A Importância Dos Jogos Aplicado Ao Ensino Fundamental

16/08/2009 • Por • 11,467 Acessos

1.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

1.1Infância e Ludicidade

Para Vigotsky , o brincar desenvolve a cognição:

É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao invés de uma esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas e não dos incentivos fornecidos pelos objetos externos. (1994:136)

É através da brincadeira que o ser humano interage com os outros e com o seu meio. Essa interação proporciona o conhecimento da própria realidade. Considerando o anteriormente exposto, pode se concluir que a brincadeira contém as tendências do desenvolvimento intelectual de descobertas e relações.

O período da infância está intimamente ligado ao brincar. A brincadeira esteve sempre presente na maioria da vida das pessoas. Quase todo mundo deve ter brincado de roda, cabra-cega, amarelinha, chicote queimado, soltar pipas, pião, de bonecas e outras brincadeiras. Todas essas atividades constituem uma rica experiência de vida que contribuíram significativamente para o desenvolvimento tanto social como cognitivo.

  1. A experiência lúdica da própria vida infantil é tão marcante que nos traz a convicção de que os jogos, a brincadeira, são ações essenciais do ser humano principalmente na infância, pois “o aluno deve trabalhar em seu próprio ritmo.”   (CORIA-SABINI 1986,p.13) é uma necessidade da sociedade tem de desenvolver a aprendizagem em seu próprio ritmo,  pois observamos que até hoje adultos que praticam brincadeiras deste a infância, seja o jogo de futebol, seja o jogo de baralho e  outros, assim também constituindo um processo de aprendizagem.

1.2 Valor Pedagógico do Jogo

“ Para manter o equilíbrio no mundo o educando necessita brincar, jogar, criar e inventar (PIAGET - 1978)” Os jogos tornam-se mais significativos à medida que a criança se desenvolve, porque através da manifestação de materiais variados poderá inventar coisas, construir objetos.

O jogo é um ótimo recurso pedagógico na sala de aula porque proporciona a relação entre parceiros e grupos o que é um fator de avanços cognitivos, pois durante os jogos a criança estabelece decisões, conflitua-se com seus adversários e reexamina seus conceitos, pois “a aprendizagem em sua forma mais simples se é estabelecida de uma conexão entre estímulo e uma resposta.” (CORIA-SABINI 1986,p.03)

Trabalhar com o lúdico significa repensar a prática pedagógica, seu espaço, sua forma de lidar com os conteúdos e com o mundo da informação. Significa repensar a aprendizagem como um processo global conhecendo sua realidade e intervindo. Não se trata de uma técnica atraente para transmitir aos alunos o conteúdo das matérias. Significa de fato uma mudança de postura, uma forma de repensar a prática pedagógica e as teorias que lhe dão sustentação, assim nos afirma SANTOS que:

(…) Uma proposta de trabalho numa perspectiva libertadora não se fundamenta apenas num trabalho lúdico pelo lúdico. E, que em momento algum, defendemos uma proposta pedagógica espontaneísta de aprendizagem. Ao buscarmos o espaço da liberdade, criatividade do desafio, estamos construindo também um espaço para os questionamentos, responsabilidades participação e busca permanente de resoluções e problemas inerentes a convivência social. (1998,p.29)

 

 

Trabalhar com o jogo é romper com uma escola fragmentada de educação e recriar a escola, transformando-a em espaço significativo de aprendizagem para todos que dela fazem parte, unida ao mundo contemporâneo, sem perder de vista a realidade.

1.3O Jogo na Educação Física Escolar

Muitos estudiosos e pesquisadores educacionais já pesquisaram a respeito do jogo e as suas influencias no processo de ensino e aprendizagem. Propõem-se neste momento uma reflexão sobre a importância do jogo dentro do processo educativo. Pois o jogo constitui-se um importante recurso pedagógico para o próprio desenvolvimento humano e de fundamental importância numa correlação entre educação física e jogos.

O jogo satisfaz as necessidades das crianças, especialmente a necessidade de ação. Para entender o avanço da criança no seu desenvolvimento, o professor deve conhecer quais as motivações, tendências e incentivos que a colocam em ação. Não sendo o jogo aspecto dominante na infância, ele deve ser entendido como “fator de desenvolvimento” por estimular a criança no exercício do pensamento, que pode desvincular-se das situações reais e levá-lo a agir independentemente do que ele vê.

Quando a criança joga, ela opera com o significado das suas ações, o que a faz desenvolver a sua vontade e ao mesmo tempo torna-se consciente das suas escolhas e decisões.  Por isso o jogo apresenta-se como elemento básico para a mudança das necessidades  e da consciência.

A ênfase no propósito ou no objetivo do jogo acentua-se como o desenvolvimento da criança.  Sempre esse propósito ou objetivo é o que decide o jogo, justifica a atividade e determina a atitude afetiva da criança.

Observa-se o desenvolvimento da criança no caráter dos seus jogos, que evoluem desde aqueles onde as regras encontram-se ocultas em uma situação imaginária. (como por exemplo: quando as crianças brincam de papai e mamãe, elas agem de acordo com as regras de comportamento de um pai e de uma mãe), até os jogos onde as regras são cada vez mais claras e precisas, e a situação imaginária é oculta.

1. 4 A prática física corporal: O jogo queimado

O jogo constitui um importante recurso pedagógico no processo de ensino e aprendizagem, quando o professor utiliza o jogo como recurso pedagógico ele passa a trabalhar a coordenação motora, as regras, o senso esportivo de ganhar e perder, sempre antes de iniciar uma atividade esportiva o professor de educação física deve determinar os objetivos da realização desta atividade .

Para Soler, os principais objetivos de se trabalhar o jogo são:

a)     Possui função terapêutica;

b)     Serve para desenvolver atividades físicas, afetivas, sociais e intelectuais;

c)     Desenvolve a criatividade;

d)     Permite uma maior socialização;

e)     Abre novos canais de socialização

f)       Permite a catarse. ( 2003, p.49)

Um bom exemplo disto é o jogo do queimado, onde duas equipes, por exemplo: é um jogo que envolve a situação imaginária de uma guerra, onde uma equipe extermina a outra com tiros de bola. O imaginário vai sendo escondido pelas regras, cada vez mais complexas, às quais os jogadores devem prestar o máximo de atenção. Por este motivo é conveniente prover junto aos alunos discursões sobre as situações de violência que o jogo cria e as conseqüentes regras para o seu controle. Dessa forma os alunos poderão perceber, por exemplo, que um jogo como o queimado  é discriminatório uma vez que os mais fracos são eliminados (queimados) mais rapidamente, perdendo a chance de jogar. Perdendo a chance de jogar. Isso não significa não jogar queimado, senão mudar suas regras para impedir a sobrepujança d competição sobre o lúdico.

Quanto mais rígidas são as regras dos jogos, maior é a existência de atenção da criança e de regulação da sua própria atividade, tornando o jogo tenso. Todavia, é fundamental o desenvolvimento das regras na escola, porque isso permite à criança a percepção da passagem do jogo para o trabalho.

Num programa de jogos para as atividades sérias, é importante que os conteúdos dos mesmos sejam selecionados, considerando a memória lúdica da comunidade da escola a qual está inserida.

Considerações Finais

Os jogos utilizados na prática da Educação Física são atividades que proporcionam a construção do conhecimento, ou seja o desenvolvimento do processo cognitivos e o desenvolvimento dos aspectos corporais. É através da ação de jogar que o educando exerce as noções de regra e cidadania quando desenvolve as regras com os seus direitos e deveres.

É durante a infância que o educando vivencia com maior freqüência as atividades voltadas as experiências com o lúdico e os mesmos passam a vivenciar situação observadas e vivenciadas no seu cotidiano, criando situação muitas vezes que envolvem problemas e procurando soluções para o mesmo.

O que se observa durante a pesquisa bibliográfica é que muitos pesquisadores educacionais estão cada vez mais desenvolvendo pesquisas sobre os impactos dos jogos na construção dos aspectos cognitivos, pois é através da interação dos conteúdos ministrados de forma teórica e prática que o educando vivencia situações decorrentes de aprendizagens do seu cotidiano e usam os conteúdos ministrados nas aulas como forma de interação e construção de soluções para os problemas. Portanto, o desenvolvimento humano não pode ser centrado somente pela prática formal de exercícios físicos, ou seja, a supervalorização do corpo, mas liga  também ao desenvolvimento cognitivo do educando.

Conclui-se nesta pesquisa que o ato de brincar não significa simplesmente uma forma da criança distrair-se, que o jogo é a forma mais completa que ela tem de comunicar-se com o mundo e consigo mesma. Jogando ela desenvolve seu pensamento, sua flexibilidade corporal, seus movimentos, cria estratégias, resolve situações problemas, além de gerar canais de comunicação. A educação física não pode ser trabalhada apenas como modalidade esportiva sem se dá sentido a mesma, mas como uma ação conjunta o professor trabalhe o aluno como um todo corpo e mente, só assim teremos uma educação física voltada para o desenvolvimento completo do aluno.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

BROTTO, Fábio Otuzi.Jogos Cooperativos: se o importante é competir, o fundamental é cooperar. São Paulo. Cepeusp, 1995/Santos: Projeto Cooperação. Ed. Renovada.1997

CHATEAU, Jean. O jogo e a criança. São Paulo: Sumus. 1987. p. 142.

CORIA-SABINI,Maria Aparecida. Psicologia Aplicada à educação, São Paulo:EPU,1986.

GROSSI, Esther Pilar. Um novo jeito de ensinar Matemática começando pela divisão. Câmara dos Deputados. Brasília ,2000

HUIZINGA, Johan. Homo Ludens: O jogo como elemento da cultura. São Paulo: Perspectiva, 1996.

MARTINS, Jaqueline Pinto & SANTOS, Gilberto Pinheiro, Metodologia da Pesquisa Científica, Rio de Janeiro: Grupo Palestra 2003.

OLIVEIRA, Vitor Marinho de. O que é Educação Física?São Paulo: Editora Brasileira. 11ª Edição 1994

PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zarar. 1978.

SANTO, Luiz Carlos dos. O professor e o rendimento escolar de seus alunos. São Paulo: EPU, 1987.

SOLER, Reinaldo. Educação Física Escolar. Rio de Janeiro: Sprint, 2003.