A relação entre prática e teoria no curso de formação de docentes à nível médio do Instituto de Educação do Paraná Professor erasmo Pilotto

Publicado em: 05/08/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 642 |

 

 

                                                                                                                     

   A FORMAÇÃO DE DOCENTES NO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO DO PARANÁ PROFESSOR ERASMO PILOTTO

 

               O processo de construção do Projeto do Curso de Formação de Docentes do IEPPEP[2], busca na obra de Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia, subsídios para a formação fundamental do professor. Na qual a visão daquele que ensina, aprende ao ensinar, garantindo dessa forma que a docência não seja mero derramamento de conteúdos inertes em receptáculos (alunos).

               Para Freire existe saberes necessários à prática educativa tais como: dar condições ao educando de aprender criticamente, afinal os que ensinam e os que aprendem são sujeitos de um processo, mais que de formação, de construção e de criação. Ele considera, ainda, que todo professor é um pesquisador e no exercício de sua profissão deve mostrar ao seu aluno que sua experiência influencia a maneira como ele aprende fazendo com que esse reflita sobre sua realidade, a fim de transformá-la, que todo educador deve ser crítico estando comprometido com os resultados de sua ação pedagógica, sendo um ser transformador capaz de melhorar sua prática. É neste contexto, que o processo de construção do Projeto do Curso de Formação de Docentes do Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto procura nortear-se.

                O Projeto Pedagógico do curso de Formação de Docentes da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental apresenta em diferentes momentos, a importância da relação entre a teoria e prática. Na apresentação do projeto (IEPPEP, 2008, p. 24), pode-se ler que todos os componentes "devem trabalhar a unidade entre teoria e prática como núcleo articulador da formação do educador, possibilitando a integração entre o pensar e o agir, proporcionando ao professor ser o pensador, o construtor e o organizador permanente do trabalho educativo".

               Nesse documento (IEPPEP, 2008, p. 6-7), um dos eixos norteadores da Política Institucional de Formação de Professores afirma que deve haver, para o atendimento das peculiaridades desse curso, a "valorização da pesquisa e da investigação científica como instrumentos de mediação nas análises teórico-práticas do processo de formação, possibilitadores de mudanças".

               Quando se aborda o item Perfil e competências, a interação da relação entre a teoria e a prática adquire caráter mais amplo, coletivo e transformador:

 

Evidencia-se, nesse contexto, a necessidade de se dedicar atenção especial à orientação dos professores, por meio de cursos de formação que priorizem a relação teoria-prática, num espaço de construção coletiva de conhecimento, favorecendo o desenvolvimento integral do educando e o sucesso do processo ensino-aprendizagem. A prática por ser transformadora da realidade é criadora, ou seja, o professor em formação, diante de uma dada situação, analisa alternativas e cria soluções, sendo esse processo criador, imprevisível, indeterminado e único. (IEPEP, 2008 p.7).

              

               Salienta-se ainda que, nos eixos norteadores da Organização curricular, existe um específico para tratar da questão da unicidade da relação entre a teoria e a prática que afirma "todo fazer implica uma reflexão, e toda reflexão implica um fazer". O projeto do curso de formação deve "prever situações didáticas em que os futuros professores coloquem em uso os conhecimentos que aprenderam ao mesmo tempo em que possam mobilizar outros oriundos de diferentes naturezas e experiências".

               Portanto, a relação entre teoria e prática é uma das manifestações da aprendizagem significativa, que tem como características a união e a vinculação entre esses eixos em relação simultânea e recíproca de autonomia e dependência. Nessa perspectiva, a relação entre ambas é indissociável, porém, tendo cada uma delas a sua particularidade:

 

A teoria não mais comanda a prática, não mais a orienta no sentido de torná-la dependente das idéias, como também não se dissolve na prática, anulando se a si mesma. A prática, por seu lado, não significa mais a aplicação da teoria ou uma atividade dada ou imutável. (CANDAU; LELIS, 2001, p. 63).

 

             As Diretrizes Curriculares Nacionais da Formação Docente estabelece 800 horas de aulas de Prática de Formação, como componente curricular, nesse contexto, o IEPPEP, defende que as aulas devem consistir no momento pelo qual se busca fazer algo, produzir alguma coisa em que a teoria procura buscar conceitos, significados e, com isto, administrar o campo e o sentido da atuação. Tal elemento, no Curso de Formação, tem o propósito de colaborar para a formação da identidade do professor pesquisador, reflexivo e atuante na sociedade.

            Devendo a prática de formação ser compreendida como espaço que oportunize a efetivação do conhecimento e dos saberes necessários ao docente para problematizar sua prática pedagógica, um lugar de produção de conhecimento, desta forma não podem ocorrer de maneira quaisquer necessitam ser supervisionadas e fundamentadas, somente assim será possível realizar a articulação entre teoria e prática.

             

 

(...) a prática foi ficando cada vez mais, teórica, ou seja, distanciada da realidade. Nem se poderia mais falar aqui em prática como experiência, como reprodução de modelos - que modelos? Onde estavam as práticas bem sucedidas? O que significava um professor bem sucedido? O que se esperava como finalidade do ensino primário? E do ensino Normal? Qual professor era necessário? (PIMENTA, 2006, p.44)

                Popularmente, entende-se estágio como a "parte prática" de um determinado curso. No dicionário Aurélio Eletrônico; o termo "praticar" tem como sinônimo fazer, realizar algo ou ação; "prática" está relacionada à experiência, ao uso, à rotina. Pimenta (2001, p. 21) afirma que o "estágio e uma das disciplinas que compõem o currículo de um curso". Sabe-se, entretanto que, para realizar qualquer coisa, é preciso conhecer e ter em mãos os instrumentos necessários e adequados. E se o curso tem por função preparar o futuro profissional, é adequado que tenha a preocupação em colocar o docente em contato com a prática.

              O Estágio Supervisionado, portanto, constitui-se numa oportunidade para o aluno exercitar a reflexão, relacionar componentes curriculares e prática e desta superar a dicotomia entre teoria e prática, possibilitando-lhe uma noção da futura profissão. Segundo Freire (1996, p.24), "a reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação teoria/prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática, ativismo".

                O Parecer número 21, de 2001, do Conselho Nacional de Educação, define o Estágio Curricular como um "tempo de aprendizagem que, através de um período de permanência, alguém se demora em algum lugar ou ofício para aprender a prática do mesmo e depois poder exercer uma profissão ou ofício". Assim, o estágio supõe uma relação pedagógica entre alguém que já é um profissional reconhecido e um estagiário.

                 O estágio deve ofertar subsídios teóricos para que o docente conheça o universo escolar como instituição que produz conhecimento científico. Cabendo aos orientadores, juntamente com os alunos, conhecer o cotidiano da escola, dispondo-se a estudá-lo criticamente, com embasamento teórico. Pimenta acredita que, o estágio, ao contrário do que se propugnava, não é atividade prática, mas teórica, uma atividade de transformação da realidade.

 

 

 Contudo, o estágio é o espaço no currículo de formação destinado às atividades que devem ser realizadas pelos discentes nos futuros campos de atuação profissional, onde os alunos farão a leitura da realidade, o que exige competências para "saber observar, descrever, registrar, interpretar e problematizar e, consequentemente, propor alternativas de intervenção". (Pimenta, 2001, p. 76).

 

                                                                                                  

                Portanto, tal prática, é compreendida como um processo de investigação, no qual o aluno posiciona-se, através de uma atitude de análise, produção e criação, a respeito da sua ação no interior da própria prática, possibilitando aos discentes a interação com as concretas situações de ensino.

               O Estágio Supervisionado oferece ao aluno a oportunidade de aliar prática e teoria, sendo, desse modo, elemento importante nessa articulação. Nesse sentido, é um meio de oferecer aos alunos um aprendizado efetivo, aliando conhecimentos teóricos, por ser uma atividade que busca conhecer, fundamentar, dialogar e intervir na realidade. Prática enquanto subordinada a uma instituição (escola), que tem cultura própria, com finalidades definidas. Sendo um componente curricular com uma ação reflexiva, que envolve prática e teoria como aspectos indissociáveis, podendo ser um articulador do conhecimento construído durante o curso.          

 

"Nesta visão, o fazer pedagógico, ou seja, "o que ensinar e o como ensinar", deve estar vinculado ao "para quem e para que", declarando assim uma reciprocidade entre os conteúdos desenvolvidos e os instrumentos do currículo." (PIMENTA, 2006 p. 67).

 

                                                                                                  

              Sob este aspecto, o estágio supervisionado torna-se relevante por ser a oportunidade do discente, adentrar no campo escolar, confrontar-se com o concreto, percebendo-o como embasamento teórico/prático, ao mesmo tempo refletir acerca da realidade. É um componente pelo qual os sujeitos devem ser capazes de contextualizar, planejar e gerir a sua ação pedagógica.

             Em Pedagogia da Autonomia, Freire expressa o seu pensamento sobre a questão do docente pesquisador, no seu entender, o que há de pesquisador no professor não é uma qualidade ou uma forma de ser ou de atuar que se acrescente à de ensinar. Faz parte da natureza da prática docente a indagação, a busca, a pesquisa. Estudo no sentido de indagar e pesquisar para se constatar, pois, constatando, se intervém intervindo se educa. É necessário pesquisar para conhecer o que ainda não se conhece e dessa forma comunicar a novidade. "Não há pesquisa sem ensino, nem ensino sem pesquisa." (FREIRE 2002 p. 14)

               A elaboração da disciplina foi mediada pela necessidade do contato do aluno com a prática pedagógica, visando à formação de professores dinâmicos, críticos, pesquisadores, autônomos, criativos, com iniciativa própria, capazes de questionar as situações e encontrar meios para superar os desafios e com promissoras ações e atuações na sociedade.

               Dessa forma, fica evidente que, os profissionais da educação, precisam possuir algumas competências necessárias que os farão apropriar-se de saberes ligados à prática pedagógica priorizando dessa forma sua participação em situações educativas planejadas e criativas, numa postura crítica dentro e fora da escola.

                Nesse sentido, o estágio supervisionado é desenvolvido buscando um saber que oportunize a análise de situações, possibilitando o pensamento prático do docente, podendo ser consideradocomo uma "oportunidade de aprendizagem da profissão docente e da construção da identidade profissional" (PIMENTA, 2004, p.99).               

                Para Libâneo (1994 p.27): "A formação profissional é um processo pedagógico, intencional e organizado, de preparação teórico-científica e técnica do professor para dirigir competentemente o processo de ensino". Isto significa que, para dirigir com competência o processo de ensino-aprendizagem, o professor deverá ter uma sólida formação teórica, que deve estar associada a sua prática docente, ambas adquiridas respectivamente em sua formação inicial, e na prática docente, no cotidiano escolar, de forma pedagógica, intencional e organizada.

               Dessa maneira, o estágio poderá contribuir diretamente no processo de formação, sendo esse muito mais que o cumprimento de exigências curriculares, mas sim uma oportunidade de crescimento profissional e pessoal, um importante instrumento de integração entre a escola e o profissional.     

 

 "O que importa, na formação docente, não é a repetição mecânica do gesto, este ou aquele, mas a compreensão do valor dos sentimentos, das emoções, do desejo, da insegurança a ser superada pela segurança, do medo que, ao ser "educado", vai gerando a coragem." (FREIRE 1996 p.45)

 

 

 

                          Os componentes curriculares do estágio deverão garantir a possibilidade do aluno vivenciar as práticas pedagógicas, sendo nesse espaço a forma pela qual o docente desenvolverá de fato sua práxis profissional.

               Desta forma, o os componentes curriculares deverão capacitar o aluno a elaborar uma prática educativa, a partir das teorias estudadas, transformando simultaneamente as práticas e as teorias e alcançando a ação política, entendida como a essência de toda a prática educativa, deverá ainda possibilitar ao docente a elaboração e seleção de materiais didáticos e o desenvolvimento de técnicas de ensino, podendo ser considerada como uma forma de ajudar o aluno a relacionar teoria e prática.

             Os componentes curriculares deverão ainda, aproximar o docente da realidade da sala de aula, tendo como ponto de partida os dados colhidos, observados, fazendo uma reflexão sobre a prática pedagógica que se efetiva na escola sendo que esta lhe dará informações que complementem a sua formação de modo tal a possibilitar a resolução de problemas no ambiente de atuação.             Para Pimenta (2004) o estágio pode ser considerado como uma oportunidade de aprendizagem da profissão docente e da construção da identidade profissional.        

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    Palavras-chave do artigo:

    a relacao entre teoria e pratica no ieppep

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