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A Qualidade Não Se Resume Em Cifras Por: Arlys Jerônimo de Oliveira Lima Lino Carneiro
RESUMO
Esse trabalho tem como objetivo contribuir para a discussão referente a qualidade do ensino superior, em administração, das faculdades privadas brasileiras, quebrando o paradigma de que baixos custos e alta qualidade são grandezas inversamente proporcionais na educação. Nosso estudo se processou através de uma revisão bibliográfica referente a constituição da educação superior no Brasil bem como, uma pesquisa de campo, através de questionários, realizada no campos da Faculdade Luso-Brasileira. Foi apresentada durante a análise dos resultados a confirmação da hipótese que, baixos custos e alta qualidade do ensino são grandezas diretamente proporcionais a depender da missão e visão de cada instituição.
PLAVRAS-CHAVE: Construção do Conhecimento; Brasil; Instituições de Ensino Superior; Faculdade Luso-brasileira.
INTRODUÇÃO
Nos tempos modernos, surgem diversas discussões a respeito de como se deveria processar a educação superior em nosso país. Poderia ser defendida a exclusividade governamental nas instituições de ensino superior, dada a sua gratuidade e qualidade e, ainda, a liberdade das gestões privadas desses tipo de instituições. Contudo, o monopólio governamental da educação superior, se utilizado dos recursos e metodologias discriminatórias comuns hoje em dia (vestibulares onde os diferentes são avaliados igualitariamente, concorrência desleal), certamente iria causar uma grande dicotomia, pois, enquanto se prezaria pelo “verdadeiro ensino de qualidade” ao mesmo tempo, acabaríamos por impedir que grandes partes dos brasileiros pudessem adentrar à universidade graças ao número diminuto de vagas e formato de seleção dessas instituições publicas. Desta forma as instituições privadas, embora não possuam a mesma estrutura de algumas universidades federais e estaduais, surgem como uma alternativa para a problemática do ensino superior brasileiro. Dentro dessa temática, para, o prezar pela verdadeira construção do conhecimento por parte dos discentes das IES privadas visto que, são comumente vinculado na mídia estudos e pesquisas avaliativas relatando que os pilares da educação, que seriam o ensinar a ser, ensinar a ver, ensinar a viver, ensinar a pensar e aprender a aprender não estão sendo alcançados por essas instituições; um dos principais motivos dessa situação poderia ser a falta de consciência de algumas IES que prezam mais o ter do que o ser, ou seja, foca-se mais no campo mercadológico-financeiro do que na temática da construção do conhecimento e formação profissional digna. Toda via o jargão, construído pela mídia e pelo empirismo humano, de que as faculdades e universidades particulares são de qualidade duvidosa, acaba por prejudicar instituições sérias e que realmente tem compromisso com o eficaz desenvolvimento de seus discentes. Desta forma, foi avaliada, por parte do grupo de pesquisa, uma instituição de ensino superior privada, Faculdade Luso-brasileira, localizada no interior do estado de Pernambuco, na cidade do Carpina, dado o seu enfoque no social, como inscrições gratuitas no vestibular e mensalidades compatíveis com a realidade local. Possuindo uma visão bastante diferenciada das demais existentes na região, acreditando que baixos custos e alta qualidade são grandezas diretamente proporcionais.
1 - O CONTEXTO DA DISCUSSÃO
De acordo com o estudo sobre “O Ensino Superior no Brasil”, capítulo da dissertação de mestrado de autoria da professora Maria Aparecida Gomes Barbosa, disponibilizado no site do Programa da Pós-Graduação em Educação da UFPE, ficam evidentes as transformações que o setor vem passando nos últimos anos. Segundo a autora, as Instituições de Ensino Superior (IES) estão imersas em um contexto de transformações nas diversas instâncias de organização da sociedade e que atingem a todos os países (ainda que de diferentes formas e com resultados díspares), pois elas enfrentam um duplo desafio: por um lado, devem atualizar-se e inserir-se nesta nova realidade, revendo suas formas de organização e de relacionamento com seus atores-chave e dando um novo sentido ao seu papel social, e de outro lado, devem buscar entender, interpretar e apontar soluções para os problemas que tais transformações colocam aos indivíduos, grupos sociais, sistemas produtivos e governos. A autora ressalta ainda, dentro vários outros cenários e tendências apontadas no referido estudo, o aumento da demanda para além da capacidade de atendimento, pois se nota a emergência de um conjunto de instituições dos mais diversos tipos com vistas a ocupar as “janelas de oportunidades abertas”. Algumas são mantidas pelo Estado. Muitas são instituições sem fins lucrativos ou com propósitos filantrópicos. Outras, no entanto, são instituições criadas por empreendedores que visam obter lucros e que são geridas segundo os métodos e práticas mercadológicas. Tais empreendedores enxergam no ensino superior um campo fértil para a expansão dos negócios. No entanto, o estudo aponta ainda algumas tendências ou mudanças que já estão ocorrendo no Setor Educacional do Brasil, que são:
a) Quebra do monopólio geográfico, regional ou local, com o surgimento de novas forças competitivas; b) Transformação de universidades amplas, fortes e verticalmente integradas em instituições mais especializadas e centradas no aluno (e não no professor); c) Consolidação do mercado a partir da aquisição e fusão de IES; d) Entrada de novos atores não-tradicionais no mercado da educação, tais como: universidades corporativas, universidades virtuais, empresas de intermediação e organizações educacionais de ensino livre (não-regulamentado); e) Introdução de novos sistemas de aprendizagem, como a aprendizagem assíncrona e a continuada; f) Atendimento a um maior leque de demandas dos alunos, não apenas às educacionais; g) Forte influência da indústria do entretenimento na estrutura pedagógica das IES; h) Inserção de novas tecnologias da informação no binômio ensino-aprendizagem; i) Aumento da flexibilidade na modalidade de ofertas de cursos e também nos tipos de cursos superiores; j) Interiorização do ensino superior; k) Segmentação da demanda; l) Crescimento do percentual de alunos oriundos da PEA (população economicamente ativa). Estes alunos têm o seguinte perfil: são mais velhos, têm menos tempo e são mais críticos e exigentes; m) Especialização das instituições de ensino; n) Expansão do ensino não presencial; o) Migração da educação do setor social para o setor econômico.
Diante do cenário apontado já vislumbrado pela sociedade, e de acordo com aquele extraído do estudo realizado pela professora Aparecida Barbosa, ficou evidente a questão que o Grupo de Trabalho tentou responder neste artigo, qual seja o equilíbrio entre quantidade e qualidade. Isto é, como fazer para oferecer um maior número de programas e vagas, respeitando-se ao mesmo tempo normas de qualidade diante de um papel social relevante. Outros aspectos apresentados no estudo, também mereceram a consideração deste Grupo de Trabalho, classificados em "previsões" quanto às perspectivas do futuro em três tipos:
a) Perspectivas de Altíssima Probabilidade (Invariantes) que englobam a redução na margem de lucro das IES, o crescimento da educação executiva e a profissionalização da gestão nas IES; b) Perspectivas Prováveis: Aumento da diferenciação do sistema (universidades, centros universitários, faculdades, institutos superiores), concorrência aluno a aluno, concorrência por funcionários e professores, deselitização do ensino superior, especialização das instituições, crescimento do ensino focado nas necessidades das corporações, diversificação e flexibilização na oferta de cursos e serviços, desterritorialização da concorrência, presença do capital estrangeiro, crescimento no número de alunos "não tradicionais" como consumidores da educação, flexibilização dos cursos e serviços prestados, personalização e flexibilização dos currículos, revisão do papel e da função social da educação, aumento da educação corporativa, presença maciça da tecnologia na educação, aumento do ensino a distância (EAD), aumento do número de ações e processos contra IES nos órgãos de defesa do consumidor, diminuição da duração dos cursos do ensino superior; e c) Perspectivas Dependentes de Outros Contextos (Variantes): globalização do mercado de trabalho, certificação profissional periódica (educação continuada), eliminação do credenciamento das profissões que não impliquem em risco à vida ou à sociedade, erosão dos privilégios concedidos aos portadores de diploma, fusão de instituições com o conseqüente surgimento de grandes instituições, domínio de mercado pelos grandes grupos, despreocupação com o reconhecimento oficial, a creditação dos serviços educacionais.
Todas essas perspectivas devem ser objeto de estudos por parte de todos os segmentos envolvidos na área educacional, a fim de que essas mudanças pelas quais o ensino superior vem passando sejam coroadas com a qualidade almejada por todos nós, em prol do desenvolvimento da Nação brasileira.
3 - MARCO LEGAL DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E DO ENSINO DE ADMINISTRAÇÃO
Em artigo publicado na Folha Dirigida, de 10/02/2004 - Rio de Janeiro/RJ, o Prof. Dr. Edson Nunes, membro do Conselho Nacional de Educação observa que o novo marco regulatório ocorreu mais explicitamente a partir da Constituição de 1988, ao estabelecer que o “ensino é livre à iniciativa privada, desde que atenda às normas gerais da educação nacional e desde que seja autorizada e avaliada pelo Poder Público”. A expansão do Sistema Educacional Superior a partir dos anos 90, e a necessidade de regulamentar as normas gerais da educação nacional contidas na Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (LDB), principalmente com relação ao artigo 46, que dispõe sobre a autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o credenciamento de instituições, geraram um emaranhado de inúmeras portarias, decretos, pareceres, resoluções etc. Outro aspecto envolve a questão mercadológica do ensino, tendo em vista que mais de 80% das IES são particulares. Não restam dúvidas que elas tiveram um papel relevante na democratização do acesso ao ensino superior. No entanto, as mudanças neste setor relatadas sucintamente anteriormente foram e serão inevitáveis, constituindo-se em um novo desfio a ser enfrentado pelas IES e pelo Ministério da Educação. Vale ressaltar que o processo da mercantilização do ensino superior, para alguns, viola valores culturais fortemente arraigados no país, segundo os quais o ensino é concebido como direito social, um serviço provido pelo Estado com objetivos essencialmente públicos e não lucrativos. Independente dessa questão ideológica, o foco principal da discussão é a Qualidade do Ensino, seja com ou sem lucro, gratuito ou pago. O Grupo de Trabalho também procurou abordar em seus estudos a diversidade existente entre IES em função de sua natureza jurídica, tendo em vista a autonomia concedida pela legislação para as Universidades e Centros Universitários. As Instituições Não-Universitárias (Faculdades Integradas e Faculdades Isoladas) ficam submetidas ao emaranhado legal, criando uma “camisa de força” na gestão de seus próprios cursos, impedindo, muitas vezes, a flexibilidade necessária para que as IES passem a se adequar rapidamente aos anseios da sociedade em um mercado educacional altamente competitivo e saturado. Ressalta-se ainda que, de acordo com o ordenamento legal do sistema federal de ensino superior, a autorização dos cursos da área de Saúde e de Ciências Jurídicas é objeto de manifestação do Conselho Nacional de Saúde e da Ordem dos Advogados do Brasil, respectivamente, além de Parecer conclusivo do Conselho Nacional de Educação (CNE). Entretanto, tais procedimentos não ocorrem com os cursos de graduação em Administração, ficando a cargo das diversas instâncias do Ministério da Educação a análise dos pedidos de autorização dos cursos a serem oferecidos por instituições isoladas (não universitárias), privadas e federais. Cabe também ao Ministério da Educação o reconhecimento e a renovação do reconhecimento dos cursos de Administração oferecidos pelas instituições pertencentes ao sistema federal de ensino. Num e noutro caso, a análise das propostas e a avaliação dos cursos em funcionamento é feita com a participação de especialistas da área designados pelo Ministério. Por algum tempo, entre 1993 e 2002, a Secretaria de Educação Superior contou com a Comissão de Especialistas de Ensino de Administração (CEEAd), encarregada de assessorá-la nas questões ligadas à autorização e ao reconhecimento de cursos. A recente regulamentação da Lei nº. 10.861, de 14 de abril de 2004, que instituiu o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) também mereceu especial atenção por parte do Grupo de Trabalho. Destacando-se os trabalhos que estão sendo desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), principalmente com relação aos instrumentos de avaliação, conforme a Portaria do INEP nº. 31, de 17 de fevereiro de 2005. A qual estabelece procedimentos para a organização das avaliações externas para fins de credenciamento e de recredenciamento das IES, como também para a autorização, o reconhecimento e a renovação de reconhecimento dos cursos superiores de graduação. Segundo aquela Portaria, em seu artigo 4º, inciso II, compete à Coordenação Geral de Avaliação Institucional de Educação Superior e dos Cursos de Graduação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, “criar formulários eletrônicos de avaliação e disponibilizá-los na internet” e no mesmo artigo, inciso XVII, “realizar estudos com vistas à atualização, revisão e aperfeiçoamento da gestão, dos instrumentos e dos procedimentos de avaliação”. Os aspectos legais sobre a tramitação dos processos burocráticos de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento estão descritos na Portaria Ministerial nº. 4.361, de 29 de dezembro de 2004, que unifica os procedimentos para credenciamento e credenciamento de IES, credenciamento especial para oferta de cursos de especialização em nível de pós-graduação lato senso, credenciamento de instituições de educação superior para oferta de cursos superiores a distância, de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos superiores, bem como as de transferência de mantença, aumento e remanejamento de vagas de cursos reconhecidos, desativação de cursos, descredenciamento de instituições, Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), aditamento de PDI, além de outros processos afins, que serão protocolizados por meio do Sistema de Acompanhamento de Processos das Instituições de Ensino Superior - SAPIEnS/MEC. Destaca-se, ainda, no marco regulatório, a extinção dos currículos mínimos, e a criação das diretrizes curriculares nacionais dos cursos superiores, o que permitiu a retomada da redefinição da concepção do curso de Administração, obedecendo a parâmetros mais flexíveis e cientificamente atualizados para o curso de graduação em Administração. Esta evolução pode ser observada pelo histórico da consolidação do curso, a seguir.
3.1 – UM BREVE HISTÓRICO DA IMPLANTAÇÃO DOS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO
Em 1966, o então Conselho Federal de Educação, por meio do Parecer SESU nº. 307 fixou o primeiro currículo mínimo do curso de Administração no Brasil, tendo como referencial a Lei n. º 4.769, de 09/09/1965, que pouco tempo antes havia regulamentado o exercício da profissão de “Técnico de Administração”. Admitia-se, dessa forma, apenas a oferta dos cursos de Administração Pública e de Administração de Empresas. O curso de Administração possuía o “tempo-útil de 2.700 horas-aula”, sendo as disciplinas comuns para as duas únicas áreas específicas. Por meio do currículo mínimo do curso de Administração habilitava-se, de fato, o profissional para o exercício da profissão de Técnico de Administração, denominação da categoria alterada para “Administrador” por meio da Lei nº. 7.321, de 13/06/1985. Apesar da fixação do currículo mínimo para o curso de Administração em 1966, este não previa a especialização em determinadas áreas, o que veio a ocorrer somente em 1973, por meio da Resolução MEC/CFE nº. 18, de 12 de julho de 1973, conforme o Parecer MEC/CFE nº. 788, de 4 de junho de 1973 que fixou os mínimos de conteúdo e duração de habilitações em Administração Hospitalar do curso de Administração. Em seguida, a Resolução MEC/CFE nº. 21, de 15 de agosto de 1973, aprovada pelo Parecer MEC/CFE nº. 1.081, de 6 de julho de 1973, fixou os mínimos de conteúdo e duração da habilitação em Comércio Exterior do curso de Administração: “Cumprindo a decisão do Plenário, a Comissão Especial elaborou o currículo mínimo para a nova habilitação em Comércio Exterior no curso de Administração, de acordo com o projeto da resolução anexo e tomando por modelo o que foi decidido para habilitação em Administração Hospitalar”. Diante da necessidade de modernizar o currículo mínimo de Administração, a fim de atender as demandas por uma formação generalista/específica, a Resolução MEC/CFE nº. 2, de 4 de outubro de 1993, inovou ao fixar os mínimos de conteúdos e duração do curso de Graduação em Administração possibilitando às instituições incluírem em seus currículos plenos os conteúdos específicos correlacionados ao foco do curso em determinada área da Administração:
“Art. 3º - Além da habilitação geral prescrita em lei, as instituições poderão criar habilitações específicas, mediante intensificação de estudos correspondentes às matérias fixadas nesta Resolução e em outras que venham a ser indicadas para serem trabalhadas no currículo pleno. Parágrafo único - a habilitação geral constará do anverso do diploma e as habilitações específicas, não mais de duas de cada vez, serão designadas no verso, podendo assim o diplomado completar estudos para obtenção de novas habilitações.”
O currículo mínimo do Curso de Graduação em Administração, que habilitava ao exercício da profissão de Administrador, não permitia que as IESs alterassem a denominação do curso, incluindo nesta as habilitações específicas. O art. 3º deixava claro que os estudos correspondentes às matérias fixadas pela antiga base legal dos cursos de Administração, que estruturavam as habilitações específicas, deveriam estar previstas no currículo pleno do curso. Todavia, as instituições de ensino superior passaram a solicitar a criação de cursos de Administração com as mais diversas nomenclaturas, objetivando destacar o foco ou aprofundamento de estudos em determinada área da Administração ou até mesmo em outras áreas de conhecimento, como estratégia de diferenciação dos cursos tradicionais de Administração. Antes da homologação da Resolução MEC/CFE nº. 2/1993, os cursos na área de Administração só poderiam ter as seguintes denominações:
a) Administração Pública; b) Administração de Empresas; c) Administração Hospitalar; d) Administração em Comércio Exterior.
As disciplinas específicas para cada curso eram estabelecidas nos próprios currículos mínimos, nas chamadas “Matérias de Formação Profissional”.
4 - METODOLOGIA
Para o desenvolvimento da pesquisa, foi utilizado uma revisão bibliográfica, e o método qualitativo-analítico que buscou avaliar por meio da aplicação, aleatória, de dezoito questionários, em todos os períodos do curso de administração de Empresas da Faculdade Luso-Brasileira. A seleção dos alunos que responderam os questionários foi feita de maneira aleatória, por sorteio na caderneta do professor, e com a permissão da formação de grupos entre os alunos do período para respondê-los. Após a coleta dos dados, foram feitas as avaliações dos questionários, filtrando os dados de maneira comparativa, e, de acordo com a proposta do trabalho, dermos o diagnostico da situação da aprendizagem dos conhecimentos administrativos, ou seja, da capacidade da faculdade em administrar a construção do conhecimento dos alunos de administração de Empresas respondendo a problemática titulo (Baixos custos X Alta qualidade: Uma Dicotomia Possível no Ensino Superior de Administração). Com relação à confiabilidade dos resultados, dada a quantidade de alunos do curso de administração da instituição em questão (500 alunos), o rol amostral constituiu-se de 3,6% dos alunos do referido curso, dando uma margem de confiabilidade, estatisticamente falando, para a veracidade dos dados coletados. Os questionários foram aplicados de maneira aleatória entre os alunos dos nove períodos do curso de administração da Faculdade, dois por cada período, onde os alunos poderiam reunir-se para debatê-lo e responde-lo. O tempo estipulado para a devolução dos questionários, respondidos, foi de um dia onde, distribuímos os questionários no dia 07/05 e os recolhemos ao dia 08/05 do ano corrente (2008). No constante a aceitação e colaboração com a pesquisa, de início houve uma resistência em seis dos nove períodos aonde, após os esclarecimentos, e considerações feitas pela equipe, esta resistência veio a sucumbir e o alunado acabou por ser bastante receptivo ao trabalho, respondendo o questionário com bastante apresso, pontualidade seriedade.
6.2 - ANÁLISE DOS QUESTIONÁRIOS
Para a análise dos questionários, que foram semi-estruturados e abertos, utilizamos o método comparativo entre as respostas, bem como a análise de conteúdo, proposta por BARDIN (1996), analisando o contexto e intenção das respostas dada a organização das idéias sempre associadas aos conhecimentos prévios da administração. Os achados da nossa pesquisa revelaram que: 77,77% dos alunos pesquisados classificaram a metodologia de ensino dos professores entre boa (33,33%), ótima (11,11%) e excelente (33,33%), contudo, 22,22% dos pesquisados classificaram-na entre razoável (11,11%) e regular (11,11%). No item que se referia a existência de alguma relação entre as escolas tradicionais no ensino da administração e a realidade de hoje, 33,33% dos pesquisados afirmaram que algumas delas se encaixariam na atual realidade, 11,11% disseram que era impossível fazer essa relação dada às diferenças temporais, 11,11% alegaram que todas as escolas da administração poderiam ser aproveitadas, umas mais que as outras, na atual administração de empresas, 33,33% afirmaram que, embora algumas possam se adequar a realidade do terceiro milênio a maioria não fornece grandes contribuições para a administração moderna e 11,11% alegaram que, quanto à visão estrutural curricular, as escolas antigas da administração poderão ou não ter valor teórico aproveitável. 100% dos alunos afirmaram que a forma de avaliação da FALUB, por serem bastante variadas (utilizando-se de seminários, provas escritas, apresentação de trabalhos práticos/ científicos, com ênfase no evento da semana do empreendedor, debates, estudos de caso, revisões bibliográficas) poderia ser classificada modelo, pelo fato de conceber a avaliação enquanto processo, tornando os alunos participativos, menos faltosos e comprometidos com o estudo, que é um fator preponderante para o desenvolvimento e sucesso profissional. Quando questionados sobre as principais ferramentas a serem utilizadas pelo administrador do futuro para o pleno desenvolvimento profissional, 77,77% responderam Gestão do conhecimento, afirmando que nessa ferramenta estava a chave para todas as outras, 22,22% relataram ferramentas como: gestão de recursos humanos, desenvolvimento sustentável, marketing, conhecimentos em informática, porém, uma ferramenta se sobressai, trata-se da competência humana, a capacidade de relacionar-se com o outro, respeitando, valorizando-o e acima de tudo, ouvindo-o. A escolha dos temas a serem abordados nos questionários, deu-se, segundo os nossos critérios de relevância para a vida do administrador da atualidade que são os eixos norteadores da gestão, que consistem na dimensão técnica, conceitual e humanística. Durante a análise dos dados, diagnosticamos os seguintes resultados: na dimensão técnica, os alunos se ativeram a várias visões referentes a diversas temáticas (intensa instabilidade político-econômica, social, organizacional, política externa, corrupção, ilhas de estabilidade, visão para o desenvolvimento continental entre outros), no tocante à análise dos textos pudemos perceber que 77,77% das redações foram consideradas satisfatórias demonstrando um nível ótimo da construção deste conhecimento geral tão importante para a vida administrativa e social, 22,22% não conseguiram desenvolver o tema de acordo com o esperado para o nível educacional, 11,11% afirmaram não está suficientemente informados sobre o tema para manifestar opinião referente a temática, desenvolvimento sustentável; grande parte dos pesquisados possuíam conhecimento e interesse pela temática onde 77,77% conseguiram desenvolver um texto satisfatório, mencionado o programa do crédito do carbono (onde uma empresa muito poluente paga pela diminuição no nível de emissão de CO2 (Dióxido de carbono) de outras, geralmente situadas em países menos desenvolvidos; 11,111% apesar de entenderem o tema não conseguiram discorrer sobre ele satisfatoriamente, havendo muitos desencontros de informações e, 11,11% afirmaram não estarem aptos a discorres sobre o tema por falta de conhecimentos mais aprofundados. Em relação ao currículo do curso de administração, da faculdade pesquisada, 100% dos alunos afirmaram que o mesmo é bastante equacionado à realidade administrativo-empresarial atual inclusive, foi destacado o poder de inovação desse currículo em relação às outras instituições da região, bem como a flexibilização do mesmo. Vários alunos afirmaram que outros colegas que se transferiram da instituição acabaram por perceber que o currículo apresentava-se de forma muito rigorosa, assim como a forma de avaliação e a relação professor-aluno, relação esta bastante horizontal na FALUB. Foi percebido que os discentes, em sua maioria estão satisfeitos com a educação que estão recebendo, bem como, através da pesquisa, vimos que os objetivos da construção do conhecimento estão sendo alcançados, ou seja, ocorre um processo educacional focado no aluo, não apenas profissionalmente, más, humanística e socialmente. Os alunos demonstraram plena capacidade crítica-reflexiva referentes as principais temáticas da educação e administração do futuro.
8 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
O trabalho ora apresentado não é conclusivo, tampouco definitivo, como toda pesquisa. A amostragem por conveniência, o tamanho da amostra e o tratamento dos dados como uma amostra única pode acarretar algum viés na interpretação dos resultados e também desconfiança quanto à sua validade. Apesar dessas limitações e devido ao caráter exploratório do estudo, julgamos a metodologia aceitável. Os resultados do trabalho, apesar de suas restrições, são promissores, embora provisórios. A escala proposta é um instrumento alternativo para a mensuração da qualidade de cursos de graduação, não só na área de Administração de Empresas. A dificuldade em obter bibliografia sobre esta temática, talvez seja devido à natureza polêmica do tema ou ao descaso com o ensino superior em nosso país. Uma limitação importante do uso de instrumentos como esse pode ser a metodologia de aplicação do questionário, processamento e uso gerencial das informações obtidas com a “pesquisa de qualidade”, sendo de salutar importância a imparcialidade e honestidade dos grupos de pesquisa que lidam ou lidarão com esta metodologia. Para uma melhor confiabilidade dos dados obtidos é fundamental garantir o anonimato dos respondentes, bem como estimulá-los a responder os questionários com seriedade e empenho. Durante a avaliação dos questionários, ficou clara a capacidade de interpretação, pensamento crítico e conhecimentos gerais do alunado, fatores esses, que garantem que a instituição esta alcançando o objetivo da educação que é tornar o aluno capaz de aprender a aprender, aprender a ser, pensar criticamente e viver socialmente. Que são fatores preponderantes para a vida social e inserção no mercado de trabalho bem como, sucesso profissional. Desta forma, precisamos nos conscientizar de que a educação é um investimento, cujo retorno mais importante se dá através da realização profissional plena dos indivíduos que estão sendo capacitados e formados nas IES. Promover incentivos para que um ensino de qualidade se estabeleça e se fortaleça, de forma a se adequar às necessidades atuais da economia e do mercado, é imprescindível para reverter o quadro negativo da educação superior privada do país. A principal importância desse tipo de pesquisa é, fornecer fontes bibliográficas a respeito desse polêmico assunto, criando metodologias eficazes para avaliar o nível de aproveitamento dos cursos superiores através dos conhecimentos, referentes as temáticas de cada área do conhecimento, construídos pelos alunos bem como, auxiliar aos “Futuros Universitários” na escolha de quais instituições valerá a pena investir em um curso de graduação e posterior pós-graduação. A divulgação deste tipo pesquisas será de grande relevância social, visto que acabará por quebrar paradigmas e teorias preconceituosas referentes a qualidade do ensino superior privado bem como, romper com o conceito de que sempre o mais oneroso é o melhor onde o nível da qualidade, na verdade, dependerá da missão e visão de cada instituição e não dos valores pecuniários de suas tarifas, a exemplo da instituição campo desta pesquisa. Dessa maneira, podemos considerar que há existência da possibilidade de extirpar do cerne da população a teoria de que o
9 – REFERÊNCIAS
BARBOSA, Maria Aparecida Gomes. De Comunicador Social a Professor de Comunicação: a construção dos saberes docentes. Dissertação de mestrado. PPGE/CE/UFPE. 2006.
BRADLEY, J. Methodological issues and practices in qualitative research. Library Quarterly, v. 63, p. 431-449, 1993.
________________________________. Educação: territórios em contato. Recife, bargaço, 2007.
EUNICE, R., DURHAM, S., SIMOM, S. Situação e Perspectivas do Ensino Superior no Brasil: os resultados de um seminário. Educação brasileira v. 12, p. 181-152,1990.
KAPLAN, B., DUCHON, D. Combining qualitative and quantitative methods in information systems research: a case study. MIS Quarterly, v. 12, p. 571-586, 1988.
SCHWARTZMAN, J. Um sistema de indicadores para as universidades brasileiras in: SGUISSARDI, V. (org) Avaliação universitária em questão: reformas do estado e da educação superior. Campinas, SP: Autores Associados, 1997.
SGUISSARDI, V. Para avaliar propostas de avaliação do ensino superior in: GUISSARDI, V. (org) Avaliação universitária em questão: reformas do estado e da educação superior. Campinas, SP: Autores Associados, 1997.
http://www.administradores.com.br/instituicoes/faculdade_lusobrasileira/522/ (acessado em 07 de Maio de 2008).
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Tags do Artigo: construção do conhecimento; brasil; instituições de ensino superior; faculdade luso-brasileira Fonte Artigos - Artigonal.com Perfil o autor:Acadêmico do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas pela FFPNM-UPE e, Administração de Empresas pela FALUB.
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