Empregabilidade e Empresabilidade em Gestão de Pessoas

18/05/2011 • Por • 1,593 Acessos

EMPREGABILIDADE E EMPRESABILIDADE em Gestão de Pessoas

 

Darci Kops*

 

O presente artigo aborda a questão da empregabilidade e da empresabilidade como inerentes a uma matriz cultural das organizações, na perspectiva da gestão de pessoas, e, por sua vez, remete a uma matriz cultural dos indivíduos, na perspectiva do profissionalismo.

 

Os conceitos paradigmáticos

A empregabilidade toma duas dimensões importantes:

a) Na perspectiva empresarial ou organizacional: A empregabilidade é a capacidade, instalada e cultural, de gerar postos de trabalho dentro de uma visão de responsabilidade social, externa, da empresa ou da organização.

b) Na perspectiva individual das pessoas: A empregabilidade é a capacidade, formativa, e cultural, do indivíduo assegurar a possibilidade permanente de conquistar vagas nos postos de trabalho das empresas, dentro de uma visão de responsabilidade social do próprio indivíduo, ou, ainda, de prontidão para desencadear uma carreira profissional.

A empresabilidade, também, adquire duas dimensões singulares:

a) Na perspectiva empresarial ou organizacional: A empresabilidade é a capacidade cultural da empresa ou da organização, dentro de uma visão de responsabilidade social, interna, de investir, permanentemente, em programas, e projetos, de capacitação de seus colaboradores, exercendo, através de treinamento, desenvolvimento e educação, o poder de manutenção e de capitalização profissional, e externamente, a capacidade da empresa de atrair potenciais apostadores considerados como stakeholders.

b) Na perspectiva individual das pessoas: A empresabilidade é a capacidade cultural de investimento permanente dos indivíduos no sentido de zelar e empresar na própria formação e capacitação assegurando a perspectiva de carreira profissional.

 

O paradigma da empregabilidade

Trata-se de uma via de mão dupla.

Na perspectiva empresarial, a empregabilidade passa a ser uma questão de responsabilidade social da empresa – RSE, pois, percorre na corrente estrutural, de todo o empreendimento, a necessidade e o desafio de gerar postos de trabalho, e, pelo seu poder de atração, atrair os melhores talentos humanos. Postos de trabalho significativos e desafiadores.

Na perspectiva individual, a empregabilidade passa a ser uma questão de responsabilidade social pessoal – RSP, pois, suscita no indivíduo a necessidade de evoluir para um denominado estado de prontidão, em razão de um grau elevado de formação, de capacitação profissional e de cidadania. O portfólio de competências  assegura empregabilidade, transformando potencial em talento, com brilho próprio, com luzes na ribalta do mercado de trabalho. Esse talento pode ser garimpado a qualquer momento tendo presente o referido estado de prontidão.

 

O paradigma da empresabilidade

Trata-se, também, de uma via de mão dupla.

Na perspectiva empresarial, Kugelmeier (2006), diretor da WK Prisma – Educação Corporativa Modular - sugere que se enxergue a empresabilidade sob um prisma ampliado, ou seja, a capacidade da empresa de atrair potenciais, clientes, fornecedores, parceiros, investidores e comunidade, os chamados stakeholders, os grupos que lidam com a empresa no dia a dia. Trata-se de um movimento de atração, por parte da empresa, para se tornar empresável perante os stakeholders em potencial.

Saviani (1998), diretor da Saviani & Associados Consultoria e Treinamento, considera a empresabilidade como a capacidade das empresas de oferecerem condições de manter empregados com alta taxa da empregabilidade.

Portanto, na perspectiva empresarial, enquanto paradigma, política e diretriz estratégica de gestão de pessoas, a empresabilidade remete para a necessidade de saber atrair e investir em seus stakeholders, adotando planos de ação, programas e projetos de atração, e de capacitação profissional e de cidadania. É o que se compreende, hoje, como uma questão de responsabilidade social interna, e externa, da empresa.

Na perspectiva do indivíduo, enquanto profissional e cidadão, a empresabilidade se constitui num verdadeiro imperativo categórico, pois, remete para uma espécie de obrigação para com o processo de autogestão que implica em empresar no seu próprio desenvolvimento, na sua própria formação e capacitação. Aquilo que se denominava de Você S.A., ou seja, você empresando no seu potencial, possibilitando vida longa no mercado de trabalho, e, permanentemente, se apropriando das oportunidades em razão de seu estado de prontidão, do seu portfólio de competências.

A empresabilidade, na perspectiva do indivíduo, sinaliza para a necessidade de autogestão de carreira profissional, você como um investidor que, dentro de um processo de autogestão, aposta, também, em seu potencial através de formação e capacitação permanentes. É o que se compreende, hoje, como uma questão de responsabilidade social pessoal.

 

Check-list mínimo da empregabilidade

a)      Na perspectiva da empresa:

( ) Na empresa, a empregabilidade é um paradigma inerente à cultura organizacional?

(  ) A empresa considera a empregabilidade como uma questão de responsabilidade social da empresa?

(   ) A empresa tem gerado, constantemente, postos de trabalho?

(  ) Os postos de trabalho oportunizados tem tido um caráter de trabalho significativo e desafiador?

( ) O compromisso com seu entorno tem sido praticado em termos de empregabilidade?

b)     Na perspectiva do indivíduo:

(  ) A empregabilidade consta como um paradigma inerente a sua cultura pessoal?

(   ) O seu grau de empregabilidade pode ser considerado alto?

(   ) O seu portfólio de competências lhe assegura constante empregabilidade?

(  ) O seu portfólio de competências tem algum diferencial agregador de empregabilidade?

 

Check-list mínimo da empresabilidade

a)      Na perspectiva da empresa:

() Na empresa, a empresabilidade é um paradigma inerente à cultura organizacional?

( ) A empresabilidade consta como uma questão de responsabilidade social, interna e externa, da empresa?

( ) A empresa adota, permanentemente, programas de formação e capacitação de recursos humanos?

( ) Plano de carreira(s), como ferramenta, compõe o jeito de fazer gestão de pessoas?

 

b)     Na perspectiva do indivíduo:

( ) A empresabilidade consta como um paradigma inerente a sua cultura pessoal?

( ) A empresabilidade consta como uma questão de responsabilidade pessoal?

( ) Por iniciativa própria, tem, constantemente, monitorado seu portfólio de competências?

( ) Por iniciativa própria, tem, constantemente, participado de congressos, feiras, cursos, workshops, visitas-técnicas, grupos de estudos, de oportunidades de capacitação profissional?

( ) Plano de carreira faz parte das práticas pessoais?

 

Conclui-se que, sob alguns aspectos a empregabilidade e a empresabilidade estão altamente imbricados. Todavia, faz-se necessário destacar aspectos distintivos. Tanto a empregabilidade como, também, a empresabilidade, toma conotações, e amplitudes, de responsabilidade social das empresas e dos indivíduos. O sistema de gestão de pessoas, nos seus subsistemas de recrutamento e seleção, e de TD&E (treinamento, desenvolvimento e educação) são responsáveis nos processos de aculturação adequada desses dois paradigmas. Os checks-list, mesmo em formato reduzido, ajudam a refletir a respeito da problemática, bem como, a analisar o estágio atual da cultura organizacional nos aspectos de gestão de pessoas, e o estágio atual da cultura pessoal nos aspectos de desenvolvimento de carreira profissional e de cidadania.

* Darci Kops, é professor universitário, consultor e assessor para assuntos de gestão de recursos humanos, gestão comportamental, gestão organizacional, e pedagogia empresarial. E-mail para contato: kopsdar@cpovo.net

Perfil do Autor

Darci Kops

Consultor Ad Hoc para assuntos de gestão de pessoas, gestão organizacional, gestão comportamental, gestão educacional. Assessor pedagógico...