FONÉTICA E FONOLOGIA: MATTOSO CÂMARA JUNIOR

Publicado em: 04/09/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 4,496 |

INTRODUÇÃO

 

               A fonética e a fonologia são os aspectos que se procurou abordar neste trabalho, observando-se a concepção de Mattoso Câmara acerca do tema. Por isso, foi feito pesquisa bibliográfica e a partir daí discutiu-se a questão na visão do referido autor.  Mediante a necessidade de conhecer mais profundamente ambas. A partir daí, sentiu-se a necessidade de trabalhar-se a fonética e a fonologia na visão de Mattoso, com o intuito de levar conhecimentos diversos a sociedade. Onde, a confecção deste será publicada para somar com a ciência em prol do social.

 Sendo assim, recomenda-se a quem interessar-se pelo tema, que para um melhor entendimento do assunto, seja consultada a obra de Mattoso, pois a partir da leitura e compreensão da mesma, certamente as dúvidas em relação às questões aqui expostas, poderão ser sanadas. Ressalta-se que um trabalho de estudo da obra do autor, é fundamental para que futuros profissionais de Letras possam desenvolver trabalhos de qualidade em sala de aula.

 

 

1- FONÉTICA E FONOLOGIA

 

 

          Sempre foi atribuído à fonética, o papel de estudar os sons da linguagem humana do ponto de vista material ou físico, ela serve então, para descrever detalhadamente como eles são produzidos e quais são seus efeitos acústicos. Já a fonologia cuida do papel que tais sons desempenham num dado sistema de uma língua particular: se têm ou não valor distintivo em face de outros sons, se podem ocorrer em qualquer posição silábica ou estão restritos a dada vizinhança fonêmica etc. Por esse motivo é preciso que em sala de aula o professor tenha a capacidade de explorar o assunto, demonstrando aos alunos as especificidades tanto da fonética, quanto da fonologia.  Essa necessidade advém do fato de que de acordo com Mattoso (1969, p.34):

 

O grande problema, no âmbito da língua oral, é que por vocábulo se entendem duas dimensões diferentes. De um lado, há o vocábulo fonológico, que corresponde a uma divisão espontânea na cadeia da emissão vocal. De outro lado, há o vocábulo formal ou mórfico, quando um segmento fônico se individualiza em função de um significado específico que lhe é atribuído na língua. Há certa correspondência entre as duas entidades, mas elas não coincidem sempre rigorosamente.

               Vale ressaltar, que não há uma uniformidade ou distinção clara entre os termos fonética e fonologia na história dos estudos gramaticais brasileiros. Os gramáticos do século XIX, por exemplo, não estabeleciam distinção conceptual entre as denominações, porém, mera relação de continência em que fonologia, via de regra, inscrevia-se no amplo campo de investigação abrangido pela fonética. Considerando irrelevante a distinção entre fonologia e fonética, alguns filólogos optam por uma apresentação mais simplificada da matéria, de tal sorte que se diminuam as seqüências hierárquicas sem qualquer valor individual na descrição vernácula.

                   Com relação à fonética, a mesma é definida como o estudo dos sons que interessam à linguagem humana, ou do meio fônico lato sensu, a fonética desenvolve sua pesquisa em pelo menos três áreas bem delimitadas: a fonética articulatória, a fonética acústica e a fonética auditiva. A primeira descreve e classifica os sons da fala em face da maneira como são produzidos pelo aparelho fonador. À segunda cabe o estudo das propriedades físicas dos sons produzidos pelo aparelho fonador e do percurso que as ondas sonoras trilham para chegar aos ouvidos do ouvinte. Já a terceira ocupa-se da maneira como os sons da fala são captados pelo aparelho auditivo e interpretados pelo cérebro humano.

                   Na concepção de Mattoso, em uma sequência de segmentos ininterruptos, essa pauta permite identificar palavras fonológicas: Como vemos a isomorfia entre as palavras fonológica e a palavra prosódica existe em (3ª), mas não existe em (3b). Mais adiante (1969, p.36), com respeito aos clíticos afirma: "as pessoas mal alfabetizadas de hoje e os copitas medievais, escrevendo olivro, sefala, falasse, sem espaço em branco, estão adotando um critério fonológico." Mattoso Câmara (1969, p.37 referenda ainda que:

 

O clítico não é uma forma livre porque não pode funcionar isoladamente como uma comunicação suficiente, mas também não é uma forma presa, pois, entre ele e a palavra em que se apóiam outras palavras podem intercalar-se. Classifica-o como forma dependente, analisando-o como palavra fonológica. Inversamente, as palavras compostas, guarda-chuva, por exemplo, são dois vocábulos fonológicos e um só vocábulo mórfico.

 

 

                  Não resta dúvida de que a área da fonética que mais interessa ao lingüista é a da fonética articulatória, já que seu objeto está diretamente vinculado à manifestação da língua em sua materialidade. A fonética acústica, entretanto, tem contribuído significativamente no ensino de línguas estrangeiras, visto que estabelece padrões de percepção dos sons de dada língua pelo ouvido de um falante nativo e de um falante estrangeiro, bem como as razões por que o primeiro é mais capaz do que o segundo na tarefa de identificar os fonemas nas cadeias sonoras das palavras. Considerando que um mesmo fonema jamais será produzido da mesma forma por dois falantes nativos distintos, isto é, que os sons da linguagem humana quando produzidos por diferentes falantes se regem pelo princípio da semelhança, não da identidade, cabe à fonética acústica descrever as diferenças auditivas pertinentes e impertinentes para a perfeita percepção das cadeias sonoras de que se compõem palavras e frases.

 

 

2  NEUTRALIZAÇÃO FONÊMICA

 

 

                Sabemos que o conceito mais acatado de fonema está vinculado ao princípio da oposição, que devemos à Lingüística estrutural. Com efeito, o fonema só é entendido como entidade autônoma significativa por que se distingue de outro dentro do mesmo sistema fonológico. Assim, o /d/ é um fonema sonoro do português por que a ele opõe-se o correspondente surdo /t/ . Há situações, entretanto, em que a distinção entre fonemas deixa de ser um fato relevante para o falante da língua. Tome-se, por exemplo, a palavra paz. A pronúncia dessa palavra nas diferentes regiões geolingüísticas brasileiras varia bastante devido à consoante final: [pAž], [pAš], [pAs]. Verifica-se, pois,. que as consoantes /ž/, /s/ e /š/, em final de sílaba, perdem distinção entre si; a este fato denomina-se neutralização de traços distintivos.

                  O mesmo ocorre com respeito às vogais átonas finais portuguesas. A pronúncia de rede, por exemplo, pode ser [′Rede] ou [Reďi]. Observe-se que a alternância ente /d/ e /ď/ se dá entre um fonema e um alofone, já que /d/ e /ď/ jamais se distinguem entre si no sistema fonológico do português. Já a alternância entre /e/ e /i/ finais não pode ser atribuída a uma alofonia, visto que constituem fonemas distintos em nossa língua, como se percebe em cedo e sido. Assim, conclui-se que /e/ e /i/ átonos finais sofrem neutralização de traços distintivos, já que suas diferenças articulatórias não são pertinentes nessa posição da cadeia fônica vocabular. O mesmo se pode dizer de /o/ e /u/ átonos finais. Quando, por necessidade de descrição, referimo-nos a todas as possibilidades de pronúncia decorrentes de uma neutralização fonêmica, optamos pela transcrição de um arquifonema, assim entendido como uma entidade abstrata resultante da neutralização. Assim, o arquifonema /S/ resulta da neutralização de /s/, /ž/, /š/ e /z/ finais.

                  Não se há de confundir entre neutralização fonêmica e inocorrência de um dado fonema na cadeia fônica vocabular. No caso das vogais átonas finais portuguesas, por exemplo, podemos relacionar dois arquifonemas e uma vogal: /I/, /U/ e /A/, os primeiros resultantes, como já se disse, da neutralização de /e/ com /i/ e de /o/ com /u/, respectivamente. Já as vogais /ε/ e //, se átonas, simplesmente não têm registro em sílaba final, tendo em vista o padrão prosódico do português. Por esse motivo, não é certo atribuir a inocorrência de /ε/ e // a um efeito da neutralização, senão a mera impossibilidade de ocorrência.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

                  Para se estudar a obra de Mattoso e compreendê-la, deve-se debruçar-se em estudos e análises, neste caso, sugere-se que aplique-se à teoria, fatos do dia a dia, pois, certamente dessa forma, será mais fácil compreender o que está sendo estudado.

                  Este trabalho é de grande valia para enriquecer nossos conhecimentos. Servirá de base para que novos trabalhos sejam efetuados, sobre análises que envolvam aspectos inerentes às especificidades da língua portuguesa.

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

CAMARA JR., J. Mattoso. Para o estudo da fonêmica portuguesa. 2ª ed., Rio de Janeiro: Padrão, 1977.

SILVA, Thais Cristófano. Fonética e Fonologia do Português: roteiro de estudos e guia de exercícios. Editora Contexto. São Paulo: 2007.

 

 

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    Palavras-chave do artigo:

    palavras chave fonetica fonologia estudo vocabulo morfico

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