Gestão E Organização Do Trabalho Escolar: Novos Tempos E Espaços De Apendizagem
1. INTRODUÇÃO
O planejamento escolar não pode ser conduzido de forma autoritária e centralizadora, uma vez que se pretende instituir uma cultura mais democrática e participativa nos processos desenvolvidos na escola.
A escola precisa elaborar planos de trabalho ou planos de ação onde são definidos seus objetivos e sistematizados os meios para a sua execução bem como os critérios de avaliação da qualidade do trabalho que realiza.
Sem planejamento, as ações da comunidade escolar irão ocorrer nas circunstâncias com base no improviso, ou na reprodução mecânica de planos anteriores e sem avaliar os resultados do trabalho. A falta de planejamento leva a equipe gestora a se especializar em apagar incêndios, mas, nem todos os incêndios podem ser apagados sem que haja sérios prejuízos.
Uma gestão democrática não se constrói sem um planejamento participativo, que conte com o envolvimento dos segmentos representativos da comunidade escolar nos processos de tomada de decisão, bem como na definição de metas e estratégias de ação. A participação dos diferentes segmentos da comunidade escolar nesse processo é fator relevante para o seu sucesso, pois agrega ao planejamento o compromisso e a co-responsabilidade na consecução de metas e objetivos definidos.
2. NOVOS CONTEXTOS, NOVAS DIFICULDADES, GRANDES DESAFIOS
Mais que uma atividade burocrática, mais que o zelo de normas legais preestabelecidas é uma atividade essencialmente política e pedagógica ou político-pedagógica, como nos afirma Freire.
As transformações que o mundo em geral, a sociedade brasileira e a escola em particular têm vivenciado apontam para o aguçamento dessas dimensões e desconhecê-las pode ser além de um grave erro político pedagógico, um entrave real ao avanço da escola e do processo de ensino-aprendizagem por ela desenvolvido.
Essas transformações são de toda ordem: econômicas, políticas culturais e atingem os mais diversos sujeitos.
As estatísticas apontam que a grande maioria das crianças em idade escolar está dentro da escola, porém apontam inicialmente a repetência e evasão e posteriormente as “dificuldades de aprendizagem” das nossas crianças e adolescentes.
Professores queixam-se de que não sabem como trabalhar com essas dificuldades, caracterizando que essas crianças apresentam déficits culturais, desestruturadas emocionalmente, etc.
Com isso, faz-se necessário a escola refletir sobre seus alunos, sendo uma premissa essencial para uma direção que se pretende democrática na radicalidade total do termo: reconhecimento dos alunos enquanto sujeitos socioculturais e retira-los da subumanidade a que muitas vezes estão submetidos. Além disso assumir uma atitude democrática radical implicada em não retirar-lhes o estatuto da cidadania do ser humano. São diferentes, sim, mas não inferiores.
Resumamos. Não há sujeito de saber e não há saber senão em uma certa relação com o mundo, que vem a ser, ao mesmo tempo e por isso mesmo uma relação com o saber. Essa relação com o mundo é também uma relação consigo mesmo e relação com os outros (Charlot, 2000:63)
No ato de educar, estabelecer um diálogo entres saberes e não repetir a velha tradição da educação bancária tão denunciada por Paulo Freire que intenta inculcar saberes previamente dignificados nos alunos. E dialogar não significa não apresentar-lhe outros saberes, mas partir, como diz Freire, “do saber da experiência feita”
Arroyo (2000b: 131) aponta que o direito à educação e à cultura tem de superar a lógica do mercado e da sobrevivência. (...) O campo do mercado não é bom conselheiro para enfrentar problemas que tocam o campo dos direitos.
Não há como falar de cultura de uma forma singular, mas de culturas. E, se há diferentes culturas, o respeito, o reconhecimento e a troca devem fazer parte do cotidiano escolar.
Cotidiano esse que deve se transmudar, que não reconhecerá a cultura do negro, do índio, do nordestino, dos habitantes da área rural apenas em datas comemorativas, concretizando aquilo que, no jargão educacional, chamamos de currículo turístico. E ainda buscará a explicitação, a contribuição, a participação de toda a comunidade escolar, em especial dos alunos em atividades diversas.
As estratégias são várias e diversos educadores têm buscado fazê-las: de entrevistas com os pais e integrantes da comunidade a perfis dos alunos, de dinâmicas de apresentação a verdadeiros teatros, shows, etc., onde os educandos apresentam o cotidiano da sua vida, suas expectativas, seus gostos, suas artes. Além de atividades onde os sujeitos falam, tem voz e vez e não onde se sintam silenciados e silenciosamente ou agressivamente reagem à negação da sua expressão e do seu ser.
Se os alunos são sujeitos do saber, também o são os professores. E, assim como seus alunos, constroem e adquirem saberes em diversos espaços e tempos, especialmente no trabalho. E quanto a isso é preciso constatar – mesmo sob controle intenso, o professor, se não incorporar a necessidade da mudança prática docente, continuará repetindo aquilo que julga eficaz e suficiente para aprendizagem dos alunos.
A questão do diálogo, do clima de troca e a cumplicidade se fazem importante numa escola radicalmente democrática. Reconhecer os docentes como sujeitos do processo de ensino-aprendizagem, como educadores em toda a dimensão do termo, é essencial.
Assim, deve-se levar em conta os saberes docentes, a sua experiência, inserí-los mesmo na gestão político-pedagógica da escola é vital para uma organização mais dinâmica, mais rica do trabalho escolar.
O ponto central do trabalho pedagógico é o conteúdo escolar e a organização central para trabalha-lhos é a sala de aula. Cada docente é responsável por um conteúdo ou disciplina e os espaços de interação interdisciplinares são escassos e empobrecidos.
A organização da instrução pública funcionava sob outra lógica: os professores lecionavam para alunos, num mesmo ambiente, em estágios diferentes de conhecimento sobre determinado conteúdo escolar.
Com a industrialização e consolidação da sociedade capitalista ocorre a demanda por uma força de trabalho mais escolarizada. E as escolas isoladas vão sendo identificadas com o atraso e pouca eficácia da escola.
Ribeiro destaca que é preciso ousar formas de enturmação e de organização do tempo escolar, mais condizentes com uma educação enquanto processo de humanização, menos humilhante e desgastante para o aluno.
Se os ciclos se centram no sujeito, na sua formação por inteiro, é mais compatível com uma educação capaz de valorizar e incorporar outros espaços em tempos de aprendizagem, portanto, de dialogar com outros saberes para além dos saberes sistematizados ou saberes escolares.
3. GESTÃO DA SALA DE AULA: O “MANEJO DE CLASSE” COM NOVA ROUPAGEM?
...à “gestão “ da sala de aula
O momento histórico que convivemos é de crucial importância para a educação brasileira, educação para o indivíduo e para o país, o desempenho de nossos alunos, constatado em testes nacionais e internacionais, tem sido lamentável.
As transformações decorrentes dos esforços de construção de um Projeto Político Pedagógico para cada unidade escolar, são já bastante significativos, mas a sala de aula ainda é uma célula cuja organização interna ainda é muito dependente da competência (ou incompetência) do professor.
Quando os professores se queixam das dificuldades encontradas na recuperação de sua autoridade frente aos alunos, não o fazem sem razão: ninguém, concordaria que se pode fazer educação sem um mínimo de ordem e harmonia dentro da sala de aula.
O desafio é restaurar a autoridade do professor, sem que recorra a métodos autoritários de condução do ensino e que se considere a necessidade de bem gerenciar todos os conflitos que estão instalados em qualquer instância de exercício de poder.
Resta ao professor exercer a sua liderança de forma democrática como acontece em uma escola que se pretende democrática também. A liderança democrática implica negociação, acordo, estabelecimento coletivo de normas, regras, padrões. Implica delegação de responsabilidades e atribuição de tarefas.
Uma boa maneira de fazer educação é ouvir os clássicos, que deixaram marcas notáveis num campo do saber.
Uma gestão democrática supõe acordos, negociações, participação, na construção de projetos coletivos como garantia de sucesso dos mesmos.
É preciso prover para que os laços de dependência entre aluno e professor se tornem cada vez mais tênues, pensando nas transformações da relação professor aluno, numa trajetória que se iniciou no jardim da infância e caminha até pós- graduação.
Um grande auxiliar do professor na criação deste ambiente rico – desafiador, desencadeador de aprendizagem, são os métodos e técnicas de ensino ativo. O ensino por projetos, por exemplo, é uma metodologia que vem oferecendo ótimas oportunidade de aprendizagem a estudantes em qualquer nível de ensino, pela possibilidade de significação e contextualização.
Técnicas como a exposição dialogada, a demonstração, a observação, a experimentação, a entrevista, as excursões, o trabalho em grupos homogêneos ou diversificados, o seminário, o painel são algumas das enumeras técnicas que podem tornar a sala de aula mais atraente, auxiliando o professor na tarefa de conseguir o engajamento dos alunos em atividades educativas.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Uma escola democrática não é aquela em que todos fazem o que querem, mas sim aquela em que todos fazem o que é bom para todos, gerindo democraticamente uma sala de aula e criando condições de respeito mútuo de aprendizagem para todos os alunos, respeitando-lhes as diferenças e trabalhando-as em benefícios deles mesmos.
Cabe a escola colocar ao alcance de todos o patrimônio cultural da humanidade, uma escola democrática inclusiva que se proponha formar cidadãos lúcidos, críticos , honestos, competentes, cônscios, de seus direitos e seus deveres.
Percebemos que o estudo das práticas de organização e de gestão da escola é indispensável para a construção de uma escola democrática e participativa, que prepare os alunos para a cidadania plena. Bem como as formas de gestão e de tomada de decisões, as competências e procedimentos necessários à participação eficaz na vida da escola, incluindo a elaboração e discussão pública do projeto pedagógico.
5. BIBLIOGRAFIA
ARANHA, Antônia Vitória Soares. Gestão Educacional novos olhares – novas abordagens. Petrópolis: Editora Vozes, 2005.
(Artigonal SC #525100)
Esse artigo foi elaborado com a pretenção de proporcionar um visão mais abragente da gestão da escola pública em seus detrimentos com a sociedade.Qual o pérfil dos técnicos pedagógicos,se ainda a educação está voltada a exclusão e que politicas públicas estão sendo trabalha na busca incessante por cidadania.
As atitudes, os conhecimentos, o desenvolvimento de habilidades e competências na formação do gestor da educação são tão importantes quanto a prática de ensino em sala de aula.
A administração escolar tradicional vem passando por diversas mudanças ao longo dos anos, tendo como principal metamorfose no bojo das vivências educacionais a gestão democrática que tem como pano de fundo a promoção do indíviduo rumo a cidadania, a autonomia e a criticidade por meio do envolvimento de todos os interessados na melhoria do ensino em sentidos múltiplos, construindo os afazeres pedagógicos com educandos, educadores, pais e a comunidade em geral praticando o trabalho coletivo.
A construção de uma escola democrática depende da estrutura sua gestão, dos órgãos deliberativos e seus instrumentos de gestão democrática. A participação dos professores na gestão escolar, porém, é decisiva. Este artigo traz resultados parciais de pesquisa da realidade das escolas públicas catarinenses no quesito democratização da gestão escolar, concluindo que esta necessita da participação dos professores.
Resumo: O presente artigo visa fazer uma abordagem sobre planejamento participativo de ensino. Nesta perspectiva procuramos refletir sobre a idéia, qual a importância de planejar no cotidiano da escola para se obter resultados satisfatórios. Diante deste questionamento muitos teóricos procuram instigar as concepções do planejamento escolar como forma de organização de antecedência para um procedimento a definir da melhor maneira para se realizar determinadas ações.
Neste artigo pretende-se refletir sobre a formação inicial e continuada do gestor escolar bem como os referenciais que norteiam esse estudo.
aLGUMAS DICAS IMPORTANTES SOBRE RELAÇÕES INTERPESSOAIS NA ESCOLA E O PAPEL DO DIRETOR NA INTEGRAÇÃO ENTRE AS PESSOAS NAS DIMENSÕES POLÍTICA, PEDAGÓGICA E ADMINISTRATIVA.O GESTOR, GRANDE ARTICULADOR DA ESCOLA, DEVE ESFORÇAR-SE POR CRIAR CANAIS ADEQUADOS DE COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO E GARANTIR O ALCANCE DOS OBJETIVOS DA ESCOLA, MANTENDO UM BOM CLIMA ENTRE AS PESSOAS QUE FAZEM PARTE DA COMUNIDADE ESCOLAR E LOCAL.
O hábito da leitura deve ser começado pelo prazer de ler. Todo leitor deve estar envolvido pelo texto que lê. Logo, comece a desenvolver o hábito da leitura pelas leituras que lhe agrade. Faça do livro um companheiro de viagem. Tenha-o sempre em sua companhia durante o dia. Vários são os momentos livres e que você pode aproveitar para dar continuidade à sua leitura.
Muito se ouve falar e se ler que o Brasil deve investir pesadamente em educação, que o desenvolvimento de nosso país passa primeiro por ter um povo fortemente educado e muitas outras afirmações do tipo.
A Escola Superior de Educação Física de Jundiaí lança dois novos cursos de pós-graduação
A fusão das palavras tecnologia e pedagogia parece-nos formar uma boa dupla diante do mundo globalizado, ou quiçá, formam tal dupla pelo mundo globalizado. As tecnologias aplicadas nas escolas podem ser uma boa ferramenta de estímulos dentro do aprendizado, bem como um atrativo para os aprendizes, uma vez que o aluno do século XXI passa doze horas do seu dia ligado ao computador e muitas dessas horas conectado.
Relação entre exaustão da perspectiva da qualidade histórica distinta na indistinção nuclear do valor no código simbólico: um dilema "matrix" como metáfora ou o "fim da história" como desenvolvimento da qualidade (à letra de Baudrillard, outra vez!)
As gramáticas textuais surgiram com o intuito de dar significação aos textos redigidos. Assim, estas vêm trabalhar os aspectos de coesão e coerência dos textos.No entanto, com o passar do tempo criou-se um dilema quanto aos aspectos significativos dos textos.Será que seria suficiente somente a gramática que trata da ordenação de palavras e construção de paradigmas no texto? ou será necessário um novo instrumento de análise e construção para a compreensão do “contexto” dos textos?
Observa-se numa Instituição de Ensino Superior Particular, diversas “falhas” em todos os segmentos, como por exemplo: desperdício, limpeza, organização, capacitação profissional do corpo administrativo e docente, insatisfação de toda a comunidade acadêmica, processos de informação e comunicação, postura de atendimento e etc. Com a implantação de forma autocrática do Programa 5S majorado em 4 Sensos, é possível elevar o padrão de ensino e prestação de serviços de uma IES.
Entendo também que este grandioso projeto deveria ser lido, entendido e executado por todos os continentes de forma adaptada cada um às suas necessidades, afinal a idéia é de grande serventia humanitária. Dentro do projeto, Guião para os Professores, não somente encontramos conceitos e definições do tipo: pobreza, exclusão social, bem como se trabalhar em sala de aula com estes conceitos e percepções para tentar amenizar e tentar combater.
A música exerce um grande papel no processo de ensino e aprendizagem, visto que o papel de comunicação está presente, desde o inicio da vida humana quando, ainda bebê, embala-se no colo da mãe, acalentado por cantigas de ninar. O canto suave tranqüiliza o bebê e o conduz ao estado de plenitude e relaxamento, que o faz adormecer.
A música deve ser valorizada no contexto escolar, uma vez que permite aos alunos contato direto a uma série de conhecimentos e sensações, gerando oportunidades de descobrir possibilidades expressivas
A música é uma linguagem universal que reúne conceitos fiéis á Arte e estabelece regras à sua estética que a conduz dentro de suas próprias leis, pois a música nunca é estática, sempre foi e sempre será dinâmica. Cada nota, cada frase musical, desempenha papel na construção de uma disposição de formas, cores e concordâncias que a composição como um todo faz vibrar no ouvinte e no seu ambiente.
A interação e a comunicação entre as pessoas constituem a conseqüência mais visível da linguagem. A criança começa a contar o que fez, começa a dizer o que vai fazer, etc. a partir do exercício da fala, ao mesmo tempo em que a linguagem se desenvolve, a criança estabelece relações com outras crianças e com os adultos, passa a conversar com os outros.
A escola, enquanto espaço institucional para transmissão de conhecimentos socialmente construídos, pode se ocupar em promover a aproximação das crianças com propriedades de músicas diversificadas, realizando atividades que provoquem a ampliação e transformação do ambiente sonoro das crianças e que as coloquem em contato com a história da arte que vem sendo construída através dos séculos.
O aluno muitas vezes vai para a escola desinteressado, tendo a escola como algo de sacrifício diante de tantas coisas "mais agradáveis" que a vida oferece. Para que a aprendizagem seja mais proveitosa e a música seja significativa e vital para o crescimento do aluno, é necessário que o professor seja consciente dos seus objetivos na escolha da música que irá trabalhar, tornando-a significativa para o aluno.
Trabalhar com a música na educação é antes de tudo um fazer artístico, é mexer com a sensibilidade humana, vários estudos comprovam a importância da música ao ser humano, especialmente às crianças, em fase de desenvolvimento e aprendizado do mundo, e aos adolescentes, como forma de expressar ou substituir a tão famosa “rebeldia” característica da idade.
A música tem o valor de arte, como expressão de sons ordenados da experiência, pensamento, imaginação e instinto criativo no homem. Através da música o homem tem expressado algumas de suas mais profundas experiências e entendimento do significado da vida. Como em toda arte, isso não pode ser traduzido em palavras ou algum outro meio, mas é sem paralelo em sua expressão musical.

