Gestão Pedagógica

Publicado em: 22/07/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 6,660 |

FACULDADE DE JUAZEIRO DO NORTE – FJN

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO ESCOLAR

 

Maria Edcláudia de Souza Ribeiro

Maria Francimar da Silva Teles

 

 GESTÃO PEDAGÓGICA

 

AURORA – CEARÁ

2008

 

Maria Edcláudia de Souza Ribeiro

Maria Francimar da Silva Teles

GESTÃO PEDAGÓGICA

Artigo apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Gestão Escolar, da Faculdade de Juazeiro do Norte – FJN, sob a orientação da professora Socorro Kavalachy.

 

Aurora – Ceará

2008

 

DEDICATÓRIA

Dedicamos este trabalho:

Às nossas mães que sempre nos incentivaram a realizar esta conquista.

Ao meu pai José Maria Ribeiro por dedicar-se e confiar sempre em mim.

 Aos nossos esposos, Fábio e Allex, por sempre terem nos apoiado nos momentos mais difíceis desta caminhada.

Aos nossos filhos: Fabiana, Flaviane, Fábio Filho e Emanuel Davi, que suportaram nossas ausências quando queriam estar ao nosso lado.

Aos nossos alunos que contribuíram de forma indireta para que as atividades desse curso fossem realizadas com êxito.

 

 AGRADECIMENTOS

A Deus, por sempre dar-nos forças para realizar novas conquistas a cada dia de nossas vidas.

Aos nossos familiares que contribuíram afetivamente para que não desistíssemos no meio do caminho.

Aos nossos colegas, especialmente aos companheiros de equipe (Josélia, Adriana e Fábia), por suportarem nossos defeitos e dividirem os momentos de alegria ou de obrigação. Foi uma boa experiência!

Aos nossos professores nesse curso de Gestão Escolar que deram o melhor de si para mostrar-nos o quão gratificante é o resultado de um trabalho feito com amor, dedicação e competência.

À nossa orientadora, Socorro Kavalachy, que nos ajudou a trilhar os caminhos para a obtenção do êxito nesse curso.

Aos professores da Universidade Estadual Vale do Acaraú (Cursos de Pedagogia e de Biologia), especialmente dona Socorro Lucena, que sempre motivaram os alunos pela continuidade da formação.

Um agradecimento especial à diretora da E.E.I.F. Mauro Sampaio (Maria Bezerra de Lima).

 

 

 

O ato de administrar não prejudique o educar.

Valnir Chagas

 

 

SUMÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 1. A GESTÃO ESCOLAR

     1.1. Gestão administrativa

    1.2. Gestão de Recursos Humanos

    1.3. Gestão pedagógica

 2. PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA AÇÃO PEDAGÓGICA

 3. IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTINUADA PARA A MELHORIA DA PRÁTICA PEDAGÓGICA    

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 REFERÊNCIAS

 

 

 INTRODUÇÃO

 

            Ultimamente o conceito de qualidade está ocupando o primeiro lugar na agenda educativa. Isso tem permitido conjeturar condições para o surgimento de uma nova quimera, qual seja proporcionar uma educação de qualidade em condições de equidade para todos.  Mas isso não é fácil, visto que no cenário educacional interagem múltiplos sujeitos, que compartilham comportamentos, atitudes e valores que não são facilmente incorporados às práticas pedagógicas.

            Por esse motivo, as escolas estão realizando a elaboração de seus Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs) e  Planos de Desenvolvimento da Escola (PDEs) de forma democrática e participativa transformando o gestor escolar em um administrador não só da escola, mas também do tempo pedagógico.

            Assim, a gestão pedagógica torna-se fator primordial para o sucesso da escola e é abordada nesse trabalho como ponte para a escola atingir sua função social a partir da ação educativa que deve considerar a aprendizagem escolar em decorrência de relações sociais, afetivas e cognitivas que se estabelecem dentro e fora dela.

            Nesse contexto, educadores e administradores precisam estar teórico e metodologicamente preparados, pelo que ressaltamos a importância da formação continuada para a melhoria da prática pedagógica.

            Também enfatizamos a necessidade de haver sempre um planejamento das ações a serem desenvolvidas na escola para que atinja suas metas e seus objetivos educacionais, definindo claramente o que pretende que seus alunos aprendam enquanto conhecimentos, habilidades e atitudes; para que pretende formar seus alunos; que cidadão quer formar e como vê seu papel nessa formação. (MASETTO: 1997, p. 77)

            Por esse motivo, a gestão escolar trabalha considerando a dimensão política (recursos humanos), administrativa e pedagógica, buscando cada vez mais a qualidade do ensino para atender as novas exigências da sociedade. No entanto, o que focalizamos nesse trabalho foi a gestão pedagógica, considerando-a como ponto primordial no desenvolvimento das funções da escola e das competências dos atores que a compõe.

 

 

1. A GESTÃO ESCOLAR

 

            Atualmente o conceito de gestão escolar tem adquirido grande importância no processo educacional, uma vez que desejamos que a escola atinja o seu objetivo primordial que é formar cidadãos, permitindo-lhe adquirir competências e habilidades que facilitem a inserção social e o atendimento às atuais exigências da vida em sociedade.

            Para isso abrange diversos aspectos e encontra-se subdividida em três áreas que funcionam interligadamente de modo integrado e sistêmico para garantir a organicidade do processo educativo: Gestão Administrativa, Gestão de Recursos humanos e Gestão Pedagógica.

 

1.1 Gestão Administrativa

 

            Paro (1999) afirma que a dimensão administrativa é a utilização racional de recursos para a realização de fins determinados. Sendo assim, cuida da parte física (o prédio e os equipamentos materiais que a escola possui) e da parte institucional (a legislação escolar, direitos e deveres, atividades de secretaria).

            É a gestão administrativa que dá suporte para que a gestão pedagógica aconteça, envolvendo os segmentos administrativo-financeiros da escola para a concretização dos fins da educação.

 

1.2 Gestão de Recursos Humanos

 

            Tão importante quanto à gestão pedagógica, a gestão de pessoal (alunos, equipe escolar, comunidade) compõe a parte mais delicada de toda a gestão, pois faz do gestor o profissional das relações humanas, já que precisa lidar com as pessoas, mantê-las trabalhando satisfeitas, rendendo o máximo em suas atividades e contornar problemas e questões de relacionamento humano.

            Tudo isso faz da gestão de recursos humanos o ponto de fidelidade dessa balança – fracasso ou sucesso - que depende da articulação dos gestores para que se consiga a consecução eficaz da política educacional do sistema e o desenvolvimento pleno dos objetivos educacionais.

            Como confirma Lück (2003) ao dizer que é do desempenho e da habilidade que o gestor tem de influenciar o ambiente, que dependem em grande parte o ambiente e o clima escolar, o desempenho de seu pessoal e a qualidade do processo ensino-aprendizagem, deixando claro que é essencial a manutenção de um processo de comunicação claro e aberto entre os membros da escola e a comunidade escolar.  

 

1.3 Gestão Pedagógica

           

            A Gestão Pedagógica é a mais importante e mais significativa na gestão escolar visto que gerencia a área educativa, propriamente dita, da escola e da educação escolar. É ela que determina os objetivos para o ensino, sejam eles gerais ou específicos; definindo também as linhas de atuação de acordo com os objetivos e as características da comunidade e dos alunos. Para isso, propõe metas a serem atingidas, elabora os conteúdos curriculares e faz o acompanhamento pedagógico, avaliando o rendimento das propostas pedagógicas, dos objetivos e do cumprimento das metas. Além de observar o desempenho dos alunos, do corpo docente e de todos da equipe escolar.

            A ação pedagógica é baseada nas especificidades determinadas pelo regimento escolar que também incluem: objetivos gerais e específicos, metas, plano de curso, plano de aula, avaliação e treinamento da equipe escolar.

            O sucesso da atuação pedagógica depende enormemente de seu grande articulador e primeiro responsável – o diretor, que pode ser auxiliado pelo coordenador pedagógico (quando existe). Porém, não podemos esquecer que o docente tem uma função social e educativa que faz seu trabalho partir da premissa de que a aprendizagem escolar é decorrência de relações sociais, afetivas e cognitivas que se estabelecem principalmente na sala de aula, onde são vivenciadas situações formais de ensino.

            Sabemos a escola é uma instituição que tem na instrução sua principal dimensão educativa, educa através da instrução (Chervel, 1990, p. 188 apud Monteiro, 2001, p. 121). Entretanto observamos que o ensino não é a finalidade do processo educativo, é o meio pelo qual a aprendizagem do aluno é efetivada. Como confirma Borges e Moreira (2003): O aluno, com sua identidade particular, é o ponto de partida para a organização do ensino que, por sua vez, só terá sido bem sucedido se o aluno, agora como ponto de chegada, tiver aprendido significativamente". É uma situação de ensino que corresponde ao momento em que uma pessoa, intencionalmente, ajuda outra a produzir algum tipo de conhecimento. Mas isso não acontece de qualquer forma, em qualquer lugar.

            Segundo Borges (2003) aprática pedagógica é uma atividade complexa e dinâmica, que se efetiva num ambiente social particular, formalmente responsável pela educação do aluno. Sendo assim, a ação pedagógica deve atender à demanda do contexto atual, com uma organização que possibilite formar cidadãos críticos, capazes de lidar, conscientemente, com a realidade científica e tecnológica na qual estão inseridos.

            Tal formação pressupõe uma educação comprometida com o desenvolvimento de capacidades necessárias à intervenção crítica e consciente nessa realidade (BORGES, 2003). Então, é na escola que se dá a efetivação da aprendizagem, seja ela significativa¹ ou mecânica². Sendo essa última, infelizmente, a que ainda observamos na prática pedagógica vigente uma vez que não tem considerado os conhecimentos prévios dos alunos e não lhes apresenta material potencialmente significativo. (BORGES, 2003)

            Isso faz-nos atentar para o fato de que muitas energias ainda estão sendo desperdiçadas em ações inadequadas e que, dentre os diferentes aspectos que devem ser considerados nas decisões inerentes ao seu fazer, o significado de aprendizagem significativa é essencial.

            Ainda devemos ressaltar que a prática pedagógica não deve ser avaliada de forma dicotômica como se fosse boa ou ruim. Pois como confirma Borges (op. cit) Sempre haverá aspectos positivos e negativos e o seu aperfeiçoamento passa, além do comprometimento pessoal do professor com a função social da escola, pela identificação dos fatores – contextuais e cognitivos – que a determinaram. É uma conquista gradual desta capacidade que proporcionará ao professor, como profissional, autonomia para gerir a própria prática e formação.

            O conhecimento e a aprendizagem têm caráter provisório e nos permitem compreender que a qualidade dos procedimentos de ensino também é contextual já que para a sua realização devemos levar em conta as características dos sujeitos, do tempo e do espaço envolvidos. Aspectos que fornecem a especificidade de uma situação didática. Por isso, é essencial que, no contexto da sala de aula, o professor saiba quem são seus alunos e por que precisam aprender, para decidir o que ensinar e como fazê-lo. É imprescindível proporcionar situações que favoreçam a aprendizagem significativa dos conhecimentos julgados essenciais para a vida, além da escola considerando as expectativas e aspirações do educando. Assim, a visão de mundo e a concepção de aprendizagem daqueles que organizam o ensino interferem diretamente na forma como o aluno será percebido, na seleção do currículo e nas decisões metodológicas.

            Portanto, a prática pedagógica emana do entendimento do professor sobre como se dá a aprendizagem, sendo o seu sucesso dependente da compreensão do papel social da educação e do conhecimento de saberes específicos necessários ao exercício profissional da docência.

 

2. PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA AÇÃO PEDAGÓGICA

                                                                               

            O ser humano está sempre em busca de novas realizações, tentando satisfazer as condições primordiais de sua existência; não como uma existência qualquer, mas uma existência pejada de significado, situada no tempo e no espaço, fruto do intercâmbio com os outros homens, fazendo perceber-se como incompleto e intersubjetivo. Por isso, está sempre procurando compreender os elementos, os movimentos e os condicionantes que fundam o seu pensamento e a sua prática com o intuito de redimensioná-los gradualmente em favor dos seus ideais.

            Nesse contexto, o planejamento pode ser visto como um processo e ao mesmo tempo como um mecanismo de reflexão e intervenção, no sentido de organizar, selecionar e decidir sobre as vias mais adequadas à construção da realidade idealizada, que pode ser um projeto de natureza pessoal, profissional, institucional ou social.

            Segundo Padilha (2001): (...) Planejar, em sentido amplo, é um problema, estabelecendo fins e meios que apontem para sua superação... É um meio de atingir objetivos antes previstos, pensando e prevendo necessariamente o futuro, mas sem desconsiderar as condições do presente e as experiências do passado, levando em conta os contextos e os pressupostos filosófico, cultural, econômico e político de quem planeja e com quem se planeja.                 

            De acordo com esse conceito podemos entender que a tarefa de planejar é abstrusa, exige sistematização e envolve diversos aspectos.  

            No âmbito escolar é componente integrante das ações destinadas à concretização da função social da escola, abrangendo vários âmbitos, níveis e modalidades como também assumindo diferentes perspectivas e propósitos no sistema educacional.

            O planejamento é muito importante para o desenvolvimento e os resultados da prática pedagógica da escola e do professor.  Como podemos confirmar nas palavras de Santos (2005), que reconhece a grande importância que o planejamento tem para o desenvolvimento e os resultados do trabalho dos profissionais da escola.  É, sem dúvida, uma unanimidade, assim como existe um certo clima de insatisfação e desejo de mudança na forma e no conteúdo desse processo, mobilizado principalmente por problemas na definição da regularidade e do tempo para planejar; na organização e priorização das atividades a serem cumpridas nos encontros de planejamento; no acompanhamento pedagógico efetivado pelos coordenadores das escolas ou pelos técnicos das Secretarias de Educação; na condição insuficiente que tem a maioria das unidades em disponibilizar material didático para a consecução dos objetivos propostos; e ainda na falta de autonomia para tomar decisões relativas ao currículo e à rotina escolar.

            A partir dessa afirmação podemos dizer que o planejamento precisa ser frequentemente repensado por meio de ações capazes de redimensionar a prática educativa e reorganizado de modo que atenda às demandas e peculiaridades do grupo de trabalho, para que se transforme, de fato, num instrumento significativo e eficiente para nortear as ações previstas; fazendo do processo de tomada de decisões uma concepção de educação e formação humana.

            É através do planejamento que as escolas desenvolvem suas propostas educacionais para a sociedade, usando diversos instrumentos como o Projeto Político Pedagógico (PPP), O Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE) e o Regimento Escolar (RE). Todos elaborados de forma coletiva, prevendo as diretrizes e realizações administrativas, pedagógicas e financeiras, em consonância com a aspiração da comunidade escolar e com os objetivos delineados no planejamento do sistema educacional a que pertence.

            Sendo assim, ele pode ser realizado em todos os seus níveis de forma democrática e participativa, a fim de superar uma visão burocrática e autoritária, que se baseia na dicotomia teoria e prática, entre planejadores (técnico/especialistas) e executores (professores/alunos), como se os planejadores detivessem o conhecimento da realidade e a competência técnico-científica para direcioná-la, restando aos demais somente cumprir determinações, como se fossem incapazes e incompetentes para a referida atividade.

            Portanto, podemos afirmar (...) O planejamento precisa ser feito por aqueles que efetivamente executarão a ação (SANTOS,2005). Desse modo é preciso que os verdadeiros envolvidos no processo (professor/aluno/comunidade), tenham um papel preponderante na hora planejar. Do contrário, estaremos aceitando a existência de uma suposta autonomia do método de planejar e transformaremos tal atividade em tarefa específica de uma minoria, o que nos levará a acentuar a dicotomia entre pensar e fazer e, consequentemente, a desvincular os que pensam dos resultados da ação.

            Nessa perspectiva, o planejamento precisa ser realizado por aqueles que vão vivenciá-lo para que possa se transformar numa proposta concreta capaz de obter os resultados esperados entre a ação e o contexto que vai sofrer essa ação, ensejando nos sujeitos o exercício da reflexão, da crítica e da pesquisa como interlocutores da prática pedagógica.

 

3. IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTINUADA PARA A MELHORIA DA PRÁTICA PEDAGÓGICA           

 

            Os mecanismos de avaliação do sistema escolar como O SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e SPAECE (Sistema Permanente de Avaliação Educacional do Ceará) têm mostrado resultados sobre os índices de aprendizagem das crianças e jovens atendidos pela educação básica brasileira que causam preocupação e alertam gestores educacionais sobre a qualidade da educação brasileira oferecida pelos setores públicos.

            Entre as variáveis apontadas pelo SAEB como importantes e de forte impacto para a melhoria do rendimento escolar está o nível de formação dos dirigentes escolares e dos professores. Nesse sentido, precisamos considerar a formação inicial nas áreas específicas (freqüentemente distantes das reais necessidades da escola pública, apresentando um caráter livresco e conceitual), visto que uma licenciatura não concretiza a formação do professor. Sua formação só será fortalecida no fazer docente, onde o saber é inacabado e a ausência de conhecimento é algo provisório.  Sendo assim, o saber prático configura-se como elemento importante na formação continuada do professor, como afirma Neto (2002): É fundamental considerarmos os saberes de experiência. Esses saberes funcionam como núcleo vital da formação docente, uma vez que os outros saberes, tais como os pedagógicos e das disciplinas curriculares, mantêm uma relação de exterioridade com o trabalho docente, pois não foram produzidos no dia-a-dia, trata-se de saberes múltiplos que devem ser articulados na prática, no contexto do processo de trabalho docente, na ótica da atividade reflexiva.

            Somente através de uma prática reflexiva e autocrítica o professor constrói um acervo profissional capaz de avaliar, reavaliar, ressignificar as teorias e posicionamentos apreendidos. Isso significa que, em parte, vai eliminar aquilo que não tem aplicação na realidade onde vai atuar manter e aperfeiçoar o que lhe pode ser útil e desenvolvido na sala de aula. 

            Sabemos que a escola constitui-se como espaço privilegiado de aprendizagem, havendo assim uma disposição tendenciosa entre o espaço de formação e o espaço de trabalho. Um ambiente de trocas entre pares e aprendizes onde se podem transformar experiências vividas em aprendizagens significativas, marcadas pela reflexão e pela pesquisa individual e coletiva.

            Em meio a este panorama multifacetário e dinâmico é que encontramos o coordenador pedagógico, via de regra, um docente a quem cabe interpretar, compreender e vivenciar a prática escolar em toda a sua dimensão, atuando como um formador.

            É importante ressaltarmos que são muitas as atribuições do coordenador pedagógico, mas seu foco de atuação encontra-se na relação ensino-aprendizagem, portanto, professor e aluno. Por isso, deve ter uma relação muito próxima com seus colegas professores para que possam refletir sobre suas práticas e ajudá-los a melhorar sua performance de educador. Nessa perspectiva estamos admitindo, mesmo que implicitamente, a natureza formadora da atuação desse coordenador no contexto escolar.

            Uma das condições primordiais para a realização, com qualidade, da prática docente é o interesse pelo desenvolvimento da competência do trabalho pedagógico. E o coordenador pedagógico tem um papel que deve estar voltado para a orientação, o gerenciamento e a observância dos alvitres, quer do cotidiano da escola quer dos resultados das avaliações de sistema. É ele quem ajuda na gestão escolar e na elaboração da proposta pedagógica da escola, orientando também alunos, pais e professores; além de responder pela formação crítica dos professores.  Assim, ele torna-se um elo entre o corpo docente, o núcleo gestor e os alunos.                        

            Sendo assim, existem vários aspectos referentes às estratégias formativas que podem ser desenvolvidas na escola pelo coordenador pedagógico na formação dos docentes, como confirma Garrido (2000, p. 9): Não há fórmulas prontas a serem reproduzidas. É preciso criar soluções adequadas a cada realidade.

Então o coordenador pedagógico precisa dar especial atenção às ações formativas para os professores visto que o processo de desenvolvimento profissional abrange várias dimensões e, numa escola, ela trabalhará com pessoas com características próprias, com suas subjetividades, diferenças, inquietudes e formas de aprender. Por esse motivo, é recomendável agenciar novas práticas que possam dar sentido ao trabalho coletivo e metódico dos professores, tendo consciência ainda de que é impraticável tratar a questão da formação dissociada dos Referenciais Curriculares Básicos e das Diretrizes emanadas do sistema educacional, considerando também, interferências mútuas dos aspectos institucionais e pedagógicos.

Assim, as ações de formação devem se constituir como um fórum permanente de discussão das concepções envolvidas, das metodologias adequadas e dos conhecimentos teóricos e experiências que desenvolvam as competências profissionais do professor. Como está ressaltado nas Diretrizes Iniciais para a Criação de Centros de Regionais de Formação do Educador: Uma determinada modalidade formativa depende também de que os professores sejam os protagonistas, e estejam dispostos e convencidos das mudanças para se implicarem nelas. Então faz-se necessário que se crie novas estruturas de trabalho, como grupos de resolução de problemas, equipes de reflexão, pesquisadores da própria prática para desenvolver uma cultura de questionamento e indagação na qual a aprendizagem profissional seja elemento vivo na escola; e trabalhar com novos instrumentos, como: diários de campo e estudos de caso da prática. (SEDUC: 2002)

            Portanto, fazem-se necessárias estratégias formativas derivadas do modelo implicativo/reflexivo para que os professores possam se ver refletidos e, a partir daí, adquirir uma maior competência pessoal e profissional, transformando suas práticas por meio da investigação, onde a própria sala de aula continue sendo um laboratório eficaz para o exercício docente.

            É uma pesquisa-ação conduzida pelos professores e orientada pelos coordenadores pedagógicos, que podem superar os inconvenientes da pesquisa feita por especialistas externos, visto que proporciona a estes, atores principais do ato educativo, um mergulho mais aprofundado na sua realidade e no seu desempenho docente, podendo, assim, identificar problemas na perspectiva de correção de rumo.

            Como afirma Xerez (2005), uma ação de formação na escola efetivamente engajada com a melhoria do rendimento escolar precisa, sobretudo, ser entendida como prática social, cujos atores, professores e alunos, são os sujeitos principais dessa prática.

            Não precisa um especialista externo para que aconteçam momentos de formação para e com os professores. O que precisamos é ter garantido na escola, espaços de formação que permitam aos professores refletirem coletivamente e construtivamente sobre o seu desempenho docente na perspectiva de conceber-se uma escola melhor para uma vida melhor.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

           

            O trabalho do gestor escolar combina sua capacidade de liderança com a de entusiasmar a ação das pessoas para conseguir a concretização dos objetivos educacionais da escola e a superação das limitações naturais de toda organização social, caracterizada pela dinâmica de um conjunto de pessoas com valores, percepções e nível diferenciado de competências.

            Nesse contexto ativo e marcado muitas vezes pela ambigüidade, pelo conflito e pela tensão, o trabalho do gestor constitui processo de mobilização e preparo da capacidade humana para atuar coletivamente a fim atingir os objetivos educacionais.

            Para isso, o planejamento eficaz da ação pedagógica na escola deve permitir a efetivação de funções educativas que resultem na produção e circulação de conhecimento, levando em conta premissas como: ensino com foco no educando; aperfeiçoamento contínuo do docente;             contextualização e articulação entre as várias áreas do conhecimento e objetivos de ensino traduzidos em competências e habilidades, para poder alcançar uma educação de qualidade, que é uma busca constante nas instituições de ensino.     

            Nesse sentido, a realização do trabalho em equipe é fonte inesgotável de superação e valorização do profissional e do grupo de trabalho. Assim, além do que se passa na dentro das quatro paredes da sala de aula, há muito mais a aprender no convívio coletivo – no parque, no refeitório, na rua, na comunidade. (AUGUSTO, 2006).              

            Então, o gestor deverá estar preparado para realizar um trabalho compartilhado com todos da comunidade escolar, atuando como co-participante da gestão pedagógica para poder planejar, organizar, avaliar e gerir todo o processo de ensino-aprendizagem, que caracteriza a dimensão pedagógica, e assim, alcançar os objetivos desejados.  Enfim, a escola vai adquirir sua filosofia de educação e as diretrizes básicas que orientarão a sua atividade educativa.

 

                                            

 REFERÊNCIAS

 

AUGUSTO, Silvana. Desafios do coordenador pedagógico. Nova Escola. São Paulo, n. 192, maio 2006. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/edicoes0192/aberto/ mt_133398.shtml. Acesso em 19 de maio de 2006.

 

AUSUBEL, D. P.; NOVAK, J. D., HANESIAN, H. Psicologia educacional. Rio de Janeiro: Interamericana, 1978.

 

BORGES, Evelyse Lemos. Teorias e práticas pedagógicas. In: Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará – A gestão pedagógica e o desempenho escolar. Fortaleza: Edições SEDUC, 2005. 100p. (Coleção gestão escolar)

 

CEARÁ, Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará/CFE – Diretrizes Iniciais para a Criação de Centros de Regionais de Formação do Educador. Versão preliminar. Fortaleza, Ceará, 2002.

 

CHAGAS, Valnir. Educação brasileira: ensino de 1º e 2º graus. São Paulo: Edições Saraiva, 1998.

 

LÜCK, Heloisa. "A liderança na escola com foco na promoção da aprendizagem". Revista Gestão em Rede, nº 81, out/2007, p. 13.

 

_______. Ação integrada. Administração, supervisão e orientação educacional. 21ª ed. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2003.

 

MASETTO, Marcos. Didática: a aula como centro. 4 ed. São Paulo: FTD, 1997. (Cód., aprender e ensinar). 111p.

 

MONTEIRO, Ana Maria Ferreira da Costa. Professores: entre saberes e práticas. Educação & Sociedade, nº. 74. Campinas: Cedes, 2001. p. 121-142.

 

NETO, Almeida e Lizete Mãe. Reflexão sobre a Formação de professor. Papirus: São Paulo, 2002.

 

PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento Dialógico: Como construir o projeto político-pedagógico da escola. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2001 (Guia da Escola Cidadã,v. 7) 157 p.

 

PARO, Vitor Henrique. Gestão democrática da escola pública. São Paulo: Ática, 1999.

 

SANTOS, Geandra Cláudia Silva. Planejamento: processo de reflexão e ação político-pedagógico. In: Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará – A gestão pedagógica e o desempenho escolar. Fortaleza: Edições SEDUC, 2005. 100 P. (Coleção gestão escolar)

                                                                                                               

XEREZ ET AL. O coordenador pedagógico como formador: alguns elementos para reflexão. In: Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará – A gestão pedagógica e o desempenho escolar. Fortaleza: Edições SEDUC, 2005. 100 P. (Coleção gestão escolar)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

¹ De acordo com Ausubel et al é aquela que acontece quando o indivíduo consegue relacionar, de forma não arbitrária, o conteúdo a ser aprendido com aquilo que já sabe, conseguindo generalizar e expressar esse conteúdo com sua própria linguagem.

² Acontece quando o individuo não consegue estabelecer relacionamento entre o sabe e o está aprendendo. Só consegue se expressar repetindo com as mesmas palavras, memorizadas sem ter, de fato, assimilado os conteúdos envolvidos.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/gestao-pedagogica-5055585.html

    Palavras-chave do artigo:

    gestao escolar gestao pedagogica planejamento formacao continuada

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    Este trabalho cita as principais características que um coordenador deve possuir a fim de que possa acompanhar o funcionamento e desempenho de toda unidade escolar, assim como as atitudes que o mesmo deve tomar para que este trabalho seja proveitoso e possa integrar a gestão escolar, professores, alunos e comunidade local oferecendo sugestões, levantando discussões, sugerindo mudanças e solucionando conflitos de forma profissional, sem deixar que o lado humano o guie por entre esses caminhos.

    Por: Ertha Vianal Educaçãol 19/02/2011 lAcessos: 353

    As adaptações curriculares são os ajustes e modificações que devem ser realizadas nas diferentes instâncias curriculares, favorecendo-lhes condições necessárias para que efetive as ações concretizando o máximo de resultado positivo no seu processo de ensino-aprendizagem.

    Por: Maria Zilda da Silva Barbosal Educaçãol 22/06/2014 lAcessos: 30
    Elias Ribeiro Tork Filho

    O presente artigo apresenta como objetivo investigar a práxis pedagógica da Educação Física na 1ª Etapa da Educação de Jovens e Adultos (EJA), especificamente as dificuldades do professor em ministrar aulas à clientela da EJA. Pois, sabe-se que a Educação Física Escolar a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394/96, apresenta-se como componente curricular obrigatório da educação básica. Com isso, analisa-se que a EJA ao fazer parte da educação básica precisa que o prof

    Por: Elias Ribeiro Tork Filhol Educação> Ensino Superiorl 17/12/2013 lAcessos: 80
    Carla Ravaneda

    A importância da boa formação da docência brasileira, aspectos determinantes na graduação, a importância do estágio supervisionado nos cursos de licenciatura.

    Por: Carla Ravanedal Educação> Ensino Superiorl 11/09/2014
    Zilda Ap. S. Guerrero

    O modelo de aluno que temos hoje em sala de aula, nem de longe lembra- nos os moldes dos alunos dos tempos da escola tradicional, não e somente nas escolas públicas, mas também em diversas escolas particulares e de grande renome no mercado educacional. No entanto, há uma forte contradição entre as aulas ministradas em sala de aula; as quais na grande maioria recheadas de conteúdo e parca praticidade, e quase ausência de contextualização das aulas. Urge então mudanças didáticas na escola atual.

    Por: Zilda Ap. S. Guerrerol Educação> Ensino Superiorl 10/09/2014
    Edjar Dias de Vasconcelos

    O artigo tem como objetivo explicar a funcionalidade do mundo dos vírus. Para tal é necessário uma análise de suas principais características, a definição fundamental da mecanicidade funcional evolutiva dos parasitas.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 08/09/2014
    Ana Paula Assaife

    Este artigo analisa as dificuldades encontradas pelos docentes em sala de aula para o uso das tecnologias voltadas para educação. Estudos sobre a modernidade mostra que esta dificuldade é muito comum nas universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro. Temos por objetivo analisar os impactos da modernidade sobre a universidade e seus desafios. .Conceituar Modernidade e estudar novas prácticas para o l uso da tecnologia no processo ensino/aprendizagem.

    Por: Ana Paula Assaifel Educação> Ensino Superiorl 04/09/2014 lAcessos: 15

    O presente artigo apresenta a resiliência em um ambiente educacional e o papel dos profissionais que ali trabalham para a formação deste aluno. A escola tem papel fundamental na educação de seres resilientes, capazes de transformar e reinventar novas formas para lidar com as adversidades do cotidiano. Sendo o professor uma espécie de facilitador da aprendizagem, exercendo um papel fundamental no incentivo, construção, articulação de informações e saberes na formação dos educandos.

    Por: Zípora Raquel de Paulal Educação> Ensino Superiorl 01/09/2014

    Este trabalho verso a partir de Kant a problemática sobre o Esclarecimento, que irá mostrar a possibilidade do homem sair de sua menoridade, sendo assim, o mesmo terá capacidade suficiente para estruturar um pensamento autônomo, isto é de pensar por conta própria usando a liberdade de entendimento sem que dependa de outras pessoas para obter a maioridade, entretanto, com essa atitude atingir a própria independência intelectual.

    Por: Derivanial Educação> Ensino Superiorl 01/09/2014

    É inegável que nos últimos anos o tema "Diversidade" tem sido bastante discutido , principalmente no setor educacional. Estamos hoje vivenciando um novo momento em que já se admite, ainda que minimante, a existência de preconceitos diversos e racismo no território brasileiro. Quando o tema diversidade entra em cena, abrimos as portas para que o nosso ponto de vista sobre o outro, e de outros sobre nós sejam apercebidos sob uma nova ótica. Esta que torna "o diferente" tão belo quanto "o eu".

    Por: Ivanilda da Silva Cunhal Educação> Ensino Superiorl 27/08/2014
    Tony Monteiro

    Nos últimos anos, houve uma profunda mudança na maneira de construir, pois antigamente as alvenarias eram utilizadas como elemento resistente e de vedação e a sua estabilidade e resistência eram definidos em função de sua geometria.

    Por: Tony Monteirol Educação> Ensino Superiorl 26/08/2014
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