As conseqüências da modernidade, algumas considerações

Publicado em: 30/11/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 1,327 |

O que está nos "bastidores" desse processo transitório de um momento histórico socioeconômico, isto é da passagem para a sociedade da informação, é o que Giddens, (1991), denomina de "descontinuísmo". As instituições sociais assumem contornos novos e diferentes das formas tradicionais. Logo o chamado "pós-moderno", (LYOTARD, 1985), seria um período em que alguns aspectos da modernidade emergem de forma diversa do tradicionalmente conhecido, e sua compreensão se dá pela, "captura da natureza da descontinuidade em questão".

As descontinuidades são um traço marcante do desenvolvimento humano, mas as que o autor se debruça em especial relacionam-se com a consolidação da modernidade, que segundo ele, "são mais profundas que a maioria dos tipos de mudanças características dos períodos precedentes". Obviamente que o moderno e o tradicional não são mutuamente excludentes e ignorar suas coexistências seria mera grosseria.

Os impactos das transformações ocorridas no último quartil do século passado e neste início de terceiro milênio, obviamente de um ponto de vista histórico-social, são mais dramáticas e abrangentes do que em períodos anteriores, alterando a configuração social em uma velocidade sem precedentes. Neste diminuto período de tempo houve um frisson tão intenso, que seus aspectos mais concernentes ficaram ocultos e em aberto, por sua própria natureza complexa e seu curso contemporâneo, causando uma mixórdia estrutural. "A história não tem a forma "totalizada" que lhe é atribuída por suas concepções evolucionárias" (GIDDENS, 1991). A história é descontínua, logo é preciso desconstruir esta unicidade evolutiva de sucessão de eventos escritos muitas vezes a partir de idiossincrasias. O ritmo das mudanças, o escopo de influência mais globo e a natureza intrínseca das instituições são alguns dos aspectos mais salientes da modernidade, traços característicos deste momento histórico. Giddens, (1991), chama atenção para as dualidades, segurança e perigo e confiança e risco, imersas pela difusão em escala mundial das instituições modernas. Os paradoxos da modernidade agem como um fenômeno de dois gumes, ao mesmo tempo em que proporcionam mais segurança e oportunidade aos indivíduos, revelam um lado sombrio, como o autor, imprevisto pelos "patriarcas fundadores da sociologia", que acreditavam que as possibilidades benéficas superariam as características negativas.

Marx via a luta de classes como fonte de dissidências fundamentais na ordem capitalista, mas vislumbra ao mesmo tempo a emergência de um sistema social mais humano, (GIDDENS, 1991). Durkheim acreditava que a expansão ulterior do industrialismo estabelecia uma vida social harmoniosa e gratificante, integrada através da divisão do trabalho e do individualismo moral, (GIDDENS, 1991). Max Weber, (GIDDENS, 1991), era o mais pessimista entre os três, vendo o mundo moderno como um mundo paradoxal onde o progresso material era obtido apenas à custa de uma expansão da burocracia que esmagava a criatividade e a autonomia individual. Ainda assim, nem ele mesmo antecipou plenamente o quão extensivo viria a ser o lado mais sombrio da modernidade.

No intuito de revelar as características mais sórdidas da modernidade, Giddens, (1991), acaba por reconhecer que os clássicos da sociologia reconheceram que o trabalho industrial moderno trazia consequências degradantes, "submetendo à disciplina de um labor maçante e repetitivo os trabalhadores". Mas não se chegou a prever que o desenvolvimento das, "forças produtivas" teria um potencial destrutivo de larga escala em relação ao meio ambiente material. Preocupações ecológicas nunca tiveram espaço nas tradições de pensamento incorporado na sociologia, e não é surpreendente que os sociólogos hoje encontrem dificuldade em desenvolver uma avaliação sistemática delas, (GIDDENS, 1991). Outro aspecto seria o poder político expresso na forma de despotismo e principalmente totalitarismo.

Giddens cita o poder econômico, político e militar, como instituições que acabaram por lançar seu controle sobre o resto do mundo, demonstrando que essas não perdem sua força, mas sim se expandem na dita "pós-modernidade".

As dimensões institucionais da modernidade.            A diferenciação do estado-nação das organizações sociais tradicionais, se da pela sua concentração administrativa e o aparato de vigilância. A vigilância se da pela supervisão das atividades da população. De forma direta como se refere Foucault, (1996), tais como prisão, escolas e locais de trabalho aberto. E indireta através do controle da informação, conforme ilustração da figura 1.

Figura 1.

Uma vinculação entre o poder militar e o industrialismo, pode ser percebido com a industrialização da guerra, assim como a relação entre industrialismo e capitalismo. O industrialismo torna-se o eixo principal da conexão entre os seres humanos e natureza em condições da modernidade. Este fato desvincula os indivíduos agindo como extensões da natureza e os coloca em interação de manipulação com esta através do industrialismo.

            O contrato de trabalho capitalista não repousa diretamente sobre a posse dos meios de violência, e o trabalho assalariado é nominalmente livre, estabelecendo uma relação de dominação de classes diferentes da (escravidão), pautada na transferência do contrato de trabalho para as mãos das autoridades do estado, (GIDDENS, 1991). O estado-nação é outra instituição que proporcionou a aceleração da modernidade.

            Giddens, (1991), trata como fontes do dinamismo da modernidade: distanciamento tempo-espaço, desencaixe e reflexividade, não são espécies de instituições, mas condições que facilitam as transformações.

            Na globalização da modernidade, "a vida social é ordenada através do tempo e do espaço". O distanciamento entre o tempo e o espaço, relações entre envolvimento local e interação através de distância. Este processo se da pelo alongamento das relações entre formas sociais locais e distantes, conectando regiões e contextos sociais através da superfície da terra. A globalização repousa no ponto em que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de distância e vice-versa.

A literatura das relações internacionais - enfocam o desenvolvimento do sistema de estado-nação analisando sua origem na Europa e sua ulterior disseminação em escala mundial. Consequentemente há uma maior interdependência e perda da soberania sobre os negócios do estado-nação. Ao invés de emergir, como alguns previram o "estado-mundial", Giddens, (1991), utiliza o termo coordenação internacional dos estados. Neste ponto encontra-se um caráter dialético da globalização, a influência dos processos de desenvolvimento desigual, na medida em que a perda da autonomia por parte de alguns estados ou grupos de estados, corresponde ao fortalecimento de outros.          

"O capitalismo foi desde o começo um assunto da economia mundial e não dos estados-nação" segundo Wallerstein, (1985), ele transcende os limites nacionais. O estado-nações obedece a uma ordem política, por estas razão só pode fazer valer seu mando nos limites políticos de suas fronteiras. O capitalismo foi uma influência globalizante que atuando na ordem econômica, foi capaz de penetrar em áreas distantes do globo. Giddens, (1991), por seu turno ressalta que a deficiência da obra de Wallerstain (1985), encontra-se nela mesma ao ver o capitalismo, ou seja, a ordem econômica como responsável pelas transformações modernas, o que não permite elucidar concentrações de poder político e militar, que se alinham de maneira exata ás diferenciações econômicas, como pode ser observado através do esquema proposto pelo autor na figura 2.

            Os grupos, corporações de negócios, companhias multinacionais, dominam o espaço econômico dos estados exercendo influência política em seus países e origem e de negócios. Porém suas influências sobre a territorialidade política e sobre a violência, não se fazem sentir com rigor enaltecendo o poder do estado-nações nestas esferas. "Não importa quão grande possa ser seu poder econômico, as corporações industriais não são organizações militares" (como algumas delas eram durante o período colonial), (GIDDENS, 1991), e não podem se estabelecer como entidades político/legais que governam uma determinada área territorial.

As dimensões da globalização

Figura 2.

            "A influência de qualquer estado específico na ordem política global é fortemente condicionada pelo nível de sua riqueza (e a conexão entre este a força militar)".

            A soberania está vinculada à substituição das "fronteiras" por divisas, estabelecida pelo reconhecimento por parte dos outros estados de tais divisas. A ação planejada entre países a respeito da algumas coisas diminui a soberania individual das nações envolvidas.

            No que diz respeito à industrialização da guerra, Giddens, (1991), afirma que não há terceiro mundo, mas sim um primeiro, pois nações economicamente fracas possuem arsenais e tecnologias de ponta, no que se refere à guerra. Basta analisar as duas grandes guerras, conflitos locais tornaram-se questões globais. A divisão global do trabalho – fenômeno relacionado com a descentralização das indústrias de países desenvolvidos para regiões "Recém-industrializadas". "A difusão do industrialismo criou "um mundo" num sentido mais negativo e ameaçador, onde há mudanças ecológicas reais ou potenciais de um tipo daninho que afeta a todos no planeta".

            A reflexividade da modernidade passa pela tecnologização dos meios de comunicação, que proporcionaram uma maior manipulação e teorização dos acontecimentos. Conforme a observação de Giddens, "historicidade significa o conhecimento sobre o passado como um meio de romper com ele – ou, ao menos, manter apenas o que pode ser justificado de uma maneira proba", (Giddens, 1991).

            Como o suporte da confiança, organiza aspectos da vida através de instituições desencaixadas, ligando práticas locais a relações sociais globais?

            As interações com o estranho, o "estranho" para Simmel, (1983), muda em termos, com a modernidade. Nas sociedades pré-modernas, que tem como base a comunidade como referência, o estranho é o que vem de fora, alguém que dificilmente ganhará a confiança no local. Nas sociedades modernas, esta interação é configurada por interações efêmeras, que assumem uma forma anônima no cenário social. Está atividade foi descrita por Goffman, (2010), como "desatenção civil". A configuração dos olhares constrói a intenção dos olhares, que pode presumir uma provocação ou aceite de hostilidade implícita no ambiente social, estabelecendo uma relação de confiança e não confiança, como signos legíveis nas interações. (postura e posicionamento corporal que transmitem a mensagem).

            Está significação da confiança na modernidade projeta-se através de sistemas abstratos. Na visão de Giddens, (1991), a natureza das instituições modernas está profundamente ligada ao mecanismo da confiança em sistemas abstratos, como os sistemas peritos. Há uma fidedignidade depositada nos sistemas peritos pelos leigos, os que não conhecem de forma "perita" seu funcionamento, conferindo-lhes uma sensação de segurança e risco, com base em um cálculo de vantagens que podem ser extraídas. O argumento do autor é de que não se pode estar à margem destes sistemas, pelo fato das iminentes tensões sociais, (guerras nucleares, catástrofes ecológicas), estarem ligadas a eles, assim como as possibilidades de entrelaçamento dos atores e instituições.

            Giddens, (1991), faz uma diferenciação entre o período pré-moderno e moderno, em relação ao acesso e não-acesso aos sistemas. Os sistemas mágicos dos sacerdotes e feiticeiros não eram acessíveis aos indivíduos, porém os sistemas abstratos e peritos podem ser percebidos. Estes pontos de acesso aos sistemas envolvem, em uma relação de confiança, o modo como eles são apresentados e a leitura que os atores são capazes de fazer deles.  As interações entre os indivíduos e as instituições são permeadas pro estes sistemas.

            O acesso aos sistemas se dá através dos operadores dos sistemas, estes encontros podem estabelecer relações de confiança, quando se trata de um profissional "com rosto", podendo até construir uma relação de amizade. Por seu lado os encontros irregulares, se dão por uma relação de fidedignidade, na medida em que serão regulados por desconhecidos ou instituições, estabelecendo uma relação de confiança com o "estranho", no contato com os sistemas peritos. A confiança está no sistema e não no individuo que apenas o representa.

            Este processo das relações com os sistemas peritos, através dos pontos de acesso, ocorre por uma espécie de "técnica" de transmitir a confiança e de expressa-la e de "reduzir o impacto das habilidades imperfeitas e da falibilidade humana". "Não existem habilidades tão cuidadosamente afiadas e nem forma de conhecimento perito tão abrangente que estejam isentas de intervenção de elementos do acaso", (GIDDENS, 1991). Estes elementos quanto mais distantes dos olhos e do conhecimento dos leigos aos sistemas, contribuem para o aumento da confiança.

            A confiança em sistemas peritos como o educacional é visto, em seus princípios primeiros, como quase que indubitável, porém um indivíduo que estenda seus conhecimentos sobre determinada área, poderá com o tempo questionar certos pressupostos e emergir a falibilidade dos sistemas, pelo fato de transitar de uma visão "leiga" ou menos apurada, à interação com os mecanismos de construção do sistema.  Os meios de produção de sistemas peritos são tidos como fechados, o que por sua vez acaba por obstruir o leigo. Os pontos de acesso são locais de tensão entre ceticismo leigo e perícia profissional.

            A natureza desta relação repousa no que Giddens, (1991), chama de confiança e segurança ontológica. Os sistemas ontológicos que geram confiança, são processos construídos a partir da formação da sensação de segurança constituída durante a primeira infância. A relação de confiança da criança com o mundo circundante irá constituir-se do seu senso de confiabilidade pessoal dentro de estrutura de confiança do estilo de vida de sua cultura e do seu "protetor". A ausência também desenvolve a sensação de confiança através do sentimento produzido pelo regresso do protetor, fatores fundamentais na construção da auto-identidade.

            "A previsibilidade das rotinas (aparentemente) sem importância da vida cotidiana está profundamente envolvida com um sentimento de segurança psicológica. Quando tais rotinas são alteradas – por razões – a ansiedade transborda, e aspectos muito firmemente alicerçados da personalidade do indivíduo podem ser afetados e alterados". A tradição é rotina, ela se estabelece através da confiança, que diferentemente da religião, não se refere a nenhum corpo particular de crenças e práticas, mas à maneira pelas quais estas crenças e praticas são organizadas, especialmente em relação ao tempo. A tradição contribui para a segurança ontológica, pois mantém o presente e o futuro e contribui para a rotinização das práticas sociais.

O ambiente de risco das culturas tradicionais era dominado pelas vicissitudes do mundo físico. Como observou Hobbes, (2009), "num estado de natureza, a vida humana seria detestável, brutal e curta".  Em condições da modernidade, os perigos que enfrentamos não deveriam mais primariamente do mundo da natureza, embora eles existam, mas em sua maior parte, nossas relações com o mundo físico são radicalmente diferentes – especialmente nos setores industriais. Este novo perfil de risco, com o desenvolvimento das instituições sociais modernas, persiste um pouco de equilíbrio entre confiança e risco, segurança e perigo. Mas os elementos principais envolvidos são bastante diferentes. As atividades humanas permanecem situadas e contextualizadas, mas o impacto das três grandes forças dinâmicas da modernidade – a separação tempo espaço, os mecanismos de desencaixe e a reflexividade institucional – desengaja formas básicas de relações de confiança dos atributos de contextos locais, (GIDDENS, 1991).

A ameaça de violência militar permanece parte do perfil de risco da modernidade. Entretanto, seu caráter mudou substancialmente em conjunção com a natureza alterada do controle dos meios de violência em relação à guerra. O risco e o perigo, como vivenciamos em relação à segurança ontológica, tornaram-se secularizados juntamente com a maior parte dos outros aspectos da vida social. Um mundo estruturado, segundo Giddens, (1991), principalmente por riscos humanamente criados tem muito pouco lugar para influências divinas, ou de fato para as propiciações mágicas e forças ou espíritos cósmicos.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 

Outro aspecto ligado aos sistemas abstratos é a transformação da intimidade na modernidade, tendências globalizantes da modernidade nos contextos da vida cotidiana. A esfera privada tornou-se "desinstitucionalizada", como resultado do predomínio de organizações burocráticas de larga escala e da influência geral da "sociedade de massas". A esfera da vida publica tornou-se excessivamente institucionalizado. O "comunal" tem sido oposto ao "social", o "impessoal" com o "pessoal" – e, a partir de uma perspectiva um tanto diferente, o "estado" com a "sociedade civil" – como se fossem todos variantes da mesma coisa. A amizade, dentro da comunidade, onde o de dentro e de fora são bem definidos, torna-se institucionalizada no estabelecimento da relação de confiança e criação de alianças. Ela é frequentemente um modo de reencaixe, porém não envolvida diretamente nos sistemas abstratos. "o oposto de "amigo" não é mais "inimigo", pode ser conhecido, colega, ou alguém que não conheço".

            Confianças em princípios impessoais, sistemas abstratos, estão diretamente ligados com uma configuração moderna da intimidade e identidade pessoal. Relacionamentos são laços baseados em confiança, onde a confiança não é pré-datada, mas trabalhada, e onde o trabalho envolvido significa um processo mútuo de auto-revelação. 

            No que se refere a risco e perigo no mundo moderno, Giddens, (1991), salienta que "aspectos ameaçadores" do mundo contemporâneo, podemos ressaltar as diferenciações dos riscos, como por exemplo: O desenvolvimento de riscos ambientais institucionalizados afetando as possibilidades de vida de milhões: mercados de investimento. O "aspecto ameaçador" está vinculado à intensidade do risco, em vista da modernidade.      

            As categorias de riscos globais às quais estão todos à mercê, envolvem riscos concernentes a catástrofes nucleares por exemplo. Mas uma segunda categoria de riscos, produzidos pelo mecanismo de desencaixe, se refere retirada das "mãos de quaisquer indivíduos ou grupos específicos, demonstrando o outro lado do nível de segurança global". "Recursos e serviços já não estão mais sob controle local e não podem, portanto ser localmente reordenados no sentido de irem ao encontro de contingências inesperadas", (GIDDENS, 1991). Há também riscos inerentes relativos à prever os lances dos investidores do não-risco de guerra, mecanismo que acaba sendo fundamento no que tangue os investimentos.             

              "A difusão do conhecimento leigo dos ambientes modernos de risco leva à consciência dos limites da pericia e constitui um dos problemas de "relações públicas" que devem ser enfrentados por aqueles que procuram manter a confiança leiga nos sistemas peritos", (GIDDENS, 1991). Os peritos, ou os detentores do conhecimento de certos sistemas profissional, estabelecem uma relação com o leigo, de assumirem riscos intrínsecos ao processo, pelo fato de se apropriarem do sistema como um todo, o que envolve riscos e técnicas. Do contrário, se estes riscos fossem percebidos pelos que fazem uso destes sistemas, como afirma Giddens, (1991), a própria ideia de perícia estaria em perigo.

            Pautando-se em uma fenomenologia da modernidade, Giddens, (1991), destaca duas perspectivas literárias da imagem de como é viver na modernidade. Uma é de Weber, segundo o qual os laços de racionalidade tornam-se cada vez mais apertados em uma rotina burocratizada, que caracterizam o contexto das instituições modernas através da perícia. Giddens, (1991), destaca como ponto falho nesta teoria de Weber o fato de que as organizações em grande escala, ao invés de tender inevitavelmente à rigidez, as organizações produzem áreas de autonomia e espontaneidade. este reparo foi observado por Giddens, (1991), realizado na obra de Durkhein, destacando que em grupos menores com horizontes de ação mais estreitos, demonstra este traço de forma mais acentuado do que em organizações maiores.

            A segunda imagem que Giddens, (1991), desfruta é a de Marx, ele percebeu o quão destruidor, e irreversível, seria o impacto da modernidade. "o capitalismo, simplesmente é uma via irracional para dirigir o mundo moderno, porque ele substitui a satisfação controlada das necessidades humanas pelos caprichos do mercado".

            "A transformação da intimidade é contingente do próprio distanciamento trazido pelos mecanismos de desencaixe, combinado com a alteração dos ambientes de confiança que eles pressupõem". Giddens, (1991), destaca que a intimidade pré-moderna era pautada nas relações familiares, interações pré-estabelecidas pelas tradições. Na modernidade, mesmo com exigências de impessoalidades em certos contatos, o nível de intimidade das relações pessoais e sexuais modernas, não podem ser equiparados. "Os laços pessoas são atados em atados em outros que não eram anteriormente, mesmo com o distanciamento tempo-espaço, relações próximas podem ser superficiais e distantes profundamente íntimas".

            Os sistemas peritos voltados para os relacionamentos e individualidades, demonstram a intimidade em condições da modernidade. O conhecimento sobre o funcionamento dos sistemas na modernidade assume uma complexidade e variabilidade que não pode ser encontrada em um único indivíduo ou instituição, diferentemente do período pré-moderno onde o "conhecimento local", expressão de (GEERTZ, 1978), onde a comunidade tinha mapeado os conhecimentos necessários e habilidades da vida cotidiana. Embora na modernidade nada impede que os indivíduos reapropriem-se dos sistemas peritos, para aplicar em seu cotidiano, interações estas que são influenciadas por situações ligados ao contexto socioeconômico. Estas reaproprieções dos sistemas inferem em vários aspectos da vida social, como prazer sexual, educação infantil etc... logo é possível perceber as mudanças processadas nas relações sociais contemporâneas, alteram as relações interpessoal dos atores, produzindo modos de interações totalmente diversos, pautados, segundo Giddens, (1991), nos conceitos de distanciamento tempo-espaço, desencaixe e reflexividade.

                                

BIBLIOGRAFIA

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1996

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, (1978).

GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. São Paulo, SP - UNESP, 1991.   

GOFFMAN, Erving. Comportamento em lugares públicos. Petrópolis, Vozes, 2010.

HOBBES, Thomas. Leviatã, ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. Coleção a obra-prima de cada autor. Trad. Rosina D'Angina. São Paulo: Martin Claret, 2009.

SIMMEL, George: Sociologia. Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Ed. Ática, 1983.

WALLERSTEIN, Immanuel. O capitalismo histórico. São Paulo: Brasiliense, 1985.

              

              

           

                    

              

                         

           

    

   

            

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/as-consequencias-da-modernidade-algumas-consideracoes-5442757.html

    Palavras-chave do artigo:

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    ,

    globalizacao

    ,

    relacoes sociais

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    Artigo, que procura fazer uma reflexão sobre o emprego da pedagogia histórico-crítica, para o ensino de sociologia, e versa sobre a instrumentalizaçao e possíveis caminhos para o desenvolvimento de uma metodologia de ensino própria para a sociologia.

    Por: Cristiano Pinheiro Corrêal Educação> Ciêncial 25/05/2013 lAcessos: 140

    Artigo apresentado no V Simpósio de PesquUisa e Pós-Graduação em Educação, 2013, na Universidade estadual de Londrina. trata da disciplina de sociologia no ensino médio e da construção de uma metodologia de ansino apropriada, perpasando a pedagogia histórico-crítica.

    Por: Cristiano Pinheiro Corrêal Educação> Ciêncial 24/05/2013 lAcessos: 141

    O mundo do trabalho e as implicações que seus processos engendram, certamente afetam diretamente o desenvolvimento da vida dos seres humanos em sociedade, as mudanças ocorridas na sua estrutura, projetam reflexos nas dimensões subjetivas e objetivas do ser social. Nas últimas décadas do século passado e neste início do terceiro milênio, vivenciamos profundas alterações ocorridas nas estruturas do mundo do trabalho, acompanhadas por um momento que se habituou chamar de globalização.

    Por: Cristiano Pinheiro Corrêal Educação> Ensino Superiorl 30/11/2011 lAcessos: 553

    Talvez em nenhum outro momento da história, se tenha reunido um mosaico tão grande de ritmos e gêneros musicais em um mesmo ambiente, o ciberespaço, onde é possível encontrar os hits do momento, os sucessos das décadas passadas e as criações de um grupo da vizinhança. A partir desta perspectiva é possível relacionar os conceitos de, indústria cultural, cultura de massa, democracia e Cibercultura.

    Por: Cristiano Pinheiro Corrêal Educação> Ensino Superiorl 30/11/2011 lAcessos: 124

    Este estudo procura descrever as relações políticas envolvendo as forças políticas regionais e nacionais e os papeis dos personagens. No senso comum destaca-se um nítido conflito entre Vargas e Pasqualini, respectivamente o pragmatismo e a ideologia doutrinária no seio do PTB. Segundo PETERSEN & LUCA (1992), a relação entre estes atores se da em torno de uma divisão de tarefas, complementares e conflitivas.

    Por: Cristiano Pinheiro Corrêal Educação> Ensino Superiorl 30/11/2011 lAcessos: 154

    BAUMAN (2001) ao analisar a configuração atual dos moldes sociais e suas tendências, projeta-se sobre o conceito de modernidade líquida ou "modernidade fluida", no intuito de demonstrar um avançado processo de desintegração das estruturas que permearam a modernidade. Portanto estaríamos diante de um momento onde as formas ditas "sólidas", estão se "fundindo", produzindo como consequências a reestruturação das instâncias sociais, porém sob uma nova ótica.

    Por: Cristiano Pinheiro Corrêal Educação> Ensino Superiorl 30/11/2011 lAcessos: 205

    A tradição clássica da sociologia burguesa e da sociologia marxista compartilham a visão de que o trabalho constitui o fato sociológico fundamental; que constrói a sociedade moderna e sua dinâmica central como uma "sociedade do trabalho".

    Por: Cristiano Pinheiro Corrêal Educação> Ensino Superiorl 30/11/2011 lAcessos: 521

    Em 1990, o tempo médio de vida de um brasileiro não superava os 40 anos de idade, em sua grande maioria estavam desassistidos por regras sociais trabalhistas, que em tese não existiam. Em sua grande maioria, os brasileiros iniciavam no trabalho com 6 ou 7 anos, com predominância no setor agropecuário.

    Por: Cristiano Pinheiro Corrêal Educação> Ensino Superiorl 30/11/2011 lAcessos: 103
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