Crítica Marxista, Fim Da Produção E Nulidade De Classes
Crítica marxista, fim da produção e nulidade de classes
A crítica histórica marxista embasava-se num modo determinado de organziação das forças produtivas em que ainda a produção objetiva material dominava o ethos. Deflagra-se com a crítica da alienação e do fetichismo os indícios das alterações estruturas desse modo de produção cuja tendência era emanciapar-se plenamente da fonte produtora, o Sujeito, estabelecendo uma dinâmica da apostasia. No processo de produção do simulacro industrial, vestígios da referência objetiva que se aportava no trabalho e nos indivíduos ainda se davam a reconhecer. A necessidade de efetiva organização da força humana de trabalho, embora derrisória, ainda se fazia valer. Trabalho humano com alguma efetividade decisiva no rea da produção, produção material para um consumo ainda, e reidualmente, real. A industria reduplicava a lógica humana de produção concreta e objetiva, suas operações positivas sobre uma materialidade, e um consumo ainda minimamente necessário que dele decorre. A abundância dessa produção fez emergir das profundezas dessa organização um mercado emancipado do valor: valor de intercâmbio entre qualidades incomparáveis mediante um mínimo de necessidade efetiva. As técnicas aperfeiçoam a produção à mesma medida em que prescinde da referência humana tanto na operação quanto na organização do sistema produtivo: a produção leve tem um comando remoto e inumano, ao mesmo tempo em que seu produto se abstrai. Par a par com essa produção apostasiada tornada imagem, o intercambio se destaca desse minimum de necessidade e tem-se a assunção de uma geração de equivalências gerais, de objetividade inefetiva - o mercado de intercâmbio trona-se mercado de signos, troca pura de signos por signos cujo fim é o ingresso ao status quo da topologia social do consumo. O trabalho torna-se não mais que um emblema, souvenir ou antiquário, no mercado das posições inoperantes. A crítica que se fundamentava como necessária, como necessária crítica da necessidade já não tem valia. Já não há necessidade na produção, já não há consumo para as necessidades. Tudo conflui indistintamente ao vazio real da produção, à produção real do vazio - consumo de excipientes sintagmáticos. As mercadorias ofertadas não passam de placebos de consumação. Com o fim da produção real como necessidade finaliza-se sua emergente crítica como necessária. Mútua absorção derrisória, fim da dialética de classes e da necessidade política como antagonismo. Fim também do antagonismo como necessidade política, como politicamente necessário. Anulação da necessidade histórica da própria política, como convençao de poder. Surgem a política e crítica como modais, surgem, crítica e política, como moda. Não há referente real, não há referente falso. Não há referente estabilizado por uma necessidade, como não há também necessidade de um referente estável (talvez, nem mesmo de referente): todo referente torna-se suplente, modalizado, efêmero. A referência é metaestável.
FELLIPE KNOPP
(Artigonal SC #1603542)
Palavras-chave do artigo:
"fim da produÇÃo"; marxismo; fim da era de classes; lei estrutural do valor; signofagia
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