento ora proposto pelos currículos. Tendo isso como pano de fundo, nos questionamos: como inverter essa lógica perversa que redunda num minimalismo do processo ensino-aprendizagem?

Em suma, a avaliação tem que se pautar constantemente numa reflexão capaz de motivar a transformação que culmine não só na atenta observação da qualidade do que entra nos bancos escolares, mas numa prática que redesenhe, que reestruture o desempenho da própria máquina escolar. Portanto, pensamos que não seja difícil notar que ao tratarmos de assunto tão relevante do cotidiano da ação docente, mais uma vez se instaure a necessidade de uma formação continuada para que os professores possam, onde estejam inseridos, exercer a reflexão sobre sua práxis, num movimento de pesquisa constante que revele elaboração e reelaboração do conhecimento, garantindo assim a profissionalização de sua atividade. Dessa forma é possível atestar que a formação continuada do profissional docente é um dos elos fundamentais na reformulação do processo educacional no país.

Perfil do Autor

Valter Pedro Batista

Mestrando em Filosofia pela Faculdade São Bento em São Paulo. Especialista em Formação Docente para o Ensino Superior pela Universidade Nov...