Instalações em arte no Brasil, principalmente nas metrópoles, e sua transformação para objeto estendido no meio urbano

Publicado em: 22/06/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 1,418 |

 

 

Instalações em arte no Brasil, principalmente nas metrópoles, e sua transformação para objeto estendido no meio urbano.

 

 

 

 

Jessica Aline Tardivo

Aluna especial pós graduação Arquitetura e Urbanismo

 

 

São Carlos - SP

 

 

Outubro/2009

 

 

 

1.RESUMO

 

A Pesquisa segue caminhos, que passam por estudos na área da História e da Crítica a arte sobre as Intervenções Urbanas. Visa mostrar o nascimento da instalação como forma de expressão em termos globais e no Brasil. A transitoriedade no tempo e a descontinuidade no espaço, freqüentes nos projetos contemporâneos, características das instalações que se popularizam nos anos 60 e 70, até chegar a questões que estão presentes nas instalações urbanas e nos objetos expandidos que foram apresentados em vários eventos Arte/Cidade. Esta pesquisa tem como objetivo trazer possibilidades sócio-culturais de Intervenções, sob eventos que se apropriem da cidade para criar e apresentar cultura, mostrando a necessidade de compreensão sobre arte e sua influencia direta na cultura Brasileira, principalmente nas metrópoles. Os resultados do trabalho serão apresentados em formas de analise  do movimento entre Homem, espaço e arte.

2. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA

As décadas de 60 e 70 foram  marcadas pelo processo de ditadura militar  pelo qual passava o Brasil. Qualquer manifesto artístico era geralmente interpretado como subversão, assim artistas como; Artur Barrio, Cildo Meirelis, pela sua ideologia aproveitaram para realizar trabalhos inéditos até chegarem aos experimentos mais radicais propostos pelos jovens Lygia Clark e Helio Oiticica, ambos buscavam através de seu trabalho atravessar a capacidade sensorial do publico, para fruição estética e crítica política.

O objeto de instalação quando implantado fora dos salões tradicionais de exposição cria vida, se torna corpo, este que não apenas atinge o espectador, mas também influencia o espaço, essa relação entre cidade, arte e homem não é apenas discutida é vivenciada. Na segunda metade do século XX, após a primeira guerra mundial, Marcel Duchamp inaugura um novo fazer artístico e nesse conceito onde espaço e tempo são questionados incessantemente que brota a instalação. Seguidores da

contravenção Duchampiana de desacralizar a arte esses artistas Brasileiros promovem amplas possibilidades de expressão sobre esculturas desmobilizadas de preceitos formais.

A transformação de objeto em Instalação passa por diferentes opiniões e definições entre críticos e historiadores, como também a questão da instalação como objeto de galeria até a instalação urbana como objeto entendido, foco principal da pesquisa, no entanto podemos observar que é  através do espaço, do tempo e do vazio que podemos  compreender a arte contemporânea, a instalação em especial.

Entretanto estas sempre existiram desde as pinturas em lascaux 15.000-10.000ac vista hoje como Instalação em Site Specif ¹, mas com o passar dos séculos a arte conheceu suportes bem claros e a instalação nasce como uma forma de transgressões aos padrões artísticos conhecidos  até o inicio do século XX.

Ao final do século XIX acontece na França, um movimento que viria a transformar a arte, designado "Arte Pela Arte", que surge como forma de protesto ao academicismo, idéia que foi adotada por Baudelaire."Seu desgosto com a realidade significava e proclamação de I'art pour I'art " (Fischer,E.,1959,p.82) é nesse novo ritmo que a arte se instala.

Asvanguardas do século XX extrapolam conceitos acadêmicos, dentre eles o Dadá e Surrealismo, movimentos com questões conceituais dos quais Duchamp fez parte, apesar do artista ter feito parte de vários movimentos, ele criou uma arte própria que  influencia  artistas ate hoje.

Ele gera em sua obra uma relação entre objeto e expectador e dessa forma pode colocar o publico como elemento final da própria obra, em 1924durante o período entre guerra, surgiu o movimento surrealismo, movimento este onde os objetos continuaram existindo só que agora na condição de ready made², nessa  posição o

 

[1]. "site specific", obras feitas a partir das características dos lugares onde estão instaladas.

². "ready made", Essa estratégia refere-se ao uso de objetos industrializados no âmbito da arte, desprezando noções comuns à arte histórica como estilo ou manufatura do objeto de arte, e referindo sua produção primariamente à idéia.

Surrealismo provoca a reavaliação dos objetos, alem disso as décadas de 20 e 30 presenciaram as primeiras obras a qual foram dadas classificação posteriores a de Instalação e performance, hoje no entanto muitas dessa são conhecidas apenas como Inalações dentre elas a obra ,1.200 sacos de Cal de Duchamp.

Kurt Schwittwers na década de 20 a 40 mantendo uma visão muito próxima a de Duchamp, cria seu próprio movimento e o chama de Merz. Ligado a questão do espaço, o artista projeta em 1923 Merzbau, obra que se mantém em constante construção ate sua destruição.

As performances e as entalações só viriam a ser reconhecida com meio de arte nas de cada de 60, Onde encontramos em 19964-1967 ambientes criados por Edward Kienhols e George Segal, que mostram a Pluralidade na forma de tratar o espaço e o ambiente, criam ambientes-assemblagens que ocupam o espaço se instalam nele mas não o apropriam como um todo, no entanto é fato que na década de 60, mesmo as obras que não faziam parte da arte conceitual são peregrinadas de conceito."O fim da atividade artística não é a obra, mas sim a liberdade a obra é o caminho mais nada"(PAZ,O.,2002,p64)

Podemos verificar que a obra de instalação não permite uma rotulação, pois essa faz parte do principio do processo de experimentação, assim vemos obras que saem da galeria se apossam de espaços públicos, como  uma forma de instalação, No Brasil houve também uma grande produção de arte conceitual e ambiental na década de 60 suas raízes são encontradas nas obras de Oiticica e Clarck, segundo o critico Mario Pedrosa a arte pós -moderna seria de certa forma uma anti-arte, das obras de Helio Oiticica e Ligya Clarck surgem questões de espaço e tempo.

Ao contrario de Duchamp eles não lidam com ready made, mas criam seus próprios objetos, a exemplo disso vemos a obras bichos de Ligya, onde o espectador passa a sujeito da ação, sem ele a obra inexiste de fato, o que causa a experimentação a partir da ação do outro, Oiticica vai muito alem, sua experimentação tem a necessita de ocupar o espaço efetivamente seus primeiros trabalhos a  percorrerem a questão do espaço são os núcleos ,obras que podem ser chamadas de instalação,como exemplo Grandes Núcleos de 1960, onde a obra é absorvida pelo circuito  pelo qual o expectador percorre, em meio a placas coloridas a quais podem ser tocadas ,e percebidas através do tempo e espaço criando assim um ambiente. Já em 1964 a palavra nada significa na obra de Oiticica.

Como a obra parangolês o artista trabalha a questão das formas no espaço, uma experimentação visual. O expectador também experimenta o tato já que os parangolês são para serem vestidos. O objetivo do artista que ao criar o parangolé introduz o samba em sua arte, é que o espectador dance,s e movimente, criando um novo mundo a parte. Parangolé é um programa, uma visão do mundo uma ética...(MORAIS,F.,1989,p123).

Em 1967 na obra Tropicália o artista alcança a plenitude da experimentarão em obras ambientais, a obra é composta por um ambiente com varias pontos penetráveis onde o artista usa matérias como areia, folhas pedras, tijolos assim como aparelhos tecnológicos ligados a seres vivos , já em tropicália o artista vai alem da experimentação ele cria uma provocação condizente com o período político que o Brasil vivia em 1967.

Seguido do Golpe militar de 1964, a crítica na produção artística  se apresenta como A Nova Objetividade Brasileira. No Rio de Janeiro Artistas inconformados com a situação da política nacional promovem duas exposições coletivas no Museu de Arte Moderna, Opinião 65 e Opinião 66 paralelas aos seminários em são Paulo Proposta 65 e proposta 66, que teve caráter de denuncia instigando os artistas a opinar sobre a situação política no pais.

Em 1969, a perseguição política resultou no fechamento da Une- União Nacional Estudantil e do  Cpc- Centros Populares de Cultura do Instituo superior de Estudos brasileiros. Os militares não permitiram a mostra de reapresentações brasileira que tinham destino a Bienal de Paris, nos anos seguintes algum projetos foram desenvolvidos por artistas e críticos, e em todos eventos a proposta era criticar a ditadura entre esses eventos, estão Domingos da criação no Man-Rj, em 1970 e Do Corpo a Terra, em belo horizonte em 1971, organizados por Frederico de Morais.

Nos anos 70 os principais pontos de experimentação foram o MAM no Rio de Janeiro e o Mac-Usp em São Paulo.

Com a abertura política em 1984, as pesquisas foram direcionadas para questão da percepção de novos meios, caracterizando a complexidade da contemporaneidade e suas múltiplas facetas. Dentro de todo esse contexto que a arte se apresenta na contemporaneidade, onde há espaço para todo tipo de experimentação, a instalação se apresente como suporte a vários questionamentos e a proposta atual da Arte.

Em 1994 nasce em São Paulo o Projeto arte cidade de intervenções urbanas, que vem buscando sempre destacar as áreas criticas das cidades, para que possibilite um desenvolvimento no processo de reestruturação urbana, através de praticas não tradicionais.

Segundo o balanço feito por Nelson Brissaca a preparação para construção do projeto é dividida em três fases: uma extensa pesquisa urbanística sobre a região, a seleção de sítios e o desenvolvimento dos projetos de intervenção. A pesquisa é disponibilizada aos artistas e arquitetos participantes, focaliza o papel da área na reestruturação global de São Paulo. Ela é completada por um levantamento das possíveis situações de intervenção; áreas que apresentassem a complexidade estrutural e as dinâmicas socioespaciais que caracterizam a megalópole.

Procura-se partir não de localizações isoladas, mas de toda uma região, compreendendo os processos de reestruturação urbana, os elementos arquitetônicos e os modos de ocupação existentes. Um novo modo de escolha de situações para intervenções artísticas e urbanísticas, partindo criticamente das estratégias desenvolvidas pelos artistas desde a land art e pelas práticas urbanísticas de revitalização. Essas áreas foram visitadas por todos os participantes, que contribuíram com importantes sugestões de leitura e novas locações, enriquecendo o mapeamento originalmente proposto.

Ao longo de suas edições o projeto vem propondo novas formas de rever e dar identidade aos não lugares de uma grande metrópole como São Paulo.

O projeto Arte/Cidades coloca em evidencias questões levantadas por esta pesquisa referentes à relação do objeto expandido no meio urbano com a própria população da cidade.Traz um sem numero de indagação e de novas relações a serem identificadas e pesquisadas.

Assim como outros artistas o  Arte/cidade utiliza-se do espaço urbano para realizar suas obras e manifestações artísticas, essa pesquisa também vai  trazer uma nova dinâmica ente obra e expectador, mesmo aquele que não participa, já que a arte no meio publico tem caracteriza de impor seu espectador. É desta maneira que incontáveis formas de revitalização de áreas urbanas degradas abandonas ou simplesmente esquecidas nascem trazendo assim uma forca de ações positivas, aos pontos de caos urbano através da arte.

 

 

3. OBJETIVOS

Este trabalho tem como objetivo mostrar a instalação como forma de objeto, quando colocada no espaço urbano, a discussão entre homem,cidade e arte, trazer possibilidades sócio-culturais para realização de Intervenções, sobre feitos e eventos que se apropriem da cidade para criar e apresentar cultura, mostrando assim a necessidade do homem de se compreender a arte e a influência direta desta  na cultura Brasileira, principalmente nas metrópoles

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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MORAIS, Frederico. Panorama das Ar tes Plást icas - Séculos XIX e XX., São Paulo:Instituto Cultural Itaú, 1989.

NUNES, Benedito. Hermenêutica e poesia. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.

O´DOHERTY, Brian. No I nter ior do Cubo Branco: A ideologia do Espaço da Arte (trad.Carlos S. M. Rosa). São Paulo: Martins fontes, 2002.

PAZ, Octavio. Marcel Duchamp – ou o castelo da pureza. São Paulo: Perspectiva, 2002.

PECCININI, Daisy Valle Machado. Arte Novos Meios e Multimeios: Brasil anos 70 / 80.São Paulo: Fundação Armando Alvares Penteado, 1985.

PEDROSA, Mário. "Arte Ambiental, arte pós-moderna, Hélio Oiticica". In: AMARAL, A.Dos murais de Portinari aos espaços de Brasília. São Paulo: Perspectiva, 1981.

RIBEIRO, Marilia. "Arte e Política no Brasil: a atuação das neovanguardas nos anos 60"In: (Org) FABRIS, A. Ar te & Política – algumas possibilidades de leitura. Belo Horizonte: C/Arte, 1998.

ROSENTHAL, Mark. Understanding I nstallat ion Ar t : From Duchamp to Holzer, NewYork: Prestel, 2003.

ZANINI, Walter. "Duas Décadas Difíceis: 60 e 70" In: Bienal Brasil Século XX. São Paulo: Fundações Bienais de São Paulo, 1994

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/instalacoes-em-arte-no-brasil-principalmente-nas-metropoles-e-sua-transformacao-para-objeto-estendido-no-meio-urbano-2706941.html

    Palavras-chave do artigo:

    instalacao em arte no meio urbano

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