A Importância Do Letramento Para A Educação De Jovens E Adultos

21/01/2010 • Por • 6,730 Acessos

         Este artigo trata de uma questão atual: a importância do letramento para a Educação de Jovens e Adultos, assim como a função social do letramento. O artigo tem por objetivo colaborar na construção de idéias acerca do termo letramento e na reflexão sobre as questões sociais que envolvem o cidadão diante de uma sociedade grafocêntrica.

         O processo de  ensino aprendizagem de jovens e adultos visa atender ao princípio da adequação de metotodologia e recursos didáticos à realidade cultural e subjetiva deste grupo. Segundo Vygotsky(1988), "a prendizagem resulta da interação entre as estruturas do pensamento e o contexto social, num processo de contrução pela ação do sujeito sobre o objeto a ser conhecido". Para ocorrer a aprendizagem seria necessário o enfrentamento de situações desafiadoras que propiciem ao aluno chegar a patamares mais elaborados de conhecimento, necessitando da intervenção de outros sujeitos.

            A partir disso, sabe-se que o conhecimento é adquirido através da interação social, assim como é constituido a partir da relação do individuo com o meio social, considerando as experiencias de vida, os valores, as crenças, ou seja , a cultura do alfabetizando. Freire(1987) "entende que uma aprendizagem significativa dar-se-à a partir de um processo que proporcione uma análise critica da prática social dos homens, contribuindo para que estes repensem a forma de atuar no mundo". Se o aspecto social da aprendizagem diz respeito aos valores e aspirações coletivas é um ato político, um ato de criação e recriação, sendo, portanto, impossível falar em educação neutra. De igual maneira, o diálogo aparece como fundamento da construção do sujeito, como mecanismo de compreensão da estrutura social, de conscientização e de transformação.

           Em uma sociedade permeada por práticas de leitura e escrita, os convívios sociais, não somente em um ambiente institucional, nota-se que o papel do professor transcede cada vez mais, as  quatro paredes que determinam as salas de aulas e, suas práticas pedagogicas interferem diretamente no desenvolvimento do educando na construção de uma sociedade mais justa.

           As práticas pedagogicas tradicionais desvinculadas da realidade não atendem à real necessidade do individuo que precisa interferir na sua realidade social. Em nosso dia a dia é facil perceber pessoas não alfabetizadas que fazem uso da leitura e da escrita. Mesmo não dominando essas tecnologias, elas reconhecem a importância e a necessidade de seus usos, pois não querem sofrer prejuízos da exclusão e que, neste sentido, conquistam a dignidade social que lhes é usurpada por não serem individuos alfabetizados nos padrões convencionais.

          O aluno da EJA do Segundo Segmento, uma vez dominando a tecnologia da leitura e escrita, procura essa modalidade de ensino, principalmente, para sua inserção no mundo do trabalho e na sociedade letrada. Essa modalidade é direito do cidadão e necessária para sua plena participação como cidadão na sociedade que exige o domínio das práticas sociais da leitura e da escrita. A escola tem como dever proporcionar o desenvolvimento do grau de letramento a cada individuo, promovendo, efetivamente, o uso da leitura e da escrita envolvidas nas praticas sociais, ou seja, promovendo o letramento dentro do ambiente escolar, pois o educando depara-se constantemente com o uso delas na vida fora da escola. A escola é quem prepara o individuo para vida em sociedade eo instrumenta para a alegria de conviver e cooperar.

            Por entender que a leitura e a escrita são instrumentos básicos para o ingresso e a participação plena na sociedade letrada em que vivemos, que nem sempre é oportunizada para todos. Busca-se ressaltar a importancia do letramento como meio de inserção do sujeito como agente transformador da realidade social em que se encontra e a possibilidade de mudá-la de acordo com a sua necessidade, pois, instrumentado com a prática social da leitural e da escrita estará habilitado para reconhecer essa possibilidade. Pois, somente a partir de práticas pedagógicas conscientes o docente pode demonstrar que tais práticas pedagógicas, tradicionais ou não, desvinculadas da realidade não atendem a real necessidade do individuo que precisa interferir na sua realidade social.

           Portanto, observa-se que falta uma visão clara sobre os impactos da redução dos limites etários legais. De qualquer modo, a falta de relativa atratividade da EJA reiteraa preocupação com a sua qualidade e capacidade de democratização. De acordo com a perspectiva sociológica do conflito pode tratar-se de escolarização pobre para alunos pobres, reforçando as disparidades sociais, nos termos da análise sociológica, que também pode ser um caso de estigmatização de uma modalidade educacional, em virtude do status socioeconômico dos alunos que a frequentam.

           Conforme, isso não é um determinismo que impeça as politicas públicas de reduzir a exclusão, mas, ao contrário, a indicação do dever de tornar as oportunidades educacionais redutoras, antes que amplificadoras, das diferenças sociais.

           Sendo que, uma das características do pensamento pedagógico referido à Educação de Jovens e Adultos nos últimos 40 anos tem sido a explicitação do caráter politico dos processos educativos e, consequentemente, o enunciado nos projetos pedagógicos destinados a esses grupos etários de objetivo de formação para a cidadania política. Que portanto, se constituíram como núcleos de resistência a regimes ditatoriais, que vigoram durante os anos 70 do século passado em muitos países da A mérica Latina, conferiram-lhe sbstãncia e densidade, mas acabou por confiná-la ao campo ideologico das esquerdas, o que gerou resistências e questinamentos em relação a sua vigência na conjuntura de redemocratização dos regimes políticos do continente.

            Assim, a Educação de Jovens e Adultos é convidada a reavaliar sua identidade e tradição, reelaborando os objetivos e conteúdos de formação política para a cidadania democratica que seus curriculos sempre souberam explicitar, pois, os debates atuais sobre os objetivos da educação para cidadania privilegiam a formação de sujeitos livres, autonomos, criticos, abertos à mudança, capazes de intervir em processos de produção cultural que tenham alcance politico. É nesta sugestiva direção de formação politica para cidadania democratica que parece fecundo caminhar na reelaboração de curriculos de educação de pessoas. 

          Contudo, o letramento, portanto, abrange mais que simplesmente ler e escrever. o individuo letrado inserido em praticas sociais de leitura e escrita deve se capaz de usar esse conhecimento em benefício da sociedade e de si próprio. Tomando uma atitude crítica em relação a tudo o que o cerca, buscando uma forma de transforma a sociedade em que está inserido. As práticas sociais de leitura e escrita devem gerar questionamentos, reforçar valores, tradições e formas de distribuição do poder.

            Mediante as reflexões anteriores, é possivel concluir que o sujeito ao ser alfebetizado precisa adentrar no mundo da leitura e da escrita num processo de aprendizagem que cinsidere a função que a língua escrita exerce no círculo social. Assim é importante que a mesma cumpra o seu objetivo - de ojeto sociocultural real - pois, a escola deve atuar diretamente, trazendo para dentro do ambiente escolar, situações de uso da leitura e escrita.

          Vivemos em uma sociedade em que a escrita é reguladora das relações sociais. Portanto, não existe sujeito iletrado, pois, segundo Soares(2003,p.95), "todos, em alguma medida, interagem com a cultural escrita e têm estas formas culturalmente construidas como referencial identitário e epistemológico".

Dessa forma a alfabetização precisa ser discutida e pensada como uma edificação social, tendo em vista que não se resume apenas à habilidade de ler  e escrever, mas em possibilidades de relacionar-se com outros conhecimentos. A mundaça que se opera nesse sentido busca garantir uma alfabetização significativa, valorizando os saberes do educando adquiridos fora do âmbito escolar.

          De posse dessas realidades, compreendemos que através do processo de letramento, podemos conduzir nossos alfabetizando à realidade do mundo grafocêntrico apoiado na escrita, onde aqueles que não fazem uso social dela estão de alguma maneira, excluidos, apesar da importante função social desempenhada por esta modalidade educativa, uma vez que se encarrega de reparar as desigualdades causadas aqueles alunos evadidos do ensino regular.

           Segundo Soares(2003), sendo o uso das "habilidades de leitura e escrita" para o funcionamento e a participação adequados na sociedade, e para o sucesso pessoal, o letramento é considerado como responsável por produzir resultados importantes: desenvolvimento cognitivo e economico, mobilidade social, profissional, cidadania.

          Entende-se, então, que o letramento é um meio pelo qual os individuos, fazendo uso social dele, podem alcança maior mobilidade no mundo em que vivem, ou seja, o letramento contribuir com a prática social e a inserção no mundo em que vive nossos jovens e adultos.

Perfil do Autor

LÍVIA FERREIRA

Sou Pedagoga pós graduada em Docencia do Ensino Superior.