Assistência de Enfermagem à Pacientes Portadores de Queimaduras Graves

09/05/2013 • Por • 171 Acessos

1. Introdução:

A conduta do enfermeiro direcionada ao paciente queimado é complexa, a ação de cuidar do enfermeiro deve estar direcionada tanto para as lesões quanto para psicológico do lesionado, esse processo de cuidar tem que ser trabalhado desde o primeiro contato do enfermeiro com a vítima.

O referido artigo bibliográfico, de caráter qualitativo, visa entender quais as possíveis sequelas que uma vítima de queimadura pode ter, sendo necessários os rápidos e precisos atendimentos pré-hospitalares,  indispensáveis na avaliação do prognóstico do paciente.

2. Desenvolvimento:

As queimaduras são lesões ocasionadas por agente externo, que podem destruir partes dos tecidos, dividem-se quanto a sua extensão e profundidade. A queimadura de 1º grau é caracterizada pela sua superficialidade, atingindo a epiderme camada externa da pele, ocasionando ferimentos leves, como inchaço e pele sensível, a dor do paciente relacionada a esse grau da queimadura e de nível médio baixo. A queimadura de 2º grau atinge as duas primeiras camadas da pele a epiderme e a derme, provocando fortes dores, vermelhidão, formando bolhas aumentando a hipersensibilidade da região, podendo o paciente já estar em estado de choque variando da extensão da área  afetada. A queimadura de 3° grau caracteriza-se pela  lesão profunda que atinge a epiderme, a derme e o tecido subcutâneo deixando a vitima em estado de choque, pois a pele que impede a evaporação de líquidos foi destruída, os ferimentos são região esbranquiçada, endurecida e carbonizada a dor do paciente e relativa já que os tecidos nervosos foram destruídos. A queimadura de 4º grau é perigosíssima, atingindo desde a epiderme até os vasos sanguíneos e órgãos, dependendo de sua extensão podem levar a vítima à perda dos membros afetados ou até mesmo ao óbito se não tratado corretamente ou se houver complicações no tratamento e a vítima estar debilitada e não resistir aos ferimentos graves.

Os agentes causadores de queimaduras são: radiação solar, frio, química, gás, chama, elétrica, superfície aquecida, combustível. De acordo com GOMES, "dentre todos os combustíveis, o álcool sozinho é responsável por 20% dos acidentes com crianças no Brasil", sendo de fácil acesso em supermercados, e residências familiares.

Muitas vezes os acidentes domésticos acontecem por imprudência  dos pais na hora de guardar produtos químicos e inflamáveis, eles não se atentam ao fato da criança ser curiosa e poder mexer com esses produtos, de certa forma  elas irão ter a curiosidade de olhar ou mexer  já que que o produto esta ao seu alcance, resultando um risco alto do desenvolvimento de alterações psicológicas tanto na criança quanto nos pais dela.

Na avaliação de extensão da queimadura nas crianças, o processo deve ser diferente aos dos adultos, pois as superfícies corporais das crianças são diferentes das dos adultos.

No primeiro atendimento ao grande queimado os socorristas devem afastar a vítima do agente causador da lesão, retirar as roupas chamuscadas com cuidado, resfriar a vítima com o emprego de água limpa, e à temperatura ambiente, verificar quanto a existência  de fiação elétrica  perto do local onde a equipe de socorristas e a vitima estão  antes do emprego da água. Escovar a área lesionada suavemente, para retirar restos de roupas, produtos  químicos, e corpos estranhos. Não colocar sobre as queimaduras pomadas, óleos, medicamentos, se houver formação de bolhas tomarem cuidados para que elas não se rompam. Cobrir a queimadura com compressas estéreis ou lençol limpo, nos casos de queimaduras extensas e profundas ter cuidado de cobrir com cobertor para evitar a hipotermia e a perda de líquido ainda maior.

Deve o enfermeiro verificar  se não houve queimaduras nas vias aéreas do paciente, podendo causar insuficiência respiratória, que também pode ser decorrente de inalação de gás carbônico  e dióxido de carbono. São alterações respiratórias a obstrução das vias aéreas por queimaduras profundas na face ou pescoço, limitação da expansão pulmonar, nestes casos é indicada a escarotomia para relaxar as placas necróticas circulares do tórax.

Constatados os casos de queimaduras graves de 2º, 3º e 4º grau, a equipe médica deve analisar o quadro clínico do paciente e indicar a internação do mesmo, ao tratamento das queimaduras em uma unidade especializada. Antes de encaminhar o paciente, a unidade deve ser contatada e obter o consentimento, definir o modo de transporte da vítima e ter um tempo previsto de transferência até a unidade, a prioridade na admissão em uma unidade de cuidados intensivos para queimados deve ser dada a grandes  queimados com área superior a 20% da superfície lesionada. Obrigatoriamente deve ser feito um relatório  médico, de todos os exames realizados pelo paciente em questão. 

A equipe médica responsável pela reabilitação dos grandes queimados, é composta por clínicos intensivistas, cirurgiões plásticos, terapeutas, pediatras intensivistas, enfermeiras, nutricionistas, psicólogos, etc. Em  cada parte do processo da reabilitação do paciente cada um desses profissionais participam ativamente cuidando da saúde da vitima.

Dentre tantas ações dos enfermeiros nos cuidados com o paciente, eles têm de visar diminuir a dor do mesmo, é importante o tratamento da dor na prevenção do choque neurogênico que agrava o hipovolêmico. A conduta consiste em providenciar conforto físico e suporte emocional para o paciente, visando diminuir a ansiedade, o medo, agindo com calma  passando segurança ao paciente, ministrando sedativos, analgésicos e alguns derivados de morfina para diminuir a dor do paciente.

O estado de choque é uma condição clínica do paciente e umas das primeiras a ocorrer no queimado. Consiste na perda de líquido, inicialmente a perda de 20% do volume sanguíneo, líquidos que se instalam em bolhas superficiais quando ocorre a perda temporária desse líquido podendo ainda a reabsorção pela drenagem dos linfáticos e capilares venosos, se essas bolhas se romperem leva a perda real do líquido aumentando ainda mais o estado de choque do paciente, na fase de choque hipovolêmico profundo a excitação cresce até ao delírio e depois começa a fase de sedação, em que há insuficiências significativas da função cerebral e cardíaca, que, se os níveis de volemia não forem repostos progride até aos danos irreversíveis e depois à morte.

GOMES afirma que "a reposição do choque do paciente, deve ser realizada através de soluções cristalóides, preferentemente com solução de Ringer lactado ou soro fisiológico".

Sem o emprego de líquidos o paciente pode se agravar ainda mais no choque, e a quantidade de líquido a ser infundida devera ser a mesma da perdida, existem varias regras para a determinação do volume, a hidratação deve iniciar o mais cedo possível. Soluções colóides também são utilizadas na reposição de líquidos, tais como plasma e derivados de sangue, geralmente após 24 horas.

Os sintomas gerais mais comuns do choque são: palidez, frio, pele úmida, taquipnéia, isquemia das extremidades, pulso filiforme e outros. A conduta do enfermeiro na prevenção deve ser detectar esses sinais e sintomas pela observação sistematizada, aliviar a dor, aliviar o estresse, aquecer o paciente para evitar o choque hipotérmico.

 A pele íntegra constitui a primeira linha de defesa contra a invasão do organismo por agentes bacterianos externos, existe a produção de ácidos graxos insaturados considerados substâncias antibacterianas naturais, influenciando no equilíbrio da flora normal da pele. O trauma térmico irá destruir este equilíbrio, propiciando o desenvolvimento de uma flora patógena, aliado a uma importante deficiência imunológica, o que pode ocasionar o desenvolvimento de um foco infeccioso e posteriormente sepse.

A prevenção ainda é a conduta mais sábia nos casos de infecção. Deve ser iniciada o mais precocemente possível, usando-se técnica asséptica, pessoal  treinado e adequadamente paramentado. Se  observado na vítima alto potencial para infecção, deve ser iniciada antibioticoterapia profilática de uso tópico e sistêmico. Deve ainda o enfermeiro fazer a prevenção de tétano, verificando se o paciente já é imunizado se não, o medico deve providenciar essa imunização.

Para a prevenção da infecção é muito importante que os socorristas tenham conhecimento dos hospitais equipados para prestar assistência ao queimado, pois os frequentes transportes, trocas de curativos à espera em corredores de pronto-socorro, são fatores predisponentes à infecção.

O processo de curativo no paciente queimado deve iniciar após a internação, o curativo é realizado diariamente com o paciente em jejum de 8 horas, consta basicamente de analgesia realizada pelo médico anestesista, abertura do curativo com água corrente, limpeza das áreas queimadas com água corrente , sabão neutro e sabão líquido degermante, debridamento das áreas de necrose cutânea com lâmina de bisturi, higienização do paciente curativo com sulfadiazina de prata a 1% , compressas e ataduras de crepom.

            As queimaduras deixam com frequência sequelas no paciente, físicas e psicológicas, alguns danos irreversíveis. A maioria dos pacientes queimados sente medo, ansiedade, angústias e sentimento de impotência, o profissional deve acompanhar esse paciente desde o início até o término do tratamento. O enfermeiro se depara com sofrimento não só do paciente como também da família, ele deve trabalhar o emocional dessas pessoas visando uma compreensão do que as sequelas podem causar nessa vítima de queimadura.

             As sequelas vão variando dependendo da gravidade da lesão, muitos perdem a vontade de voltar a vida social com vergonha das cicatrizes causadas pelas queimaduras, ficam com depressão e ansiedade, as marcas físicas do paciente são visíveis desde cicatriz hipertrófica ate sinéquias mentotorácicas, dos membros superiores ao tórax e dos membros inferiores entre si, também ocorre  pé equino, amputações de membros e dedos, etc. 

3. Considerações Finais:

O objetivo desse estudo consistiu em identificar a assistência de enfermagem à pacientes queimados, visto que, a queimadura causa vários danos ao paciente. Descrevendo algumas das condutas e cuidados, frequentemente realizados pelo enfermeiro, segundo a bibliografia consultada. Além disso, foi possível compreender a necessidade de assistência adequada e frequente do enfermeiro e como isso pode contribuir no processo de cura e reabilitação do paciente.

Nessa pesquisa destaca-se que toda e qualquer assistência de enfermagem não deve se prender apenas em executar as técnicas adequadas, pois é importante o enfermeiro oferecer apoio psicológico ao paciente e seus familiares, ajudando-os a compreender a nova situação e as alterações físicas e psicológicas que eles terão decorrente das sequelas das queimaduras.

4. Referências Bibliográficas:

CINTRA, Eliane de Araújo; NISSHIDE, Vera Médice; NUNES, Wilma Aparecida. Assistência de Enfermagem ao Paciente Gravemente Enfermo. 2.ed.São Paulo: Atheneu,2008.

GOMES, Dino Roberto; SERRA, Maria Cristina; JR, Luiz Macieira. Condutas Atuais em Queimaduras. 1.ed.Rio de janeiro,2001.

JR, Edison Vale Teixeira; OLIVEIRA, Beatriz Ferreira Monteiro; PAROLIN, Mônica Koncke Fiuza. Trauma; atendimento pré- hospitalar. 2.ed.Sao Paulo: Atheneu,2007.

LOMBA, Marcos. Objetivo Saúde: Emergências e atendimentos pré-hospitalares/ Marcos Lomba, André Lomba. 3.ed.Olinda PE: edição dos autores,2006.

NETTINA, Sandra M. Prática de Enfermagem. 8.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,2007 

Perfil do Autor

Maria Cristina do N Carmo

*Acadêmica do 1º Semestre de Enfermagem da Faculdade de Quatro Marcos - FQM.