Então É Natal E Ano Novo Também..

21/12/2009 • Por • 267 Acessos

EDUCAÇÃO

Podemos fazer a diferença...

Autor desconhecido

 

A professora Rosa conta que no seu primeiro dia de aula parou em frente aos seus alunos da 5ª série primária e, como todos os demais professores, disse-lhes que gostava de todos por igual. No entanto, ela sabia que isto era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado um garoto chamado João Luiz.

Ela, aos poucos, notava que ele não se dava bem com os colegas de classe e muitas vezes suas roupas estavam sujas e cheiravam mal.

Houve até momentos em que ela sentia um certo prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos.

Ao iniciar o ano letivo, era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações.

Ela deixou a ficha de João Luiz por último, claro!  Mas quando a leu teve uma grande surpresa...

Ficha do 1º ano:

“João Luiz é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos sempre estão em ordem e muito nítidos. Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele.”

Ficha do 2º ano:

“João Luiz é um aluno excelente e muito querido por seus colegas, mas tem estado preocupado com sua mãe que está com uma doença grave e está desenganada pelos médicos. A vida em seu lar deve estar sendo muito difícil.”

Ficha do 3º ano:

“A morte de sua mãe foi um golpe muito duro para João Luiz. Ele procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo.”

Ficha do 4º ano:

“João Luiz anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e, muitas vezes, dorme na sala de aula.”

Ela se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada...

E ficou pior quando se lembrou dos lindos presentes de Natal que ela recebera dos alunos, com papéis coloridos, exceto o de João Luiz, que estava enrolado num papel de supermercado. Lembrou que abriu o pacote com tristeza, enquanto os outros garotos riam ao ver que era uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade. Apesar das piadas ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão. Naquela ocasião João Luiz ficou um pouco mais de tempo na escola do que o de costume.

Relembrou, ainda, que ele lhe disse: A senhora está cheirosa como minha mãe!

E, naquele dia, depois que todos se foram, a professora chorou por longo tempo...

Em seguida, decidiu mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a João Luiz.

Com o passar do tempo ela notou que o garoto só melhorava.

E quanto mais ela lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava e aprendia.

Ao finalizar o ano letivo, João Luiz saiu como o melhor da classe.

Sete anos depois, recebeu uma carta de João Luiz contando que havia concluído o segundo grau e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera.

As notícias se repetiram, e ele também não esquecia as datas comemorativas como Natal, Ano Novo, Páscoa e aniversários. Até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. João Luiz de Almeida, seu antigo aluno, mais conhecido como João Luiz. 

Mas a história não termina aqui...

Tempos depois recebeu o convite de casamento e a notificação do falecimento do pai de João Luiz.

Ela aceitou o convite e no dia do casamento estava usando a pulseira que ganhou de João Luiz anos antes, e também o perfume.

Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e João Luiz lhe disse ao ouvido: “Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer a diferença.”

E com os olhos banhados em lágrimas sussurrou: “Engano seu! Depois que o conheci aprendi a lecionar e a ouvir os apelos silenciosos que ecoam na alma do educando.

Mais do que avaliar as provas e dar notas, o importante é ensinar com amor mostrando que sempre é possível fazer a diferença.

Afinal, o que realmente faz a diferença?

É o fazer acontecer a solidariedade, a compreensão, a ajuda mútua e o amor entre as pessoas...

O resto vem por acréscimo...

É este o segredo do mais velho ensinamento.

“Tudo depende da Pedagogia do Amor, ensinando a criança o caminho que deve andar e, ainda, quando for velho, não se desviará dele”.

“Nisto todos saberão que sois meus discípulos: Se vos amardes uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13, 34-35).

 Um Feliz Natal e Um Ano Novo cheio de Paz e Bem!

                                                                                                             http://illustramus.blogspot.com/

Perfil do Autor

Gislaine Becker