A variação linguística na internet: as aventuras e desventuras da linguagem virtual no cotidiano escolar

Publicado em: 03/11/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 1,834 |

 

INTRODUÇÃO

Na era da informação, a revolução tecnológica tem permitido à sociedade novas formas de comunicação proporcionando um processo significativo de transformação social.

Dessa forma, este artigo enfoca a concepção de língua, linguagem e fala evidenciando que a primeira não é estática, mas mutável, e, por conseguinte provoca alteração nas duas últimas.

Para isso, analisa as aventuras e desventuras do uso do internetês em site de relacionamento (MSN), rede social (Orkut) e serviço de mensagens curtas (SMS) através de diversos textos, autores e de uma entrevista realizada com uma turma de 9º ano (8ª série) da Escola Municipal Eliete Melo Guimarães no município de Japoatã.

Todo esse enfoque e análise visaram esclarecer que não é regra aos internautas adolescentes trazerem para seu cotidiano escolar essa linguagem virtual bem como mostrar que nem sempre o acesso à navegação é fator determinante para a ausência do hábito ou gosto pela leitura.

A pesquisa constatou também que há uma ligação entre língua padrão, variação linguística e internetês chamada adequabilidade, pois mesmo sendo adolescentes com fácil e constante acesso a linguagem virtual, acostumados à rapidez do mundo dos instantâneos e dos descartáveis têm bom senso para saber quando, onde e com quem utilizar esse tipo de linguagem para serem compreendidos.

Enfim, a linguagem virtual restringe-se ao ciberespaço, pois a língua padrão exige precisão e não rapidez e dinâmica como o internetês.

1. LÍNGUA, LINGUAGEM E FALA

Segundo os gramáticos Pasquale e Ulisses (2008), língua é um sistema de signos convencionados usados pelos membros de uma mesma comunidade. Linguagem, é a capacidade de se comunicar por meio da língua.

Para Saussure, língua é um sistema de signos fechado que não permite variações, um produto social inscrito na memória comum; um conjunto de unidades que se relacionam.

De acordo com os PCN's (Parâmetros Curriculares Nacionais), linguagem é a ação interindividual orientada por uma finalidade específica; um processo de interlocução que se realiza nas práticas sociais existentes nos diferentes grupos de uma sociedade, nos distintos momentos de sua história.

Então, sendo a língua sistema de signos fechado e a linguagem a comunicação entre interlocutores em distintos momentos e ambientes, a fala é o conjunto dos enunciados produzidos individualmente estando sujeita a fatores externos, portanto assistemática heterogênea.

Assim, pode-se afirmar que língua, linguagem e fala estão diretamente ligadas entre si, embora sejam distintas: a primeira, sistemática e coletiva, concretiza-se pela ação comunicativa dos locutores (linguagem) em que se produz com enunciados individualizados, assistemáticos e heterogêneos. Ou seja, pode-se assim associar: língua _ gramática, norma culta/padrão; linguagem _ condições que permitem a construção da língua; fala _ sons produzidos pelo aparelho fonador que sofrem influências geográficas, físicas, psicológicas, etc.

BAGNO (2006) afirma que há uma regra de ouro da Linguística que diz: "só existe língua se houver seres humanos que a falem". Isso quer dizer que realmente língua, linguagem e fala são interdependentes e que há evolução já que é necessária a existência do ser humano o qual evolui com o passar do tempo. E ainda aponta tal desenvolvimento ao comparar a língua com "um iceberg flutuante no tempo".

Então, essa comparação firma que a língua não é morta, estática, mas que ela evolui juntamente com seus usuários, pois o iceberg se modifica no tempo cujo na verdade é o falante realizando a ação comunicativa num dado tempo.

Um exemplo visível de tal transformação está nas obras literárias que possuíam regras a serem seguidas, as quais procediam dos clássicos: ritmo, linguagem, rimas, metrificação, etc. Num dado momento isso se tornou "desnecessário" a outros literários que iam surgindo e culminou com o total abandono do clássico passando ao "Modernismo". Esse, nunca abandonado, evoluindo acompanhado das transformações linguísticas. Ou seja, os clássicos foram bons escritores à época deles, mas depois a literatura escrita precisou adequar-se aos novos leitores, novos tempos.

Para Ingedore (2003) língua: "é ao mesmo tempo um sistema de valores que se opõem uns aos outros e conjunto de convenções necessárias adotadas por uma comunidade linguística para se comunicar".

Logo, para a autora a língua é produto social depositado na mente de cada falante e que não é criada nem modificada. Dessa forma opõe-se a fala que segundo Ingedore (2003) é ato individual e momentâneo interferido por fatores extralinguísticos.

Conforme Tarallo:

A língua falada é o vernáculo: a enunciação e expressão de fatos, proposições, ideias (o que) sem a preocupação de como enunciá-los.Trata-se, portanto, dos momentos em que o mínimo de atenção é prestado à língua, ao como da enunciação. (TARALLO, 2006, p. 19)

Assim, de acordo com os autores a língua realmente é social, contida na mente humana enquanto que a fala é individual, momentânea, dependendo de quem diz, a quem se diz, como, quando, onde, por quê e visando que efeito.

Retomando o conceito do autor ele está em concordância com os demais autores, pois aborda a significação para língua falada como momentânea ao afirmar que são "momentos em que o mínimo de atenção é prestado à língua", ou seja, essa língua trata-se do sistema de signos que é social, presente na mente humana.

Ao relacionar fala com indivíduo e determinados momentos, os autores reafirmam a forte influência dos fatores extralinguísticos sobre a língua, portanto direcionam às variações linguísticas tão frequentes no cotidiano dos falantes.

1.1. Variação Linguística

A variação linguística é muito frequente entre falantes de uma língua, pois ela nada mais é do que as várias maneiras de se dizer a mesma coisa em um contexto.

Assim, as variantes de uma comunidade de fala encontram-se sempre em concorrência, pois elas podem ser padrão/ não padrão, conservadoras/inovadoras, estigmatizadas/ de prestígio. Isso se deve a uma porção de fatores externos à língua, como classe social, idade, sexo e contexto. O indivíduo apresenta essas características no uso da língua de forma natural, segundo sua experiência e cultura e, ainda, segundo.

Contudo, são as variantes padrão e conservadoras que são prestigiadas pela comunidade de modo geral, como a presença da marca pluralícia (s) nas palavras. Enquanto que sua ausência é considerada não padrão, inovadora e é estigmatizada.

Antônio Carlos de Moraes Sartini, diretor do Museu da Língua Portuguesa (São Paulo) diz que "não falamos nem mais nem menos fora do padrão culto que italianos, americanos e franceses, e toda idioma tem variações que são usadas em certas situações e para diferentes públicos. (Revista Língua Portuguesa, 2010, p.16).

As variações devem ser compreendidas como diferentes maneiras de falar e que a função da escola é a de intermediar a aprendizagem da variante de prestígio já que é através desta que se tem acesso a cultura mais valorizada.

São exemplos dessas variações:

dialetos, isto é, variações faladas por comunidades geograficamente definidas.

idioma é um termo intermediário na distinção dialeto-linguagem e é usado para se referir ao sistema comunicativo estudado (que poderia ser chamado tanto de um dialeto ou uma linguagem) quando sua condição em relação a esta distinção é irrelevante (sendo, portanto, um sinônimo para linguagem num sentido mais geral);

socioletos, isto é, variações faladas por comunidades socialmente definidas;

linguagem padrão ou norma padrão, padronizada em função da comunicação pública e da educação;

idioletos, isto é, uma variação particular a uma certa pessoa;

registros (ou diátipos), isto é, o vocabulário especializado e/ou a gramática de certas atividades ou profissões;

etnoletos, para um grupo étnico;

ecoletos, um idioleto adotado por uma casa.

Então esses tipos de variações comprovam que é inegável a existência das diferenças geográficas ou sociológicas dentro de uma mesma comunidade de fala, pois a educação do indivíduo, sua profissão, grupos com os quais convive enfim sua identidade podem interferir e modelar sua fala.

As diferenças geográficas resultam nas diferentes formas de pronúncia, vocabulário e estrutura sintática entre as diversas regiões sendo que essas diferenças linguísticas entre as regiões são graduais, ou seja, pessoas que moram em outras regiões têm formas diferentes de falar e cada região tem seu devido sotaque.

Já a variação sociológica está relacionada a diversos fatores sociais tais como etnia, sexo, faixa etária, escolaridade e grupo profissional. No entanto, essa variação não compromete a compreensão entre falantes, uma vez que alguns momentos de incoerência são sanados pelo contexto em que a fala se forma.

Portanto, independente de qual tipo seja, a variação linguísitca deve ser respeitada dentro e fora da escola, pois, a exemplo do nosso país, é impossível manter uma língua falada padronizada nas diversas regiões do Brasil.

Logo, as variantes são imprescindíveis para a comunicação entre os falanetes e não tornam a língu melhor ou pior nem mais bonita. Ao contrário, ela aproxima o indivíduo a uma melhor compreensão do mundo e sua relação com o seu ambiente.

2.INTERNETÊS

2.1.Conceito de Internet / Internetês

A Internet surgiu a aprtir de pesquisas militeres na década de 1960 exercendo um enorme controle e influência no mundo da inovação sendo assim idealizado um modelo de troca e compartilhamento de informações que permitem a descentralização das mesmas.

Em 1992 falava-se numa "super-estrada de informação" que tinha como unidade básica de funcionamento a troca, compartilhamento e fluxo de informações pelos quatro contatos do mundo através de uma rede mundial, a Internet.

Então a Internet é um conglomerado de redes em escala mundial de milhões de computadores interligados que permite o acesso a informações de todo o tipo de transferência de dados. Ela carrega uma ampla variedade de recursos e serviços, incluindo os documentos interligados por meio de hiperligações da World Wide Web e a infraestrutura para suportar correio eletrônico e serviços como comunicação instantânea e compartilhamento de arquivos.

Ultimamente a tecnologia tem crescido muito rápido, tornanado-se difícil de acompanhar, surgem novos equipamentos no mercado a cada dia, assim a troca desses equipamentos por outros mais potentes são frequentes. Este fato tem ocorrido em praticamente todas as classes sociais, com esse grande número de acesso ficou mais comum a utilização de uma linguagem nova chamada Internetês.

O Internetês é um neologismo (de: Internet+ sufixo ês) que designa a linguagem uitilizada no meio virtual em que as palavras foram abreviadas até o ponto de se transformarem em uma única expressão.

Para a pesquisadora Josiane Neves, o Internetês é uma adequação linguística que exige rapidez no diálogo com o objetivo de ganhar tempo sem perder as informações, mesmo que isso represente algum tipo de infração das normas gramaticais, no que concerne a produção escrita, trata-se de uma modalidade de língua que dispensa formalidades. A especialista relata ainda que o usuário deve entender que para cada situação haverá uma exgência e que ao escrever um texto em que se deve usar a língua padrão, mesmo que ocorra algum equívoco, devem-se executar as atividades de formulação e faz-se extremamente necessário um maior cuidado com o texto.

Os especialistas divergem e abrem discussões à respeito da contribuição que vem dando a internet no âmbito escolar como algo positivo ou negativo.

2.2. Linguagem Virtual no Cotidiano Escolar

Quem gosta de Internet e a utiliza com frequência, provavelmente já observou uma "inovação linguística". A linguagem utilizada no Orkut (rede social), MSN (portal e rede de serviços oferecidos pela Microsoft, conversa instantânea), E-mail (correio eletrônico; um método que permite compor, enviar e receber mensagens através de sistemas eletrônicos de comunicação), SMS (serviços de mensagens curtas disponível em celulares), Blogs (site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos, ou posts.) etc, principalemente entre os mais jovens, desrespeita as normas gramaticais atuais e tem gerado várias discussões a respeito.

Como avanço a popularização da tecnologia houve um aumento significante de usuários acessando a Internet, cerca de 15 milhões de usuários trocam por dia 500 mihões de mensagens por meio do Messenger (MSN), o comunicador instantâneo da Microsoft.

Nas conversas virtuais os jovens buscam respostas rápidas, uma certa proximidade com o outro, isso faz com que essa interação seja aproveitada ao máximo e essa ansiedade acaba estimulando o hábito de escrever mensagens e a busca de novas possibilidades de expressão rápida e funcional, surgindo assim os neologismos e o chamado Internetês.

Esse tipo de comunicação on-line, rompeu os limites a que estava restrito, chegando até a escola e influenciando sua relação com os alunos e consequentemente com a língua. Pois essa já é uma realidade e a grande preocupação de especialistas e professores é de como está sendo usada e também onde influencia o aprendizado e a comunicação entre os usuários da Internet.

A professora de Língua Portuguesa e Literatura, Sylvia Bittencurt, afirma que só o tempo irá dizer quais os riscos que o Internetês pode provocar na língua potuguesa padrão. Mais uma coisa é certa: do ponto de vista linguístico, essa linguagem não oferece nenhum perigo".

Especialista no assunto, a professora questiona, na realidade, o uso do internetês como única opção de linguagem, segundo ela "o perigo está no seu uso limitado e no próprio usuário, adolescente ou não, que só se dedique a escrever e se comunicar desse modo, em tudo em sua vida".

A referida professora faz uma comparação entre internetês e à estenografia que é utilizada em momentos específicos e acrescenta: "ela também é uma escrita simplificada do original, que tem o mesmo objetivo de aproveitar melhor o tempo e o espaço, assim como o internetês".

Embora seja uma linguagem bem difunfida no meio dos internautas, não é comum a sua utilização na linguagem oral, Sylvia menciona que as questões referentes a seu uso, depende do usuário e sua intenção no uso dessa linguagem.

Ela ainda enfatisa que a alternativa é saber impor limites: "Como tudo na vida, é preciso ter bom senso e saber a hora de usar as coisas", ou seja, da mesma forma que não se deve usar "Os aluno chegaram atrasado"é inadequado trazer o internetês para a linguagem padrão, pois ele se assemelha ao regionalismo, aos dialetos e até mesmo às gírias: só são compreendidos por seus usuários. Quem não está acostumado se confunde ou torna a mensagem, seja ela falada ou escrita, incompreesível.

Uma escola paulistana particular provou aos seus alunos essa incompreensão ao criar um projeto de intercaâmbio entre ela e uma escola da rede pública. Foi solicitado aos estudantes de rede particular que escrevessem bilhetes aos da rede pública usando o internetês. O resultado foi unânime: incompreensão total.

Entretanto, não por serem de classe social diferente, mas os adolescentes estudantes da rede pública do município de Japoatã também têm esse problema de comunicação devido ao acesso ou não à internet. A determinação de acesso a internet se dá de acordo com a residência desses adolescentes. Os jovens da cidade têm maior conhecimento e uso do internetês, mesmo não possuindo computador ou internet em casa, pois as lan houses proporcionam tal acesso. Já os adolescentes do interior, em sua maioria, desconhecem até os termos que nomeiam as partes físicas (hardwares) do computador como CPU, monitor, estabilizador/nobreak, mouse, pen drive, etc. Por falta de sinal não há lan houses na maior parte desses interiores e aqueles que possuem são usadas para baixar jogos ou jogar o que já existe no computador.

Um 9º ano (8ª série) de uma escola pública do interior teve como primeiro texto do livro didático a letra da música Pela Internet (Gilberto Gil) a qual possui vários termos de informática e foram todos desconhecidos por quase toda a classe. Eles não possuem curso ou disciplina de informática, acesso a computador nem mesmo na escola, pois o estabelecimento não possui.

Já os alunos do mesmo ano e mesma rede de uma escola da cidade são o oposto dessa realidade: todos têm acesso a intertnet seja em casa ou em lan houses. Entrevistados sobre isso a maioria respondeu acessar a internet de lan houses e a outra metade acessar de casa.

58% ACESSAM DE LAN HOUSE

44% ACESSAM DE CASA

1% NÃO ACESSA

Dos entrevistados um chamou mais atenção ao responder que não costuma usar a internet por preferir pesquisar em livros, ou seja, nem mesmo para pesquisas escolares o estudante utiliza a internet. E ainda, afirma usar com frequência uma única comunicação virtual, o SMS.

Outro fato oposto entre as duas turmas é o hábito da leitura: dois afirmaram não gostar de livros, dois não leram nenhum livro, dois leram para fazerem trabalho escolar e os demais fizeram leituras desde revistas à obras literárias (das juvenis às mundiais) por prazer. Os estudantes do interior só leram por obrigação: fazer trabalho escolar.

20% NÃO GOSTAM DE LIVROS

20% NÃO LERAM

20% LERAM PARA FAZER TRABALHO

40% LERAM POR PRAZER

Quase todos afirmaram que o Orkut, MSN e SMS são meios de se comunicar ou conversar com amigos, familiares de forma mais rápida e prática e ainda um modo de conhecer várias pessoas. Dois os apontaram como site de bate-papo, de relacionamento, de contatos para amizades e até trabalho esclarecendo em quais equipamentos encontram-se tais comunicações e a privacidade ou não existentes em cada.

80% COMUNICAÇÃO RÁPIDA/ CONHECER PESSOAS

20% SITE COM OU SEM PRIVACIDADE

Dos três meios de comunicação abordados na entrevista, mais da metade dos entrevistados responderam usar mais o SMS, outra metade usa com maior frequência Orkut e MSN e dois acessam apenas o MSN.

51% SMS

48% ORKUT E MSN

1% MSN

Solicitados para simularem o envio de recados no Orkute por SMS, conversas no MSN a maioria escreveu o protuguês padrão e usou uma palavra no internetês como: vc (você), td (tudo), bjksss (beijocas), bjos (beijos), miguxa (amiga), nina (menina), tc (teclar), kde (cadê), lg (ligue), q (que), etc. Uma adolescente respondeu não ter celular e não gostar, mas simulou os recados no Orkut e MSN com a língua padrão. Outros dois disseram não usar Orkut nem MSN, e simularam SMS escrevendo também com a norma culta.

90% USARAM UMA PALAVRA NO INTERNETÊS

10% TOTALMENTE PORTUGUÊS PADRÃO

Por fim interrogados se utilizam o internetês no cotidiano todas as respostas foram negativas esclarecendo que "na internet escrevem muito errado, que há erros de ortografia e além da escola não aceitar não seriam entendidos".

Dessa forma a preocupação de muitos especialistas _ comunicação para tudo apenas através do internetês _ não é relevante com esses estudantes. Até mesmo o gosto ou não pela leitura não são gerados pelo acesso em excesso à internet, pois quem afirmou não gostar de ler também não usa Orkut nem MSN.

Alguns especialistas contrapondo-se às opiniões da maioria (de o internetês ser prejudicial) dizem que ele nem pode ser chamado de linguagem, mas de grafia usada por certos usuários do cmputador. E ainda que saber escrever de duas maneiras é sinal de maior competência não bastando compreender a necessidade de excluir as vogais, mas é preciso aproveitar os sons vocálicos como mas + é = mazé, empregar sons onomatopaicos; evitar espaços, os acentos; usar x = ch, k = qu, kde = cadê, etc.

Então, além da supressão de letras, uso da fonética há também a utilização do inglês como: y (yes) = sim, add (Add) = adiciona, pls / plis / plz (please) = por favor.

Portanto, os entrevistados deixam claro que além dos mitos que já existem sobre a língua portuguesa _ brasileiro não sabe português, a região que se fala mais correto no país é o Sul, etc. _ apontados, inclusive, na obra de Bagno _ Preconceito Linguístico: o que é e como se faz _ o internetês vem criando mais outro: usá-lo tem diminuido o vocabulário e leitura dos seus usuários, bem como favorecido o aumento de uma ortografia errada.

Realmente, falta de vocabulário, ausência do hábito de leitura e erros ortográficos são desventuras que podem ser ocasionadas com os usuários da internet e consequentemente de sua linguagem. Porém, isso ocorrerá com aqueles que ainda não têm o bom senso de saber adequar a linguagem para cada ambiente, ou seja, é o ouvinte/interlocutor quem determinará o tipo de vocabulário a ser usado para haja compreensão.

A ausência do hábito de leitura não é regra para o internauta adolescente, até porque, como a pesquisa mostra, há quem não tenha acesso a um computador nem sequer à internet e leem por obrigação. Há os que acessam de casa ou de lan houses e mostraram possuir o gosto pela leitura. As respostas dadas sobre leitura foram sobre revistas em quadrinhos, história de Pelé, O Auto da Barca do Inferno, A megera domada, Harry Potter, Ninguém é de Ninguém, Michael Jackson, entre outros.

Enfim, desde as leituras não tão prestigiadas às grandes obras literárias a turma está lendo e cultivando a cada dia esse hábito. E, isso deixa qualquer profissional de educação muito satisfeito: adolescente ler por prazer!

Os "erros ortográficos", como são chamados por alguns especialistas, limitam-se à navegação desses discentes. Nem ao simular recados ou conversas virtuais fizeram todo o texto no internetês, mas uma palavra, no máximo duas, foram escritas nessa linguagem virtual por 90% dos entrevistados.

Então, vale salientar que há quem saiba adequaer a linguagem para cada momentoe com isso constata-se a concepção linguística a qual defende a importância de de compreensão entre os falantes de uma língua durante a comunicação. Quem usa o internetês geralmente o faz, no meio virtual, com outro usuário havendo assim um entendimento entre si.

De acordo com um estudo realizado pela BritishnAcademy, crianças que faze uso de mensagens de texto por celular leem e falam melhor que outras.

Portanto, a linguagem virtual não exclui o uso da língua de prestígio tampouco desfavorece o aprendizado, mas contribui para ampliar o conhecimento das variantes linguísticas bem como da norma culta. Por exemplo, pqra expressar os esntimentos no dia-a-dia usam-se palavras seguidas das expressões faciais, pois somente os vocábulos, muitas vezes, não são suficientes. No meio virtual bastam, na maioria das vezes, os emoticons.

Enfim, a linguagem típica do mundo virtual deverá ficar restrita ao ambiente do ciberespaço, pois em todo tempo de exitência no país a internet pouco ou quase nada influenciou na escrita padrão das pessoas. A língua culta exige precisão, coerência o que não é regra para o internetês.Este, por sua vez, tem como foco a velocidade e dinâmica das conversas características próprias dos equipamentos com comunicaçao virtual que os tornam mais atrativos.

3.CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após a análise sobre língua, linguagem, fala, variação linguística, surgimento da internete e sua linguagem é possível afirmar que a língua está sendo modificada e e adaptada no âmbito virtual para melhor satisfazer seus usuários. A internet é definida pela velocidade de carregamento de dados, logo a comunicação dos internautas busca acompanhar tal velocidade tentantod expressar-se o máximo possível em tempo mais ágil. Essa agilidade se dá pelo fato de o internetês _ linguagem dos internautas _ misturar oralidade com escrita e assim proporcionar "a conversa" ou "bate-papo"entre os usuários.

Então se a língua está se modificando ou adaptando-se na internet é porque ela está seguindo seu curso natural, ou seja, está evoluindo junto com a sociedade para atender as necessidades dos falantes.

Sendo assim, faz-se necessário reafirmar que todas as línguas são mutáveis, não estáticas, tendem a sofre alterações ao longo do tempo. A própria "língua mãe" é brasileira e não puramente portuguesa, pois é produto da miscigenação étnica-cultural, é variação do Português de Portugal o qual originou-se do Latim.

Contudo, essa evolução da língua assim como sua variação não são meios para difundir a linguagem virtual como correta, mas exemplificar as transformações linguísticas ao longo dos tempose consequentemente sua adequação aos falantes. Pois, o que hoje é vassoura já foi bassoura, o microsistem atual era rádio, o telefone fixo foi substituído pelo móvel, etc. Então, o internetês relaciona-se, também, ao fator adequabilidade, ou seja, foi criado e é aceito por determinados contextos não devendo ser a única variante usada em toda e qualquer comunicação .

Por isso é ingênuo esperar homogeneidade total em um meio de expressão que sofre influências do tempo, espaço e de usuários do mundo inteiro. Dessa forma, essa variedade linguísticadeve ser abordada em sala de aula objetivando conscientizar de que unidade não significa igualdade.

A escola, também, deve refletir respeito do seu papel no processo de formação de cidadãos, no sentido de torná-los aptos a atenderem às exigências da sociedade contemporânea fazendo uso de diferentes tipos de linguagem. Pois, o acesso excessivo ao mundo virtual realmente pode dificultar a expressão escrita do internauta, mas também pode ampliar seus conhecimentos e consequentemente o vocabulário.

4. REFERÊNCIAS

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JORNAL Mundo jovem.Tecnologia.ed.n.392.nov/2008.p.15

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OTHERO, Gabriel de Ávila.A língua portuguesa nas salas de b@te-p@po: uma visão lingüística de nosso idioma na era digital. Versão Digital. Novo Hamburgo: Editora do Autor, 2002.

PASQUALE & ULISSES.Gramática da língua portuguesa.São Paulo: Scipione,2008.

POLITO, André Guilherme.Michaelis dicionário de sinônimos e antônimos.3.ed.São Paulo:Melhoramentos, 2009.

REVISTA Língua portuguesa. Ano 4.n.56.jun/2010.p.8.

REVISTA Língua portuguesa. Ano 4.n.53.mar/2010.p.8.

SAUSSURE, Ferdinand de.Curso de linguística geral.30.ed.São Paulo: Cultrix,2008.

SILVA, Maria Cecília Perez de Souza e & KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. São Paulo: Cortez, 2003.

TARALLO, Fernando.Apesquisa socio-linguísitca.7.ed.São Paulo: Ática,2000(série princípios).

http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11061 (em 19/10/1, 21:21)

http://www.brasilescola.com/educacao/o-internetes-ortografia.htm (acesso em 19/10/10, 20:47)

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Internetês (acesso em 19/10/10, 20:36)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet

httpwww.aticaeducacional.com.brhtdocspcnpcns.aspx

WWW.webartigos.com/articles/47430/1/AS-NOVAS-VARIEDADES-LINGUÍSTICAS-UTILIZADAS-NA-INTERNET

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/a-variacao-linguistica-na-internet-as-aventuras-e-desventuras-da-linguagem-virtual-no-cotidiano-escolar-5363461.html

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    O presente artigo nos proporciona uma pequena dimensão da importância e da consciência do bom uso da língua materna. Pois é através dela que nos fazemos contextualizados com a realidade de vida que possuímos.

    Por: Reginaldo Posol Educação> Línguasl 27/08/2013 lAcessos: 55

    A escola para a maioria das crianças brasileiras é o único espaço de acesso aos conhecimentos universais e sistematizados, e as crianças que durante sua vida escolar esporádica ou mais frequentemente os assim chamados, crianças com "distúrbios de aprendizagem" ou "problemas de aprendizagem" ou dificuldade de aprendizagem", quando não adequadamente tratados esses distúrbios, com certeza podem aumentar e se ampliar de tal forma que chegam a provocar acentuado insucesso escolar.

    Por: Cátia Martins Bernardes Lenzil Educação> Ensino Superiorl 27/10/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Resultado direto da Revolução Comercial, do mesmo modo, produto da ideologia política renascentista e posteriormente, da Filosofia iluminista.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 27/10/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Exemplo da Inglaterra. O Parlamento resultou. De uma conciliação dos poderes. Entre a nobreza e a burguesia. Sendo que Coroa reina. Mas apenas a burguesia governa.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 23/10/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    O seguinte motivo: não era nacionalista, Jesus defendia o domínio romano sobre os judeus, justificando que o povo pagasse imposto a Roma. Barrabás fora colocado em liberdade, pois defendia a luta armada para Israel libertar-se do domínio romano.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 22/10/2014

    Este artigo trata da importância da postura do professor universitário no desenvolvimento do aluno e como uma Filosofia Confessional influencia neste propósito. Para isso verificamos o papel das Instituições confessionais protestantes no processo da Educação Universitária do país. Para melhor conhecimento foi realizada uma pesquisa exploratória em forma de entrevista com alunos de uma Instituição confessional Protestante com o objetivo de saber qual a relação que eles têm com seus professores.

    Por: JACKSON ROBERTO DE ANDRADEl Educação> Ensino Superiorl 22/10/2014

    RESUMO Uma só palavra ou teoria não seria capaz de abarcar todos os processos e experiências históricas que marcaram a formação do povo brasileiro. Marcados pelas contradições do conflito e da convivência, constituímos uma nação com traços singulares que ainda se mostram vivos no cotidiano dos vários tipos de "brasileiros" que reconhecemos nesse território de dimensões continentais. A primeira marcante mistura aconteceu no momento em que as populações indígenas da região entraram em

    Por: Joiciane de Sousa Santosl Educação> Ensino Superiorl 21/10/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Dado ao caráter emergencial da fome generalizada, povos africanos têm que se alimentar de animais portadores de tais vírus, que são mortais ao organismo humano, como cobras, ratos, morcegos e o chimpanzé.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 20/10/2014 lAcessos: 15
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Motivado pelo conflito contra os ingleses com objetivo de controlar o norte da França, o referido monarca, formou um grande exercito, sustentados por impostos cobrados no território nacional.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 20/10/2014
    Manuella Santos da Hora

    O presente trabalho objetiva discutir a organização e a linguagem, em Os sertões (1902), de Euclides da Cunha (1866-1909). A partir desse objetivo, relatam-se algumas das relações que vinculam as narrativas históricas e culturais no corpo da obra citada, destacando a sua organização e linguagem na composição do enredo euclidiano.

    Por: Manuella Santos da Horal Educação> Línguasl 03/02/2014 lAcessos: 89
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