As transformações ocorridas ao longo dos anos na cidade de Campos dos Goytacazes - RJ

Publicado em: 01/07/2013 |Comentário: 0 | Acessos: 131 |

1.     INTRODUÇÃO

O município de Campos dos Goytacazes – RJ tem o privilégio de ter o Rio Paraíba do Sul embelezando a cidade por sua extensão. Este rio, além de ter contribuído para o sustento de muitas famílias, foi o principal percurso realizado pelas embarcações da época, para trazer lenhas para a extinta Fábrica de Tecidos localizada na Avenida Quinze de Novembro, mas propriamente, na Lapa, assim, como produtos alimentícios de outros municípios para abastecer as feiras.

O município, também trouxe desafios para os seus empreendedores e riquezas. Proporcionou inúmeros empregos a sua população, que quando não estavam nas fábricas, trabalhavam nas lavouras, no comércio e/ou fundições, que na época, podia desfrutar da certeza de que valia a pena se investir sem correr tantos riscos (isso porque, quanto mais a cidade se desenvolve, cresce a violência, e torna-se necessário, adequar-se a novos métodos de trabalho, sem contar com a economia sempre oscilante).

A cidade também era conhecida pelo seu Carnaval. Era considerado o terceiro melhor do país. Mas o progresso modifica, e é sabido que é preciso evoluir e crescer. E, Campos dos Goytacazes – RJ, hoje, é considerada a menina dos olhos do mundo, porém, para se conhecer melhor esse município tão importante para a economia brasileira, é fundamental relatar alguns detalhes da extinta Fábrica de Tecidos.

Assim, o objeto de estudo busca descrever as transformações que vem ocorrendo no município, a partir de alguns detalhes da extinta Fábrica de Tecidos em Campos dos Goytacazes – RJ.

O objetivo é mostrar as transformações ocorridas no município desde a década de 1940 e os desafios enfrentados pela população quando a mesma foi extinta e os da atualidade.

Ressalta-se, que o intuito é descrever fatos da história de Campos dos Goytacazes – RJ, até os dias atuais, mostrando as dificuldades enfrentadas pela população e a instalação do Complexo Portuário do Açu no Município de São João da Barra, um mega empreendimento, que já aponta para muitos problemas, dentre eles: a questão da violência; do desemprego dos habitantes que não conseguem arcar com cursos de qualificação; o crescimento imobiliário (os altos preço deste) e o novo perfil que a cidade está adquirindo a cada dia.

Enfatizando, que, quando o Porto estiver funcionando, no que se trata dos funcionários chamados de chão-de-fábrica, com toda a certeza, terá que buscar qualificação, retornar a cidade de origem e/ou passar a constituir mais um desafio para os governantes locais, devido ao superpovoamento da cidade e do crescimento que ao longo dos anos ficará bem desordenado.

2.     DESENVOLVIMENTO

Campos dos Goytacazes – RJ é um município que a cada ano surpreende seus habitantes, seja pela beleza de sua cultura, pelos pontos turísticos que trazem um bem-estar inconfundível aos seus visitantes, pelo seu desenvolvimento, que aponta um novo perfil para a cidade, seja em termos de crescimento imobiliário, de novos empreendimentos e de questões relacionadas aos problemas de violência urbana (o que vem sendo "comum" na atualidade); desemprego; a procura de profissionais de outras regiões do país para viverem aqui (o que vai tornando a cidade cara, já que a questão econômica passa a ser voltada para atender a esse novo perfil de morador); e os desafios de se produzir alternativas para abrigar as pessoas que se deslocam de suas cidades sem estar qualificadas (para o futuro) para trabalhar no Município de São João da Barra – Porto do Açu (os profissionais de chão-de-fábrica da construção do Porto que terão que se profissionalizarem para manter-se no emprego e/ou retornarem aos seus locais de origem), sendo, que muitos acabam optando por morar aqui devido ao seu desenvolvimento.

Mas retornando um pouco ao passado. A extinta Fábrica de Tecidos foi um polo gerador de empregos, sendo que na década de 1920 até 1940 foi para os habitantes um dos principais meios de sobrevivência, pois a Fábrica empregava jovens a partir dos 14 anos de idade, que iniciavam suas carreiras como auxiliares dentro dos inúmeros setores distribuídos dentro dela, e que aos poucos iam adquirindo novas funções, até obterem cargos de confiança.

Nesta época, as mulheres campistas, também tinham a oportunidade de fazer parte do quadro de colaboradoras. Era ofertado a elas salários de acordo com as funções desenvolvidas, e ainda, podiam contar com creches para seus filhos em horário integral (no mesmo local), sendo, que as crianças eram acolhidas a partir dos três meses até um ano de idade, com acompanhamento, alimentação, banho e os cuidados essenciais a uma criança.

As pessoas quando adentravam na Fábrica, mesmo sendo menor, logo, tinham as suas carteiras assinadas. Os salários eram pagos sem atrasos com os direitos estabelecidos na Lei da época (INPS – atual INSS).

Foi uma época de estabilidade econômica para a população campista e regiões circunvizinhas, pois a mesma garantia à subsistência de muitas famílias e o desemprego quase não existia (isso, também, porque a população era muito menor).

A Fábrica vendia tecidos para diversos Estados, que eram transportados por trens e caminhões. Ressalta-se, que nesse período, a Rede Ferroviária Federal S.A (RFFSA), constituiu um marco de importância, não somente pelo transporte de cargas, mas principalmente, de passageiros, para as localidades próximas ao município, como por exemplo, Baixa Grande e Santo Amaro e outros Estados.

A Antiga Fábrica era dividida em duas partes: uma parte era chamada de Nossa Senhora da Conceição e a outra de Santa Bárbara.

A Fábrica funcionou por longos anos, gerando empregos, proporcionando aos jovens a profissionalização e a oportunidade de permanência no mercado de trabalho.

Foi uma época de ouro para Campos, mas que lamentavelmente, foi extinta na década de 1960, por razões desconhecidas. Enfatizando, que nos anos compreendidos entre 1960 e 1965 houve muitas greves, devido aos atrasos nos salários, fechamento da creche, e problemas oriundos de conflitos entre empregados e empregadores. 

Após a sua extinção, a Fábrica ficou abandonada por longos anos e foi se perdendo no tempo. Os funcionários, que na época ocupavam as casas em torno da mesma, como forma de pagamento acabaram adquirindo-as junto à justiça (depois de muitos anos de luta), outros tiveram que enfrentar o desemprego e/ou arrumar novos empregos, assim, como descobrir maneiras de garantir a sobrevivência.

Com o abandono da Fábrica pelos seus proprietários, o que restou da mesma foi a Torre que permanece até os dias atuais como símbolo na cidade e que não deixa de ser um ponto histórico para os visitantes.

A partir dos anos de 1970 o município começou a adquirir um novo perfil. Destacando, que a Antiga Fábrica de Tecidos deu origem a um empreendimento novo.

Com o passar dos anos e com a exploração de petróleo na Bacia de Campos, a população foi aumentando, e com ela foram surgindo os problemas que toda a cidade enfrenta quando o índice populacional aumenta acima do esperado. Como por exemplo: a violência e o desemprego.

Lembrando, que nesta década (1970) as usinas açucareiras começaram a enfrentar declínio, com isso, muitos trabalhadores rurais vieram para a cidade e sem ter onde morar foram construindo pequenos barracos, que aos poucos se transformaram em comunidades, o que se revelou em mais um problema para a cidade.

Com a chegada dos anos de 1980, com parte das usinas açucareiras enfrentando problemas, o comércio também teve seu declínio, lojas renomadas foram fechadas, a cidade começou a se adequar a um novo perfil, que aos poucos e com a chegada dos anos 90, produziu-se uma queda na economia local e uma desestruturação em termos sociais, políticos e econômicos.

Os anos foram passando, e com as descobertas de novas reservas de petróleo e a camada de pré-sal, o mundo começou a olhar para o município por sua riqueza. Novos empreendedores foram surgindo, dando origem aos mais variados tipos de comércios e prestações de serviços.

Na atualidade, a cidade passa a ter que ser olhada de uma nova forma, o crescimento imobiliário faz surgir condomínios de luxos, edifícios belíssimos, o que encarece o custo de vida para os habitantes, haja vista, que tudo se volta para o poder aquisitivo desses investidores.  Há investimentos em todas as áreas que se possa imaginar. Mas ressalta-se, que o desenvolvimento sempre é muito bom, mas traz consigo sérios problemas.

Hoje, têm-se os olhos voltados para o Município de São João da Barra – Complexo Portuário do Açu, porém, toda a mobilização que acontece lá reflete diretamente no município de Campos, que se localiza a poucos quilômetros do mesmo, isso devido à estrutura que a cidade oferta.

Com isso, nota-se, que há a necessidade de reestruturação da cidade, isso porque, a mesma está sendo o sonho de inúmeras pessoas de outros Estados e do mundo, o que vem apresentando problemas em relação ao índice de violência (tem crescido bastante nos dois últimos anos); a falta de cursos profissionalizantes gratuitos para todas as idades, com a finalidade de atender a demanda de mercado; a falta de preparo da própria população para receber os empreendedores (maioria estrangeiros); cursos em escolas públicas para qualificar jovens aprendizes e tirá-los das ruas, já que o número de adolescentes/jovens que causam problemas com drogas está se propagando de forma incontrolada (não somente em Campos, mas em todo o Brasil, mas aqui, ainda há a possibilidade de mapear uma estratégia), e a própria mobilidade urbana que está se transformando num caos diário.

A cidade conta hoje com mais de quinhentos mil habitantes, o que irá dobrar quando o Complexo Portuário do Açu estiver funcionando a todo vapor. E, isso será um problema sério, pois como qualquer lugar que abriga um porto, os desafios para a população e governantes são enormes, levando-se, em consideração, que passa-se a ter uma mistura de cultura, e a cidade não está estruturada, há a necessidade de uma avaliação, para que nós moradores e habitantes deste município possamos continuar desfrutando dessa bela cidade sem deixar perder a nossa cultura.

Muitos novos empreendedores na área de petróleo e áreas afins já estão investindo aqui. E, por mais que as mudanças estejam sendo feitas em vários setores, é preciso à percepção de que a mesma não está no mesmo ritmo de crescimento. Com isso, nota-se, que é preciso reavaliar e criar projetos que fortaleçam as ações já produzidas para que no futuro tenhamos uma cidade que produza não somente petróleo, mas bem-estar, segurança, qualidade na educação e na área de saúde.

Enfatizando, que por mais que o Município de São João da Barra esteja crescendo e buscando meios para acompanhar a evolução, é o município de Campos que irá receber por longos anos os desafios de equilibrar os dois municípios, para abrigar não somente os habitantes daqui, mas os que aqui já estão chegando de todos os lugares do país e irão ficar.

Enfim, o intuito deste artigo é apresentar uma visão geral da percepção da pesquisadora nos últimos anos em relação ao município e de alguma forma contribuir para os estudiosos da área e responsáveis pelo mesmo para possam promover ações estratégicas para não deixar a cultura e os valores da cidade se perderem com o passar dos anos.

Enfatizando, que as mudanças que vem ocorrendo em Campos estão trazendo novas perspectivas de vida para os habitantes, o que é muito bom. Destacando, também que o Complexo Portuário do Açu, esse mega empreendimento, já traz pontos positivos inquestionáveis, e que São João da Barra é um município que tem tudo para crescer e evoluir, mas levará anos, por isso, é de suma importância que se analisem as transformações e que se avaliem o perfil que a cidade está ganhando a cada dia.

3.     CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo realizado buscou apresentar alguns pontos importantes em torno do desenvolvimento do município de Campos dos Goytacazes – RJ, sua transformação a partir da extinta Fábrica de Tecidos, e os desafios enfrentados na época pelos ex-funcionários, assim, como os problemas oriundos do crescimento que está acontecendo todos os dias e traçando um novo perfil da cidade.

O interesse não é criticar os governantes dos dois municípios, mas propor que criem ações que acompanhem o desenvolvimento, para que no futuro, não venhamos a sofrer com tantos problemas ocasionados por grandes construções. Assim, como atentar para criação de projetos para estruturar os já existentes.

4.     REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CONCEIÇÃO, Giselle Alves da. As Transformações ocorridas ao Longo dos anos na Cidade de Campos dos Goytacazes – RJ. Campos dos Goytacazes – RJ, 28 de junho de 2013.

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