As Teorias Educacionais e suas Contribuições para a Prática Pedagógica na atualidade brasileira

21/09/2010 • Por • 10,739 Acessos


AS TEORIAS EDUCACIONAIS E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA NA ATUALIDADE BRASILEIRA

*Maria Aparecida de Sá

 

Várias teorias tentaram e tentam interpretar e propor alternativas para o agir humano na sociedade e nele o agir pedagógico. Nem todas, porém, contribuem efetivamente para dar melhores perspectivas e entusiasmo a prática docente. Há casos, em que uma teoria, apesar de seus aspectos válidos para finalidades específicas, no seu todo, acaba por gerar descrença, passividade, decepção.

A participação do aluno na construção de seu saber, tão comentado e proposto, como uma ação imprescindível no processo ensino-aprendizagem para esse momento histórico atual, necessita de aprofundamento em estudos anteriores baseados em grades pensadores para que possamos refletir e compreender como se deu todo o processo educacional anterior para desta forma, buscar-se maneiras adequadas de direcionar os caminhos que irão levar aos objetivos propostos para o que se propõe a educação atual.

Para que o sistema educacional consiga progressão em sua meta é necessário que todos os educadores possam estar conhecendo as diversas teorias educacionais que vigoraram e as condizentes ao período histórico atual, podendo dessa forma, se aperfeiçoarem continuadamente, oferecendo perspectivas inovadoras e instigantes aos seus alunos e a si mesmo.

A teoria de Paulo Freire remete-nos a reflexão acerca da metodologia educacional, que por bem, faz mais parte do passado que do presente educacional, denominando de educação bancária, onde o professor é o depositante e o aluno o depositário do saber, restando para o segundo apenas render "juros", sem possibilidades de críticas reflexivas. "Ninguém ensina nada a ninguém e as pessoas não aprendem sozinha" (FREIRE, in ROMÃO, 2001:23).

PIAGET constatou com seus estudos, que a experiência é importante para que ocorra o momento da assimilação do conhecimento, segundo o biólogo, quando o aluno experimenta o saber, ele constrói um caminho mais breve ao entendimento do fenômeno estudado. Portanto, a interação do indivíduo com o meio físico e biológico, quanto maior e mais cedo, propicia o desenvolvimento do pensamento. Ele define a inteligência como a adaptação que tem como característica o equilíbrio entre o organismo e o meio, que resulta na interação entre o processo de assimilação e acomodação, que é o motor da aprendizagem.

Outro pensador influente no processo ensino-aprendizagem é Lev Vygotsky. Ele desenvolveu a idéia de que o indivíduo não nasce com características pré-determinadas para a inteligência e para o estado emocional, mas sim, evolui intelectualmente quando interagido constantemente a reflexões sobre questões internas e das influências do mundo social.

Para Vygotksy, a função da mediação social nas relações entre o indivíduo e o seu meio, ocorre através de ferramenta, e na atividade física intraindivíduo é feita através de sinais. Mesmo que o indivíduo nasça com predisposição para algo, ele dependerá do aprendizado ao longo de sua vida, adquirido durante as relações permeadas pelo seu grupo social.

Já para Wallon, o meio é um complemento indispensável ao ser vivo que supre suas necessidades e as suas aptidões sensório-motoras e, depois, psicomotoras. Um estado de desequilíbrio ou crise emocional tem impacto direto sobre as ações. Sob o efeito de emoções descontroladas também se perde o comando das ações.

A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner, propõe a existência de um espectro de inteligências a comandar a mente humana. De acordo com Gardner, as sete inteligências são: lógico-matemática; lingüística; espacial; físico-cinestésico; interpessoal; intrapessoal e musical.

Outra contribuição significativa para a atualidade foi a pesquisa realizada pela psicolinguística argentina Emília Ferreira, diagnosticando as fases de apreensão da escrita, denominando psicogênese da língua escrita. De acordo com esta teoria, todas as crianças passam por quatros fases até que esteja alfabetizada: pré-silábica; silábica; silábico-alfabético e alfabético.

Hoje temos teorias mais avançadas como a teoria da complexidade e a teoria da autopoiese, onde a primeira nos propicia a proximidade da realidade, numa perspectiva de relações de trabalho, de família, de sociedade, de meio ambiente ou de qualquer outra manifestação de organização que a cultura propicie.

A Teoria Autopoiese ou autopoiesis (do grego auto "próprio", poiesis "criação") é um termo que surgiu na década de 70 pelos biólogos e filósofos chilenos:Varela e Maturana para designar a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios.

Com todas essa gama de teorias existentes, em todos os períodos históricos, fica difícil destacar uma que seria a ideal, mesmo porque vivemos em realidades distintas com especifidades em cada região, o docente precisa sim está a par das experiências realidadas, de estudos feitos por filósofos, teóricos e pesquisadores que poderão contribuir para a reflexão do fazer pedagógico, mas não estamos falando de receita como é o desejo de muitos educadores, que se crie um modelo para ser utilizado.

BIBLIOGRAFIA:

http://www.idbrasil.org.br/drupal/?q=node/29263

http://www.teoriadacomplexidade.com.br/teoria-da-complexidade.html

 

 

 

 

 

 

 

 

Perfil do Autor

Aparecida Sá

* Mestranda em Ciências da Educação, Especialista em Supervisão Educacional, Pedagoga do IF SERTÃO-PE e Professora da 1ª Fase de Educação de Jovens e Adultos da Escola Estadual Júlio de Mello – Floresta –PE