Dificuldades de aprendizagem: matemática e a discalculia

Publicado em: 07/05/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 5,559 |

INTRODUÇÃO

Este artigo tem por objetivo informar educadores, pais e interessados na área de educação sobre os problemas de aprendizado que muitas vezes são resultados de distúrbios e não de mero desinteresse na matéria escolar.

Os professores, apesar de todas as dificuldades vividas exercem um papel primordial para um possível diagnóstico mesmo que rudimentar, pois é a pessoa que atua diretamente sobre o aluno acompanhando o desenvolvimento intelectual.

Para uma boa avaliação do desenvolvimento do aluno é preciso que o professor, pais e aluno estejam em sincronia de modo que as observações realizadas para cada um dos elementos sejam avaliadas e discutidas entre os outros, assim a discalculia poderá ser detectada e principalmente conhecendo seus efeitos no que tange a aprendizagem da criança.

A discalculia é um transtorno do aprendizado, consiste na dificuldade de realizar cálculos matemáticos, segundo Gabriela Meléndez Sansores, do Instituto de Ciência e Desenvolvimento, na Espanha: "é definido como uma dificuldade para cálculos matemáticos", assim os alunos possuem um nível baixo de rendimentos tratando-se de cálculos na resolução de problemas matemáticos, muitas vezes simples.

Ao abordarmos o tema estaremos contribuindo para os esclarecimentos de muitos pais e professores de maneira que possam vir a atuar de forma positiva e possa de certa forma minimizar os problemas.

Portanto a metodologia a ser adotada foi a de uma revisão de bibliográfica bem como acesso a sites na internet.

 

DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM MATEMÁTICA E A DISCALCULIA

 

Bossa (2000) define que uma dificuldade de aprendizagem ligada a discalculia seria, na maioria das vezes, o aluno, o professor e a família não devidamente orientados. Não tendo nem uma orientação, o jovem levará consequências muito graves para o futuro.

A aprendizagem escolar deve ser um processo natural e descobrir deve ser um grande prazer. Quando se trata de um problema logo no inicio, é preciso buscar ajuda e combatê-la e tratar antes que vire uma "bola de neve".

Conhecemos uma área chamada de psicopedagogia, o que seria? É uma área que estuda o processo de aprendizagem, e como os diversos elementos e envolvidos nesse processo, podem facilitar ou prejudicar o seu conhecimento.

Entendemos então que um psicopedagogo é um profissional preparado para a prevenção, o diagnostico e o tratamento dos problemas de aprendizagem escolar.

Em sala de aula quando o professor observa que um de seus alunos possui discalculia, ele deve encaminhar o aluno para atendimento psicológico. Essa decisão requer uma analise cuidadosa e uma preparação para lidar com as reações dos pais.

O Profissional da educação nunca pode diagnosticar para o que fazer com esse aluno que tem discalculia, pelo contrario, ele tem que indicar o aluno a um psicopedagogo.

Bossa (2000) define que psicopedagogia propõe a articulação das diversas teorias que esta envolta do homem.com uma dificuldade de aprendizagem por muito tempo responsabilizava crianças e família pelo problema escolar, mas agora o professor entra com um paradigma, mas porque também o professor? O professor tem que ir a busca por maiores conhecimentos sobre a criança e as dificuldades escolares, ou seja, fazer um trabalho científico específico.

Existem momentos que o meio deve estimular a aquisição de funções cognitivas que são referentes à aprendizagem escola. Observando isso, consideremos a teoria de Piaget, que coloca o desenvolvimento normal da inteligência como uma sucessão estritamente invariável de fases, ou seja, sendo qualquer perturbação numa fase acarreta perturbação na seguinte.

Piaget (1996) cita a afetividade como uma intencionalidade, ou seja, as atuações da criança frente ao mundo têm um sentido que as motivam. Sendo assim os aspectos do mundo afetivo definiram a importância do trabalho intelectual.

A dificuldade de associar a aprendizagem vem do principio onde a criança começa a ter contato com a realidade. Podemos considerar que a dificuldade de aprendizagem começa quando a criança não é compreendida pelo professor ou não compreende a matéria.

Em função desses problemas na escola, muitas coisas ruins podem acontecer no futuro com essa criança. Sendo assim a criança passa a ver a escola como uma coisa ruim e infeliz para ela.

Em seu lar, sendo sua casa, a criança pode também ser prejudicada em seu processo de aprendizagem, como por exemplo, seus pais preocupam tanto com as lições e notas, devido fazem tantas ameaças, acaba sendo um paradigma para a criança.

Discalculia pode ser entendida como desordem neurológica que afeta a habilidade de uma pessoa em compreender e utilizar números, além de poder ser causa de um déficit de percepção visual.

O termo discalculia é utilizado ao se consultar especificamente à inabilidade em se desenvolver operações matemáticas ou aritméticas, contudo é definida por profissionais da educação como uma inabilidade fundamental para conceitualizar números como conceito abstrato de quantidades.

Antes de falarmos em discalculia devemos conhecer algumas informações, de modo geral chamados distúrbios de aprendizagem.

Fagali (1999) fala que a criança que não aprende por ter um problema pedagógico, relacionado à falta de adaptação ao método de ensino, à escola, ou que tenha outros problemas de origem acadêmica pode ou não ter discalculia.

Estes problemas dificultam a aprendizagem da matemática, mas a discalculia impede a criança de compreender os processos matemáticos. A matemática para algumas crianças ainda é um bicho de sete cabeças.

Muitos não compreendem os problemas que a professora passa no quadro e fica muito tempo tentando entender se é para somar, diminuir ou multiplicar; não sabem nem o que o problema está pedindo. Alguns, em particular, não entendem os sinais, muito menos as expressões. Contas? Só nos dedos e olhe lá.

Em muitos casos o problema não está na criança, mas no professor que elabora problemas com enunciados inadequados para a idade cognitiva da criança.

Fagali (1999) defende a discalculia de uma forma resumida. É a dificuldade que um indivíduo tem de compreensão dos números e das operações. Uma definição mais completa é que: "é a dificuldade para realizar cálculos matemáticos".

O calculo é uma operação completa que precisa de habilidades de linguagem – por isso muitas vezes esta ligada a dislexia – compreensão e denominação de termos matemáticos, a percepção, reconhecimento ou leitura dos símbolos e expressões matemáticas, de atenção, reproduzir ou recordar valores numéricos, expressões, números, signos ou símbolos.

É um termo usado para indicar a dificuldade em matemática. O aluno pode automatizar os aspectos operatórios, que são as quatro operações, contas, tabuadas, mas encontra dificuldade em aplicá-las em problemas. Às vezes não consegue entender o enunciado do problema, porque tem dificuldade na leitura do mesmo.

Para Piaget (1996) o pensamento operatório permite a um sujeito realizar corretamente cálculos matemáticos, logo que alcançar este tipo de pensamento pode apresentar certas dificuldades, que nos remete a discalculia.

Assim por mais que se queira buscar um conceito complexo sobre a discalculia, deve ater-se ao conceito base que é o da dificuldade que o aluno tem compreensão de números e operações mais complexas.

Segundo Azevedo (1958) existe vários tipos de discalculia desta forma podemos estudar mais profundamente cada problema e buscar individualmente uma solução, os tipos são:

Discalculia Primária: Transtorno especifica e exclusivo do cálculo, unido à lesão cerebral.

Discalculia Secundária: É quando se utilizam de forma errada os símbolos numéricos e a execução das operações, principalmente invertendo-as. Geralmente vem acompanhada de outros transtornos como dificuldade de linguagem, desorientação espaço-temporal, e baixa capacidade de raciocínio.

Discalculia Gráfica: Dificuldade na expressão escrita dos símbolos matemáticos.

Discalculia Léxica: O individuo possui uma dificuldade na leitura dos símbolos da matemática.

Discalculia Verbal: Não consegue nomear quantidades matemáticas, números, relações símbolos e termos.

Discalculia Espacial: tem dificuldade em ordenar números sobre uma estrutura espacial.

Discalculia Operacional: Dificuldades nas execuções das operações aritméticas.

Discalculia Ideognóstica: Dificuldades em conceitos matemáticos e na execução de cálculos mentais.

Discalculia Practognóstica: Não consegue enumerar, compara e manipular objetos reais ou em imagens matemáticas.

Disaritmética: Dificuldade para compreender o mecanismo da numeração, assimilar o vocabulário, conceber a idéia das quatro operações básicas, contar mentalmente e utiliza suas aquisições nas relações de diferentes problemas.

Tanto o professor, pais ou educadores em geral, devem se ater a pequenas falhas que os alunos cometem, quando estas pequenas falhas se tornam constantes.

É possível salientar que quando uma criança realiza uma terminada atividade, como é o caso de operar com números ou uma simples tarefa de contagem, está fazendo uso de um complexo sistema funcional do seu cérebro, invocando o funcionamento associado de um conjunto de estruturas corticais, cada um dando sua contribuição particular para o desempenho desse sistema.

Por outro lado, a ocorrência de alguns distúrbios de caráter maturacional em determinadas estruturas do cérebro durante o desenvolvimento infantil poderá ser percebida somente quando a criança entra na escola e manifesta certa carência de suas condições internas para a aprendizagem.

Especialmente, quando alunos de series iniciais em processo de construção das noções matemáticas apresentam um desempenho aritmético abaixo do esperado para sua idade, podem ser caracterizado como estudantes discalcúlicos.

Sendo assim é uma perturbação que se manifesta na dificuldade de aprendizagem de fazer calculo. Esta dificuldade pode-se manifestar em vários níveis da aprendizagem.

Assim, podemos encontrar dificuldade ao nível da leitura, escrita e compreensão de números ou símbolos, compreensão de conceitos e regras matemáticas, memorização de fatos ou conceitos ou do raciocínio abstrato. Podem ainda estar associadas dificuldades em aprender a ver as horas ou lidar com o dinheiro.

As causas relacionadas à discalculia são de difícil afirmação, pois não existe uma única causa, no âmbito da psicopedagogia as causas podem ser buscadas nas crianças ou em fatores externos.

Podemos distinguir basicamente uma visão centrada nas alterações neurológicas, que são claras nos portadores de discalculia, é a visão cognitiva que pretende determinar os meios responsáveis pelo baixo aproveitamento do aluno.

A visão neurológica busca determinar a existência nas crianças, podendo ser devido há desordem estrutural congênita das zonas cerebrais na área ligada a matemática.

Já a visão cognitiva, centra-se em aspectos como a memória, a atenção, a atividade de percepção motora, do espaço de habilidades verbais, a falta de orientação de o passo a seguir, as falhas estratégicas, como fatores responsáveis pelas diferenças nas atividades de matemática.

Bossa (2000) considera também as dificuldades de pensamento abstrato, a leitura, a falta de motivação, a demora nas respostas de problemas de memória nas combinações de números básicos. As crianças com discalculia não possuem um grande problema na linguagem, mas sim em informações numéricas.

Devemos ter em mente que as crianças que já possuem uma idade maior, geralmente quando possuem discalculia também possuem problemas com a leitura.

Há causas externas que destacam fatores relativos à matemática, pela utilização de um vocabulário muito rebuscado, técnica não compatível, ou o aluno não consegue assimilar de modo adequado aos conhecimentos.

Na discalculia podemos verificar alguns sinais deste distúrbio. Quando a criança apresentar dificuldades em resolver aplicações de matemática, o rendimento da criança é baixo em relação às outras. Por exemplo:

Fagali (1999). Dificuldades frequentes com os números, confundindo os sinais: +, -, ÷ e x; problemas de diferenciar entre esquerdo e direito; falta de senso de direção e pode também ter dificuldade com um compasso; a inabilidade de dizer qual de dois números é o maior, dificuldade com tabelas de tempo; melhor nos assuntos tais como a ciência e a geometria, que requerem a lógica mais que as fórmulas, até que um nível mais elevado que requer cálculos seja necessário; dificuldade com tempo conceitual e julgar a passagem do tempo; dificuldade com tarefas diárias como verificar a mudança e ler relógios analógicos; a inabilidade de compreender o planejamento financeiro ou incluir no orçamento, nivelar às vezes em um nível básico, por exemplo, estimar o custo dos artigos em uma cesta de compras; tendo a dificuldade mental de estimar a medida de um objeto ou de uma distância; inabilidade de apreender e recordar conceitos matemáticos, regras, fórmulas, e sequências matemáticas; que número vem depois do 22? Para a grande maioria das crianças que passou pela primeira série, a resposta e quase automática. Mas, para alguns, acertarem a sequência dos números é um grande desafio, bem como classificar números e colocá-los em sequência.

Nas fases, mas adiantadas da via escolar, a discalculia também impede a compreensão dos conceitos matemáticos e sua incorporação na vida cotidiana. Determina o problema, no entanto, não é fácil.

Quando a criança apresenta esse problema às alterações de aprendizado são muito altas, tendo um prejuízo muito grande na vida, a seguir há uma história que não só as crianças sofrem com a discalculia.

Bossa (2000) O diagnóstico oficial e definitivo deve ser dado por pessoa capacitada, isto é, por um especialista em distúrbios de aprendizados, um psicopedagogo. O professor, talvez não soubesse afirmar a fundo o diagnostico preciso, mas como é a pessoa que possui maior contato com a criança com esse distúrbio, este deve pelo menos ter uma noção mesmo que muito superficial para poder ajudar a criança que muitas vezes fecha-se em si, e não consegue se expressar nem mesmo falar com seus pais.

As dificuldades da matemática devem ser vistas de formas diferentes, dependendo da idade, do desenvolvimento do portados nas habilidades de matemática. Durante a infância e a adolescência a bagagem psicológica que regerá o adulto não está consolidada entre as construções psicológicas, mas afetadas com o passar dos anos.

Assinalam-se entre outras: a agilidade e elasticidade mental, a adaptação à situação nova, a aquisição de nova forma de pensar, a eficácia no trabalho de processamento de informação, as habilidades especiais, a flexibilidade no trabalho da informação não verbal, assim hoje se questiona de como conhecer a criança com discalculia, possuindo sintomas diferenciados de modo de processar os dados numéricos; ou se o processamento é semelhante ao de uma criança normal existindo um atraso significativo.

Por isso, o diagnostico deve tentar estabelecer se as crianças com dificuldades de aprendizagem de matemática diferente quando aos conceitos, habilidades e execuções de seus colegas de igual ou menor idade, sem dificuldades de aprendizagem.

Deve-se determinar se as crianças com discalculia com dificuldade de aprendizagem alcançaram seu conhecimento aritmético de maneira qualitativamente distinta das crianças sem essas dificuldades, ou pelo contrário, adquirem esse conhecimento do mesmo modo, mas de uma forma diferente.

Não há um tratamento certo, mas sim tratamentos sugeridos por princípios metodológicos, isto quer dizer que os estudos sobre a discalculia ainda não fórum aprofundados de forma a obter um tratamento único ou até mesmo um tratamento padrão.

Bossa (2000) sita que no principio, ainda não a um tratamento especifico, devem-se diagnosticar detalhadamente as funções aritméticas afetadas, elaborado por uma pessoa capacitada, isto é, por um profissional, para que o tratamento seja desenvolvido para que se obtenha um resultado satisfatório.

Os psicopedagogos geralmente iniciam a terapia visando melhorar que a criança tem de si mesmos, valorizando as atividades na quais ela se saia bem. O próximo passo e descobrir como é o seu próprio processo de aprendizagem. Ás vezes, ela tem um modo de raciocinar que não é o padrão, estabelecendo uma lógica particular que foge ao usual. A partir daí, quando esta "porta" é descoberta, uma série de exercícios neuróticos e gráficos irá ajudá-la a trabalhar melhor com os símbolos.

Fagali (1999) fala que na escola é necessário que os professores desenvolvam atividades específicas com esse aluno, sem necessidade de isolá-lo do resto da turma nas outras discalculias, pois tal isolamento pode fazer que todo o trabalho desenvolvido seja prejudicado.

Segundo A teoria de Piaget (2000) o desenvolvimento cognitivo é uma teoria de etapas, uma teoria que pressupõe que os seres humanos passam por uma série de mudanças ordenadas e previsíveis.

Lopes (1996) retrata uma ideia de Piaget que uma vez que a criança não consegue assimilar o estimulo, ela tenta fazer uma acomodação e após, uma assimilação e o equilíbrio é então alcançado.

A criança é concebida como um ser dinâmico, que a todo o momento interage com a realidade, operando ativamente com objetos e pessoas. Essa interação com o ambiente faz com que construa estruturas mentais e adquira maneiras de fazê-las funcionar. Esse processo e chamado de cognitivo, porque acorrer uma assimilação no meio externo a um esquema ou uma organização do sujeito.

Segundo Piaget (1996), o pensamento de a aprendizagem ocorrer quando: Os objetivos pedagógicos necessitam estar centrado no aluno, partir das atividades do aluno; a aprendizagem depende do nível de desenvolvimento do sujeito e a interação social favorece a aprendizagem. Ou seja, o desenvolvimento geral do individuo será resultado de suas potencialidades genéticas e, sobretudo, das habilidades aprendidas durante as várias fases da vida.

As passagens pelos estágios da vida são marcadas por constante aprendizagem. Assim os indivíduos tendem a melhorar suas realizações nas tarefas que a vida lhes impõe. A aprendizagem permite ao sujeito compreender melhor as coisas que estão à sua volta, seus companheiros, a natureza e a si mesmo, capacitando-o a ajustar-se ao seu ambiente físico e social.

A psicologia cognitiva preocupa responder estas questões estudando o dinamismo da consciência. A aprendizagem é, portanto, a mudança que se preocupa com o eu interior ao passar de um estado inicial a um estado final. Implica normalmente uma interação do individuo com o meio, captando e processando os estímulos selecionados.

Piaget (1996) diz que o individuo está constantemente interagindo com o meio. Dessa interação resulta uma mudança contínua, que chamamos de adaptação. Com sentido análogo emprega a palavra adaptação para designar o processo que ocasiona uma mudança contínua no indivíduo, decorrente de sua constante interação com o meio.

Portanto, é no processo de construção do conhecimento a aprendizagem tem um vínculo direto com o meio social que circunscreve, não só as condições de vida do individuo, mas também a sua relação com o ambiente escolar e o estudo, sua percepção e compreensão das matérias.

O professor é de suma importância para o trabalho com os alunos que possuem discalculia, apesar de a importância estar em um tripé, pais, psicopedagogo e o professor, e ao centro a criança com discalculia, o professor é a pessoa que mais deverá diretamente ajudar, pois é a que está mais próximo das atividades escolares.

A família tem papel fundamental na aprendizagem porque deve estimular motivar e promover a criança, bem como a escola deve abrir-se e enfrentar um problema real, sofrer mudanças, procurar soluções e parcerias. Não existe criança que não aprende, ela sempre irá aprender desde que haja uma orientação e apoio de todos que o cercam.

Faz necessário suscitar que atualmente na rede pública as crianças são as mais prejudicadas, pois o Estado não possui uma estrutura eficiente para lidar, mesmo sendo ele obrigado a garantir a educação para todos, para Piaget esse direito vai além do dever do Estado, mas sim um direito da pessoa humana.

Cada vez mais se investe no aluno ser, isto é, não bastando apenas ensinar, mas sim cercar a criança de todo um aparato como: orientadores, psicólogos, pedagogos, etc. Fagali (1999) cita as experiências nas escolas particulares e nas publicas:

Na rede particular, por sofrer com problemas de concorrência, buscam entender de maneira diferenciada, os psicopedagogos trabalham com duas vertentes: a psicopedagogia terapêutica e a preventiva: a terapêutica tem como objetivo reintegrar ao processo de construção de conhecimento uma criança ou jovem que apresente problemas de aprendizagem, e a preventiva visa refletir o desenvolvimento pedagógico.

Na rede pública tais trabalhos psicopedagógicos são mais difíceis de desenvolver, pois não existem os profissionais específicos, apenas se conta com o coordenador pedagógico e o encaminhamento para esses alunos fica mais difícil, por não haver um órgão específico que atenda essa demanda.

Bossa (2000) fala que na educação infantil, os distúrbios já começam a aparecer, quando a criança encontra dificuldades nos símbolos nas relações matemáticas aplicada pelo professor.

Na primeira e segunda série ainda é muito cedo para falar em diagnóstico, passando na verdade a ser mais bem observado a partir da terceira série.

Não devemos confundir disfunção cerebral mínima são problemas de evolução diferentes dos problemas de aprendizagem devido ao retardamento mental, distúrbios emocionais, ou desajustamento ambiental.

A discalculia nada tem a haver com a inteligência, podendo atingir pessoas com bom potencial de aprendizagem em diversas áreas.

O aprender encontra-se permeado por questões subjetivas. O desejo pode ser considerado imprescindível no processo de construção do conhecimento. Se há, portanto, algum conflito nas questões emocionais do sujeito, ele poderá repercutir no funcionamento da aprendizagem. Sendo assim, este modo de operar pode ocorrer de maneira patológica, sob a forma de um sintoma.

No decorrer deste capítulo, é descrita a relação do sintoma e como este se reflete na aquisição do conhecimento. É inevitável, contudo, considerar a repercussão da família neste processo. Ao final desta primeira parte, é analisada a relação entre a escola e o sintoma.

O sintoma, ainda que de origem emocional, pode acarretar dificuldades no processo de aquisição de conhecimento, pois o funcionamento do ser humano não permite que estas áreas funcionem de maneira distinta.

Os educadores devem acima de tudo conhecer o processo de aprendizado, pois conhecendo os trabalhos que podem ser realizados o educador poderá fazer com que a criança que possui discalculia passe a se comportar de maneira diferente da inicial, pois a evolução é gradativa e não imediata.

Fagali (1999) relata que as dinâmicas ou atividades, são de suma importância para o desenvolvimento, essas atividades vêm a trabalhar através de exercícios as crianças com discalculia de modo que possam se reintegrar ao convívio normal com os demais, principalmente com seus pais, amigos e colegas.

Não devemos esquecer que o aprendizado através de atividades voltadas para este tipo de problema será inútil se a criança ou aluno não tomar a iniciativa.

O professor deve fazer uma análise criteriosa, buscando com especialistas, para um tratamento específico da sua deficiência, após o professor orientar os pais do aluno a um especialista, o professor deve por em prática um atendimento individualizado, exigindo do aluno uma participação de acordo com os limites, limitando-se à relação professor e aluno.

Drouet (2003) sita que o aluno deve ter um atendimento individualizado por parte do professor que deve evitar:

  • Ressaltar as dificuldades do aluno, diferenciando-o dos demais;
  • Mostrar impaciência com a dificuldade expressada pela criança ou interrompê-la várias vezes ou mesmo tentar adivinhar o que ela quer dizer completando sua fala;
  • Corrigir o aluno freqüentemente diante da turma, para não o expor;
  • Ignorar a criança em sua dificuldade.
  • Dicas para o professor:
  • Não force o aluno a fazer as lições quando estiver nervoso por não ter conseguido;
  • Explique a ele suas dificuldades e diga que está ali para ajudá-lo sempre que precisar;
  • Proponha jogos na sala;
  • Não corrija as lições com canetas vermelhas ou lápis;

Segundo Azevedo (1958) cita que em todas as áreas o processo de aprendizado está dividido em etapas, tais etapas são importantes para uma melhor análise do desenvolvimento do aluno ou criança. As etapas estão divididas nos pontos a seguir:

Primeira Etapa - A criança é apresentada ao meio, devendo ser construída para que as estruturas matemáticas possam ser extraídas.

Segunda Etapa - Entra-se agora com a apresentação das atividades direcionadas, as crianças examinam os jogos das atividades, tendo assim que respeitas as regras e os objetivos das atividades.

Terceira Etapa - A criança nessa etapa reconhece a estrutura da atividade realizada, tendo dessa forma uma noção geral da atividade.

Quarta Etapa - A estrutura é representada de uma forma gráfica, a criança neste momento é capaz de ocupar as operações particulares de uma atividade que realizou.

Quinta Etapa - São observadas neste ponto as propriedades da representação, as propriedades da abstração conquistada, assim desta forma é preciso inventar uma linguagem.

Sexta Etapa - As propriedades de representação não podem ser analisadas de forma descritiva, analisando assim um número mínimo e inventarmos um procedimento para deste subtrair outro.

O número mínimo destas descrições são os chamados axiomas, já o procedimento para subtrair outro se chama demonstração e as propriedades posteriores chamam-se teoremas.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Concluí-se que as dificuldades em aprendizado de matemática podem ser denominadas como distúrbio e neste com o nome de discalculia.

Deve-se assim proporcionar a criança, pais, educadores e interessados em geral, a informação sobre este distúrbio específico, muitas vezes por falta de informação, acaba-se agindo de forma errada, jogando este dificuldade nas próprias crianças.

Entende-se que as crianças com discalculia vivem em constante conflito, na escola briga contra a intolerância dos colegas e dos professores que não conhecem a discalculia, sem perceberem um possível distúrbio, já em casa o problema pode gerar a impaciência dos pais.

O professor é de certa forma a pessoa que mais convive com a criança no âmbito educacional, porém o professor fazer um diagnóstico preciso pode ocorrer um erro grave, cabendo assim ao profissional o fazê-lo, pois a dificuldade pode ser confundida falta de interesse pela matéria, falta de motivação do aluno e até mesmo a falta de ânimo do professor.

Detectado o problema por um profissional, será de suma importância à colaboração dos pais e professores, sempre observando as tarefas que serão propostas para um possível tratamento, principalmente o papel dos educadores.

Conclui-se finalmente que a discalculia muitas vezes é confundida com dislexia, porém dislexia é um distúrbio que será relacionado com problemas na linguagem oral e na escrita. A criança pode sofrer de discalculia e dislexia? Um distúrbio pode ser complemento do outro? Questões estas que necessitam de muito estudo na área de psicopedagogia clínica educacional.

 

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AZEVEDO, Fernando. A educação e seus problemas. São Paulo: Melhoramentos, volume VIII das Obras Completas, 4 ed. Tomo II, 1958.

 

BOSSA, Nadia A. Dificuldade de aprendizagem: o que são? Como tratá-las? Porto Alegre: Artmed, 2000. p. 120.

 

DROUET, Ruth C. R. Distúrbios da aprendizagem. São Paulo: Ática, 2003.

 

FAGALI, Eloísa Quadros. Psicopedagogia Institucional aplicada, a aprendizagem escolar, dinâmica e construção na sala de aula. São Paulo: Vozes, 1999.

 

LOPES, Josiane. Construção do conhecimento. Revista Nova Escola - ano XI - nº. 95 - agosto de 1996.

 

MORAIS, Manuel P. Distúrbios da aprendizagem: uma abordagem psicopedagógica. 12. ed. São Paulo: Edicon, 2006.

 

PIAGET, J. Para onde vai à educação? Tradução de Ivete Braga. 15. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972/2000.

 

PIAGET, J. O nascimento da inteligência na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.

 

SAMPAIO, Simaia. Distúrbios e Transtornos de aprendizagem: discalculia. 2009. Disponível em: www.psicopedagogiabrasil.com.br/disturbios Acessado em: 27/Jul./2010.

 

SOARES. Liana S. D. Síndrome de Down exercícios de alfabetização e de discalculia. Nacional: Revinter, 2007.

 

 

 

 

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    Palavras-chave do artigo:

    discalculia

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    dificuldade de aprendizagem

    ,

    conhecimento

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    Edjar Dias de Vasconcelos

    Da cosmologia grega. As não substancialidades. Das essências. Tudo flui. Nada persiste o mesmo. Nem mesmo a mudança. O ser não é mais. O que virá a ser. Apesar de ser o futuro. A negação do eterno presente. Do mesmo modo o mundo. E todas as formas de movimento. A vida é uma eterna transformação. Nada se sustenta em si mesmo. Acepção do entendimento.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 16/11/2014

    O termo reciclagem em geral, quer dizer, o retorno da matéria-prima, sendo usado pela população para indicar o conjunto de operações envolvidas no aproveitamento dos dejetos/detritos e seu futuro reaproveitamento. A intenção principal este projeto foi conscientizar e sensibilizar os alunos de que a participação efetiva é indispensável para a obtenção de um meio ambiente saudável, que promova o desenvolvimento sem destruir os recursos naturais.

    Por: Patrícia Maria Barros Piovezanl Educação> Ensino Superiorl 14/11/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    A indiferença do povo brasileiro, em relação à Segunda Guerra Mundial, o governo de getulista desenvolve a compaixão popular, como forma de sustentação no poder, com o objetivo de ter em mãos o Estado.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 14/11/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Certa vez disse Einstein. A respeito da epistemologia. É necessário desenvolver centenas. De análises. Para que algum pensamento. Possa ter fundamento. Mas de certo modo, o conhecimento profundo. É apenas intuitivo. Desse modo pude chegar à natureza. Da essência do fundamento do mundo.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 13/11/2014

    A Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), publica documento de análise e construção de um marco quantitativo destinado ao setor educacional privado, de extrema utilidade para estudiosos e pesquisadores educacionais, tanto dos setores privado quanto público.

    Por: Central Pressl Educação> Ensino Superiorl 13/11/2014
    Zilda Ap. S. Guerrero

    Nessse artigo nossa abordagem será em torno da alfabetização das crianças de escolas públicas e a adoção do construtivismo enquanto metodologia e não como concepção de Piaget, face a exposição das crianças no campo da observação e experimentação.

    Por: Zilda Ap. S. Guerrerol Educação> Ensino Superiorl 11/11/2014 lAcessos: 11
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