Considerações sobre o gênero feminino na obra Casa Grande e Senzala

Publicado em: 03/01/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 1,589 |

1 – Introdução

A disciplina História, cultura e imaginário político ministrada pela professora doutora Márcia Barros Ferreira Rodrigues, no Mestrado de História Social das Relações Políticas da Universidade Federal do Espírito Santo, no segundo semestre, possibilitou que tivéssemos os referenciais teóricos necessários que permitissem a produção desta análise. Foram tardes enriquecedoras e esclarecedoras em que analisamos com olhar indiciarista a obra Casa Grande e Senzala. Olhar este centrado no detalhe, nos dados marginais, nos resíduos tomados enquanto pistas, sinais, vestígios, sintomas, enfim, indícios.

Amada por uns, odiada por outros, inegavelmente Casa Grande e Senzala tem muito a contribuir no sentido de explicar a nossa constituição enquanto povo brasileiro, o senso comum e até nosso comportamento.

A obra representou para o povo brasileiro o que podemos identificar como marco de rupturas, uma vez que inaugura estudos históricos e sociais renovados com idéias de valorização do escravo negro e da cultura afro-brasileira, focando-se no tema relativo à formação de uma sociedade agrária, escravocrata e híbrida. Com ela Gilberto Freyre lança um paradigma original, fruto da inquietação de alguns intelectuais de sua geração: Como pensar o Brasil Moderno? Como pensar a nação brasileira, levando-se em conta a miscigenação? Porém é um livro controverso, que apresenta uma história em que os conflitos se harmonizam – equilíbrio dos antagonismos -, que esconde nas entrelinhas o ideal de pureza, o complexo da ideologia do favor, a ideologia da conciliação – e não de enfrentamento -, uma história racial pensada pela elite intelectual do início do século XX e não pelos negros ou índios, que mostra as contradições, embora esvazie o conflito. Freyre escreve com intensidade, levando em conta detalhes, fazendo descrições quase minunciosas, mas não inclui a crítica, não é reflexivo. Desenvolve com elegância inglesa a tarefa de incluir o Brasil no rol de países respeitados no ocidente, positivando a miscigenação, dando ao país identidade e criando uma auto-imagem positiva do brasileiro.

A mulher é muitas vezes citada na obra, na maioria delas como passiva diante de uma espécie de sadismo do mando masculino. A exemplo disso, levando-se em conta o entendimento do autor quanto a realidade da época, podemos citar a índia explorada pelo seu sistema e sem pudores sexuais com a qual os poucos portugueses do início da colonização começaram a se reproduzir, a negra trabalhadora que atraía a atenção dos senhores, que reproduziu portugueses fortes e que iniciava os meninos ricos no mundo sexual, a mulher branca com a qual o homem oficializava sua família nuclear patriarcal, constantemente traída, mas encaixada dentro dos padrões de beleza e da cultura européia cristã dentro dos bons preceitos de mulher.

Sabemos que ampliaram-se, sobretudo a partir da década de 1970, os esforços no sentido de resgatar a história sob o ponto de vista de uma análise de gênero – principalmente no que se refere a mulher - e assim houve avanços no processo de reavaliação das explicações correntes da vida social, em geral apresentadas a partir do ponto de vista masculino. Este artigo pretende contribuir dando continuidade a esse processo de reavaliação, analisando com olhar crítico, e por que não dizer feminino, essa obra clássica da literatura brasileira que contém o mito fundador de nosso povo e é tantas vezes a base do senso comum.

Vale transcrever a organização do texto que se apresenta da seguinte forma: num primeiro momento, traçamos um breve histórico da trajetória da mulher ao longo da história, seus sofrimentos, lutas e vitórias diante de uma sociedade predominantemente pautada em valores masculinos de dominação e que só recentemente vê progressos significativos no processo de emancipação feminina. Num segundo momento, tratamos de fazer recortes na obra Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre que apresentem como o gênero feminino está nela representado. Finalizando, buscamos fazer considerações sobre o gênero feminino na referida obra, mostrando as representações da realidade pelo olhar do autor e a partir disso relacionamos com a representação da realidade de outros autores.

 

2. Breve histórico da tragetória da mulher no mundo e no Brasil

 

Segundo Conte (apud Gebara, 2001), as mulheres são consideradas seres para os outros ao passo que os homens, são considerados seres para si mesmos. Esse discurso reflete um conceito que muitas pessoas carregam de "normalidade, naturalidade" no estabelecimento desses papéis em que a mulher estaria num lugar inferior, submissa. Formas de violência e opressão, em geral, foram criadas e estabelecidas como normalidade na sociedade de classe, onde as mulheres acabaram sendo penalizadas.

O fato é que concordaram - e ainda concordam - com esse pensamento machista, ao longo de vários séculos, não só homens, mas mulheres, o que nos parece contraditório a princípio. Freire (1970, p. 34) considera que a mente do oprimido hospeda o opressor e que, enquanto tocado pelo medo da liberdade, o recebedor prefere a gregariação à convivência autêntica. Sofre uma dualidade que se instala no seu ser. Quer mas teme a liberdade. É ele que, ao mesmo tempo, o outro introjetado nele, como consciência opressora. Sua principal luta se trava entre ser ele ou o outro. Entre atuar e ter a ilusão que atua na atuação do seu espectador e ator. Entre dizer a palavra ou não ter voz. Talvez isso explique em parte, a razão de as mulheres absorverem tal discurso, que vai de encontro contra elas próprias.

Sua tragetória ao longo da humanidade apresenta um quadro em que, via de regra, as mulheres são tidas como inferiores e incapazes. No intuito de sair da invisibilidade, do espaço secundário, do papel de sexo frágil, foi - e ainda é - preciso muita resistência e luta desde os primeiros tempos. No entanto, como a história é contada majoritariamente por homens, a maioria dos fatos relacionados a essa resistência não são contados, ficando esquecidos, escondidos na história, como se não existissem. Gritos quantas vezes sufocados pela violência – física e psicológica -, pela culpa de todos os pecados que inventaram, de todas as desgraças que aconteceram.

O patriarcado associado ao capitalismo acabaram por reforçar valores machistas. No campo econômico, por exemplo, as mulheres continuaram, durante anos, invisíveis, no âmbito privado, dependendo dos homens, servindo-os, sob a alegação de que, sendo emotivas e sonhadoras, não combinavam com dinheiro, administração, finanças. No entanto, elas administravam as coisas do lar e seu tempo, cuidavam da economia doméstica, da educação dos filhos.

O registro mais antigo que temos notícia acerca dos movimentos da mulheres por seus direitos nos remete ao final da Idade Média através da figura feminina conhecida como Christine de Pisan (1364 – 1429) manifestando-se contra a igreja que exigia a subordinação feminina. As francesas também se destacaram, mulheres como Marie lê Jars de Gournay (1566 – 1645) que defendia que a mulher deveria participar da sociedade. Após a Revolução Francesa (1789), elas passaram a defender com mais afinco o exercício da cidadania feminina e a revogação das leis que submetiam a mulher ao domínio masculino.

Com a Revolução industrial, as mulheres passaram a ganhar o mercado de trabalho – embora exploradas, menos valorizadas e remuneradas e isso exigiu que intensificassem suas reivindicações no sentido de conseguir melhores condições de trabalho, sobretudo quanto à sua carga horária diária. Na Inglaterra, em 1819, após conflito com a polícia, foi aprovada uma lei que reduziu para 12 horas a jornada de trabalho de mulheres e crianças.

Nos Estados Unidos, ao final do século XIX, as mulheres fizeram a primeira greve constituída majoritariamente por mulheres. Foram reprimidas por força policial, trancadas dentro da fábrica e carbonizadas pelos próprios patrões. Fato que ficou na memória do mundo e mais tarde transformou-se em reflexão por parte de uma sociedade não-sexista.

Outra personalidade feminina que pode ser citada é Clara Zetkin, jornalista e militante socialista, que no século XIX e início do século XX muito apoiou e incentivou o movimento feminista. Dentre suas falas, citada por Souza (2007) defende a liberdade da mulher e a implantação do socialismo – do qual era partidária - como meio para este fim: "A emancipação da mulher, como de todo o gênero humano, só se tornará realidade no dia em que o trabalho se emancipar do capital."

No Brasil, via de regra, desde sempre as mulheres se encontraram em situação submissa, coagidas pelo sistema patriarcal. O Brasil colonial legou ao século XIX a idealização da imagem da mulher ligada às características que a sociedade patriarcal lhe queria imputar. Nesse sentido, uma combinação binária opunha a "boa" mulher à "má". O patriarcalismo fundamentava-se numa concepção "[...] segundo a qual a sociedade é antes formada pelos chefes de família do que por um conjunto de indivíduos" (ODORISIO, In BOBIO, 2002, p. 488), o que direcionava à idéia de que a mulher deveria ser considerada apenas em sua relação com a família, e não com a sociedade. Contrastando com a idéia liberal, que se baseava na concepção de sociedade formada por indivíduos, os conceitos patriarcais não valorizavam a mulher e procuravam reduzi-la à vida doméstica e privada, em oposição ao homem, voltado para a vida pública e dotado das virtudes de fortaleza que o universo f amiliar não exigia.

Mesmo assim, no século XIX tivemos mulheres de luta a exemplo de abolicionistas como Maria Thomásia e Chiquinha Gonzaga, que pregavam a liberdade não só das mulheres, mas de homens e mulheres subjugados pela escravidão. Siginificativa também foi a conquista do voto feminino no Brasil.

Com o advento de uma nova conjuntura econômica e social no país a partir, sobretudo, da década de 1970, a mulher brasileira passou a ocupar novos papéis sociais. A urbanização e a industrialização afetaram a organização da família e as mulheres passaram gradativamente a conquistar sua independência financeira, atuar num número maior de atividades e a ter um maior grau de educação. Gradativamente foram invadindo o espaço público, antes reservado apenas para os homens. Nessa escalada, intensificada a partir da década de 1970, a mulher vem tendo uma trajetória constante para conquistar seu espaço.

Bruschini (apud Samara, 2000, p. 35) afirma que o significativo aumento da atividade econômica das mulheres, uma das mais importantes transformações ocorridas no País, desde os anos 1970, seria resultado não apenas da necessidade econômica e das oportunidades oferecidas pelo mercado em conjunturas específicas, mas também, em grande parte, das transformações demográficas, culturais e sociais que vêm ocorrendo no País e afetando as mulheres e famílias brasileiras. Por fim, transformações nos padrões culturais e nos valores relativos ao papel social da mulher, intensificadas pelo impacto dos movimentos feministas desde os anos 1970, e pela presença cada vez mais atuante das mulheres nos espaços públicos, alteraram a constituição da identidade feminina, cada vez mais voltada para o trabalho produtivo.

Nesse período, sobretudo nas grandes cidades brasileiras, verificou-se que, quanto maior o grau de instrução das mulheres, mais contribuíam para uma nova concepção de mulher mais autônoma, principalmente as mulheres que tinham formação acadêmica, uma profissão e independência financeira. Incentivadas pelas necessidades econômicas e pelo movimento feminista as mulheres, a partir de então, se profissionalizaram. O trabalho pago representou para elas respeitabilidade social. Com o aumento de sua auto-estima a mulher mudou o seu modo de se relacionar com a sociedade.

A urbanização, segundo Nader (2001, p. 160) se fez acompanhar de uma rápida substituição dos papéis e estereótipos em relação à mulher e de modificações dos valores e modelos culturais que operam neste meio. O processo de urbanização, aliado ao desenvolvimento econômico e social, mantém clássicas ligações teóricas com as transformações sociais ocorridas no interior da unidade doméstica.

Ainda de acordo com Nader (2001, p. 110-112), apoiado pelas filosofias racionalistas, pela literatura, pelas artes, pela medicina e pela psiquiatria, que consideravam a mulher um ser frágil, irracional, sensível e emotivo o homem edificou muros que confinaram a mulher no interior do lar, sobretudo na segunda metade do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. Mas só a maternidade e a vida em família não preencheram os projetos de vida femininos, Na sociedade ocidental, a partir do século XIX, evoluiu um amplo contexto político, econômico e ideológico. No campo político, os direitos de cidadania se ampliaram e as lutas operárias realizaram conquistas ao nível das relações de produção e de representação partidária. O campo econômico fez implodir no lar a necessidade de expansão profissional da mulher, permitindo à mesma romper com aqueles limites impostos pela atitude psicológica e cultural que atribuíam a supremacia física, moral e intelectual e conferiam o poder político, social e econômico somente aos homens. No ideológico, as mulheres conseguiram implantar um movimento que desafiou os componentes básicos do papel exercido por elas dentro da família, ameaçando importantes mecanismos institucionais e provocando uma profunda mudança na mentalidade ocidental, tornando-as, efetivamente, participantes de todo processo social e histórico da humanidade.

Ao mesmo tempo, a mulher se viu nesse período diante de um enfrentamento da crise de identidade, com a proposta de um novo planejamento de vida. O casamento, continuaria como prioridade? O trabalho seria encarado como fonte complementar de renda ou profissão? O fato é que com todo esse processo de mudanças, mudou também a imagem que as mulheres tinham de si próprias.

Vale lembrar que o trabalho das mulheres no mundo público, de acordo com Bruschini (apud Sâmara, 2000, p. 36) não dependia apenas da demanda do mercado e das suas necessidades e qualificações para atendê-las mas decorria também de uma articulação complexa, e em permanente transformação de fatores como a manutenção do modelo patriarcal, segundo o qual cabem às mulheres as responsabilidades domésticas e socializadoras, bem como a persistência de uma identidade construída em torno do mundo doméstico, filhos em idade escolar. Estes são fatores sempre presentes na decisão das mulheres de ingressar ou permanecer no mercado de trabalho, embora a necessidade econômica e a existência financeira tenham um papel fundamental.

Com todo esse cenário de mudanças as mulheres assumiram novas funções, no entanto, não abandonaram as responsabilidades do lar. Essa sobrecarga para alguns, trouxe uma situação de ambigüidade diante das conquistas femininas, representando problemas de diversas naturezas. A respeito deste assunto, Priori (2000, p. 13) escreve que o diagnóstico das revoluções femininas até o século XX é, por assim dizer, ambíguo. Ele aponta para conquistas, mas também para armadilhas. No campo da aparência, da sexualidade, do trabalho e da família houve conquistas, mas também frustrações. A tirania da perfeição física empurrou a mulher não para a busca de uma identidade, mas de uma identificação. A revolução sexual eclipsou-se frente aos riscos da aids. A profissionalização, se trouxe independência, trouxe também estresse, fadiga e exaustão. A desestruturação familiar onerou, sobretudo os dependentes mais indefesos: os filhos.

Infelizmente, apesar de todas as conquistas, a mulher ainda tem muitos caminhos a desbravar. Sâmara (2000, p. 44) relata que a literatura referente ao trabalho feminino tem mostrado que, apesar das conquistas das últimas décadas, as mulheres ainda enfrentam barreiras, ocupam os lugares menos privilegiados na economia, ganham menos do que os homens e têm condições de trabalho mais precárias.

 

 

3 – As mulheres representadas na obra Casa Grande e Senzala

As questões que nortearão este capítulo são: Que mulheres são representadas na referida obra? Como são representadas estas mulheres em Casa Grande & Senzala? O próprio título deste artigo já nos dá uma pista para encontrarmos esta resposta: "Branca para casar, mulata para f...., negra para trabalhar." (FREYRE, 1933, p. 10)

A mulher branca, ao ver de Freyre (1933, p. 10) embora superior pelo convencionalismo social, no Brasil, não mereceu a maior das atenções por parte do colonizador, mereceram essa atenção as mulatas. Estas, que tantas vezes, eram usadas para desvirginar os meninos brancos ricos, objeto sexual dos pequenos e dos adultos.

No caso das senhoras, sem outra perspectiva que a da senzala vista da varanda da casa-grande – ao contrário dos homens - conservavam algumas delas, segundo Freyre, o mesmo domínio malvado sobre as mucamas que na infância sobre as negrinhas suas companheiras de brinquedo. Isso teria gerado o hábito de algumas mulheres falarem alto e estridentemente, como quando gritavam com suas escravas. (1933, p. 337)

Esse fato de as mulheres serem mais cruéis, para Freyre, é algo observado nas sociedades escravocratas. Segundo escreve não eram raros casos de sinhás-moças que mandavam arrancar os olhos de mucamas bonitas e traze-los à presença do marido, na hora da sobremesa, dentro da compoteira de doce e boiando em sangue ainda fresco, que mandavam cortas os seios, arrancar as unhas, queimar a cara ou as orelhas. (1933, p. 337)

E o motivo? Para Freyre a razão sempre passava por ciúmes, rancor sexual, rivalidade de mulher com mulher. Elas viviam muito isoladas tendo por companhia quase que exclusivamente escravas passivas. O relacionamento que tinham com seus maridos era de medo. Diante desse quadro, supõe o autor, elas estariam passando para frente um tratamento de violência, sádico. Pois sadistas, eram, em primeiro lugar, os senhores com relação às esposas. (1933, p. 338)

As meninas e moças, segundo Freyre, dormiam num aposento bem no centro da casa-grande, rodeado de quartos de pessoas mais velhas. Mais uma prisão que um aposento de gente livre. Durante o dia eram vigiadas por pessoas mais velhas ou pela mucama de confiança. Levavam surras. O pai era um déspota. Por volta dos treze anos eram encaminhadas para o casamento, ainda verdes. Então conheciam homens bens mais velhos que elas, escolhidos pela conveniência dos pais – se passasse dos vinte anos já eram consideradas solteironas. Casamentos que nem sempre resultavam em dramas ou infelicidades. Embora houvesse todo um sistema que cerceava a sinhá-moça de qualquer decisão nesse aspecto, houve casos em que estas desobedeceram os pais e foram raptadas por seus pares românticos, quase sempre com um cúmplice parte da escravaria da casa, geralmente uma mucama. Estas tinham enorme prestígio na vida sentimental das sinhazinhas, conheciam suas histórias e guardavam seus segredos. (1933, p. 339-340)

Havia à época colonial famosas modinhas que retratavam o erotismo das mulatas mas também exaltavam as iaiás, as meninas de aproximadamente treze anos. Deixavam de ser crianças no dia da primeira comunhão e tornavam-se sinhás-moças. Era um grande dia, só seria maior o dia do casamento. Nem todas sabiam ler. Os chamados Recolhimentos eram locais para onde algumas iam aprender a ler, cozer e a rezar e onde recebiam aulas de como tratar cristãmente os escravos irmãos e filhos do mesmo pai. (1933, p. 344)

Essas mulheres que, de acordo com Freyre, não tinham grande refinamento, tinham muitos filhos, viviam sendo carregadas nas liteiras por escravos, tapadas, talvez por isso envelhecessem mais cedo. Vestiam-se de forma muito diferenciada em casa, na intimidade e nas cerimônias. Umas não viam muito o que fazer, outras faziam roupas para os pobres, bordavam panos, preparavam doces para o marido, cuidavam dos filhos. Muitas morriam logo depois de casadas, devido aos partos e seus filhos eram cuidados pelas mucamas que, segundo o autor, nem sempre tinham capacidade de substituir a mãe. (1933, p. 349)

Freyre escreve que a casa grande fazia subir para o serviço mais íntimo e delicado dos senhores uma série de indivíduos – amas de criar, mucamas, irmãos de criação dos meninos brancos. Indivíduos cujo lugar na família ficava sendo não o de escravos, mas o de pessoas de casa. Espécie de parentes pobres nas famílias européias. À mesa patriarcal das casas-grandes sentavam-se como se fossem da família numerosos mulatinhos. Crias. Malungos. Muleques de estimação. Quanto às mães-pretas, referem as tradições o lugar verdadeiamente de honra que ficavam ocupando no seio das famílias patriarcais. Alforriadas, eram negras a quem se faziam todas as vontades: os meninos tomavam-lhe a bênção; os escravos tratavam-as de senhoras; os boleeiros andavam com elas de carro. (1933, p. 352)

Aos descendentes de africanos Freyre (1933, p. 46) atribui as melhores expressões de vigor e beleza física: as mulatas, as baianas, as crioulas, dentre outras, chama os frutos da miscigenação entre índios, negros e brancos de sub-raça brasileira.

Freyre relata casos em que havia não só predileção, mas exclusivismo: homens brancos que só gozavam com mulheres negras. (1933, p. 284) O autor concorda que foi a mulher negra, assim como em alguns casos a índia, a corromper a vida sexual da sociedade brasileira, iniciando precocemente no amor físico os filhos-família, mas salienta que foi a mulher negra e a índia na condição de escravas, deformadas pela escravidão. Completa que essa depravação é própria do sistema escravista afirmando que não há escravidão sem depravação sexual, sendo o próprio sistema econômico incentivador deste estado já que criou nos proprietários de homens imoderado desejo de possuir o maior número possível de crias. (1933, p. 316)

Embora defenda esse ponto de vista acusa que a negra facilitou a depravação co m sua docilidade, abrindo as pernas ao primeiro desejo do sinhô-moço. Embora concorde: Desejo não, ordem. (1933, p. 372)

Quanto às doenças que se espalharam pela casa-grande e senzala, Freyre concorda que as grandes transmissoras foram as negras, mas afirma que não foram elas as grandes responsáveis por trazer a doença em grande escala para o Brasil. Os culpados disso seriam os próprios europeus que passaram para as índias primeiramente e depois para as negras que por sua vez fizeram as vezes de transmiti-las. Não esquecendo que, segundo o autor, havia outras formas de contágio como os bebês contaminados que passavam a doença para as amas de leite, no ato de amamentar. (1933, p. 116-117)

Mas da ama-de-leite, de acordo com Freyre, o menino da casa-grande não só passou ou recebeu doenças, mas também recebeu carinho. Nos afagos da mucama a revelação de uma ternura como não a conhecem igual os europeus. Uma profunda confraternização de valores e sentimentos. (1933, p. 355)

Freyre diferencia inclusive a linguagem usada por escravos, por filhos e pelo senhor, o patriarca. "Faça-me" é o senhor falando; o pai; o patriarca; "me dê", é o escravo, a mulher, o filho, a mucama. Foi, segundo o autor, a maneira filiar, e meio dengosa, que eles acharam de se dirigir ao pater famílias. Por outro lado o modo português adquiriu na boca dos senhores certo ranço de ênfase hoje antipático. (1933, p. 335)

A população indígena brasileira é considerada por Freyre (1933, p. 90), uma das populações mais rasteiras do continente, quase que bandos de crianças grandes que não tiveram reação suficiente para os colonos sentirem-se incentivados a exterminá-los. Quanto às índias, foram comparadas a princípio, segundo Freyre (1933, p. 10), com a figura lendária da moura-encantada, caracterizada como tipo delicioso de mulher morena, de olhos pretos, tomando banho nos rios, nereida envolta de misticismo sexual. Mas, de acordo com este, num aspecto as índias se diferenciavam dessas, o fato de se entregarem com muita facilidade por um pedaço de espelho ou qualquer bugiganga. Eram elas que, de acordo com Freyre (1933, p. 21) os degredados encontravam às dezenas, dentre as quais podiam escolher e exercitar sua atividade genésica acima do comum num ambiente de libertinagem, de intoxicação sexual, de devassidão em que até os padres da Companhia de Jesus se contaminaram.

Também eram elas, concorda Freyre (1933, p. 17) que os colonizadores exploraram como instrumento de trabalho e como elemento de formação da família, considerado pelo autor o grande fator colonizador no Brasil, pois dissolvendo-se entre a população nativa, aos poucos, o europeu do início da colonização facilitava a entrada de novos europeus e multiplicava o elemento superior nesta sociedade.

Mulher exótica, mulher suspeita, mulher perigosa sexualmente, assim eram tidas as índias e negras do período da colonização. Acusadas de prostituição doméstica, principalmente as negras, segundo o autor, deformadas pela escravidão. Acusadas de feitiçaria e de fazer magia sexual, quando para Freyre a essência dessa prática foi trazida da Europa.

Elas, as índias, para Freyre (1933, p. 116) eram superiores aos índios, dada a sua superioridade técnica entre os povos primitivos e dada a sua tendência maior para a estabilidade entre os povos nômades, sendo um pouco besta de carga e um pouco escrava do homem de sua tribo, mas superior a este antes representando a resistência do que o movimento.

Freyre (1933, p. 103) procura explicar a razão pela qual as índias – doidas por homem branco -, a seu ver, preferiam os homens europeus aos índios e defende que a sexualidade das mulheres indígenas encontrava-se num patamar superior à do homem indígena – alegando que estes, ao contrário dos brancos sempre prontos, só praticavam o coito quando picados pelo fome sexual, tendo muitas restrições em relação à exogamia – e sugere que talvez isso explique o priapismo de muitas em face dos brancos, ou seja, sexo sem prazer, mas por interesse, talvez por enxergar no branco uma raça forte.

Mas não foi só o abuso dos homens brancos que negras, índias ou descendentes tiveram que enfrentar. Freyre (1933, p.46) relata também que índias e caboclas foram, por vezes, raptadas não por brancos, mas por negros, em aldeamentos próximos quando escasseavam entre os escravos fugidos mulheres de sua cor.

E a respeito desse tipo de miscigenação, através da poligamia, Freyre (1933, p.50) enxerga como único processo de colonização que teria sido possível no Brasil. Uma espécie de mal necessário ao sucesso do intercurso sexual do processo colonizatório português.

Outro mal necessário, nesse mesmo sentido, foi, segundo Freyre (1933, p. 47) o processo de sificilização, começada pelo contato entre europeus e índias e posteriormente espalhando-se pelas casas-grandes e senzalas. Esta doença venérea espalhou-se pelo Brasil, sendo desfavorável, sobretudo para as mulheres. E completa (FREYRE, 1933, p 47) "Costuma dizer-se que a civilização e a sifilização andam juntas: o Brasil, entretanto, parece ter-se sifilizado antes de haver civilizado."

Freyre (1933, p. 50) afirma que não só de doenças físicas sofriam os moradores da colônia brasileira nos três séculos da colonização, mas de uma patologia que se apresentava numa espécie de sadismo do homem branco e de masoquismo das índias e das negras.

Era a mulher, nessa sociedade colonial, considerada vítima indefesa, sem armas sob o domínio ou o abuso do homem, sendo reprimida sexual e socialmente à sombra do pai ou do marido. Vale ressaltar ainda que outro tipo de sadismo o autor cita é o da mulher branca, o da senhora, que por ciúme ou inveja sexual, praticava atos violência contra suas subalternas, principalmente as mulatas, devido às traições dos senhores como podemos conferir na citação a seguir:

 

"Resultado da ação persistente desse sadismo, de conquistador sobre conquistado, de senhor sobre escravo, parece-nos o fato, ligado naturalmente à circunstância econômica da nossa formação patriarcal, da mulher ser tantas vezes no Brasil vítima inerme do domínio ou do abuso do homem; criatura reprimida sexual e socialmente dentro da sombra do pai ou do marido. Não convém, entretanto, esquecer-se o sadismo da mulher, quando grande senhora, sobre os escravos, principalmente sobre as mulatas; com relação a estas, por ciúme ou inveja sexual." (FREYRE, 1933, p. 51)

Além do sadismo sexual, o Freyre (1933, p. 51) também identifica o sadismo político. Um sadismo do mando sustentado pela tradição conservadora no Brasil que usa o disfarce de "Princípio de Autoridade" ou "Defesa da Ordem".

Reforçando a idéia de um Brasil de antagonismos equilibrados – equilíbrio dos antagonismos - Freyre (1933, p. 52-53) relata que a vida política brasileira veio se equilibrando entre as místicas da ordem e da liberdade, da autoridade e da democracia e esse equilíbrio continua na esfera social entre sadistas e masoquistas, doutores a analfabetos, indivíduos de cultura predominantemente européia – pensamento adiantado - e outros de cultura principalmente africana e ameríndia – pensamento atrasado, senhores e escravos, sendo este último mais geral e mais profundo, o que predominou sobre todos os outros antagonismos.

Dando ao povo brasileiro o papel de vítima passiva diante de um governo autocrático e machista Freyre (1933, p. 52) afirma que este tem menos a vontade de reformar ou corrigir determinados vícios de organização política ou econômica que o puro gosto de sofrer, de ser vítima, ou de sacrificar-se. Aí estando subentendida a idéia de que preferia esse viver equilibrando-se entre favores aqui e ali - ideologia do favor – a enfrentar a situação e tentar melhorar.

 

 

Cap. 4 – Considerações sobre o gênero feminino na obra Casa Grande e Senzala

 

Gilberto Freyre, na constituição da obra Casa grande & Senzala, se cercou de muitas fontes de pesquisas a exemplo de livros de autores nacionais e estrangeiros, cartas, cantigas, anúncios de jornal, diários inaugurando no Brasil uma história de costumes, da vida privada numa época em que só se escreviam anais dos grandes acontecimentos. Seu ensaio – como gostava de assim nomear - tratou de assuntos como cultura e contribuições dos indígenas americanos, cultura e contribuições africanas para a formação do povo brasileiro, e até assuntos um tanto mais polêmicos para a época – embora sem enfrentamento, esvaziando os conflitos - como eugenia, homossexualiadade, sadismo e masoquismo, mas silenciou-se – assim como outros autores estrangeiros – com relação aos avanços do movimento feminista no Brasil e no mundo. Nada foi comentado a respeito. Segundo Ballone (2001), não apreendemos a realidade exatamente como ela é, nos aproximamos variavelmente dela de acordo com nossos interesses, nossas crenças, nossos princípios. Partindo desse princípio tentamos entender a razão deste silêncio, visto que muito provavelmente não era considerado interessante para o autor defender o ponto de vista feminino.

Levando-se em consideração a natureza altamente pessoal dos processos de pensamento e o caráter mutável das percepções de mundo, alteradas pelo estado subjetivo da pessoa que percebe, podemos inferir pelos recortes do capítulo anterior que o papel reservado às mulheres na obra Casa Grande e Senzala, pela visão de Gilberto Freyre, é quase que invisível pois restringe-se bastante ao aspecto sexual.

Shumaher (2000), registra a presença de mulheres desde 1500 no Brasil informando que tendo recebido respectivo donatário a capitania de São Vicente, acostumado com o luxo do Oriente, aceitou o cargo de capitão-mor da armada da Índia e deixou sua esposa, Ana Pimentel, como procuradora dos negócios do Brasil. Também teria uma mulher administrado a capitania de Pernambuco, D. Brites de Albuquerque, esposa de Duarte Coelho Pereira. Mas, não encontramos nenhum informe nesse sentido na obra de Freyre.

Como defende Zimmermann & Medeiros (2004, p. 31), durante muito tempo as mulheres, na literatura, eram, certamente, uma criação dos homens. Relatadas do ponto de vista do conquistador, que, na maioria das vezes não as via como mulheres, mas como apêndices.

Ao longo da referida obra verifica-se que elas, sejam índias, negras ou brancas, foram vítimas da exploração sexual dos colonizadores – sádicos -, que cometeram abusos de ordem física e psicológica. Em alguns trechos há inclusive a alegação de que algumas mulheres, especialmente as negras e mulatas, se satisfariam com essas práticas como masoquistas.

As mulheres – índias e negras – teriam constituído, desta forma, no período retratado, a mão-de-obra escrava dos portugueses sendo representadas como elemento oculto e anônimo que participou involuntariamente da construção da nação brasileira. E mesmo a mulher branca, diferenciada das demais pela cor, igualava-se às demais na questão da desigualdade. Eram, decididamente, segundo a visão masculina, voto morto, submissas, apagadas, quase que invisíveis, independente do que faziam.

Deve-se levar em conta que o ano de 1933, data de publicação da obra, não favorecia a situação das mulheres no que se refere às políticas de direitos igualitários no mundo, embora houvesse vários movimentos desenvolvendo trabalhos no sentido de exigir esses direitos, mas isso não pode ser usado como justificativa para o quase anonimato na obra, da ação das mulheres como construtoras ativas e pensantes do Brasil. Isso não é pretexto para se ter retratado as mulheres quase que exclusivamente como seres frágeis, dominados, impossíveis de serem comparados em inteligência e força à superioridade masculina. Pelo contrário, o que enxergamos é o enaltecimento do macho branco, superior ao índio, por exemplo, até em sua sexualidade.

Não estamos, no entanto, negando a importância do texto freyriano, nem ignoramos o fato de que a narrativa retrata a forma como a mulher era retratada na colônia. O fato é que, mesmo com todo o contexto repressor da época, a mulher era responsável por muitas funções fundamentais que, progressivamente proporcionaram a elas uma série de progressos. Mas na obra elas são retratadas, principalmente no que se refere às brancas, como à toas, sem ter muito o que fazer – leia-se incapazes, impedidas de fazer. As negras, serviçais, por vezes, são chamadas de depravadas e fofoqueiras, cúmplices das loucuras das sinhás-moças brancas. As índias, embora tenham sido retratadas como muito trabalhadoras, por vezes são chamadas de libertinas sexuais, submissas e dominadas, inclusive pelos homens de suas tribos.

Freyre reabilitou e destacou o papel de índios e negros no processo de colonização, mas não fez questão de destacar o papel e as contribuições da mulher já miscigenada, suas influências, seus progressos e integração na sociedade, com uma visão mais moderna, menos misógina, nesse processo. Para alguns, um esquecimento produzido, pois não interessava vê-las.

A obra Casa Grande e Senzala retrata um ponto de vista recheado por idéias pré-concebidas, preconceitos: as mulheres como sexo frágil, segundo sexo, emocionais, fúteis. Vale pensar até que ponto essa visão da realidade pode explicar, ao menos em parte, as relações de gênero vivenciadas hoje.

Segundo Rago (2001, p. 19) a inserção social e cultural específicas tem levado as mulheres a exercerem práticas diferenciadas das dos homens, elas constroem uma memória e uma relação com a vida sexualmente muito diferenciada. E, se bem que as diferenças de gênero não respondem por todas as diferenciações que marcam os processos mnemônicos de mulheres e homens, é visível que cada gênero se organiza e se inscreve socialmente a sua maneira, redesenhando e resignificando seu próprio passado, seu próprio discurso e construindo a sua própria auto-imagem.

Ainda de acordo com Zimmermann & Medeiros (2004, p. 39) A categoria de gênero vista na perspectiva de Joan W. Scott tem sido utilizada para entender percepções diferenciadas sobre o passado e o presente. Margareth Rago, Michelle Perrot, Marina Maluf entre tantas outras teóricas do feminismo apontam para as diferenças com relação a memória do feminino. Memória esta atenta aos detalhes, à subjetividade e às emoções e que pouco tem sido aceita pela historiografia permeada pelo machismo e autoritarismo.

Felizmente, como concorda Rago (2001, p. 56-57) o feminismo questionou a lógica da identidade e as oposições binárias que constuíram a interpretação masculina do mundo. Deve-se problematizar a relação estabelecida com o mundo, com o outro e consigo mesmo, assim, condição fundamental para que se possam abrir novas saídas mais positivas e mais saudáveis para o exercício da liberdade e a invenção da vida."

 

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    Palavras-chave do artigo:

    mulheres relacoes etnicoraciais historia

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